Capítulo 8 - Truque para dormir
Inuyasha olhou ao redor, mas não havia maneira de chegar perto de Kagome. Ele não sabia como, mas em poucos segundos a garota que antes estivera atrás dele agora estava a metros de distância, rodeada de lobos tão amigáveis quanto aqueles que rodeavam ele próprio. Ele só foi capaz de perceber aquilo, porque Kagome soltara um grito quando um dos lobos saltara em sua direção, fazendo-a se jogar no chão e rolar para o lado, evitando o ataque.
- Maldição.
- Inuyasha! - gritou Kagome de forma histérica quando novamente um lobo voou em sua direção.
- Eu sei, eu sei! – gritou Inuyasha.
- Se sabe, então faça alguma coisa! – respondeu Kagome sem diminuir o tom de voz.
O hanyou passou a mão no rosto, demonstrando impaciência. Pela distância dos lobos, ele sabia que não poderia correr e isso significava não poder pular até Kagome, afinal, não tinha como pegar impulso. Ele olhou para suas mãos e fechou-as, irritado.
- Maldição. – resmungou novamente.
E ao dizer isso, foi sua vez de ser atacado, um lobo saltou em sua direção, ele se esquivou pulando para o lado e o lobo fez o mesmo, seguindo-o. Inuyasha então fechou a mão e socou com força a cabeça do animal, fazendo-o gritar de dor e então cair no chão. Ao ouvirem aquele som, os outros lobos que estavam fazendo um círculo ao seu redor, se reuniram e formaram uma espécie de parede, impedindo-o de ir até Kagome. O hanyou sorriu, ao fazer aquilo os lobos haviam dado abertura para que ele pudesse correr e foi exatamente isso que ele fez, correu na direção contrária dos lobos.
- Hei! Aonde você vai? Volte aqui! – gritou Kagome desesperada.
Poucos segundos depois um borrão esmagou a cabeça de dois lobos, que uivaram antes de cair no chão, e parou ao lado de Kagome. Inuyasha havia usado os dois animais como apoio para pular e chegar até a garota.
- Você serve para o quê mesmo? – disse Inuyasha olhando impaciente para ela.
- Me tira daqui! – implorou Kagome se agarrando na manga da blusa de Inuyasha. – Eu não sei o que deu nesses animais!
Inuyasha abaixou-se e Kagome apoiou-se em suas costas, ele já estava pronto para chutar um daqueles lobos e sair correndo dali, quando um assovio muito alto se fez presente. E então, todos os lobos que antes estavam em posição de ataque, deitaram-se no chão e abaixaram a cabeça.
- Kouga! – sussurrou Kagome entre dentes.
- Parece que você não ouviu meus conselhos, não foi, cara de cachorro?
Kouga saiu de trás de algumas árvores, seguido por dois outros yokais lobo vestidos exatamente como ele.
- Inuyasha, deixa que a partir de agora eu resolvo. – disse Kagome.
- O que você acha que pode resolver, sua maluca? – disse Inuyasha. –Você não deu conta nem de um bando de lobos sujos, o que vai fazer contra três yokais? Está tentando se matar?
- É exatamente por eles serem yokais que eu resolvo isso. Confie em mim. – disse Kagome.
Dessa vez Inuyasha abaixou-se, para que Kagome descesse de suas costas.
- Faça o que quiser, a vida é sua.
- Está fugindo, é isso? – disse Kouga.
Inuyasha soltou um rosnado, virando-se para o yokai, mas Kagome esticou um braço, impedindo que ele avançasse.
- Isso é problema meu. – disse. – E quanto à você, Kouga, o que pensa que está fazendo?
- Boa noite, Kagome. – disse Kouga sorridente. – Porque está tão brava?
- Eu estou irritada, estou com ódio, estou assustada, mas brava? Não, brava eu não estou, ainda.
- Entendo. – disse Kouga. – Desculpe demorar tanto, não imaginei que esse hanyou fosse te incomodar tanto!
- Kouga, você ouviu o que eu te perguntei? – disse Kagome com voz firme.
- É claro que ouvi. – respondeu o yokai. – E eu respondi, vim te salvar desse saco de pulgas.
- Desses sacos de pulga, né? Porque se eu precisava ser salva de algo, era desse bando de lobos que você mandou vir atrás de mim!
- Eu só os mandei na frente, para distrair seu amigo cachorro, enquanto eu não chegava.
