As personagens de Inuyasha não me pertencem e possuem todos os seus direitos reservados.
CAPÍTULO I
A campainha estridente do telefone reverberou pelas paredes do quarto escuro. O primeiro toque acordou Rin Nakagawa do sono profundo. O segundo fez com que se sentasse e olhasse para o marcador digital do rádio-relógio. Duas e quarenta e cinco da madrugada.
Um telefonema naquele horário só podia significar uma de três coisas...
Desastre no estúdio. Talvez aquela chuva interminável e fora de época tivesse inundado os arquivos da Vídeo Enterprise, a companhia de produções artísticas que ela fundara havia três anos. Morte ou acidente na família. A mãe, que morava na Flórida, poderia ter caído e quebrado uma costela. Ou...
Ela apanhou o telefone no terceiro toque.
— Alô?
— Rin, você estava dormindo?
Ou talvez Sesshoumaru Taisho estivesse em outro fuso horário e quisesse ouvir a
voz dela, concluiu com um sorriso sonolento.
— Sesshoumaru? — Com um bocejo, Rin afastou as longas mechas negras do rosto. — São duas e quarenta e cinco da madrugada! Onde você está?
— Acabo de chegar. Voltei para os Estados Unidos. Está disposta a receber uma visita?
— Já é essa época de novo? A do encontro anual dos desajustados da Escola Henderson? — brincou.
— Isso é um "sim"? — A voz familiar soou bem-humorada, como sempre.
— O que você esperava, Sesshoumaru? Que eu enviasse um convite numa bandeja de prata? É claro que é um "sim". Mas você sabe que transformei o segundo quarto do apartamento num escritório. Terá de dormir na sala.
— Até ontem eu dormi dentro de uma barraca numa floresta chuvosa e úmida. Acredite, o sofá da sala será perfeito.
— Ótimo. Minha agenda está lotada hoje. Tenho reuniões a manhã toda, mas posso esconder a chave no capacho para você entrar.
— Você tem uma reunião nos próximos cinco minutos?
— O quê? Onde você está?
— Na loja de conveniência na esquina do seu prédio. Até já.
A ligação desconectou com um ruído metálico. Somente Sesshoumaru seria capaz de ligar durante a madrugada de uma loja de conveniência! Somente Sesshoumaru seria pretensioso o bastante para presumir que ela não ficaria furiosa por ser acordada, e tampouco se aborreceria pela inconveniência de receber uma visita naquele horário.
Rin rolou na cama para colocar o telefone no gancho. Levantou-se, foi até o banheiro apanhar o robe e gemeu de desgosto ao ver seu reflexo no espelho. Estava exausta, o que não poderia ser diferente. Fora dormir tarde e acordara depois de duas horas de sono. Mas Sesshoumaru não se importaria com sua aparência. Ele não a via como mulher. Para ele, ela era Rin, a antiga amiga de escola, lembrou-se ao lavar o rosto com água fria para despertar.
Foi para a cozinha e ligou a cafeteira elétrica. Sabia, pela própria experiência com Sesshoumaru, que não dormiria nas próximas horas. Ele faria questão de saber todos os detalhes de tudo o que acontecera desde o último encontro. Então, passaria a relatar seus projetos, desde os já realizados até os que ainda não haviam se concretizado.
Floresta chuvosa... Ele dissera alguma coisa sobre uma floresta chuvosa? Esse assunto poderia render a noite toda... Rin sorriu. Adorava a companhia de Sesshoumaru.
Sesshoumaru não esperava que estivesse chovendo em Phoenix, Arizona. Afinal, estava no deserto. Porém, a chuva parecia acompanhá-lo nas últimas semanas, tendo começado quando pusera os pés na América do Sul para continuar até que chegasse a sua casa, em Los Angeles. Portanto, não era de surpreender que tivesse feito toda a viagem até ali debaixo de água.
Estacionou a motocicleta na garagem coberta do prédio, ao lado do carro esporte de Rin, e desligou o motor. Estava encharcado, da jaqueta preta de couro às botas, que deixavam poças no chão conforme caminhava. A mochila era de tecido impermeável, mas duvidava que alguma peça de roupa estivesse seca após o dilúvio que atravessara.
Sesshoumaru apanhou a câmera, bem protegida dentro da maleta hermeticamente fechada. Poderia naufragar no Titanic que não ficaria danificada. Parou na entrada dos fundos do prédio e relanceou o olhar para as luzes acesas na janela do apartamento de Rin. Agora que estava ali, uma onda de medo o percorreu.
