Lynne Graham
Adaptação.
Personagens pertencentes a Lynne Grahame Stephenie Meyer
Historia pertence a Lynne Graham.
Capítulo 5
― Não foi para tanto! ― defendeu-se Bella incorporando-se, apoiando-se nos travesseiros e cobrindo-se com o lençol.
― Como não? ― exclamou Edward.
― Foi uma simples mentira...
― Uma simples mentira? ― repetiu Edward ficando em pé. ― Eu disse que não a tocaria se fosse virgem e você mentiu. Enganou-me e isso não foi bom, não foi justo.
― Eu decidi assim e deve respeitar minha escolha ― insistiu Bella.
― Se tivesse me dito que era virgem, eu teria decidido não tirar sua inocência. Acabo de trair meus princípios ― respondeu Edward entrando no closet, pegando roupa limpa e entrando no banheiro.
Bella ouviu a água correr e sentiu uma horrível vontade de chorar. O castigo para sua mentira tinha chegado mais rapidamente do que ela temia.
Tinha entregado sua virgindade a um homem que não a amava e que não parecia apreciar o fato de que a tivesse dado porque o julgasse especial.
Acaso era especial de verdade?
Bella necessitava desesperadamente que Edward a consolasse, que se mostrasse amável e afetuoso com ela e, em lugar de fazer isso, ele estava se comportando com ela como se tivesse cometido o pior dos crimes.
Era verdade que tinha mentido, mas jamais o faria. Nessa ocasião, a idéia de perdê-lo, de não fazer amor com ele lhe tinha nublado a razão e lhe tinha feito faltar à verdade.
Edward voltou a aparecer, ainda mais bonito que antes, embelezado com um lindo terno cinza sob medida e Bella se apressou em desviar o olhar.
― Me perdoe por mentir, mas não pensava no que fazia ― desculpou-se em voz baixa. ― Não devia ter mentido.
Em Edward produziu uma imensa admiração que Bella fosse uma pessoa que pedisse desculpas tão cedo, pois isso significava que era uma boa pessoa. Entretanto, se tal e como ele queria, passasse a fazer parte de sua vida, precisava aprender a lição e ter muito claro que ele não tolerava mentiras em sua casa.
― As mentiras minam a confiança ― comentou. ― Como vou poder confiar em você agora?
― Talvez nada disto tivesse ocorrido... ― lamentou-se Bella com pesar.
― Não somos crianças, Isabella. Aconteceu o que queríamos que acontecesse.
― Isto foi a coisa mais estúpida que fiz em minha vida!
― Não foi muito inteligente nem da sua parte nem da minha, mas o que a simples vista pode parecer um erro pode transformar-se em algo positivo.
― Não sei como... ― respondeu Bella enrolando um lençol no corpo e levantando-se da cama.
Teria gostado de poder fechar os olhos e desaparecer. Por que demônios não se foi enquanto Edward estava no banho? Estava tão envergonhada pelo ocorrido que, enquanto recolhia sua roupa, não se atrevia nem a olhá-lo. Como tinha tido coragem de se deitar com um desconhecido? Aquele comportamento não era próprio dela.
A impressionante intensidade de suas emoções e a atração sexual tinham destroçado o respeito que deveria ter sentido por si mesma.
Ao Edward tinha bastado olhando-a e tocando-a para lhe fazer perder o sentido comum e o controle. Como negar que sentia algo por ele? Teria se apaixonado? A verdade era que não tinha podido deixar de pensar nele desde que se conheceram, mas isso não era desculpa para o que acabava de acontecer.
― Espere... ― disse Edward agarrando-a.
― Tenho que voltar ao trabalho.
― Não ― disse Edward sentando-a em uma cadeira. ― Me escute. Agora somos amantes.
― Não preciso que me recorde isso! ― exclamou Bella aflita.
― Tampouco não precisa ficar assim. O que aconteceu entre nós não é para tanto.
― Fico como me dá a vontade ― interrompeu-o Bella.
― Pense que isto poderia ser o começo de uma nova vida para você.
― De que está falando?
― Obviamente, depois do ocorrido, não pode continuar trabalhando aqui, mas não quero que volte para a casa de seu pai. A partir de agora, eu me faço responsável por você.
― Não entendo.
― Estou lhe propondo que se vista, que suba no carro comigo e que não olhe para trás.
Bella o olhou atônita.
