Enganos e desenganos

Capítulo 10

Shaka conseguiu terminar o livro no prazo, todavia, isso lhe levou a um quadro de fadiga tão sério que o escritor foi obrigado a permanecer por mais uma semana na Grécia, com uma forte gripe. Kanon o visitava diariamente, preocupado, afinal eram amigos. Milo esqueceu seus planos contra o michê e voltou a Atenas, preocupado com o indiano, e também para tranqüilizar os demais que ficaram no Japão. Ainda teriam alguns compromissos naquele país.

- Não, Saga, juro que ele está bem, é só uma gripe, nada sério. – explicava o agente – Em menos de dois dias estaremos voltando ao Japão.

- Gostaria de falar com ele. – pediu Saga, preocupado.

- Eu sei, mas o loiro está em crise e não quer atender ninguém, a culpa não é minha, você o conhece!

- Ok, Milo, qualquer problema, por favor me avise.

- Claro, o Kanon não sai daqui, se eu não avisar, ele avisa, certo? Tchau.

Milo desligou o telefone e encarou o amigo que estava sentado na cama, tomando, a contra gosto, um chá de limão.

- Por que não quer falar com ele, loiro? Pelo que me conste, vocês eram amigos até pouco tempo. – reclamou Milo.

- Não quero falar com ninguém até voltar ao Japão. – respondeu Shaka – Não sei por que veio atrás de mim. Será que vocês não perdem essa mania de me achar indefeso? Sou um homem de quase trinta anos, por Buda!

- Não é nada disso! Somos seus amigos e nos preocupamos com você, embora não mereça!

- E posso saber por que não mereço? – indagou o indiano, e Milo se sentou ao seu lado na cama.

- Shaka, pretende mesmo continuar esse relacionamento com aquele... aquele rapaz?

- Por que isso o incomoda tanto, Milo? Sinceramente não entendo.

O grego respirou fundo.

- Shaka, temos muito medo de... Não queremos nos sentir culpados caso esse rapaz o engane...

- E por que acham que isso vai acontecer?

- Pelo que ele é. Será que não passa por sua cabeça que pessoas como ele já passaram por essa mesma situação várias vezes? Para você é tudo novo e romântico, meu amigo, mas será que ele sente o mesmo?

- Isso não posso saber, Milo. – sorriu Shaka – Mas estou disposto a me dar uma chance, chance que sempre me neguei. Você sabe o quanto tinha medo de um relacionamento, acho que mesmo por isso é que fiquei tanto tempo cultivando aquele amor platônico pelo Saga; então, quando ele me deu o fora, achei que estava certo, que o amor não era para mim e então, vocês me deram o Ikki, e ele me fez feliz, fez com que me sentisse vivo novamente, amado...

Milo ouvia o indiano meio atônito e emocionado; nunca imaginara que um dia Shaka fosse falar aquele tipo de coisa; não ele, tão irascível, tão discreto e fechado. Realmente, aquele rapaz mexera com o hostil escritor.

- Então se sente feliz com ele? – o grego desviou o olhar para que o outro não percebesse suas inquietações.

- Sim. Sinto-me muito feliz com o Ikki. – confessou o indiano, terminando o chá e deixando a xícara na mesa de cabeceira. Também se sentia incomodado por falar daquela forma dos próprios sentimentos, aquilo não era de sua natureza discreta, mas sentia que o amigo precisava saber, precisava entender.

- Fico feliz por você, Shaka, de verdade. – sorriu Milo e se levantou – Então, quando voltamos ao Japão?

- Amanhã, agente. – respondeu o loiro e, mais uma vez, tentou ligar para o amante. O celular estava terminantemente desligado.

"O que será que aconteceu?" Indagou-se o escritor. Não deveria se preocupar – pensava – Logo estaria novamente nos braços dele.

-OOO-

- Como é que é? – Aiolia gritou o amigo que lhe falava ao telefone – Não acredito, Milo! Não acredito que esteja concordando com a insanidade do Shaka!

Mu acompanhava a discussão do namorado, enquanto folheava uma revista, sentado no sofá da suíte.

- Deixa de ser imbecil e romântico! Isso tudo que está me dizendo seria lindo se aquele rapaz não fosse um michê aproveitador e... O quê? Milo, não acredito em você! Não! De jeito nenhum... Milo, Milo!

Aiolia quase arremessou o telefone na parede.

- Aquele filho da puta bateu na minha cara!

Mu riu e convidou com o dedo o namorado para que se sentasse ao seu lado.

- Você acredita que aquele imbecil deixou o Shaka convencê-lo de que será feliz com aquele moleque?

Mu examinou, com seus imensos olhos verdes, o rosto do grego por algum tempo enquanto a sensação de reconhecimento se misturava ao vapor do chá que descansava na mesinha ao lado de onde estavam.

- Já pensou que ele pode estar certo? – o comentário foi feito com certa casualidade e sem antever grandes reações. Aiolia o mirou mais demoradamente, antes de soltar um suspiro angustiado.

- E se não estiver? Seremos nós os responsáveis.

