Amor I Love you

IV Capítulo

***

- Ikki, deixa de ser infantil!

- Não me chame mais de Ikki, me chame de fênix! – gritou, tentando se desvencilhar dos braços que o prendia, mas Shaka apertou mais seu pulso o que o forçou a parar e encará-lo.

- Escuta! Eu... eu não tenho nada com o Saga!

- Mas, é dele que você gosta, dá pra ver de longe!

- Seu estúpido, eu gosto é de você! – gritou o indiano.

Os dois pararam ofegantes se encarando. Ficaram assim por um tempo, até o indiano soltar-lhe o braço e baixar a cabeça. Mesmo assim nada disseram.

Shaka então virou-se e se afastaria, quando sentiu a mão do moreno puxá-lo pra si; em segundos dedos ergueram seu queixo e seus olhos se encontraram para depois os lábios. Um beijo apaixonado foi trocados por eles e naquele momento, esqueceram que estavam num estacionamento; só os dois existiam. E com isso, nem se deram conta dos flashes incessantes de alguns paparazzos.

***

Ikki abandonou os lábios do indiano que continuou com os olhos fechados.

- Eu também, loiro, também gosto muito de você... – voltou a beijá-lo com mais intensidade ainda, o encostando ao carro.

- Ikki, espera... – o escritor o empurro suavemente, se afastando, ofegante – Vamos pra casa...

O moreno assentiu com a cabeça entrando no carro. Em minutos deixavam o estacionamento, não percebendo que os paparazzos anotavam a placa do carro; aliás, eles não percebiam nada, só queriam sair dali e ficar juntos e sozinhos.

***

Chegaram a casa e foram logo para o quarto, deixando uma pilha de roupas pelo caminho; lábios e mãos se encontrando e se provando em alucinante delírio. Caíram na cama e se amaram de forma intensa e desesperada; não que o sexo entre eles fosse diferente, mas naquele momento, tudo era sentimento, qualquer resquício da relação profissional se foi completamente.

Depois de saciados e ainda ofegantes, ficaram abraçados, trocando carícias ternas a todo tempo e rindo feito bobos, da atual situação em que se encontravam.

- Loiro, que confusão nos metemos...

- Eu não me meti em nada, fui envolvido nisso contra a minha vontade... – riu Shaka.

- Certo, finjo que acredito!

- E por que você não acredita? – o indiano virou-se para olhá-lo ainda apoiado sobre o peito forte do moreno – Lembre-se que por várias vezes, eu o mandei embora e...

- Poderia ter sido mais persuasivo se quisesse. – riu Ikki com a carinha brava que Shaka fez – É verdade, poderia ter ido embora, ter se mudado; não me venha com essa! Ficou comigo porque gostou, fala a verdade!

- Isso é ridículo!

- Ridículo? – riu Ikki e afagou-lhe os cabelos claros – Ridículo é essa sua necessidade de negar os próprios instintos...

- Lá vem a filosofia de botequim! – riu Shaka; não tinha jeito, era sempre assim, mesmo nos momentos de descontração, não conseguiam concordar.

- Você gosta delas que eu sei... – falou Ikki com malícia, descendo a mão para a bunda firme do escritor – Mas, sei que o que você mais gosta é do meu pau, é doidinho por ele, tanto que não suporta ficar longe... – falou e apertou a bunda do loiro que soltou uma exclamação de protesto.

- Seu moleque atrevido! – riu Shaka, corando um pouco – Não sou esse tipo de...

- Para com essa pose de monge que sei que você não é nada disso! – tornou Ikki o puxando pra si – Acabamos de transar, quer me convencer disso justo agora, loiro safado?

- Ah, chega, eu me rendo, sim, eu gosto, gosto muito, sou louco por ele, quer mais alguma coisa? – perguntou Shaka divertido.

- Hum... deixe-me pensar... – Ikki fingiu ponderar o que fez o indiano rir mais – Você pode dizer que é o melhor que você já teve, que nunca viu algo tão maravilhoso e esplendoroso e grande, que adora quando eu meto em você até o fundo...

