Run and tell all of the angels

(Corra e conte a todos os anjos)

This could take all night

(Isso pode levar a noite toda)

Think I need a devil

(Acho que eu preciso de um diabo)

To help me get things right

(Pra me ajudar a acertar as coisas)

Lobo entrou em seu apartamento na cobertura de um dos mais luxuosos prédios do centro de Paris, e cedeu espaço para que Chad entrasse. O loiro, um pouco sem graça, pôs as mãos nos bolsos da calça social e circulou devagar a enorme sala com uma janela grande que dava diretamente para uma das melhores vistas do Arco do Triunfo de Paris.

O apartamento era um belo triplex, sendo o último andar apenas reservado para a piscina ampla, com espaço para festas, tudo muito bem decorado. O segundo andar, inteiro para o quarto do colombiano. Chad mirou a pequena escada que dava acesso ao quarto e sorriu.

- E então, o que acha? - Tom perguntou quando jogou as chaves do carro em cima da escrivaninha de vidro perto da porta de entrada.

- Lugar incrível. - O loiro respondeu olhando o lustre no teto e os sofás espaçosos de couro preto.

Lobo encaminhou-se para o frigobar que tinha perto da sala e serviu-se de duas doses de whisky, preparou em seguida outra para Chad, levando até ele no meio da sala.

- Então, como conheceu Jensen? - O colombiano perguntou apontando o sofá para que Chad se sentasse e então sentou ao lado dele.

- Ele ficou sabendo, através de Beaver, sobre o que aconteceu na bolsa em 2002. - Ele sorriu ao lembrar-se de seu próprio feito. Um adolescente invadindo o sistema de Wall Street e apagando todos os dados provocando uma pane na economia. - Alguns hackers amigos meus, através da rede mesmo, comunicaram-se com outros amigos de amigos... sabe como é né...

- Perfeitamente. - Lobo respondeu rindo. - Então foi você mesmo quem instalou aquele vírus de computador...

- Fui. - Chad riu. Gargalhou na verdade. Achava uma graça escomunal toda vez que lembrava.

- Um pequeno gênio. - Lobo riu do jeito de Chad, tomando seu whisky num gole só. - Você me parece tão inofensivo. - O colombiano olhou com mais cuidado o rosto quase infantil de Chad.

- Digamos que passei tempo demais na frente do computador... Alie isso ao fato de eu ter sido uma criança curiosa... - Chad complementou tomando mais um gole do whisky. Estava um pouco sem graça, já que o colombiano não tirava os olhos dele.

- Nunca te pegaram? - O moreno perguntou curioso.

- Não... - O jovem hacker respondeu. - Mas quase... Éramos avançados em tecnologia naquele ano, mas nada comparado com o que temos agora. Os sistemas de rastreamento de IP's só começaram após 2005. Então... Naquele ano, não tinham provas materiais nenhuma contra qualquer tipo de crime virtual... - Chad respondeu e Lobo arqueou as sobrancelhas surpreso. Até que o garoto tinha conhecimento mesmo. - Além disso, eu era menor de idade...

Os olhos de ambos se encontraram e Chad logo desviou. Ele achou que não existia ninguém pior que Jensen para despir com o olhar, mas Welling certamente ganhava disparado.

- O que foi? - Tom perguntou quando Chad desviou o olhar, encarando o tapete caro do chão do moreno, extremamente sem graça.

- Você... - Chad começou, escolhendo as palavras quando finalmente voltou a encarar o colombiano. - ...está me encarando como se fosse um... - O loiro fez uma pausa procurando algum adjetivo.

- Lobo? - O moreno completou perfeitamente a frase de Chad.

- É. - Chad riu e observou o próprio Welling rir também. Certo, ele oficialmente tinha conhecido a parte mais linda de Tom: o sorriso. Talvez por ser raro.

Fez-se finalmente silêncio. Aqueles momentos em que as palavras se tornam supérfluas. E Chad respirou fundo e mais uma vez correu os olhos pela sala. Em cima de um dos balcões de madeira nobre, ele viu um porta retrato com uma foto bonita de Kristin.