- Não, não seremos. Alertamos o Shaka, e ele ficou com o garoto porque quis, nossa responsabilidade nessa história acabou.

- Não fôssemos nós, ele nunca teria se apaixonado por aquele michê. Sinto muito, Mu, mas continuo me sentindo responsável.

Mu suspirou, pensara muito naquele assunto; pensara por dias até chegar à conclusão que achava a mais correta. Não era homem de tentar moldar o mundo ao seu estilo, como acontecia a Aiolia, preferia deixar o curso das coisas por elas mesmos. E percebia que, naquela história, já havia interferido demais. Era hora de parar.

- Aiolia, pense por um minuto; lembra-se quando começamos a namorar?

- O que isso tem a ver? – indagou o leonino desconfortável.

- Seus pais fizeram exatamente o que estamos fazendo agora, se intrometeram, nos julgaram, disseram coisas ao meu respeito...

O grego baixou a cabeça e encolheu os ombros numa explicita demonstração de derrota.

- Era diferente...

- Sabe que não. – o tibetano pegou a xícara e provou do chá, ainda encarando o namorado que continuava com os olhos opacos, como se perdido em pensamentos – Eles disseram o mesmo de mim, que era um aproveitador, um marginal! – Mu riu.

- Conhecemos o Shaka há quase dez anos, Mu, ele é como um irmão pra mim, não deixarei que caia na lábia de qualquer vagabundo.

- Louvável esse sentimento de amizade, grego, - o tibetano sorriu com ironia – Mas, não somos pais dele, lembre-se disso. O loiro já é bem crescidinho. Pra mim chega, que ele seja feliz com o michê ou com quem queira.

Repentinamente, Aiolia se levantou e pegou o casaco que estava pendurado no braço do sofá.

- Tenho que sair, Mu...

- Para onde? – estranhou o ariano.

- Falarei com o Saga, talvez ele possa me ajudar, já que você e o Milo resolveram se aliar ao michê!

Mu o mirou boquiaberto, mas o leonino não lhe deu chance de responder, saiu rápido da suíte. O tibetano desistiu de tentar convencê-lo, Aiolia era terrível!

-OOO-

Shaka chegou triste ao aeroporto de Tóquio. Estava frustrado por não conseguir falar com Ikki, o telefone do apartamento chamava e ninguém atendia, e o celular do leonino continuava desligado. Milo acompanhava a apatia do amigo, rezando aos deuses para que estivessem todos realmente errados, e aquele rapaz amasse Shaka; porque ver o loiro daquela forma era terrível. Sim, o arrogante e auto-suficiente escritor dava clara mostra de estar completamente inseguro e perdido.

- Shaka, eu te levo pra...

- Vou de táxi, Milo, obrigado. – recusou friamente, mas o grego segurou-lhe o braço e mirou fundo em seus olhos. Shaka engoliu em seco e encarou, a contra gosto, o amigo.

- Eu levo você, do que está com medo? – perguntou Milo.

- Não tenho medo de nada. – respondeu e puxou o braço – Já que insiste, vamos.

Milo colocou a bagagem de ambos no carro, e seguiram para o apartamento do escritor.

-OOO-

Era uma tarde de quinta-feira ensolarada e tranqüila no Japão. Shun observava a rua, vez por outra, o irmão que, sentado no sofá do pequeno apartamento, rabiscava alguma coisa em um caderno. Há vários dias Ikki estava com aquela cara estranha, taciturna, melancólica; o menor queria ajudá-lo, mas não sabia como, afinal, fora ele que, mesmo sem querer, fizera o estado de humor de o irmão mudar daquela forma.

- Ikki, vamos ao cinema? – sugeriu, sondando.

- Hoje não é dia de cinema, Shun, na verdade você deveria estar na escola... – respondeu o leonino mal humorado.

- Ah, você prometeu que me deixaria ficar esses dias! – reclamou o mais jovem – Estou doente!

- Não está não, você me enganou e deveria estar de castigo por isso.

O menino se emburrou e, aproveitando-se de que o irmão parecia muito concentrado no que fazia, pegou uma pasta com vários papéis, se aproximando dele.

- Ikki, você poderia assinar essas coisas, é lá da escola...

O mais velho pegou a papelada e, sem dar muita atenção, começou a assinar todas as vias.

- E o que é? – perguntou demonstrando todo seu desinteresse.

- Uma autorização para excursões a museus, teatro, essas coisas... – disse o menino corando – Não se esquece de assinar todas.

- Que exagero! – reclamou o mais velho sem dar atenção e sem ler os documentos que assinava. Saori e Seiya tinham razão; somente em Shun, o moreno confiaria tão plenamente a ponto de assinar papéis sem ler; apesar de que, seu estado de espírito atual muito contribuía para aquela distração. Ikki não prestava atenção em nada.

O mais jovem dos Amamiyas recolheu os documentos e os colocou organizadamente na pasta. Depois voltou a olhar o irmão.

- Ikki, aquilo pode não ser exatamente da forma que o site mostrou...

- Não quero falar disso, Shun. – cortou sério. Abandonando o caderno em que escrevia até então.

