As personagens de Inuyasha não me pertencem e possuem todos os seus direitos reservados.
CAPÍTULO XII
O telefone estava tocando quando Rin destrancou a porta. Uma vez dentro do apartamento, atirou a valise sobre o sofá e correu para a cozinha. Porém, não teve tempo de apanhar o telefone antes de a secretária eletrônica ser acionada.
— Alô! — gritou acima da mensagem gravada.
— Rin? Por que está gritando tanto?
A voz era familiar, embora não a reconhecesse.
— Tony? — arriscou, incerta.
— Eu mesmo — o cabeleireiro respondeu animado — Sesshoumaru está aí?
— Não.
— Ah, tudo bem. Eu queria mesmo falar com você. Quando é o grande dia?
— O quê? — Rin se encostou à mesa e tirou os sapatos.
— O grande dia — ele repetiu — Você sabe, o grande evento... — Ele cantarolou a marcha nupcial — A cerimônia será grandiosa, ou vão optar por uma recepção íntima? Sesshoumaru a convenceu a passar a lua-de-mel em Key West? Quero saber de todos os detalhes.
Ela se sentou na cadeira mais próxima.
— Tony, quem disse que Sesshoumaru e eu vamos nos casar? — ela perguntou com cuidado.
— Ele mesmo.
— Tony, Sesshoumaru foi embora sábado à noite.
— Ele foi embora? — A voz subiu uma oitava — Mas ele disse que...
— O que ele disse? foi alguma coisa sobre Jakotsu e uma aposta no escritório. Porque isso era somente uma brincadeira.
Quase pôde ouvir Tony pensando do outro lado da linha.
— Não... Sesshoumaru esteve aqui no sábado à tarde para cortar os cabelos. Ele me disse que passaria na joalheria a caminho de casa. O anel que havia encomendado já tinha sido ajustado. Pelo que me contou, imaginei que planejava fazer o pedido naquela noite.
Sábado à noite... Fora quando Sesshoumaru se desentendera com Aaron Fields, a mesma noite em que ela perdera o controle e gritara com ele, acusando-o de só Deus sabe do quê.
— Bem, não houve proposta alguma. — Fechou os olhos, lutando contra as lágrimas. — Brigamos e ele foi embora.
— Por Deus... Aquele homem pode ser um tolo.
— Tem certeza de que ouviu direito?
— Não há nada errado com meus ouvidos, querida. Lembro-me bem de ter dito a ele que a única forma de você acreditar que não a abandonaria seria aceitar o trabalho na Flórida.
— Bem, partir não parece ser a melhor forma de provar isso.
— Não me refiro à partida, e sim ao retorno — Tony explicou. — Bem, seja como for, ele me disse que não aceitaria ir para a Flórida porque pretendia pedi-la em casamento. Tenho certeza de que usou essa palavra.
Não fazia sentido. Sesshoumaru afirmara que estava na hora de partir, e naquele mesmo dia, dissera a Tony que a pediria em casamento... O que teria acontecido?
— Querida, meu cliente acaba de chegar. Tenho de ir. Telefone se precisar de qualquer coisa, está bem?
Rin agradeceu e desligou.
Casamento...
Levantou-se e foi para o quarto. Abriu a porta do armário e viu as roupas que Sesshoumaru havia deixado. Ele estava usando o smoking naquela noite. Num impulso, apanhou o paletó e segurou de encontro ao rosto para inalar o perfume familiar. Deus, como sentia falta dele!
Foi então que percebeu o volume no bolso. Perplexa, retirou a pequena caixa de veludo, recusando-se a acreditar que poderia conter um anel. Quando abriu, uma exclamação de surpresa escapou de seus lábios.
Um diamante solitário e esplendoroso reluziu numa miríade de cores. Retirou-o do estojo e notou as iniciais gravadas, algo simples e doce, como as iniciais de amantes gravadas em uma árvore. Não havia dúvida de que era um anel de noivado e que o comprara para ela. Então, o que acontecera para fazê-lo mudar de idéia?
Ela tinha gritado com ele, foi a resposta imediata. Dissera palavras terríveis e imperdoáveis. Claro, Sesshoumaru não se comportara como um lorde naquela noite. Socar Fields no nariz...
