Lynne Graham
Adaptação.
Personagens pertencentes a Lynne Grahame Stephenie Meyer
Historia pertence a Lynne Graham.
Capítulo 6
Do mirante havia uma vista espetacular do vale do Volturi e das montanhas. Rodeado por um espesso bosque, o castelo parecia dali um palácio de conto de fadas. Abaixo, no vale, via-se o lago em forma de lágrima.
O silêncio que abraçava Bella se viu interrompido pelo ruído do motor de um carro que chegava.
Alguns minutos depois, efetivamente, viu chegar a limusine de Edward.
― Suponho que estará se perguntando por que queria ver você ― disse ao entrar no carro.
― Sei perfeitamente o que aconteceu esta tarde ― contradisse-a Edward olhando-a de maneira intimidadora.
Por um momento, Bella teve a sensação de que o que tinham compartilhado aquele dia jamais tinha acontecido.
― Eu não roubei nada ― defendeu-se.
― Jamais justificarei um roubo, mas, em suas circunstâncias, entendo por que o tem feito.
― Eu não roubei nada! ― insistiu Bella.
― Isabella... Eu mesmo vi como tentava roubar uma jóia de lady Victoria na primeira vez.
― Como diz? ― exclamou Bella estupefata.
― Recordo que tinha desaparecido um broche misteriosamente e que não aparecia apesar de que Victoria o tinha procurado várias vezes. De repente, você o encontrou como se nada tivesse acontecido. Eu acredito que o que se passou é que te assustou porque se deu conta de que tinha desaparecido e voltou a pô-lo em seu lugar.
― Está me dizendo que acredita que quando encontrei o broche estava mentindo? ― perguntou Bella consternada.
― Naquele momento, nem me passou pela cabeça, mas eu não acredito nas coincidências e vou ser sincero: quando me inteirei que o brinco de diamantes estava em seu armário, lembrei-me do broche. Como você compreenderá, parece-me impossível aceitar que lhe tenham acusado falsamente de roubo.
Aquilo fez que Bella se sentisse como se ele lhe tivesse dado um murro na boca do estômago, enjoada e com náuseas porque ela, de algum jeito, tinha estado segura de que Edward saberia ver a verdade.
Agora, dava-se conta de que confiar nele tinha sido uma completa ingenuidade de sua parte.
― De verdade acha que sou uma ladra?
― Saiba que ela não a denunciou à polícia pela situação pessoal em que se encontra ― respondeu Edward com frieza. ― Quer ir embora de casa e para isso necessita de dinheiro. Sem ir mais longe hoje mesmo me disse que tinha intenção de ir embora do Volturi.
― Sim, é verdade, mas lhe asseguro que jamais me passaria pela cabeça roubar uma jóia para financiar minha fuga ― defendeu-se Bella.
Doía-lhe a cabeça e tinha uma imensa vontade de gritar e de chorar de frustração, de medo e de dor, sentia-se horrivelmente sozinha.
Não tinha feito nada errado, mas todo mundo estava convencido de que era uma ladra e a face arroxeada não faziam mais que reforçar essa teoria porque justificava porque queria ir embora de sua casa fosse como fosse.
― Tenho intenção de lhe dar o dinheiro que necessita para sair de sua casa ― comentou Edward.
― Não, obrigada. Jamais aceitaria dinheiro de você! ― respondeu Bella olhando-o furiosa.
― Quero ajudá-la. Entendo seu desespero.
Bella não podia suportar mais aquela situação e tentou abrir a porta, mas não pôde porque estava trancada.
― É por sua segurança. O que te disse pode ser que não te faça muita graça, mas não sou seu inimigo ― murmurou Edward.
― Como não é? Eu confiava em você, tinha fé em você. Agora me pergunto por que. Não sei como demônios pude chegar a acreditar que de algum jeito você saberia ver que eu jamais roubaria nada! E agora me encontro com que me acusa não somente de ter roubado o diamante, mas também o broche. Deixe-me sair do carro!
