Capítulo 5 - Anjo
- Já é o terceiro dia que ela não vem.
Inuyasha que devorava uma caixa de Pocky arqueou a sobrancelha. Ele, Miroku e Sango andavam juntos pelo pátio, era intervalo.
- Será que o Sesshoumaru veio atrás dela? – disse Sango.
O hanyou balançou a cabeça negativamente.
- Eu teria sentido o cheiro dele. – disse.
Ele ainda não havia comentado com ninguém que tinha visto-a saindo da cidade, começava a achar que algo poderia ter acontecido com a garota e admitir que tinha deixado-a se enfiar no meio do mato, sozinha a noite significava agüentar Miroku pegando em seu pé pelo resto de sua vida. E aquela não era uma situação que lhe animava muito.
- Não é possível que ninguém saiba onde ela está. – disse Miroku.
- Ela é estranha, deve estar fazendo algo estranho por ai. – disse Inuyasha.
- Inuyasha, você deveria se preocupar mais com isso. – disse Sango.
- Porque eu deveria me preocupar com ela?
- Porque você foi a última pessoa a ser vista com ela! – disse a morena. – Sua fama não é das melhores, as pessoas já estão comentando...
- Comentando o quê? Que eu a matei? Que arranquei a pela daquele corpo minúsculo e transformei em tapete? Ou quem sabe que eu tenha colocado a cabeça dela na parede da minha sala, junto às cabeças de todos os outros milhares de humanos que matei? – retrucou Inuyasha, irritado.
- Não precisa ser grosso também. – disse Miroku. – Ela só está tentando ajudar!
- Não tento mais ajudar em nada também! – reclamou Sango. – Primeiro, quando eu faço uma teoria sobre a situação vocês riem de mim, agora tenho que agüentar o mau humor dos outros!
- Ah, ainda magoada com isso? – disse Miroku. – Desculpe Sango, mas a idéia da Kagome não ser humana é quase tão aceitável quanto você não ser completamente apaixonada por mim!
- Miroku, eu não te amo. – retrucou a morena. – E ao contrário de você que só pensa na possibilidade do Sesshoumaru estar apaixonado pela Arashi, eu pelo menos criei uma teoria válida!
- Nenhuma das teorias é válida, Sango. – disse Inuyasha. – Se a tampinha não fosse humana, eu teria percebido. E o Sesshoumaru despreza humanas, logo ele não se apaixonaria por ela.
- Ué, você não tinha dito que eles falavam sobre algo que você deveria saber, mas não sabia? – disse Sango.
- O que ela disse foi que eu percebi, mas ainda não sei o quê. – disse Inuyasha. – E a única coisa que eu percebi é que ela é estranha.
- Se ela não for humana, o Sesshoumaru pode estar apaixonado por ela. Minha teoria se complementa com a da Sango. – disse Miroku.
- Esqueçam essa história. – disse Inuyasha. – E mudem de assunto, pelo amor de Deus! Faz três dias que vocês só falam dessa garota e do maluco do Sesshoumaru!
- Bom, se você não quer se livrar dessa chatice de pessoas te perseguindo, não vou mais falar nada. – disse Sango. – Só não reclame depois se alguma cabeça-oca começar a te atazanar!
- Ninguém vai me encher pessoalmente. – disse Inuyasha. – No pior dos casos, vão espalhar fofocas por ai ou me olhar feio. Como já estão fazendo...
- Faz sentido. – disse Miroku.
Os três continuaram a comer enquanto andavam, até o sinal bater fazendo-os irem para a aula.
- Eu vou deixar a Sango na casa dela. – disse Miroku.
- Não preciso. – retrucou a morena. – Consigo muito bem andar sozinha alguns quarteirões.
- Mas meu bombonzinho, já está tarde. – disse Miroku.
- Está tarde porque você dormiu! – reclamou Inuyasha. – Sério, você é a pessoa mais sem noção que eu já vi na vida, você nos obriga a vir para sua casa para fazer aquela porcaria de trabalho de biologia e dorme até de noite, deixando tudo para eu e para a Sango fazer!
