Segundo e último capítulo. Ficou meio grandinho, mas, novamente, não tinha como separar... Espero que gostem. Boa leitura!
Sanidade
Nenhum dos dois comentou algo sobre o acontecimento. Scott podia até não admitir, mas tinha passado a sentir mais ciúmes do irmão, sem reparar ao certo quando começou a observá-lo de maneira diferenciada. Por isso não gostou nada nada de ver Casey namorando, mesmo que tivesse as próprias. Foi cerca de um ano. Adorou saber que eles terminaram. Mas isso era um pouco (pouco?) de egoísmo do escocês, pois ele, mais do que ninguém, via o quanto o loiro ficara... pensativo depois do término. Dividiam o quarto, não era por menos! E estava com o galês desde que ele era um bebê babão.
- Hey, já faz três dias. Não fique assim.
O ruivo saía o banho, secando os cabelos com uma toalha, encontrando o irmão a olhar para o nada com certa melancolia, enquanto esperava sua vez de usar o banheiro. Casey piscou os olhos duas vezes, direcionando-os para o escocês, fitando seus movimentos. Após deixar a toalha molhada no encosto de uma cadeira, Scott aproximou-se da cama, sentando-se ao lado do mais novo e percorrendo-lhe os ombros com um dos braços.
- Foi bastante tempo, mas não vale à pena... – Revirou os olhos, achando que não tinha moral para falar aquilo. Quem vivia trocando de namorada? – Não fique triste, só isso.
- Não estou triste! É só... Digo, só estou pensativo – fechou os olhos, virando o corpo para envolver o do irmão com os braços.
- Pensando em quê? – Scott franziu o cenho, pensando que devia ser alguma bobagem.
- Ela disse que, apesar do tempo que estávamos juntos, não a amava. Então fico pensando no que é o amor...
- Não pense em bobagens – bateu de leve na testa do outro.
- Ouch. Mas você sabe, Scott?
Mesmo com vinte anos, o escocês não achava que sabia explicar aquele sentimento. Mas queria tentar animar um pouco o menor, levantando o olhar e respondendo com certo constrangimento:
- Vontade de proteger, acho. Querer estar perto... Sentir atração.
Franziu o cenho, fitando o teto. Protegia seus irmãos, mas era mais próximo de Casey do que de muitos. E admitia – apenas para si mesmo – que queria beijá-lo novamente. Aquilo estava certo?
- Talvez tenha razão.
Confortou-se contra o tórax do maior, sentindo-se melhor ali. Talvez não soubesse o que era amar alguém como tanto mostravam em livros e filmes. As bochechas do escocês ganharam um tom rubro e ele acabou por pousar as mãos nos ombros do galês, afastando-o um pouco de si, recebendo um olhar interrogativo como resposta. Scott nada disse, inclinando o corpo para prender a bochecha dele suavemente entre os dentes, beijando-o na bochecha em seguida, roçando os lábios pela pele até alcançar-lhe os lábios. De início, o galês arregalou os olhos em surpresa, mas não é como se fosse desagradável. Esqueceu-se da ex e da namorada do irmão, abraçando-o ao retribuir o gesto.
Aos poucos, o beijo foi se intensificando, as línguas massageando-se e empurrando-se, como em uma pequena batalha particular. Não repararam quando os corpos foram em direção ao colchão, acomodando-se ali enquanto se buscavam. Scott ameaçou colocar a mão dentro do tecido da camisa do outro, mas... Não deu tempo.
- Scott, Casey, o jantar está pronto!
A voz de Arthur o assustou, fazendo com que se sentasse de uma vez na cama, praguejando ao passar os dedos pelos fios úmidos. Merda! Não podia abusar de seu irmão – mesmo não tendo laços sanguíneos, foram criados juntos! E ele tinha só dezesseis anos!
Mas, apesar de saber disso, a vontade predominante de Scott era a de espancar Arthur. A parte que aliviava a ambos era o fato da porta estar trancada.
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- Scott, você não tinha um encontro agora?
- Tinha – bocejou. – Não tenho mais.
- Se continuar faltando assim, ela vai terminar com você – disse calmamente, quase em tom de brincadeira, voltando a prestar atenção no caderno.
- Já terminamos – retrucou com descaso.
- O quê? – virou-se de frente para o maior, surpreso. – Quando?
- Ontem. Ela disse que não precisava de um namorado que a troca pela família, hn – fez uma careta.