― Tranqüilize-se e não diga tolices.
― Não estou dizendo tolices! ― gritou Bella. ― Não sou uma ladra e não penso aceitar sua compaixão. Suponho que quer me fazer desaparecer porque se deitou comigo. Asseguro-o que vou embora de Volturi, mas o farei a meu ritmo e com meu dinheiro. Não necessito de você para nada.
― Se controle ― disse Edward com frieza.
Bella tomou ar várias vezes, dando-se conta de que, na realidade, não queria controlar-se absolutamente porque, se sua raiva diminuísse, sua força diminuiria também e então, embora odiasse Edward com todo seu coração, corria o risco de mostrar a dor que lhe tinha produzido que tomasse por uma ladra.
― Acredite ou não, importa-me o que te aconteça ― insistiu Edward. ― Se não fosse assim, não teria pedido que se casasse comigo.
― Não é verdade, não se importa absolutamente! ― exclamou Bella.
― Quero ter a certeza de que estará a salvo e em sua casa não acredito que vá ser assim. A decisão é sua ― disse Edward lhe deixando um envelope ao lado.
― É ótimo ter muito dinheiro e poder ir dando de presente por aí, verdade?
― Está disposta a denunciar seu pai por agressão?
― Não ― respondeu Bella com veemência.
― Então, não há maneira de se proteger dele. Tem algum parente que possa tentar fazê-lo entrar em razão ou com o quem possa ir viver?
Bella negou com a cabeça em silêncio.
― Tenho um irmão, Emmett, mas ele brigou com meu pai faz cinco anos, foi e não sei onde está. Depois, não tornou a entrar em contato conosco.
― Dava-se bem com ele?
― Sim, quando éramos crianças nos dávamos muito bem.
― Talvez pudéssemos encontrá-lo, mas vamos necessitar de tempo. Parece-me que a única coisa que pode fazer agora mesmo é ir embora de Volturi e eu estou lhe oferecendo o apoio que necessita para fazê-lo.
― Que apoio? Refere-se ao dinheiro? Decepcionou-me ― respondeu Bella vendo satisfeita como Edward apertava a mandíbula ante sua condenação.
― Dá-me igual o que acha. Estou preocupado seriamente com você. Se for daqui, quero que me diga aonde vai.
― Por que eu iria lhe dizer aonde vou se não acredita absolutamente em nada do que eu digo? ― espetou-lhe Bella. ― Estou dizendo a verdade, eu não roubei nada, não sou uma ladra. E repito que não quero nem necessito seu dinheiro. Já me arrumarei sozinha. Muito obrigada. Agora, se não se importar, eu gostaria de descer do carro.
Bella necessitava desesperadamente de dinheiro, mas não estava disposta sob nenhuma circunstância a aceitar o dinheiro de Edward.
Assim que pôs os pés no chão, correu colina abaixo sem olhar para trás, dizendo-se que não devia perder o tempo recordando o que acabava de acontecer, pois seria um desgaste mental desnecessário.
Como tinha podido ser tão ingênua para acreditar que seu príncipe ia vir em seu resgate como em um conto de fadas?
De repente, o mundo desabou deixando Bella em um lugar lúgubre e incerto e a ferida que Edward lhe tinha infligido era o que mais lhe doía de tudo.
Bellla estava consciente de que não queria ficar em sua casa, assim decidiu colocar seus pertences em uma pequena mala e ir para a casa de Angela com o Jake porque não queria deixar o velho cão para trás por medo de que seu pai a castigasse através dele.
Bella deixou a bandeja cheia de pratos sobre a mesa da cozinha.
― Não precisa fazer isso ― disse Seth com amabilidade. ― Você se ocupe de cobrar, não do trabalho duro.
Bella assentiu e esperou que seu chefe se fosse para massagear as costas, que a estavam matando de dor.
