OBSERVAÇÃO: ESSE CAPÍTULO É SEAMUS / DAPHNE / SEAMUS / DAPHNE, attention, please (:
Capítulo Seis – Resistência
1997 ~ 1998
Querida Daph,
Primeiro de tudo, eu estou bem. Estou a salvo. Não posso dizer onde estou, obviamente, mas estou mais perto do que imagina. Já não dava mais para agüentar as agressões físicas e, acima de tudo, as morais, mentais, psicológicas... mas eu não abandonei minha luta, a luta de toda a Armada de Dumbledore. Neville está sozinho no comando agora, você sabe, desde que Ginny não voltou da Páscoa e Luna foi seqüestrada. Ele tem certeza que Harry, Ron e Hermione voltarão (ele crê com todas as forças que eles estão juntos), e que então teremos o combate final.
Você não precisava passar por tudo o que passou, e sei que foi muito. Seus colegas se viraram contra você, te isolam e te maltratam, e eu não tenho palavras para agradecer todo o seu apoio. Você é uma garota maravilhosa, Daphne, e ter você do meu lado é a melhor coisa que já me aconteceu. Não tenho palavras para te consolar, não sei bem o que dizer, mas você ficará bem. Não se exponha, continue quieta e neutra, e me espere.
Espere-me, Daphne. Levo você nos meus pensamentos e no meu coração. Fique bem.
Te amo muito,
Seamus.
Enquanto enxugava as lágrimas na manga da camisa, entregou a carta para a sua coruja e pôs a mochila sob os ombros. Neville havia descoberto um lugar perfeito para ele se esconder. Depois das barbaridades cometidas em Hogwarts, principalmente em Michael Corner, os alunos da A.D. foram convidados a se esconderem na Sala Precisa. Era necessário pedir um lugar onde os Carrow não os encontrariam, e assim alunos foram desaparecendo e enlouquecendo os Comensais.
Seamus sabia que não poderia chamar Daphne por vários motivos. Não é que não confiasse nela (e esperava que ela entendesse), mas ela não seria bem aceita pelos membros da A.D., como nunca foi, e estaria mais segura na Sonserina de qualquer modo. Ele preferia que ela fosse para casa, mas sabia que ela iria ficar em Hogwarts, participando de uma espécie de resistência que emergia em silêncio.
"Eu vou voltar, Daphne", disse ele para o céu.
"Te amo muito,
Seamus."
Ela relia aquela carta todos os dias, várias vezes. No começo, chorava, chegou a borrar uma palavra quando uma lágrima caiu, mas agora ela estava entorpecida. Os dias passavam sem qualquer importância. Ela não estudava, porque sabia que não teriam exames finais: uma guerra eclodiria em breve. A vida sem Seamus era uma grande letargia. Astoria tinha adquirido uma nova postura, que constituía em ignorar a irmã mais velha e propagar a idéia da nova Brigada Inquisitorial de Pansy. Esta, aliás, também parecia nem notá-la. Daphne gostaria de ter pelo menos alguém com quem conversar, principalmente porque Blaise estava participando do novo projeto Ignore Daphne Greengrass.
Por isso, Daphne resolveu passar a noite em frente à lareira do salão comunal pensando em sua família. Acordou assustada, ouvindo muitas vozes, e, ao abrir os olhos, se deparou com uma grande quantidade de alunos de diferentes séries, todos aflitos, vestindo robes ou capas de viagem sob o pijama. Havia algo de estranho no ar.
"Por que está todo mundo correndo?", perguntou a um colega qualquer.
"Você não sabe? Você-Sabe-Quem está vindo para cá, estão evacuando a escola!", o colega disse eufórico.
Ela se sentiu feliz, porque lutaria ao lado de Seamus, finalmente, mas também, apreensiva. Já estava trocada, afinal, tinha pego no sono antes de chegar ao dormitório, pôs a carta de Seamus dentro das vestes e então saiu, com varinha em punho, sem pensar em mais nada, em mais ninguém. Desceu as escadas da masmorra ouvindo a voz distante dos monitores, que pediram para ela voltar. Ora, ela era maior de idade, e tinha agüentado muito para estar viva até aquele dia. Foi andando sem rumo, esbarrando em professores, alunos e até fantasmas. Tinha medo de não encontrar Seamus, e tentava não pensar no pior.
