As personagens de Inuyasha não me pertencem e possuem todos os seus direitos reservados.
CAPÍTULO VIII
Quando Sesshoumaru saiu do chuveiro, o analgésico que tomara momentos antes tinha começado a fazer efeito. Ainda assim, moveu-se com cuidado, sem ter muita certeza se a cabeça estava firmemente presa ao pescoço.
Enquanto se enxugava, tentou se lembrar do que acontecera na noite anterior. Havia saído com a moto a toda a velocidade, seguira na via expressa para o Sul rumo à Rota 17, chegara ao aeroporto em tempo recorde, e então encontrara um bar aberto, não se lembrava exatamente onde...
O estabelecimento era freqüentado por motociclistas que o receberam como se fosse um velho conhecido, graças a sua Harley. Reconhecera algum dos homens, com quem já cruzara ocasionalmente na estrada em suas viagens. Conservava a lembrança nebulosa de garrafas de uísque e rodadas de cerveja. Um dos rapazes que já vira antes o tinha provocado por causa do novo corte de cabelos, ouvira risadas e copos se esvaziando um após o outro... E depois, tudo se tornara obscuro. Não tinha a menor idéia de como havia voltado para o apartamento.
Enrolou a toalha ao redor da cintura e foi para a sala. Encontrou uma pilha de roupas limpas e passadas sobre a mesa de centro.
Rin? Ele congelou com a súbita lembrança de Rin sentada ao volante, fitando-o, com os lábios ainda úmidos do beijo que tinham compartilhado e os belos olhos transbordantes de desejo. A blusa estava aberta, revelando a curva dos seios bem-feitos semi-escondidos pelo sutiã de renda.
A sala girou e ele caiu pesadamente no sofá. O que havia acontecido? Apertou os olhos e se obrigou a recordar, mas seu cérebro parecia estar envolto numa bruma densa. Não se esqueceria se tivesse feito amor com ela... Ou seu estado de embriaguez não permitiria que se lembrasse?
Apanhou o telefone e começou a discar o número do escritório de Rin, mas desistiu. O que deveria dizer? Olá, como vai? Oh, a propósito, nós fizemos amor ontem à noite?
Respirou fundo, forçando-se a parar e pensar. Se tivessem feito amor, era óbvio que saberia. Por Deus, estava desesperadamente apaixonado por aquela mulher! Fazer amor com ela teria um significado profundo. Era evidente que se lembraria, não importava o quão bêbado estivesse. Ademais, teria acordado na cama dela...
Apanhou o telefone novamente, dessa vez para chamar um táxi, e terminou de se vestir devagar, receando ceder à força da gravidade e se estatelar no chão.
No caminho para o escritório dela, fechou os olhos e tentou preencher as lacunas na memória. Havia um bar... Sim, um rapaz simpático e amigável chamado Minoru... Não, o nome dele era Miroku. Sim, Miroku, e possuía traços que o faziam até ser confundido com um monge. Era um rapaz esperto também, pensou, lembrando-se de que pegara suas chaves e se recusara a entregá-las. Se tivesse tentado voltar de moto, não estaria vivo àquela altura. Pior, algum inocente que transitava pelas ruas também poderia estar morto.
Por que perdera o controle e ficara tão embriagado? Havia anos não fazia nada tão estúpido. Sabia apenas que sentira necessidade de preencher o imenso vazio que parecia consumir sua alma.
Sesshoumaru abriu os olhos. Suas necessidades atuais eram radicalmente diversas das do passado. Sair de moto em plena madrugada sempre o satisfizera. Porém, na noite anterior, servira apenas para fazer com que se sentisse ainda mais solitário. Em vez da excitante sensação provocada pela velocidade, flagrara-se ansiando voltar para perto de Rin, e não somente para fazer amor, embora essa idéia fosse tentadora. Queria abraçá-la, estar com ela, amá-la... dizer a ela que era a dona de seu coração.
Pela primeira vez na vida, Sesshoumaru desejava permanecer num mesmo lugar. Queria ficar com Rin para sempre. Ele precisava ficar. O fato de que ela pudesse não desejá-lo o enlouquecia e apavorava.
Então, havia bebido na noite anterior até afogar o medo. Sesshoumaru se inquietou no banco do táxi, entre incomodado e aliviado. Havia conseguido recuperar parte de suas lembranças, mas o cenário ainda não estava completo.