Na hora do jantar sempre havia um montão de gente e o resto das garçonetes não davam conta, assim se tornava impossível ficar sentada junto à caixa registradora sem dar uma mão a suas companheiras.
Fazia já mais de sete meses que tinha saído de casa deixando detrás de si somente um bilhete.
Seth era o irmão de Angela e ele e sua mulher, Bree, deram-se muito bem com ela e a tinham ajudado muito.
O fim de semana seguinte ao que Bella saiu de casa, Seth e Bree se apresentaram ali para recolher suas coisas e a tinham levado a Londres, onde lhe tinham alugado um quarto em sua própria casa e Seth lhe tinha dado trabalho como garçonete na sua cafeteria.
No princípio, havia se sentido muito perdida na cidade e o ruído e a quantidade de gente a tinham esmagado. Freqüentemente, sentia falta da natureza, das montanhas, da paz e do silêncio do vale. Isso a tinha empurrado a explorar os parques londrinos acompanhada por Jake.
Uma das primeiras coisas que tinha feito além de trabalhar tinha sido informar-se sobre diversos cursos e logo tinha decidido que queria formar-se como professora de música.
Para começar, estava indo a aula duas vezes por semana porque, apesar de que seus conhecimentos musicais eram suficientes, tinha que passar um exame de outras disciplinas antes de poder colocar-se como professora.
A idéia de passar vários anos estudando e vivendo com pouco dinheiro teria deprimido a outra pessoa, mas a enchia de orgulho porque tinha tido a coragem de tentar e de tirar da vida muito mais do que seu pai lhe jamais teria permitido ter.
O futuro lhe desejava muito prometedor, mas logo seus sonhos se viram truncados.
Rose, uma das garçonetes, ficou enchendo os potes de ketchup e, quando Bella tentou ajudá-la, a outra garçonete lhe indicou que se sentasse e ficasse quieta.
― Está tão magra que, se viesse uma rajada de vento um pouco forte, sairia voando ― disse a mulher agarrando-a pelo braço para enfatizar sua preocupação. — Como anda de saúde? Quando foi a última vez que foi ao médico?
― Sempre fui muito magra ― assegurou-lhe Bella sem querer responder a sua pergunta porque ficou dormindo e não tinha ido à última consulta. ― Não se preocupe tanto comigo. Não precisa, de verdade.
― Não posso evitar. Não tem forças nem para levantar uma colherinha e o bebê nascerá dentro de poucas semanas ― suspirou Rose.
― Estou bem ― insistiu Bella.
Continuando, girou-se para atender a um cliente e se bateu com a barriga na mesa. Ainda não se acostumou a seu novo corpo e, às vezes, quando se olhava em alguma vitrine pela rua, não se reconhecia.
Deu-se conta de que estava grávida quando estava quase de quatro meses. Tinha descoberto que as contínuas náuseas que sentia não eram o resultado de uma gastrenterites persistente.
A verdade era que tinha chegado a Londres sentindo-se muito mal, tendo que fazer um grande esforço para não pensar dia e noite no Edward.
Para tentar afastar sua mente do príncipe, dedicou-se a trabalhar e a estudar sem descanso, mal comia e dormia pouco e tinha passado uma eternidade até que se deu conta de que não lhe tinha chegado o período em vários meses.
Então, atribuiu-o ao estresse e à perda de peso e tampouco se preocupou muito, mas, como não parava de ter náuseas, decidiu ir ao médico.
Nem sequer então, tinha lhe passado pela cabeça que pudesse estar grávida, o que o recordando agora lhe parecia incrível porque, embora fosse virgem, obviamente sabia que manter relações sexuais com um homem podia acabar em uma gravidez.
Assim que pensava em Edward, as emoções a bloqueavam, então, para proteger-se, tinha decidido não voltar a pensar nele nem recordar a paixão que tinham compartilhado aquele dia.
