Amor sem preconceito para sempre

Capítulo 13

Notas iniciais: Música Always – Bom Jovi

- O que vocês querem? – perguntou Ikki, evitando encarar as pessoas ao seu redor. Estava envergonhado, irritado e confuso – Querem pisar ainda mais num cachorro morto? – perguntou se desvencilhando da mão de Mu e mirando todos com raiva e dor – Parabéns, o que tanto queriam aconteceu! Acabou! O Shaka não vai me perdoar pelo que fiz, pelo que disse! Acabou!

- Calma, rapaz, não estamos aqui para brigar. – disse Milo – Queremos ajudar...

Ikki olhou para o escorpiano, desconfiado.

- Me ajudar? – riu – Querem que acredite nisso?

- É verdade – volveu Mu - Vimos que estávamos sendo prepotentes e preconceituosos. Pedimos desculpas.

- Agora é tarde. – Ikki suspirou cansado – Ele foi embora...

- Não, ele ainda está no Japão. – declarou Camus – Deve estar com o Saga, o grego disse que queria falar com ele antes que fosse embora.

- O Saga? Justo ele? – irritou-se o leonino.

- Calminha, rapaz! – tornou Aiolia – Precisamos de algumas explicações suas...

- Não devo explicações nenhuma a vocês! Só quero saber onde está o Shaka? – vociferou o mais jovem, angustiado, o coração palpitando de dor e medo de perder quem amava.

- Calma vocês dois! – pediu Camus – Brigar não vai adiantar nada. Temos um problema e precisamos resolvê-lo. – virou-se para Ikki, o olhando sério – Rapaz, nós somos amigos do Shaka, amigos do tipo verdadeiros e protetores...

- E lunáticos, você se esqueceu de dizer! – interrompeu o japonês.

- Ele é quem está provocando! – grunhiu Aiolia – Escuta aqui, Michê...

Mu mirou o namorado nos olhos e o pegou pelo braço.

- Ou você para agora mesmo, ou eu o coloco porta a fora, Aiolia!

O leonino se calou. Bufou, se jogando no sofá com os braços cruzados como um menino birrento.

- Sim, acho que alguns de nós exageramos com a preocupação. – continuou o ruivo, olhando para Milo e Mu que disfarçaram, corando – Mas, tudo foi feito pelo imenso carinho que sentimos por ele.

Ikki respirou fundo e cruzou os braços também se encostando a parede.

- Agora é tarde. – declarou com tristeza – Eu o perdi, a culpa dessa vez não foi de ninguém, foi minha.

- Não, garoto, quero dizer, Ikki. – sorriu Mu – Numa relação nunca existe um único culpado, e o Shaka, ah o Shaka! Sabemos que o loiro não é nada fácil!

- Sim... eu só queria uma nova chance, mas ele se foi e não há nada que possa fazer agora... – murmurou Fênix.

- Ele não se foi. – tornou Milo – Eu já disse, ele está com o Saga.

- Isso é o pior. – o rosto do moreno oriental se tornou ainda mais taciturno – Ele sempre amou esse tal Saga, e aquele filho de uma... ele sempre quis o Shaka!

Camus tirou um cartão do bolso e colocou sobre a cômoda perto de Ikki.

- Esse é o hotel, eles estão na suíte 203, cobertura. Faça o que acha que deve, nossa participação nessa história termina aqui. Vamos pessoal.

Os escritores e o agente caminharam para a porta.

- Mas, lembre-se, Ikki... – Milo piscou – Ele ama você. Viemos aqui falar com ele, achamos que ele ainda estaria aqui; mas acredito que foi muito melhor encontrá-lo, não deixe que essa paixão tão intensa que aconteceu entre vocês termine dessa forma, com tantas mágoas. Eu sei que vocês ainda se amam. Lute por ele.

O grupo saiu, e o moreno ficou parado por minutos, ainda aéreo com todos os acontecimentos. Mirou o papel sobre a cômoda, e com dedos vacilantes o pegou, olhando-o demoradamente...

This Romeo is bleeding

But you can't see his blood

It's nothing but some feelings

That this old dog kicked up

Este Romeu está sangrando

Mas você não pode ver o seu sangue

isto não é nada além de alguns sentimentos

Que este velho sujeito abandonou

Nesse mesmo momento, Shaka chegava à suíte de Saga. O ambiente estava à meia luz e um exótico e delicioso cheiro de algum incenso o dominava. O escritor indiano aspirou profundamente, deixando escapar um sorriso melancólico. Não acreditava que depois do dia terrível que tivera, Saga ainda tentaria seduzi-lo; não, seria demais para seu coração.

- Seja bem vindo, Shaka. – o geminiano sorriu – Fico feliz em vê-lo, Milo me disse que estará deixando o Japão amanhã, é verdade?

Shaka examinou o grego demoradamente antes de responder. Saga usava camisa e calça pretas, os cabelos presos num rabo-de-cavalo baixo. O cheiro másculo de sua colônia se confundia ao do incenso de sândalo que permeava o ambiente. Shaka sorriu e balançou a cabeça; algum tempo atrás estaria de pernas bambas somente por vê-lo assim.

- Isso mesmo, voltarei à Grécia. – respondeu entrando no apartamento – Foi pra isso que me chamou aqui?

Saga caminhou felinamente até onde ele estava e tocou-lhe o ombro; os olhos azuis melancólicos, e um tanto irritados do indiano, o miraram com firmeza, e o grego subiu os dedos do ombro para o pescoço, até chegar aos lábios do loiro.