Recordou-se que havia tirado Rin da cama para ir buscá-lo no bar. Perfeito! A viagem para o Grand Canyon estava marcada para aquela noite. Ela estaria ocupada o dia inteiro com reuniões importantes, telefonemas e com a organização de todo o trabalho antes de partir. E o que ele fizera? Ele a privara de valiosas horas de sono.
O táxi parou diante da Vídeo Enterprise. Sesshoumaru pagou o motorista e saiu devagar, evitando movimentar muito a cabeça que ainda latejava.
Kagome sorriu para ele.
— Ela está ocupada? — perguntou para a secretária.
— Está brincando? Essa é primeira vez que consigo me sentar o dia todo. Uma das câmeras não foi bem acomodada no furgão e as lentes quebraram. Todos nós enlouquecemos procurando a peça de reposição, que já deveria estar aqui uma hora atrás. Então, respondendo a sua pergunta, sim, ela está ocupada. Mas está sozinha, se é isso que quer saber.
Sesshoumarue fez um gesto na direção do interfone.
— Você poderia avisá-la que estou aqui? E perguntar se pode me receber.
Kagome franziu o cenho e o encarou com uma expressão curiosa.
— Vocês brigaram? Você nunca pede para ser anunciado.
— Pode apenas avisá-la? — As mãos de Sesshoumaru tremiam, conseqüência inevitável de ter bebido muito, e ele enfiou-a nos bolsos, sentindo-se mal. — Por favor?
Kagome apanhou o interfone e falou com a chefe. Rin não respondeu. Simplesmente abriu a porta do escritório.
Sesshoumaru prendeu a respiração. Ela estava linda. Usava blusa de seda branca para dentro da calça, o que realçava a silhueta bem-feita. Os cabelos estavam presos no topo da cabeça e cachos rebeldes caíam sobre o rosto, com uma displicência sensual. Porém, mesmo sob a cuidadosa maquiagem, era possível ver as olheiras profundas que denotavam seu cansaço. E ele era o responsável por isso.
Ela sorriu e ergueu a sobrancelha com curiosidade.
— Desde quando você precisa de um convite para entrar no meu escritório? — Recuou um passo para que ele entrasse.
— Eu não tinha certeza se você queria me ver.
Rin se virou para fechar as cortinas e impedir que a luz do sol entrasse na sala, tornando o ambiente mais escuro e aconchegante.
— Está melhor assim? — perguntou, acomodando-se atrás da escrivaninha.
Sesshoumaru sentou-se cuidadosamente em uma das cadeiras e retirou os óculos escuros.
— Sim, obrigado. — Respirou fundo e começou, hesitante. — Queria me desculpar.
Os olhos de Rin brilharam por um segundo ao se encontrarem com os dele, antes que ela virasse o rosto. Sim, ele tinha algo de que se desculpar, não? Mas do quê?
Rin reparou nas olheiras profundas e na palidez do rosto abatido. Notou também que ele se movia devagar. Tinha a aparência péssima, e provavelmente se sentia muito pior, embora tivesse se esforçado para sair da cama e ir vê-la. O quanto da noite anterior ele se lembraria? Pensou nas próprias palavras: "Se ainda quiser fazer amor comigo quando estiver sóbrio, me avise".
Sesshoumaru olhou para os óculos de sol que segurava e se pôs a brincar com as hastes. Finalmente, ergueu o rosto para fitá-la.
— Quero me desculpar, mas, para dizer a verdade, não me lembro exatamente do que fiz.
Ele não se lembrava! Graças a Deus, Rin pensou, fingindo estar concentrada em arrumar os papéis sobre a mesa.
— Se não se lembra, por que acha que fez alguma coisa que exija um pedido de desculpa?
— Era o que eu esperava que você me dissesse. Preciso me desculpar por algo além de tê-la acordado no meio da noite?
— Não. — Rin sorriu de leve e meneou a cabeça. — Não precisa.
Sesshoumaru praguejou baixinho.
— Preciso, sim. Lembrei-me. Eu a fiz chorar, não?
O silêncio respondeu a pergunta.
— Eu fiz. — Ele praguejou de novo.
— Era tarde — disse Rin — Eu estava cansada e...
— O que eu disse? — ele perguntou, temeroso — Droga, o que eu fiz?
— Tivemos essa mesma conversa ontem à noite. Esqueça, está bem?
— Rin, me desculpe. Você ficou aborrecida com o que quer que eu tenha feito, e eu sinto muito.