Ambos haviam se comportado mal. Mas isso seria motivo para uma mudança tão drástica? Afinal, ele comprara o anel. Na certa, refletira muito sobre o casamento. O que mais teria acontecido naquela noite?
Rin fechou os olhos, tentando ver os fatos do ponto de vista de Sesshoumaru. Aaron o provocara. Depois de esmurrá-lo, Kohako o escoltara para fora e o expulsara da festa...
Kohako! Pouco antes de ir, Sesshoumaru fizera uma referência a algo que Kohako tinha dito. Havia mencionado que ele tinha razão a respeito de alguma coisa. Rin não entendera, e Sesshoumaru não explicara, mas a ocasião não havia sido propícia para esclarecimentos.
O que mais?
Sesshoumaru tinha ido para casa e ficara esperando por ela na garagem. Ao chegar, ela estava furiosa. E dissera que fosse para a Flórida, dentre todas a coisas estúpidas que podia ter dito! Mas se desculpara...
Claro que sempre havia a possibilidade de ele simplesmente ter mudado de idéia. Casamento significava assentar-se, e não desaparecer na floresta Amazônica ou na tundra do Alasca por quatro meses.
Rin colocou o anel no dedo. Serviu perfeitamente. O que fizera que Sesshoumaru mudasse de idéia? Tinha de saber!
Apanhou o telefone e ligou para Jakotsu. Ele atendeu no segundo toque.
— Jakotsu, é Rin. Preciso encontrar Sesshoumaru. Você sabe onde ele está?
— Sim. Ele está aqui, comigo. Ou melhor, estava. Puxa, estou feliz que você tenha ligado. Não sei por que brigaram, mas nunca vi ninguém mais deprimido. Eu quis telefonar para você, mas ele ameaçou quebrar minhas pernas se fizesse isso.
— Ele ainda está aí? — perguntou, ansiosa.
— Não. Está fazendo um trabalho para o Canal 8, cobrindo o aniversário do prefeito. A matéria vai entrar no ar ao vivo no noticiário das dez horas. Mas ele não voltará para cá depois disso.
— Por quê?
— Está de partida para a Flórida.
— Hoje à noite?
— Isso mesmo. As malas dele já estão prontas. Ele vai embora depois do evento.
— Oh, não! — Rin olhou para o relógio no criado-mudo. Oito e meia.
Sesshoumaru poderia partir a qualquer momento depois das dez horas.
— Jakotsu, se ele telefonar para você, diga-lhe que se partir antes de falar comigo, eu... eu... — Ela se calou, incerta do que fazer — Apenas diga que não vá a lugar nenhum.
Desligou e olhou ao redor à procura da valise. Encontrou-a no sofá e apanhou o celular, percorrendo a lista de telefones. Discou o número de Kohako enquanto andava pelo corredor.
— Alô?
— Kohako, é Rin. Rin Nakagawa. Tenho de ir à festa de aniversário do prefeito e achei que você poderia me ajudar.
— Estou lisonjeado — ele respondeu com uma risada — Eu não pretendo ir, mas tenho um convite em algum lugar na minha escrivaninha... — Um som abafado soou do outro lado da linha — Ah... Aqui está. A festa já começou.
— Não me importo. — Rin abriu o armário enquanto falava. O que seria mais adequado para aquela ocasião? — Sesshoumaru está lá e tenho de falar com ele antes que vá embora. Posso passar pela sua casa e apanhar o convite?
— Você não vai entrar na festa, a menos que esteja comigo. A segurança é muito rígida e o convite está no meu nome. Ninguém vai acreditar que você é Kohako Yamamoto. — Ele riu — Não é tão alta, dentre outras coisas.
Rin suspirou, desolada.
— É assim tão importante? — ele quis saber, curioso.
— Sim, muito.
Kohako ficou em silêncio por um momento.
— Tem certeza de que Sesshoumaru estará na recepção? Ouvi rumores de que havia saído da cidade.
— Ele vai embora hoje à noite. — Ela apanhou o vestido branco, o primeiro que usara com Sesshoumaru, e completou: — A menos que eu possa impedir.