- Claro que não... – sussurrou.

It's been raining since you left me

Now I'm drowning in the flood

You see I've always been a fighter

But without you I give up

Tem sido chuvoso desde que você me deixou

Agora estou me afogando no dilúvio

Você sabe que sempre fui um lutador

Mas sem você, eu desisto

- A merda que ele vai me roubar o Shaka! – bradou Ikki pra si, pegando o cartão e disparando pra fora do apartamento, precisava alcançá-los, antes que o loiro se entregasse àquele aproveitador.

Desceu as escadas em direção a rua, só depois se lembrando que abandonara seu carro em algum lugar. A frustração quase levou lágrimas aos seus olhos. O que faria agora?

Viu uma moto estacionada em frente a um pequeno restaurante, sem muito pensar, correu até o estabelecimento. Como de costume, o dono da moto estava sentado, jantando e a chave descansava sobre a mesa.

- Olá, amigo! – disse Ikki e rapidamente pegou a chave do veículo, saindo correndo em seguida – Não se preocupe, eu devolvo!

O pobre motoqueiro, aturdido, demorou pra se dar conta do que acontecia. Enquanto isso, o leonino montava na moto e saía a toda velocidade pelas ruas de Tóquio, sob os gritos de "pega ladrão"!

Will love you, babe, always

And I'll be there forever and a day, always

I'll be there till the stars don't shine

Till the heavens burst and the words don't rhyme

And I know when I die, you'll be on my mind

And I love you, always

Te amarei, querido, sempre

E estarei ao seu lado por toda a eternidade, sempre

Eu estarei lá até as estrelas deixarem de brilhar

Até os céus explodirem e as palavras não rimarem

E sei que quando eu morrer, você estará em minha mente

E eu te amarei sempre

Shaka, delicadamente, afastou a mão de Saga dos seus lábios e se afastou do escritor grego.

- Desculpe-me, Saga, mas se me chamou aqui pra isso, saiba que estou, mais uma vez, fechado pra balanço. Meu coração já sangrou demais.

- Shaka, não tem que ser assim...

- É assim, Saga, eu simplesmente não nasci para amar. – suspirou cansado – Mas, amo o Ikki, o que posso fazer? E não conseguirei esquecê-lo tão fácil.

- Sei que ele o magoou. – disse o grego voltando a se aproximar e segurando o rosto do loiro entre as mãos – Deixe-me curar suas feridas...

Now your pictures that, you left behind

Are just memories, of a different life

Some that made us laugh

Some that made us cry

One that made you, have to say good bye

Agora as fotos que você deixou para trás

São somente lembranças de uma vida diferente

Algumas que nos fizeram rir

Algumas que nos fizeram chorar

Uma que fez você ter que dizer adeus

Ikki pilotava a moto a toda velocidade que o caótico trânsito de Tóquio permitia. Já havia xingado os motoristas, os guardas de trânsito, os pedestres, mas nada parecia ser capaz de fazê-lo alcançar Shaka. Talvez o tivesse perdido realmente, e merecia isso, foi um total idiota, cego e egoísta, definitivamente não merecia Shaka, mas tentaria, tentaria nem se para isso precisasse pedir perdão de joelhos, vencendo todo o seu orgulho.

Precisava dele, precisava da voz, do cheiro, dos beijos do loiro indiano, como as plantas precisam do sol para viver...

What I'd give to run my fingers, through your hair

To touch your lips, to hold you near

When you say your prayers, try to understand

I've made mistakes, I'm just a man

O que eu não daria para correr meus dedos pelos seus cabelos

Tocar seus lábios, abraçá-lo apertado

Quando você dizer suas preces, tente entender

que eu cometi erros, sou apenas um homem

Precisava convencê-lo a ficar, e por isso, acelerava, corria feito um louco em direção a sua felicidade.

Shaka tocou o rosto de Saga com carinho e deixou escapar um sorriso carinhoso.

- Obrigado, meu amigo. – disse – Mas não é disso que preciso, não é esse consolo momentâneo de um belo corpo quente que me fará esquecê-lo, não seria justo comigo, não seria justo com você.

Depositou um suave beijo nos lábios do grego e se afastou.

- Até mais, Saga.

- Shaka! – Saga chamou, e o indiano virou-se; o loiro pode ver certa emoção nos olhos verdes do amigo. Não entendeu; mas não estava disposto a fazer perguntas.

- Você me amava?

O mais jovem balançou a cabeça, negando.

- Nunca foi amor, era uma frustração juvenil, uma mágoa que deixei escapar para a vida adulta. – confessou dolorosamente, pois foi com Ikki que conseguiu finalmente se livrar de seus recalques – O amor, eu só conheci aqui no Japão.

Saga acenou com a cabeça e sorriu.

- Boa sorte, Shaka.

O indiano assentiu de volta e deixou a suite do amigo. Tocou o botão do elevador. De uma forma estranha, se sentia aliviado por ter deixado finalmente aquela história com Saga para trás, mesmo que seu coração estivesse profundamente infeliz. Entrou no elevador e em segundos, chegou a recepção. Caminhou a passos rápidos e sempre confiantes para a saída do hotel, percebendo que algumas pessoas já apontavam para si, seus dias de anonimatos acabaram definitivamente, mas... Bem, voltaria para casa e tudo voltaria a ser como antes: vazio, solitário.