- Como é mesmo que você diz, lobo fedido? A Kagome é sua noiva? Olha, parabéns pela ótima declaração de amor, mandar esses animais imundos atacá-la é realmente encantador. – disse Inuyasha.
- Inuyasha, colabora!
O tom de voz que Kagome usara para dizer aquilo para Inuyasha era bem mais amigável do que o que ela estava usando para falar com Kouga e o yokai notou isso na mesma hora.
- Feh! – disse Inuyasha andando até encostar-se em uma árvore.
- Kouga, você não nos disse que sua noiva, era, hum, bem, você sabe... – disse um dos yokais que acompanhavam o yokai lobo.
- Um anjo? – disse Kagome tornando-se irônica. – Não acredito que você não contou para seus companheiros que sua noiva é um anjo!
- Já disse que isso não faz diferença pra mim. – disse Kouga.
- Eu quero duas respostas sua. – disse Kagome. – Primeira: porque você mandou seus lobos me atacarem? Segunda: o que você está fazendo nessa região?
- Eu não mandei meus lobos te atacarem, Kagome, porque eu faria isso? – disse Kouga.
- Ela é um anjo! – disse o outro yokai.
- Sim, ela é e qual o ponto? – disse Kouga.
- Por séculos nossos lobos nos defendem delas! – explicou o yokai. – É provável que tenham mesmo atacado-a.
Kouga arregalou os olhos e como se toda a sua vida fizesse sentido, ele falou:
- Você tem razão! Kagome, me desculpe, de verdade. Eu não achei que eles fossem me desobedecer!
- Ah, então vocês treinam animais para nos matar? – disse Kagome cerrando os olhos. – Golpe baixo, golpe muito baixo!
Kouga caminhou até Kagome e ajoelhou-se em sua frente, pegando suas mãos.
- Esqueça isso, você não precisa se preocupar, eles nunca mais vão chegar perto de você! – e dizendo isso ele olhou para os lobos, que começaram a chorar. – Agora, venha comigo.
Inuyasha olhou para aquela cena e a vontade de arrancar Kagome dos braços de Kouga começou a crescer dentro dele. Ele esfregou os olhos com a mão, tentando tapar sua visão, mas aquilo era inútil, porque ele sabia que ele estava tocando-o, ele sentia aquele cheiro que ele tanto odiava se misturando ao dela. Usar seu estômago roncando e uma panela de arroz para exemplificar aquilo era no mínimo ridículo, afinal era muito mais fácil passar uma semana sem comer enrolando bolinhos do que ver aquilo e não fazer nada.
- Kouga, eu quero que você vá embora. – disse Kagome. – Você não pode ficar aqui.
- O que há de errado com esse lugar? – disse o yokai. – Estamos longe da cidade, não vamos causar problemas!
Kagome revirou os olhos, ela estava com sono e começava a fazer frio. Olhou para o lado e viu que Inuyasha ainda estava lá e agradeceu mentalmente por ele não ter começado nenhuma discussão desnecessária, mas percebeu que o hanyou não agüentaria mais daquilo por muito tempo. A expressão que ele fazia era de que a qualquer momento voaria em cima de Kouga e arrancaria o couro do yokai.
- Eu sei que não vão, não é como se tivessem escolhas. – disse Kagome. – O problema não é a cidade, é aquela casa ali, o morador não quer vocês por perto.
- Então o cachorro foi correndo pedir ajuda? – disse um dos yokais rindo.
- Não, ele veio me avisar que se vocês não forem embora até amanhã, vocês serão yokais mortos. – disse Kagome. – A minha função é evitar isso, não quero problemas para o meu lado.
- Kagome, eu me certifiquei, não estamos no terreno dele. – disse Kouga. – Não vai haver conflito nenhum, eu garanto.
- Você é burro, é isso? – disse Inuyasha. – Você não está entendendo a situação? Ela não veio aqui perguntar o que você acha de se mudar, nem se onde você e sua alcatéia estão é terreno do cachorro maluco, o ponto é que ela, o Sesshoumaru e até mesmo eu queremos vocês fora daqui!
Kouga que até então estava de joelhos levantou-se rapidamente e correu na direção de Inuyasha, com a mão fechada. Ele ergueu o braço e quando sua mão estava à centímetros do rosto do hanyou, ele sentiu que não conseguiria. Não porque não quisesse, longe disso, mas era um peso forçando seu braço para trás, sentiu um cheiro leve de sangue e olhou para Kagome. Seus lobos que estavam deitados levantaram-se e começaram a rosnar.