- Puxa... Eu... Sinto muito – desconsertou-se, sem saber o que dizer.
- Não sinta. Era bonitinha e talz, mas se abria a boca era um inferno!
Casey tentou, mas precisou levar uma das mãos à boca para reprimir o riso.
- Devia achar alguém que goste, não teria esses problemas!
Disse como se fosse algo óbvio, voltando a atenção aos estudos, concentrando-se e acabando por não perceber um par de olhos verdes pousados em suas costas. O escocês levantou-se silenciosamente da cama, aproximando-se do galês em passos leves, apoiando as mãos nos braços da cadeira em que ele estava sentado, levando os lábios para perto do ouvido dele, sussurrando:
- E se eu falasse que gosto de você?
As bochechas do loiro coraram, mas logo ele deixou um pequeno riso escapar.
- Não brinque.
O ruivo arqueou uma das sobrancelhas, dando um impulso para fazer a cadeira girar, fazendo o menor ficar de frente para ele, fitando-o sério.
- Não estou brincando.
- Scott...
Não esperou mais. Levou uma das mãos atrás da cabeça do outro, segurando com força os fios loiros que agora cobriam a nuca do galês, obrigando-o a levantar a cabeça, selando os lábios com ardor. No susto, o mais novo deixou a lapiseira cair, mas em seguida envolvendo o pescoço do maior com os braços, este aproveitando para segurar-lhe pela cintura e guiá-lo até a cama, fazendo com que caísse ali. Dane-se a criação e a idade! Se Casey estava aceitando, ia sim abusar dele. Ajoelhou-se por cima, retirando a própria blusa e jogando-a de qualquer jeito para o lado, arqueando uma das sobrancelhas pela maneira que era fitado pelo loiro.
- Pervertido – disse o escocês.
- Olha quem fala!
- Como se eu ligasse, hm.
Após retrucar, voltou a tomar os lábios do mais novo, desabotoando a camisa que ele usava. Com espaço livre, deixou os lábios para traçar um caminho de beijos pelo pescoço dele, intercalando com algumas mordidas, tendo os cabelos puxados como resposta, além de alguns sons abafados dos lábios avermelhados. Scott franziu o cenho ao reparar que era o próprio Casey quem continha os gemidos.
- Pare com isso, eu quero te ouvir.
Sussurrou para o menor, encostando a testa na dele, descendo as mãos por sua cintura, pressionando os corpos. A face do galês se avermelhou e a voz dele soou abafada:
- E se o Arthur ouvir? Ele está com um coleguinha lá na sala.
Scott revirou os olhos.
- A porta está trancada e eles estão vendo filme e têm pipoca. E não, o filme não é de terror, se não o Alfred ia morrer de gritar... Apesar de que eu não ligo para aqueles pirralhos mimados!
Casey sorriu de canto, entrelaçando os dedos atrás da nuca do outro.
- Você quem está parecendo um pirralho mimado.
- Idiota.
Scott puxou os fios claros, sugando a pele do pescoço de Casey, que afundava os dedos nos cabelos ruivos ao mesmo tempo em que colocava as pernas ao lado da cintura dele. Com a mão livre, o escocês segurou firmemente uma das coxas do galês, colando os corpos. O ruivo escondeu a face no pescoço do menor, enquanto este não teve como abafar um gemido, saindo um pouco mais alto que os outros, principalmente ao ter as costas arranhadas. Sem perceber, Casey fazia movimentos sugestivos com o corpo, em busca de maior contato com o irmão de criação, arrancando deste um sorriso malicioso:
- Que tal chamar o meu nome, Casey?
- A-ah...!
Tentou fitar o maior, sem sucesso. Scott tinha inclinado o corpo para alcançar o tórax do loiro, mordiscando e sugando-lhe um dos mamilos, enrijecendo-os com o toque. Casey apertou os lábios, arqueando as costas.
- S-scott...!
- Algum pedido, Casey? – sorriu de canto, percorrendo a face dele com as pontas dos dedos.
- S-se for fazer isso, faça de uma vez...!
- Claro, claro.
Segurou a vontade de rir, selando de leve os lábios, percorrendo o quadril do outro com um dos braços, usando a mão livre para adentrar as roupas dele, pressionando seu baixo-ventre enquanto se livrava delas lentamente – queria torturar o menor, massageando-lhe a região íntima. Após jogar as peças para o lado, ergueu o próprio quadril para retirar o restante das próprias. Scott abraçou o loiro pela cintura, fazendo com que ambos se sentassem sobre o colchão. O ruivo mordiscava o lóbulo da orelha do galês, fazendo-o estremecer, enquanto usava as pontas dos dedos para acariciar-lhe o tórax. As faces voltaram a se aproximar, as respirações descompassadas se mesclando e os lábios se buscaram, iniciando um beijo voraz e urgente, como se precisassem disso há muito.