— Você me disse certa vez que seria inevitável que ele partisse, mais cedo ou mais tarde.
— Kohako, eu amo Sesshoumaru — ela admitiu — Não vou deixá-lo partir sem lutar.
Outro silêncio, e então:
— Tudo bem. Vou trocar de roupa e a apanho em vinte minutos. Consegue se aprontar?
— Está falando sério?
— Espere na frente do prédio. Vai poupar tempo — ele disse antes de desligar.
...
— Obrigada por fazer isso por mim. — Rin olhou para o perfil de Kohako, iluminado pelas luzes coloridas do painel do carro.
— Você está linda.
— Obrigada.
Rin relanceou o olhar para a mão esquerda. Usava o anel que Sesshoumaru havia comprado para ela. Certo, ele não fizera a proposta, mas, mesmo assim, estava lhe dando sua resposta. Sim, queria se casar com ele.
— Tem certeza de que Sesshoumaru vale todo esse esforço?
— Absoluta!
— Você realmente o ama tanto?
— Se ele me deixar, não sei o que será de mim. — Ficou calada por um momento e acrescentou: — Sim, eu sei. Serei infeliz para sempre.
— Acho, então, que eu estava enganado — ele comentou.
— A respeito do quê?
— Achei que você ficaria melhor sem o Sesshoumaru.
— Você não...? — Rin respirou fundo e começou de novo: — Por acaso, você não disse isso a ele, não é?
— Bem, sim. — Kohako teve a decência de parecer constrangido — Acho que eu disse.
— No sábado à noite? — ela perguntou, mesmo sabendo a resposta.
— Sim, depois da briga dele com Fields. Eu disse que... — Ele fez uma careta, sem querer prosseguir.
— Que...?
— Que ele não era bom o bastante para você. Sinto muito, Rin. Eu não deveria ter interferido.
— Droga, é claro que não deveria! — Rin apertou os olhos, lembrando das próprias palavras ofensivas. Como pudera ter sido tão cruel?
— Senhorita Nakagawa, eu sinto muito.
— Rin — ela corrigiu com expressão ausente, olhando pela janela — Não sou senhorita Nakagawa. Sou Rin. Sempre fui, e é estúpido tentar mudar isso agora.
...
Um trio de jazz ocupava o palco no grande salão de bailes, e o som potente das caixas acústicas tornava impossível conversar. Depois da transmissão ao vivo, Sesshoumaru continuava gravando os convidados. Não costumava fazer esse tipo de trabalho, mas o diretor da emissora pedira que mostrasse as celebridades locais.
Mais dez minutos e estaria livre para seguir seu caminho. Sua idéia original fora partir diretamente da recepção, mas os seguranças não tinham permitido que deixasse a motocicleta no estacionamento. O prefeito recebera ameaças anônimas e, para não ter de cancelar a festa, a segurança foi redobrada. Nenhum veículo havia estacionado a menos de duas quadras do clube e ninguém entrava sem convite.
Sesshoumaru fez outra tomada lenta dos convidados, virou-se para a porta, ajustou o foco das lentes e... Rin! E ela estava ao lado de Kohako Yamamoto.
Sesshoumaru congelou no lugar, atônito.
Eles olhavam ao redor do salão. Quando Kohako colocou a mão no braço dela, Rin fitou-o. Estavam próximos o bastante para se abraçar, para se beijar. Por que ela tivera de escolher justamente o vestido branco? Deus, estava mais linda que nunca! Ela disse algo e Kohako tocou-a nos ombros, inclinando-se para responder em seu ouvido.
Com o coração partido, abaixou a câmera e deu as costas para o casal. Em menos de uma semana de ausência, Rin já havia se recuperado. Aliás, parecia estar mais do que recuperada.
Seu único consolo era que ela seria feliz ao lado de Kohako Yamamoto, concluiu ao sair pela porta dos fundos, movendo-se como um autômato. Mal teve tempo de subir no furgão da emissora, e o veículo saiu em disparada.