- Eu estou tentando resolver isso sem precisar chegar nesse ponto. – disse Kagome.
O yokai não moveu um músculo.
- Achei que não precisaria usar isso com você, Kouga, porque você foi um dos primeiros yokais que eu encontrei que era racional e me ouvia não porque eu o obrigava, mas porque era algo que você queria fazer. Você não faz idéia de como eu odeio ter de fazer isso...
Kouga deixou seu braço cair, Inuyasha estava imóvel encostado na árvore, não que estivesse com medo de Kouga, ele só estava tentando se concentrar o máximo que podia para não aproveitar aquela aproximação e deixar que seu instinto gritasse, enquanto quebrava a cara do yokai.
- Está doendo? – perguntou o yokai com voz de culpa. – Eu nunca soube se vocês sentiam dor ao fazer isso.
- Sim, Kouga, nós sentimos dor. – disse Kagome. – Toda vez que precisamos controlar vocês, nós sentimos dor. É um preço que se paga por tirar o livre arbítrio dos outros.
Inuyasha conseguia acompanhar aquela conversa, apenas porque havia visto o que tinha acontecido. Eles estavam falando sobre o lábio de Kagome, que agora sangrava, exatamente como da outra vez na floresta em que ela havia parado-o. Concluiu que ela mordera um pedaço do próprio lábio para fazer com que Kouga parasse.
Os dois yokais que acompanhavam Kouga, olharam-no e um deles disse:
- Eu vou avisar os outros que estamos partindo!
- E vocês... – disse o outro olhando para os lobos que ainda estavam em posição de ataque. – Podem parar com o show, vamos embora.
- Obrigado. – disse Kouga abaixando-se para alisar um dos lobos que passava em sua frente. – Obrigado a vocês também, me defenderam muito bem, agora podem ir. Eu já vou me encontrar com os outros.
O lobo soltou um uivo antes de seguir os dois yokais e sumir por entre as árvores. Kouga caminhou até Kagome e abaixou-se até ficar do tamanho dela, pousou carinhosamente uma das mãos na cabeça da garota e pousou delicadamente a outra sobre o lábio, limpando o sangue que escorria para fora da boca.
- Desculpe por isso. – disse. – Você pode até não acreditar em mim, mas eu realmente gosto de você, Kagome, e isso não tem nada a ver com instinto. Eu vim para cá apenas para ficar de olho em você, eu acho que você sequer faz idéia do poder que tem e eu me preocupo com isso, porque esse seu poder vai atrair todo tipo de coisa. E eu queria estar por perto caso você precisasse, entende? Não estávamos tentando provocar o Sesshoumaru, nem queríamos trazer problemas. Eu só queria cuidar de você.
- E eu agradeço toda essa atenção, Kouga. – disse Kagome que começava a ficar vermelha. – Mas eu já te disse antes, eu sei me virar sozinha, não vai ser um yokai que vai me tirar o sono!
- Eu sei que não. E não é com yokais que me preocupo. – disse Kouga.
Inuyasha enfiou suas garras no tronco da árvore em que estava encostado, afinal de contas, porque é que ele tinha de assistir aquilo? Aquilo já passara do limite aceitável, era mais do que tratamento de choque, era provocação!
- Não entendo o que você quer dizer com isso. – disse Kagome.
- É complicado demais para explicar. – disse Kouga. – Mas não se preocupe, eu não vou pra muito longe!
Kagome olhou de maneira curiosa para Kouga, que apenas sorriu.
- Cuide-se, meu anjo!
- Agora é a parte do beijo? Quer que eu tire uma foto? – disse Inuyasha tentando manter a calma, enquanto sentia a árvore praticamente se partir em suas mãos.
- Eu não tinha pensado nisso, mas não é que essa me parece uma ótima idéia, cara de cachorro? – disse Kouga
Kagome arregalou os olhos e Kouga começou a rir.
- Estou apenas brincando. – disse. – Até mais, Kagome.
Kouga se afastou em um redemoinho de vento, que ecoava por entra as árvores. Inuyasha olhou para Kagome alguns minutos, antes de livrar suas mãos do tronco que esmagava, ele semi cerrou os olhos e disse acusadoramente:
- Você estava dando em cima dele!
- O quê? – disse Kagome.
- Acha que eu não vi o clima que ficou entre você e esse lobo? – retrucou Inuyasha.
- Acho! – respondeu Kagome. – Porque não tinha clima nenhum!