O loiro engoliu a seco e suspirou. E então lembrou-se de quem realmente estava ao seu lado.

- Algum problema? - O moreno perguntou diante do silêncio e da expressão do outro.

- Eu acho que... - Ele disse levantando-se do sofá. - Eu acho melhor eu ir.

- O que? - Lobo ficou surpreso. - Por que? Vamos, Chad, fique... - Ele também levantou do sofá e segurou gentilmente o braço do loiro.

- Tom, em outros tempos, quem sabe há um ano atrás, eu já estaria lá em cima, na sua cama...

- Chad... - Tom riu do modo como o loiro colocou as coisas.

- É sério. - Chad assumiu uma expressão mais séria e Tom viu aquela sombra infantil sumir do rosto dele. - Mas... eu aprendi minha lição, sabe? Chega, não quero mais esse descaso com esse tipo de coisa, existe uma fase pra isso... E a minha já passou...

- Mas você nem ao menos me deu uma chance! - Tom protestou quando Chad tocou a maçaneta da porta.

- Você não me disse que quer uma. - O loiro falou consciente.

- Eu quero. - Welling apressou-se em responder. Segurou no rosto do outro que sustentou o olhar por alguns segundos, mas gentilmente tirou as mãos de Lobo de cima de si.

- Então faça por merecer... El Lobo. - Chad sorriu tranquilo e não resistiu a, pelo menos, dar um selinho na boca bonita do colombiano.

Hook me up a new revolution

(Me arrume uma nova revolução)

'Cause this one is a lie

(Porque esta é uma mentira)

We sat around laughing

(Nós sentamos juntos e rimos)

And watched the last one die

(E assistimos essa última morrer)

Desta vez ele não impediu que Chad atravessasse a porta e seguisse seu caminho. O moreno suspirou recostando-se na porta fechada.

Certo, ele tinha que admitir que realmente aquilo tinha mexido com ele. Não o fato de Chad tê-lo dispensado – o que era igualmente raro – mas sim pelas palavras dele. Ele sabia de Chad e Kristin e não ligava. Lobo não ligava pras pessoas e, de repente, pensar nisso lhe fez sentir mal.

Lembrou-se de Jensen e seu amor descomunal e, quase instantâneo pelo Jared. Lembrou as loucuras que Jensen foi capaz, até quase de matá-lo pra defender o ex-agente... Tom "El Lobo" Welling descobriu outro motivo, além do olhar, para ser chamado de Lobo, porque definitivamente agora estava se sentindo um... e daquele solitários.

x.J&J.x

Jensen estava nervoso. Pela primeira vez na vida que iria fechar um negócio grande, ele estava suando frio. Tinha algo errado, ele sabia. Alguma dizia que aquela demora para a chegada de Mohamed não era normal.

- Lobo, tem coisa errada. - Era a terceira vez que ele falava pra um Tom sério, que estava agora começando a pensar o mesmo.

Ele não respondeu, apenas tirou os óculos escuros e deu outra bela olhada ao redor do hangar e não viu nem sinal do turco ou de sua gangue. Michael, discretamente, ligava para o celular de Amanda, deixando-a sob aviso que a hora de prender todos estava chegando. Mas a modelo não atendia.

Chad estava ao lado de Jensen e, involuntariamente trocou olhares com Tom. Jensen percebeu que alguma coisa estava acontecendo entre os dois, mas preferiu não se envolver.

Finalmente uma BMW do ano, preta, dava sinal de que estava chegando ao longe. Tom e Jensen trocaram olhares e ficaram a postos. Michael igualmente ao lado de Tom e Chad ao lado de Jensen. Katie e Beaver esperavam confirmações de que estava tudo bem na casa de Jensen.

A BMW estacionou perto na entrada do enorme galpão do hangar onde o avião de Jensen já estava pronto.

Desceu, imponente, todo de preto, tirando os óculos escuros, com uma expressão indiferente e impaciente, um bastante sexy Misha Collins.