— Vamos ver o que você conseguiu. — A jornalista acoplou a câmera a um monitor — Tenho de editar a matéria e quero que fique pronta antes da meia-noite. Amanhã é meu aniversário de casamento e não pretendo passar o dia trabalhando.
Sesshoumaru assistiu à reprodução sem registrar o que via. Porém, quando Rin e Kohako surgiram na tela do monitor, a repórter congelou a imagem com uma exclamação excitada.
— Esse não é o braço direito de Simon Harcourt? Acho que o nome dele é...
— Kohako Yamamoto. — O simples fato de pronunciar aquele nome fez com que Sesshoumaru apertasse o maxilar.
Enfim, tinha de pensar na felicidade de Rin. A repórter adiantou a gravação. Rin olhou ao redor da sala. Fitou Kohako, e se aproximou dele. Conversaram, ele chegou ainda mais perto, e a gravação acabou.
A repórter passou a tomar notas num bloco, enquanto Sesshoumaru olhava fixamente para o pequeno visor desligado. O que acabara de ver? Uma mulher com seu novo amante? Havia alguma coisa que não se encaixava...
— Posso rever a gravação?
A repórter não ergueu os olhos do bloco de notas ao assentir. Sesshoumaru sentou-se e voltou a fita. A câmera flagrara o casal antes mesmo que ele os notasse. Viu Kohako dar o convite para um dos seguranças à porta. Rin conversava com o outro, mas era impossível ouvir o que dizia.
Ele voltou a cena e se concentrou no movimento dos lábios dela. Não era perito em leitura labial, mas achou que Rin tinha dito seu nome. Viu mais uma vez, em câmera lenta, com zoom no rosto dela. A primeira palavra certamente era "onde", e as últimas definitivamente eram "Sesshoumaru" e "Taisho".
Sesshoumaru prendeu a respiração. Por que Rin procuraria por ele, se estava com Kohako? A menos que...
Observando com mais atenção, viu Rin tirar o cabelo dos olhos, e um raio de luz se refletiu da mão esquerda. Apertou o botão para parar a cena, mas a mão já estava fora de quadro. Voltou a fita esperando pelo brilho, e congelou a imagem.
Ela estava usando o anel... Rin usava o diamante que comprara para ela!
Na certa, havia encontrado a jóia no smoking...
As mãos dele tremiam ao rebobinar a fita mais uma vez. Procurou a imagem que continha o rosto de Rin e Kohako, e passou a analisar com mais atenção.
Kohako gostava dela, não havia dúvida sobre isso, mas a linguagem corporal não era característica de um amante. Mesmo quando tocava seus ombros, o gesto era amigável, e não íntimo.
E Rin... A julgar pela linguagem corporal, ela estava impaciente e aborrecida. Ela se aproximou de Kohako somente depois de ele ter dito alguma coisa. Obviamente, a música alta não permitia que escutasse. Kohako falara ao ouvido dela para suplantar o barulho da música, e não para sussurrar palavras doces. E quando ela sorriu, a mensagem era de gratidão.
Inconformado, assistiu à gravação seguidamente, espantado ao perceber sua incapacidade de compreender aquilo quando os vira chegar.
Rin provavelmente fora à festa com Kohako porque era a única pessoa conhecida que poderia ter um convite. Usava o vestido de que ele mais gostava e o anel de noivado. A mensagem era clara. Havia aceitado sua proposta de casamento, mesmo que ele não tivesse tido coragem de fazê-la. Apesar do que ele mesmo acreditava ser melhor para Rin, ela o queria. Para sempre, da mesma forma que ele a desejava. Desesperadamente.
Ela tinha ido à festa para procurá-lo, para dar-lhe aquela mensagem, e o que ele tinha feito?
Saíra do edifício.
O furgão sacolejou ao entrar no estacionamento da emissora. Mal parou, Sesshoumaru abriu a porta e saiu.
— Sesshoumaru — o motorista gritou — Boa sorte na Flórida! Dirija com cuidado.
Ele parou e virou para trás.
— Não vou para a Flórida. — Sorriu com alegria pela primeira vez em muitos dias — Vou para casa.
...