Passou pela porta principal e percebeu que chovia forte e o trânsito estava completamente engarrafado. Precisava achar um táxi de qualquer forma. E assim, o famoso e milionário escritor Shaka Phalke saiu andando na chuva, não se importando com o frio ou com suas roupas que ficavam cada vez mais pesadas.

- Shaka! – ouviu seu nome gritado entre as buzinas dos carros, virou-se sem conseguir ver de onde vinha a voz.

- Shaka! – ouviu novamente e seu coração acelerou, reconhecendo a voz mesmo com o barulho da chuva e do trânsito. Passou as mãos nos cabelos molhados.

Do outro lado da avenida, Ikki tentava se fazer enxergar, correndo por entre os carros, mas o indiano ainda o procurava. Sem mais o que fazer, subiu num táxi e gritou o mais alto que pode.

- Shaka! Shaka Phalke!

Seus olhos finalmente se encontraram sob a densa chuva e ambos perderam a voz por alguns segundos...

Will love you, baby, always

And I'll be there forever and a day, always

I'll be there till the stars don't shine

Till the heavens burst and the words don't rhyme

And I know when I die, you'll be on my mind

And I love you, always

Te amarei, querido, sempre

E estarei ao seu lado por toda a eternidade, sempre

Eu estarei lá até as estrelas deixarem de brilhar

Até os céus explodirem e as palavras não rimarem

E sei que quando eu morrer, você estará em minha mente

E eu te amarei sempre

- Eu te amo... – as palavras foram ditas em tom normal, e mesmo no barulho incessante o indiano conseguiu ouvir – Me perdoe...

Shaka não respondeu, continuou parado na calçada do outro lado da rua, e Ikki percebeu que seria ele quem teria de alcançá-lo. Saiu pulando de carro em carro, sob os olhos arregalados do loiro, e sendo xingado pelos motoristas, até que chegou.

Em fim estava frente a frente com Shaka.

O escritor nada dizia, estava chocado com tudo aquilo, seu corpo tremia, e o moreno não sabia se era de frio ou por qualquer outra sensação.

- Ouviu o que disse? – insistiu o mais jovem – Me perdoe...

Shaka ainda estava incapaz de se manifestar, seu coração parecia que arrebentaria no peito.

- Eu... Ikki, eu...

- Loiro, por favor, não diz que acabou, - implorou o moreno – Ninguém vai amá-lo como eu amo, ninguém vai tocá-lo como eu, por favor, não diz que acabou!

When he holds you close

When he pulls you near

When he says the words

You've been needing to hear

I wish I was him, cause those words are mine

To say to you till the end of time

Quando ele abraçar você

Quando ele o puxar pra perto

Quando ele disser as palavras

Que você precisa ouvir

Eu desejarei ser ele,pois essas palavras são minhas

Para dizer a você até o fim dos tempos

- Ikki...

- Ninguém vai amá-lo como eu amo, Shaka! – interrompeu o mais jovem, nervoso – Eu sei que errei, sei que fui um idiota, mas não adiata achar que conseguirá viver sem mim. Você me ama que eu sei! E eu te amo, isso é simples! Você poderá ter outros, poderá ser qualquer um, mesmo o Saga, esse homem que você amou a vida inteira, ele não fará com que me esqueça, porque o que temos é verdadeiro, é verdadeiro, loiro, e eu amo você!

I Will love you, babe, always

And I'll be there, forever and a day, always

If you told me to cry for you, I could

If you told me to die for you, I would

Take a look at my face

There's no price I won't pay

To say these words to you

Eu te amarei, querido, sempre

E estarei ao seu lado por toda a eternidade, sempre

Se você me dissesse para chorar por você, eu choraria

Se você me dissesse para morrer por você, eu morreria

Olhe para o meu rosto

Não há preço que eu não pagaria

Para dizer estas palavras a você

- Estou cansado de chorar, Ikki – murmurou o indiano – Você já tirou muitas lágrimas de mim, o que quer mais?

- Eu sei o quanto errei, mas se você me der mais uma chance, prometo que viverei para fazê-lo sorrir, Shaka, eu viverei para amar você...

Well there ain't no luck in this loaded dice

But babe if you give me just one more try

We can pack up our old dreams and our old lives

We'll find a place where the sun still shines

Bem, não há sorte nestes dados viciados

Mas querido, se você me der mais uma chance

Nós podemos refazer nossos antigos sonhos e nossa antiga vida

Encontraremos um lugar onde o sol ainda brilha

Shaka ergueu a mão e tocou o rosto do moreno que fechou os olhos, a chuva térpida da noite nipônica se tornando uma melodia cada vez mais suave aos seus ouvidos, o coração pesado de angústia e descompassado se serenando à medida que os sentimentos benéficos dominavam o peito machucado.

- Eu amo você, Ikki... – disse o loiro – Eu quero recomeçar...

O moreno segurou-lhe a mão com carinho. Shaka sorriu e seus olhos se umedeceram não se soube se pela chuva ou por lágrimas de emoção. Puxou Ikki pra si; abraçaram-se com força enquanto um afagava o cabelo do outro, antes dos lábios se buscarem e se colarem com ternura e fogo de iguais intensidades.

I Will love you, baby, always

And I'll be there forever and a day, always

I'll be there till the stars don't shine

Till the heavens burst and the words don't rhyme

And I know when I die, you'll be on my mind

And I love you, always...

