Tão longe, tão perto
Capítulo 9
O final de semana chegou e com ele, o final do contrato, por assim dizer, entre Ikki e os escritores. Contudo, o moreno continuaria no apartamento do loiro, enquanto este viajaria de volta a Grécia, retornando apenas dali uma semana.
Ikki não estava confortável com a situação. Gostaria de voltar a sua rotina, não gostava da dependência que desenvolvera pelo escritor. Justo ele! Sempre tão independente, que nunca foi homem de ficar no mesmo lugar por muito tempo. Mas Shaka conseguia o que ninguém jamais conseguiu; domá-lo. Esta era exatamente a palavra, Ikki se sentia domado. Deixara de ser a fênix avassaladora, solitária e dona de si e se tornara apenas um homem apaixonado e muitas vezes... Frágil? Não, de jeito nenhum! Nunca em toda a sua vida demonstrou fraqueza aos outros; por que aquilo tinha que acontecer justo com Shaka? Com outro homem? Isso! Não podia se esquecer de que o loiro, mesmo sendo maravilhosamente gostoso, era um homem, e ele sempre viu os homens como adversários e não... Outra coisa!
- Ikki? – a voz levemente rouca e suava o libertou de seus devaneios. Virou-se e sorriu para ele, mas não passou despercebido ao escritor que algo incomodava o rapaz.
Shaka se sentou a sua frente e o encarou nos olhos.
- O que está acontecendo com você? – perguntou enquanto cruzava os braços como um pai compreensivo. Ikki não gostou.
- Parece que acontece alguma coisa? – respondeu áspero, levantando da cadeira onde estava sentado até o momento e indo para a cozinha. Pegou uma garrafa de água mineral e voltou à sala. Shaka também não se moveu. Estava pronto para viajar e não ficaria discutindo com Ikki, embora considerasse suas atitudes bastante estranhas e irritantes.
- Ok. – falou o loiro se levantando também – Devo retornar na sexta, por favor, regue as plantas.
- Não sou mais seu empregado, lembre-se disso. – retorquiu de mau humor – Mas como você é sempre tão gentil, pode deixar que quebro esse galho pra você.
O indiano o encarou por um tempo, inconformado. Depois se aproximou e lhe segurou o queixo, sem delicadeza.
- Posso saber o que fiz de errado?
- Nada, Shaka... – disse Ikki, empurrando a mão que o segurava – Você deve se acostumar, nem sempre sou um bom menino.
- Nem sempre? – riu o escritor – Alguma vez você foi?
- Garanto que fui durante todo esse mês. – tornou irritado – E não pense que esse é meu natural. O contrato acabou! Agora posso ser eu mesmo, e talvez você não goste do que verá.
- Não entendo o que quer dizer com isso, Ikki. – o virginiano observou sério, segurando o queixo do rapaz mais jovem, outra vez – Você diz que me ama, que quer ficar comigo e agora se comporta desse jeito? O que há com você?
Ikki baixou a cabeça. Seus pensamentos e sentimentos estavam confusos, mas possuía a certeza de que não desejava ferir Shaka.
- Loiro, sabe... É que... as coisas são diferentes agora. – os olhos índigos miraram o rosto preocupado do escritor.
- O que é diferente, Ikki?
O moreno resignou-se. A diferença era que, agora, teria que se mostrar verdadeiramente. Não que estivesse sendo falso; contudo, a bruma da fábula, do romance e da ilusão encobria boa parte de sua personalidade solitária e arredia, e tinha medo de que Shaka não gostasse de vê-lo como realmente era. Sim, ficaram tão íntimos e tão juntos, durante aquele mês, que por um momento, perdera seu senso de liberdade e agora o queria de volta. Todavia, não desejava se afastar do loiro e nem magoá-lo. O fato era que não sabia o que fazer e estava apavorado com aquela viagem do escritor. E se ele decidisse não voltar? E por que tinha que ficar pensando como um homem inseguro e patético?
Ergueu os olhos escuros para a face plácida a sua frente.
- Você não tem culpa, loiro, sou um cara complicado, é isso! – afastou-se e pegou a mala do indiano – Vamos, eu te levo ao aeroporto.
- Não precisa, Milo vem me buscar, já combinamos...