Rin estava exausta. Acima de tudo, sentia-se derrotada. Ela e Kohako haviam perdido Sesshoumaru por uma questão de minutos na festa do prefeito, mas tinham descoberto que ele deixara a moto na emissora.
Telefonara para o Canal 8, pedindo que dissessem a Sesshoumaru para não partir antes de falar com ela, enquanto Kohako seguia pelas ruas a toda a velocidade. Porém, ao chegarem, ele já tinha partido, sem receber sua mensagem.
Rin se recusou a chorar. Era um desapontamento, mas apenas temporário. Afinal, sabia para onde ele tinha ido. Calculou que ele levaria cerca de quatro dias para chegar à Flórida de moto.
Passava da meia-noite quando abriu a porta do apartamento, e foi diretamente para o telefone fazer uma reserva num vôo para Miami. A seguir, reservou um carro na locadora. Então, telefonou para Jakotsu. Ele atendeu com voz sonolenta.
— Está acordado? Sou eu, Rin.
— Chefe? — Jakotsu ficou alerta no mesmo instante — Qual é o problema?
— A partir de segunda-feira, vou tirar um mês de férias e você ficará no comando. Acha que consegue?
— Meu Deus, devo estar sonhando! Você também vai me dar um aumento?
— Por que não? Conversaremos melhor amanhã. Desculpe por tê-lo acordado.
— Pode me acordar sempre que quiser para me dar notícias como essa — Jakotsu riu — Você não vai se arrepender, chefe.
— Sim, eu sei.
Ela desligou e olhou para o relógio. Meia-noite e meia. Era muito tarde para telefonar para Miuga Madarame e perguntar se ele precisava de ajuda extra. Ligaria de manhã e...
A campainha tocou. Ela olhou para o relógio mais uma vez, imaginando que não vira corretamente a hora. Definitivamente passava da meia-noite. Conhecia apenas uma pessoa que ousava tocar a campainha tão tarde.
Caminhou devagar, tentando conter a onda de esperança. Respirou fundo e checou o olho mágico.
Era Sesshoumaru. Sentiu-se fraca de alívio. Tentando manter o controle, abriu a porta. Sesshoumaru parecia tão cansado quanto ela.
— Acho que você apanhou a mensagem que deixei na emissora, afinal — disse com cuidado.
Ele entrou, fazendo-a se lembrar de como era alto e forte. A presença dele parecia preencher todo o espaço.
— Posso dizer que recebi um tipo de mensagem.
Os olhos dele estavam sombrios, e ela desejou que ele sorrisse. Ele estava carregando... Varas de pescar?
— Vale a pena tentar algumas coisas de novo. Imaginei que, se você me deu uma segunda chance, posso fazer o mesmo com a pescaria.
Os olhares se encontraram e ela não teve certeza de quem fez o primeiro movimento, mas levou apenas uma fração de segundo para que caísse nos braços dele. Ele a beijou, e o eco das varas de pescar caindo no chão preencheu o ambiente.
Sesshoumaru riu, exultante de alívio e emoção, quando Rin correspondeu com intensidade. Ela ainda o desejava. Graças a Deus, ainda o amava! Estreitou-a de encontro ao peito e a apertou como se nunca mais fosse soltá-la. E não soltaria. Somente um tolo cometeria tamanho erro duas vezes.
— Como tem tanta certeza de que vou dar-lhe uma segunda chance, Sesshoumaru? — Rin murmurou antes de mordiscá-lo no lóbulo da orelha.
Ele riu. Como pudera pensar que seria capaz de viver sem ela?
— Se não tinha certeza antes, agora estou mais certo do que nunca. A menos que você beije todos os idiotas que planeja expulsar desse jeito. — Ele ergueu a mão dela para que o diamante refletisse a luz — Para dizer a verdade, o anel foi minha maior pista. Deve ter sido uma das poucas vezes na história que alguém aceita um pedido de casamento antes de ele ser formulado.
Rin sorriu, espantada com o fato de sentir-se tão bem, ao contrário de minutos atrás, quando estivera miseravelmente infeliz.
— Ah, o anel... Não é para menos que você esteja tão seguro.