- Vocês deveriam ter me acordado! – defendeu-se o moreno.
- E você acha que não tentamos? – gritou Sango. – Eu vou para casa e não me venha com esse papo de donzela em perigo ou eu te quebro!
Sango saiu batendo os pés.
- Qual é o problema com ela? – disse Miroku.
- Ela está com ciúmes. – disse Inuyasha.
O rapaz olhou-o curioso.
- Enquanto você dormia você ficou chamando uma tal de Nuriko, ficou "Meu Deus, Nuriko-chan, onde você aprendeu isso? Que maravilha, isso, isso! Ai mesmo". – explicou o hanyou. – Foi uma das coisas mais nojentas que eu já presenciei, se quer saber.
Miroku começou a rir.
- Nuriko é a massagista da minha mãe! É uma velha de 97 anos, cega de um olho.
- Isso torna tudo mais nojento, sabe disso, não sabe? – disse Inuyasha.
Miroku abriu a boca para falar, mas o hanyou o cortou.
- Eu não quero saber das suas aventuras com uma centenária caolha, juro. Se quiser contar algo para alguém, conte para a Sango, ela sim pareceu bastante curiosa. Eu to indo embora, tenho que fazer o jantar ainda.
- Você pareceu uma dona de casa falando.
- Eu sou uma dona de casa, esqueceu? – disse Inuyasha.
- Não esqueci, mas sempre achei que você tivesse umas empregadas escravas gostosas fazendo tudo para você.
O hanyou revirou os olhos e sussurrou "Eu não sou você, seu tarado", começando a andar.
- Boa noite. – gritou Miroku.
Ele acenou a cabeça e levantou um braço.
Miroku e Inuyasha moravam consideravelmente perto, a distância era de cinco quarteirões. A noite estava agradável para andar, o vento estava fresco e a lua minguante dava a impressão de que o céu sorria. As estrelas estavam brilhantes, pois não existia nenhuma nuvem para impedi-las de brilharem. A caminhada havia deixado Inuyasha tranqüilo, ele olhava para a arquitetura das casas e vez ou outra, para o céu.
Porém, a tranqüilidade acabou quando chegou em frente a sua própria casa. Grudados em toda a porta haviam selos com letras japonesas que monges usavam antigamente para exorcizar yokais. Ele reconheceu na hora, pois já havia visto muito daquele pedaço de papel durante sua infância.
Arrancou todos da porta, rasgando-os. Olhou para o chão, havia uma espécie de bilhete, nele estava escrito em vermelho "Vá embora!". Cerrou os olhos e seu nariz se movimentou instintivamente. "Cheiro de chuva".
- Ótima hora para voltar. – disse, entre dentes.
Inuyasha jogou os selos rasgados no chão e virou-se correndo, ele estava indo para a saída da cidade. Quando pegou impulso, saltou. Parecia que ele estava voando, tocou de leve no chão, pulando novamente. Em poucos minutos já estava na floresta.
Kagome olhou para o céu e bocejou.
- Eu preciso dormir, porque ninguém entende isso?
Abriu a mochila amarela que carregava, tirando um pacote de batata chips. Sentou-se ao pé de uma grande árvore, abriu o pacote e começou a comer. Olhou para o lado e suspirou.
- Deus, me dê um minuto de paz!
- Ah, então você quer paz? VOCÊ-QUER-PAZ?!
Inuyasha estava parado na frente da garota, seus olhos brilhavam com ódio. Ele se curvou e pegou o braço de Kagome, puxando-a, ela derrubou o pacote de batatas.
- Hei o que pensa que está fazendo? – reclamou a morena enquanto era arrastada.
Ele não respondeu, apenas apertou com mais força o braço de Kagome. Ele tinha a sensação de que a qualquer momento a pressão que fazia iria quebrar os ossos da garota, mas ele não se importou.
Kagome não estava resistindo, embora ele estivesse fazendo uma força absurda para puxá-la, o problema naquela situação era que Inuyasha estava de costas, sendo incapaz de ver a expressão da garota, porque se pudesse teria largado-a no mesmo instante.