- Ikki, cala a boca, por Buda! – falou o loiro e tomou-lhe os lábios, abafando as palavras obscenas do rapaz; ao menos, temporariamente.

Amaram-se novamente e por toda a noite. Agora a aurora invadia o apartamento e Fênix observava o loiro dormir. Estava terrivelmente apaixonado por ele e não sabia como sairia daquela situação. Faltava pouco tempo para a separação; o loiro voltaria para a Grécia e ele continuaria com sua vida sem solução.

Tocou a pele clara dele e sorriu com a forma que Shaka mexeu-se e segurou seu braço. Voltou a se deitar ao seu lado, o envolvendo nos braços e suspirando, antes de adormecer também.

Deixa eu dizer que te amo

Deixa eu pensar em você.

Isso me acalma

Me acolhe a alma

Isso me ajuda a viver

- Ikki, acorda... – o loiro chamou, afagando-lhe os cabelos cacheados e o moreno abriu os olhos; o coração se alegrando ao ver aquele sorriso maravilhoso. Sim, queria ver aquele sorriso todas às manhãs.

- Bom dia, loiro, madrugando?

- Que madrugando! São dez horas da manhã e, eu trouxe seu café... – falou e pegou uma bandeja que estava na mesinha de cabeceira, colocando-a sobre a cama.

O moreno se sentou e observou a bandeja: frutas, pão integral, tofu. Tudo muito natural.

- Obrigado, o que deu em você? – perguntou pegando a caneca de café com leite – Desde quando é tão bonzinho?

- Gentileza de vez em quanto é bom, seu grosseirão! – reclamou o indiano – Além do mais, quero que você me leve num lugar hoje...

- Que lugar, loiro?

- Um daqueles hotéis que possuem aquelas piscinas de águas termais, a semana foi muito estressante e queria aproveitar esse final de semana para descansar, o que acha?

Ikki mirou os olhos brilhantes do indiano, meio sem jeito e o sorriso do rosto de Shaka se desfez.

- Ah, acho que me precipitei... eh, me desculpe...

- Não, loiro, não é isso! – tratou de corrigir, segurando o braço do indiano – Eu adoraria passar esse final de semana com você e... ir para um Ousen*¹ com você, de verdade, mas...

- Mas? – perguntou sem entender e Ikki sorriu; achava incrível a maneira calma como o indiano encarava tudo; embora, ele não fosse uma pessoa tão calma como parecia.

- É que esse final de semana especificamente, prometi que pegaria o Shun no colégio hoje e que o levaria para passear um pouco...

- Ah, isso... – Shaka suspirou – Tudo bem, então, entendo. Não precisa se preocupar, seu irmão precisa de você.

Ikki bebericou o café e mirou o rosto desapontado do loiro, embora ele tentasse disfarçar.

- Só se você não se incomodar que um pirralho de doze anos, vá com a gente...

Os olhos do loiro se abriram mais espantados.

- Ikki, isso não é necessário, se...

- Não me incomodaria, Shaka, se é isso que pensa... – ele ruborizou um pouco e baixou o olhar – Não me incomodaria levá-lo para minha vida e...

Hoje contei pras paredes

Coisas do meu coração

Passei no tempo

Caminhei nas horas

Mais do que faço a paixão

- Mas, seu irmão...

- Não gostaria que ele soubesse sobre a gente agora. – falou ainda olhando o chão – Sabe, seria difícil explicar que... nós dois...

- Eu entendo, não precisa ficar sem jeito. – o virginiano ergue-lhe o queixo e o mirou dentro dos olhos – Entendo de verdade, e entenderia também se você priorizasse o seu irmão; ele precisa muito de você...

- Mas, gostaria mesmo de passar o final de semana com você, e com o Shun, se isso não o incomodar.

- Não me incomoda. – sorriu Shaka – Então, tome café e vamos buscá-lo, o que acha?

- Tudo bem.

