Capítulo 4 - Humana?
Kagome andou alguns metros, mas parou em baixo de uma árvore, olhou para cima e disse:
- Já que ele foi embora, você aceita meu convite para comer? É o mínimo que você pode fazer, não é? Afinal, você e seu amigo acabaram com a minha comida, isso sem contar ter se escondido em cima dessa árvore só para ouvir minha conversa.
Inuyasha, que até então se encontrava deitado em um galho, olhou para baixo e resmungou alguma coisa, cruzando os braços.
- Eu não te ouvi, isso foi um sim ou um não? – perguntou Kagome.
- Achei que tivesse uma audição super aguçada. – retrucou Inuyasha, com voz emburrada e depois abaixando o tom, como quem fala com sigo mesmo. – Essa é a única explicação para saber que eu estava aqui ainda.
Kagome começou a rir.
- Então você acha que eu tenho super poderes? – disse.
- É claro que não, sua estúpida. – retrucou Inuyasha, parecendo envergonhado por ter pensando em algo tão infantil. – E respondendo sua pergunta. Não! Não vou a lugar algum com você, porque acha que eu sairia por ai com uma garota estranha? E como diz com tanta certeza que eu fiquei aqui para ouvir sua conversa? Eu só gosto de ficar aqui, você é nova na cidade, não sabe de nada. Se morasse aqui há mais tempo saberia que sempre fico nessa árvore.
- Ah, desculpe. Eu achei que você fosse um yokai cachorro, não um yokai macaco! – retrucou Kagome. – Sobre o que eu disse sobre ir comer comigo, esqueça. Eu deveria estar maluca em chamar um hanyou estúpido e grosso feito você para ficar comigo!
- Hanyou o quê? – disse Inuyasha, com os olhos semi cerrados.
Kagome deu de ombros.
- Tenha um bom dia. – disse, ironicamente.
E dizendo isso, Kagome continuou andando e foi embora. Inuyasha olhou-a se afastando, uma brisa balançou seu cabelo e ele olhou para o céu, que começava a se tornar escuro graças às nuvens de chuva que se formavam.
- "Vai chover de novo?" – pensou, enquanto pulava do galho onde estava. – "Porcaria de garota estúpida, se eu tomar chuva a culpa vai ser dela!".
Kagome parou em frente a um sobrado de esquina. Ele parecia abandonado e muito antigo, o primeiro andar tinha uma pintura que deveria ser branca, mas estava descascando e em muitas partes os tijolos laranja apareciam, a porta era alta, mais alta que uma porta normal, mas tinha a mesma largura. Era cor de barro. Duas janelas pintadas de verde clarinho podiam ser vistas perto da porta, uma de cada lado.
O segundo andar tinha cor de cimento, como se a pessoa que tivesse pintado a fachada da casa não tivesse alcançado aquela parte. Por não estar pintada, as imperfeições eram chamativas, rachaduras e pedaços de tijolos dividiam espaço com trepadeiras, que se espalhavam sem uma ordem certa. Havia uma janela maior retangular no meio que ocupava metade da fachada.
Ela abriu a porta da frente e entrou na casa e como se fosse transportada para um outro mundo, a casa de aparência antiga tornou-se moderna. A sala era ampla e clara, mesmo com as janelas fechadas, pois uma das paredes era feita de vidro e dava para um jardim de inverno. A cor predominante era branca; o grande sofá ao centro, as paredes, os dois pufes gigantes. O grande tapete felpudo era preto, combinando com a estante de madeira escura, quase preta. Na parede havia quadros com pinturas abstratas, na estante uma televisão de LCD com umas 40 polegadas, o rádio e o dvd pareciam ser de última geração também.
Kagome largou a mochila na entrada e se jogou em um dos pufes, sentindo seu estômago roncar. Suspirou, até criar coragem e ir para a cozinha.
O cômodo era contrário à sala clara. Os armários eram, em sua maioria, pretos, com alguns detalhes brancos, o piso era xadrez preto e branco, uma das paredes era roxa. A geladeira, de duas portas, era preta, assim como o fogão, o microondas e a lava-louças. No canto esquerdo havia uma mesa redonda de mármore escuro, com bancos altos de estofado igualmente preto. Na parede havia um telefone.