- Você deveria ligar o celular...

- Não quero, e quer parar de encher o saco?

Shun resignou-se. Conhecia bem o irmão e sabia que Ikki não faria nada que não quisesse. Sempre foi assim, o leonino só fazia e dizia o que queria, e ninguém conseguia arrancar nada dele contra sua vontade.

- Você deveria ouvi-lo pelo menos! – insistiu o mais jovem.

Ikki não respondeu, pegou uma revista e começou a folhear, ignorando completamente o irmão.

- E depois diz que não eram namorados! – resmungou Shun antes de sair pisando duro para o quarto, o que fez o mais velho corar. Assim que se viu sozinho, Ikki abandonou a revista e recostou-se no sofá, cobrindo os olhos com a mão. Sentia-se traído, magoado ao extremo e sem vontade nenhuma de ver Shaka, de ouvir sua voz. Ele o enganara, dissera que o amava para traí-lo na primeira oportunidade. Estava com raiva, com o coração dolorido, e perdido. Isso! Estava perdido, não sabia o que fazer para tirar o indiano dos seus pensamentos.

-OOO-

Shaka abriu a porta do apartamento. Assim que entrou tratou de abrir as cortinas e verificar o jardim. Tudo em perfeita ordem. Mas o lugar estava vazio, parecia já estar vazio há muito tempo. Nenhum sinal de Ikki. Foi para o quarto e percebeu que não havia mais nenhuma peça de roupa do leonino nos armários.

Sentou-se na cama, o coração acelerado se partindo de vez. Ele fora embora, o abandonara, por quê?

O escritor passou as mãos nos cabelos e tentou pensar em alguma coisa. Não, não era possível, aquilo tudo era um engano, um erro. Tudo estava bem entre eles há duas semanas, por que, de repente, Ikki parara de atender seus telefonemas e abandonara sua casa?

Sentiu-se fraco e sozinho, e se arrependeu de ter pedido para Milo ir embora, enquanto o escorpiano insistia em subir com ele. Não queria preocupá-lo, não queria ninguém para ter pena de si e nem para falar eu avisei, por que de uma forma muito estranha, Shaka já esperava não encontrar Ikki quando voltasse. Alguma coisa lhe dizia isso, embora não compreendesse.

O indiano era um homem forte, seguro de si, que crescera e vivera praticamente sozinho. Entretanto, isso não impediu que uma única lágrima descesse por seu rosto. Pela primeira vez se entregou a ponto de se machucar.

Ergueu-se e resolveu tomar um banho. Pensaria depois em como sair daquele abismo. Estava entrando no banheiro quando o telefone tocou. Pegou o aparelho rapidamente, atendendo com mãos trêmulas.

- Shaka... – disse e esperou resposta, mas esta não veio – Ikki?

Silêncio.

- Ikki, é você? O que houve? Por que foi embora? Ikki fala alguma coisa!

Mais silêncio até ouvir o sinal de que o telefone fora desligado. Abandonou o aparelho e foi para o banheiro ainda mais triste e confuso. O que teria acontecido?

-OOO-

Ikki desligou o telefone. O coração batia forte, e ele se controlou ao máximo para não falar, porque se pronunciasse palavras, fraquejaria e derramaria toda a sua dor sobre o indiano. Não queria que Shaka soubesse que sofria por ele. Não queria, não seria humilhado a esse ponto.

Durante todos aqueles dias, repetiu aquele ritual, o ritual de ligar para o apartamento para saber se ele voltara ou não; agora sabia que ele estava no Japão, e sua ansiedade só crescia. O que faria? Iria até lá? Sim, precisava, ele precisava ouvi-lo, Shaka teria que se explicar...

- Niichan? – Shun fez com que o irmão largasse o telefone e tentasse, a todo custo, sorrir, saindo do seu estado de confusão.

- Sim, Shun?

- Está chorando? – os olhos verdes do menino o interrogaram aflitos.

- Alguma vez na vida, você já me viu chorar, Shun?

- Não...

- Então? – perguntou mal humorado, e percebendo que seus olhos estavam realmente úmidos, embora não estivesse chorando. Quem chorar? Ele? Jamais! – O que você quer?

- Posso ir ao cinema?

- Sozinho? Nem pensar!

- Não vou sozinho... – o mais jovem dos Amamiyas declarou cruzando os braços atrás das costas, num típico gesto de nervosismo.

Ikki ergueu uma sobrancelha.

- E posso saber com quem o mocinho vai?

- Saori e Seiya...

- Shun!

- Por favor, Ikki, por favor! – Shun juntou as mãos em prece, implorando.

Ikki bufou irritado, mas resolveu que deixaria o irmão sair um pouco. Estava sendo uma péssima companhia, e o garoto tinha direito a se divertir.

- Tudo bem, Shun, vai, mas esteja de volta antes das dez, certo? Ou eu torço o pescoço da Saori e castro o Seiya!