De repente, ela trombou num rapaz cercado de colegas, todos saindo de uma sala que ela nunca tinha visto. O rosto estava muito inchado e roxo, mas ela o reconheceria de qualquer jeito. Seamus a abraçou imediatamente, apalpando seus cabelos como se quisesse ter certeza de que ela era real.
"Onde você esteve?", ela perguntou desesperada.
"Não importa mais. Vamos para o Salão Principal", e dizendo isso, deram as mãos.
Ele a levou para a mesa da Grifinória e Daphne não se importou, pois já não se importava mais com distinções de Casa. Era daquele lado que preferia estar, do lado dele, do lado dos que não se importavam com status sanguíneo. Ainda de mãos dadas, ouviu a professora McGonagall dizer que os alunos mais novos deveriam seguir os monitores e irem para casa, e desejou que Astoria fizesse exatamente isso. Era uma grande pena que não tivessem mais se visto após uma briga no dia anterior, e Daphne tentava não pensar que aquela seria a última vez que se veriam.
"Daphne, você...", ela sabia o que o namorado iria dizer e por isso o interrompeu.
"Não, nem pense nisso, Seamus. Eu vou ficar. Lutar", disse firmemente, olhando em seus olhos castanhos.
E então, ouviram a voz fria d'Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado dizendo que Harry Potter devia aparecer até a meia-noite. Daphne sentiu Seamus apertar ainda mais sua mão, e os dois se olharam tensos – Potter estava muito próximo deles. Pansy também o localizou, e fez questão de gritar, apontando para o garoto e pedindo para que o pegassem. Daphne teve nojo, pela primeira vez real nojo, da colega. Era triste pensar que há alguns anos era também era assim, arrogante e egoísta.
Quando os colegas se prostraram na frente de Harry Potter, Daphne se levantou com Seamus, fazendo o mesmo. Não estava lutando por ele, na verdade, mas pelo o que ele representava. Pansy tinha, claramente, mostrado sua posição, e ela esperava que Astoria não pensasse do mesmo jeito. Com certeza estava indo para casa como todos os outros colegas, pelo menos deveria, já que era menor de idade. Ela estaria a salvo assim.
E logo sobraram alguns alunos da Sonserina, Corvinal, Lufa-Lufa e Grifinória. Daphne permaneceu onde estava, em meio a grifinórios que não se abalavam com sua presença – talvez eles tivessem finalmente a aceitado. Foi o que pensou quando seu olhar encontrou o de Lavender Brown, que lhe sorriu fracamente. Absorta em pensamentos sobre Astoria, não ouviu as instruções que eram dadas ao grupo de alunos restante.
"Vamos para a Floresta Negra", disse Seamus altivamente, ainda de mãos dadas com Daphne.
Com eles, foram Macmillan e Lovegood. Quatro Casas diferentes, mas isso nem importava mais.
Ele corria através da escuridão, a visão embaçada, apenas a audição o guiando. Sentia Daphne perto dele, e isso dava algum alento, embora preferisse que ela estivesse segura em casa. Estavam perto da Floresta Proibida, prontos para atacar, mas nenhuma movimentação a vista. O silêncio e o breu perturbavam a todos, nenhum sinal. E então frio, um grande frio. Uma angústia sem tamanho, o medo crescendo...
"Dementadores", ouviu Ernie gritar.
Olhando para cima, Seamus viu um grande número deles se aproximando, e ao mesmo tempo, Harry, Ron e Hermione. Concentrou-se então nas lembranças mais felizes que tinha: a chegada da carta de Hogwarts, a final da Copa de Quadribol, o primeiro beijo em Daphne... uma raposa prateada irrompeu de sua varinha, junto com uma lebre e um javali... mas ele não via o patrono de Daphne... um gigante se aproximava, ele não sabia de onde... e Ron o agradecera com a voz distante...
Daphne não estava mais lá, e ele perdera a noção de realidade, de tempo, de tudo.