- Prefere ir com ele?
- Não, só não quero que se sinta obrigado! – respondeu friamente.
- E quem disse que estou me sentindo obrigado? Porra! Você é muito encrenqueiro!
- Eu sou encrenqueiro, Ikki? Será que não se...
Foi literalmente calado pelos lábios famintos do leonino e o enlaçou pelo pescoço, puxando-o mais pra si e aprofundando o beijo. Ikki escapou do beijo, apenas para descer os lábios pelo pescoço do loiro que o repeliu.
- Não, Ikki, desse jeito o Milo vai nos pegar na cama... – o empurrou levemente – Será que só paramos de brigar quando estamos transando?
- Talvez seja isso que me deixe tão louco por você, loiro safado... – falou o puxando de volta para seus braços,dessa vez, apenas ajeitando a gravata do indiano – Ficarei esperando...
- Hum?
- Ficarei esperando você voltar, ora!
- Ah, ok. – riu Shaka – Mas esperava ouvir outra coisa. – confessou ao escutar a buzina do carro do loiro grego.
Afastou-se, pegando a mala que Ikki deixara sobre a mesa de centro.
- Então tchau. – volveu o indiano, caminhando apressado para a porta, tentando a todo custo não pensar que estavam se despedindo.
- Loiro, espera!
Shaka parou e demorou um pouco até se virar e encarar o leonino. Ikki se aproximou sem jeito e o abraçou.
- Sentirei saudades... – sussurrou e Shaka sorriu, afagando seus cabelos.
- Também sentirei...
- Volta logo.
- Assim que possível, prometo.
Beijaram-se mais uma vez enquanto Milo só faltava quebrar a buzina, do lado de fora do prédio.
Shaka finalmente conseguiu sair, encontrando o loiro grego com cara de poucos amigos.
- Que saco, Shaka! Estou buzinando há um tempão, ficou surdo?
- Ah, Milo, você e essa sua pressa! – sorriu o indiano, entrando no carro, tranquilamente.
- Você está bem zen, não é? – estranhou o escorpiano.
- Claro que sim! O sol está brilhando, os pássaros estão cantando, você está colocando alguns milhões a mais em minha conta bancária, do que posso reclamar?
Milo estranhou mais ainda; Shaka falando de dinheiro? Justo ele? Achou melhor dar partida no carro e levar o amigo o mais rápido possível de volta a Grécia. O Japão não fizera bem a ele, devia ter sido a comida.
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Shaka chegou cedo a Atenas e depois de fugir dos paparazzis e tirar algumas horas de sono, já estava de pé, falando ao telefone com o seu agente financeiro.
- Sim, setecentos mil euros em dinheiro vivo, qual o problema, Kanon?
- O problema é que terei que solicitar a agência essa quantia com antecedência. Não posso simplesmente ir lá e sacar.
- Kanon, seus problemas não me interessam, faça o que estou pedindo e pronto, por Buda!
- Tudo bem, mas pra quê você quer esse dinheiro? Você não gosta de carros de luxo e nem nada desse tipo, então...
- Ah, Kanon! Por que não vai se meter em sua vida? – indagou irritado – Custa fazer a vontade do seu melhor cliente de vez em quando?
- Só estou preocupado.
- Deixe-me adivinhar, o Saga andou ligando pra você?
- Não, por quê? Deveria saber de alguma coisa? – o geminiano deixou escapar a curiosidade na voz.
- Esquece! Quero esse dinheiro em meu apartamento até o final de semana, ok?
- Tudo bem, não pergunto mais nada. – falou Kanon mal humorado, desligado o telefone.
Shaka se deixou cair no sofá, ainda estava cansado, mas tinha muitas coisas a resolver. Ouviu o sinal do fax e obrigou-se a levantar do macio móvel e pegar o papel que caía do aparelho, reparando que havia vários pelo chão. Pegou cada um deles, lendo-os e ficando cada vez mais nervoso:
"Senhorita Pathernon, o prazo para entrega do seu livro termina em cinco dias, por favor, entre em contato com a editora..." Dizia a primeira folha.
"Senhorita Pathernon, o prazo termina em três dias, esperamos uma resposta há mais de três semanas, o que está acontecendo?" Dizia a segunda folha.
