Mas eu me mordo de ciúmes!

Capítulo 8

O táxi parou na entrada do prédio e o indiano correu para dentro, com medo de ter sido seguido. Entrou e encontrou o moreno na cozinha, sentado à mesa, com um copo d'água na mão e uma expressão distante.

- Ikki?

Ele pareceu se assustar com sua voz e se levantou abruptamente, largando o copo e abraçando Shaka com força.

- Loiro, onde você andou?

- Eu... eh... – uma das psicoses do escritor era que, havendo uma relação pessoal, não poderia haver mentiras – Vamos falar disso depois, o que você tem? Você...

Shaka olhou o rosto afogueado do rapaz e depois o copo sobre a mesa, inclinou-se perto dos seus lábios.

- O que você estava bebendo, Ikki?

- Vodka...

- Ah, por Buda, e por quê?

- Não faz perguntas, loiro, fica quietinho... – falou apertando o escritor ainda mais nos braços.

- Ikki... me diz... – Shaka interrompeu-se ao ser erguido nos braços pelo moreno e levado para o quarto – Ikki, espere!

Pediu se sentando na cama e mirando os olhos perturbados do mais jovem.

- O que aconteceu?

- Você acredita em mim, loiro? Acredita no que sinto?

Shaka estava confuso; o rapaz era sempre tão debochado e seguro, por que estaria tão vulnerável e angustiado? Ele não aparentava ter saído de casa, ainda vestia um roupão... Em falar nisso, gostaria mesmo de saber onde ele arranjou aquela garrafa de vodka, mas não era hora de fazer aquele tipo de pergunta.

- Claro que acredito, Ikki, vem cá... – falou o puxando pra si. O mais jovem deitou a cabeça em seu peito.

- Não importa, loiro, por mais que demonstre meus sentimentos... Para os outros, sempre serei um garoto de programa, nada além disso! Um interesseiro que quer se aproveitar de você!

Shaka suspirou resignado.

- Eles estiveram aqui, não foi?

- Não importa, só você importa pra mim! Quero que todos eles vão para o inferno! Não me importa o que eles pensam!

O indiano afagou o rosto moreno e depois o abraçou forte.

- Não quero vê-lo assim. – disse – Você não tem que se envergonhar de nada, de nada mesmo! Eu gosto de você exatamente como é.

- Shaka, você não entende... – Ikki se afastou para mirar o loiro nos olhos – Mesmo que... mesmo que queira ficar comigo; para os seus amigos, nossa relação nunca será verdadeira.

- E o que importa a opinião deles?

- Para mim não tem importância, mas e pra você? – perguntou baixando o olhar – Você mesmo disse que são seus únicos amigos. Abriria mão deles?

Shaka sorriu e balançou a cabeça.

- Se são meus amigos de verdade, terão que aceitar minhas decisões. Agora para de neura e me beija...

Ikki sorriu também e o beijou; um beijo cálido e delicado, enquanto deitava o escritor na cama com cuidado.

- Então isso quer dizer, loiro, que você vai ficar comigo, depois que o mês acabar? – perguntou entre os beijos que se tornavam cada vez mais quentes.

- Quero sim, Ikki, quero muito... – murmurou Shaka devorando os lábios do moreno; buscando sua língua com ansiedade extrema.

- Eu te amo, loiro, amo de verdade...

O coração de Shaka se encheu de alegria e ele o beijou com mais força, livrando-o do roupão; deixando aquele corpo moreno e sarado completamente livre para sua exploração.

Amaram-se mais uma vez, de forma plena; completa como nunca, e logo adormeceram. Melhor, Ikki, sob o efeito da vodka, caiu num sono profundo. O loiro hindu resolveu sair para acertar algumas contas enquanto ele dormia.

Shaka invadiu a suíte na qual Aiolia e Mu estavam hospedados; mas encontrou apenas o ariano que o mirou, meio surpreso.

- Shaka? – Mu estranhou o olhar colérico e a expressão furiosa do geralmente calmo, amigo.

- O que vocês pensam que estão fazendo? – perguntou – Pensam, a caso, que minha vida é um joguete? Um brinquedo de vocês?