Foi até a geladeira e pegou um prato, que parecia ser macarrão, e o colocou no microondas, ficou olhando o prato girar distraída, quando o telefone tocou.
- "Uma pessoa não pode nem comer em paz?" – resmungou mentalmente indo até a parede. – Alô?
- Kagome?
A voz do outro lado da linha era de uma mulher, a voz era firme e autoritária, o que dava a impressão de ser uma pessoa mais velha que a garota que atendera.
- Sou eu. – respondeu já sabendo quem era.
- Ótimo, parece que finalmente chegou à cidade. – respondeu a mulher, impaciente.
- Se você ligou na casa e não no celular é um sinal de que estou aqui, não é? – retrucou.
- Não estou com humor para suas gracinhas, Kagome. – respondeu a mulher, com a voz irritada. – Você demorou demais, estamos com um milhão de problemas e você é a mais próxima do problema, faz idéia do que a sua demora causou?
- Não, eu não consigo nem imaginar. – disse Kagome com voz de tédio. – E sinto dizer, mas não posso sair daqui para resolver problemas alheios.
- É assim que você encara as coisas? – a voz tornava-se cada vez mais irritada. – Você chama isso de "problemas alheios"? Isso faz parte de você, garota. Não sei quanto tempo pretende ficar ai, mas uma hora você vai precisar de ajuda e ouça o que lhe digo, diremos que não é problema nosso!
- Ó meu Deus, Kikyou, você continua sendo a rainha do drama. – disse Kagome. – Por favor, não jogue nas minhas costas as suas frustrações, se suas meninas não são capazes de fazer o que tem de fazer, não me ligue reclamando. O que estou tentando dizer é que estou cansada de resolver problemas dos outros, ninguém tem capacidade de fazer nada e sempre sobra para eu resolver!
- Não pense que pode falar assim comigo só porque está a milhas de distância. – retrucou Kikyou.
- Não quero discutir isso agora, quanto antes eu desligar o telefone, antes posso comer e ir resolver isso. E antes que comece com suas instruções infinitas, eu já sei o que fazer. Quando a nossa querida Branca de Neve desceu achei que poderia ter vindo dela a sensação, mas você ligar significa que tem algo mais, o que prova que eu não estava errada...
- Sesshoumaru ainda está na cidade? – disse Kikyou. Sua voz agora era apreensiva.
- Está sim, desceu da montanha – já disso que acho essa história de montanha hilária? -, enfim, ele desceu da montanha para me dar um olá hoje. Não é uma graça?
- Não imaginei que ele iria atrás de você tão cedo. – Kikyou parecia falar mais para si do que para ela.
- É, nem eu, mas isso não é um problema. – disse Kagome – O máximo que pode acontecer é eu subir aquela montanha e estrangula-lo com minhas próprias mãos, nunca vi um yokai mais chato!
- Não diga isso nem brincando. – respondeu Kikyou rapidamente embolando-se nas palavras. – Não se meta com gente como ele!
- Engraçado, ele disse quase a mesma coisa, disse que não quer se meter com a gente de novo, mas não se preocupe, eu não pretendo chegar perto dele de novo, a menos que esteja com tampões nos ouvidos. – disse Kagome. – Agora vou desligar, tenho que comer, minha comida está esfriando no microondas e pode deixar, eu resolvo o problema com os lobos.
- Antes me prometa que tomará cuidado com o Sesshoumaru. – disse Kikyou. – E não ouvirá as besteiras que ele fala!
- O maluco do matagal é a menor das minhas preocupações, acredite. – mentiu Kagome. – Ah, antes que eu me esqueça, bela casa, você tem bom gosto.
Kikyou parecia querer falar mais alguma coisa, mas ao perceber isso Kagome rapidamente disse "Até logo" e desligou o telefone, fazendo uma careta para o aparelho.
- "Será que ela esquece que eu preciso comer também?" – pensou. – "Dormir eu sei que ela já esqueceu, mas comer?!"
Abriu o microondas, mas a comida já estava fria. Suspirou, voltando o prato para o aparelho e colocando mais 1 minuto.