"Senhorita Pathernon, lembramos que a multa por quebra de contrato é de quinhentos mil dólares. Por favor, nos retorne, enviamos vários e-mails, onde a senhorita se meteu?"
- Por Buda! – exclamou Shaka pegando o telefone novamente e começando a discar o número da editora inglesa.
- Állos! Não, digo, moshi moshi, Ah, por Buda, Hello! – começou se atrapalhando em boa parte dos idiomas que conhecia.
- Prazo? Sei, três dias! Mas... Rescindir contrato? Não é pra tanto, mas... ok, ok, ok... cinco dias! Sim, prometo estar com o livro pronto em cinco dias, digo, a Agnes promete, sim, sou seu agente. Ok, thank you... i,m sorry... bye...
Desligou o telefone, desolado depois de levar um grande sermão da editora. Precisava de Milo, só o grego poderia resolver aquele problema para ele. Somente o escorpiano tinha jogo de cintura e sabia lidar muito bem com aquela gente. Ele, Shaka, não tinha nenhum. Assim pensando discou o número do amigo que ainda estava no Japão.
- Állos, Shaka...
- Milo, preciso de você, estou desesperado!
- Disso tenho certeza, o que foi dessa vez?
- Escuta, o problema não é pessoal e sim profissional.
- Então comece a falar... – ironizou o grego e Shaka relatou tudo enquanto o escorpiano ouvia calado.
- E então? Você pode me ajudar?
- Que coisa feia, Shaka Phalke, mentindo para seu agente!
- Milo, quer parar com isso? Você pode ligar para a editora ou não?
- O que não faço por você, loiro ingrato? Claro que ligo, me passa o número!
Shaka sorriu, soltando um suspiro aliviado.
- Eu te amo, Milo! – passou o número do telefone e desligou, deixaria o grego resolver aquele problema em seu lugar, já estava bem acostumado a isso. Agora precisava ligar para Saori e saber como andava os papéis para adoção de Shun.
"Ah, por Buda, chega de telefone! Faço isso depois."
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Ikki aproveitou a folga para resolver alguns problemas pessoais. Primeiro teria que ir a faculdade resolver alguns problemas de ordem prática, devolver livros a biblioteca, pagar mensalidades atrasadas, etc. Depois pegaria Shun no colégio para que passassem o final de semana juntos. O irmão havia ligado e pedido isso, estava se sentindo solitário. Ainda deveria ir a agência informar a Tony o final do contrato com os escritores e que já estava à disposição para novos trabalhos.
Estava a disposição? Bem, ainda não havia conversado a respeito com Shaka e nem pensado muito sobre aquilo. Tudo aconteceu muito rápido, não sabia o que pensar, precisava respirar um pouco para saber que decisão tomar. O fato era que não podia abandonar o emprego sem ter outro que pagasse tão bem quanto em vista. Mas será que o indiano entenderia? Não, não entenderia, conhecia-o bem, apesar de há apenas um mês. Shaka era controlador, dono da verdade, arrogante, cheio de si. Com certeza diria que ele, Ikki, era egoísta e orgulhoso e que somente por orgulho, não aceitava a ajuda que lhe oferecia. Entretanto, para o rapaz japonês, aquilo estava além do orgulho, era sua dignidade como ser humano que estava sendo posta a prova e não poderia aceitar a mais mísera moeda do indiano. Aquilo era questão de princípios. Sabia que sua decisão poderia consistir num problema entre ele e o escritor, mas não poderia abandonar a agência, não ainda. Difícil seria fazer o loiro entender aquilo.
O garoto de cabelos castanhos e olhos verdes correu até o irmão e se atirou em seus braços num gostosos abraço.
- Oi, niichan, cadê o Shaka?
- O Shaka teve que viajar, Shun, mas volta no final da semana.
- Puxa, que pena, queria falar com ele! – lamentou o rapazinho entrando no carro e se sentando no banco do carona. Ikki balançou a cabeça com um sorriso maroto e entrou no carro também.
- Vocês ainda terão muito que conversar, ele só passará alguns dias fora.
- Sei, mas queria falar com ele hoje. – volveu Shun fazendo birra.