Always.

Sim, e eu te amarei, querido, sempre

E estarei ao seu lado por toda a eternidade, sempre

Eu estarei lá até as estrelas deixarem de brilhar

Até os céus explodirem e as palavras não rimarem

E sei que quando eu morrer, você estará em meus pensamentos

E eu te amarei, querido,

sempre

Os carros voltaram a andar, as buzinas cessaram, a rua se tornou deserta e eles continuaram parados na calçada. Beijando-se sob a chuva intensa que não esfriava nem o corpo e nem a alma.

-OOO-

Entraram no apartamento trocando beijos e carícias, um livrando o outro das roupas molhadas. Ikki mordiscava e sugava os lábios macios de Shaka enquanto o indiano percorria os dele com a língua urgente, ávida, desesperada.

- Ah, Ikki... que saudade de você... – gemeu o loiro o puxando pela cintura para o quarto e para que seus corpos ficassem cada vez mais próximos, se esfregando sensualmente na pele morena macia. Ikki gemeu só de imaginar em tomá-lo, estavam embriagados de desejo e famintos um pelo corpo do outro.

Shaka deitou-se na cama, e Ikki se ajoelhou entre suas pernas para puxar a calça do indiano. Perna por perna, ele livrou-o da roupa e se inclinou,começando a beijar-lhe os pés, onde sugou o dedo com luxúria, sem tirar os olhos dos azuis do loiro, e foi subindo boca e língua pela pele, ouvindo-o gemer e se apoiar nos cotovelos para olhar seu show particular. Shaka sorriu de felicidade, enquanto Ikki subia cada vez mais até seus rostos ficarem bem próximos, para logo depois, voltar a beijá-lo intensamente. O moreno já estava sem a camisa, e o loiro tateava seu corpo musculoso com as mãos, mas estava ávido para livrá-lo da incomoda calça jeans, já havia desabotoado, mas a peça justa não descia. Ikki riu das tentativas frustradas dele, se afastou e ele mesmo tratando de tirar a roupa, ficando apenas com a cueca boxer branca. Shaka escorregou a mão por seu tórax, até alcançar o volume que se escondia sob a única peça de roupa do moreno que gemeu, fechou os olhos e lambeu os lábios, se deliciando com o suave vai e vem dos dedos longos do indiano.

- Não tortura, Shaka, tira logo... – pediu, e o loiro passou os dedos pela borda da cueca, começando a descê-la, deixando o sexo túrgido do moreno livre para os toques de suas mãos. Shaka então o deitou na cama, Ikki não reclamou, sorriu quando o indiano forçou-o para que abrisse mais as pernas, e se deitou entre elas, voltando a provar seus lábios, escorregando por seu queixo, deixando um rastro quente de saliva até alcançar seus mamilos e mordê-los, causando dor e prazer. Ikki gemeu mais alto enquanto a língua hábil o provocava despudoradamente; e pensar que aquele pervertido ali já fora alguém cheio de pudores e bloqueios. Sentia-se feliz em ver Shaka tão solto, tão entregue e tão... Descarado!

O indiano ergueu a cabeça para mirar o rosto do leonino.

- Do que você está rindo? – perguntou curioso.

- De nada, amor, continua...

- Você me chamou de quê?

- Amor, o amor da minha vida, por que, não gostou?

Shaka não respondeu, seu rosto avermelhou ainda mais, agora não só por excitação, e voltou a beijar o peito do moreno, descendo por seu abdômen, até alcançar a virilha. Ikki arfou de ansiedade ao sentir o hálito quente do loiro tão perto da sua região mais sensível; Shaka ainda provocou, mordiscando a pele da virilha, descendo para dar um demorado chupão na parte interna de uma das coxas do moreno enquanto arranhava a outra.

Ikki deixou escapar um muxoxo como um menino decepcionado, mas depois riu, sabia como era seu loiro, não adiantava querer apressá-lo, se fizesse isso, Shaka faria questão de torturá-lo mais.

- Já disse o quanto suas pernas são maravilhosas? – perguntou o loiro – São firmes e macias ao mesmo tempo...

- Já... – riu o moreno – Mas para de conversar, faz outra coisa... – sorriu malicioso e gemeu alto quando o loiro mergulhou a cabeça entre suas pernas e começou a lamber muito devagar seu falo ereto; a língua tépida deslizando suavemente enquanto as mãos continuavam a acariciar suas coxas. Shaka saboreava devagar, enroscava a base do membro túrgido com a língua subindo e descendo em círculo, mas não abocanhava como Ikki queria, fazendo gemer com a doce agonizante tortura.

- Shaka... – gemeu mais alto, e o loiro sorriu perverso, gostando de ver no amante a mesma agonia que ele sempre gostou de lhe provocar. Lambeu a glande, enfiando a língua no buraquinho que já pingava de excitação, se deliciando ao sentir o moreno se contorcer e segurar seus cabelos com força.

- Puto... – gemeu Ikki – Não faz isso comigo... – suplicou e se apoiou nos cotovelos pra mirar o rosto safado do indiano. Shaka não resistiu à carinha de menino pidão dele e se esqueceu até do desaforo, chupou forte, de uma única vez, fazendo o moreno voltar a cair no travesseiro e gemer alto. Começou a subir e descer, lábios e língua, ouvindo os gemidos cada vez mais desesperados do moreno. Ikki estava ensandecido, adorava aquela boquinha quente de Shaka, adorava tudo que ele fazia. Mas, para seu desespero, o loiro logo se afastou. O moreno soltou uma exclamação e abriu os olhos, encontrando o rosto malicioso e ruborizado do indiano. Sentiu um estremecimento quanto ele voltou a se deitar sobre si, arranhando seu tórax e apertando seus mamilos, antes de beijá-lo profundamente.