- "Falando em dormir, que se danem os lobos. Vou dormir antes de ir pra lá!".
Inuyasha olhou para a janela, já era pelo menos umas 7 horas da noite, ao contrário do que concluira mais cedo, não havia chovido, mas o vento que balançou a cortina azul do seu quarto fez com que ele pensasse novamente na possibilidade de uma tempestade. Estava com fome, mas a preguiça o impedia de ir até a cozinha e descongelar algo, lembrou-se da comida que Miroku havia lhe dado e automaticamente pensou em Kagome, mas logo percebeu que não era apenas a fome que o fazia se lembrar da garota. Era o cheiro no ar.
Ele respirou novamente, para ter certeza. Apesar de ter visto Kagome pouquíssimas vezes, seu cheiro era marcante, era diferente de tudo aquilo que ele já havia sentido. Na verdade, era uma grande mistura, o mais forte e presente era o de flor, algum tipo de orquídea*, seguido por uma leve e delicada presença de baunilha* e no fim de tudo, aquele cheiro característico de chuva. Inuyasha achava que aquilo só poderia ser coisa da garota, afinal, seu sobrenome significava tempestade.
- "O que essa esquisita está fazendo na rua?".
Levantou da cama em que estava jogado, afinal sua curiosidade era maior que sua preguiça, e foi até a janela, repetindo o mesmo caminho da noite anterior. E lá estava ela, o cabelo solto voando livremente para trás por causa do vento, os olhos brilhantes até mesmo no escuro e o tamanho inegavelmente pequeno. O cheiro dela se infiltrou no quarto, fazendo Inuyasha se perguntar por que ela passava tanto perfume. Kagome também imitou seu movimento da noite anterior, olhando para a janela do hanyou, mas ao contrário do sorriso que havia lançado-lhe, dessa vez ela virou a cara e continuou andando. Inuyasha ouviu-a soltar um "humph" antes de sair batendo o pé. Ele continuou ali até perdê-la de vista, reparou que ela saía da cidade a pé, concluiu que o destino era algum dos vilarejos que ficavam na região.
- O que ela pensa que está fazendo andando no meio do mato de noite? – resmungou Inuyasha. – Tenho que me lembrar de fazer cara de espanto caso ela morra, não quero o Miroku me perguntando o porquê de eu não ter impedido o passeio noturno da nova paixonite dele.
E concluindo isso, aproveitou que estava em pé e foi até a cozinha fazer algo para comer.
- Bom dia, Inuyasha.
O hanyou se esforçou para abrir os olhos, as olheiras em seu rosto estavam enormes e ele andava feito um zumbi pelo pátio.
- Nossa,o que aconteceu com você? Foi atropelado por um jegue?
- Você não é engraçado. – resmungou Inuyasha. – Miroku, faça algo que presta e me arranje café.
- E onde espera que eu ache café pra você? – retrucou o moreno.
Inuyasha bocejou, fazendo seus olhos lacrimejarem.
- Ah, Inuzinho, não fica assim, não precisa chorar. Titio Miroku vai arranjar café para você, tá bom? Espera um minutinho sentado aqui.
Em qualquer outra situação, Inuyasha teria discutido, mas o sono era tão grande que a única coisa que pôde fazer foi encostar as costas na parede e escorregar até encontrar o chão e se sentar. Miroku olhou-o mais uma vez antes de começar a passear pelo pátio, atrás do café.
O hanyou ficou jogado ali uns cinco minutos, meio dormindo, meio acordado. Percebeu alguém se aproximando, mas novamente não se esforçou para fazer nada.
- Nossa, você está horrível! Não dormiu essa noite?
Ele abriu de leve um dos olhos - não que precisasse disso para saber que era Sango que estava falando, o cheiro dela havia chego bem antes e sua voz também era inconfundível - e balançou a cabeça negativamente.
- Você está bem? Aconteceu alguma coisa, alguém morreu? Quero dizer, para você perder o sono algo sério aconteceu. – disse Sango com tom preocupado.
- O cheiro, Sango. O cheiro não me deixou dormir. – disse Inuyasha.
- O cheiro? – perguntou a morena.
- Aquela porcaria de chuva. – resmungou mais para si, do que para a garota.