- Obrigado, niichan! – o menino saiu correndo para o quarto, e Ikki se deixou cair no sofá. Os dias de folga estavam sendo tediosos; esperava que aquele final de semana passasse logo, assim, devolveria Shun à escola e poderia trabalhar; trabalhar bastante e não pensar em Shaka.

Shun entrou correndo no quarto e fechou a porta. Sem que Ikki percebesse, havia pegado seu celular e agora o ligava. Ficaria com o aparelho do irmão àquela tarde, e esperaria que Shaka ligasse. Tinha certeza que o loiro gostava do seu niichan, e precisava saber o que estava acontecendo, por que ele estava com aquele outro escritor na Grécia.

O Amamiya mais jovem trocou de roupa; Saori avisara que estaria em frente ao prédio às cinco horas.

- Niichan, estou indo! – avisou, beijando o rosto do irmão que continuava sentado no sofá, agora, lendo um grosso livro sobre psicanálise.

- Não demora, Shun!

- Não demoro, pode deixar!

O menino desceu as escadas correndo e logo entrou no carro, sentando no banco de trás, tendo Saori e Seiya nos bancos da frente.

- E então, Shun, ele assinou? – o moreno perguntou, preocupado.

- Assinou sim! – o menino tirou da mochila um envelope com a papelada – Está tudo aqui!

- Ótimo! – comemorou Saori – Agora preciso falar com o Shaka, você sabe onde podemos encontrá-lo, Shun?

- Sei sim, vamos até o apartamento dele, acho que o loiro já voltou ao Japão...

- Como sabe?

- O Ikki, ele hoje estava pior que os outros dias.

- Sei, por causa das fotos, não é? – Seiya interrogou e Saori lhe lançou um olhar aborrecido.

- Acho que aquelas fotos eram falsas. – Shun soltou um muxoxo – Eu nem deveria tê-las mostrado ao niichan, isso só serviu para deixá-lo triste, como fui burro!

- Calma, Shun, vamos encontrar o Shaka e, tenho certeza, tudo será esclarecido. – sorriu a moça o que tranqüilizou um pouco o menino.

- Sim, aí verei o Ikki feliz novamente! – Shun comemorou com otimismo e eles rumaram em direção ao prédio de Shaka.

-OOO-

Já estava escuro, Ikki estava impaciente, não conseguia falar com o irmão, e nem muito menos com Saori ou Seiya. Onde aqueles loucos levaram Shun?

Andou sem alento dentro do pequeno apartamento, até que resolveu ir para a cozinha, pegar um café que já estava a tempos na cafeteira o esperando. Sabia no fundo que não era a ausência de Shun que o incomodava tanto, embora isso também o preocupasse, era a ausência daquele que aprendera a amar, daquele que aprendera a confiar e a quem entregara seus melhores sentimentos...

Estúpido, idiota... CORNO! – gritou pra si mesmo enquanto bebericava o café. Por que não podia simplesmente esquecer como esqueceu Esmeralda?

Sentou-se à mesa da cozinha, com um suspiro derrotado, e nesse momento escutou o barulho da fechadura. Abandou a caneca e rumou para a sala já disposto a dizer alguns impropérios ao irmão caçula.

- Shun, não falei que...

Interrompeu-se, fitando, surpreso, a pessoa que entrava. Ela ajeitou os cabelos loiros com um olhar meio constrangido.

- Oi...Eh, ainda tenho a chave... – disse mirando a expressão atônita do moreno.

- Esmeralda, pensei que estivesse na França...

- Estive e voltei. Ficarei algumas semanas e... quis vê-lo...

Ikki coçou a cabeça, meio sem jeito, o último encontro com a ex-noiva não foi o que se poderia chamar de visita cortês.

- Estou bem. – ele tentou não demonstrar o incomodo – Entre, por favor.

A moça loira assentiu com a cabeça e caminhou para o meio da sala, segurando a bolsa de mão que levava consigo fortemente, como se quisesse se apoiar em algo.

- Ikki, eu... – começou, e o moreno a encarou sério – Bem, queria pedir desculpas por tudo...

- Tudo bem... – respondeu o Amamiya mais velho – Aceita café?

- Não, obrigada, só queria mesmo saber como você e o Shun estão...

- Ah, estamos bem...

- Você não me parece bem, Ikki, o que aconteceu? – a loira se aproximou dele e tocou-lhe o rosto – Parece tão triste...

Ikki suspirou enquanto recebia o carinho das mãos macias da ex-noiva.

- Eu...bem, é uma longa história, e é melhor que não toquemos nesse assunto. – declarou incomodado.

A loira sorriu.

- Sim, então apenas vamos sentar e conversar um pouco, vejo que está precisando...

Eles sentaram no sofá e começaram uma conversa sobre vários assuntos. Como Esmeralda parecia mesmo disposta a ouvi-lo e, com certeza, a conversa demoraria, ofereceu-lhe uma bebida. Assim a noite transcorreria, no mínimo, mais animada, e ele precisava mesmo se distrair para não pensar, ou pensar menos.

-OOO-

Shun, Saori e o noivo, em fim, chegaram à casa do indiano. Entraram tão rápido no elevador que o velho senhor Nakamura nem teve tempo de perguntar para onde iriam. A porta do apartamento do escritor estava aberta, e o imóvel mergulhado na penumbra.

