Chapter 2

Edward estava inconformado com o modo como sua vida podia mudar em tão pouco tempo. Será que o pai não entendia que aquela não havia sido uma boa para morrer? Ele não tinha condições de cuidar de tudo sozinho! Era certo, que como sendo o filho mais velho, tomasse conta da mãe e dos irmãos. Teria que arrumar um casamento, e fazer o papel do seu pai dentro de casa e da fazenda. Não podia entender! Estava ficando louco, seu pai não havia morrido, e tudo isso era um sonho.

Estático e perdido em seus pensamentos, Edward só acordou quando a irmã lhe abraçou. Como em um reflexo, pegou a irmã mais nova no colo, e se encaminhou ao encontro da mãe. Jasper ao seu lado, observava a pequena Alice, com dor no coração. Seu anjinho não podia passar por isso, era tão frágil! Ele simplesmente não podia aceitar que algo a fizesse sofrer. Preferia mil vezes passar por tudo aquilo em seu lugar. Olhando para o seu amigo, com a irmã ao colo, sabia que o mesmo se encontrava perdido. Era visível que Edward não sabia o que fazer, porém o loiro estava disposto a qualquer coisa para ajudar o amigo.

A porta de casa, Esme se encontrava em choque, o marido estava tão bem! Durante o dia havia realizado todas as suas tarefas na fazenda, participado de um leilão no centro da cidade, e ainda havia jantado com a família. Era obvia a sua preocupação com Edward, afinal, o filho mais velho, estava passando dos limites. Mas, não acreditava que esse fato teria levado o marido ao infarto. Talvez fosse uma ocorrência comum, como o disse. É era isso, apenas um fato comum, porém ela não sabia como seguiria em frente sem Carlisle.

Edward chegou ao encontro da mãe e a abraçou como a muito tempo não fazia, depois das muitas conversas sobre o seu comportamento, a mãe tinha se afastado. Mas, ah. Ele cumpria com todas as suas obrigações dentro da fazenda, será que ao menos nas noites não poderia ter um pouco de diversão? Sabia que isso estava se tornando um incomodo para família, e agora mais do que nunca, sabia que sua vida boêmia tinha que ter um fim.

Deixando Alice com a mãe e Jasper no sofá, seguiu para o quarto onde o corpo de seu pai se encontrava. O silêncio na casa era quase palpável, e isso o incomodava. Estava acostumado com os barulhos feitos pelos irmãos quando estavam acordados, e as conversas altas entre Carlisle, sua mãe, e os criados, sobre coisas banais, regadas à café.

Ao lado do corpo do pai, Edward se permitiu chorar. Ele tinha que ser forte pela sua família, e chorar na frente deles, não mostraria força. Sabia, que teria de preparar o funeral de seu pai, ainda pela manhã, e que precisaria da ajuda de Jasper. Sentiu pequenas mãos afagando seus cabelos, e simplesmente pelo toque, sabia quem era. Alice, sua pequena irmã, tão linda e meiga quanto uma fadinha, a única que o entendia. - Lice? Chamou.

- Hm.

- Jasper ainda está aqui? Perguntou o ruivo.

- Sim, está na sala com a mamãe.

- Chame-o, preciso resolver alguns assuntos urgentes com ele.

Alice saiu do quarto após beijar a face de seu irmão, e a passos lentos segui pelo corredor da grande casa. Tinha vergonha de falar com Jasper. Antigamente era tudo mais fácil, eles eram amigos, e nada mais. Só que a pequena fadinha havia crescido, e com ela a afeição pelo amigo de seu irmão. Sabia que Jasper a havia pegado no colo quando nasceu, apesar da pouca idade de diferença, ela entendia que ele já era um homem, e que jamais olharia pra ela com outros olhos. Admirava-o tanto, desde sua personalidade até a sua aparência. Era tão meigo, prestativo e carinhoso quanto era lindo. Os seus olhos azuis eram tão belos! Céus, ela deveria esquecer essa loucura, pois, era mais que fato que ele só a olhava como a irmã que nunca teve.

Encontrou-o abraçado a sua mãe. Sabia que a mãe de Jazz, tinha morrido quando ele ainda era um menino, e que a partir de então, Esme havia se tornado pra ele, uma mãe. Enquanto a menina entrava na sala, Jasper, que se separava do abraço com Esme, a admirava. A matriarca dos Cullens, já tinha notado algo de diferente no olhar que Jasper lançava para a filha, e a recíproca era verdadeira. Talvez o moço fosse um bom casamento para sua filha, mas ambos jamais admitiriam seus sentimentos, tendo em vista a longa amizade.