— A verdade é que a única coisa da qual tenho certeza é que eu te amo. Você acha mesmo que posso lhe dar tudo que você precisa? — indagou com voz
baixa e intensa.
— Sim — Rin respondeu sem hesitar.
— Tem tanta certeza? — ele sussurrou.
— Nunca tive tanta certeza de nada em toda a minha vida. — Ela respirou fundo — Não espero que você pare de viajar a trabalho, e não poderei acompanhá-lo sempre, mas...
— Essa será a parte fácil — Sesshoumaru a interrompeu — Podemos lidar com nossas carreiras, Rin. — Ele parou, olhando para baixo antes de fitá-la de novo — É só que... você precisa saber que eu nunca serei da alta sociedade, Rin. Não tenho esse tipo de classe ou estilo...
— Você tem mais classe do que qualquer homem que já conheci — ela retrucou, indignada.
— Mesmo quando perco o controle e esmurro o nariz de alguém?
— Bem... — Ela sorriu — Ninguém é perfeito.
— Eu sou mais imperfeito do que a maioria — Sesshoumaru admitiu.
— Eu também não sou perfeita — Rin disse — Pelo menos você não quebrou o nariz de Fields.
Ele a encarou, tentando decifrar as palavras, e os olhos se estreitaram quando as compreendeu.
— Está tentando me dizer que você...
Rin assentiu.
— Três anos atrás. Ele me convidou para jantar, lembra-se?
— Sim. Você me disse. E achou que levá-la para jantar daria direito a muito mais do que a sua companhia.
Ela recuou um passo, se recostou na parede e cruzou os braços, como se tentasse bloquear a memória.
— Bem, Fields foi muito persistente. Não recuou quando eu disse que não queria ir para a cama com ele, e me senti ameaçada. Então, eu... Eu fechei a mão e acertei-o no nariz, do jeito que você me ensinou.
— O bastardo mereceu. Droga, se eu soubesse, teria batido com mais força. — Ele tentou sem sucesso esconder a risada.
— Não é engraçado, Sesshy. Achei que ele fosse mandá-lo para a cadeia.
— Uma noite atrás das grades não teria me matado. Já aconteceu antes.
Rin encarou-o, chocada.
— Você já foi preso?
— Vivo num mundo diferente do seu, Rin. Você escapou do meu mundo e se esqueceu de como é. No meu mundo há pessoas morando nas ruas, muita poluição e o sistema de educação é deteriorado, pois os pobres não conseguem pagar os impostos e os ricos não... — Ele meneou a cabeça — Acho que o que estou tentando dizer é que sou um homem do povo.
— E daí?
— Sei o que é importante para você. Sei que quer fazer parte de um clube de elite e...
— Quem disse isso? — Rin o encarava como se ele tivesse enlouquecido.
— Você — ele afirmou.
— Eu não disse! – ela exclamou indignada.
— Disse, sim. Estávamos no colegial.
Rin começou a rir.
— No colegial, eu também queria me alistar na Força Aérea — relembrou-o — E não se esqueça que eu tinha planos de ser adestradora de cães e pretendia pegar a estrada com um circo canino. — Sorriu, deleitada — Você se esqueceu da briga que tive com minha mãe porque eu queria cortar os cabelos e tingir as pontas de azul? Acredite, não quero mais nada disso. Quero você!
Sesshoumaru abraçou-a e beijou-a mais uma vez.
— Eu amo você. — Afastou o rosto para encará-la — Não quero que cometa um erro do qual possa se arrepender.
— Poderia dizer o mesmo para você. — A expressão dela se tornou séria — Tem certeza de que está preparado para se acomodar e assumir compromisso com uma só pessoa?
— Eu quero comprar uma casa com você — Sesshoumaru mergulhou os dedos nos cabelos negros — Uma grande casa com um jardim... Melhor ainda, vou comprar uma chácara para ter alguns cavalos e um grande cachorro. E então, dentro de alguns anos, um pônei ou dois para as crianças...
— Crianças... — Rin repetiu, encantada.
— Quero você comigo pelo resto da vida, Rin. Quero usar uma aliança no dedo que diga ao mundo que você é a dona do meu coração. Quero ter filhos com você, muitos filhos com seus belos olhos...