- Zeus! E o loiro me chama de imediatista! Sinto muito, Shun, mas o Shaka não tem celular e não tenho o número dele na Grécia. Terá que esperar até o final de semana.
- Que pena, ele é muito mais legal que você, ao menos, não fica controlando todos meus passos!
Ikki, que daria partida no carro, se interrompeu e encarou o irmão.
- O que quer dizer com isso, moleque?
- Niichan... é que, sabe... eu...
- Para de gaguejar, Shun...
- Eu queria ver o Seiya e a Saori... – confessou o menino já se preparando para a bronca do irmão.
- Por quê? – indagou Ikki não escondendo o descontentamento.
- Eles são meus amigos.
- Não, Shun, eu sou seu amigo, ok?
- Eles vieram me visitar essa semana... – confessou o mais jovem. Ikki deu partida no carro, contrafeito, sabia que a representante dos Kidos e Seiya visitavam, vez por outra, Shun no colégio; nunca fizera nada para impedir porque achava que o garoto tinha o direito de se relacionar com quem quisesse, mas agora começava a se preocupar.
- E o que eles queriam?
- Saber como eu estava e você também. – disse o garoto – Eles são legais, Ikki...
- Sei! – riu com ironia enquanto saia do estacionamento.
- Você é teimoso!
- Ora, ora! Basta uma visitinha da pirralha histérica e do burro xucro pra você começar a avaliar meus defeitos. Que coincidência, não é?
- Ah, você é realmente um homem difícil!
Ikki não pode evitar o riso ao escutar a frase de Saori nos lábios infantis de Shun.
- Sim, sou um homem difícil, teimoso, algo mais?
- Não, não. Estou com fome, podemos comer alguma coisa? – sugeriu Shun.
- Sim, vou passar no trabalho e depois vamos comer algo. – Ikki disse, mirando o irmão de lado. Ainda teria muito que fazer e não perderia seu precioso tempo escutando Shun falar maravilhas de Seiya e Saori.
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Shaka estava cansado, mas não podia parar de trabalhar. Passava das duas da manhã e ele continuava em frente ao notebook, digitando sem parar, precisava terminar aquele romance o mais rápido possível e se livrar da pressão e da multa da editora. Milo conseguira convencer os ingleses a estender seu prazo até o início da próxima semana e só. Tinha que aplaudir a lábia do grego, só que, de uma forma ou outra, acabara ficando novamente em suas mãos, pior, devendo-lhe um favor e revelando o seu trabalho secreto de romancista. Não gostara daquilo, não gostara mesmo.
Seus olhos já estavam turvos e ele esquecera de comer e beber, concentrado apenas na tarefa de terminar mais um capítulo da história conturbada que escrevia.
O escritor, porém, sentia a falta de Ikki e isso, muitas vezes, tirava sua concentração. Estava no meio dos capítulos quando começava a viajar pelas lembranças da pele, dos lábios, da voz do leonino, e quando percebia estava com as mãos paradas sobre o teclado, e os olhos fitando o nada. Voltava imediatamente para o trabalho, escondendo-se, mais uma vez, atrás de suas grossas lentes e... De novo caía nas lembranças do moreno.
"Zeus, tenho que entregar esse livro na terça-feira e ainda estou no quarto capítulo, o que farei?" Indagava-se aflito.
"Preciso falar com ele, só assim terei concentração para trabalhar..." pensou e pegou o telefone, mas depois se lembrou que não tinha o número do rapaz.
- Estúpido! – praguejou contra si mesmo e lembrou-se que havia duas pessoas que tinham o número de Ikki. Aquilo seria embaraçoso, mas era preciso.
Discou o número:
- Oi, Mu, antes que diga qualquer coisa, preciso de um favor seu.
- Shaka? Você não está na Grécia? – o ariano estranhou o telefonema.
- Sim, você ainda está no Japão, certo?
- Sim.
- Preciso do número do celular do Ikki...
- Ikki? Quem é... Ah, o michê... – a voz do ariano não escondeu o descontentamento, e o loiro engoliu em seco, resignando-se.
- Sim, preciso falar com ele, poderia me dar o número, por favor?
- Não deveria, mas como anda meio louco, tenho medo que acabe voltando para o Japão só para falar com esse cara...