Depois de três rigorosos meses trabalhando como cinegrafista num documentário sobre a floresta Amazônica, ele chegara ao apartamento em Los Angeles e sua inteira existência de repente parecera irreal e vazia. A beira do pânico, fora incapaz de se lembrar de um só momento no passado em que havia se sentido realmente feliz. Então, recordou o passeio ao zoológico na última vez que estivera em Phoenix. Tinha sido feliz na ocasião. De fato, nunca rira tanto como nas duas semanas que passara ao lado de Rin. Lembrou-se com saudade dos dois dias inteiros em que tinham se enfiado num cinema, um dia após o outro, na mais alucinante maratona de filmes, vivendo de uma dieta de pipoca, refrigerante e sorvete. A excursão no deserto também fora inesquecível, assim como passar horas sentados na cobertura do prédio, admirando as luzes da cidade.
Como não percebera antes que só poderia ser feliz ao lado dela? Rin era sua melhor amiga, sua confidente, seu porto-seguro. A bela e iluminada Rin, com um sorriso tímido e os olhos mais puros e castanhos que ele já vira. Era inteligente, espirituosa e talentosa, mas totalmente incapaz de acreditar em si mesma. Ela não fazia idéia de como era especial. Quando se olhava no espelho, ainda via a garotinha pobre e carente que freqüentava a escola esnobe de Nova York, onde a popularidade estava diretamente relacionada ao tipo de carro que o pai possuía. Rin não tinha pai, e a mãe mal podia pagar as contas do mês, mas graças a sua inteligência privilegiada conseguira uma bolsa de estudos integral.
Para enfrentar o preconceito dos colegas, ela adotara uma atitude indiferente, como se pertencer a uma classe social obviamente inferior não importasse. Desenvolvera grande senso de humor, mas a insegurança que sentia nunca tinha desaparecido.
Apoiando a maleta da câmera no chão, ele tocou a campainha. A porta se abriu de súbito, e a luz do sorriso de Rin iluminou o corredor. Porém, o brilho dos olhos dela desapareceu rapidamente para se transformar em descrença e horror.
— Sesshoumaru! Você está coberto de lama! — Percorreu-o com o olhar da
cabeça aos pés e se deteve na poça de água que se formara sob ele. — Não se
mova!
Aflita, apanhou a câmera, tirou a mochila das mãos dele e atravessou rapidamente a cozinha para colocá-las na lavanderia, onde a lama que respingou no chão poderia ser lavada mais facilmente.
— Tire a roupa — ordenou ao voltar. — Tire tudo. Você vai diretamente
para o chuveiro.
Sesshoumaru se apoiou à porta e cruzou os braços.
— Rin, velha amiga, você quer mesmo que eu tire a roupa aqui, no corredor?
— É exatamente o que quero. — Ela também cruzou os braços com um sorriso. — Passei horas fazendo faxina no apartamento, velho amigo.
Os cabelos negros caíam em desalinho sobre os ombros, e o rosto não revelava o menor vestígio de maquiagem. Ela parecia muito mais jovem do que seus vinte e sete anos. Do ponto de vista de um artista, aquele rosto chegava à beira da perfeição. Ovalado, queixo arrebitado, testa alta e bochechas bem proporcionadas, que lhe emprestavam um ar exótico quando ela sorria. Nariz de proporções médias, maxilar forte, lábios cheios e generosos que se curvavam num sorriso que revelava os dentes brancos e perfeitos. E os olhos... Eram de um castanho profundo, quase como chocolate. Diferente da maioria dos olhos castanhos, os de Rin não tinham rajadas douradas ou verdes nas íris. Eram puros e intensos. Fabulosos. Sesshoumaru havia procurado no mundo todo outros olhos como os dela, mas nunca os encontrara. Naquele momento, fitavam-no com um brilho de interrogação.
— Você está ótima, Rin — ele disse com um rápido sorriso enquanto se apoiava ao batente para tirar as botas.
— E você está péssimo. E essa barba?
Era difícil dizer como ele estava sob a grossa camada de lama. Os cabelos empapados colavam-se à cabeça numa mancha prateada que descia pelos ombros, e parte do rosto bonito estava coberto por barba e bigode espessos. O nariz era definitivamente de Sesshoumaru, reto e afilado. Rin o estudou por alguns segundos. Sim, o nariz era o de um deus grego, o traço dominante no rosto dele... Até que sorrisse. Então, tudo nele se harmonizava numa aura de luz, como se aquele sorriso tivesse o poder de iluminar uma noite escura. Ele sorriu de novo, e os dentes pareceram ainda mais brancos em contraste com os pêlos prateados da barba. Parecia cansado e havia profundas olheiras sob os olhos claros. Além disso, refletiam um estranho brilho que
chamou a atenção dela.
— Eu passei meses numa floresta da América do Sul — Sesshoumaru explicou enquanto tirava a jaqueta.
— Em outras palavras, esqueceu de colocar a lâmina de barbear na mala.