- Não sei do que está falando. – falou Mu calmamente e meio sonolento; pois já se passava das dez da noite e ele estava dormindo quando foi avisado da visita do indiano.

- Você sabe sim, Mu, não seja dissimulado!

- Se está falando do rapaz...

- O nome dele é Ikki, não o trate como se fosse um objeto!

- Não sou eu quem o trata assim; ele mesmo faz isso. Esquece-te que ele vende o próprio corpo?

Shaka ruborizou mais, de raiva e indignação.

- Só por isso você acha que ele não tem sentimentos?

Mu suspirou e encarou o amigo nos olhos.

- Não julgo o rapaz; nunca disse que ele não fosse um ser humano ou que não tivesse sentimentos como qualquer ser humano. Apenas duvido dos sentimentos dele por você.

- Por quê?

- Sou lógico, Shaka, e não acredito em contos de fadas. Um dia você também foi assim.

- Você não me conhece, Mu, eu nunca fui assim. – disse sério e magoado – O Ikki foi a única pessoa capaz de enxergar quem realmente sou. A única! E não deixarei que vocês atrapalhem isso!

- Shaka...

- Eu o amo...

- Não diz isso, meu amigo... – pediu Mu, preocupado – Você não é estúpido!

- Pense o que quiser, Mu, eu o amo e ficarei com ele não importa o que faça!

- Só estamos pensando em você. – falou Mu se culpando intimamente por aquela situação.

- Dispenso a preocupação...

O tibetano se aproximou e segurou o braço do amigo.

- Não se esqueça que somos seus amigos!

Shaka se desvencilhou dos dedos dele.

- Não esqueço. Mas isso não significa que sejam donos da minha vida. E da minha vida, faço o que quero!

- Nunca foi nossa intenção. Só achamos que, como fomos nós que colocamos esse rapaz em sua vida, era nossa obrigação afastá-lo de você. Shaka, será que não vê que isso é um golpe?

- Mu, esperava isso de todos, até mesmo do Saga, mas não de você. – disse o loiro, magoado – Pensei que entenderia que a alma humana não é previsível e nem muito menos os sentimentos. Ikki me ama.

- Não, ele não o ama e você sairá magoado disso, meu amigo.

- Chega! Não quero ouvir mais nada de você! – falou o virginiano caminhando para a porta – Fique fora do meu caminho, Mu Rendha!

Ele saiu. Estava magoado e irritado ao extremo; mas feliz pela nova possibilidade que se abria a sua frente. Nunca pensara que pudesse ser feliz no amor. Na verdade, nunca pensara que pudesse ser feliz em nada.

Chamou um táxi e rumou para casa, onde havia um monumento oriental o esperando.

Aiolia, Camus e Milo tomavam um drinque no bar do luxuoso hotel. O ruivo examinava, meio aturdido, o rosto do amante e do amigo; tentando entender aonde eles queriam chegar com tudo aquilo.

- Caros, isso já está beirando a obsessão. – disse o francês – Acho que o Shaka é grandinho o suficiente para saber o que é melhor pra ele. Vocês estão sendo ridículos!

- Camus, meu problema é consciência pesada. – disse Aiolia – Porque fomos nós que o colocamos nessa roubada.

- Por isso mesmo, acho que deveriam respeitar a decisão dele agora. – continuou o ruivo – Vocês já agiram muito egocentricamente, se posso assim dizer, ao forçá-lo a uma situação que ele não queria; e agora que ele quer, vocês estão dispostos a persegui-lo? Façam-me um favor!

- Esquece o Camus, Olia. Ele nunca entende nada! – disse Milo – Não faremos nada a não ser mostrar ao Shaka a roubada em que ele está se metendo. Só isso.

- Olha, pra mim chega. – falou o ruivo – Não contem comigo para nada que envolva essa história. Vocês estão passando dos limites!

Camus saiu irritado; voltaria para o quarto. Não tinha paciência para intrigas adolescentes como aquela.

Milo e Aiolia ficaram ainda um tempo no bar, conversando e combinando o próximo passo para tirar o michê da vida do inocente amigo.

Shaka desceu do táxi e estava entrando no prédio, quando uma mão forte segurou seu braço. Virou-se, lívido, pensando se tratar de algum jornalista. Mas deparou-se com sérios olhos verdes.