Entretanto, quando o médico lhe disse que podia estar grávida, Bella não teve mais remédio que recordar seus momentos de intimidade e então se deu conta de que Edward não tinha tomado precauções.
Em um princípio, a idéia de converter-se em mãe solteira a encheu de vergonha e de medo. Logo depois, enfureceu-se com o Edward. Por que demônios não tinha tido mais cuidado? Obviamente, porque não lhe importava nada carregá-la com a responsabilidade de um filho.
Bella não tinha nem idéia de como ia fazer quando nascesse o bebê, mas o que era óbvio era que não ia poder trabalhar nem dar aulas.
Evidentemente, ser mãe ia dificultar muito sua vida.
Tinha pensado em chamar Edward para lhe contar o acontecido, mas ele a tinha acusado de ser uma ladra e talvez pensasse que estava mentindo.
Além disso, não devia esquecer que estava apaixonado por outra mulher e que se arrependia de ter se deitado com ela.
O orgulho que ficava tinha impedido Bella de entrar em contato com ele.
― Como está seu cão? ― perguntou-lhe Rose.
― Dorme muito, o veterinário me disse que não é nada em especial, simplesmente é muito velho... ― respondeu Bella com tristeza.
A idéia de perder Jake se fazia insuportável porque era o único vínculo que ficava com sua mãe.
Quando teve terminado seu turno, saiu à rua. Fazia frio e as luzes iluminavam com sua luz amarela o pavimento úmido. Sob uma das luzes, havia um carro de onde desceu um homem de cabelo Brose.
No princípio, Bella não o reconheceu porque seu rosto estava na sombra, mas quando se incorporou por completo Bella viu que era Edward e não pôde evitar que o coração lhe subisse à garganta.
― Assustei você?... Não era minha intenção ― a saudou Edward em tom amável, como se se falassem com regularidade.
― Como ficou sabendo onde eu estava? ― exclamou Bella fechando o casaco a toda velocidade para tentar esconder a barriga.
― Tenho meus contatos ― respondeu Edward. ― Você está bem? ― acrescentou olhando-a com o cenho franzido. ― Está muito pálida.
― De verdade? Deve ser esta luz... A que veio?
― Para ver você.
Bella cruzou os braços, mas os descruzou a toda velocidade porque aquela postura lhe marcava a barriga.
― Mas como?
― Disse para você antes de que fosse embora que entrasse em contato e não sabia nada de você. Estava preocupado. Levo-a para casa.
― Não, não precisa.
― Claro que precisa. Está tremendo de frio.
Bella se deu conta de que era verdade, de que seu leve casaco não impedia que o frio da noite entrasse em seu corpo. Tinha frio, estava cansada, doía-lhe muito as costas e tudo aquilo era culpa de Edward.
Então, por que demônios estava tentando esconder a barriga precisamente do homem que a tinha metido em tudo aquilo?
Com um movimento repentino que tomou o Edward de surpresa, Bella deslizou a seu lado e entrou na limusine, onde se sentiu muito bem porque lá dentro estava bem aquecido.
― Poderíamos jantar em meu hotel ― propôs Edward.
― Tenho que ir primeiro para casa... ― respondeu Bella dando-se conta de que virtualmente tinha aceito seu convite.
Era desconcertante, mas a verdade era que sua boca trabalhava mais depressa que seu cérebro. Sem comentar nada mais, Edward lhe pediu seu endereço e o comunicou ao chofer.
Enquanto o fazia, Bella o olhava de esguelha, sem perder nenhum detalhe do bem vestido que estava. Certamente, aquele homem parecia recém saído de uma revista de moda.
Era incrivelmente bonito, o pecado personificado. Não era de se surpreender que Bella tivesse se apaixonado perdidamente por ele e se colocou em sua cama.
― Demoro dez minutos ― disse ao chegar em casa.