Shaka riu e balançou a cabeça; chegava ser cômico o excesso de zelo dos amigos.
- Sim, Mu, estou louco de paixão, agora o número por favor.
- Está bem, deixe-me procurar.
Minutos depois o ariano passava o número de Ikki para Shaka e o indiano saía de uma ligação para outra.
Ikki estava na agência quando seu celular tocou. Estranhou o número, prefixo, tudo, mas sorriu adivinhando. Pediu para que Shun esperasse, sentando na recepção, e se afastou em direção ao banheiro para falar mais a vontade.
- Oi, loiro...
- Como sabia que era eu?
- O número é diferente...
- Ikki...
- Já sei, está morrendo de saudade...
- Sim, quero dizer, não... é que...
- Não precisa se explicar, também estou com saudades...
- Precisarei ficar um pouco mais aqui, tenho que terminar um livro, quase perdi o prazo de entrega, se não fosse o Milo...
- Quando você volta?
- Apenas na próxima semana...
O moreno deixou escapar um suspiro irritado.
- Ikki, também sinto saudades, também quero voltar logo...
- Certo, Shaka, mas como castigo, terá que me ligar todos os dias, certo?
O loiro riu.
- Certo...
- E me dizer obscenidades...
- O quê? – Shaka ruborizou.
- Isso mesmo que você pensou, loiro, estou dentro de um banheiro, me masturbando enquanto falo com você, então trate de me dizer coisas bem picantes...
- Ikki, para de brincadeira...
- Não estou brincando... – ele disse e gemeu – Só sua voz já é capaz de me deixar todo excitado...
Shaka corava, mas já estava ficando bastante aquecido com aquela brincadeirinha.
- Ikki...
- Ah, loiro, preciso tanto de você aqui... – o moreno falava do jeito mais sacana possível, já havia desafivelado o cinto e enfiado a mão dentro da cueca – Quero que você faça o mesmo, Shaka...
- Eu? – o indiano quase gritou.
- Sim, você. Nunca se masturbou não?
- Já... quero dizer... mas... era mais novo, por Zeus! Tenho quase trinta anos, Ikki, isso é coisa de adolescente! – declarou nervoso e escutou o risinho cínico e excitado do moreno.
- Não é não, vamos, Shaka, sei que você pode, faz pra mim, geme pra mim...
O loiro sentiu o suor escorrer pela testa. Por que inventara de ligar para aquele pervertido? Agora estava numa situação difícil, completamente excitado e a quilômetros de distância dele.
- Shaka?
- O quê?
- Ficou tão quieto, achei que havia desligado...
- Ikki, não é justo fazer isso comigo! Sabe que não sou dessas coisas e...
- Para com essa pose de santo, seu tarado! – riu Ikki – Eu sei exatamente do que você gosta e tenho certeza que está tão excitado quanto eu...
O loiro gemeu, mesmo que involuntariamente e o moreno riu.
- Vamos, Shaka, não tem ninguém olhando, se estivesse pertinho de você, eu mesmo faria... desceria minhas mãos por esse seu corpinho gostoso, o lamberia todinho deixando sua pele toda molhada...
Shaka fechou os olhos, sentindo-se em chamas enquanto escutava a voz daquele depravado por quem estava apaixonado.
- Ikki...
- Estou aqui, loiro, imaginando a forma que me tocaria e quero que faça o mesmo... Vai fazer, não vai?
- Hum...hum... – foi quase um gemido enquanto sua mão descia pelo próprio corpo até seu falo que já estava bastante ereto.
- Isso, loiro, geme... e me diz o que você está fazendo... – gemeu também, descendo a mão, mais rápido, pelo próprio sexo e perdendo um pouco o controle daquele jogo excitante.
O loiro, por sua vez, já havia desabado no sofá e fechado os olhos; se acariciava lentamente, mordendo os lábios, tentando abafar os gemidos. Não tinha outra escolha além dele mesmo por fim aquela ereção dolorida e a vontade de gozar que já o enlouquecia.
- Ikki... – murmurou – Por que faz isso comigo?