― Está me pedindo que vá com você?
― Estou lhe pedindo que seja minha amante.
Bella não podia acreditar no que estava escutando.
― Mas...
― Me escute antes de responder. Tenho uma casa em Londres em que poderia viver no momento. Quando tiver encontrado uma que goste, a comprarei para você e me farei responsável de todos os seus gastos.
Bella compreendeu o que ele lhe estava oferecendo e a surpresa e a fúria se apoderaram dela.
― Não me respeita absolutamente, não é verdade? É porque sou uma faxineira ou porque me deitei com você sem pensar duas vezes?
Edward a olhou desconcertado.
― O respeito não tem nada que ver com tudo isto...
― Já me dei conta! Comportei-me como uma estúpida, mas isso não quer dizer que esteja disposta a me converter em uma vadia.
― Não é isso o que eu lhe proponho. O que quero é que passe a fazer parte de minha vida.
― Não acredito! ― exclamou Bella com lágrimas nos olhos. ― O que acontece é que não acha que eu seja digna de nada melhor e me reserva para a cama. Muito bem. Isso não importa, mas o que não entendo é que tenha se rebaixado a me tocar se me tem em tão pouca estima.
Cega pelas lágrimas, recolheu sua roupa, entrou no banheiro, limpou-se no bidê e se vestiu a toda velocidade.
Como Edward tinha se atrevido a lhe propor semelhante coisa? Aquela oferta tinha sido horrivelmente humilhante. Claro que, o que esperava? Ter uma relação de igual para igual com um príncipe quando suas vidas não tinham nada em comum?
Não deveria ter se deitado com ele.
Teria gostado de poder reviver o maravilhoso momento de união que se produziu entre eles antes que tudo se estragasse, mas era impossível.
Bella tomou ar e, ao abrir a porta, encontrou Edward passeando pelo quarto com expressão grave no rosto.
Quando ele ficou a sós, seu intelecto havia tornado a reagir e a fria lógica se deu procuração de sua mente. Sua existência perfeitamente orquestrada e racional saiu dos trilhos.
Edward era um homem disciplinado e não estava acostumado a equivocar-se, mas devia admitir que se comportou sem escrúpulos. Acaso inteirar-se de que Tanya se casou o tinha afetado mais do que acreditava?
É obvio, a sugestão de Victoria de que Bella mantinha relações com outros homens lhe tinha caído muito bem para acreditar que era mais fácil e para julgar seu desejo por ela mais aceitável.
Agora que podia pensar de novo com clareza, dava-se conta de que nada, absolutamente nada, podia desculpar o fato de que se deitou com uma empregada.
Em lugar de ajudar uma jovem que estava passando por um momento espantoso em sua vida, aproveitou-se dela, tinha traído sua confiança e se comportou muito mal.
Era responsável pelo dano que tinha causado a Bella e agora se dava conta de que lhe propor que se convertesse em sua amante tinha sido ainda pior.
Sentia-se envergonhado por seu comportamento e sabia perfeitamente o que tinha que fazer.
― Isabella, eu gostaria de falar com você ― disse-lhe ao vê-la aparecer.
Bella não queria nem olhá-lo, estava conseguindo manter a compostura com muita dificuldade e não queria chorar diante dele.
― Não é preciso que diga nada mais. Suponho que o aliviará saber que não vou continuar trabalhando no castelo e que vou embora de Volturi.
― Não, me dizer isso não me alivia absolutamente. Aonde vai? ― perguntou Edward franzindo o cenho.
― Tenho planos.
― Os planos não são suficientes. Não permita que o que aconteceu entre nós a faça tomar uma decisão equivocada. Não está passando por um bom momento e eu não tenho feito mais que lhe complicar as coisas.
― A verdade é que estava bem até ter me proposto que ganhasse a vida como uma prostituta! ― exclamou Bella deixando-se levar pelo orgulho ferido.
― Não vou me defender dessa acusação ― admitiu Edward. ― Jamais deveria ter dito nada parecido.
Que ele lhe pedisse perdão com tanta facilidade comoveu Bella, que terminou de vestir-se e decidiu sair dali o quanto antes.
― Bom, já não temos nada mais que nos dizer ― murmurou indo para a porta.
― Equivoca-se. Devo-lhe uma explicação. Quero que entenda meu comportamento.
― Não.
― Por favor...