Ao ver o bairro tão lúgubre em que vivia, Edward teve que fazer um grande esforço para não se oferecer a acompanhá-la. É obvio, o que fez foi dar instruções ao guarda-costas que estava no assento do co-piloto, que por sua vez entrou em contato com a equipe de segurança que viajava no carro de trás.
Edward tomou ar lentamente e se disse que Bella tinha mudado muito fisicamente. Continuava sendo incrivelmente bonita, mas estava pálida, tinha olheiras e estava horrivelmente magra.
Parecia doente.
Bella deu o jantar para Jake dando-se conta de que não havia como voltar atrás, decidida a contar a Edward que ele ia ser pai, e não ia fazer isso porque lhe parecia o correto ou porque fosse uma tolice sentir-se humilhada por uma gravidez do qual ele era responsável.
Não, ia lhe dizer que estava grávida para lhe chatear o dia. Sim, era uma vingança infantil e raivosa, mas era assim como se sentia.
De repente, encontrou-se perguntando com quantas mulheres teria estado nos últimos sete meses. Certamente, teria saído com mulheres de sua condição social e não com faxineiras que somente serviam para praticar o sexo.
Aquele pensamento não fez nenhum bem a sua já abalada auto-estima.
Bella estava convencida de que, enquanto ela fazia grandes esforços para sobreviver, Edward devia ter estado passando muito bem. Embora as pessoas dissessem que ele sempre que ia para Volturi levava uma vida muito simples e que não fazia mais que trabalhar e dedicar-se a obras de beneficência.
Entretanto, ela estava convencida de que escondia algo mais porque tinha casas por todo mundo nas que podia fazer o que lhe desse a vontade sem que ninguém soubesse e lhe tinha proposto ser sua amante, não?
Não tinha demorado muito em levá-la para a cama, o que significava obviamente que tinha experiência. Qualquer homem que tivesse amantes era um colecionador de mulheres. No melhor, Edward era um don Juan discreto, mas um don Juan de qualquer modo.
Agora que tinha recuperado o ódio que sentia por ele tinha chegado o momento de que Edward se inteirasse de tudo, de que soubesse o que pensava dele!
Jake tinha artrite, assim Bella teve que levá-lo nos braços até a limusine, onde o cão se acomodou em um canto e ficou adormecido.
Bella se sentou em frente a Edward e fechou os olhos brevemente, repassando mentalmente o que ia lhe dizer. Entretanto, estava tão cansada, que não pôde evitar adormecer.
Despertou com um som ao qual não estava acostumada: Jake grunhindo.
― Certamente, é um bom cão de defesa ― comentou Edward. ― Estava tentando despertá-la e não achou nenhuma graça. Já chegamos ao meu hotel ― acrescentou.
― Nossa, acabei adormecendo ― disse Bella passando os dedos pelo cabelo. ― Onde estamos?
― No estacionamento do hotel. Pensou que ia seqüestrá-la ou algo assim?
― Não diga tolices ― riu Bella saindo do carro e dirigindo-se ao elevador.
Enquanto caminhavam, Jake lhe cruzou o caminho e Bella tropeçou com a correia, o que a fez tropeçar. Menos mal que Edward estava perto para agarrá-la.
― Tome cuidado...
Sem dar-se conta do perto que estavam, Bella se voltou nervosa para Edward com a má sorte de que sua barriga se meteu no meio e golpeou Edward no quadril. Ao dar-se conta, Bella baixou o olhar e tentou fechar o casaco, que tinha se aberto ligeiramente.
Edward seguiu a direção de seu olhar e de repente compreendeu tudo, seu aspecto doentio, seus andar torpe e lento. Sem pensar duas vezes, desabotoou os dois botões do casaco de Bella e afastou o tecido.
― Vai ter um filho ― exclamou assombrado. ― E logo. De quem é?
Bella colocou as mãos nos bolsos e voltou a fechar o casaco, consciente de que se havia ficado vermelha.
