Depois de bater o pé e insistir que Jared seria mais bem cuidado em casa, Jensen conseguiu convencer basicamente uma junta médica a dar alta ao ex-agente. Ele preparou o próprio quarto, é claro, no apartamento de Lobo, para hospedar o moreno alto.
Jared, apesar de não ter nem a chance de negar, relutou internamente, mas era impossível não aceitar a proposta. Ele admitia que sentia-se desconfortável no apartamento sabendo que Chad também morava lá com Jensen. Se bem que Jared, desde que estavam nos Estados Unidos, sabia que a casa de Ackles era um entra-e-sai de Chad, Beaver e Katie.
Quer se deitar agora? - Jensen perguntou enquanto, cuidadosamente, levava Jared para o quarto.
Jen, eu estou bem! - Jared sorriu olhando para o loiro que parecia levar uma criança para seu quarto. - Posso me virar sozinho...
E ele realmente podia. Já tinha melhorado apesar dos hematomas, alguns curativos e gesso ao redor da cintura por causa de algumas costelas quebradas. Ele ainda estava tomando alguns remédios, mas já conseguia andar sozinho e estava comendo bem.
O moreno alto segurou-se devagar na cama com, obviamente, Jensen em seu encalço. Ele não tirava os olhos de Jared, como se agora ele precisasse de cuidados 24 horas por dia.
Não vai mesmo falar com Beaver, não é? - Jared não queria, mas tinha que retomar o assunto.
Nunca vou perdoá-lo pelo que fez a você e você sabe, protanto... - Jensen disse como quem já havia repetido aquilo mais de uma vez.
Jen, Beaver fez de um jeito... não sei... 'torto'? Mas deu certo... - Por mais incrível que aquilo tudo poderia parecer, Jared pareceu entender as intenções de Jim muito melhor que Jensen.
Deu certo, claro. - Ackles dizia irônico. - O que deu certo foi você quase morrer, Jared! Como pode não ver isso?
- Eu vejo. Jared respondeu sereno. - Só que, agora, pelo menos você confia em mim e, como eu disse, se tivesse que fazer tudo de novo, eu faria...
Jay...
Jenny... - O moreno alto o interrompeu, sentando-se de gente para ele na cama. - Vamos parar com tudo isso, sim? Esses conflitos, essas coisas... Vamos cuidar da nossa vida...
Como assim? - Jensen suspirou olhando Jared um pouco surpreso
O moreno alto titubeou. Não sabia muito bem como começar o que dizer e nem o que. Até porue não era nenhum pouco fácil arrumar soluções para aquilo.
Não quero andar na rua olhando por cima do ombro todos os dias, Jensen... Não quero andar armado, ter que me cuidar para não me raptarem pra dentro de uma van, não quero ter que burlar formas de enganar federais... E nem quero mais que você tenha que fazer isso. - Jared relaxou os ombros após concluir. Ele encarava um Jensen com um olhar perdido.
Jared, o que quer dizer? Que vamos ser...?
Eu só não quero mais essa vida, e nem quero pra você... - Jared pegou na mão de Jensen entrelaçando seus dedos nos dele. - Vamos... ser pessoas normais...
Jared! - Jensen levantou-e da cama e chegou a rir um pouco, incrédulo. - Está sugerindo que eu me entregue a polícia?
Claro que não! - Jared apressou-se em explicar. - Quero só que... pare com isso.
E quer que eu faça o que? - Jensen aind aparecia confuso.
Você fez faculdade... - Jared recomeçou. - É formado em fisioterapia, Jen! - O moreno chegou até a parecer animado e até orgulhoso em dizer.
E? - Jensen ainda não levava a sério. - Nunca exerci, e não levo o menor jeito... Meu pai me obrigou a fazer faculdade... - Jensen fez uma pausa e olhou de um jeito um tanto quanto cínico para Jared. - Mas você já deve saber de tudo isso...
Jared ficou em silêncio e não conseguiu evitar um olhar desapontado para o loiro que agora dava as costas a ele, talvez um pouco arrependido de ter iniciado aquela discussão quando Jared, na verdade, só estava tentando ajudar.
Se quiser ficar comigo... - Jared levantou-se da cama e, com certo esforço pegou a mochila que havia trazido de Los Angeles. - Essas são as condições, Jensen. - Ele concluiu firme e encaminhava-se para a porta.