Shaka se levantou e caminhou para a porta, depois lançando um olhar sério para o moreno.

- Quando levantar, troque os lençóis e evite deixar migalhas pelo quarto! – falou e saiu.

Ikki fez uma careta.

- Você é um monstro disfarçado de anjo! – gritou, mas depois riu. estava feliz, feliz como há muito não era.

É um espelho sem razão

Quer amor? Fique aqui...

Ikki chegou à portaria da escola e assinou o termo para a liberação do irmão. Depois ficou esperando até que ele aparecesse o que não demorou muito. Logo o menino apareceu correndo com sua mochila nas costas.

- Nii-chan! – o menino exclamou se agarrando ao pescoço do irmão – Está tarde, pensei que não viria!

- Claro que eu viria, Shun! – disse Ikki o afastando e pegando a mochila – Vamos a um lugar, certo?

- Onde? – perguntou o garoto, olhando desconfiado para o irmão.

- Vamos a um Ousen fora da cidade o que acha?

- Queria ir ao shopping! – reclamou Shun – Não quero me esconder num hotel nas montanhas, quero ir ao cinema!

Ikki riu e afagou os cabelos volumosos do irmão.

- Tudo bem, seu chatinho, vamos ao shopping e ao final do dia vamos para o hotel.

- Ah, aí tudo bem, nii-chan, porque já estarei muito cansado mesmo! – comemorou o garoto e eles caminharam até o carro.

Shun olhou do loiro para o irmão e Shaka acenou para ele.

- Nii-chan, ele vai com a gente? – perguntou desconfiado.

- Vai sim, ele é... um amigo meu, você já o conhece não é? – disse sem jeito.

- Sim, eu sei. – falou Shun desconfiado, mas depois sorriu para Shaka e resolveu entrar no carro. Estava feliz demais com o dia de folga.

- Olá, Shun! – disse Shaka para o garoto, quando ele se sentou no banco de trás do carro.

- Oi, loiro...

Shaka riu e balançou a cabeça; devia ser um mal de família. Ikki também riu com a expressão usada por Shun. Entrou e deu a partida no carro.

***

Passearam pelo shopping durante toda a manhã; Ikki aproveitou para comprar roupas "apropriadas" para Shaka enquanto Shun estava no cinema. O escritor se divertia com as sugestões do mais jovem; muito jeans e camisetas.

- Ikki, não sei se percebeu, mas não sou mais um adolescente...

- Você é muito jovem e essas são roupas para jovens e não para adolescentes. – falou o moreno – Veste, ficará lindo em você.

Shaka ainda olhou um pouco para a calça jeans e a camiseta, antes de aceitar e entrar no provador. Saiu minutos depois e Ikki assoviou o que deixou o escritor vermelhinho, porque as vendedoras começaram a rir e cochichar.

- Ficou lindo, amor! – falou Ikki em alto e bom tom, se aproximando e ajeitando a gola da camisa branca.

- Ikki, para... – cochichou Shaka – Não precisa dar tanto na pinta que nós...

- Está com vergonha do que é, sábio escritor?

- Discrição não quer dizer vergonha. – falou, afastando a mão do rapaz e voltando para o provador.

Escolheram ainda mais algumas peças e depois foram buscar Shun no cinema; o menino já estava esperando.

- Puxa, vocês demoraram! – reclamou ele – Para onde vamos, agora?

- Almoçar. – falou Shaka – Estou morto de fome.

- Ah, eu também! – concordou Ikki enlaçando os ombros de Shaka e os do irmão – Que tal irmos para um restaurante maravilhoso que fica no caminho do hotel que ficaremos esse final de semana?

- Portanto que não tenha somente pratos a base de carne, ou peixe, ou laticínios, ou...

- Nossa, você é muito enjoado mesmo! – riu Shun – Bem que o Ikki me avisou!

Shaka olhou de um para o outro.

- Ah, eu falei de você para ele, expliquei o motivo de você tê-lo visitado no colégio... – explicou Ikki sem jeito.

