As personagens de Inuyasha não me pertencem e possuem todos os seus direitos reservados.


CAPÍTULO III

Sesshoumaru sentou-se na cadeira com os olhos fechados, ouvindo o ruído do secador, enquanto deixava que Tony fizesse sua mágica. Havia acordado tarde naquela manhã, e fora ao salão cuidar dos cabelos e da barba. Depois que Tony o deixasse apresentável para a sociedade de Phoenix, ele tinha de apanhar o smoking que Rin escolhera para a ocasião. Ela também o convencera a comprar outras roupas, camisas e calças que nunca teria escolhido e que provavelmente não usaria. Como o traje ficaria pronto às três e meia, precisaria se apressar para voltar ao apartamento, se arrumar e ajudar Rin com a maquiagem. Sorriu. Tinha gostado de maquiá-la. Apreciava ficar tão perto dela, tocar a pele macia, sentir o calor de seu corpo...

Por que está sorrindo? Você ainda não viu como ficou sem a barba. — A voz de Tony o distraiu. — Ou está pensando numa certa morena?

Sesshoumaru abriu os olhos e lançou um olhar letal a Tony. O cabeleireiro desligou o secador, ignorando-o.

Sou capaz de reconhecer esse sorriso em qualquer lugar, embora tenha de admitir que nunca esperei vê-lo em você, querido.

Poupe-me da análise. — Sesshoumaru ergueu-se e se olhou no espelho. — Estou pronto?

Ainda não. — Tony o puxou de volta para a cadeira.

Não tem o direito de sair por aí espalhando cabelos pelo salão inteiro apenas porque eu descobri seu terrível segredo.

Sesshoumaru franziu o cenho para si mesmo no espelho, avaliando o resultado. Seus cabelos estavam mais curtos dos lados e ao redor das orelhas e mantinham- se afastados da testa, mas ainda davam a impressão de mobilidade e leveza. Tony tinha feito um bom trabalho.

Então... — prosseguiu Tony. — Percebi que não está negando nada.

Isso é porque estou ignorando você.

Negue. — Os olhos castanhos do cabeleireiro subitamente ficaram sérios. — Olhe nos meus olhos e diga que não está apaixonado por Rin.

Eu não estou apaixonado por... — Sesshoumaru se calou e desviou o olhar. — Droga!

Deixando de provocá-lo por instantes, Tony cruzou os braços.

Sesshoumaru, se ama aquela mulher, por que diabos a está ajudando a seduzir outro homem?

Quero que ela seja feliz — respondeu simplesmente. Tony começou a rir.

Você quer que ela seja feliz... — ironizou. — Lindo! Sesshoumaru, eu não tinha idéia de que você fosse tão idiota! Nunca lhe ocorreu que Rin ficaria imensamente feliz se você dissesse que a ama?

Ela não me quer — ele afirmou. O amigo riu ainda mais.

Diga que a ama, Sesshoumaru, ou eu mesmo vou contar a ela!

...

Rin atendeu o telefone no primeiro toque.

Alô?

Sou eu.

Sesshoumaru, graças a Deus! Estava preocupada com você.

Eu lhe disse ontem à noite que havia marcado horário com Tony para cortar os cabelos... — Sesshoumaru pigarreou — Ele... Bem... Ele não ligou para você, ligou?

Tony? Por que ele ligaria para mim?

Não sei. Ouça, estou muito atrasado.

— É verdade. Você saiu e ficou tanto tempo fora que comecei a pensar que...

Que...?

Nada. — Rin suspirou, arrependida pelo impulso.

No que você começou a pensar?

Esqueça.

No quê? — Sesshoumaru insistiu. — Que eu havia ido embora?

Bem... sim — ela admitiu.

Sesshoumaru havia saído de manhã com a moto. A princípio, ela não se preocupara, mas conforme as horas passavam, tinha começado a pensar no pior.

Muito obrigado por confiar em mim. — Todo o humor desapareceu da voz dele. — Diga-me, quando foi a última vez que prometi alguma coisa e não cumpri?

Nunca. Mas você está agindo de forma tão estranha que pensei que...

Bem, você está enganada — ele a cortou. — Eu estou na loja. O alfaiate está terminando os ajustes no meu smoking. Vou para o apartamento o mais rápido que puder, o que deve demorar mais vinte minutos.

Nesse caso, vamos nos encontrar na recepção. Tenho de chegar mais cedo. Sinto muito, mas não posso esperar por você.

Tem certeza de que não pode esperar? — ele indagou sem esconder a frustração. — Eu gostaria de ajudá-la com a maquiagem.