― De quem você acha que é? ― espetou-lhe.
― Então, não faltam mais que umas poucas semanas...
― Já vejo que sabe contar ― comentou Bella com acidez.
Edward não sabia o que dizer.
Se seus cálculos eram corretos, em menos de dois meses ia ser pai. Estava completamente atordoado. O filho que Bella ia ter era dele... Por isso estava tão cansada.
Edward não sabia quase nada de gravidez nem de mulheres grávidas, mas o pouco que sabia, que sua mãe tinha morrido ao dar a luz a ele, fez que um calafrio de terror lhe percorresse as costas.
Um empregado do hotel lhes tinha aberto a porta principal e estavam no salão.
― Quero que saiba que o odeio por ter me posto nesta situação ― disse Bella com veemência. ― Odeio-o!
Edward pensou que era normal que estivesse zangada. Obviamente, não devia ter passado muito bem nos últimos meses e era evidente que estava cansada, mas agora que ele tinha chegado para tomar conta dela tudo ia mudar.
A situação ia melhorar para ela.
Edward sentiu um tremendo desejo de tomá-la entre seus braços e de correr com ela para o aeroporto, mas estava consciente de que não podia levá-la a seu país e cuidá-la até que fosse sua esposa.
― Está me ouvindo? ― gritou Bella.
― Sim. Estou consciente de que não tivemos uma relação convencional...
― Não tivemos nenhuma relação, nem convencional nem não convencional... Simplesmente se deitou comigo!
― Não acredito que recordar o passado de um ponto de vista emocional sirva de nada. Está grávida, vai ter meu filho e isso é a única coisa que importa agora. O que temos que fazer é nos casar o quanto antes ― declarou Edward muito seguro de si mesmo.
― Por que?
― Porque nosso filho ou filha será o herdeiro ou herdeira do trono do Dhale, mas somente se nascer dentro do casamento e for declarado legítimo ou legítima.
Bella ficou olhando-o furiosa.
― Não disse nada do que eu te falei.
― Não penso comentar o que disse porque tenho muito claro que a única coisa que importa agora mesmo é o filho que vai ter.
― Continua querendo se casar comigo? ― perguntou-lhe Bella estupefata.
Não podia acreditar que a vida a voltasse a pôr diante de si Edward, que de novo tivesse a oportunidade de casar-se com ele. O orgulho e um forte sentido de justiça lhe tinham feito negar-se aquela possibilidade sete meses antes porque então não necessitava de uma aliança para compensar a perda de sua virgindade e, embora já estava apaixonada por ele então, não tinha querido aceitar aquelas condições tão humilhantes.
― É obvio ― respondeu Edward.
― E não teria sido mais simples tomar precauções e evitar que isto acontecesse?
― Sim, mas não aconteceu assim ― respondeu Edward apertando a mandíbula. ― Asseguro-lhe que jamais antes tinha me acontecido nada parecido.
― E não lhe passou pela cabeça neste tempo que eu podia ter ficado grávida?
Edward se ruborizou levemente.
― Quando me passou pela cabeça que não tínhamos usado métodos anticoncepcionais, já era muito tarde e confesso que depois nem me expus isso. Embora tenha pedido que continuasse em contato comigo, ao não fazê-lo, nunca me passou pela cabeça que tivesse ficado grávida.
― E agora que sabe como se sente? Furioso? Nervoso? ― perguntou-lhe Bella ansiosa por ter uma resposta.
― Acredito que este é nosso destino e que devemos aceitá-lo com alegria ― respondeu Edward.
Bella não podia acreditar no que estava ouvindo. Estava segura de que Edward tinha que ter se sentido frustrado e confuso embora não estivesse disposto a admitir.
― O que é isso que comentou antes de que o menino ou a menina herdará o trono de não sei que país?
