Capítulo 2 - Estranha?

- Mas que papelão, heim, Inuyasha? – disse Miroku, seguindo o rapaz.

Inuyasha revirou os olhos.

- Será que posso comer em paz sem você ficar falando na minha cabeça?

- Já disse, você é muito mal humorado! – retrucou – Está pensando em pedir desculpas?

- Olha bem para a minha cara, você acha mesmo que eu vou me dirigir até aquela nanica e pedir desculpas? – disse Inuyasha, enfiando um monte das batatas chips em sua boca. – E outra coisa, você não acha que existe algo estranho nessa garota? Tipo, quem entra em uma escola, no terceiro colegial faltando menos de 3 meses para as aulas acabarem?

- Não acho isso nada estranho. Ela é perfeita. – disse Miroku que parecia delirar com seus próprios pensamentos.

- Esquece...

O meio-yokai tinha a impressão de que as primeiras aulas haviam passado rápido demais, concluira que o fato de não ter Miroku falando sem parar havia contribuído para essa sensação.

- Olha lá! – disse Miroku empolgado apontando para frente. – Vê? Por isso que eu gosto da Sango, ela é rápida.

O moreno logo se levantou e saltitou até a amiga, deixando Inuyasha para trás sem entender muito bem o que acontecia.

- Sangozinha! – disse.

- Tire os olhos, Miroku, não vou dividir meu lanche com você! – retrucou Sango, puxando seu bento.

- O que acontece com todos hoje? – resmungou Miroku. – Vê como ela me trata, Arashi?

- Todos te tratam assim. – disse Sango. – Pare de reclamar!

- Vocês são namorados? – perguntou Kagome, achando a situação engraçada.

- SI... NÃO! – disseram Sango e Miroku ao mesmo tempo.

Ela começou a rir.

- Isso é um sim, um não ou um mais ou menos? – perguntou.

- Isso é um não! – disse Sango. – Miroku é um pervertido, é bom estar avisada, ele é um problema e vai atormentar sua vida, assim como faz comigo!

- Acho que ele gosta de você. – disse Kagome.

- Viu, Sango? Até a Arashi que está a menos de 10 minutos com a gente já percebeu! – disse Miroku sorridente.

Sango revirou os olhos e suspirou.

- É, e acho que ela não gosta de você. – completou Kagome.

- Viu, Miroku? Até a Arashi que está a menos de 10 minutos com a gente já percebeu! – disse Sango imitando a voz do moreno.

- Vocês são cruéis comigo. – choramingou Miroku.

- Ok, ok, desculpe. Aqui, você veio pedir comida, não é? Pode ficar com o meu lanche, estou sem fome. – disse Kagome entregando seu bento para o rapaz.

- Está falando sério? – disse Miroku, emocionado.

- Você vai criar um monstro. – avisou Sango.

- Todo seu. – disse Kagome.

- Você é um anjo! – disse Miroku.

- Já que você veio parasitar aqui, me diz uma coisa, seu amigo não vai se desculpar, não? – disse Sango.

- Ah, é! Bem lembrado, desculpe o Inuyasha, ele é meio complexado por causa daquelas orelhas e tudo o mais. E, nossa, que maravilha de comida caseira!

- Desculpar? Estão falando do mal entendido de hoje cedo? – disse Kagome.

- Isso não está certo, porque você tem que falar por aquele cabeça-dura? – retrucou Sango.

- Eu não ligo pra isso. – comentou Kagome. – E não acho que seja motivo para pedir desculpa, como eu disse foi só um mal entendido. E falando nele, acho que ele quer falar com você, desde que você veio pra cá ele não para de te encarar emburrado.

- Ele está sempre emburrado, mas já que você falou, vou ver o que ele quer. Deve estar bravo porque consegui comida e ele não.

- Ele não gosta de mim, por isso está emburrado. – disse Kagome.

- Impressão sua, todo mundo tem essa impressão na verdade, mas ele só não sabe como lidar com as pessoas. – disse Sango.

- Acho que o problema é não saber lidar com ele mesmo, isso sim. – disse Kagome. – Mas isso não é problema meu, não é? Mas se vocês me dão licença, preciso ir na diretoria entregar uns papéis..

Kagome levantou-se e sumiu no pátio, deixando Sango e Miroku para trás.

- Engraçado, ela sabe exatamente o que diz. – disse o rapaz. – Você se incomoda de ficar sozinha, meu bombonzinho?

Sango apenas o olhou e revirou os olhos, respirando fundo.

- Certo, certo. Entendi.

Miroku voltou até Inuyasha com um bento nas mãos e um sorriso nos lábios. O meio-yokai o olhou irritado.

- Você se vende muito fácil, sabe disso, não sabe?

- Na verdade, o problema é você ser muito chato, Inuyasha. Falo isso porque sou seu amigo, você está ai todo emburrado porque estava achando que a Arashi tinha problemas com você por você ser um yokai, assim como todos os outros, mas ela parece não se importar nenhum pouco com isso. Sei lá, cara, você deveria dar mais chances para as pessoas, você sabe, um dia eu vou casar com a Sango e não vou poder mais te fazer companhia, vou precisar sustentar meus 3 filhos e a mulher dos meus sonhos e não vou ter tempo pra você...