- Agora é minha vez, Ikki... – sussurrou contra seus lábios.

- O quê? – sussurrou o moreno o puxando mais pra si, enlouquecido de tanto tesão. Não queria conversar, queria tomá-lo logo, sentir seu corpo, sua pele.

- Eu quero o mesmo presente... – o loiro avermelhou mais ao pedir. Ikki se afastou com seu sorriso mais sacana e lambeu os lábios.

- Viciou em minha boca, não é?

- Cala a boca e faz logo... – ordenou o indiano, se afastando e ficando de pé. Ikki se sentou na cama e o puxou pra si pelas nádegas, começando a lamber, alternar com pequenos beijos antes de começar a chupar o pênis de Shaka que jogou os cabelos pra trás e gemeu alto. Sim, era verdade! Estava totalmente, perdidamente viciado nos lábios, nas mãos, no cheiro de Ikki. Que tudo fosse para o inferno, ficaria com ele não importava o que precisasse superar pra isso.

Shaka gemia e se atirava mais contra a boca do moreno, sentindo seus dedos afastando suas nádegas e procurando sua entrada. Gemeu mais alto quando um dos dedos dele o penetrou e resolveu que já era hora de parar, ou as coisas não terminariam da forma que queria.

- Chega, Ikki... – sussurrou empurrando o rosto do moreno para que se afastasse. Ikki caiu na cama e sorriu, estendendo os braços e chamando Shaka:

- Vem...

O loiro deitou-se sobre ele, lambeu seus lábios e olhou bem dentro dos seus olhos.

- Eu quero você...

- Eu já sou seu... – respondeu Ikki, deslizando as mãos pelas costas claras de Shaka.

- Não, eu quero ter você, quero possuí-lo...

Os olhos do mais jovem se arregalaram. Bem, ele nunca, mas nunca mesmo pensou em fazer aquilo...

- Eh... você quer dizer que...?

- Hum... hum... – Shaka balançou a cabeça afirmativamente e deixou escapar um sorriso. Ikki ruborizou mais.

- Sabe o que é, loiro, é que eu nunca... bem... Você quer mesmo?

Shaka se inclinou e o beijou com carinho.

- Não se preocupe, relaxe, você vai gostar, eu prometo... – sussurrou.

Ikki o mirou nos olhos mais uma vez, entre temeroso e curioso.

- Seja delicado comigo... – disse a frase clichê, divertido com a insólita situação. O indiano riu, mandou que ele calasse a boca e voltou a beijá-lo. Os corpos se esfregando, tocando fogo na pele; Shaka beijava e lambia o corpo do moreno, arrancando gemidos cada vez mais altos; Ikki o puxava com força pra si, querendo aumentar o contato; seu sexo já latejando de tão rígido.

- Shaka... eu não agüento mais... – pediu agoniado – Se você quer me comer, faz logo por favor... mas não me torture assim...

- Desbocado! Assim você estraga todo meu romantismo... – reclamou o loiro, e enfiou os dedos na boca de Ikki, que se prontificou a lambuzá-los bem com sua saliva; Shaka então ergueu-lhe a perna, para facilitar a penetração. Devagar, carinhosamente foi alargando, ouvindo os gemidos do mais jovem, até que achando-o preparado começou a penetrá-lo.

Ikki fez uma careta e estreitou os olhos...

- Ai! Isso dói pacas! – reclamou mordendo os lábios. Shaka se inclinou e beijou-lhe os lábios.

- Vai ficar bom... – murmurou entrando mais e ouvindo-o gemer mais alto. Começou a se movimentar devagar, levando o corpo do moreno junto consigo, foi aumentando a velocidade até ver os gemidos de dor serem superados pelos de prazer, ele também gemia alto, ter Ikki era maravilhoso. Sentia que a relação deles estava completa e nada a abalaria nunca mais. Eles se pertenciam. Com um gemido mais alto, entrou mais fundo no moreno e gozou, se deixando cair em seu peito, totalmente exausto e ofegante.

Demorou alguns segundos até ouvir a voz calma e carinhosa do amante.

- Hum... ei, loiro? – Ikki chamou acariciando seus cabelos – Acha que acabou?

Shaka ergueu os olhos pra ele.

- Quê? – perguntou rolando para o lado, livrando-o do seu peso, mas Ikki o puxou de volta pelos braços, fazendo-o ficar sobre si.

- Acha que é só você quem vai se divertir?

- Não foi divertido pra você? – perguntou se fazendo de inocente.

- Foi sim, claro, mas... nem tanto... ainda quero mais... – disse apontando para a própria ereção. Shaka ficou sem jeito, seu orgasmo foi tão intenso que ele não percebera que o amante não estava satisfeito.

- Hum... – ponderou o indiano – E o que quer que eu faça?

O moreno sorriu sádico puxando o amante que caiu de costa na cama.

- Eu quero te fuder bem forte e bem gostoso... – sussurrou enquanto lambia a orelha do loiro que se arrepiou por completo.