― Eu sou o príncipe herdeiro de meu país. Meu pai, Carlisle, é o atual rei do Dhale ― explicou-lhe Edward. ― Acaso não sabia?
A verdade era que Bella sabia que Edward era príncipe, é obvio, mas não se expôs que fosse o filho de um rei, ela acreditava que ele seria um parente longínquo, um príncipe a mais de tantos. Certamente, não tinha lhe passado pela cabeça que fosse o próximo na linha de sucessão.
― Vamos jantar... ― indicou-lhe Carlisle.
Só então Bella se deu conta de que alguém tinha aberto uma porta que levava a uma sala em que tinha preparada uma mesa simples e elegante para dois.
Depois de sentar-se à mesa, Edward lhe serviu água e Bella bebeu o copo inteiro.
― Então, Isabella, está disposta a esquecer sua hostilidade comigo e a se converter em minha esposa? ― insistiu Edward.
― Não posso acreditar que queira se casar com uma ladra ― comentou Bella com malícia.
Edward a olhou nos olhos com intensidade.
― A vida é cheia de surpresas ― disse-lhe.
Bella o olhou triste porque, em segredo, tinha guardado a esperança de que Edward tivesse mudado de opinião sobre ela.
― Eu não roubei aquela jóia, não sou uma ladra ― assegurou-lhe de novo.
Edward não respondeu.
Bella sabia o que queria dizer seu silêncio e teve que fazer um grande esforço para que não lhe saltassem as lágrimas de raiva. Teria gostado de falar daquele assunto com Edward, mas estava consciente de que não tinha energias para fazê-lo e de que, além disso, a única coisa que importava naquele momento ao príncipe era o filho que iam ter.
Edward queria casar-se com ela para que seu filho fosse legítimo e, para ser sincera, Bella estava impressionada pelo grau de compromisso para com o bebê que Edward tinha demonstrado e o pouco que tinha demorado a fazer-se responsável pelo seu futuro.
É obvio, se importava muito pouco, tal e como demonstrava que nem se alterou quando lhe havia dito que o odiava, mas, o que esperava?
Se Edward era capaz de passar por cima de certos sentimentos e de não fazer caso de situações desagradáveis pelo bem do bebê, acaso ela não deveria fazer o mesmo?
Por desgraça, era evidente que lhe ia custar muito mais porque estava completamente apaixonada pelo Edward Anthony Masen Cullen, um homem que lhe tinha feito um dano terrível, e lhe bastava levantar o olhar e ver seus maravilhosos olhos para dar-se conta de que se estava arriscando-se a sofrer de novo.
Entretanto, sentia-se terrivelmente envergonhada porque Edward foi capaz de considerar única e exclusivamente o bem do bebê e ela, não.
― Vai se casar comigo? ― insistiu Edward
― Sim ― respondeu Bella encolhendo-se de ombros, como dando a entender que lhe dava exatamente igual.
Edward pensou que Bella se educou em um ambiente no que ter filhos fora do casamento era muito mal visto e, obviamente, queria economizar a seu bebê o sofrimento de ter que viver com aquele estigma.
― Prometo que jamais lhe darei motivos para que se arrependa desta decisão. Vou preparar imediatamente o casamento ― sorriu Edward alongando o braço e lhe acariciando a mão.
Surpresa, Bella se apressou a retirá-la.
― Não é preciso que finjamos ― murmurou deixando a um lado o prato de sopa que mal tinha provado. ― Nós dois sabemos que nosso casamento não é de verdade, assim não precisa que fingir quando estivermos sozinhos.
Edward teve que fazer um grande exercício de disciplina e autocontrole para não responder porque, embora dentro de sua família tivesse fama de ser o mais diplomático de todos, quando estava com Bella se sentia como um elefante em uma debandada.
Uma vez a sós, teria que pensar detalhadamente sobre por que quando estava com ela não era capaz de ser discreto e judicioso.
No momento, preferiu se calar.