- Deus do céu, do que você está falando, Miroku? – disse Inuyasha, encarando-o, incrédulo.

O moreno começou a rir.

- Nada demais, só estou tentando te fazer entender que nós humanos não somos tão ruins quanto você acha, pelo menos não alguns de nós e olha, eu não acho que aquela garota seja do tipo que vai tentar te exorcizar ou algo do gênero. Ela não me parece má pessoa. – disse Miroku.

- Pra você, qualquer garota bonita não é má pessoa. – retrucou o hanyou.

- Vê? Já tivemos um avanço aqui, você já aceitou que ela é bonita! – disse Miroku, sorrindo. – O próximo passo é aceitar que, se ela cozinhou isso aqui, ela é uma bela cozinheira. Experimente esse onigiri.

Miroku pegou um bolinho de arroz no bento da menina e ofereceu para o amigo, que ao ouvir seu estômago roncar, aceitou. Mordeu com certo receio, estava se achando um completo imbecil comendo a comida daquela garota que ele nem conhecia, mas ao sentir o gosto do bolinho deixou de lado o receio e o enfiou inteirou na boca, pegando outro.

- Ela não pode ter feito isso, é muito bom. – disse, enquanto comia o terceiro bolinho.

- Espero que você não faça com que ela te odeie ou serei obrigada a te abandonar, amigão. Não posso perder essa comida. – disse Miroku com metade do tempurá que comia para fora da boca.

Os dois se entreolharam, deram um meio sorriso zombeteiro e voltaram a comer.


O resto dia passou de forma tranqüila, Inuyasha havia comido tanto no intervalo que caíra em sono profundo na sala de aula, chegando a soltar um ronco ou outro de vez em quando. O fato de o rapaz ser um yokai trazia-lhe o que algumas pessoas da turma chamavam de regalias, embora yokais e humanos vivessem juntos há milênios, ainda existiam mitos e lendas que cercavam aquela criatura mística.

- Dizem que yokais acordam de muito mau-humor e como o nosso Inuyasha aqui vive mal humorado ninguém tem coragem de acordá-lo. Sabe? Medo de que ele possa atacar alguém, ou coisa assim.

Explicou Miroku ao ser questionado por Kagome o motivo de ninguém acordar Inuyasha, mesmo roncando alto o bastante para atrapalhar as aulas na sala ao lado. Ela achou graça e disse um "Que bobagem".

Quando o sinal liberando-os da aula tocou, Sango e Miroku entreolharam-se, a garota revirou os olhos.

- Eu já o acordei da última vez e agüentei cara feia por uma semana, isso porque ele nem é meu amigo! Deixo o garotão pra você hoje!

- Mas Sangozinha, eu ainda nem me livrei daquele roxo nas costas que ele deixou quando eu o acordei, em você ele não bate porque é mulher! – retrucou Miroku, choroso. – Anda, por favor, por mim...

- Você não quer mesmo que eu faça isso, não é? – disse Sango.

Kagome começou a rir da discussão dos dois.

- Tudo bem, eu o acordo. Preciso resolver algumas coisas na secretária ainda, enquanto isso ele pode continuar dormindo, quando eu for para casa, o chamo, pode ser? – disse.

- Eu não acho uma boa idéia. – disse Sango, receosa.

Miroku olhou para o amigo babando na mesa, depois olhou para Kagome em pé ao lado, essa que continuava sorrindo achando graça de tudo aquilo. Suspirou.

- Vamos, Sangozinha, tenho esperança de que ele fique com fome enquanto a Arashi resolve o que tem pra resolver, acorde e vá para casa.

- Tem certeza? – disse Sango.

- Não se preocupem comigo, sério. – disse Kagome, rindo.

Os dois se entreolharam e pegaram o material.

- Se você diz... – disse Sango. – Mas não tenha receio de gritar se for preciso, ok? Alguém virá te ajudar.

- Acho que agora você está exagerando também, né, Sango? – disse Miroku. - Inuyasha não é uma máquina de destruição em massa como você faz parecer!

Agora Kagome gargalhava.

- Pode deixar, se algo acontecer comigo eu grito.

Miroku e Sango saíram na sala, deixando para trás Inuyasha babando na mesa e Kagome em pé, ao seu lado. Quando os dois já haviam saído do prédio, Kagome puxou uma cadeira e sentou-se ao lado do hanyou, apoiou o cotovelo na mesa em que ele dormia e a sua cabeça nas mãos. Encarou-o por mais meia hora, mas o rapaz não demonstrava querer acordar, ela suspirou.

- Inuyasha... Hei, Inuyasha. – sussurrou nas orelhas caninas do hanyou.

As orelhas dele reagiram às palavras, balançando-se levemente.