- Não me diga que você tem medo de chuva! Tudo bem que a tempestade que caiu ontem a noite foi forte, mas não dormir por causa disso?
Sango, que estava ajoelhada ao lado de Inuyasha, levantou os olhos e deparou-se com Miroku sorrindo, ele tinha um copo branco e fumegante na mão.
- Eu só tenho medo do que vou fazer com você quando acordar, agora me dê logo essa porcaria.
- Ele espera mesmo que eu dê o café para ele depois dessa ameaça? – perguntou Miroku, olhando para Sango.
- Você tem duas opções: tentar agradá-lo, dando o café. Ou irritá-lo ainda mais fugindo. – concluiu Sango.
- Olhando dessa forma não me restam muitas opções. – disse Miroku, esticando o braço e entregando o copo para Inuyasha.
- Esperto. – disse Sango.
O rapaz sorriu orgulhoso de si. Os três ficaram sentados juntos, sem falar nada, até o sinal tocar obrigando-os a irem para a sala.
Miroku parecia querer conversar, mas o humor de Inuyasha o afastou nas duas primeiras aulas. Porém, na terceira criou coragem e virou-se para trás, falando:
- Hei, Inuyasha, você não está sentindo falta de ninguém?
O hanyou sabia do que ele falava, mas não queria conversar.
- Não, está tudo perfeito.
- A Arashi não veio, isso é muito estranho, é o segundo dia de aula e estamos no fim do ano já, ela não pode perder aula assim. – continuou Miroku.
- Eu disse que ela era estranha. – disse Inuyasha.
- Não é disso que eu estou falando. – retrucou o moreno. – Não estou dizendo que ela é estranha e sim que a situação é estranha.
- Eu realmente não me importo com a situação, Miroku, então vira pra frente e me deixe em paz.
- Inuyasha, você não fez nada com ela, não é?
- Do que você está falando? – perguntou Inuyasha, confuso.
- Ela te acordou ontem e hoje não aparece na escola? É muito suspeito. Eu não deveria ter deixado ela sozinha aqui com você. – a voz de Miroku começava a se tornar acusadora, fazendo Sango prestar atenção na conversa.
- Você está achando que eu fiz o que? Matei a garota e estou com sono porque passei a noite inteira procurando um lugar para enterrar o corpo, é isso? – disse Inuyasha irritado.
- É você quem está falando isso, Inuyasha. – disse Sango, intrometendo-se. – Sobre o que você estava reclamando agora pouco? Era sobre um cheiro, não era?
Miroku encarou Inuyasha, curioso.
- Vocês dois só podem estar brincando comigo.
Miroku e Sango se entreolharam e ficaram em silêncio. Mas o silêncio durou pouco tempo, pois a morena começou a rir.
- É claro que estamos! – disse rindo. – Sabemos que você não é nenhum assassino, mesmo sendo um yokai.
- Vocês não são engraçados. – retrucou Inuyasha, fuzilando-os com os olhos.
- Você já disse isso hoje, amigão. – lembrou-lhe Miroku. – Mas me diga, como ela conseguiu te acordar ontem?
- Ela me chamou. – respondeu Inuyasha, dando de ombros.
- Simples assim? Ela te chamou e você acordou? – perguntou Sango.
- É. Essa garota é muito estranha. – disse Inuyasha, recebendo olhares de desaprovação de Miroku. – E não me olhe assim, Miroku, falo sério.
- Algum motivo em especial para você dizer isso com tanta convicção? – disse Sango.
- Não sei explicar, ela tem alguma coisa com yokais, sei lá. – Inuyasha tentava explicar. – Miroku, quantas vezes você viu o Sesshoumaru?
- Umas cinco vezes, no máximo, mas o que isso tem a ver com seu irmão? – perguntou.
- Meio-irmão. – corrigiu o hanyou. – Você mora nessa cidade desde sempre e consegue contar em uma mão quantas vezes o maluco do Sesshoumaru desceu daquela montanha. E ontem, sem mais, nem menos, ele apareceu aqui na porta da escola!
Os olhos de Miroku giraram de espanto.
- Uou! Isso é problemático, como a escola está inteira? – perguntou o moreno.