- Isso o quê, meu anjo? – a voz do leonino já estava entrecortada e ofegante e ele deixava escapar gemidos, a voz lânguida de Shaka conseguia tirá-lo do sério. Terminou de abrir sua calça, afastou a cueca e colocou seu membro para fora da roupa, tocando-se com maior rapidez, suspirando e gemendo de forma que o indiano enlouquecia do outro lado da linha.
- Ah, Shaka... – gemeu – Se soubesse o quanto queria que estivesse aqui... me tocando com suas mãos macias... ah...
O indiano lambeu os lábios e fechou os olhos com mais força numa expressão de quase dor enquanto se acariciava também.
- Ikki, você tem prazer em me... enlouquecer! – gemeu também, já totalmente perdido.
- Queria tocar em você, lamber você, chupá-lo todinho... – Ikki gemia e dizia as deliciosas obscenidades que enlouquecia o loiro. Shaka aumentava o ritmo da masturbação e passeava uma das mãos pelo peito, entrando pela camisa semi-aberta. Os dois gemiam alto agora, provocando um o ouvido do outro. Não demorou a gozarem quase simultaneamente. Ikki encostou-se a parede do banheiro e fechou os olhos tentando recuperar as forças e normalizar a respiração.
Shaka tombou no sofá, ofegante e com um sorriso de satisfação nos lábios. Ficaram em silêncio por vários minutos.
- Ikki...
- Estou aqui, loiro... Foi bom pra você? – riu da própria frase clichê. Riu de toda a situação, pois embora o indiano não soubesse, ele também nunca havia feito sexo por telefone.
- Seu pervertido...
- Você gosta que eu sei...
- Sinto sua falta... – murmurou e sua voz soou um pouco melancólica.
- também sinto, loiro, sinto como nunca senti de ninguém...
- Tentarei voltar logo...
- Sim, volta logo. – pediu – Agora preciso desligar, tenho que me recompor e encontrar o Shun que ficou me esperando na recepção.
- Onde você está? – perguntou o indiano de súbito, assustado.
- Na agência... – riu Ikki e Shaka corou.
- Seu depravado! Como pode fazer isso num lugar cheio de gente e com uma criança te esperando na sala?
- Sala não, loiro, recepção, e relaxa, o Shun não ouviu e nem viu nada. – Ikki ria do puritanismo do escritor.
- Ah, Ikki, ainda perco a cabeça com você!
- Já perdeu, loiro, há muito tempo e não só ela...
Shaka acabou rindo, e eles se despediram, desligando o telefone. Ikki se recompôs e voltou para a recepção, encontrando Shun chateado e batendo o pé.
- Onde você estava, niichan?
- Ah... no banheiro...
O garoto ergueu uma sobrancelha.
- Está passando mal?
- Por quê? Que pergunta é essa, Shun?
- Você está todo suado!
- Ah... – Ikki riu, corando sem jeito – É que... está fazendo muito calor, só isso.
Shun deu de ombro, não fazia calor nenhum, mas não ficaria discutindo o que Ikki fazia no banheiro, mesmo porque, ele sabia bem o que rapazes estavam fazendo quando demoravam tanto naquele lugar, e seria no mínimo embaraçoso dizer aquilo ao irmão mais velho.
Ikki se reuniu com Tony por alguns minutos se colocando a disposição da agência e logo depois saiu com Shun. O irmão ficaria com ele até o final de semana, no apartamento de Shaka.
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Os dias passavam e Shaka se dedicava de corpo e alma a tarefa de escrever o romance e cumprir o prazo com a editora. Tanto que nem se lembrava de comer ou dormir. O indiano era obcecado por perfeição e pontualidade e se ver numa situação como aquela era inadmissível aos seus padrões morais.
O telefone tocou e ele atendeu com uma mão enquanto a outra continuava digitando.
- Alô...
- Shaka, sou eu, Kanon...
- Fala, gêmeo menor, o que você quer? – brincou o escritor e o geminiano estranhou o tom jovial, contudo a voz do loiro estava meio cansada.
- Phalke, você está bem?
- Por que a pergunta?
- Você me parece feliz demais, geralmente não é assim.
- Mudei desde a minha viajem ao Japão, mas onde está meu dinheiro?
- Liguei pra dizer que estou passando daqui a dez minutos. Pode descer e me esperar na portaria? Estou com muita pressa, tenho que visitar outros clientes.