Ei, ei... Aonde via? - Jensen se interpôs em frente ao ex-agente, impedindo-o de passar. - Você concordou em ficar aqui... Qual é, Jared! Você não está bem, me cuidar de você, quando você estiver bem, conversamos sobre isso, certo?
Não, Jensen... - Jared estava decidido. - Eu vim atrás de você para resolvermos não apenas a nossa situação, mas tudo... Não quero viver assim, e não consigo entender porque você quer...
Eu não quero, Jay! - Jensen segurou no rosto do outro. - Só não tenho escolha...
Mas é claro que você tem!
Não posso desfazer o que eu já fiz, Jared. - O loiro suspirou e agora parecia implorar com os olhos. - Não vá embora... Você me conheceu assim, se apaixonou por mim assim e, de repente, quer que eu mude?
"De repente"? - Jared retrucou. - O que me admira é você querer insistir nisso depois de tudo que aconteceu! Quer isso pro resto da vida, Jensen? Bolando planos seja alto mar, seja por terra, seja pelo céu para trazer drogas, armas, ou sei lá mais o que em busca de dinheiro? Ter todos os cuidados para apagar rastros e ficar longe das vistas da polícia? Quer acabar como seu pai?
Ei! - Jensen gritou com o outro, advertindo-o. - Está passando do limite!
E Jared entendeu que era verdade. Ele não queria mesmo ter que tocar naquele assunto, mas parecia que Jensen não estava mesmo querendo largar aquele tipo de vida. Não que fosse algo fácil de qualquer maneira, até porque não mudaria o fato dele continuar na mira da polícia que já fez.
Vou deixar você pensar. - Jared concluiu depois de uma longa pausa olhando nos olhos frustrados do loiro. Você decide o que é mais importante pra você...
Ele voltou a pegar a mochila do chão e atravessou a porta do quarto de Jensen que, irredutível, o interrompeu correndo atrás dele pelo corredor. Ele parou em frente ao moreno e suspirou segurando-o pelos ombros.
Ok, você está certo. - Ackles falou baixo e estava mais calmo, como se recobrasse a consciência depois de algum tempo apagado. Jared sorriu de leve, feliz de verdade pela primeira vez em meses. - Mas...
Sempre tinha um "mas", um "porém". Mas isso não desanimou Jared. Quando o traficante parou para raciocinar como diria aquilo, ele até sentiu-se arrependido de ter começado a falar.
Tem esse... trabalho. - Jensen disse um pouco atrapalhado.
Jen!
Calma, me ouça. - Jensen interrompeu a tentativa de Jared de recriminá-lo. - Eu já comecei então... eu preciso... finalizá-lo, não posso voltar atrás agora.
E de que se trata? - Jared perguntou, mas na verdade nem queria saber a resposta.
Eu e Lobo estamos trabalhando numa carga que irá de Madri para a Turquia.- Jensen disse e o moreno suspirou. - Prometo, é a última vez e então... E então paramos com tudo, certo?
Jared não sabia se queria escutar ou participar daquilo. Ele desviou o olhar do loiro. Mas queria dar essa chance a Jensen, até porque era uma chance para ambos.
E qual é o plano? - Jared perguntou após uma longa pausa e um suspiro frustrado.
Mohamed Al-Fayed é cliente antigo, era amigo do meu pai... - Jensen começou passando as mãos pela testa e andando de um lado para outro no corredor. Ele vai receber a carga de heroína no meu avião particular.
Você enlouqueceu? - Jared disse um pouco exaltado. - Se antes a polícia não tinha provas contra você, agora pode te prender em flagrante!
Não vão nos pegar, ok? - Jensen disse firme. Ele realmente acreditava que era imbatível. Depois de alguns anos de impunidade, era comum que se adquirisse certa confiança. - A droga vai embalada em... Em alguns brinquedos. - Ele disse mais baixo a última parte e Jared chegou a realmente acreditar que ele ficou com vergonha de dizer.
A que ponto você...
Eu se, por favor. - Jensen novamente interrompeu mais uma tentatia de Jared de afrontá-lo. - Mas foi a melhor ideia...
Realmente. - Jared respondeu irônico. - Brinquedos, Jensen, que cúmulo!