- Você tem problemas mentais? – disse Kagome.
- Eu que tenho problemas mentais? – sussurrou Inuyasha, entre dentes. – Você se enfia no meio do mato por dias para fazer sabe-se Deus o quê e eu tenho problemas?
Conversar parecia irritar o hanyou, pois ele apertou ainda mais o braço de Kagome e agora estava quase correndo.
- É melhor você parar. – avisou a garota.
Ele ignorou. Ela forçou o corpo para trás, tentando fazer com que ele parasse, mas não adiantou. Ele apenas puxou-a com mais força. Kagome fez uma expressão de impaciência e então mordeu o lábio inferior com força, sentindo o gosto de sangue em sua boca.
- Inuyasha, vai mais devagar. - disse firmemente, fazendo cada palavra ser ouvida perfeitamente.
Como se de repente o hanyou precisasse nadar contra uma correnteza muito forte, seu corpo era puxado para trás, era como se tivesse quintuplicado de peso. Levantar a perna exigia uma força sobre-humana, mas ele não ia parar. Juntou toda a força que tinha no corpo e continuou seguindo em frente, de forma lenta e pesada, em sua mão ainda encontrava-se o braço de Kagome, que cada vez mais era esmagado. A garota respirou fundo, demonstrando impaciência e voltou a falar:
- Ótimo, você é teimoso! Inuyasha... Senta!
Então, dessa vez ele não pôde evitar. Como se toneladas pousassem nos ombros de Inuyasha, ele afundou no chão, levando Kagome com ele. O barulho dos corpos encontrando o chão ecoou por entre as árvores, mas aquilo parecia não ter afetado o hanyou, porque segundos depois ele já estava em pé, como um gato que leva um susto e levanta-se alarmado. Ele olhou para a garota no chão, seus olhos estavam arregalados em uma mistura de terror e ódio.
- O que foi isso? – sussurrou entre dentes.
Kagome sentou-se no chão, enquanto massageava o braço que começava a se tornar roxo. Ela tirou os olhos do braço e o encarou, seus olhos azuis brilhavam de maneira perigosa.
- Você pode me explicar que porcaria é essa no meu braço? – disse, irritada - O que diabos você veio fazer aqui?
- Eu te fiz uma pergunta. – disse Inuyasha. – Como você fez aquilo?
- E você acha que eu ligo para a sua pergunta? – gritou Kagome irritada. – Você faz idéia do problema que isso aqui vai me trazer? Você tem sorte de eu apenas ter mandado você parar, se fosse qualquer outra teria te matado! Ah sim, senhor! Qualquer outra teria te humilhado e te destruído!
Inuyasha parou por alguns minutos, como se as palavras da garota não fizessem sentido algum, na verdade a sensação que tinha era que alguém havia enfiado uma porção enorme de alguma coisa em sua garganta e agora tentava, inutilmente, fazer aquilo descer goela abaixo. Forçando aquele bolo para baixo, ele disse:
- Me matado? Do que você está falando?
- Vamos lá, pense um pouco! Você já percebeu! - disse Kagome mexendo impacientemente os braços.
- E o que existe para perceber? – retrucou o hanyou.
Por algum motivo que Inuyasha não entendia, ele estava começando a se sentir nervoso. Uma vontade enorme de sair dali o mais rápido possível crescia dentro dele, pela primeira vez passou pela sua cabeça que talvez Sango estivesse certa, que Sesshoumaru tinha medo daquela garota e que ele havia vindo visitá-la para garantir sua própria segurança.
Kagome respirou fundo e voltou a massagear o braço. O silêncio da noite parecia crescer e engolir os dois, a única coisa que insistia em fazer barulho era a respiração acelerada de Inuyasha e seu coração, que batia de forma frenética, era como se uma quantidade imensa de adrenalina tivesse sido liberada em seu sangue de uma só vez. Ele acreditava que só ele podia ouvir aquela sinfonia vinda de seu peito, mas estava errado. Kagome respirou fundo novamente e repetiu aquela ação algumas vezes, Inuyasha a encarava, suas pernas estavam bambas, mas pareciam presas ao chão, naquele momento ele desejava estar em qualquer outro lugar, menos ali. Ela fechou os olhos por alguns minutos, até finalmente começar a falar:
- Desculpe, você não precisa ficar tão nervoso. Eu não falei sério, você não precisa se preocupar com nada.