— A desculpa é desnecessária, mas está aceita, certo? — Ela abriu a gaveta e procurou a chave do carro, estendendo-a para ele — Peça a algum dos rapazes para ir com você apanhar a moto. Está num bar chamado Rancho Cactus. Acho que Jakotsu está na sala de edição. Se não encontrá-lo, Kouga ou Ginta devem estar por aí. Um deles pode trazer meu carro.
— Obrigado — Sesshoumaru pegou as chaves.
— Acha que suas mãos estarão firmes às cinco horas?
— Puxa! E eu achei que estava conseguindo disfarçar bem.
Ela riu.
— Estou falando sério, Sesshoumaru. Harcourt e Kohako viajarão num jato particular para o Canyon. Vou com eles, e tenho de levar um cinegrafista para tomadas aéreas. Eu pensei em pedir que você fosse, mas se não conseguir manter as mãos...
— Eu estarei bem — ele a interrompeu.
— Posso pedir que O'Reilly me acompanhe...
— Rin, eu estarei bem — insistiu com firmeza. Naquele momento, o interfone tocou, seguido da voz de Kagome.
— O sr. Yamamoto está aqui para revisar alguns arquivos do material que você trouxe do Canal 5.
— Por favor, Kagome, diga a ele que vou encontrá-lo na sala de edição — ela instruiu antes de desligar.
— Acho que é uma deixa para eu ir embora. — Sesshoumaru se levantou e guardou as chaves no bolso — Obrigado por ter ido me buscar na noite passada.
— Obrigada por saber que estava bêbado demais para dirigir.
— Infelizmente, não mereço o crédito. Você tem de agradecer a Miroku.
— Então, agradeça-o por mim. — Rin seguiu para a porta. Porém, antes que pudesse sair, Sesshoumaru se levantou e a puxou para si.
— Não vai me dar um beijo de despedida? – Ela recuou, num gesto inconsciente.
— Estamos sozinhos, Sesshoumaru. Não é necessário.
— Sua aparência não é a de uma mulher que foi beijada recentemente. — Tocou-a de leve no rosto. — Kohako vai perceber.
— Isso é tolice — protestou baixinho. Porém, não se moveu para impedi-lo quando ele se aproximou para beijá-la.
O contato doce e gentil acendeu o mesmo fogo que a queimara na noite anterior. Rin se lembrou da forma como Sesshoumaru a tocara e o sangue correu mais rápido em suas veias.
— Agora, sim, você pode ir. — Sesshoumaru se afastou com um sorriso de satisfação. — Está parecendo que foi beijada.
Ela se afastou e abriu a porta.
— Vamos sair para o aeroporto às quatro e meia — avisou, disfarçando seu embaraço. — Faça as malas e coloque roupas suficientes para alguns dias. Não se atrase.
Ele assentiu, ainda sorrindo.
Rin viu de relance a sua imagem no espelho da recepção. Sesshoumaru estava certo. Ela parecia ter sido beijada. Os olhos estavam brilhantes, o rosto ganhara uma nova cor e os lábios ainda estavam úmidos.
Se um beijo podia transformá-la daquela forma, como teria se parecido na noite passada, depois de quase ter feito amor com Sesshoumaru no banco do carro?
Agradeceu à sorte por ele não se lembrar. Caso contrário, teria percebido que estava apaixonada, pensou, correndo para a sala de edição.
...
Quando Sesshoumaru parou no farol vermelho, um objeto refletiu no chão, chamando-lhe a atenção. Outro botão, o terceiro que ele encontrara no carro de Rin.
— O que é isso? — Jakotsu quis saber enquanto ele fechava a mão ao redor do pequeno objeto.
— Nada.
Colocou-o no cinzeiro com os outros que havia encontrado... E foi atingido por lembranças. Eram fragmentadas, como num caleidoscópio, mas havia o bastante para visualizar a cena. Rin e ele, naquele carro. O desejo explodindo dentro dele quando a beijou. Botões caindo no chão quando ele abriu com ímpeto a blusa dela.
— Meu Deus... — murmurou, apertando o volante.
— O farol abriu — Jakotsu avisou.
Sesshoumaru pisou no acelerador e conduziu o carro para a intersecção. O que havia feito? E por que Rin não dissera nada?
...
Rin apertou a lata de refrigerante e olhou pela janela, apavorada diante da idéia de que estava quase três mil metros acima do solo.
