As personagens de Inuyasha não me pertencem e possuem todos os seus direitos reservados.


CAPÍTULO IV

Rin atirou as chaves sobre a mesa de centro e desabou no sofá.

Puxa! Foi incrivelmente tedioso — resmungou, abraçando uma almofada. — Tenho certeza de que Kohako me acha tão interessante quanto uma caneca de cerveja choca.

Poderia ser pior — Sesshoumaru a consolou, tirando o paletó para se sentar na cadeira de balanço diante dela. — Ele poderia ter achado você tão interessante quanto uma caneca de cerveja choca e quente.

Obrigada por tentar me animar — ela disse, inclinando a cabeça para fitá-lo.

Não tem de quê. — Sesshoumaru desatou a gravata e começou a desabotoar a camisa. — O que você sabe sobre linguagem corporal?

Não muito. Por quê?

Todas as vezes que vi você conversando com Kohako, seu corpo emitia sinais para afastá-lo. Você mantinha os braços cruzados e as pernas bem rigidamente juntas. Sua postura e expressão indicavam que não queria ser tocada.

Não era intencional...

Ele tirou a camisa e a pendurou no encosto da cadeira.

Esse é o desafio com a linguagem corporal. Na maior parte do tempo, os gestos são inconscientes. Em algum momento, você se esqueceu das técnicas femininas de conquista.

Rin ajeitou-se no sofá e cruzou os braços.

Tudo isso é novo para mim. Como posso ter me esquecido de algo que nunca aprendi?

Postura defensiva. — Sesshoumaru apontou para os braços cruzados enquanto tirava os sapatos. — Você acaba de me dizer com seu corpo que não gosta do que está ouvindo, e que não pretende me dar atenção.

E exatamente em que edição da Playboy você leu esse artigo, Sesshoumaru? — ela perguntou, sem descruzar os braços.

Ouça... — ele se sentou perto dela. — Vou lhe ensinar algumas técnicas masculinas de sedução, e se depois disso você disser honestamente que tudo não passa de bobagem, não direi mais nada. Combinado?

Usando apenas a calça do smoking, ele se parecia com o rapaz que ela havia conhecido na escola. Sentado confortávelmente no sofá, com a perna direita dobrada e apoiada sobre uma almofada, ele a encarava. Passou os dedos pelos cabelos curtos, num gesto absolutamente sensual. Rin abaixou os olhos e assentiu.

Vá em frente.

Em primeiro lugar, não se sente desse jeito.

Ajeitou-a com delicadeza, virando-a em sua direção e apoiando o braço esquerdo dela sobre o encosto do sofá. A seguir, levou a mão direita dela até o colo, posicionando-a com a palma para cima. Por fim, com o joelho quase tocando o dela, Sesshoumaru se inclinou, aproximando-se lentamente.

Primeiro passo: invada o espaço pessoal da mulher. Segundo passo: contato visual direto.

Isso é bobagem...

Ainda não terminei — ele interrompeu. — Sem dizer nada, um homem pode fazer com que uma mulher saiba que está interessado nela. Sexualmente interessado.

Sesshoumaru abaixou os olhos, focalizando os lábios, e desceu lentamente para o decote do vestido. Rin sentiu uma urgência inadiável de se cobrir, mas quando os olhos dele voltaram a procurar os seus, a sensação incômoda havia passado, deixando-a com a boca seca.

Esse é o terceiro passo — ele explicou. — Se, a essa altura, a mulher não foi embora, um homem pode passar para o quarto passo: o toque. Tem de ser um toque gentil, ingênuo, como um aperto de mãos...

Ele ilustrou tomando a mão de Rin com delicadeza.

E então, ele transforma o aperto de mãos numa carícia. — O polegar percorreu a pele macia num movimento quase imperceptível. — Esse não é apenas um toque amigável. A mensagem é claramente sexual.

Rin fitou a própria mão enquanto ele continuava a carícia sutil e muito, muito erótica. Ao erguer o rosto, observou-o percorrendo suas pernas com o olhar. Ele não se intimidou e manteve o ritmo até os olhares se encontrarem. Ela viu o desejo reluzir nas íris âmbares. Mas lembrou-se de que era apenas uma demonstração. Ele estava representando, e nada além disso. Cuidadosamente, afastou-se um pouco.