Inuyasha soltou uma gargalhada meio rouca, tentando disfarçar o nervosismo.
- O que te faz achar que estou nervoso? – disse forçando uma voz de descaso.
- Não precisa ter vergonha. – a voz de Kagome era compreensiva. – Todos vocês ficam assim na primeira vez que se encontram com uma de nós. Nós também ficamos assim quando encontramos com vocês pela primeira vez!
Inuyasha não respondeu.
- Estou certa, não estou? Você nunca se encontrou com alguém como eu antes.
- Não. – confessou o hanyou. – Eu sequer sei o que você é, como espera que eu saiba se já cruzei com algo desse tipo antes?
- Eu imaginei. – disse Kagome.
- O que você quer dizer com "nós"? Existem mais coisas como você por ai? – perguntou Inuyasha.
- Não somos coisas, Inuyasha. – explicou Kagome. – Talvez isso seja um pouco complicado de você entender, mas eu não sou exatamente o que pareço ser, na verdade, essa aparência é mais uma defesa do que qualquer outra coisa. Eu não sou como as outras pessoas, eu nasci única e exclusivamente para manter um equilíbrio. Em outras palavras, se existe uma pessoa capaz de matar yokais, essa pessoa sou eu.
- Yokais não morrem. – apressou-se em corrigi-la Inuyasha, com certa arrogância na voz.
- Exato. – disse Kagome. – E é por isso mesmo que eu existo.
- O que você diz não faz sentido. – disse Inuyasha. – Você é só uma humana ou uma coisa que acha que tem poderes! Como poderia matar um yokai?
- Você acredita mesmo que apenas humanos e yokais existam nesse mundo? – perguntou Kagome. – Veja, você mesmo é um exemplo...
- Então, o que você é? – cortou-a Inuyasha.
- Na verdade, essa é uma questão que nem eu saberia te responder. – confessou a garota. – Mas somos chamadas de "anjos", eu não posso dizer ao certo o que sou, mas posso lhe garantir que não sou humana, nem yokai, nem alguma espécie hibrida, como seu caso...
- Anjo? – perguntou Inuyasha incrédulo. – Você está me dizendo que acha que é um anjo?
- Não disse isso. Disse que somos chamadas dessa forma e entenda, é apenas uma nomenclatura, não é como se fossemos anjos de verdade ou qualquer coisa do tipo.
- E qual o significado desse nome?
- A lenda de yokais serem demônios. – explicou novamente Kagome. – Existe uma hierarquia entre os anjos, isso não faz parte das crenças aqui no Japão, então talvez você não saiba. Os anjos são divididos, basicamente em: anjos, arcanjos, serafins e querubins. Anjos trabalham ajudando os humanos, os livrando do mal. Arcanjos são como anjos de guerra, eles batalham. Serafins e querubins estão ligados à adoração direta à Deus, a diferença entre eles é hierárquica, os serafins são superiores, pois estão mais próximos de Deus.
- Nada do que você diz faz sentido. – disse Inuyasha. – Essa história toda de anjos... Você me disse que mata yokais, não é? Isso não te qualificaria como arcanjo? Se quer me impressionar com alguma história maluca, seja mais coerente!
- Eu já disse, é apenas uma nomenclatura, ela não diz nada sobre mim! - disse Kagome impaciente. - Mas explicando sua pergunta: eu sou nomeada como anjo porque só destruo aquilo que faz mal aos humanos. Teoricamente, todos os yokais são demônios, vocês são todos qualificados como "maus", se eu fosse um arcanjo não me importaria com o que fazem ou deixam de fazer e os mataria, simples e puramente.