- Shaka! – o menino chamou, mas não houve resposta. Saori se adiantou e rumou para os outros cômodos, com um estranho pressentimento de que algo não deveria estar bem.

- Shaka! – chamou também.

- Estou aqui. – a voz tranqüila do indiano vinha do jardim. Os três mais jovens correram até ele e observaram, condoídos, sua expressão melancólica enquanto contemplava o mar, sentado na varanda do apartamento – Olá...

Shun se aproximou dele e percebeu em seus olhos a mesma expressão dos olhos do irmão.

- Shaka, me desculpe. – pediu – A culpa foi minha...

O indiano mirou o rosto apreensivo do rapaz.

- Do que está falando, Shun?

- Fui eu que mostrei as fotos ao Ikki...

- Fotos? Que fotos? – o escritor agora olhava do menino para o casal parado ao seu lado. Saori se adiantou com um sorriso.

- Já estou sabendo dessa história, alguns sites e revistas divulgaram fotos suas com outro escritor, o Saga Cástor...

- Saga? Quando...? – Shaka agora estava confuso.

- Na Grécia...

- Eu não encontrei o Saga na Grécia, o Saga ficou aqui!

Seiya soltou um resmungo aborrecido e cruzou os braços, mirando sério o loiro.

- Shaka, pode até ser que não tenha acontecido nada, mas vimos às fotos, vocês dois estavam juntos, juntinhos se quer saber!

- Não, não estava! – irritou-se o escritor se levantando – Isso é um absurdo, como o Ikki pode acreditar nessas revistas de fofoca?

- Shaka, todos nós vimos às fotos... – disse Shun triste – Eu mesmo as mostrei ao Ikki, ao Seiya e a Saori, mentir é feio.

O indiano corou ao receber a lição de moral do pirralho de doze anos.

- E... eu não estou mentindo! – mirou os olhos dos três mais jovens, percebia que ninguém acreditava no que dizia.

- Shaka, não temos nada a ver com a sua relação com o Ikki, e menos ainda com o que você faz de sua vida... – declarou Saori – Essa é uma situação que só diz respeito a vocês, e não gostaríamos de nos envolver...

- Precisamos apenas saber se o acordo ainda está de pé... – cortou Seiya irritado. Na verdade aquela história toda o irritava, achava que o indiano era uma pessoa, e agora via que era outra. Tinha medo que ele mudasse de ideia e resolvesse não ajudar Shun, já que, pelo que conhecia de Ikki, a relação dos dois estava encerrada.

Shaka piscou e baixou o olhar; por que todos o acusavam de algo que ele não fez? Aqueles olhares acusatórios o desarmava e irritava ao mesmo tempo.

- Claro que sim. Trouxe o dinheiro. – respondeu derrotado e caminhou para o quarto, pegando a maleta – Está aqui, onde estão os papéis?

Saori entregou a pasta com os papéis ao loiro. Shaka conferiu se tudo estava assinado.

- Amanhã me encontrarei com a Sayaka, e tudo estará resolvido. – respondeu – Obrigado.

Shun se adiantou e abraçou o indiano pela cintura, deixando-o sem ação.

- Shaka, por favor, não fica triste assim, tenho certeza que o Ikki te perdoa se você conversar com ele...

- Eu não fiz nada errado, Shun... – murmurou – Acredita em mim...

Seiya se aproximou do escritor; já estava chateado com toda aquela negação dele.

- Shaka, não queria fazer isso, mas já que insiste em negar, espera um pouco. – o japonês saiu e, minutos depois, retornou com uma revista nas mãos.

- Seiya, por favor... – reclamou Saori.

- Ah, Saori, vamos ver se ele consegue negar agora! – bufou o moreno quase jogando a revista sobre o loiro.

O indiano segurou o tablóide e o folheou calmamente. Mirou a notícia, atônito; havia várias fotos insinuantes, mas nada concreto. Além do mais, aquele não era Saga!

- Isso não é o que parece. – respondeu tranquilamente – E esse não é Saga Cástor...

- Não? – três uníssonas exclamações.

- Esse é meu agente financeiro, irmão gêmeo do Saga, seu nome é Kanon, e só estava abraçado a ele por que... Por que sou um estúpido que sempre esquece que existe gente fofoqueira no mundo, inclusive vocês!

- Quê? – nova exclamação tripla.

- Isso mesmo. Não deveriam dar atenção a esse tipo de reportagem, logo se vê que esse site, e todas as revistas que fizeram tais insinuações não são órgãos sérios.

- Mas, Shaka...

- O que há nessas fotos, Shun? – o indiano interrompeu a réplica do adolescente, estava terrivelmente magoado – Há algo que me condene nessa foto? Há algo explícito?

- Não, mas...

- Sim, não há! Mesmo assim vocês me julgaram culpado antes mesmo de me ouvir!

Seiya, Saori e Shun coraram e baixaram a cabeça.

- Desculpe-nos, Shaka... – pediu a moça – Você tem toda razão. Não há nada nessas fotos.