Jared, não quero discutir mais, por favor. - O loiro suspirou e abraçou o namorado que não resistiu em abraçar de volta. - É a última vez, certo? Prometo.
Jared tinha parcialmente conseguido oque queria, e queria distância de tudo aquilo e de todos ao redor de Jensen, simplesmente porque era exatamente o que parecia: não queria dividir o loiro com esse tipo de negócio e muito menos com outras pessoas. Eles não sabiam bem como sair daquilo sãos e salvos, mas Jared tinha fé que alguma ideia lhe surgiria em mente.
J&J
Amanda Latona jantava com o namorado no restaurante do hotel em que se hospedavam. Ela bebia calmamente seu vinho tinto enquanto tinha um Michael Rosenbaum que praticamente não tocou na comida.
Não vou pedir mais uma vez pra que você relaxe, ok? - A morena bonita tinha voz doce. - Mas se puder, pelo menos, se desligar de outras coisas, Mike... - Ela pousou a taça sob a mesa de forma elegante e pegou em uma das mãos do namorado.
Eu sei que estou uma péssima companhia hoje, meu bem. - Ele esboçou um sorriso de canto. - Mas que é, finalmente, toda essa operação está chegando ao fim... Depois de tantos anos, vou me ver livre dessa vida dupla... - Ele suspirou e apenas admirou o bonito rosto de Amanda. - Depois quem sabe... podemos nos casar... - Ele abriu o primeiro sorriso sincero do dia.
Você me pediu em casamento há mais de seis meses e não marcamos nem uma data... - Ela riu. Amava o agente demais e, apesar de ser como qualquer mulher e querer vestir branco na igreja, ela esperaria o tempo que fosse. - E quando chegar a hora, vai ser o dia mais feliz de nossas vidas...
Quero te compensar. - Ele acariciou as mãos da noiva, olhando o bonito anel que havia dado a ela. - Não só pela espera, mas toda essa vida pra que te arrastei... Eu sei que fui advertido a te deixar fora disso, mas... Não conseguiria mentir pra você...
Ei! - Ela sorriu mostrando os dentes bonitos. - Está tudo bem, sabe que quero ajudá-lo.
Eu sei, e eu quero te proteger. - Ele respondeu encarando os olhos amendoados da modelo. - Eu realmente daria qualquer coisa pra poder passar a noite com você...
Mas eu sei que El Lobo vai querer você para as negociações com o turco, certo? - Ela disse compreensiva.
Eu prometo chegar mais cedo possível. - Ele respondeu sentindo-se o homem de mais sorte no mundo.
Ela respirou fundo e ambos finalizaram seus jantares tranquilos.
J&J
E tudo isso é confiança? - O homem calvo de um canto da sala dizia enquanto encarava o outro, que bebia calmamente seu champanhe e olhava a bonita noite parisiense.
O filho do Ackles é de minha inteira confiança. - Respondeu o que parecia ser o chefe. - E o colombiano apenas está nos negócios porque o próprio filho de Roger nos garantiu que vale a pena.
Então qual é o problema?
Não me agrada essa demora para a confirmação em relação ao pagamento. - Ele respondeu ao outro homem mais jovem que permanecia inquieto. - Mas logo daremos um jeito nisso. Vamos dar seriedade aos negócios.
É por isso que estamos aqui? - O outro perguntou agora se sentando na enorme poltrona do sofá.
Exatamente. E a operação começa em breve. - Ele fez uma pausa para tomar outro gole do champanhe. - Neste hotel.
E como vai ser?
Na hora certa você vai saber e coordenar tudo. Não se preocupe. - Mohamed Al-Fayed concluiu com um sorriso irônico.
J&J
Não, Rosenbaum. Tom Welling andava e um lado para outro em seu próprio apartamento, encarando um pouco exaltado aquele homem que era dado como seu braço direito. - Eu quero saber como é que você vai explicar esse circo em torno do Padalecki.
Tom, eu simplesmente achei que...
Acho que o que? - Tom interrompeu o outro que tentava começar a falar. - Como você, além de obedecer ordens de Kristin e Beaver, ainda mente pra mim? - O moreno alto andou em direção a Michael e parou bruscamente o encarando de perto, tinham a mesma altura. - Eu juro que até agora estou buscando na minha mente um motivo excelente pra não te dispensar. E você sabe muito bem o que isso significa.