Shaka não respondeu, envolveu a cintura do amante com as pernas e arqueou o corpo, condescendente. Ikki gemeu por antecipação, se libertando do loiro e o virando na cama enquanto Shaka empinava os quadris pra receber a língua do moreno que o preparava para a penetração. Ikki entrou com força arrancando um grito extasiado do loiro que afundou o rosto no travesseiro enquanto recebia as estocadas vigorosas do amante. Shaka arfava, o corpo de ambos pingava de suor na cavalgada intensa. O loiro soltou um gemido longo quando o moreno segurou seu pênis o masturbando na mesma intensidade até que ambos gozaram, caindo exaustos, totalmente suados, ofegantes e satisfeitos, na cama.

- Ah, loiro... – ofegou Ikki – Você é muito gostoso, eu quase havia esquecido...

Shaka sorriu começando a ficar sonolento...

- Tão rápido?

- Hum... você sabe que estou brincando... – disse Ikki rolando para o lado e saindo do corpo dele – Eu nunca esqueceria esse sua boca gostosa, e essa sua carinha de anjo safado, de putinho disfarçado de santo...

Shaka escorregou na cama para se aninhar nos braços do moreno. bocejando preguiçosamente.

- Recuso-me a brigar com você agora... – ronronou o loiro fechando os olhos preguiçosamente.

- Eu não quero brigar com você nunca mais, loiro, eu te amo...

O escritor sorriu e logo adormeceu. Ikki ficou um tempo mirando o rosto plácido e feliz do indiano e logo era ele a estar dormindo.

Acordou horas depois, já estava escuro e ouvia batidas incessantes na porta.

- Merda! Deve ser o esquadrão lunático! – resmungou vestindo a cueca boxer. Shaka se moveu na cama e abriu os olhos, preguiçosamente.

- Hum... quem será? – perguntou também procurando o que vestir. Acabou por abrir a mala que já estava feita e tirar uma calça de pijama branca de cordão, a vestindo.

- Deve ser o Milo. – comentou o indiano, seguindo o amante que já se precipitava a abrir a porta.

- Eles sempre aparecem nas piores horas! – reclamou o moreno e abriu a porta se surpreendendo a encontrar rostos desconhecidos.

- É ele! – gritou um homem que estava a trás de dois policiais.

Os homens da lei rapidamente imobilizaram o moreno sob o olhar estarrecido de Shaka.

- O que está acontecendo? – perguntou o escritor.

- Vocês estão presos por furto! – disse o policial avançando em direção ao loiro e o algemando também.

- Eu? – exclamou Shaka sem nada entender.

- O senhor também foi visto no veículo furtado! Tem o direito de permanecer calado...

Ikki olhou o rosto pálido do indiano.

- Amor, sabe aquela moto que viemos? Bem, não era minha...

- Ah, Ikki, eu vou te matar! – grunhiu Shaka enquanto ambos eram arrastados pelos policiais em direção a uma delegacia de Tóquio.

-OOO-

Duas horas foi o tempo que Shaka e Ikki permaneceram presos, antes dos amigos do loiro e os amigos do moreno pagarem a fiança. Milo ainda conseguiu, utilizando sua abençoada lábia, para que o motoqueiro retirasse a queixa de furto e explicasse que tudo não passou de um incidente. Claro que isso levou alguns ienes da conta bancária do agente literário.

Foram liberados pela polícia, mas o indiano estava muito irritado.

- Que vexame! Amanhã serei notícia de revistas de fofoca e por sua causa, Ikki Amamiya! – grunhia Shaka se ajeitando no casaco que lhe foi entregue junto com as roupas de Ikki, já que o mais jovem estava apenas de cueca quando foi prezo, e ele usava uma calça de pijama – Isso é coisa que se faça? Como você pode roubar uma moto?

- Se não a roubasse não teria como encontrar você, e você estaria na cama com o tal Saga, nesse momento! – irritou-se o moreno.

O loiro o encarou pasmado.

- Não acredito que você disse isso! – exasperou-se – Escute, seu moleque, se eu quisesse...

- Hum... hum...

Ouviram um pigarro e ambos se voltaram para a entrada da delegacia onde, de braços cruzados, os seus salvadores os esperavam. Estavam presentes: Milo, Camus, Aiolia, Mu, Saga, Saori, Seiya e Shun.

Tanto Ikki quanto Shaka coraram sem jeito e se adiantaram a eles.

- Ah, olá! – começou o loiro – Obrigado por me ajudar, Milo...

O loiro grego bufou e elevou os olhos aos céus.

- Shaka, se todos meus escritores me dessem o trabalho que você me dá, acho que já teria surtado!

- Não reclamem, a culpa de tudo isso é de vocês! – vociferou o loiro, mirando os amigos que sorriram. Shaka voltou-se para Ikki que abraçava Shun carinhosamente e agradecia a Saori. Acabou sorrindo também, voltando a mirar os amigos que devolveram o sorriso.

- O que dizia mesmo, loiro? – indagou Mu se fazendo de desentendido.

- Que a culpa de tudo isso é de vocês... – respondeu e riu – Obrigado!

Aiolia se aproximou do amigo e examinou-lhe o rosto ainda um pouco roxo, depois mirou Ikki que, envergonhado, não conseguiu sustentar o olhar do amigo de Shaka, baixou a cabeça.

- Escuta, moleque... – o grego começaria a dizer, mas Shaka o silenciou com o olhar.