- Esse é o ponto, Miroku. Ele não veio descontar a raiva dele em mim, como nas últimas vezes, ele veio atrás dela.
- Você está me dizendo que o Sesshoumaru, aquele Sesshoumaru que a gente nunca vê, saiu daquele morro que ele chama de casa, veio até aqui na porta da sua escola para ver a Arashi, é isso? – perguntou Sango, agora curiosa.
Inuyasha apenas acenou a cabeça positivamente.
- Isso é estranho. Muito estranho. – disse Miroku.
O hanyou revirou os olhos e sussurrou um "eu disse".
- O que ele queria com a Arashi? – perguntou Sango. – Quero dizer, você não vai com a cara dela, eu entendo, mas você não estaria calmo assim com seu irmão ameaçando alguém. O que me faz pensar que ele foi bem pacifico...
Miroku riu "Sesshoumaru, pacifico?".
- Não, Miroku, o pior é que ele foi realmente pacifico. Do jeito dele, claro.. – disse Inuyasha. – Eles conversaram umas coisas estranhas, então ela o chamou para ir comer e ele fez aquela cara de "não acredito no que estou ouvindo", sabe? O convite nem chamou muito minha atenção, o problema era a conversa. Era como se eles falassem sobre algo que eu deveria saber também, porque por mais de uma vez a tal Arashi falou "ele ainda não percebeu" ou "ele não sabe".
- Vocês três ai no fundo. Estava esperando o bom senso de vocês para ficarem em silêncio por vontade própria, mas está difícil. Minha aula já está quase acabando, então, guardem um pouco de assunto para o próximo professor, não quero achar que sou tão chato assim ao ponto de vocês só conversarem na minha aula.
Os três olharam para frente e encararam o velho senhor. Era um yokai gorducho e muito baixo, em sua cabeça faltavam tufos de cabelo que ele tentava esconder com penteados estranhos. Sua boca tinha um formato estranho, como se vivesse fazendo bico.
- Não se preocupe, Myouga, temos assunto para semanas! – disse Miroku, sorrindo. – Você poderia dar mais umas 20 aulas, que ainda teríamos o que conversar.
- Fico feliz em saber que minha aula não será a única a ser ignorada. – respondeu o velho.
- Não temos preconceitos, desprezamos a todos igualmente. – disse Miroku, fazendo o professor rir.
- Estou falando sério agora, Miroku, prestem atenção na minha aula da próxima vez. Não quero ouvir suas piadas por mais um ano, se é que me entende. – disse Myouga.
- Sim senhor. – respondeu o moreno.
Miroku ignorou completamente a conversa com o professor e segundos depois se virou de costas para o velho e voltou a falar com Inuyasha e Sango.
- Então, como você dizia... Que história é essa? Eles estavam de segredinho?
- Eu não entendi nada. – retrucou o hanyou. – Ele deixou claro que desceu da montanha para falar com ela e a resposta dela foi "eu sabia que você ia vir falar comigo, por isso vim pra cidade". Fora toda aquela história do Sesshoumaru não se dirigir a ela como "você" ou coisa assim, era sempre "vocês". "O humor de vocês isso" "Vocês não aprendem aquilo".
- E sobre o que eles falaram? – perguntou Miroku.
- Como eu já disse, não entendi nada. Mas pensando agora na conversa, algo foi estranho, ela disse para ele não se preocupar.
- Como assim? Pra ele não se preocupar com o que? – disse Sango.
- "Não estou aqui pelos motivos que você acredita, não ainda. Não se preocupe". Foi basicamente isso o que ela disse. – disse Inuyasha, tentando se lembrar da conversa.
- O que traria a Arashi para essa cidade? O que tiraria Sesshoumaru da montanha? Que história é essa de vocês? E com o que Sesshoumaru deveria se preocupar? – dizia Miroku, mais para si.
- Você esqueceu a pergunta principal: o que eu deveria saber e não sei? – disse Inuyasha, com tom frustrado.
- Se você soubesse o que tem de saber, não existiram as outras perguntas, não é campeão? – corrigiu Miroku.
- Hei, Inuyasha, me responde uma coisa. – disse Sango. – Você não conversou nada com o Sesshoumaru?