É, realmente Mike sabia. Só existia uma maneira de deixar de trabalhar para El Lobo: estando morto.
Lobo, eu não tenho realmente uma boa explicação. - Mike tentava manter a calma. Já conhecia Welling o suficiente para saber como lidar com ele, mas sabia que, naquele momento, o colombiano realmente estava furioso. - Não quero que encare como traição, isso não é agir pelas costa, não tinha nada a ver com você...
Você está cansado de saber que sempre vou comprar as brigas de Ackles. - Tom ainda usava a mesma entonação irritada na voz. - Não acredito que teve a cara de pau de tramar co Kristin... JUSTO COM ELA!
Tom, por favor, quero que entenda que nada disso era pra terminar desse jeito...
E eu já estou cansado de ouvir essa desculpa! - O som da voz de Welling foi complementado pelo barulho agudo de vidro se quebrando quando ele jogou, com raiva, no chão o copo de whisky que bebia. - Vocês são, além de estúpidos por natureza, incompetentes até pra isso! Que estavam pensando subestimando Jensen daquele jeito?
Tom...
Acha que ele não descobriria? - Welling não estava com cara de que deixaria Rosenbaum falar. - Você, Beaver e aquelas duas vadias, Cassidy e Kreuk, são um bando de idiotas! Não fazem nada direito.
Padalecki está são e salvo com Ackles. - Foi a vez de Michael subir a voz. - Se acertaram, estão bem e juntos. - Ele fez uma pausa diante do silêncio de Tom que, desta vez, não o interrompeu. - Esse era o objetivo de Beaver coom tudo, portanto... Não foi algo tão estúpido quanto você faz parecer.
Mike concluiu e Tom parecia, pela primeira vez, bastante surpreso com aquela atitude, já que Rosenbaum raramente o afrontava.
Então, se você é tão cúmplice de Ackles, deveria esquecer isso já que acabou bem. - Mike já falava mais baixo, mais calmo.
Welling respirou fundo e realmente precisou admitir, lógico que apenas para si mesmo, que Michael tinha sua parcela de razão e, querendo ou não, por mais arriscado que o plano tivesse sido, realmente tinha seus méritos. Havia dado certo afinal de contas.
Amanhã vamos encontrar Al-Fayed. - Welling dizia mais calmo, claramente querendo mudar de assunto. - Não vamos mandar o dinheiro até eles nos encontrarem pessoalmente.
Não querendo ser pessimista, mas acredito que eu esteja aqui pra te advertir... Acho que não seria boa ideia 'brincar' com a paciência desses turcos... - Mike respondeu enquanto sevia-se de bebida. Precisava relaxar.
Não me interessa. Quem dita as regras nessas negociações sou eu. - Tom retrucou sério e convicto. - Todo mundo que negocia comigo sabe disso.
O avião de Ackles já está confirmado na operação?
Já. - Lobo fez uma pausa passando as mãos pelo rosto. - Amanhã vou falar com Ackles e depois seguimos para o encontro com Mohamed. Não estou gostando dos valores.
Estão baixos?
Estão baixos demais. - Tom respondeu apreensivo. - Acho que eles não sabem muito bem quem eu sou. Não negocio mixarias.
Mike encarava a janela olhando as luzes bonitas em torno da cidade, e o belo Arco do Triunfo. Lembrou-se de Amanda, lembrou-se do quanto precisava que esse negócio de Welling desse certo. Era seu ultimato, era o plano que a Scotland Yard precisava para prendê-lo e, depois dos mais de dois anos, finalmente pudesse acabar com tudo.
Como está sua noiva? - Welling pareceu adivinhar que ele pensava nela.
Bem. - Mike respondeu um pouco seco. Não gostava de falar muito a respeito, não queria nem pensar na possibilidade de Tom ter acesso à Amanda.
Pode ir ficar com ela. - Lobo disse calmamente sem encarar o agente. Mike, por sua vez, o encarou surpreso. - Desde que esteja amanhã aqui cedo. Ele concluiu ainda sem oolhar o amigo, pegou o casaco do terno que usava e rumava para seu quarto.
Mike, é claro, finalizou sua bebida e não pensou duas vezes antes de correr de volta ao hotel onde estava a noiva.
