Desobediência
"Não fique muito amiga dele, Rosie, Vovô Weasley nunca iria te perdoar!"
Era como se as palavras tivessem entrado por um ouvido e saido por outro. Ou, na verdade, talvez ele tenha atiçado minha curiosidade, meu pai e seus preconceitos, suas gracinhas, como ele sempre foi.
Então eu puxei meu malão com uma deliberação igual a que minha mãe e minha tia Ginny sabiam ter, e sentei-me ao lado dele.
"Oi", eu disse, e ele sorriu meio sem jeito.
"Weasley, eu presumo." E balançou a cabeça, negativamente. "Não quero arrumar confusão."
"Não vim brigar!" respondi, indignada. "E por que deveria?"
"Seus pais? Meus pais? A velha inimizade?"
Olhei para ele, e era só um menino - assim como eu, como todos meus primos, como todos os outros primeiro-anistas, assustado e encurralado, sem saber o que fazer ou o que esperar. Ele não era um mistério, nem um anjo, nem um demônio. Só um menino.
"Eu vim esperando que pudessemos acabar com ela" falei, e honestamente, era tudo que eu queria.
Ele me sorriu, como se nunca antes alguém tivesse sido tão gentil com ele, e me indicou um lugar para sentar.
Eu soube naquele momento que, gostando nossas famílias ou não, seriamos inseparáveis.
E quando eu o vejo de pé ao lado de meu noivo, meu querido padrinho, meu maior amigo, o melhor dos homens que já conheci, em quem posso confiar minha vida, eu sei que estava certa em desobedecer.