- Saga! Que susto você me deu! – falou irritado e o geminiano riu.

- Vejo que anda muito assustado. Compreendo, depois daquela reportagem...

O loiro corou.

- Então você já viu...

- Vi, por isso, voltei aqui. Precisamos conversar mais um pouco.

- Saga, essa reportagem está sendo um pesadelo. – falou incomodado – Mas, nesse momento não desejo falar dela. O que faz aqui? Sabe que horas são?

O geminiano consultou o rollex que levava no pulso.

- Meia-noite.

- Então...

- Preciso falar com você, Shaka... – a voz rouca e sensual falou e o loiro pôde sentir-lhe o hálito de tão próximo que ele estava.

Engoliu em seco.

- Saga, sinto muito, mas não é um bom momento para conversarmos, sabe... eu preciso...

O grego olhou para a sacada do prédio e depois sorriu com ironia.

- Já entendi... – falou e Shaka seguiu-lhe o olhar e empalideceu, encontrando os olhos irritados de Ikki.

- Preciso... eu...

- Nunca imaginei que um dia você fosse tão submisso aos caprichos de outra pessoa. – falou Saga.

- Submisso? Não compreendo...

- A forma que você fica nervoso e com receio de chatear esse rapaz. O que sente por ele, Shaka?

- Não é nada disso... eu... isso... – não conseguiu dizer nada; odiava o efeito que, a contra gosto, o geminiano ainda tinha sobre ele; embora aquilo fosse mais devido a sentimentos do passado que a sentimentos atuais.

- Tudo bem. Você não é obrigado a me responder. – sorriu com ironia o moreno – Bem, estou indo, quando puder falar comigo, me liga.

Ele saiu e o loiro respirou fundo pensando: "O final perfeito de um dia perfeito."

Entrou no apartamento e encontrou o leonino bebericando algo e assistindo TV na sala.

- Disse para não ligar isso! – falou o escritor, mas sem nenhuma irritação. Ikki não respondeu e nem olhou para ele. Então, o loiro pegou o controle remoto e desligou o aparelho.

O moreno ergueu os olhos, mirando-o. Mas sua expressão era indecifrável. Ficaram em silêncio por um tempo.

- Não precisava sair na calada da noite, Shaka; se queria encontrá-lo era só dizer, eu sairia para que ficassem a sós...

- O quê? Do que você está falando?

- Não precisa mentir! – esbravejou Ikki, deixando cair a postura indiferente – Por que merda, você foi atrás desse cara?!

- Mentir? Primeiro, se você não sabe, eu não minto. Segundo, não saí para encontrar o Saga, ele veio atrás de mim! – falou o indiano – E você deveria deixar de ser tão ciumento, não aconteceu nada!

- Não são ciúmes, aliás, eu nem devo sentir ciúmes...

O loiro o mirou nos olhos e ele emudeceu.

- Por que não deve? Por que nossa relação é profissional, é isso?

- É isso sim!

- Ótima resposta para quem há duas horas atrás disse que me amava! – retorquiu irritado e Ikki emudeceu e baixou a cabeça.

- Ah, Shaka, por que estamos brigando? – perguntou sem jeito – Não adianta brigarmos agora, o mal já foi feito... esse cara... ah, por que esse cara tinha que vir atrás de você?

- Não tive culpa. – sussurrou o indiano.

- Eu sei... – balbuciou ainda olhando para o chão.

O loiro sorriu e se sentou ao lado dele.

- Você se preocupa demais. – disse – Eu disse que resolveria as coisas e resolverei de verdade.

- Só não entendo que coisas são essas. Envolvem esse cara? – os olhos índigos se ergueram para mirar o rosto plácido do loiro; ao contrário da segurança de sempre, eles demonstravam muitas incertezas.

- Não, Ikki, não tem nada a ver com ele. Eu não tenho nada a ver com ele. – disse e afagou o rosto do moreno - Agora que tal dormirmos? Você precisa ir pra cama cedo, tem academia amanhã...

- Não vou pra academia, está cheio de fotógrafos e jornalistas na frente dela, me esperando... – falou mal humorado.