Casey apoiou os joelhos no colchão, sentindo sua cintura ser erguida pelo ruivo, obrigando-os a quebrar o beijo. O mais novo passou os braços pelo pescoço do outro, prendendo-o contra si firmemente, deixando que ele guiasse seus movimentos. Scott não pensava nas consequências e agora era impossível parar: ou tudo ou nada. Ajudou o menor a se ajeitar contra seu colo, iniciando a penetração lentamente. Mas apesar desse "cuidado", um alto gemido de dor escapou dos lábios do galês, fazendo com que ele afundasse o rosto na curva do pescoço do ruivo para abafar o som, mordendo a pele com força, arrancando um grunhido do mais velho. Provavelmente devia ter ido mais devagar ou feito alguma preparação, pensou Scott, mas já era tarde e não sabia ao certo. Nunca tinha feito nada com um homem!
Esperando um tempo para que o galês se acostumasse, abraçou-o carinhosamente, beijando-lhe a face para fazê-lo relaxar, deixando que ele apertasse os dedos contra seus ombros e as pernas em sua cintura. Após respirar fundo várias vezes, conseguiu se acostumar um pouco com o maior dentro de si, parando ao menos de contrair os músculos. Não ficaria surpreso se visse manchas de sangue no lençol... Mas não pensava nisso, apertando os olhos.
Assim que o menor desfez aquela expressão dolorida, o escocês inclinou o próprio corpo, brincando com o lóbulo da orelha do menor enquanto começava a investir o quadril contra o dele em um vai e vem inicialmente lento, aumentando a velocidade aos poucos, atingindo um ponto que o galês também sentisse prazer. Não demorou muito, logo gemidos de prazer invadiram o quarto – que ficava mais quente e abafado. Scott entreabriu os olhos para verificar a face do irmão, sentindo-se satisfeito, mordendo-lhe carinhosamente a bochecha, segurando-lhe a cintura para auxiliar os movimentos. Casey, em resposta, segurava os fios avermelhados, jogando a cabeça para trás em êxtase.
Não havia espaço para fala. As únicas palavras que escapavam eram nomes – um do outro. Deixavam que o ato falasse por si, os corpos parecendo febris de tão quentes. Scott foi o primeiro a atingir ao ápice do prazer, preenchendo o menor, que momentos depois também o atingiu, fincando as unhas na pele do ruivo, estremecendo e entreabrindo os olhos nublados, apoiando a face no ombro do maior, ofegante.
- A-Acho que precisamos de um banho agora, Scott...
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Assim que o casal Kirkland adentrou a casa com Peter, Casey e Scott saíram pela mesma porta, falando que iam comer algo na rua. Era melhor, pois seria no mínimo suspeito ambos estarem utilizando blusas de mangas e gola dentro de casa sem um motivo especial. Tudo bem que foram apenas em um restaurante japonês, mas era melhor do que enfrentar perguntas, ainda mais depois de Arthur ter perguntado aos irmãos o que eram aqueles barulhos estranhos no quarto.
- O que vai querer, Casey?
- Não sei ainda. Por mim, qualquer coisa está boa.
Estavam observando o cardápio lado a lado, procurando algum prato, até que ouviram duas vozes:
- Olá! Este lugar está ocupado?
- Se não estiver, podemos nos sentar?
- Claro, fiquem à vontade.
Casey respondeu antes que Scott cortasse os irmãos – ao menos pareciam ser pelas feições e o fato de ambos terem cabelos castanhos e olhos verdes. A garota agradeceu, acomodando-se em frente ao escocês, enquanto o rapaz ficou em frente ao loiro, piscando os olhos ao observá-lo. O galês sentiu-se um pouco incomodado, ficando melhor quando o outro indagou:
- Tem alguma sugestão? Não conheço muito a culinária japonesa.
- Bem, também não me decidi, mas tem várias coisas boas. Aqui o cardápio para dar uma olhada.
A garota falava alguma coisa com Scott, mas este não prestava atenção, o olhar preso naquele serzinho que (na visão do escocês) dava em cima de Casey.