Inuyasha continuava parado no mesmo lugar, sua cabeça agora parecia girar rápido. Havia recebido muitas informações de uma só vez e mesmo que achasse aquilo tudo uma grande bobagem, uma loucura da garota, parte dele acreditava. Acreditava e temia aquela pequena pessoa com pouco mais de um metro e meio.
- Você não precisa acreditar se não quiser. – completou Kagome. – Não é como se fosse acontecer algo com você por não achar que isso seja verdade, em todo caso, poderia se explicar agora?
- Você está me induzindo a dizer algo, como me induziu a parar? – disse Inuyasha.
Kagome riu.
- Não, essa é apenas uma pergunta, acho curiosíssimo você se enfiar no meio do mato de noite e me arrastar por ai, como se eu fosse sua propriedade. Imagino que saiba que qualquer outra pessoa aqui teria quebrado o braço e estaria sofrendo com dores terríveis.
- A culpa disso é sua! – disse o hanyou acusadoramente, esquecendo por alguns segundos aquela sensação estranha.
- Minha? – disse Kagome. – Então agora eu sou a culpada por você agir como um homem das cavernas arrastando sua mulher pelo mato, é isso?
- Mas é claro que é! – retrucou Inuyasha. – Pra começo de conversa, quem se enfiou primeiro no mato no meio da noite foi você, depois sumiu por dias. Sabe o que tive que agüentar? As pessoas estão me olhando como se eu fosse um assassino! O seu assassino!
- E porque exatamente elas iriam achar que você me matou?
- Nossa discussão no primeiro dia, todo mundo sabe que eu não gosto de você! Ai, no mesmo dia você fica até mais tarde na escola, enquanto eu durmo e puff, você some por três dias.
- Você me viu saindo da cidade, porque não falou para as pessoas isso?
- Você só pode estar brincando comigo. – disse Inuyasha. – Desde quando um suspeito de um crime conta como testemunha? Quero dizer, o que você esperava, que eu falasse para todos "Oi, gente, então sabem a tal da Arashi? Tenho uma novidade pra vocês, não precisam se preocupar com ela, ela está viva! Eu não a matei, na verdade, ela acha que mata yokais, por isso resolveu dar uma voltinha no meio da noite na floresta, sem se preocupar com o que poderia acontecer com ela!"?
Kagome olhou para os lados e finalmente pareceu entender onde estava.
- Porque estamos discutindo isso aqui?
- Talvez porque quando sairmos daqui eu vá fazer de tudo para te mandar de volta de onde você saiu? – disse Inuyasha.
Kagome levantou-se e olhou novamente para os lados.
- Podemos sair daqui? – disse.
Inuyasha olhou-a curioso, ela parecia querer sair logo dali, como se soubesse de algo desagradável. Ele olhou em volta, como ela fizera anteriormente e então finalmente percebeu. Seu nariz e suas orelhas se mexeram instintivamente, de sua garganta saiu uma espécie de rosnado.
- Lobo. – disse com a boca meio fechada. – E está vindo rápido.
A garota levou a mão até o rosto, cobrindo levemente os olhos, Inuyasha voltou seus olhos para ela novamente e deu dois passos em sua direção.
- Está atrás de você, não é? Como não percebi isso antes, você está fedendo. – disse.
- Ah, maravilha, obrigada pela sinceridade em dizer que estou fedendo. – retrucou Kagome.
Inuyasha pensou em dizer que o cheiro vindo dela era uma das coisas mais interessantes e agradáveis que ele já havia sentido e que na verdade ele achava que misturar aquele cheiro único com o fedor de yokais lobos era como uma afronta aos seus sentidos. Mas não disse nada.
Kagome andava impaciente de um lado para o outro e sussurrava para si mesma:
- Agora, além de dormir e comer , preciso de um banho de duas horas. Ele deve estar certo, quero dizer, o que eu achei? Que banho em rio ia ser o bastante? Que coisa nojenta...
Como se um vendaval estivesse chegando, as folhas secas no chão começaram a flutuar e girar em redemoinhos. O barulho do vento passava por entre os galhos e anunciava a chegada de algo. E logo o causador da ventania chegou até os dois, era como um grande redemoinho de vento vindo do nada e quando o vento parou, um yokai se fez presente.