Ele caminhou até Kagome, pegando-a no colo.
- O que está fazendo? – disse a garota confusa.
- Sendo higiênico!
E dizendo isso Inuyasha saiu correndo com Kagome em seu colo e saltou até ouvir o som de água. Colocou a garota no chão e foi na frente, para que ela o seguisse, quando chegaram na margem de um riacho, Inuyasha apontou para o chão e disse:
- Sente-se ai!
Kagome arqueou a sobrancelha.
- Por quê?
- Já disse, estou sendo higiênico! – disse Inuyasha sentando-se.
A garota olhou confusa para o hanyou, mas o obedeceu e sentou-se ao lado dele. Para sua surpresa, Inuyasha rasgou um pedaço da camiseta azul que usava e mergulhou na água, ela piscou alguma vezes apenas observando-o, então ele pegou o retalho e levou até o lábio machucado de Kagome, limpando a região delicadamente.
- Esses lobos imundos não tomam banho. – disse Inuyasha. – É por isso que fedem tanto. Sua boca vai pegar uma infecção nojenta e inchar até você ficar parecendo um desses rappers americanos, se isso acontecer você não vai conseguir falar e eu preciso saber sobre essa maluquice toda.
- Bom, quem sabe eu não acabe parecendo a Angelina Jolie? – disse Kagome rindo.
- Você precisaria nascer mais umas 100 vezes pra isso acontecer! – disse Inuyasha.
- Que maldade! – respondeu Kagome de forma estranha, já que Inuyasha ainda ocupava sua boca com o pano. – Mas sobre essa sua curiosidade... Significa que agora você acredita em mim?
- Se você não fosse tão inútil eu até acreditaria. – disse. – Eu só quero entender porque você atrai esse bando de yokais, porque é capaz de tirar o Sesshoumaru dessa montanha e principalmente, porque faz com que eu queira estourar todo animal que chega perto de você.
Kagome começou a rir.
- Mas eu já te expliquei! A resposta pra todas as suas perguntas é o seu instinto.
Inuyasha tirou o retalho da boca da garota e mergulhou-o novamente na água, Kagome olhou enquanto ele torcia o pano e deixava a água escorrer, jogou o corpo para trás deitando-se na grama e olhando o céu. As nuvens escuras de chuva haviam ido embora, não existia mais nada que atrapalhasse os astros de brilharem e daquele lugar era possível ver como eles faziam seu trabalho magistralmente.
- É lindo, não é? – disse.
- O quê é lindo? – perguntou Inuyasha.
- Como assim o quê? – disse Kagome em tom incrédulo. – O céu! Estou falando do céu!
- Ah, isso. – disse Inuyasha sem nenhuma empolgação. – Eu não ligo muito para o céu.
- Pelo jeito você é uma daquelas pessoas que não conseguem apreciar uma coisa realmente bonita, mesmo que essa coisa dance ula-ula na sua frente. – disse Kagome rindo. – Olhe essa imensidão, você nunca teve vontade de saber como é estar lá em cima?
Inuyasha olhou para a garota e depois para o céu.
- Não. – disse dando de ombros. – Você é mesmo estranha, porque fica falando desse tipo de coisa sem sentido? Lá é o céu, aqui é a terra, pronto, acabou.
- Estar lá significa ser livre, Inuyasha. – disse Kagome sorrindo. – É poder bater as asas, sentir o vento no rosto e ir para qualquer lugar.
- Ué, você não é um anjo? – disse Inuyasha em tom irônico. – Por que não voa até lá?
- Porque elas não deixam. – disse Kagome se levantando. – Vamos embora? Eu estou realmente cansada.
- Não está achando que vou te levar até lá em baixo, não é? – disse Inuyasha.
- Como assim? – retrucou Kagome. - Você não pode fazer isso comigo!
- Não posso? – disse Inuyasha arqueando a sobrancelha.
- Não! – respondeu Kagome cruzando os braços.
Inuyasha se levantou e olhou alguns segundos para Kagome, antes que seu rosto se iluminasse em um sorriso completamente irônico.
- Sinto muito. – disse dando de ombros. – Tratamento de choque.
Kagome sentiu seu corpo tremer de raiva ao ouvir a risada do hanyou se afastando. Inuyasha realmente tinha ido embora, obrigando-a a voltar a pé. Ela olhou desanimada ao redor e logo começou a andar, afinal, a volta seria longa.
- Porcaria de hanyou estúpido!