- É, percebo que falou muito a meu respeito! – cruzou os braços o loiro – Falou dos meus defeitos...

- Não foi nada disso, loiro...

- Ah, não? E como ele sabe que sou enjoado?

- Admitiu! – riu Ikki e Shaka o esmurrou no braço.

- Idiota!

Shun parou e olhou os dois rapazes mais velhos. Cruzou os braços com uma expressão maliciosa que embaraçou a ambos.

- Sabe o que vocês estão parecendo? – perguntou e Shaka e Ikki se entreolharam.

- Não!

- Namorados!

Os dois empalideceram.

- De onde você tirou isso, seu pirralho?! – reclamou Ikki tentando se fazer de bravo para esconder o constrangimento.

- Ah, lá no colégio tem vários rapazes que são namorados; isso é normal lá...

- É...? – perguntaram Shaka e Ikki boquiabertos com a desenvoltura do rapazinho de doze anos.

- Ah, sim... – sorriu Shun e ruborizou – Mas não se preocupe nii-chan, eu não tenho namorado, juro! Já falei para o Hyoga que a gente só poderá namorar quando eu fizer quatorze anos! – falou o rapaz orgulho – Olha, Ikki, vou comprar pipoca!

O menino saiu correndo atrás do pipoqueiro e Ikki e Shaka trocaram um olhar estarrecido; depois o leonino ficou irritado...

- Shun, volta aqui...

- Deixa, Ikki... – pediu segurando-lhe o braço – Nessa fase é melhor não querer explicar muito e nem saber muito, sabe...

- Sabe? Como você sabe? Você já teve um irmão mais novo, loiro? – perguntou irritado.

- Não, mas também tive um namoradinho quando tinha doze anos...

- O quê? Doze anos? Você era uma criança, loiro pervertido! – acusou – Meu irmão não terá namoradinho nenhum! Eu mato o engraçadinho que ousar encostar no Shun, entendeu?

Shaka suspirou e olhou pra cima, pedindo paciência.

- Entendi sim, Ikki, vamos deixar essa história pra depois, certo? – falou com um sorriso complacente o que desanuviou um pouco o semblante do mais jovem.

Encontraram Shun já com um enorme balde de pipoca nas mãos.

- Você vai perder o apetite! – reclamou o Amamiya mais velho afagando os cabelos cacheados do irmão.

- Duvido, sou um pré-adolescente, esquece? – riu Shun – Vamos?

O menino chamou saindo andando na frente. Ikki riu, balançando a cabeça.

- Deveria ser teu filho, Shaka!

- Nem morto, não tenho paciência com crianças! – riu o virginiano e eles seguiram para o restaurante de beira de estrada; almoçaram e chegaram ao final da tarde ao ryokan*² e escolheram os quartos; Shun logo resolveu explorar as redondezas; a imensa área verde, cercada de cerejeiras e cedros era um convite delicioso ao bucolismo.

- Por que me trouxe a um lugar como esse? – perguntou Ikki envolvendo a cintura do loiro que se afastou.

- Para, Ikki, o Shun não está tão longe... – falou enquanto andavam pelo bosque ao lado do hotel, tendo o menino mais a frente.

- Ele não pareceu muito chocado com a possibilidade de eu ter um namorado...

- Isso é o que acho mais estranho...

- Eu também, porque sempre tive namoradas, inclusive, ele e a Esmeralda se davam muito bem...

- E onde está a Esmeralda agora? – perguntou tentando não demonstrar interesse.

- Não sei, terminamos e não quis mais atender seus telefonemas... – respondeu Ikki de má vontade.

- Por que terminaram?

- Vai ficar fazendo interrogatórios, agora? – perguntou irritado.

- Responda se quiser... – falou e adiantou o passo ou adiantaria se o mais jovem não o puxasse pelo braço e o encarasse nos olhos.

- Ah, como você é esquentadinho...

- Não sou; não estou zangado. – falou Shaka com indiferença – Mas se não quiser falar...

- Ela vai viajar, vai estudar na França...