Se o toque não funcionar, ou se a situação não permitir contato físico, a opção deve ser o toque simbólico. — Ele sorriu, revelando os dentes brancos. — Eu sei, parece loucura, mas não é.

Rin assistiu enquanto Sesshoumaru traçava com o dedo a estampa floral no tecido que cobria o sofá. Ele a encarou.

Isso envia uma mensagem clara de que eu preferia estar tocando você.

O movimento sutil da mão fez com que os músculos de seus ombros e braços se flexionassem. Ele umedeceu os lábios com a ponta da língua, e a boca de Rin ficou ainda mais seca.

Sesshoumaru... — começou, e a voz soou rouca. Ela pigarreou e cruzou os braços. — Você obviamente poderia escrever um manual sobre como conquistar as mulheres. O que não entendo é o que as técnicas masculinas de sedução têm a ver comigo.

Kohako estava enviando sinais esta noite, e tudo que você fez foi ignorá-los. — Sesshoumaru se levantou. — Vou pegar uma cerveja. Quer uma?

Ela assentiu e observou-o seguir para a cozinha.

Uma coisa que não mencionei... — Ela ouviu a porta da geladeira abrir e fechar. — Homens e mulheres se enfeitam para atrair a atenção do sexo oposto, exatamente como no reino animal. — Sesshoumaru abriu as garrafas e jogou as tampinhas no lixo. — Um homem ajusta a gravata, passa os dedos pelos cabelos... E foi o que James fez. Tudo isso é inconsciente, lembre-se.

Ele enfiou as mãos sob o jato de água fria na torneira da pia. Ver Rin sentada no sofá, fitando-o, tivera de usar todo o autocontrole para não tomá-la nos braços e levá-la para o quarto. Fechou os olhos, imaginando-a suave e macia em seus braços... Secou as mãos no papel-toalha e usou-o para enxugar o suor que cobria sua testa. Retornando para a sala, estendeu-lhe uma garrafa.

Então, como eu dizia, Kohako estava enviando sinais o tempo todo. — Sentou-se no sofá. — E o que você fez? Cruzou os braços e o rejeitou, da mesma forma que fez comigo minutos atrás.

Ele se recostou, colocando os pés sobre a mesa de centro antes de tomar um longo gole de cerveja. Rin esperou até que ele afastasse a garrafa da boca e socou-o de leve no braço.

Eu não o rejeitei!

Oh, sim, você me rejeitou.

Como você sabe tanto sobre linguagem corporal? — ela indagou, estreitando os olhos.

Não sei. Li alguma coisa a respeito e, como parecia fazer sentido, comecei a prestar atenção. Já tinha visto muitos exemplos diferentes de linguagem corporal enquanto observava as pessoas. Depois de ler aquele livro, aprendi a interpretar. — O sorriso se tornou malicioso. — Por um tempo, usei as técnicas do livro com as mulheres. Eu podia entrar numa sala e, dentro de poucos minutos, sabia quem estava disponível e quem não estava. Sempre funcionou.

Aposto que sim — Rin murmurou.

Mas nós estamos fugindo do assunto. Você tem de reaprender seus truques femininos de conquista.

Que são...?

As palmas das mãos — ele declarou com gravidade.

Tenho até medo de perguntar o que isso significa. — Ela riu. Com expressão séria, Sesshoumaru virou as mãos com as palmas para cima.

É um gesto de rendição. Não é violento nem agressivo. Estudos sobre linguagem corporal mostram que as mulheres, em particular, apresentam as palmas das mãos para o homem em que estão interessadas. Creio que esteja relacionado ao fato de os homens serem considerados agressivos e as mulheres passivas.

Isso é absolutamente machista. — Rin fez uma careta.

Seja como for, é assim que funciona. Tenho certeza de que Kohako Yamamoto não leu o mesmo livro que eu, mas inconscientemente ele vai reconhecer qualquer um desses sinais que você envia.

Então, você quer que eu caminhe até ele com as palmas das mãos erguidas? — ela perguntou em tom zombeteiro.