- Ok, tudo bem, é bom que faço uma pausa...
- Desde quando você está escrevendo, Shaka?
- Deixe-me ver... três...
- Três horas seguidas digitando? Você enlouqueceu? – reclamou o amigo.
Shaka riu.
- Não três horas, três dias, Kanon. E, por favor, não demore, preciso desse dinheiro logo, ok?
- Ok, estou indo pra aí.
O grego desligou e o escritor fez uma careta massageando o pulso; talvez houvesse exagerado mesmo, mas precisava acabar logo, precisava voltar ao Japão.
Minutos depois, Kanon ligava para avisar que esperava na entrada do prédio. Shaka se ergueu, mas sentiu-se tonto.
"Preciso comer alguma coisa..." Pensou, saindo do apartamento e entrando no elevador. O geminiano ainda estava no carro, só descendo quando viu o loiro deixando a portaria do aconchegante edifício.
- Shaka, como você está... – Kanon se interrompeu, fitando o rosto pálido do indiano marcado por profundas olheiras – Pálido!
- Ah, Kanon, para de gracinhas e me entrega logo essa maleta, eu... – o loiro sentiu-se tonto mais uma vez e para não cair teve que se apoiar no amigo.
- Phalke, você está bem? – perguntou o financista, percebendo que o escritor cravava as unhas em seu ombro para se equilibrar.
- Estou, eu... só preciso comer alguma coisa... – sentenciou, mas continuava segurando o ombro do amigo.
- Vem, eu o ajudo a entrar em casa. – Kanon proferiu, apoiando o amigo pelos ombros – Venha.
Shaka aceitou. Deitou a cabeça no ombro do grego e eles entraram no prédio.
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Ikki acordou cedo, já fazia duas semanas que o loiro estava na Grécia e há dias ele não ligava. Shaka devia estar com medo de ser vítima de mais uma gracinha como a da agência, ao menos Ikki imaginava isso. Riu com os próprios pensamentos enquanto preparava o café da manhã para si e o irmão.
Shun estava na sala, de frente ao notebook, ao que parecia, jogando e tão concentrado que não dava a mínima atenção ao irmão.
- Shun, você quer torradas ou biscoito? – gritou.
- Ikkiiiiiiiiiiiiiiii! – o menino gritou da sala o que o obrigou a deixar o que fazia e correr até ele.
Shun estava sentado em frente à máquina e parecia prestar bastante atenção, com os olhos esbugalhados, a algo na tela.
- O que foi, moleque? Quer me matar do coração? – reclamou Fênix, irritado.
- V-vem ver isso, niichan... – pediu Shun, e o moreno se aproximou da tela do notebook – Esse não é o Shaka?
Ikki parou, chocado, num site apareciam várias fotos do loiro abraçado a outro homem. Muitas com insinuações de beijos e uma última mostravam os dois entrando num luxuoso edifício.
A manchete:
"Após sua recente visita ao Japão, o escritor Shaka Phalke retornou a Grécia, parecendo disposto a esquecer o misterioso rapaz oriental. O indiano foi visto trocando afagos em frente ao prédio onde mora com o também escritor Saga Cástor..."
Continua...
Notas finais: Bem, agora eu acho que o Ikki vai voando para a Grécia. Coitado do Shaka, inocente na história! Vamos ver o que acontece, não é?
Ah, gente, sexo por telefone? Sim, informo que essa não foi uma ideia minha, foi uma sugestão de uma amiga e acabei colocando aqui. Não achei que fiz a coisa muito bem e desculpe, sei que poderia ter feito melhor, mas só saiu aquilo...
Juro que da próxima que fazer algo a distância, faço melhor.
Beijos carinhosos a todos que tem deixado reviews motivadores a essa autora temperamental e ultra-romântica.
James Hiwatari, Kate-chan, K. Langley, Amamiya fã (KKK, esse homem - Ikki – seria o paraíso de toda mulher, pena que ele gosta é de um loiro de 1,80m beijos!), Kojican, Julyana Apony, nannao, medeia7, Vagabond, Mefram_Maru, Danieru, sasulove, Izabel, Myu, naluza, liliuapolonio, Arcueid, Keronekoi.
Abraços mesmo aos leitores anônimos!
Sion Neblina