- E você não pôde ir junto, por causa do Shun? – perguntou o indiano sem demonstrar nenhum sentimento; colocando as mãos nos bolsos da calça jeans.

- Sim e não...

- Ah, explique-me a sua lógica... – riu o loiro.

- Não gostaria de morar na França...

- Só por isso?

Ikki suspirou.

– Não poderíamos falar de outra coisa? – perguntou incomodado – Não acho que me trouxe aqui para que ficássemos falando da Esmeralda...

- Falar dela o incomoda...

- Você está com ciúmes, loiro? – provocou.

- Não seja ridículo! – riu Shaka – Vamos caminhar mais rápido, antes que seu irmão se perca nesse bosque.

Ele falou e seguiu, jogando o cabelo que a brisa levava, para trás. Ikki ficou o observando andar elegantemente, até encontrar Shun que jogava pedrinhas num lago.

Correu até eles, tirando uma máquina digital do bolso.

- Fiquem aí mesmo, quero tirar uma foto de vocês! – falou e os dois virginianos sorriram para ele e... Clik!

Deixa eu dizer que te amo

Deixa eu gostar de você

Isso me acalma

Me acolhe a alma

Isso me ajuda a viver

***

Aiolia, Mu e Camus chegaram ao aeroporto, exausto, logo encontraram Milo e Saga que os esperavam; o loiro levava uma expressão extremamente preocupada, mas resolveu não dizer nada, esperaria outro momento mais íntimo para que tivessem aquele tipo de conversa.

***

Depois de correr por toda a propriedade do hotel, Shun sentiu-se entediado e implorou para que no dia seguinte, voltassem à cidade. Ikki e Shaka concordaram; realmente era uma tortura para uma criança de doze anos, ficar num hotel isolado. Quando o loiro pensou no passeio, não imaginou que teriam companhia.

Resignou-se; o rapazinho até que era bonzinho, não era tão assustador quanto às outras crianças que conhecia e até bastante educado.

Quando a noite caiu e depois que eles colocaram Shun para dormir, resolveram, em fim, aproveitar o rotenburo*³ do quarto. Shaka relaxou imediatamente ao contato com a água quente, se recostando nas pedras da piscina e fechando os olhos. Ikki sorriu para ele que apoiou a cabeça em seu ombro, já que estava sentado ao seu lado.

- Ah, estou me sentindo tão leve... – falou o loiro – Mesmo tendo que voltar amanhã, adorei o passeio. O contato com a natureza sempre me relaxa.

- Desculpe, loiro... – falou Ikki sem jeito – Eu estraguei nosso passeio, não foi?

Shaka abriu os olhos e sorriu, afagando o rosto moreno do leonino.

- Nada disso, gostei de sair com seu irmão. Foi divertido...

- Não mente, você disse que não gosta de crianças...

- Ah, mas até que ele é comportado... – riu o indiano e Ikki o puxou pra si de forma que Shaka ficou entre suas pernas.

- Bem, agora ele está dormindo e podemos aproveitar a noite como merecemos... – sussurrou tomando-lhe os lábios num beijo sensual; Shaka o envolveu nos braço, sentindo a pele arrepiada contra a água quente. Ikki desceu os lábios por seu pescoço, lambendo a pele molhada, enquanto as mãos caminhavam pelo corpo do loiro, delicadamente, sem pressa; sentindo-lhe a textura macia...

- Ah, Shaka, você é tão gostoso... – sussurrou enquanto mordiscava-lhe o queixo – Se pudesse... passava o dia inteiro mordendo você...

O indiano riu e ruborizou.

- Você diz cada coisa, Ikki...

- Ao contrário de você, não tenho problema nenhum em assumir minhas taras e perversões... – murmurou, continuando a mordiscar, agora, os ombros, descendo pelo peito definido e delgado – Adoro sua pele... adoro morder você... beijar, chupar...