- Ah, desculpe, transformei sua vida num inferno, não foi? – perguntou recostando a cabeça no ombro do moreno. Ikki suspirou e mirou os olhos azuis do indiano.

- Não, loiro, você não fez isso... eu...

- Hum? – os olhos de Shaka o interrogaram.

- Você só me traz paz, anjo.

- Sinto-me lisonjeado... – sorriu o escritor – Eu te amo, Ikki...

- Também te amo, mas não deveria me deixar sozinho no meio da noite, não gosto disso!

- Fui falar com meus amigos... – confessou – Pedir para que nos deixe em paz.

- E?

- Não sei, mas não me importo.

- E aquele cara, o que disse? – indagou voltando a fechar a cara.

- Não conversei com ele e nem me importa o que ele pense.

- Se ele ficar correndo atrás de você, eu... – Shaka o silenciou colocando um dedo contra seus lábios, e escorregou para seu colo. O moreno sorriu.

- Bobo ciumento; ele não ficará atrás de mim, não é da natureza do Saga. Pode ficar tranqüilo.

- Sou ciumento sim, admito, mas só quando tenho motivos...

- Não tem motivos... – falou e beijou os lábios carnudos do mais jovem, envolvendo seu pescoço com os braços e afagando-lhe a nuca; olhando dentro dos olhos azul noite.

Ikki deslizou os dedos pelo rosto de anjo de Shaka, olhando-o com extrema malícia, mas demonstrando um carinho que inquietava e aquecia.

- Não tenho mesmo? – perguntou e mordiscou-lhe os lábios.

Shaka balançou a cabeça, negando.

- Embora ache que... você fica lindo zangado...

- Sério...? – perguntou o moreno, sem se abalar, começando a desabotoar a camisa do escritor e enchendo seu pescoço de pequenos beijos.

- Sério sim... – riu Shaka – Pena que terei que voltar a Grécia no sábado...

- Tem mesmo?

- Ah, Ikki, você sabe que sim... – murmurou – E relacionamentos à distância não dão certo...

- Tem certeza que quer ir embora, loiro? – sussurrou, mordiscando-lhe a orelha enquanto descia as mãos pela coluna do escritor até chegar à curva que levava as nádegas firmes.

- É indecente me perguntar isso agora... – sorriu Shaka.

- É minha única chance contra sua lógica... – falou mordendo a ponta da camisa branca que ele vestia e o despindo com os dentes, enquanto mirava com luxúria o rosto de anjo, ruborizado.

- O que você está fazendo? – riu Shaka – Parece um cachorro!

- Cachorro? Não, um leão que vai te comer...bem gostoso...

- Ikki... – sussurrou enquanto sua camisa escorregava para fora do corpo – Você não cansa?

- Por quê? Já está cansado, loiro? Eu mal comecei... – sussurrou o moreno o deitando na cama. Shaka suspirou e deixou que ele lhe tirasse a camisa de vez.

- Não está com ressaca?

- Parece que estou?

- Onde achou aquela vodka?

- Comprei e trouxe escondida na mochila...

- Moleque! – riu o indiano e deixou escapar mais um suspiro quando a língua hábil serpenteou por seu mamilo esquerdo, para logo depois os dentes se cravarem nele, provocando uma mistura de dor e prazer.

- Ai... – o gemido que soltou foi mais uma provocação que uma reclamação; no pouco tempo em que estavam juntos já havia aprendido o que excitava o leonino; seus gemidos era uma dessas coisas.

- Quero que gema bem alto, loiro, quero que seus amigos escutem o quanto somos felizes! Quero que escutem lá do hotel deles... – brincou o moreno continuando a lamber e mordiscar a pele clara e cheirosa de Shaka, subindo os lábios para o pescoço delgado e escorregando a língua por sua orelha.

- Não temos que provar nada a eles... – falou Shaka se deixando deitar na cama e puxando o moreno para um beijo lento e demorado; explorando-lhe a boca e a língua macia, enquanto as mãos começavam a livrá-lo do short que ele vestia.

- Hum... loiro apressadinho... – murmurou divertido, sentindo a peça de roupa descer por suas pernas, parando no joelho. Despiu-se de vez.