- Não, não há. – tornou o loiro magoado – Mas não estou magoado com vocês, e sim com o Ikki, ele não tinha o direito de duvidar dos meus sentimentos.

- Shaka, ele está muito mal... – informou Shun – Precisa falar com ele, dizer que tudo isso é mentira.

O escritor hesitou; sim, queria falar com o moreno, mas seu orgulho dizia que não deveria, não fizera nada de errado, e ele o julgara como um leviano. Por que deveria procurá-lo?

- Sim, Shun, falarei com o Ikki, mas não para me terá que ouvir algumas verdades. – respondeu magoado – Onde ele está?

- Em casa, eu dou o endereço a você. Acho que precisam ficar sozinhos...

- Eu levo você, Shaka... – ofereceu-se Saori – E depois vamos tomar um sorvete, certo, Shun? – convidou o menino, pois percebia que ele estava tenso e se sentindo culpado com tudo aquilo. O garoto balançou a cabeça afirmativamente, e todos deixaram o apartamento do indiano.

-OOO-

Shaka entrou no apartamento e percebeu que ele estava meio bagunçado. Vislumbrou garrafas de bebidas na pequena mesa de centro, e peças de roupas abandonadas no chão. Instintivamente saiu catando tudo e arrumando o máximo que poderia, tinha horror à bagunça, perguntava-se como Ikki conseguia ficar num local como aquele e... algo lhe chamou a atenção; peças íntimas... femininas...

Engoliu em seco e rumou pelo corredor estreito até o quarto, onde, confirmando suas suspeita, encontrou Ikki e Esmeralda adormecidos, nus, envoltos nos lençóis.

"Não, ele não o ama e você sairá magoado disso, meu amigo."

A voz de Mu gritou em suas lembranças enquanto observava a cena. Nada disse ou fez, sentia apenas a sensação de um abismo se abrindo aos seus pés. Seu coração estava tão magoado que o loiro se esforçava muito para não se entregar as lágrimas. Correu daquele lugar, sem condições de pensar em mais nada. Queria apenas se esconder da sensação humilhante e dolorosa em seu peito.

Dentro do apartamento, Ikki despertou e mirou o relógio. Já passavam das dez horas. Olhou a mulher adormecida ao seu lado, e suspirou de angustia. Não era quem gostaria de ver e nem sabia como terminaram daquela forma; alguns drinques foram o suficiente para que despejasse sua tristeza e carência sobre a ex-noiva. Mas não bancaria o arrependido, foi bom, matou um pouco a necessidade do corpo, e ele gostava de Esmeralda, embora não a amasse mais. Talvez devesse lhe dar uma nova chance, tentar recomeçar, se bem que ela voltaria à França.

Sua cabeça estava muito confusa, e o moreno tentava não pensar em Shaka, embora só pensasse nele.

Esmeralda mexeu-se e logo depois abriu os olhos e sorriu. Ikki baixou o olhar, sem jeito, e a moça se sentou na cama, cobrindo o corpo com o lençol.

- Ikki...

- Esmeralda, eu...

- O que foi? – interrogou se aproximando dele, que já estava sentado e vestido num short branco, e lhe segurando o ombro.

- Eu amo outra pessoa agora, e não é justo que a magoe...

A loira sorriu e apoiou o queixo no ombro dele.

- Calma, não estou magoada. Já sei disso.

- Sabe? – os olhos índigos se voltaram para ela, confusos – Como sabe?

- Ah, Ikki, eu o conheço, acha que não saberia no momento que o olhasse que estava sofrendo por amor? Nos conhecemos há quantos anos, Ikki Amamiya?

- A vida toda... – o moreno respondeu com um suspiro – Por isso mesmo não quero mentir pra você...

- Sim, eu sei. – Esmeralda baixou o olhar e depois suspirou também – É aquele escritor, não é?

- Sim...

- Como vocês se conheceram?

- Há coisas sobre meu trabalho... sobre minha vida que você não sabe, Esmeralda...

A loira sorriu e se ergueu da cama.

- Tomarei um banho. Que tal me levar pra casa enquanto me conta tudo que ainda não sei? Quem sabe posso ajudá-lo?

Ikki sorriu e assentiu com a cabeça,vendo a mulher entrar no pequeno banheiro. Bufou irritado; tudo que não queria era fazer confidências naquele momento, mas não negaria aquele último favor a Esmeralda, ela merecia saber.

-OOO-

"Malditos sejam todos os taxistas" – resmungava Shaka parado em frente ao pequeno prédio onde Ikki morava – "Maldito seja eu, por ter vindo aqui!"

Andava de um lado a outro, falando sozinho e gesticulando. A noite avançava e nada de um táxi aparecer, e ele já não sabia se as lágrimas que tentava a todo custo conter eram de dor, ciúmes, frustração ou desespero com a falta de um táxi na noite fria de Tóquio.