— Você quer que eu registre algumas cenas do Arizona dessa altitude? — Sesshoumaru sussurrou-lhe ao ouvido. — Posso tentar subir na asa do avião e...
— Não! — gritou, antes de perceber que ele a provocava.
— Bem, então acho que já é o suficiente por enquanto. — Sesshoumaru sorriu e guardou a câmera.
Harcourt falava ao rádio com a torre do aeroporto, e Kohako estava sentado no assento da frente, lendo o jornal. Todos pareciam tranqüilos e serenos, exceto ela.
Sesshoumaru passou o braço em volta de seus ombros.
— Como você está?
— Ótima — mentiu ao perceber a preocupação nos olhos dele. Conseguiu dar um sorriso trêmulo.
— Esse jato é muito seguro. Além disso, as estatísticas mostram que é mais perigoso dirigir na auto-estrada, e não estou nem falando da minha Harley. Estou me referindo a um carro. Numa moto, o risco quadruplica.
— Obrigada por me lembrar. Agora, ficarei apavorada sempre que você tiver que sair de moto.
— Sou sempre muito cuidadoso, Rin.
— Pilotos cuidadosos usam capacetes — ela pontuou.
— E difícil manter o charme com um capacete.
— E ainda mais difícil se estiver morto.
— Ponto para você — ele admitiu com um sorriso.
As pernas longas estavam pressionadas contra as dela, proporcionando uma agradável sensação de segurança. Ele usava calça e camisa sociais, mesmo sentindo-se mais à vontade com a velha calça de couro. Rin sorriu ao pensar que ele se vestira daquela forma por causa dela.
De alguma maneira, no curto espaço de tempo entre sair do escritório e partir para o aeroporto, Sesshoumaru havia se recuperado da ressaca. Com exceção dos olhos vermelhos, ela não diria que ele passara a noite em claro bebendo até perder a memória.
Ele sorriu, e finas rugas marcaram sua expressão. Rin adorava aquele rosto. Não havia dúvida, ele era um homem bonito, mas havia muito mais para se admirar do que a bela face e o corpo bem-feito. Kohako também era bonito, e dono de um físico magnífico. Mas ela não o amava.
Amava Sesshoumaru, com sua atitude forjada por uma vida difícil, seu humor e sua doçura. Adorava o senso inabalável de lealdade e a inteligência rápida e afiada. Amava tudo naquele homem e, por ironia, até mesmo o que a irritava: o fato de ter muito dinheiro e andar sempre com as mesmas roupas desbotadas, a superproteção, a incapacidade de não tomar partido, a mochila que ele carregava nos ombros desde os anos da escola, a paixão pela liberdade e aversão a compromissos.
— É assim que um pássaro deve se sentir — ouviu-o dizer.
— Deve ser bom ser livre e ter uma perspectiva completamente diferente do mundo e das criaturas que vivem na Terra.
Ele poderia estar descrevendo a si mesmo. Num impulso, Rin se virou e o beijou na boca.
Sesshoumaru ficou chocado. Nunca, nem um milhão de anos, esperara aquilo, e menos ainda dentro de um jato pequeno com os dois clientes mais importantes dela no banco da frente.
Pela primeira vez desde que fora rejeitado no cinema, Sesshoumaru se permitiu ter esperança de que ela pudesse se apaixonar por ele. Então, franziu o cenho, pensando na lembrança perturbadora de ter aberto a blusa dela, espalhando os botões por todo o lugar. Como gostaria de saber o que acontecera na noite anterior! Não duvidava de que tinha cometido uma estupidez, pois era particularmente bom naquilo, mas queria apenas saber a que ponto chegara.
— Não é tão ruim. — Rin olhou pela janela e vislumbrou montanhas que se desenhavam abaixo deles. — Tem razão a respeito da perspectiva. A vida parece ter mais sentido dessa altitude. Tudo o que parece tão grande no chão torna-se infinitamente pequeno.— Virou-se e apoiou a cabeça no ombro dele.
— Voar não é tão ruim assim. Acho que posso me acostumar.
Simon Harcourt seguiu num carro separado do aeroporto para o chalé, deixando Kohako conduzir Rin e Sesshoumaru ao hotel. A equipe técnica da Vídeo Enterprise já estava esperando no restaurante quando chegaram.