Shaka espalmou as mãos no peito musculoso de Fênix, sentindo a textura da pele bronzeada e dos músculos definidos. Fechou os olhos e suprimiu um suspiro quando sentiu o moreno escorregar as unhas por suas pernas, enquanto o livrava da calça.

- Ahhhh... – ele gemeu alto quando o moreno começou a lamber-lhe a virilha e descer a língua despudorada para seu pênis.

- O que foi, loiro?

- Não provoca... termina logo... – disse Shaka entre os gemidos – Preciso dormir, sairei cedo amanhã...

- Não posso ir rápido... – sussurrou Ikki lambendo o membro do loiro bem devagar – Sou um profissional...tenho que fazer bem feito...

- Ah, Ikki... eu vou matar... ah... você... – Shaka já não agüentava mais, gemia alto; o leonino passava a língua, beijava toda a extensão, mas não abocanhava como ele queria. Enquanto isso, as mãos continuavam a passear pelo corpo do loiro, sem pudor. Marcando cada pedaço e o excitando ainda mais.

- Você já me mata... me mata de tesão por esse seu corpinho gostoso... – falou subindo a língua para brincar com o umbigo do escritor que gemia sem controle.

- Ahhh... Ikki!

- Ah, isso, amor, grita muito... adoro isso... – falou e começou a sugar, finalmente, o membro do amante; ouvindo-o gritar e gemer mais alto; adorava ouvir Shaka daquela forma. Adorava ver aquele anjo safado perder o ar comportado que tentava demonstrar o tempo todo e se tornar um verdadeiro putinho na cama.

Sugava com força contornando a língua por toda a extensão, recolhendo o líquido e se excitando ao extremo com os gemidos do amante; mas, de repente parou, se afastando com um sorriso malicioso.

O olhar que Shaka lhe lançou foi mais que irritado, foi furioso.

- Por que você parou? – perguntou entre dentes; a respiração ofegante, os cabelos espalhados pela cama. Ikki se inclinou o beijando e vendo-o virar o rosto, malcriado. Riu.

- Calma, anjo, eu não queria que você gozasse agora, tenho planos melhores para nós dois...

Nisso, ele beijou-lhe o pescoço e desceu os lábios, lambendo, chupando e beijando o peito definido do loiro. Chegou a um mamilo prendendo-o entre os dentes e puxando de leve, deliciado com os gemidos de dor e prazer que o outro soltava enquanto fazia movimentos circulares com língua para em seguida mordê-lo novamente. Shaka só conseguia gemer, completamente entregue aquele homem habilidoso e sua língua despudorada que molhava seu corpo com carícias quente, tocando fogo em sua pele.

Ikki mirava-lhe o rosto contorcido de prazer e um pouco de frustração ainda pela interrupção da carícia mais ousada. Não o deixaria assim por muito tempo. Desceu novamente os lábios, lambendo-lhe o falo e escutando o grito alucinado de Shaka, que lhe segurou os cabelos e praticamente empurrou seu rosto de encontro ao seu pênis.

- Calma, loiro, está tão desesperado assim?

- Ora... seu... ahhhh... – não completou o desaforo, porque o moreno fez o que ele queria, chupou com força, mas logo largou novamente e puxou o amante pelas pernas, para si, encaixando-se no meio delas.

- Ikki...? – Shaka assustou-se com o olhar depravado e sádico do moreno.

- O que foi, meu anjo? Você não quer? – perguntou, descendo os lábios para beijar as pernas alvas e grossas do escritor.

- M-mas assim? Sem... preparação? – gaguejou, se tinha uma coisa que ele não gostava era de jogos sádicos.

- Você que estava com pressa... – sorriu sacana o moreno. Mas desceu os lábios, começando a lamber aquela parte deliciosa do corpo do indiano que recomeçou a gemer. Ikki era realmente um profissional; às vezes, Shaka o imaginava como um deus Hindu com várias mãos a tatear e excitar seu corpo, não sabia como ele conseguia tanta habilidade.

A penetração foi devagar, carinhosa, buscando machucar o mínimo possível aquele ser que se descobrira amando. Shaka gemeu alto e agarrou-se aos lençóis, arqueando as costas; Ikki ficou um pouco bestificado, mirando a expressão do rosto dele; os cabelos trigueiros espalhados pela cama; o escritor era realmente lindo.