"Vocês têm uma hora. Dêem um destino digno a seus mortos. Cuidem dos seus feridos". Era a voz d'Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, dando mais uma hora para Harry se entregar. Seamus não queria isso, queria lutar até o fim, mas a falta de Daphne espoucara qualquer pensamento altruísta, e ele queria voltar pro castelo, gritando seu nome, procurando por ela, e que se danasse o mundo.
"Seamus, você está bem?", perguntou Ernie.
"Daphne", disse ele.
"Aquela garota loira? Ela ficou no castelo... se perdeu", disse Luna, mas Seamus já estava muito longe.
O castelo estava vazio, um montante de sujeira, tacos de madeira e objetos aleatórios se espalhavam pelo chão. As pessoas estavam reunidas nas mesas do Salão Principal, mas sem qualquer distinção de Casas. Famílias. Amigos aglomerados. Feridos. Mortos. Num canto, isolada de todos, lá estava Daphne: sentada no chão, abraçando as pernas, o rosto coberto de fuligem, apavorada. Seamus correu até ela, tentou protegê-la de todo e qualquer mal, o corpo colado ao dela.
"Eu... me perdi...", murmurou ela.
"Não tem problema, estamos juntos agora", disse ele limpando um pouco da sujeira do rosto delicado da garota.
"NÃO!", eles ouviram várias vozes gritarem juntas. Então Hagrid entrou no Salão com um corpo nos braços. O corpo de Harry Potter.
Toda a esperança espocou num segundo. O herói, o Eleito, morto. Não podia ser verdade. Seamus mal pode ouvir a voz d'Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado.
Apenas a voz de Neville o despertou do horror. "ARMADA DE DUMBLEDORE!", ele gritou. Em resposta, muitas outras vozes gritaram uníssonas.
A de Daphne, inclusive. "Eu vou lutar até morrer", disse Seamus. "Você não vai morrer... e vamos lutar juntos", respondeu ela, sorrindo.
Gritos, baques, explosões. Luzes verdes, vermelhas, azuis. Poeira, pedras, tacos de madeira para todo o lado. As lágrimas se misturavam ao suor, o medo se transformava em torpor, em raiva, em coragem. Eram mortos, vivos, feridos, inconscientes, todos num grande aglomerado, inimigos e aliados se misturavam, era difícil ver, era impossível usar feitiços defensivos. Era preciso matar. Você ou ele.
"O que é aquilo?", Seamus ouviu Daphne perguntar. Todos estavam estáticos, Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado rondava um rapaz. Não, não pode ser.
"ELE ESTÁ VIVO!", ouviu alguém gritar ao longe. Sim, Harry Potter estava vivo! Não era possível, mas era maravilhoso!
Seamus tateou a mão de Daphne, e, quando a alcançou, puxou a garota para si. Os dois de rosto e corpo colados, respirando juntos. Senão estivessem no meio de uma guerra, Seamus a agarraria imediatamente. A adrenalina correndo em suas veias o fez lembrar as tardes felizes em Hogsmeade. Eram tão felizes...
"AVADA KEDAVRA!"
"EXPELLIARMUS!"
Em poucos segundos (que pareceram anos), uma explosão de feitiços verdes e vermelhos fez Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado cair ao chão. Morto.
Tinham vencido a guerra.
"Torrada?", ofereceu Seamus. Era impossível acreditar que há poucas horas estavam lutando numa guerra. Agora estavam lá, juntos numa mesa do Salão Principal (de qualquer Casa que fosse), tomando um merecido café-da-manhã. O sol já nascia trazendo notícias de fugas, recuperações, um novo ministro... e Astoria. Seus pais a avisaram, em forma de patrono, que todos estavam bem, e que desejavam que ela também estivesse. Tudo estava bem.
"Torrada?", repetiu Seamus para a namorada.
Daphne então pôs as mãos em seu rosto, olhando no fundo dos olhos castanhos que ela adorava tanto, e disse, em alta voz, "Eu te amo, Seamus".
Seamus sorriu, envergonhado. Brown e Patil olharam para eles sorrindo, encorajando-o.
"Eu te amo, Daphne".
Acabou. Essa fic perdeu totalmente o rumo, virou um fluffy barato, mas eu ainda gosto dela.