Não se preocupe. Eu mesma posso cuidar disso.

Está bem. Use o vestido branco.

Já estou usando.

É mesmo? — O bom humor de Sesshoumaru foi restaurado. — Isso é quase um milagre! Eu achei que teria de obrigá-la a colocar esse vestido.

Rin imaginou Sesshoumaru vestindo-a, e enrubesceu diante da vívida imagem que lhe veio à mente.

Tenho de ir. Tente não se atrasar.

Talvez você não me reconheça com os cabelos curtos — ele provocou. — Caso isso aconteça, procure pelo homem mais elegante da festa com uma câmera nas mãos.

...

Rin nunca vira tantos homens de smoking em sua vida. Embora a temperatura estivesse alta, eles pareciam à vontade chegando em luxuosos carros com ar-condicionado e aguardando no saguão suntuoso do salão de festas. E, na mesma proporção da elegância masculina, as mulheres usavam trajes deslumbrantes, sedas e jóias.

O vestido branco, que ela havia considerado extravagante, tinha desaparecido em meio a tanto luxo. Rin sorriu ao pensar que, comparado ao da maioria das mulheres, o dela parecia simples e elegantemente discreto. Apesar de decotado, não atrairia tanta atenção. Rin avistou Kohako próximo à entrada da sala que seria usada para o discurso de Harcourt. Ele estava ainda mais atraente de smoking. Os cabelos negros, penteados para trás, emolduravam o rosto bonito, e os olhos brilhavam com a mesma excitação e expectativa que pareciam dominar a todos. Seu estômago se apertou quando tentou imaginar uma conversa com ele. Poderia administrar as emoções enquanto falava de negócios, mas depois que terminassem de discutir a agenda de trabalho, não saberia mais o que dizer. Não tinha idéia dos interesses dele.

Enquanto o observava, aproximando-se lentamente, outro homem muito elegante o cumprimentou. Deus, quem teria pensado que todos aqueles deuses gregos se conheciam! Ele estava de costas para ela, mas o traje parecia ter sido cortado e costurado especialmente para ele. E que corpo! Mais alto que Kohako, era vigoroso e forte, com ombros quase tão largos quanto...

Não, não podia ser.

Naquele momento, Kohako olhou ao redor e, ao vê-la, arregalou os olhos. Sorriu e, sem perder o contato visual, disse alguma coisa para o homem ao seu lado. Quando ele se virou, Rin identificou a alça da câmera sobre os ombros dele. Sesshoumaru!

Ela se esqueceu de respirar. Sentiu o pulso acelerar enquanto a boca secava. Nunca o vira usando cabelos curtos. Percebeu, perplexa, que nunca vira as orelhas de Sesshoumaru, e não sabia que eram perfeitas. Tudo nele era perfeito. Sem a barba, ele parecia mais familiar, e ainda assim muito diferente. Talvez fossem os cabelos, concluiu. Estavam penteados para trás, revelando seu rosto. Se ele já era lindo mesmo com a face semi-encoberta pelos cabelos, com todo o rosto à mostra era praticamente impossível descrevê-lo. Quando se fitaram, Sesshoumaru sorriu. Os olhos dele pareciam ouro líquido ao percorrê-la de cima a baixo.

Olá — ela balbuciou quase sem fôlego.

Olá. — Sesshoumaru fez um gesto discreto e deu-lhe as costas. Rin seguiu o olhar dele. Kohako! Ela quase se esquecera da presença dele.

Boa noite. — Tomou a mão que ele oferecia. — Está preparado?

Absolutamente. — Kohako afirmou com um sorriso. — Você está linda.

Ele ainda segurava sua mão, e Rin puxou-a com delicadeza.

Obrigada.

Com o canto dos olhos, viu que Sesshoumaru sumia em meio à multidão. Traidor! pensou. Não, ele não havia deserdado. Estava apenas lhe dando privacidade. O problema era que não queria privacidade. Queria Sesshoumaru perto dela, pronto para não deixar que aquele desagradável silêncio pairasse no ar. Do outro lado da sala, Sesshoumaru observou Rin conversar com Kohako. A postura dela revelava que estava tensa. O corpo todo parecia se fechar, numa descarga maciça de ansiedade. Ela precisava de ajuda. Era preciso mais do que roupas e um novo estilo de cabelos para chamar a atenção de Kohako. Ela precisava de uma mudança de atitude. Via-a dizer alguma coisa que fez Kohako rir. Porém, não era uma risada honesta. Parecia apenas um gesto polido. Apertaram as mãos mais uma vez e seguiram em direções diferentes.