- Kagome! – disse, animadamente.
O yokai era diferente de Inuyasha ou Sesshoumaru, suas roupas eram feitas de uma pele felpuda marrom, como pêlo de animal. Ele parecia ter uns 18 anos, seu cabelo negro e liso era comprido, preso em um rabo de cavalo alto, uma faixa do mesmo material da roupa estava em sua testa, para evitar que a franja caísse nos olhos, olhos esses que eram azuis. Suas orelhas eram pontudas e tinha um rabo. Um rabo igual ao de um lobo.
- Kouga, volte para sua tribo. – disse Kagome cansada.
- É claro que vou voltar, mas não posso voltar para lá sem minha noiva! – disse Kouga.
Mais uma vez Inuyasha deixou escapar aquele som semelhante a um rosnado, fazendo o yokai finalmente virar para encará-lo.
- Oh, um filhotinho perdido? – disse Kouga mudando o tom amigável para um provocativo. – Um hanyou ainda por cima?
- Ora, seu lobo sarnento! – retrucou Inuyasha.
- Eu adoraria brincar, sabe? Jogar o ossinho pra você ir pegar e essas coisas todas, mas tenho assuntos mais importantes para resolver, Kagome, volte...
Enquanto falava Kouga caminhava em direção à garota, porém antes de terminar a frase, um borrão passou em sua frente e posicionou-se entre ele e Kagome. Inuyasha havia adquirido uma posição defensiva em frente a morena, ela havia sido completamente tampada pelo corpo do hanyou, ela olhou curiosa para a cena.
- Vá embora. – rosnou Inuyasha.
- O que pensa que está fazendo com a minha noiva? – respondeu Kouga, que começava a mexer as mãos, como quem se aquece para lutar.
- Eu não sou sua noiva. – gritou Kagome impaciente, por detrás do hanyou. – Eu já disse, Kouga, volte para sua tribo.
- Você a ouviu. – disse Inuyasha. – Enfie esse seu rabo nojento no meio das pernas e volte para o buraco de onde saiu.
- Você acha que vou ouvir desaforo de um hanyou? – disse Kouga.
Os dois assumiram posição de ataque, Kouga dobrou as pernas pegando impulso para ir contra Inuyasha, já Inuyasha abriu as mãos e estalou os dedos, deixando suas garras aparecerem. Eles se encaravam, mas nenhum tomava a iniciativa. Kagome encarou a situação sem entender muito bem o que acontecia e disse:
- O que vocês pensam que estão fazendo?
- Fique fora disso. – disseram os dois, ao mesmo tempo.
- Como? – disse Kagome piscando algumas vezes.
- Você ouviu, fique quieta ai atrás. – disse Inuyasha.
- Como ousa falar com a minha noiva desse jeito, seu saco de pulgas?
E dizendo isso Kouga finalmente foi para cima de Inuyasha, a mão fechada para socar o hanyou, esse que rapidamente pulou e desviou. A luta dos dois mais parecia uma caçada entre gato e rato, Kouga atacava Inuyasha e ele esquivava. Kagome esfregou os olhos de forma impaciente, cruzou o braço e começou a bater o pé.
- Vocês pretendem prolongar demais essa besteira? – disse.
Os dois a ignoraram. Ela revirou os olhos e respirou fundo.
- Kouga. – disse seriamente.
O yokai parou na mesma hora e a encarou.
- Você está me trazendo problemas. Fico honrada por ter me chamado para fazer parte da sua tribo, mas eu já disse isso antes: isso não vai acontecer. Eu não sou sua noiva e nunca serei, você é um yokai e eu... Bom, você sabe o que eu sou.
- Eu não ligo para o que você é. – disse Kouga.
- Porque você não obedece ao que ela fala? – intrometeu-se Inuyasha. – Ela não quer seguir sua alcatéia imunda.