- Humm... – Shaka resmungou e ondulou os quadris num pedido mudo para que ele se movimentasse e foi obedecido prontamente. Ikki estocava devagar, cadenciando os movimentos com a ondulação dos quadris do escritor, numa deliciosa tortura.

- Ikki...

- Humm... quer mais forte, loiro? – perguntou, inclinando-se e lambendo-lhe o pescoço – Pede, deixe-me ouvir essa sua vozinha linda...

- Ah... Ikki, para com esses joguinhos... – gemeu Shaka sentindo o corpo arder de desejo e querendo ir mais rápido. Ikki não lhe deu atenção, passou a mão sobre seu peito definido, subindo e descendo os dedos pela fenda que separava os músculos peitorais...

Shaka riu.

- Isso faz cócegas! – reclamou – Para de brincar, Ikki...

- Adoro vê-lo sorrir, loiro... – disse e o puxou pra si, sentando-o em seu colo; começando a estocar mais forte, vendo o corpo do indiano subir e descer em seu ritmo e seus gemidos se tornarem mais descontrolados. Não demorou a ambos chegarem ao orgasmo e Shaka se deixar cair sonolento, nos braços do moreno.

- Loiro? – chamou, deitando-o carinhosamente na cama e se deitando sobre ele. Shaka abriu os olhos e sorriu. Ikki ficou alguns minutos apenas admirando o sorriso dele e afagando-lhe o rosto.

- Sou louco por você, loiro...

Shaka baixou o olhar, ruborizando. Achava incrível a facilidade que aquele moleque lhe confessava os próprios sentimentos, mas sabia de longe que aquilo não era fácil para ele. Ikki era uma pessoa reservada, desconfiada, que olhava todos por cima do ombro, sempre esperando uma traição ou armadilha. Talvez, a maneira como tudo aconteceu entre eles, a forma tão íntima como se encontraram, fosse a responsável por desencadear aquela inusitada sinceridade no moreno. Justo ele que tanto gostava de esconder os sentimentos!

- Vamos dormir, Ikki, estou exausto. – pediu e ele rolou para o lado envolvendo o corpo do escritor e escondendo o rosto em seu peito, abraçando-o com força.

- Não me deixe, Shaka... – murmurou o moreno, e o indiano arregalou os olhos. Quem era aquele homem? Subitamente se lembrou da vodka que deveria ter sido consumida abundantemente, porém sem chegar a embriagar. Só isso faria Ikki mostrar tanta fragilidade; aquilo não era dele, ao contrário, o leonino sempre tentava se mostrar forte e achava que ele, Shaka, era feito de porcelana.

Shaka não respondeu. Puxou o edredom, pois começava a esfriar e envolveu a ambos, percebendo que o mais jovem já dormia.

"Não vou deixá-lo, Ikki, não vou..."

Já passava das oito horas quando Shaka se viu, mais uma vez, tocando a campainha da casa de Sayaka. A mulher atendeu de mau humor, sorrindo assim que viu de quem se tratava.

Shaka entrou, resignado, e se sentou em frente a mulher.

- E então, conseguiu falar com os ricaços? – ela perguntou.

- Sim, e tenho uma proposta a lhe fazer...

- Meio milhão de euros? Pelo Shun? Você enlouqueceu? – Saori gritava, olhando o loiro – Shaka, isso é ilegal! Ela não pode vender uma criança e você pode ser preso se isso... se essa louca falar isso a alguém!

- Não pensei em algo melhor. – respondeu o escritor calmamente – Além do mais, ela não vai me denunciar e se arriscar a perder o dinheiro.

- Você está se arriscando demais. – disse Seiya que já tinha sido apresentado ao loiro e posto a par de toda a história.

- Não vejo outra saída. – respondeu o indiano calmamente.

Saori levou as mãos ao rosto e seus olhos azuis se tornaram maiores e lacrimejantes.

- Ah, que coisa linda! Você ama demais o Ikki!

Shaka ruborizou, baixando o olhar e Seiya riu.

- Amor, você está constrangendo o rapaz...