Pensativo, Sesshoumaru abriu caminho entre a multidão e seguiu Rin para a sala de conferências, onde o candidato já ocupara seu lugar no palco. Não havia tempo para conversar. Ela estaria ocupada até que Harcourt começasse o discurso, e ele tinha seu trabalho para fazer. Foi somente quando guardou a câmera que pôde se concentrar em Rin.

Ela estava parada na porta principal, conversando com Kohako e com Jakotsu, seu assistente. Viu quando Jakotsu se afastou, e percebeu que ela ficava ainda mais tensa. Trinta segundos depois, Kohako também desapareceu.

Olá — Sesshoumaru disse às costas dela. — A banda começou a tocar. O que acha de dançarmos?

Desde quando você sabe dançar? — Rin ergueu uma sobrancelha. — Não é alguma coisa que se aprende simplesmente assistindo filmes de Fred Astaire.

Minha mãe me ensinou — ele admitiu.

Você deve estar brincando!

Não, não estou. Ela me disse que boa aparência não é tudo. Ensinou-me que há três coisas que um homem tem de aprender na vida para ser bem- sucedido. Uma delas é dançar.

Sesshoumaru colocou a mão delicada sobre seu braço e conduziu-a até o salão.

Quais são as outras duas? — perguntou, curiosa.

Pesquisa — ele esclareceu. — Mamãe dizia que memorizar as respostas para um teste não faz que um homem seja inteligente, e sim um papagaio. Mas alguém que sabe pesquisar tem as respostas para praticamente qualquer questão na ponta dos dedos.

A banda tocava uma melodia lenta, e Sesshoumaru levou-a para a pista.

Certo, você pode saber dançar, mas eu não sei — ela gemeu.

Apenas acompanhe meus passos — ele disse. — Como foi com Kohako?

Ele me deixa nervosa — Rin admitiu.

Eu notei.

Fiz uma piada, e acho que ele não entendeu. Gostaria que... – "Que fosse fácil como é com você", completou em segredo.

O quê? — Sesshoumaru fitou aqueles incríveis olhos achocolatados, tão suaves e puros.

Nada. — Ela meneou a cabeça. — Como você sabe a diferença entre amor e desejo?

Ele riu, surpreso.

Está perguntando para o homem errado. Minha experiência com amor é extremamente limitada.

Não acredito, Sesshoumaru. Eu o conheço há quinze anos, e você se apaixonou pelo menos vinte vezes.

Nunca foi real. Eu me apaixonei de verdade somente uma vez.

Então, há diferenças... Diga-me quais são.

Rin...

Por favor. Você é a única pessoa no mundo com quem posso conversar sobre isso.

Ele permaneceu em silêncio, olhando-a enquanto dançavam.

Você soube que era amor antes ou depois de dormir com ela? — Rin perguntou.

Sesshoumaru balançou a cabeça e revirou os olhos.

Rin...

Sesshoumaru... — Ela o imitou.

Antes — ele disse, por fim. — Eu soube antes.

Tem certeza?

Absoluta.

Como pode ter tanta certeza?

Porque nunca fiz amor com ela.

Sesshoumaru viu a surpresa nos olhos de Rin.

Você deve estar brincando!

Podemos falar de outra coisa? — ele pediu, quase com desespero. — Você já viu o último filme de Spike Lee?

Como você pode estar apaixonado por alguém e não...

É preciso de dois para se "dançar um tango", Rin — Sesshoumaru sorriu com tristeza. — Agora, vamos mudar de assunto?

Rin estudou o rosto bonito. Os braços pareciam sólidos ao redor de sua cintura, e ele a segurava perto o bastante para que suas coxas se roçassem conforme se moviam. Eles se encaixavam perfeitamente, como ele dissera... Lembrou-se, porém, que ele tinha se referido a como ela e Kohako combinariam. Fechou os olhos, imaginando um mundo onde Sesshoumaru Taisho a enxergasse como uma mulher, e não apenas como amiga. Ele a manteria bem pertinho, e ela se derreteria naqueles braços fortes...

Sinto muito, mas não acredito nisso. Não há uma só mulher no mundo que rejeitaria você — disse em voz baixa.

Sesshoumaru apenas riu.


Agradecimentos especiais para: Yuuki-chan s2 e zisis: VLW PELOS REVIEWS MENINAS!

Vou manter a "chantagem" de SOMENTE atualizar se receber reviews, então por favor, escrevam uma mensagenzinha pra me fazer feliz! hahaha

Bjus =)