Tente ser um pouco mais sutil. — Ele a encarou. — Tire o cabelo dos olhos.

Rin obedeceu.

Ah, querida, você acabou de me mostrar a palma da mão.

Não fiz isso.

Fez sim. Instintivamente, na base do cérebro onde os hormônios são comandados, seu corpo reconhece que sou um homem.

Hormônios? — ela ironizou. — Humm... Muito científico.

Assim como expor as palmas das mãos funciona com os homens, todas as técnicas masculinas de sedução também funcionam com mulheres. Você já sabe, invadir o espaço pessoal, contato visual, toque substituto... Ah, quase me esqueci das pernas...

Inclinou-se e puxou as pernas de Rin para a frente. Com rapidez, calçou os sapatos que ela havia tirado para se acomodar no sofá.

Sesshoumaru! Pare com isso... — ela se queixou.

Sente-se direito — ele disse com impaciência. — Agora, cruze as pernas.

O som suave das meias de seda roçando sob o vestido pareceu ecoar na sala. Sesshoumaru sentiu que começava a suar de novo. A barra do vestido subiu, e Rin se apressou em puxá-la.

Se você fizer isso, vai passar a mensagem de que quer ficar confortável. — ele avisou, detendo-a. — Se deixar as pernas aparecerem, estará no caminho certo para seduzir um homem.

Se eu deixar como está, serei presa por atentado ao pudor.

Sabe o que eu acho?

Eu nunca sei o que você acha, Sesshoumaru.

Acho que, em nome de sua carreira, você teve de alterar sua linguagem corporal. Você evita contato visual e limita seus movimentos ao mínimo, pois precisa se assegurar de não enviar os sinais errados. Talvez seja mais difícil lidar com Kohako na esfera romântica porque ele também é um homem de negócios.

Obrigada, dr. Freud. Não vai fazer nenhum comentário sobre a influência da minha mãe na minha vida?

Se quer que Kohako saiba que está interessada — Sesshoumaru ignorou-a, terminando o último gole de cerveja. — tem de dizer a ele, e a forma mais fácil de fazer isso é com o seu corpo.

Rin bebeu devagar a própria cerveja.

Você nunca me contou a terceira coisa — ela disse de repente.

Sesshoumaru franziu o cenho.

Que terceira coisa?

Sua mãe disse que havia três coisas que os homens precisavam saber para ter sucesso. Dançar, saber como fazer pesquisas... E a terceira?

Diz respeito a fazer amor. — Sesshoumaru sorriu. — O tamanho do coração de um homem é mais importante que o tamanho de seu membro.

Rin enrubesceu.

Ela não disse isso.

Eu juro, são as palavras exatas dela.

Recuso-me a acreditar.

Ela também me deu uma caixa de preservativos em cada aniversário, começando quando eu tinha doze anos.

Não é possível.

Bem, as pessoas são cheias de surpresas. As aparências enganam. E essa foi a verdadeira lição que ela me ensinou.

Rin se lembrava da sra. Taisho, uma mulher recatada de sorriso tímido que havia morrido quando ele estava no último ano do colegial.

Eu ainda sinto falta dela — ela murmurou com suavidade.

Sim — ele disse. — Eu também.

...

Meu Deus! — Rin empurrou o prato. — Estava faminta. Eu almocei hoje?

Não enquanto eu estava olhando. — Sesshoumaru se inclinou na cadeira de balanço para pegar outro pedaço de pizza.

Agora, que já matei a fome, percebi que estou exausta. Não sei se vou sobreviver por cinco semanas nesse trabalho. E amanhã terei de operar a segunda câmera. O avô de O'Rilley faleceu e ele teve de voar para Montana para o funeral.

Qual é a agenda para amanhã?

Discurso de Harcourt na universidade. — Ela fechou os olhos. — E Kohako estará lá. O que devo vestir?

O mesmo que está usando agora. Short e top. É muito sexy.

Surpresa, Rin olhou para ele, mas Sesshoumaru estava ocupado apanhando o último pedaço de pizza da caixa.

Sesshoumaru?

Sim? — perguntou sem erguer os olhos.