Em meio as suas observações mentais, escutou uma buzina e virou-se para encontrar os olhos verdes de Saga. Ele estava num conversível prata e contemplava o indiano meio surpreso. Sabia que Shaka não era de sair à noite, e o amigo parecia muito nervoso. Desceu do carro se aproximando do loiro que recuou como se enxergasse algum perigo. Saga riu, ele sempre se comportava assim quando estava por perto; era como se sua presença o ameaçasse.

- Shaka, o que faz aqui a essa hora?

- Eu.. eh, você! O que faz aqui a essa hora? – reverteu a pergunta, ainda mais nervoso.

- Estava jantando com Mu e Aiolia, não sabíamos que já estava no Japão...

- Cheguei hoje, e me admira muito que você não saiba disso. – volveu mal humorado – Vocês parecem a máfia!

- Quando diz vocês?

- Você, Aiolia, Milo, Mu, Kanon, Camus, todos vocês! – explodiu, irritadíssimo – Por que não deixam minha vida em paz? Seus... Seus gângsteres controladores!

- Espera um minuto, não é bem assim... – Saga deu dois passos na direção do loiro que recuou não se dando conta de uma pequena depressão que havia na calçada. Acabou caindo sentado no chão.

Saga tentou conter o riso, mas não conseguiu. Shaka ajeitou os cabelos e mirou o geminiano com um olhar tão homicida, que a risada do grego cessou imediatamente.

- Deixe-me ajudá-lo... – ofereceu a mão que foi afastada pelo loiro, enquanto ele se colocava de pé.

- Não preciso de sua ajuda. Fique longe de mim! Quero todos vocês, delinqüentes e psicopatas, longe de mim!

Saga cruzou os braços com um sorriso irônico; Shaka ficava adorável quando se mostrava nervoso e paranóico.

- Não gostaria mesmo de uma carona? Já está muito tarde...

- Não! – negou-se a acompanhar o grego, virando-se em direção ao prédio e dando de cara com Ikki que saía do mesmo, envolvendo ternamente os ombros de Esmeralda.

Seus olhos se encontraram, e ambos perderam a voz por alguns segundos.

- Ikki!

- Shaka! – falaram ao mesmo tempo quando as vozes retornaram as suas gargantas.

Os olhos homicidas do loiro miraram o braço do moreno em torno dos ombros da mocinha, e o olhar raivoso do leonino se prendeu ao escritor grego que permanecia ao lado do indiano.

- Shaka... – Saga segurou-lhe o ombro, o que provocou um brilho ainda mais ameaçador nos olhos escuros do japonês. O loiro não respondeu, seus olhos ainda cravados no moreno.

- Ikki, acho melhor... – Esmeralda tentou dizer, sentindo-se muito embaraçada naquela situação.

Os olhos deles não se desviavam, cintilavam, soltavam brasas um para o outro.

- Acho melhor irmos embora, Shaka... – pediu Saga percebendo que a situação ali poderia se complicar.

- Sim. – o loiro desviou o olhar afinal - Saga, me leva daqui... – pediu, virando-se e andando em direção ao carro do grego. Ikki permaneceu parado, os punhos crispados para controlar o ódio que sentia.

- Vamos, Esmeralda. – disse, arrastando a ex-noiva para o carro. Sabia que se não saísse rápido dali, acabaria perdendo a cabeça.

E assim, ambos seguiram seus caminhos separados, mas presos em pensamentos.

Shaka chegou ao seu apartamento, acompanhado por Saga que não estava nada confortável com a situação. Sabia que o loiro estava magoado com o garoto e que, conhecendo-o como o conhecia, não gostaria de conversar.

- Shaka, eu...

- Fica, Saga... – pediu o mais jovem acendendo as luzes do apartamento – Quer beber alguma coisa?

- Chá e suco natural? – riu o grego – Não, obrigado. Mas gostaria de saber se você está bem...

O indiano baixou a cabeça com um suspiro.

- Não, não estou bem, e sei que não ficarei bem tão cedo, mas preciso manter o equilíbrio.

O moreno se aproximou e ergueu-lhe o queixo, seus olhos se encontraram, e Saga pode ver muita tristeza nos azuis límpidos do jovem escritor.

- Você ama mesmo aquele garoto, não é?

- Do que importa isso agora? – murmurou Shaka – Você viu que não é comigo que ele quer estar...

- Acho que deveriam conversar. – proferiu o grego, e o indiano o mirou surpreendido, ele sorriu – Shaka, a ideia de vê-lo de caso com um garoto de programa não me agrada nem um pouco, mas o que me agrada menos é ver toda essa tristeza em seus olhos.

- Saga...

- Escute-me... – o moreno o interrompeu – Pelo que vi nos olhos daquele rapaz, não parecia ser com aquela moça que ele gostaria de estar. Devem conversar e esclarecer qualquer coisa.

Shaka sorriu melancólico.

- Obrigado.

- Não me agradeça, tudo que estou dizendo é por motivos totalmente egoístas. – sorriu o geminiano – Não quero ser uma válvula de escape pra você. Quando o tiver, e eu terei, quero que seja inteiro.

Shaka sorriu e balançou a cabeça.

- Essa sua autoconfiança sempre foi seu defeito mais irritante...