— E o seu sorriso — ela sussurrou — Espero que eles tenham o seu sorriso, Sesshy.
Sesshoumaru ajoelhou-se diante dela.
— Case-se comigo, Rin.
— Você já tem a minha resposta — ela disse suavemente.
— Mas quero ouvi-la dizer. Quero fazer tudo do jeito certo.
Rin se lembraria daquele momento para sempre, percebeu, olhando para o rosto lindo e familiar.
— Sim. Quero me casar com você.
Sesshoumaru sorriu e a felicidade transbordou dos olhos dele.
— Bom... Muito bom — disse, mais para si mesmo do que para ela.
Levantou-se e deu-lhe um beijo doce e lento que a fez tremer. Pegou-a pela mão e a conduziu pelo corredor até o quarto. Parou no meio do caminho e praguejou baixinho.
— Tenho de ir para a Flórida. Assumi um compromisso, e não posso deixar de ir.
Ela envolveu-o pelo pescoço e beijou-o.
— Mas não tem de ir hoje, não é?
Embora ele estivesse seriamente distraído pelos lábios macios, conseguiu se concentrar para responder:
— Tenho de estar lá na terça-feira de manhã. Se eu for de moto... — Ela beijou-o com mais intensidade, fazendo-o gemer — Eu não quero ir.
— Deixe a moto aqui — Rin murmurou, percorrendo o pescoço dele com a boca — Vá de avião para a Flórida. Ainda há lugares vazios no vôo de segunda-feira. É quando eu vou.
Ele correspondeu ao beijo apaixonado de Rin até que compreendeu o significado daquelas palavras.
— Quando você o quê?
— Vou. — Ela sorriu — Para a Flórida. Ficar com você.
Sesshoumaru fitou-a, maravilhado. Ela o amava. O bastante para segui-lo pelo país. Havia reservado esse vôo mesmo ele tendo ido embora, mesmo ele tendo fingido que não a queria mais. Ele a magoara e ainda assim ela conseguira enxergar seus verdadeiros sentimentos. E nesse tempo todo acreditara que ele era o especialista em linguagem corporal.
— Case-se comigo amanhã, Rin. Podemos ir a Las Vegas e...
— Não podemos nos casar na Flórida? — ela perguntou — Então, minha mãe poderá estar presente. Ela vai ficar feliz.
Sesshoumaru franziu o cenho.
— Tem certeza de que ela me perdoou por aquele anzol no seu pé?
— Se ela não perdoou, sussurre a palavra "netos" e veja como vai conquistá-la logo.
Ele sorriu.
— Você pode me dizer por que diabos ainda estamos parados aqui, conversando?
— Para um homem que conhece tanto a linguagem corporal, você fala demais — ela provocou.
Sesshoumaru carregou-a nos braços e a colocou sobre a cama. Então, sem dizer mais nada, ele demonstrou claramente o quanto a amava.
FIM
É galera, a fict/adaptação chegou ao fim!
Infelizmente esse não tem epílogo...
E como prometido: o nome do livro original é "Body Language" e nos foi traduzido como "Mais que Confidente", e é da autora Suzanne Brockmann.
Caso tenham a curiosidade de lê-lo, o tenho em e-book, me deixem o email que lhes encaminho!
Agradecimentos especiais para: sandramonte, Chelsea de Aguia, Isis Silvermoon e zisis: ADOREI A REVIEW DE VCS MENINAS! MUITO OBRIGADA POR TEREM COMENTADO COM TANTA REGULARIDADE! REALMENTE FIQUEI SUPER FELIZ COM AS REVIEWS DE VCS!
Não sei qdo voltarei a postar alguma fict ou adaptação, como já disse, estou estudando pra 2ª fase da OAB, assim q a prova passar, acredito que ficará mais tranqüilo pra eu me dedicar à "Rin é um Gênio" ou à alguma outra adaptação desse casal que eu AMO: Sesshy & Rin.
Ficarei imensamente grata e feliz se me deixarem algum review, gostaria de saber oq acharam do final e da fict como um todo! ;-)
Bom...era isso...
Bjus!
=)