Shaka gemeu jogando a cabeça pra trás, dando total liberdade aos lábios do moreno que mordiscou-lhe os mamilos alternadamente, fazendo-o gemer mais alto. Foi descendo os lábios pela barriga do escritor, até chegar bem no limite em que a água o cobria...

Levantou-se e sorriu com malícia.

- Encosta aqui... – falou o puxando para que se encostasse nas pedras que cercavam o rotenburo. Shaka sorriu e obedeceu.

- O que você quer fazer? – perguntou vendo-o se aproximar e se encaixar entre suas pernas.

- Morder e chupar você, todinho, loiro... – falou da forma mais sacana, começando a lamber a ereção do indiano que gemeu e se segurou nas pedras da piscina.

- Não quer parar com a parte do lamber e... – gemeu – Começar logo a parte do chupar... não?

Ikki sorriu, olhando para ele com a cara mais safada.

- Loiro apressado... onde está a paciência budista, hein?

- Ficou em casa, agora para de me torturar... – gemeu Shaka projetando os quadris pra frente. Ikki riu e começou a lamber e sugar devagar, enquanto mirava de forma lasciva o rosto ruborizado e as caretas de prazer que Shaka fazia, fechando os olhos e jogando a cabeça pra trás; aquilo enlouquecia o moreno e ele chupava ainda com mais força. Shaka não demorou a gozar.

Ikki ergueu-se e puxou o indiano para si.

- Vamos terminar lá no quarto...

Shaka assentiu com a cabeça e voltou para o quarto, apoiado no ombro do moreno; já que ainda estava meio zonzo pelo orgasmo recente. Deixou-se cair no fúton, e Ikki subiu nele,o beijando com carinho, fazendo-o experimentar o próprio gosto...

- Você é delicioso, loiro... – falou, descendo os lábios pelo corpo branco dele – E eu adoro te comer... te provar nos mínimos detalhes...

- Ah, como você é cafajeste... – murmurou Shaka entre os gemidos.

- Sou sim, e você adora; adora minhas palavras chulas... – deu uma chupada no mamilo rosado, fazendo o loiro arquear o corpo e gemer mais alto – Adora quando falo obscenidades... – mordiscou a pele sensível – E eu adoro essa cara de putinho que você faz quando estamos na cama... – deslizou os dedos para as nádegas do indiano – E adoro ainda mais esse seu rabinho apertadinho... – enfiou um dedo dentro dele, fazendo o escritor gritar.

- Ah... Ikki... – gemeu de excitação, sentindo o sexo voltar a enrijecer sob as carícias do moreno; ele era tão hábil em enlouquecê-lo como ninguém nunca foi; realmente era um profissional...

Shaka não soube o motivo, mas aquela afirmação o entristeceu; entretanto, não queria compartilhar isso com o amante. Tratou de tirar aquilo da mente e se concentrar no prazer; nos dedos que o invadia e estimulava, alargava e o preparava para um prazer maior; na mão que brincava insistentemente com seu sexo e fazia-o gemer...

- Vem, Ikki... agora... – falou enlaçando a cintura do moreno com as pernas e o puxando pra si, quase o fazendo cair sobre seu peito.

O mais jovem riu.

- Nossa, loiro, que habilidade com as pernas... – provocou.

- Cala a boca e vem logo...

Ikki afastou-se, abrindo as pernas do escritor e as mantendo afastadas. Se posicionando no meio delas.

- Relaxa que agora vou te fuder bem gostoso, meu anjo safado... – sussurrou olhando-o com malícia.

Foi bem no momento que a penetração começaria que eles escutaram batidas na porta e depois uma voz infantil...

- Ikkiiii, você tá aí?

Imediatamente Shaka empurrou o moreno que caiu com a cara no chão, praguejando, e correu para pegar as Yukatas, se vestindo e mirando o moreno com uma cara assustada.

- É seu irmão!

- Como se eu não soubesse, merda! – resmungou vestindo o quimono também.

Shaka observou a própria ereção e depois a de Ikki bem salientada, e que a fina peça de roupa fazia questão de delinear obscenamente.