Passava das oito horas da noite, e Rin estava exausta e faminta. Sesshoumaru e Kohako a seguiram ao restaurante, onde se juntaram à equipe. Ela fez uma rápida reunião com todos para se certificar de que estavam a par de suas funções para o dia seguinte. Se o clima permitisse, acompanhariam Simon e sua família durante parte do dia e teriam de acordar às seis horas da manhã.
— E se chover? — alguém perguntou.
— Então poderão dormir até mais tarde — respondeu, com um sorriso — Caso chova, vamos nos encontrar aqui para o almoço e decidir o que fazer durante a tarde. Talvez possamos gravar Harcourt no chalé, com a família.
Animada com a perspectiva para o trabalho do dia seguinte, Rin começou a comer com apetite. A equipe passou a deixar o restaurante. Parte das pessoas foi para os quartos, enquanto outros seguiram para o bar anexo. Kohako se retirou após discutir com ela mais alguns detalhes.
Rin e Sesshoumaru ficaram a sós, e ela percebeu o olhar intenso pousado sobre si.
— Você pode fazer o favor de ir à recepção e verificar nossos quartos? — ela pediu.
— Claro.
Ela terminava de comer quando Sesshoumaru retornou.
— Rin?
— Não, Sesshoumaru — ela disse com firmeza — Conheço esse tom e sei que é precursor de más notícias. Sinceramente, estou exausta e quero ir para o quarto. Seja o que for, pode esperar até amanhã.
— Está bem.
Sesshoumaru apanhou as malas e a conduziu para o corredor.
— Qual é o meu quarto? — Rin olhou para a fileira de portas numeradas.
— O 238.
Isso significava que era no piso superior, longe dos turistas barulhentos entrando pelo saguão durante a noite. Ótimo. Rin subiu os degraus sonhando com a cama macia e aconchegante, ansiando por uma boa noite de sono.
— Em que quarto você está? — indagou a Sesshoumaru, que seguia atrás dela.
— 238.
Ela deu mais alguns passos até se conscientizar do sentido daquelas palavras. Então, parou de andar e o encarou.
— Era isso o que estava tentando lhe dizer.
Rin relanceou o olhar para a recepção, mas ele balançou a cabeça, antecipando sua atitude.
— Eu já tentei, mas eles foram firmes. Não há mais quartos disponíveis. Pedi que a recepcionista ligasse para o outro hotel, mas também está lotado. Tentei até os alojamentos no parque nacional e o atendente riu quando pedi dois quartos. Se quiser, posso ficar com Jakotsu e O'Reilly.
— Vou matar Kagome — Rin disse por entre os dentes.
— Kagome?
— Foi ela quem fez as reservas — gemeu, inconformada. — Mesmo que nós estivéssemos realmente envolvidos, a menos que fôssemos casados, jamais ficaríamos no mesmo quarto numa viagem de negócios. Não é profissional.
Sesshoumaru suspendeu as malas num gesto determinado e galgou os últimos degraus.
— Vou carregar sua bagagem até o quarto e tentar encontrar Jakotsu...
— E dormir no chão? — Ela meneou a cabeça. — Não. Você tem de estar descansado amanhã. Ouça, podemos dividir o quarto por uma noite. Temos apenas de ser discretos. Não é grande coisa. Afinal, não é diferente de você ficar na minha casa, certo?
Ele não respondeu, e Rin prosseguiu:
— Deve haver duas camas nos quartos. Você fica com uma, eu durmo na outra, e não haverá problemas, certo?
Ela estava tentando se convencer das próprias palavras. Dividir um quarto de hotel não era a mesma coisa que compartilhar um apartamento. Lá, ela podia escapar para outro lugar quando os sentimentos começassem a ficar muito intensos, quando a atração a impulsionasse para os braços de Sesshoumaru. Enfim, seriam apenas algumas noites, disse a si mesma com firmeza. Seguramente conseguiria manter o controle... Ou não?
Em silêncio, Sesshoumaru parou diante do número 238. Observou quando Rin colocou a chave na fechadura e abriu a porta. Ela acendeu as luzes, e os dois entraram...
Rin praguejou baixinho. Havia apenas uma cama, e era enorme.
Sesshoumaru fechou a porta com um dos pés e depositou as malas no chão.
— Vou procurar Jakotsu — anunciou.
— Espere.
— Estou exausto. Vou agora antes que desabe nessa cama.
— E se você não conseguir encontrá-lo?