- Inuyasha, agora sou eu quem fala: fique fora disso. – disse Kagome. – Desculpe, Kouga, mas eu tenho muitas coisas a fazer ainda, não posso simplesmente abandonar tudo e ir viver com você!
Inuyasha cruzou os braços, fechando a cara e soltou um "Feh". Kouga andou até Kagome, pegou as mãos da garota e segurou-as na altura do peito.
- Eu tenho todo o tempo do mundo. – disse. – Você sabe onde me encontrar, eu vou esperar até que você termine sua missão.
- Minha missão só termina quando eu morro. – disse Kagome, sorrindo. – Então, não espere por mim.
Kouga sorriu e beijou as duas mãos de Kagome.
- Existem várias formas de morrer, mas continuar viva. – disse. – Mas você vai entender isso um dia e quando esse dia chegar, lembre-se de mim, que eu vou estar aqui.
- Blábláblá, que chatice. – resmungou Inuyasha.
- Ah, ainda está ai? – disse Kouga. – Ótimo, assim você pode ouvir meu aviso. Fique longe da minha mulher, controle seus instintos e não ouse chegar perto dela.
- Kouga, eu não sou sua mulher. – disse Kagome, em tom risonho.
- Claro que é, você só não sabe disso ainda. – disse Kouga em um tom sedutor e piscou um olho. – Você, cachorro, lembre-se do que eu disse.
- Eu até me recuso a te responder, porque deve ser algum delírio dessa sua cabeça perturbada achar que eu me interessaria por essa coisa ai. – disse Inuyasha.
- Espero que você acredite mesmo no que diz. – disse Kouga. – E você, Kagome, se precisar de alguma coisa, é só chamar.
- Você sabe que não preciso de nada. – disse Kagome. – Agora podemos terminar com esse dia cansativo? Eu preciso de um banho.
- Realmente, você está fedendo. – disse Kouga, virando-se na mesma hora para Inuyasha.
- Eu que o diga. – disse Inuyasha, respondendo aos olhares de Kouga.
- Certo, a coisa está ficando estranha. – disse Kagome. – Se vocês pretendem se matar, façam isso em lugar bem longe daqui, se um corpo de yokai aparecer na minha região a Kikyou me mata. Divirtam-se, eu já me cansei disso.
Kagome começou a andar voltando para a floresta.
- Onde você vai? – perguntou Inuyasha.
- Eu não vou fugir. – disse Kagome. – Graças a sua delicadeza, minha mochila ficou jogada no meio do nada, preciso dela.
Kouga encarou Inuyasha de forma acusadora, como quem pergunta "o que você fez?", mas ele ignorou.
- Até mais Kouga. – disse Kagome. – E, Inuyasha?
- Hm.
- Precisamos conversar. Existe ainda um punhado de coisas importantes que você precisa saber.
- Já disse antes, quando sairmos daqui, farei de tudo para te mandar embora da cidade. -disse Inuyasha. – Você não terá tempo para me explicar essa baboseira toda!
Kagome deu de ombros.
- Faça como quiser. – disse enquanto andava. – Só não venha reclamar quando acabar apaixonado por mim.
Kouga começou a rir e novamente o redemoinho de vento estava formado. Em poucos segundos ele já havia sumido. Inuyasha olhou para os lados e encontrou-se sozinho no meio da floresta, cruzou os braços e disse enquanto voltava para a cidade:
- Ela vai me pagar por essa gracinha, ah vai!
Olá :) Aqui está mais um capítulo. À partir de agora as coisas vão, realmente, acontecer e a história vai se desenrolar! Então, acho que vá ficar mais interessante! xD
Maah. Sakura Chinchila- Olha, por mim, eu atualizava todo dia, me dá uma agonia acompanhar fics que demoram muito pra atualizar! Mas, infelizmente, não consigo escrever tão rápido assim! ;__;~ Obrigada pela review!!
Hatara-L - Prontinho, aqui está! :D Obrigada pela review
E é isso, obrigada às pessoas que adicionaram minha fic aos favoritos! É bom saber que alguém gosta do que eu escrevo :) Até domingo que vem, que por sinal, é dia das mães! o.o'