- Bem... eh, vou ao banheiro! – o loiro disse e correu para o cômodo informado.

- Espera, Shaka e o que eu faço?! – perguntou segurando o próprio sexo enquanto o irmão continuava a bater na porta – Já vai, Shun!

- O que vocês estão fazendo trancados aí dentro? – ouviu a voz do menino e quase rosnou.

"O que você acha moleque infeliz?" pensou e pegou uma almofada, segurando-a estrategicamente sobre o sexo.

Abriu a porta e encontrou os olhos curiosos do irmão.

- O que foi dessa vez, Shun? – perguntou tentando a todo custo encontrar paciência para lidar com um pré-adolescente.

- Ah, eu não conseguia dormir, você disse que ficaria no quarto comigo, só que quando acordei estava escuro e você não estava; então, pensei que você deveria estar conversando com o Shaka... – o menino tentou olhar sobre o ombro do irmão – Onde está o Shaka?

- No banheiro... – respondeu Ikki com um suspiro, saindo da porta e deixando o rapazinho entrar.

- Por que ele está no banheiro, hein? – perguntou o menino e depois olhou o rosto afogueado do irmão e depois para a almofada que ele segurava contra o corpo – Por que você está segurando isso, Ikki?

- Hã, o quê? Ah, não enche, Shun! – falou nervoso – O que você quer afinal?

- Ikki, eu não gosto de ficar sozinho... posso ficar aqui com vocês?

Fênix chegou a abrir a boca, mas ao mirar os olhos carentes do irmão, voltou atrás no que diria.

- Sim, digo... se o Shaka não se incomodar...

- Não me incomoda... – falou o loiro que saia do banheiro. Ikki reparou no roupão que ele vestia e nos cabelos molhados;

"O filho da mãe tomou um banho para apagar o fogo e me deixou aqui na fogueira..." pensou irritado.

- Shaka, não precisa...

- Estou falando sério, Ikki, não tem problema... – sorriu o loiro – O fúton é bastante espaçoso pra nós três, a não ser que isso seja um problema pra você. E quando o Shun dormir, o colocamos de volta no quarto dele o que acha?

- Acho que o Shun já está bem grandinho para ficar correndo para minha cama! – o moreno mirou o amante, irritado.

- Puxa, nii-chan, mas é que... aqui é um lugar estranho! – explicou o menino embaraçado – Eu não tenho medo de dormir sozinho em lugares conhecidos!

Shaka riu e se aproximou, pegando o garoto pelo braço.

- Pode dormir aqui Shun, seu irmão está um pouco... mal humorado, só isso... – falou e deitou o garotinho no fúton.

" Você deveria dizer sexualmente frustrado, isso sim!" resmungou Ikki baixinho.

Shun se deitou no fúton e fechou os olhos; estava cansado. Shaka se aproximou de Ikki que ainda segurava a almofada sobre o "dito cujo".

- Não fica com essa cara... – falou o loiro, divertido.

- Ah, pra você é fácil, já gozou, não é? – falou emburrado, baixinho para o irmão não ouvir.

- Mas eu queria mais... – riu Shaka da cara brava dele e mirou o menino que parecia dormir realmente – Ele é tão bonitinho...

- Sim, bonitinho e mala sem alça! – falou, mas acabou rindo também; largou a almofada no chão – Bem, vou tomar um banho e de preferência bem gelado!

Saiu, deixando Shaka rindo. O indiano suspirou; realmente o passeio não saíra como ele imaginara.

***

Tóquio:

- O que você está dizendo, Milo? – espantou-se Mu – O Shaka está... não é possível!

- É possível sim, estou dizendo! – falou o loiro grego.

- Apaixonado? – Aiolia indagou abismado – Não é possível, todos sabemos que ele gosta do Saga!

- Pelo visto gostava. – falou Camus tranquilamente.

- Bem, precisamos descobrir se isso é verdade... – disse Mu preocupado.

- Bem, isso sendo verdade ou não, precisamos ajudar o loiro, não podemos deixá-lo nas mãos desse aproveitador! – tornou Milo, nervoso.