— Posso dormir em um dos furgões.
— Estamos na montanha, lembra-se? Faz muito frio à noite. — Rin respirou fundo — A cama é grande e nós dois somos adultos. Podemos dividi-la, não é?
— Não sei, Rin...
— Você não pode dormir no chão do quarto de Jakotsu — disse em tom decisivo. — Pareceria estranho. Todos acham que estamos vivendo juntos. E eu definitivamente não quero que você passe a noite no furgão. Talvez amanhã possamos encontrar, outro quarto.
— Não creio. Estão lotados neste final de semana.
— Bem, talvez alguém cancele a reserva. — Ela se sentou na cama e tirou os sapatos, bocejando. Então, vasculhou a bolsa e pegou uma camisola discreta. — Vou tomar um banho e dormir. Temos de acordar cedo amanhã — disse, começando a desabotoar a blusa. Botões... Sesshoumaru foi tomado pela imagem dos botões se espalhando pelo pequeno carro, e de Rin, linda e sensual com os olhos repletos de desejo...
Virou-se de costas, dolorosamente consciente da própria excitação.
Encontrava-se no mais completo estado de confusão havia semanas, desde que chegara ao apartamento de Riny, e a idéia de compartilhar aquela enorme cama com ela o levava ao limite da sanidade. E, se a lembrança de ter arrancado os botões da blusa dela fosse real, e não um sonho, não havia dúvida de que perdera a capacidade de manter o autocontrole. A quem estava tentando enganar? perguntou-se. Era evidente que havia sido real. Os botões que encontrara no carro eram a prova.
Sesshoumaru ouviu o som da água e tirou lentamente a jaqueta. Seria o próximo a entrar, para um banho muito gelado.
...
— Rin?
A voz de Sesshoumaru soou na escuridão. Riny rolou para o lado, tentando se ajeitar. O colchão já vira dias melhores, e o peso dele do outro lado da cama dava-lhe a impressão de estar dormindo na encosta de uma montanha.
— O que foi?
— Isso é estranho, não acha?
— Feche os olhos, Sesshoumaru. Se você estiver tão cansado quanto eu, vai dormir imediatamente.
— Sinto muito. A culpa é minha por você estar tão cansada.
— Lembre-se disso da próxima vez que pensar em se embriagar. Eu ainda não fiz o sermão, não é mesmo?
— Não.
— Há outras maneiras de morrer por excesso de bebida além de dirigindo — ela disse com gravidade — Você poderia ter entrado em coma alcoólico.
— Eu sei.
— Então por que bebeu?
Ele levou alguns segundos para responder, e a escuridão pareceu oprimi-la. Rin queria ver o rosto dele, fitá-lo nos olhos, saber o que ele estava pensando.
— Sair de moto não me ajudou — ele respondeu, por fim.
Rin suspirou, desapontada. Ele estava se sentindo preso, e ela sabia o que precisava fazer. Tinha de libertá-lo.
— Sesshoumaru, você não tem de ficar. — Esperou que ele não percebesse a tensão em sua voz, e ficou subitamente feliz que a escuridão o impedisse de vê-la. — Depois desse final de semana, encontrarei alguém para substituí-lo. Não precisa se sentir culpado caso queira ir embora. Posso sobreviver sem você.
As palavras dela ecoaram no quarto. Era evidente que poderia sobreviver sem ele. Sesshoumaru permaneceu em silêncio, vendo botões que voavam no ar. Será que ela queria que fosse embora? Não podia perguntar. Limpou a garganta, mas não conseguiu indagar o que acontecera na noite anterior. Ele a teria beijado? Tentara fazer amor com ela? O que havia dito, e o que ela respondera? Não foi pela primeira vez desde que despertara naquela manhã, que Sesshoumaru amaldiçoou sua incapacidade de lembrar.
...
Calor. Nos olhos de Rin, em seu toque, em seus lábios. Ela o puxou para perto e, quando suas bocas se encontraram de novo, houve uma explosão de fogo.
Livraram-se das roupas, e ele pôde sentir a pele nua. Céus, como esperara por aquilo! Ela entreabriu as pernas, pronta para recebê-lo, e ele não conseguiu esperar. Penetrou-a quase com selvageria, e ela gritou de prazer. Mas, de repente, Rin o empurrou.
E então, ele estava ao lado dela no carro. Estavam vestidos, e ela chorava.
Se ainda quiser fazer amor comigo quando estiver sóbrio, me avise, está bem?