- Eu sei me cuidar, Aiolia... – sussurrou – Por favor, sem escândalos aqui! Já basta esse!

- Mas, Shaka, ele... ele bateu em você...

- Ah, e eu sou bem grandinho pra revidar se eu quisesse, agora para! – pediu o indiano

- Mas, você é pacifista e... – Aiolia bufou – Não deixe nunca mais que ele toque em você ou...

- Eu nunca mais farei isso, Aiolia. – Ikki ergueu a cabeça e se aproximou dos dois – Eu prometo.

- Claro que não fará, e se fizer, sei muito bem como revidar, yoga não só fortalece a mente como também o corpo, sabia? – ameaçou o loiro, e tanto Ikki quanto Aiolia arregalaram os olhos, surpresos.

- Como disse... – continuou Shaka – Não preciso de heróis, sou um adulto e sei me cuidar. – virou-se e olhou todos os amigos – Isso está claro, não é?

- Claro como água! – sorriu Saga e tocou o ombro do loiro – E agora, temos certeza que você não precisa mais de nenhuma proteção. Seja feliz, loiro...

Shaka sorriu e abraçou o grego.

- Ah, Saga, você é muito especial...

- Você também, Shaka...

- Hum...Hum... – Ikki pigarreou incomodado – Vai demorar muito com essa confraternização fora de hora ou podemos ir, Shaka?

O indiano se afastou do amigo, e Ikki tratou de puxá-lo pelo braço.

- Ah, Ikki, você é tão imaturo, às vezes... – reclamou Shaka.

- Eu não gosto desse Saga! – reclamou o moreno, enquanto arrastava o loiro porta a fora.

- Ele é meu amigo!

- Mas eu continuo sem gostar dele, e que história é essa de loiro? Só eu posso chamá-lo de loiro, entendeu bem?

- Não sei como consigo suportá-lo...

- Porque me ama, seu loiro arrogante!

- Ah, por Buda, eu mereço!

Os demais deixaram a delegacia também, observando divertido aquela discussão e tendo a certeza de que aqueles dois seguiriam daquela forma por muito tempo.

-OOO-

A semana passou rápido. Numa terça-feira, Ikki e Sayaka compareceram a presença do juiz para oficializar a adoção de Shun. Sim, Ikki agora além de irmão era pai do mais jovem dos Amamiyas. Sayaka, com o dinheiro dado por Shaka, resolveu deixar Tóquio, alegando que faria algumas viagens. O escritor se sentiu aliviado, pois mesmo que a bruxa não tivesse mais como chantagear o sobrinho, não seria agradável tê-la por perto.

Ikki e Shun se mudaram em definitivo para o apartamento do escritor que decidiu que continuaria morando no Japão até o final do ano, quando o mais jovem dos Amamiya terminaria o ano letivo, e depois morariam na Grécia. Foi uma escolha do loiro que Ikki aprovou.

Dias depois, o moreno deixou a agência, para tristeza de Tony que lucrava muito com o jovem. Ikki preferia não mais misturar negócios com prazer; como ele mesmo dizia, arranjaria um estágio, um emprego descente e voltaria ao curso de psicologia que faltava alguns semestres para concluir.

Era uma tarde de sábado e Ikki estava estudando em seu notebook, Shun estava em seu quarto assistindo TV, e Shaka resolvia alguns problemas relacionando a editora, pelo telefone, com Milo, que assim como os demais, voltara para Atenas.

- Best-seller? – Shaka riu blasé – Nossa! Como as pessoas são fúteis! Esquece-te que escrevi esse livro em uma semana? Não deveria ser um Best-seller!

- Shaka, além de Best-seller, o livro teve ótimas críticas, o The New York Times o classificou como uma viagem emocional sem paradigmas, agora quer parar com essa irritante modéstia, senhorita Parthenos!

- Não me lembre desse nome! Esse foi o último livro dessa escritora! – disse e mirou o moreno que usava óculos de graus e parecia bastante concentrado no que via no notebook.

- Enlouqueceu? A editora nunca quis tanto renovar seu contrato! – volveu Milo.

- Ah, meu amigo, eu não tenho mais necessidades de extravasar meu romantismo frustrado, agora posso fazer isso de outras maneiras...

Os olhos do moreno se voltaram para ele; Ikki tirou os óculos e sorriu, fechou o notebook e caminhou até o loiro, que acompanhou o seu andar com olhos desejosos. O moreno usava apenas um short preto e curto...

Puxou o indiano pra si, beijando seu pescoço.

- Shaka, isso é um suicídio literário! Shaka! – Milo gritava do outro lado da linha.

O moreno tirou o telefone das mãos do loiro.

- Oi, Milo... – disse – Tchau, Milo... – desligou o telefone e jogou-o sobre o sofá, afundando a mão nos cabelos do escritor enquanto a outra o segurava pela cintura.

- Ikki, entende por que meus amigos não gostam de você? – reclamou o indiano, sem conseguir esconder o divertimento.

- Fodam-se...

- Boca suja! É isso que quer ensinar ao Shun? – continuou Shaka tentando fugir dos lábios do amado – Em falar no Shun, lembre-se que ele está no quarto e... hum...hum...

Rendeu-se, saboreando o beijo possessivo do mais jovem, Ikki o empurrou de costas para o quarto e mais uma vez se amaram, mas, claro! Tratando de manter a porta trancada, afinal, havia um pré-adolescente muito espertinho por perto...