- Isso mesmo, e nós somos os culpados. – falou Mu – Precisamos tirar o Shaka do Japão o quanto antes.

- Isso! E quem pode nos ajudar nisso é você... – volveu Aiolia.

- Eu? – Saga espantou-se – A culpa disso tudo é de vocês pelo que entendi; vocês sabem quanto o Shaka é inocente e foi por isso mesmo que não quis ficar com ele!

- Inocente, até aparece... – riu Aiolia e levou um beliscão de Mu – Ai!

- Precisamos da sua ajuda mesmo, Saga, não podemos deixar o Shaka com aquele... pivete prostituído! – falou o tibetano.

- O que querem que eu faça? – conformou-se o grego.

- Ah, Saga, você sabe que na verdade o loiro é caidinho por você; isso que ele está sentindo por esse michê é por pura carência; é só você chegar junto e ele se derrete! – falou Milo.

- Vocês já ponderaram que ele pode gostar mesmo do rapaz? – perguntou Camus tranquilamente.

- ISSO É IMPOSSÍVEL! – falaram todos ao mesmo tempo e o ruivo ergueu a mão em sinal de paz.

- Não está mais aqui quem falou.

- Bem, acho que não precisamos nos preocupar tanto. Logo o Shaka voltará para a Grécia e com certeza esquecerá esse garoto de programa.

- Com uma ajudinha do Saga, ele esquecerá bem rapidinho... – piscou Aiolia e Saga balançou a cabeça.

- Quem tem vocês como amigos, não precisa de inimigos.

***

Shaka e Ikki estavam deitados no fúton tendo Shun entre os dois; o moreno enrolava os cabelos do loiro, passando o braço por cima da cabeça do irmão; e o escritor olhava para o teto, pensativo.

- Ikki, posso lhe dizer uma coisa?

- Diz loiro...

- Você precisa tirar o Shun daquele colégio...

- Eu sei, mas não posso, ao menos, não por enquanto...

- E se eu ajudasse?

- Loiro, não me leve a mal, mas isso é um problema meu; não é justo que se preocupe assim com meus problemas...

Shaka virou-se para encará-lo nos olhos.

- Orgulhoso...

- Gostoso...

Sorriram e ficaram assim até que as pálpebras pesaram e acabaram adormecendo ali mesmo como estavam, tendo Shun os separando.

Meu peito agora dispara

Vivo em constante alegria

É o amor que está aqui

Amor I love you

Amor I love you

Amor I love you

Continua...

Notas finais: O Shaka se deu mal nessa! Mal casou e já ganhou um filho de 12 anos KKKKKKKKKKKKKKK. Ah foi kawaii esse capítulo, não foi? Bem açucarado XD! Mas será que no próximo as coisas ficarão assim? ... hihihihih...

A música como não poderia deixar de ser é a açucarada Amor, i Love you da Marisa Monte.

E agora com essa turma de escritores contra o Ikki o que vai acontecer, hein?

O Ryokan é uma hospedaria típica japonesa. Os hóspedes dormem em quartos com nomes de flores em futon sobre tamtamis, vestidos com yukatas que são uma espécie de kimono de verão. Geralmente esses hotéis possui onsens que é como se chama as fontes de águas termais com temperaturas superiores a 25 graus. São considerados para os japoneses como um refúgio da vida conturbada das grandes metrópoles.O rotenburo é a própria piscina de água quente que geralmente fica nos quartos, sendo privativas.

Beijos a todos que leram e gostaram. Beijos especiais aos que deixaram reviews carinhosos com críticas, sugestões e quando possível, elogios.

MCristal Black, K. Langley, Amamiya fã (também vou matar aquela bêbada abusada XD!), Kojican, Cristiane (maluquinha amiga!), sasulove, Leko, lalay, My, Danieru, Mefram_Maru,Arcueid, Shunzinhaah2, Juliabelas, Tom e Vagabond

Obrigada de coração.

Sion Neblina