Ao ouvir aquela palavra dos lábios de Edward, Bella sentiu lágrimas nos olhos. Era óbvio que Edward se arrependia do que tinha acontecido entre eles e aquilo doeu em Bella ainda mais que a terrível proposta de converter-se em sua amante.
Ao olhá-lo de relance, voltou a maravilhar-se de sua beleza masculina e recordou o roçar de sua pele enquanto faziam amor.
― Vou pedir que nos tragam café ― anunciou Edward.
― Não, por favor, prefiro que terminemos o quanto antes com isto.
Edward ficou olhando-a aborrecido.
― Eu não gosto de ver você assim. Ou melhor, as coisas não foram bem entre nós porque ambos estávamos com a cabeça em outro lugar, pensando em outras coisas.
― Em outras coisas? ― disse Bella.
― Sim, você em seu pai, que te bateu e eu... E eu também tinha motivos para estar pensando em outras coisas porque esta manhã me inteirei que uma mulher que era importante para mim se casou com outro homem.
Bella sentiu que o sangue lhe gelava nas veias, baixou o olhar e pensou que aquilo era como se Edward lhe acabasse de cravar uma faca no coração.
Uma mulher que era importante para ele.
Obviamente, estava falando de uma mulher por quem estava apaixonado. A Bella parecia inconcebível que o príncipe Edward se apaixonasse por uma mulher que o tivesse rejeitado.
Mas isso era o que ele lhe acabava de contar e o fato era que estava apaixonado por outra mulher, que seu coração pertencia a outra.
Bella sentiu que lhe rasgava a alma ao compreender que Edward estava apaixonado por outra mulher e que, como não podia tê-la, deitou-se com ela, que não tinha sido para ele mais que uma distração, o prêmio de consolação.
Aquilo a fez sentir-se magoada e humilhada.
― Como ela se chama?
Aquela pergunta pegou Edward de surpresa.
― Tanya...
― Não precisava ter me falado dela ― disse Bella.
De fato, teria preferido que não o tivesse feito porque, ao lhe contar a verdade, tinha afetado sua dignidade e a tinha enchido de vazio e de angústia.
― Sim, eu precisava. Não estou acostumado a me comportar como o tenho feito hoje. Aproveitei-me de você e quero recompensá-la por isso. Só me ocorre uma maneira de fazê-lo.
― O que está feito, feito está.
― Se case comigo ― murmurou Edward.
Bella esteve a ponto de estourar em gargalhadas, mas tinha ficado tão surpresa, que não conseguiu articular palavra.
― Está louco... ― disse por fim.
― Não, não estou. Vivemos em uma comunidade que não é muito liberal e você cresceu em uma casa em que o sexo fora do casamento é completamente inaceitável. Entendo perfeitamente que esteja magoada pelo que passou entre nós hoje e tem direito de estar. Aproveitei-me de sua confiança e de sua vulnerabilidade e não me orgulho absolutamente disso.
― Mas, pedir que me case com você...
Bella estava completamente aniquilada ante a mudança de atitude de Edward. Agora compreendia por que a tinha tratado com tanto carinho na cama. Obviamente, estava pensando em Tanya.
― Por que não? Algum dia terei que me casar com alguém.
― Sim, mas não acredito que queira fazê-lo com uma qualquer ― respondeu Bella.
― Você é bonita.
Bella se sentiu mal, pareceu-lhe uma ignomínia que a apreciasse somente por seus encantos físicos, mas não devia esquecer que, obviamente, isso era a única coisa que o tinha atraído nela.
Em todo caso, se lhe houvesse dito a verdade, se tivesse confessado que era virgem, Edward jamais teria feito amor com ela, assim de nada servia jogar toda a culpa nele porque ela também tinha sua parte de responsabilidade no ocorrido.
Edward estava pedindo que se casasse com ele porque se sentia culpado e ela não estava disposta a ser tão indecente para aceitar uma proposta tão importante naquelas condições.
― O melhor será que nos esqueçamos de tudo isto ― disse-lhe. ― Não me deve nada. Não o culpo por nada. Não é preciso que proponha que me case com você.
― Claro que é preciso ― insistiu Edward.
― Obrigada pela oferta. Não quero parecer mal educada, mas acredito que não é difícil de entender que não quero me casar com um homem que não me ama.
― É sua última palavra?
― Sim ― respondeu Bella. ― Posso ir agora?