- Eu não converso com ele. – respondeu Inuyasha.
Sango revirou os olhos.
- Certo, vou melhorar a pergunta, você trocou palavras com o seu meio-irmão?
- O de sempre, nosso pai blábláblá, você é fraco blábláblá. Ele perguntou o que faço aqui, porque ainda não fui embora. Nada que já não tenhamos falado antes.
- Espera, volta um pouco, ele perguntou por que você ainda não foi embora da cidade? – perguntou Sango. – Assim, sem mais, nem menos?
- Exato, mas o que isso tem de importante? – disse Inuyasha.
A morena ficou alguns minutos em silêncio, parecia estar pensando em algo. Miroku e Inuyasha a encaravam curiosos, como se esperassem dela as respostas para todas as perguntas. Ela suspirou.
- Não sei não, estou com uma sensação estranha sobre tudo isso.
- Sango, isso não é novidade, nós também estamos achando isso tudo estranho! – disse Miroku, decepcionado.
- Não, você não está entendendo. – disse Sango. – Pensem um pouco comigo, o Sesshoumaru não desceria daquela montanha sem um bom motivo, ele perguntar o porquê do Inuyasha ainda não ter saído da cidade significa que ele está preocupado com algo, algo que o Inuyasha deveria saber e não sabe.
- Ele não está preocupado comigo. – interrompeu Inuyasha.
- Eu não disse que ele estava. – completou Sango. – Ele está preocupado com ele mesmo! Por isso desceu da montanha, para averiguar a sua própria segurança.
- Isso tudo até faz sentido, Sango, mas ele é um yokai completo. – disse Miroku. – Ele tem pelo menos uns 600 anos, não é como se qualquer um fosse capaz de ameaçá-lo.
- Na verdade, nada pode ameaçá-lo. – corrigiu Inuyasha.
- Isso é o que você acha. – disse Sango. – E outra, ela não é qualquer uma, pelo menos para o Sesshoumaru, não devemos esquecer nunca que ele só abandona aquela mansão em casos extremos.
- Me atazanar é caso extremo? – perguntou Inuyasha, emburrado.
Miroku riu.
- Está com ciúmes porque ele não veio atrás de você? – perguntou.
- Eu me recuso a responder isso. – retrucou o hanyou. – Como o Miroku disse, tudo o que você disse até agora faz sentido, mas não nos leva à lugar nenhum.
Sango balançou a cabeça negativamente.
- Só por curiosidade, qual seria o fim da sua linha de pensamento? – perguntou Miroku.
- Ela não ser humana. – disse Sango simplesmente, de uma só vez.
Miroku e Inuyasha se entreolharam. E o sinal bateu.
A aula havia terminado.
Notas: *orquídea: Existe um tipo de orquídea que é chamada de "flor da chuva" pelos nativos da região em que ela nasce. O motivo desse nome é porque essas flores desabroxam pouco antes da época das chuvas :)
*baunilha: Pra quem não sabe, a essência da baunilha vem de uma espécie de orquídea. Não tem ligação com a espécie de cima, são flores diferentes, mas como eu precisava de um cheiro que tivesse ligação com chuva usei baunilha, que acaba ligada com a orquídea.
Olá pessoas! Hoje acabei me atrasando pra postar, não é? Desculpem! Mais uma vez, agradeço quem comenta, fico toda feliz quando vejo que alguém está gostando da história que eu escrevo com taaaanto carinho *dramática* XD Meninas que comentam, tenho uma dúvida: alguma de vocês é da Hungria? Eu vi lá no "traffic" que alguém da Hungria acompanha minha fic, fiquei curiosa! XD
Aricele: Olá querida *-*~ Iiih! Ainda vai ter um moonte de "coisas à descobrir" nessa fic, espero que você goste
Maah. Sakura Chinchila: Seja bem vinda! :D Muitissimo obrigada pela sua review, fiquei toda felizinha aqui quandoo li! Pode deixar que eu vou continuar sim, como eu disse no primeiro capítulo, vou postar uma vez por semana, ou seja, domingo é dia de fic!
Agradeço a visita e as reviews. Críticas, elogios, dúvidas, xingamentos? Review serve pra isso ;) Beijos e até domingo.