- Está na hora de acordar. – continuou Kagome, agora com um sorriso nos lábios.

Ele abriu os olhos devagar, enrugando a cara por causa da claridade, passou a mão no canto esquerdo dos lábios, limpando a baba. Piscou algumas vezes até entender onde estava.

- Boa tarde para você. – disse Kagome.

Inuyasha que até então se encontrava curvado na mesa, esticou a coluna e olhou assustado para os lados.

- Cadê todo mundo? O que você fez com eles? – disse.

Kagome arregalou os olhos, antes de começar a gargalhar.

- O que você acha que eu sou? – disse entre um riso e outro. – Todos já foram embora, porque a aula já acabou faz mais ou menos uma hora, você desmaiou depois do intervalo.

- E porque ninguém me acordou? – retrucou, parecendo irritado.

- Parece que você costuma bater nas pessoas quando acorda ou pelo menos ameaçá-las de morte por uma semana. – disse Kagome – Eu também acordaria irritada se colocassem um trio elétrico na porta da minha casa.

- Ahn? – disse Inuyasha confuso.

Kagome apontou para as orelhas do hanyou.

- Sua audição é muito sensível, não é? Por isso você acorda de mau humor, tenho certeza que as pessoas te acordam aos berros. Não as culpo, com esse seu sono pesado um ser humano normal iria precisar de uma bateria de escola de samba para acordar.

- Ah... É. – disse Inuyasha.

Kagome levou a cadeira de volta ao lugar, mas ao invés de ir embora, subiu em cima da cadeira e sentou-se em cima da mesa, mostrando que por baixo da saia verde do uniforme usava um short. O hanyou a encarou e ela o encarou de volta. Como em uma brincadeira silenciosa, os dois se olhavam sem piscar, os olhos de Inuyasha eram cor-de-âmbar e a luz que entrava pela janela os deixavam quase de um dourado vibrante, embora seus olhos fossem hipnotizantes para qualquer pessoa, ele foi o primeiro a desviar o olhar. Como ele havia notado mais cedo, os olhos azuis de Kagome pareciam piscinas convidativas. Convidativas até demais, davam-lhe a impressão de águas traiçoeiras que atraiam e depois afogavam. E embora ele odiasse admitir, teve de olhar para o outro lado, porque a intensidade daquele olhar o perturbava.

- Perdeu. – disse Kagome rindo.

Ele parecia não ver a mesma graça que ela.

- Quem é você? – disse.

- Eu sou a Kagome, prazer. E você, quem é? – disse a garota.

- Você sabe que não é disso que eu estou falando! – retrucou Inuyasha. – Como você sabia que eu era um hanyou?

- Você não sabe mesmo nada sobre mim? – perguntou Kagome, curiosa.

- Eu deveria?

- Meu Deus, quem te criou não te ensinou nada? Você tem sangue de yokai em suas veias, deveria perceber quem eu sou! – disse Kagome mexendo as mãos, demonstrando inquietação.

Inuyasha pareceu se irritar com aquela pergunta.

- Isso não é do seu interesse. – disse. – Sinto dizer, mas você não é tão famosa quanto acha que é, então, se não for pedir demais poderia me dizer o que diabos você é?

Kagome revirou os olhos e suspirou.

- Eu não sou nada. – disse, frizando a palavra "sou".

O rapaz parecia tomar fôlego para responder quando abruptamente virou o rosto para janela ao seu lado, seu nariz se mexeu instintivamente e seus olhos ficaram arregalados. Ele voltou seus olhos para Kagome e disse:

- É melhor você ir embora daqui.

- E porque é mesmo que eu deveria fazer isso? – perguntou Kagome em um tom pouco curioso.

- Ótimo, maravilha!Eu não vou ficar aqui te explicando as coisas, faça o que bem entender. Tenho mais o que fazer do que ficar aqui tentando descobrir porque você é tão estranha! – disse Inuyasha irritado, levantando-se e indo para a porta.

- "Estranha?!" – pensou Kagome.

Ela olhou para a porta e suspirou.

- Sabe? Eu deveria ter comido aquele lanche, hoje meu dia vai ser longo.


Olá :D Como prometido, depois de uma semana, aqui está mais um capítulo pequeninho da fic. Agradeço as reviews! Espero que gostem!

Vai demorar só mais um pouo para os capítulos ficarem maiores que é quando a história engata mesmo. Prometo!

Aricele: Obrigada :) Você foi a primeira a comentar

Sayurichaan: Obrigada! Como o combinado era esse, se alguém quisesse eu continuaria, então pode deixar que vou continuar :D *há, até rimou xD*

Hatara-L: Vou precisar dizer "obrigada" de novo! hahaha Sobre o título, eu estava tentando pensar em algo simples, por enquanto o Espelho é só uma definição pro relacionamento do Inuyasha e da Kagome, mas não sei ainda se vou usá-lo de algum jeito! Fico feliz que tenha gostado :)

E é isso. Até semana que vem para quem lê o que escrevo! XD