Poderia me fazer um favor?

Ele fitou-a, e o dourado brilhante das íris em contraste com a pele bronzeada a afetou. Ele colocou o prato com o pedaço de pizza intocado na mesa de centro e se levantou, limpando as mãos no guardanapo.

Quer que eu faça massagem nas suas costas? — Posicionou-se ao lado do sofá. — Vire-se.

Confusa, ela inclinou a cabeça. Ele parecia tão sério, olhando-a, sem sorrir. Ao ver que não responderia logo, Sesshoumaru sentou-se perto dela no sofá, empurrando-a de leve para se acomodar. Ela deitou-se de barriga para baixo, apoiando a cabeça nos braços cruzados. Sentiu a coxa musculosa pressioná-la quando ele afastou seus cabelos. E então as mãos fortes acariciaram suas costas. Fechou os olhos. O toque dele era gentil, suave e quase íntimo, como o de um amante. De repente, tomou-se consciente da proximidade e se lembrou do primeiro passo: invadir o espaço pessoal da mulher...

Abriu os olhos e ergueu a cabeça para fitá-lo. Mas ele olhou-a apenas por um breve instante, ainda sem sorrir, e então desviou o olhar para as próprias mãos, que continuavam a massageá-la. Enquanto o observava, percebeu que os músculos do maxilar se contraíram, como se ele estivesse apertando os dentes. Rin voltou a apoiar o queixo nas costas da mão, convencida de que estava imaginando coisas. Sesshoumaru não estava usando a linguagem corporal para lhe enviar mensagens escondidas. De jeito nenhum! Se estivesse, havia se esquecido do segundo passo: contato visual.

Você promete não parar se eu fizer uma confissão?

Uma confissão? — Sesshoumaru hesitou. — Está bem — disse em tom neutro, escondendo a súbita aceleração do pulso. — Estou ouvindo.

Massagem nas costas não era o favor que eu ia pedir.

E ele esperando que ela confessasse estar loucamente apaixonada...

Não era?

Eu queria pedir... — As mãos continuaram o movimento suave, e ela moveu o pescoço para lhe dar mais acesso.

Quando estivermos em público, você se importaria de me chamar de Senhorita Nakagawa? — Ele parou, e Rin virou-se para trás. — Sei que parece estranho, mas as pessoas com quem me relaciono sempre me chamaram assim, e se ouvirem você me chamar de Rin, começarão a fazer o mesmo e...

Senhorita Nakagawa... — Sesshoumaru repetiu.

Ele retomou a massagem.

Não, mas farei o que está pedindo se você me lembrar até que eu me acostume. Senhorita Nakagawa — ele repetiu, experimentando. — É uma forma bonita de chamar.

Ela fechou os olhos de novo.

Obrigada, Sesshoumaru. Você é um grande amigo.

Sim — ele disse suavemente. — Eu sei.

Momentos depois, a respiração de Rin se tornou lenta e estável. Sesshoumaru se levantou com cuidado e encontrou uma manta para cobri-la. Senhorita Nakagawa... Essa forma de chamá-la combinava com ela. Com a aparência refinada, com a poderosa posição como presidente de uma companhia, com seu lugar na alta sociedade. Senhorita Rin Nakagawa, e não apenas Rin.

Mas era Rin que ele desejava, a jovem doce e vulnerável que precisava da sua amizade, do seu conselho, da sua ajuda. Rin Nakagawa era uma mulher adulta, sofisticada, elegante e controlada. E depois que ela tivesse conquistado Kohako Yamamoto IV, não precisaria mais de Sesshoumaru. Não haveria espaço em sua vida para ele. Suspirou, lembrando-se de que, naquele momento, ela ainda precisava de ajuda. E talvez a situação não fosse tão desoladora quanto parecia. Talvez pudesse usar a paixão que ela nutria por Kohako em seu benefício.


Agradecimentos especiais para:

Yuuki-chan s2: agradeço muito sua review e por estar acompanhando a fict!

Vou manter a "chantagem" de SOMENTE atualizar se receber reviews, então por favor, escrevam uma mensagenzinha pra me fazer feliz! hahaha

Bjus =)