O moreno beijou o ombro do loiro e suspirou, Shaka o encarou nos olhos e sorriu.

- Não sentirá mesmo falta da sua antiga profissão? – provocou.

- Não, isso foi uma escolha minha que nada teve a ver com você. Aquilo era mais um passa tempo até que concluísse o curso e pagava as contas. Além do mais, tenho um loiro muito fogoso em casa, agora... – respondeu o mais jovem,rolando sobre ele e prendendo-lhe os braços – Não tenho tanto fôlego para dar conta dele e dos demais.

- Ikki!

- Ah, é verdade, loiro, você drena toda minha energia, já nem consigo estudar direito...

- Hum... Caso queira, posso deixá-lo em paz...

- Não, não quero. – o moreno afagou-lhe o rosto – Nunca fui tão feliz em toda minha vida...

- Nem eu... – sussurrou Shaka e o beijou.

- Hum... você merece os méritos de transformar um michê, como você tanto gostava de me chamar, em um homem honesto...

Shaka riu alto.

- Homem honesto! Parece que vejo o meu pai falando! Que antiquado, Ikki!

O moreno riu também.

- Mas é verdade, a partir de agora, sou um homem de um... homem só!

- Certo, senhor homem honesto...

Ikki afagou os cabelos macios de Shaka que fechou os olhos, aninhado em seus braços.

- Hum... Shaka, você não me mostrou o tal livro que o Milo tanto falou...

O loiro arregalou os olhos.

- Hã... Livro, que livro? – desconversou.

- O tal livro que... – Ikki se interrompeu e empertigou-se na cama, para mirar o loiro que rolou para o lado – Onde está o livro, Shaka?

- Ah, o romance? – perguntou o indiano vestindo um roupão – Está na cômoda, eu... eu vou tomar um banho...

Ikki viu o loiro deixar o quarto à francesa. Curioso, escorregou na cama e abriu a gaveta da cômoda, pegando o livro que ainda estava embalado e abrindo rapidamente numa página qualquer.

À medida que lia seus olhos se arregalavam.

"Jude não sabia o que fazer quando as amigas colocaram aquele garoto de programa, jovem e prepotente, em sua vida, mas agora, conhecendo-o mais profundamente, sabia que precisava ajudá-lo. Ikki era um rapaz inseguro, traumatizado por uma infância sem pai e pelo alcoolismo da mãe. Na escola, era discriminando pelos colegas, rejeitado. Por isso, na vida adulta, como válvula de escarpe, utilizava o deboche e o emprego nada convencional para fugir dos seus fantasmas..."

O moreno parou de ler; Esse sou eu? – se perguntou e abriu outra página.

"Ele era debochado e possuía um olhar obsceno. Jude teve a certeza que Ikki era encrenca assim que o viu. O moreno transpirava sensualidade e agressividade, mas pelas poucas palavras que ela trocara com o garoto de programa, percebeu que ele não era o que se poderia chamar de um homem maduro, nem tão pouco refinado; era grosseiro, infantil e seu QI não deveria ultrapassar os oitenta pontos..."

Ikki bufou como um touro selvagem, ergueu-se da cama, abandonando o livro.

- Shaaaaaaaaaaaaaaaka!

- É uma ficção! – gritou o loiro do banheiro.

Ikki seguiu atrás dele, mostraria aquele indiano arrogante quem era infantil e burro, Ah mostraria!

Entrou no banheiro e encontrou-o completamente nu e molhado, encostado nos azulejos do box.

- É uma ficção... – repetiu Shaka divertido e passou a língua nos lábios de forma obscenamente sensual – Você só...contribuiu com uma dose mínima de inspiração...

- Ok, loiro... – disse – Então farei questão de inspirá-lo cada vez mais, a partir de hoje...

O moreno entrou no boxe e tomou o amante nos braços. Bem, depois brigaria com ele, lhe diria uma dose cavalar de impropérios, mas naquele momento queria puni-lo de outra forma.

No quarto, sobre a cama, o vento brincou com as páginas do livro o fechando, deixando à mostra a capa preta da edição de luxo onde se lia:

Amante Profissional por Agnes Parthenos

Fim

Notas finais: Acabou! Mas prometo um epílogo antes de fechar a fic.

Obrigada a todo o carinho deixado em forma de review:

Ai Linna-chan, Amamiya f, Julyana Apony, Virgo Nyah, Maga do 4, Kate Chan, K. Langley, Dani, James Hiwatari, Kojican (muitas saudades); Medeia, Nannao, Amaterasu Sonne, MCristal Black, Cristiane, sophie clarkson, Maxy D., Neka, Neko-sama, Naluza, rogerklow, Leko, Shermie, Danieru, Susulove, Jake Baa chan, Keronekoi, Lilliuapolonio; Arcueid; kahzinha; Shunzinhaah2; Vagabond; Amy89, Gabby_nanashi, Nisa de Touro; Mefram_Maru; Juliabelas; Myu; lalay, Reiko, Tom, Pandora Hiei; Izabel; sales; Maya Amamiya; Belle_princesse; Natz_Cullen; Kao-san; saorikido.

E todos, absolutamente todos, que tiveram a paciência e o interesse de acompanhar essa história escrita com certa dose de loucura e muito carinho. Espero que tenham gostado!

Beijos e até o epílogo!

Sion Neblina

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