Jensen estendeu a mão para cumprimentar Collins, mas ele apenas olhou a mão de Jensen e não retribuiu. Ackles não esperava nenhum tipo de reação educada de um sanguinário feito Collins.

- Onde está nosso dinheiro? - Welling começou extremamente impaciente. Odiava a falta de pontualidade.

- Senhor Al-Fayed perguntou se vocês gostariam de reconsiderar o valor. - Misha sorriu arrogante, quase debochado.

- Não. - Foi a resposta em coro de Jensen e Tom. Mike se posicionou mais perto deles a fim de ouvir a conversa. Chad fez o mesmo e já conseguiu imaginar que algo não estava certo.

- Talvez depois de verem isso... - Misha tirou o celular do bolso mostrando uma foto aos dois - ...vocês queiram pensar melhor.

Jensen e Tom olharam a foto mais de perto. Parecia ser uma morena muito bonita, de com vestido branco sujo e rasgado, com a boca amordaçada e parecia ter apanhado.

- Não sei quem é. - Jensen respondeu indiferente.

Tom franziu o cenho, não lembrava, mas o rosto era conhecido.

I'm looking to the sky to save me

(Procurando por algum Céu pra me salvar)

Looking for a sign of life

(Procurando por um sinal de vida)

Looking for something to help me burn out bright

(Procurando por algo que me ajude a brilhar forte)

- Amanda... - Michael Rosenbaum estava a beira de um ataque de nervos. Ele olhou de perto a foto e sim, sem dúvidas se tratava da noiva. - O que...? - Ele tentou tirar o celular das mãos de Misha, mas ele guardou o aparelho antes.

- Quem é Amanda? - Jensen perguntou já irritado. Odiava chantagens. Achava covarde demais.

Chad engoliu a seco e ficou ao lado de Mike. Tom respirou fundo, estava tão irritado quanto Jensen.

- Não vamos ceder a chantagens, até porque...

- Cala a boca, Welling, você não está no comando aqui. - Misha interrompeu o colombiano, parecia que queria dizer isso há tempos. O tom de desprezo era claro.

- Mas com quem pensa que... - Tom estava pronto para avançar em cima do homem, quando foi subitamente segurado por Jensen pelo braço, afastando-o e ficando entre ambos, já que Misha parecia pronto para sacar sua arma.

- Quem é essa moça? - Jensen perguntou claramente irritado, já que era a segunda vez que ele perguntava.

- Minha noiva. - Mike respondeu olhando para Misha como se pudesse matá-lo ali mesmo, mas tentando manter a calma.

Tom passou as mãos pelos cabelos, irritado. Silêncio. Ninguém retrucou, ninguém rebateu, Misha apenas parecia sentir um prazer imenso em tudo aquilo. Tortura psicológica, forçar os outros a fazer o que eles queriam... Deleite absoluto para o turco.

- Bem, como eu disse... - Misha repetiu com um tom de voz extremamente tranquilo. - ...vamos dar um tempo pra vocês pensarem... - Ele abriu o sorriso mais satisfeito que alguém poderia ter.

Deu as costas aos quatro, voltou para o carro e deu partida praticamente segurando o riso.

Tom olhou para Jensen, que olhou para Chad que consolava um Michael atônito. Parecia que a ficha do agente ainda não havia caído. Ele encarava o horizonte, o nada, estava em completo estado de choque.

- Posso falar com você? - Jensen, extremamente irritado, já que julgava que certamente tudo aquilo era culpa da arrogância de Tom, pediu mas já puxava o colombiano para um canto do hangar, longe de Michael e Chad.

- O que foi? - Lobo, impaciente, esperava um sermão.

- Não vamos ceder a isso. - Jensen começou, ponderando o tom de voz. Nervoso, inquieto, mas controlado. - Não dou a mínima pra essa garota.

- Jensen! - Tom olhou incrédulo pra ele. - Como pode dizer uma coisa dessas?