- Obrigado! Vou dar uma olhada.
Uma veia saltou da testa do ruivo. Para pegar aquele maldito cardápio não precisava tocar nas mãos do seu irmão. Sem avisar ou pensar, passou um dos braços pelos ombros do mais novo. O rapaz, alheio ao casal, não entendeu, enquanto a garota que o acompanhava ficou maravilhada, os olhos brilhando.
- V-vocês são namorados?
Casey abriu a boca para responder, mas o outro foi mais rápido.
- Somos.
- Kya! Sabia!
O jantar teria sido normal se não fosse uma garota surtando. Mas tudo correu tranquilamente e Scott conseguiu fazer aquele húngaro idiota dar em cima do seu irmão. Parou o carro em frente à porta de casa, acendendo um cigarro despreocupadamente, soltando a fumaça para o lado de fora – sabia que o galês não aprovava muito aquele vício -, já mais calmo. O loiro, por sua vez, não disse nada, apenas observava de esguelha o mais velho, mantendo uma postura retraída, um pouco preocupada, o que causou estranhamento ao ruivo.
- Ei, Scott?
- Hm?
- Era sério aquilo?
-... Aquilo o quê?
- Sobre sermos... namorados.
O escocês ficou com o cigarro pendente entre os lábios, parecendo pensativo. Tomou-o entre o indicador e o médio, virando o rosto para o lado contrário e soltando a fumaça lentamente, disfarçando o constrangimento, mas deixando o galês apreensivo.
- Era.
Finalmente respondeu, sem se atrever a fitar o loiro, ouvindo o barulho típico de quando tiravam o cinto de segurança, o que fez o ruivo imaginar que ouviria um "não olhe na minha cara" ou apenas seria socado ou estapeado... Não seria muito legal apanhar do galês, mas não iria reclamar. Ao contrário do que imaginava, teve a face segurada e os lábios selados. Gosto de nicotina e hortelã. Quando afastou os lábios, interrompendo aquele beijo brando, Casey apoiou a testa contra a do maior, murmurando:
- Eu amo você, Scott.
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- Não estão com calor com essas roupas, queridos? – a mãe indagava ao ver os filhos entrando, preocupada.
- Mãe... Er.
- Pode falar, Casey.
- Então. Eu arrumei um namorado...
A sra. Kirkland parou por um momento, assimilando a frase. Era no masculino mesmo?
- Namorado? E quem é?
O loiro abaixou a cabeça e o ruivo ergueu as mãos dadas, fazendo uma breve reverência.
- Muito prazer.
A mãe não soube o que fazer por um minuto, deixando os rapazes com certo medo de serem expulsos de casa ou qualquer coisa do tipo. Mas ela fez somente o que uma mãe faria:
- Hora de termos uma conversa séria, Casey – levantou o tom, chamando. – Querido! Traga uma cenoura!
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- Ah, nosso pequeno Arthur está crescendo. Como será que se saiu esta tarde?
Já era noite de verão. Peter já tinha corrido para dentro de casa, deixando Casey e Scott sozinhos no carro. O ruivo acendeu um cigarro, respondendo com descaso:
- Aposto que foi um frouxo. Ele ainda grita quando nos vê juntos.
O galês suspirou.
- Mas ele tem razão quando fala que a mesa não é uma cama.
- E a piscina.
- E a cozinha.
Suspiraram juntos, não conseguiam evitar. Mas a culpa não era deles, mesmo que se empolgassem demais. Arthur quem tinha o dom de encontrá-los nas horas mais impróprias – apesar de ser engraçado para eles -, e a prova disso era que na faculdade ninguém nunca os via. O escocês deu de ombros, apagando o cigarro no cinzeiro, soltando o cinto e apoiando uma das mãos na coxa do galês, sorrindo maliciosamente e se inclinando na direção dele, beijando-lhe próximo a orelha.
- O que acha de tentarmos aqui?
- Tem certeza? Já fizemos aqui também...
O ruivo riu, mordiscando o lóbulo da orelha do menor, sussurrando provocativamente, fazendo Casey corar:
- Nada impede de tentarmos um novo... jeito.
- Pervertido.
- Você não pode falar nada, idiota. Mas eu também te amo.
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E então? O que acharam? :3
Espero que tenham gostado. O resto fica pela imaginação de vocês.
Obrigada a todos que acompanharam, não só esta fic, mas também Insanidade!
Até a próxima~ Beijos.