Ele sorriu, sem negar, enquanto tirava a camiseta molhada. Músculos. Sesshoumaru sempre fora privilegiado nesse quesito, mesmo quando se conheceram na escola, ainda adolescentes. Ele estava na sétima série, e ela na sexta. Rin logo se tornara imune ao corpo perfeitamente esculpido. Podia sair em público com ele e ignorar a reação entusiasmada das mulheres que cruzavam o caminho. Bem, talvez ela não fosse totalmente indiferente, pensou... Caso contrário, não estaria parada ali, observando-o despir a calça e revelar as pernas fortes, fazendo-a se lembrar de que fazia quatro anos que tivera contato físico com um homem pela última vez. Rin sorriu. Com alguma sorte, sua vida amorosa mudaria em breve.
— Qual é a graça? — Sesshoumaru perguntou, deslizando a calça pelos tornozelos.
— Minha vida. Primeiro tome banho, e depois vou lhe contar todos os detalhes.
Ela espiou o corredor do andar, imaginando o que a sra. Hobbs, do apartamento da frente, pensaria se olhasse pelo olho mágico naquele momento e visse Sesshoumaru só de cuecas parado à sua porta.
— Tem certeza de que quer que eu tire tudo? — ele questionou, fazendo menção de descer a roupa íntima.
— Não é preciso. Entre.
— Não lave a jaqueta de couro — ele advertiu, desaparecendo no corredor do banheiro.
— Claro que não vou lavar a jaqueta de couro — Rin resmungou, meneando a cabeça enquanto recolhia as roupas sujas. Colocou-as na máquina de lavar e estendeu a jaqueta no varal.
Não podia negar, Sesshoumaru era magnífico trajando apenas roupas íntimas... Logo se obrigou a afastar o pensamento. Era ridículo ter fantasias eróticas com seu velho camarada. Ele deixara claro nos últimos quinze anos que eram apenas amigos. Além disso, um homem que costumava sair com modelos e atrizes jamais olharia duas vezes para ela.
Com um suspiro, foi para o quarto e apanhou o robe cor-de-rosa, o maior que encontrou. Entrou no banheiro envolto pelo vapor e gritou acima do ruído do jato forte de água:
— Vou deixar o robe atrás da porta e uma toalha limpa no gabinete.
— Está bem. Mas sabe do que eu realmente gostaria?
— Tenho até medo de perguntar — Rin murmurou. — Do quê?
Sesshoumaru afastou a cortina, e ela não identificou a expressão no rosto bonito. Os olhos tinham um brilho que ela nunca vira. Na verdade, aquele era o olhar de um predador... Talvez fosse a barba, que conferia certo ar selvagem ao rosto viril, Rin pensou.
— Sesshoumaru, você está bem?
— Eu... gostaria de uma cerveja gelada — ele disse, como se não tivesse escutado a pergunta. Em seguida, fechou a cortina e enfiou a cabeça sob o chuveiro.
— Vou providenciar — Rin gritou ao sair do banheiro.
Sesshoumaru fechou os olhos, deixando que a força da água o relaxasse. Era óbvio que não estava bem! Agora, que se encontrava ali, não conseguia ter coragem de dizer por que fora vê-la. Deveria ter saído do chuveiro e tomado-a nos braços. Provavelmente, Rin estava usando sob o robe um daqueles pijamas divertidos com estampa de ursinho... De repente, nada pareceu ser mais sexy. Ele gemeu, mas logo voltou a pensar no seu problema. Tinha de dizer a ela. Aquela era a razão por ter ido até lá, não era?
Fechou o chuveiro e se enrolou na toalha pensando no que faria a seguir. Ele se vestiria, iria para a sala, tomaria uma cerveja e reuniria coragem enquanto escutava Rin contar as novidades. Então, respiraria fundo e diria a ela que... O quê? Que precisava dela? Que a desejava mais do que jamais desejara alguém? E que... Sim, teria de dizer... E que a amava, completou, incerto se poderia enunciar as palavras em voz alta.
Uma garrafa de cerveja aberta esperava por ele na mesa de centro da sala. Rin estava sentada no sofá com os joelhos dobrados e uma caneca de café nas mãos. Ele apertou o cinto do robe e se sentou perto dela.
— Definitivamente, cor-de-rosa é a sua cor — ela provocou com um sorriso. — Então, você passou meses embrenhado numa floresta? Conte-me tudo! Estou
ansiosa para ouvir.
Sesshoumaru meneou a cabeça e tomou um longo gole de cerveja.
— Primeiro você.
— Eu? — Rin suspirou e tomou um gole de café. — Consegui fechar um contrato sensacional! — Os olhos dela brilharam. — Você conhece Simon Harcourt?
McCade olhou para a garrafa de cerveja com ar pensativo e franziu o cenho.
— Não.