- Vai querer me dizer que você se importa? - Jensen rebateu e a discussão inevitavelmente se iniciara.

- É claro que me importo! É a noiva do Mike! - Ele sentiu-se quase ofendido quando respondeu.

- Ah falou o cara que matou a própria esposa. - Jensen era sarcástico.

Tom o encarou em silêncio. Não pela falta de resposta, mas pela frieza de Jensen. Aquele discurso todo certamente era de se esperar de Tom, mas não de Jensen. O loiro suspirou e percebeu que tinha passado do limite.

- Ok, me desculpe. - Ackles disse, controlando o tom de voz e sem coragem de olhar Lobo nos olhos. - Só quero... Quero terminar isso logo.

- Eu também quero. - Welling respondeu. - E espero que achemos uma solução.

- Vamos receber o que eles querem pagar e pronto. - Jensen sugeriu.

- Tarde demais, Jen. Agora não vão querer nos pagar nada, apenas matarão Amanda... Precisamos de um plano e...

- Ei, pessoal... - Chad Michael Murray interrompeu a conversa.

Jensen e Tom viraram-se para encarar o hacker num suspiro cansado, com as mãos pro alto e com Mike apontando a arma pra cabeça dele.

Tom franziu o cenho, não entendendo nada.

Jensen achou que não poderia se irritar mais.

- Vamos te ajudar, seu idiota! - Tom gritou com Rosenbaum ao ver a cena. - Que palhaçada é essa? Abaixe essa arma agora! - Welling ordenou mas Mike, obviamente, não obedeceu.

- Vocês estão presos. - Rosenbaum disse, impaciente, mas aliviado. Como se há anos esperasse para dizer aquilo.

- Mas que porra...? - Jensen arregalou os olhos.

Lobo ficou paralisado.

- Mãos onde eu possa ver, por favor. - Mike continuou, puxando o distintivo da Scotland Yard do bolso e mostrando aos outros dois. - Agente Especial Michael Rosenbaum.

- Isso deve ser brincadeira. - Tom vagarosamente levantou os braços.

Jensen repetiu o movimento sentindo o deja vu. Respirou fundo. Não acreditou que havia caído naquilo duas vezes.

Os três foram algemados por Mike e o mesmo ligou para seus superiores para avisar da prisão do ano. Provas eles tinham o suficiente, um avião no nome de Jensen Ackles carregado de heroína poderia ser bem significativo.

Ao contrário do que a maioria pensaria, Mike não estava feliz. Ele sabia que Welling, Ackles e Murray não ficariam na cadeia. Na realidade, ele mesmo os achava brilhantes demais para irem para uma.

- Você era um agente o tempo todo? - Tom perguntou, rindo irônico.

Mike apenas assentiu com a cabeça, sem olhar para nenhum deles. Estava incrivelmente concentrado e seu celular.

Jensen pensou em Jared. Achou que, desta vez, ele iria mesmo pra cadeia e a tal 'vida dos sonhos' de ambos acabara de ir pro ralo.

Os três estavam em choque. Mike parecia alheio a realidade, falava ao celular o tempo todo, até, depois de alguns longos minutos, um sedan preto chegou ao hangar.

A chefe de Michael, Agente Especial Lauren Cohan, que coordenava a Unidade de Resposta Estratégica da polícia francesa desceu. Imponente, feito uma rainha, cercada de outros dois agentes.

- Resposta Estratégica? - Chad perguntou ao ver a sigla no carro da polícia.

- Também não estou entendendo. - Tom respondeu enquanto Mike falava com Lauren ao longe, de forma que eles não puderam ouvir a conversa. - Jensen?

- Não faço a menor ideia. - O loiro respondeu, mas na verdade, ele tinha sim uma vaga noção do que aquilo se tratava.

I'm looking for complication

(Estou procurando por uma complicação)

Looking cause I'm tired of lying

(Procurando porque estou cansado de mentir)

Make my way back home when I learn to fly high

(Farei meu caminho de volta pra casa quando aprender a voar alto)