- Jazz?

- Sim, anjinho.

- Edward está lhe chamando. No quarto onde...- Alice caiu em prantos, não sabia ainda como lidar com o falecimento do pai, e nem com o sentimento pelo amigo da família. Era tudo tão confuso.

Jasper hesitou. Não sabia se corria para o quarto onde seu amigo se encontrava, ou se confortava a pequena menina. Enquanto se decidia, Lice saiu correndo em direção ao seu quarto, seguida pela mãe. Tomou então sua decisão e se encaminhou ao encontro do amigo.

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Isabella acordou com o alto tom da conversa vinda da sala. Pelo tom e as risadas do pai, sabia que algo de muito bom havia acontecido. Talvez tivesse entrado em acordo com o Coronel Brown, e decidido o valor de seu dote. E se isso acontecesse ela se mataria.

Decidindo ver o que estava acontecendo, chegou perto da sala, e pode ouvir um trecho da conversa. ".. então ele se foi? Ah, mas já não era sem tempo! Até que enfim aquele bastardo teve o fim que merecia!". Uma frase como essa, embalada a risadas, mostrava que o pai realmente não tinha sentimentos. Era claro que a conversa se referia ao fim trágico de alguém e Isabella não entendia como tal fim, poderia ser merecido.

Sabia que seu fim não seria muito diferente desta tal pessoa. Trágico. Tinha a mais absoluta certeza se que seria mandada para um convento se recusasse a proposta de casamento de James. Talvez fosse melhor, porque, apesar de não saber ao certo o que acontecia depois do casamento, queria ser feliz, não apenas servir pra criar filhos e fazer os serviços de casa. Queria ser amada, e tinha certeza que um dia iria, mesmo que demorasse, pois ela saberia esperar.

Sua criada, Meredith, ou Dith, como Bella gostava de chamá-la, entrou no quarto em seguida para ajudar a menina com seu banho. Após estar banhada e devidamente vestida, seguiu a cozinha, para tomar seu café da manhã e talvez planejar algo de interessante para fazer no seu dia.

Desde o nascimento, Bella, era tratada pelo pai com pouca afeição. Ou melhor, quase nenhuma afeição. Era visível a diferença entre o tratamento em que Bella recebia, e o que sua irmã Rosálie recebia. Quando mais nova, o pai sempre trazia da cidade as bonecas e os tecidos mais bonitos para a irmã, deixava ir visitar a irmã de sua mãe na Califórnia, e muitas vezes a levava para a cidade com ele; o que nunca aconteceu com Isabella. Sabia que o pai não a amava, porque era dela a culpa da morte de sua mãe, mas, infelizmente não havia nada que fizesse o tempo voltar atrás, pois, se tivesse escolha, nunca teria nascido.

O casamento arrumado as pressas pelo pai, não era uma proteção para a filha, mas sim uma forma de livrar-se dela o mais rápido possível.

Enquanto tomava seu café-da-manhã, Isabella decidiu que procuraria por livros de sua mãe na sala de leitura. Agradecia muito a irmã, por ter lhe ensinado a ler. Rose tinha aprendido com o pai, mas este, pouco se interessou em ensinar a caçula. Sentia saudades da irmã, sabia que ela tinha tido um bebê, no qual colocou o nome de Seth, só que ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer o sobrinho, pois seu pai, quando soube do nascimento do neto, foi para França, só que não a levou com ele.

O dia da menina Isabella passou correndo, recusando o almoço, só percebeu que já era noite quando Dith a chamou para o jantar, o qual aceitou, pois percebeu que depois de um dia na sala de leitura, estava faminta. O jantar passou rápido, e em silêncio, afinal era raro quando o pai conversava com ela. Retirou-se para seu quarto junto com a criada, que depois de ajudar Bella a se deitar, lhe desejou boa-noite, e também foi para seu quarto.

Não estava com sono, e seu quarto tinha se tornado quente demais aquela noite. Decidiu então, que iria sair. Sabia que se fosse pega seu pai lhe tiraria os olhos, porém não havia nada que fizesse a jovem inquieta ficar em sua cama. Parecia que seu destino lhe estava guiando. E estava.

Colocando seu robe, seguiu para a janela de seu quarto, que não era muito alta, e a pulou. O que ela não sabia, que a partir desta caminhada, seu futuro ia mudar totalmente.

mereço coomentáarios?

x.o.x.o