— Ele é um bilionário que patrocina as artes e o meio ambiente. Está envolvido com programas educacionais e campanhas preventivas contra a Aids... —Ela balançou a cabeça em sinal de admiração e respeito. — Enfim, Harcourt é candidato a governador e me contratou para fazer toda a campanha publicitária.
— Isso é ótimo, Rin! O que você fará? Produção ou direção?
— As duas coisas. E, na verdade, também vou ficar por trás das câmeras.
— Você? — Ele franziu a testa. — É muita coisa para uma pessoa só. Tenho algum tempo livre. Se quiser, posso ajudá-la.
Ela o encarou, incrédula.
— Você está brincando? — quase gritou, entusiasmada. — Oh... Esqueça. Eu não poderia pagar nem um quarto do que você costuma receber por seu trabalho.
— Pague o preço de tabela. Parece divertido e...
Rin colocou a caneca na mesa de centro e passou os braços ao redor do pescoço dele, num abraço afetuoso. Ainda segurando a garrafa de cerveja, Sesshoumaru a envolveu e fechou os olhos, inalando o perfume dos cabelos sedosos. Ela era doce, quente e suave. Por que havia esperado tanto tempo para perceber que tudo o que queria estava bem ali?
— Está contratado! — Rin se afastou com um sorriso. — Vamos precisar de três ou quatro semanas para terminar o trabalho.
— Não tenho nada em vista por enquanto. — Sesshoumaru fitou os olhos chocolates. Podia sentir o coração acelerado. Respirou fundo. — Ouça, Rin...
— Espere... Há mais uma coisa que quero lhe contar. Estou apaixonada.
Ele encarou-a.
— Apaixonada?
Rin sorriu, com os olhos transbordando de felicidade.
— Finalmente encontrei o homem dos meus sonhos. Eu o conheci na semana passada. O nome dele é Kohako Yamamoto IV. Você acredita? É advogado formado em Harvard, inteligente, alto... Quase tão alto quanto você. É incrivelmente bonito, tem cabelos negros e olhos castanhos, doces e gentis. E solteiro, tem trinta e três anos e...
Rin continuou falando, mas Sesshoumaru não registrava mais as palavras. Ela estava apaixonada. Por outro. O desapontamento se confundiu com uma onda de raiva. Por que não chegara uma semana antes? Recriminou-se. Fúria, mágoa e choque se agitavam dentro dele, provocando uma violenta contração no estômago. Sentiu-se ferido até a alma. Lentamente, colocou a garrafa com cuidado sobre a mesa, surpreso por suas mãos não tremerem sem controle.
— Ele está aqui? — perguntou abruptamente, interrompendo-a.
— O quê?
— Seu príncipe encantado está aqui agora?
Quando entendeu o que ele queria dizer, Rin abaixou o rosto para esconder o rubor.
— Claro que não!
— Por que não?
— Eu o conheci na semana passada...
— Se está mesmo apaixonada, Rin, o que está esperando?
Ela fugiu do olhar penetrante e se levantou, inalando com força. Meneou a cabeça devagar, afastando os cabelos do rosto.
— Se quer saber a verdade, Kohako nem sabe que eu existo.
Por que ele não se sentia aliviado com a revelação? Sesshoumaru se perguntou. Ela não estava ainda de fato envolvida com o homem. Porém, o advogado inteligente, bem-sucedido, rico e aristocrático na certa era o par perfeito para ela, uma pessoa com quem seria bem mais fácil conviver, alguém mais adequado do que ele jamais seria.
— Chega de falar a meu respeito — Rin determinou, sentando-se. — Conte-me sobre a floresta.
— Podemos falar sobre isso amanhã? Estou exausto.
Ela arregalou os olhos, surpresa.
— Sim, é claro. — Observou-o com atenção. — Você está bem mesmo, Sesshoumaru? Parece um pouco pálido.
— Deve ser uma virose ou algo parecido — ele mentiu. Ela fitou-o com seriedade.
— Sesshy, você me diria se estivesse com algum problema, não é?
— Claro. Você é minha melhor amiga. Acredite, estou só cansado.
Rin sorriu, e ele se esforçou para retribuir, tentando ocultar a forma como seu coração tinha se estilhaçado em mil pedaços.
Gente, aqui estou eu lhes trazendo o 1º capítulo desta adaptação, espero q gostem!
Quero agradecer às reviews q recebi da zisis, Yuuki-chan s2 e da patysaorishin: BRIGADUUUU! Adorei as reviews meninas!
patysaorishin: amiga, desculpa mas não sei quase nada de japonês, então não entendi muito da sua review, de qualquer forma, adorei por ter comentado!
Espero receber mais reviews, quem sabe assim crio inspiração pra postar o próximo cap amanhã!rsrs
Bjus =)