- Ah, desculpe-me. – pediu a menina voltando a ter o ar de moça séria – Mas, então, o que ela respondeu?

- Claro que ela quer o dinheiro, mas, no momento, esbarramos em outro problema...

Seiya e Saori se entreolharam.

- Qual?

- Sou um homem estrangeiro e será muito estranho se ela simplesmente me der a guarda do Shun... Digo, para as autoridades, entendem?

- Realmente, o juiz vai estranhar.

- Sim, o único adulto que poderia ter a guarda do Shun é o Ikki...

Saori e Seiya suspiraram.

- Ele nunca vai concordar com isso. – retorquiu Seiya – Ele... bem... ele...

Saori e Shaka miraram o moreno que ficou meio embaraçado.

- Ah, Shaka, é que todos estão acusando o Ikki de tentar dar um golpe em você. A imprensa está no pé dele e nem os amigos acreditam que seja algo... desculpe, verdadeiro, sabe? Então, no mínimo, meu amigo cabeça dura achará que aceitar esse dinheiro de você é confirmar tudo que estão falando dele por aí, entendeu?

- Temos que arranjar um jeito de fazer tudo sem que ele saiba. – falou o loiro – Mas como?

Seiya sorriu.

- Conheço uma pessoa que o Ikki considera livre de qualquer suspeita.

- Quem? Aquele encrenqueiro não confia em ninguém! – exclamou Saori, mas Shaka sorriu para Seiya adivinhando os pensamentos do garoto.

- Há uma pessoa, senhorita... – disse o loiro – O próprio Shun...

Continua...

Notas Finais: E agora? O que estarão tramando Milo e Aiolia? Esses dois não têm coisa melhor pra fazer não? Deviam estar fazendo lemon igual o Ikki e o Shaka XD!

Bem, gente, fic indo para a reta final, mas vocês sabem que a reta final da Sion rende pelo menos, mais três capítulos! Hehehehe...

Aos meus fiéis e compreensivos leitores: Um desabafo!

Olha, eu sempre me esforço ao máximo para escrever um texto de qualidade e evitar erros grosseiros, porém, sabendo que estou longe da perfeição, sempre tiro dúvidas e volto a gramática quando necessário. Por isso, me incomodou muito uma review que recebi onde estava escrito que havia vários erros grosseiros, inclusive, vírgulas separando sujeito de verbo. Eu corrigi o texto e realmente achei no primeiro capítulo um erro do tipo, porém, somente esse. O que me incomodou não foi a crítica e sim o tom, como se o texto estivesse permeado por erros do tipo, realmente não achei, achei vários outros, mas esse tipo grosseiro só achei uma vez e peço desculpa. Mas, lembro que, esse trabalho é feito por prazer e não é remunerado e, muitas vezes, temos que fazê-lo no pouco tempo que o corrido dia a dia do século XXI nos reserva e nem sempre podemos "esmiuçar" o que escrevemos e um erro ou outro acaba passando. De uma forma ou outra terei mais atenção a partir de agora.

Acho que quando uma pessoa se dispõe a fazer algo, ela tem que tentar fazer o melhor possível e eu sou assim; e não nego que ironias e deboche me magoam profundamente. Se quiser criticar, que seja para realmente ajudar e não debochar de quem está se esforçando para fazer um bom trabalho e não ganha nada com isso. Tenho uma amiga, que é professora de português e sempre que tenho alguma dúvida, tiro com ela, exatamente porque prezo pela qualidade. Então, peço encarecidamente, chegando a ser chata, que sempre que vocês encontrarem erros como esse, me indique exatamente aonde foi encontrado, para que conserte. Ajudem a Sion a se aborrecer menos consigo mesma! Xd! Desde já agradeço!

Beijos a todos que estão acompanhando em especial aos que tem a delicadeza de deixar um reviewzinho que é tão importante para a autora.

São eles:

Vagabond, Myu, sasulove, Juliabelas, Danieru, naluza, Shunzinhaah2, Mefram_Maru, Keronekoi, Arcueid, liliuapolonio, Kate, James Hiwatari, Kojican, Amamiya fã, K. Langley.

Abraços afetuosos,

Sion Neblina