- Acho que sempre foi meu defeito mais sedutor... – Saga se aproximou e, dessa vez, o loiro não recuou – Agora só falta você me dizer por qual dos meus defeitos se apaixonou primeiro?

Shaka riu alto.

- Não me lembro, isso já faz muito tempo e já passou, se quer saber.

- Pena... – sussurrou o geminiano o puxando pela cintura contra seu corpo. Shaka estremeceu e suspirou, fechando os olhos, antecedendo o que viria – Choro todo dia o que perdi... – completou Saga e tomou-lhe os lábios num beijo sensual e calmo.

Shaka pensou em resistir, pensou em se entregar, pensava tudo ao mesmo tempo; afinal, nada mais fazia sentido para ele; tudo era um redemoinho de pensamentos, sensações e sentimentos. Enlaçou o pescoço do grego e deixou que ele o beijasse...

-OOO-

Ikki estacionou o carro em frente à casa de Esmeralda.

- Chegamos... – declarou sem olhar para a moça sentada ao seu lado. Seus pensamentos fixos no escritor; fixos em sua imagem saindo com Saga Cástor; sua imagem o traindo com Saga Cástor!

- Ikki, me desculpe por procurá-lo, acho que só fiz complicar tudo. – pediu a loira visivelmente embaraçada.

- Tudo bem, Esmeralda, tudo bem. – respondeu sério, mas permanecia com os olhos voltados para frente. Percebendo isso, a ex-noiva abriu a porta e saiu do carro.

- Então, boa noite! Dê lembranças minhas ao Shun...

- Darei. – informou Ikki e só então se lembrou do irmão. Onde aqueles dois dementes estavam com Shun até aquele horário?

Bufou ao se lembrar que não estava com o celular. Teria que voltar pra casa e ligar para eles. Deu partida no carro de volta pra casa; contudo, o caminho que pegou dava em frente ao prédio do indiano. Sabia que, querendo ou não, precisava falar com ele, precisava lhe dizer as verdades engasgadas há uma semana ou enlouqueceria.

Não! Não queria vê-lo; não suportaria vê-lo! E se o tal Saga...? Interrompeu os próprios pensamentos, estarrecido, freando o carro bruscamente em frente ao prédio.

Desceu pisando firme, enfurecido como um leão engaiolado e disposto a quebrar os dois escritores na porrada se os encontrassem juntos. Shaka não podia brincar com seus sentimentos daquela forma, não podia!

Entrou no prédio tão rápido que nem deu tempo ao porteiro de cumprimentá-lo. A chave do apartamento ainda estava em seu chaveiro. Abriu a porta...

Silêncio...

A sala estava escura e apenas uma tênue luz, provavelmente da luminária que o escritor possuía ao lado da cama, oferecia claridade ao ambiente. Ikki andou rápido pelo corredor. O coração batendo forte... Sentia-se no meio de um filme de suspense tamanho era sua tensão enquanto caminhava até o quarto.

Em fim chegou; arregalou os olhos ao deparar-se com o loiro dormindo serenamente; sozinho. Respirou fundo e aliviado.

Shaka virou-se na cama e abriu os olhos, como se percebesse sua presença. Imediatamente se sentou na cama, ainda desnorteado pelo sono e mais confuso do que nunca.

- Ikki, o que está fazendo aqui?

O moreno não respondeu, caminhou até ele e o puxou pra si pelos cotovelos com violência, assustando o loiro que arregalou os olhos.

- Ikki, me solta! – pediu, a força com que o leonino o segurava machucava sua pele.

- Puto! – rosnou o moreno e afundou as mãos nos cabelos sedosos, puxando o escritor para mais próximo de si – Cachorro, vadio!

Shaka abriu a boca para responder, mas foi interrompido por um violento beijo, enquanto era jogado de volta à cama.

Continua...

Notas finais: Demorou mais saiu! E saiu ENORME esse capítulo! Gente, coitado do velhinho da portaria, será demitido, todo mundo entra nesse prédio! Bem, esse capítulo por ser um pouco tenso, tentei colocar alguns elementos cômicos, não sei se fui bem sucedida, mas tentei.

Amém! Ao menos o Milo e o Mu tomaram vergonha na cara, só falta o Saga e o Aiolia XD!

Espero que o capítulo tenha saído legal, releve qualquer erro gramatical, ortográfico, sintático, de digitação, matemático e por aí vai!

Beijos a todos que leram, em especial aos que tiraram um tempinho para deixar uma review de incentivo.

liliuapolonio, Izabel, Juliabelas, Sales, Danieru, Arcueid, sasulove, Shunzinhaah2, Keronekoi, Mefram_Maru, Vagabond, naluza , Kate-chan, Amamiya fã (eu torturo, não é? Deixo o melhor para quando o cap acaba, sorry hehehehe), Kojican, James Hiwatari, Dani (menina, o FF comeu seu MSN, ele tem ódio de link, então fica mais fácil você add o meu, porque fica no perfil; será um prazer conversar contigo!).

Beijos a todos e obrigada!

Sion Neblina