― Faça o que quiser ― respondeu Edward.
Ato seguido, Bella saiu a toda velocidade de seu quarto e Edward ficou ali, de pé, confuso. Nem por um segundo tinha lhe passado pela cabeça que Bella fosse recusar sua proposta.
Agora, a única coisa que podia pensar era em que jamais voltaria a tê-la em sua cama.
Bella acabava de sair da galeria quando se encontrou com Angela.
― Onde se meteu? Estou procurando-a já há um bom momento ― disse-lhe sua amiga. ― Pelo visto, desapareceu uma jóia e estão nos fazendo abrir os armários de todos.
Bella seguiu Angela até os porões, onde ficava os armários do pessoal de limpeza e, enquanto a senhora Stanley, a chefe do pessoal de limpeza, abria um depois do outro, não podia deixar de pensar em Edward.
O que teria acontecido se tivesse aceitado sua proposta? De verdade teria se casado com ela? Não parecia muito próprio de um príncipe pedir algo que não estava disposto a cumprir. Então, teria se convertido em uma princesa? Teriam sido felizes? Ele teria esquecido de Tanya e teria terminado apaixonando-se por ela?
― Isabella, poderíamos conversar? ― disse-lhe a senhora Stanley depois do registro.
Continuando, enquanto Bella seguia à chefe a seu escritório, fez-se um incômodo silêncio.
― Encontraram isto em seu armário ― disse a senhora Stanley lhe mostrando um impressionante diamante.
― Isso é impossível... ― respondeu Bella olhando a jóia, que conhecia perfeitamente porque a tinha visto várias vezes no quarto de Victoria Biers.
― Há uma testemunha que afirma que a viu guardar isso em seu armário durante o descanso do almoço ― insistiu sua chefe.
Surpresa pela acusação, Bella se lançou a defender sua inocência e o que teve lugar a seguir foi a pior experiência de sua vida.
Lauren Mallory,uma das ajudantes da senhora Stanley, resultou ser a testemunha que a tinha visto guardando a jóia e assim o disse sem olhá-la nos olhos.
Uma hora depois, informaram-lhe que tinha sorte de que lady Victoria não a denunciasse por roubo, entregaram-lhe seus pertences e a puseram, literalmente, na rua.
Ali a estava esperando Angela.
― Não fui eu, Angela, juro! ― exclamou Bella.
― Eu sei ― tranqüilizou-a a ruiva.
― Por que diabos haverá dito Lauren que me viu guardar o diamante em meu armário se sabe que não é verdade?
― Talvez porque foi ela que o roubou, há se posto nervosa e o escondeu no primeiro armário que viu, que resultou ser o seu. Lembra-se que ela tem a chave de tudo, mas eu suspeito mais de lady Esnobe.
― De lady Victoria? Por que? O que ela ganha me acusando? ― respondeu Bella atônita.
― Não tenho nem idéia, mas não é trigo limpo. O que vai fazer?
Bella recordou o cartão de visita que Edward lhe tinha entregado quando se conheceram e decidiu que devia chamá-lo.
Estava certa de que ele não permitiria que a acusassem de algo que ela não tinha feito. Estava certa de que Edward não acreditava que ela fosse capaz de roubar. Se ficasse sabendo do ocorrido, poderia fazer com que se investigasse em profundidade e, no final, saberiam da verdade.
― Se seu pai ficar sabendo que a demitiram por roubo, vai ficar furioso ― comentou Angela preocupada.
― É sexta-feira, assim tenho todo o fim de semana para contar ― murmurou Bella nervosa.
― Bella, não conte para ele. Venha para minha casa.
― Não posso...
― Se acontecer algo, me chame por telefone. Já sabe que pode vir para minha casa quando quiser. Meus pais não se importam.
Depois de despedir-se de sua amiga, Bella pedalou a toda velocidade e, ao chegar em casa, subiu de dois em dois os degraus que levavam a seu quarto e, uma vez ali, discou o número do celular de Edward.
― Preciso ver você ― disse quando ele atendeu. ― É urgente.
Produziu-se um breve silêncio antes que Edward lhe dissesse que se veriam em uma hora no mirante que havia a um quilômetro de sua casa.
Bella se disse que tudo ia ficar bem, que por seu tom de voz Edward ainda não se inteirou do que tinha acontecido.
Do outro lado do telefone, Edward desligou o aparelho com expressão austera no rosto.
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