Sesshoumaru sentou-se na escuridão do quarto de hotel, com o coração acelerado e a respiração instável. Passou as mãos pelo rosto. O sonho tinha sido tão real que...
Balançou a cabeça. Não era possível. Era?
Por fim, sentiu que se acalmava, mas o simples pensamento de que Rin pudesse ter pronunciado aquelas palavras fez com que se agitasse de novo.
Franziu a testa. Devia ter sido apenas um sonho. Tê-la nua em sua cama, desejando fazer amor com ele, era uma fantasia recorrente. Mas o que ela dissera era novo.
Rin estava adormecida ao seu lado. Não queria acordá-la, pois já a perturbara demais na noite anterior. Mas precisava abraçá-la. Envolveu-a gentilmente, encaixando-se a ela, aninhando-a em seu peito.
Conversariam de manhã. Talvez chovesse e não tivessem que acordar tão cedo. Quando ela despertasse, diria que estava sóbrio e esperaria sua reação.
Rin suspirou, e Sesshoumaru fechou os olhos. Inalando seu doce perfume, adormeceu de novo.
O telefone estava tocando, invadindo o suave calor dos sonhos de Rin. Ela abriu os olhos e Sesshoumaru acordou um segundo depois. Estavam frente a frente, e o braço dela o envolvia possessivamente. Ela recuou, corando. Apanhou o telefone, agradecendo secretamente pela chance de esconder o embaraço.
— Bom dia, chefe — disse Jakotsu do outro lado. — São seis horas da manhã. O tempo está maravilhoso. Lembre-se de pegar roupas leves. Estará ainda mais quente no canyon.
— Tem certeza de que já amanheceu, Jakotsu? — ela resmungou com um bocejo — Tenho a sensação de que acabei de me deitar...
— Sinto informá-la que sim, já amanheceu. E, chefe? Não tenho o quarto de Sesshoumaru em minha lista... Sabe onde ele está?
Rin fechou os olhos. Sim, sabia. Ele estava ao seu lado, parecendo atraente demais com os cabelos desgrenhados e a barba por fazer.
— Não se preocupe, eu mesma vou acordá-lo.
— Ótimo. Até já.
Ela desligou e saiu da cama.
— Rin...
Ao virar-se, encontrou Sesshoumaru fitando-a intensamente, com o queixo apoiado na mão. A expressão era séria, quase sombria.
— Temos de conversar.
Sentiu o coração afundar. Ele diria que, depois daquele final de semana, iria embora... Depois que ela se atirara em seus braços na noite anterior, ele tinha bons motivos para isso. Mas não estava preparada para ouvir aquilo no momento. Não queria passar o dia todo sabendo que ele partiria em breve.
— Agora não, Sesshoumaru. — Tentou manter o tom de voz suave enquanto seguia para o banheiro. — Temos de nos apressar para não perder o café da manhã.
Quando a porta do banheiro se fechou, Sesshoumaru exalou o ar que estava segurando. Ela estava certa. Tinham de trabalhar, e não era o momento certo para revelar todos os segredos que guardava no coração.
Primeiramente, queria pedir desculpas pela demora na postagem, já era pra eu ter postado desde q a Chelsea de Aguia postou a 1ª review, mas tive alguns problemas para resolver referentes à 2ª fase da OAB, oq acabou ocasionando o atraso na postagem. Mais uma vez: me desculpem!
AVISO: minhas aulas preparatórias para a prova da 2ª fase começaram ontem (sim no sábado), o conteúdo é super puxado mesmo sendo referente à apenas 1 matéria (no meu caso Direito Empresarial que foi oq escolhi), estou sobrecarregada de peças(processos), fichamentos e questões para fazer/responder e entregar para o profs, e será assim até véspera da prova (13/11; prova: 14/11), então espero poder contar com a compreensão de todas(os), já que, devido à isso, as postagens se tornarão mais espaçadas.
Agradecimentos especiais para: Chelsea de Aguia, zisis, Rin Taisho Sama e sandramonte: ADOREI O REVIEW DE TODAS!
Bom, com base no AVISO que fiz acima, não vejo mais razão em manter a chantagem, então, se quiserem, deixem reviews.
Espero sinceramente que tenham curtido o cap de hoje e que estejam curtindo a fict num todo tbm!
Bom...era isso...
Bjus e até o próximo capítulo!
=)