- E foi isso que o Sesshoumaru me disse.
Sango piscou algumas vezes, ela estava boquiaberta, mas logo deu um sorriso vitorioso.
- Há! Eu disse que ela não era humana! – disse. – E vocês ainda riram de mim, cadê o meu pedido de desculpas, heim, senhor Miroku?
- Se for assim você também me deve um pedido de desculpas. – disse Miroku dando de ombros. – Se você ouviu bem o que eu acabei de contar, o Sesshoumaru está atraído pela Kagome, então minha teoria também não era tão ridícula assim!
Sango pegou o copo de suco à sua frente e sugou uma boa quantidade pelo canudo. Ela e Miroku haviam resolvido conversar pessoalmente sobre o encontro com Sesshoumaru, já que no dia anterior quando o moreno tentara contar a história sobre Kagome não ser humana, Inuyasha havia aparecido e cortado totalmente o assunto.
Quando ligou para Miroku, Sango deixou bem claro que aquilo não era um encontro. Afinal de contas, café da manhã em um sábado sequer pode ser considerado uma saída.
- Ele não está atraído. – disse Sango. – Não do jeito que sua mente doentia acha que ele está.
- Fale o que quiser, estou apenas repetindo as palavras dele. – disse Miroku.
- Tá, mas e essa história de anjo, o que ele quis dizer com isso?
- Essa é uma das partes mais estranhas dessa história toda, eu tentei pesquisar na internet e em registros que tem lá em casa, mas não achei nada. Meu avô me viu mexendo na papelada antiga da família e perguntou o que eu estava procurando, quando comentei sobre anjos ele mudou a expressão e quis saber por que eu estava atrás disso.
- Seu avô era um monge, não é isso? Por isso você estava procurando algo nos arquivos da família, estou certa?
- Certíssima.
- Mas e seu avô, ele falou sobre algo?
- Não, quando eu perguntei o que ele sabia sobre anjos, ele disse que não sabia de nada, nem fazia idéia do que era isso.
- Isso é estranho, já que ele perguntou por que você estava procurando sobre isso.
- Exatamente! Eu cheguei a comentar com o Sesshoumaru, mas essas mulheres parecem até algum tipo de seita secreta, é tudo muito misterioso.
- Bom, se eu matasse yokais também faria disso um segredo.
- Seria meio inútil, Sango, porque os yokais sabem quem elas são.
- Não acho que seja inútil, acho que elas estão certíssimas em esconder onde vivem e todo o resto.
Miroku se espreguiçou e olhou para fora do pequeno café em que estavam e Sango o olhou curiosa, ao perceber os olhos da morena em si, ele sorriu.
- O que você vai fazer em relação a isso? – perguntou Sango. – Eu não acho que a Kagome seja má pessoa, mas não podemos ignorar o que ela faz.
- O Sesshoumaru usou uma frase muito interessante quando eu perguntei o motivo do Inuyasha se afastar da Kagome, ele me perguntou se eu me aproximaria de algo mesmo sentindo que aquilo é perigoso pra mim, só pelo fato de aquilo ser bonito. – disse Miroku. - Mesmo que o Inuyasha não saiba dessa história de anjos, se seguir o pensamento do Sesshoumaru, ele sabe que há algo de errado com a Kagome, ele mesmo já deixou isso claro pra nós, Sango, desde o primeiro dia! Só que ontem ele apareceu com ela, não foi?
- Aonde quer chegar, Miroku?
- A escolha é dele. Se ele resolveu se aproximar da Kagome algum significado deve ter, não acha?
- Você não acha que ele tem o direito de saber sobre a Kagome? Não sei, ele tem de saber as opções!
Miroku começou a rir, achando a preocupação de Sango um tanto quanto exagerada.
- Eu nunca soube que você era tão super protetora! – disse. - Concordo com você, ele tem o direito de saber, mas quem tem de contar isso é a Kagome, não eu. Além do mais, ficaremos de olho nos dois.
-Não sou super protetora, – disse Sango dando de ombros. – é só que essa é uma situação nova, até então achávamos que yokais eram imortais. Enfim, faça como quiser.
- Não precisa ficar brava também! – disse Miroku.
Sango revirou os olhos.
- Ah, vai me chamar de rabugenta de novo? – retrucou.
- Nossa! Você não vai esquecer disso nunca? – disse Miroku rindo.
- Hm, não. – disse Sango. – Vou passar a vida inteira te lembrando disso.
- Olha! Não é que temos um avanço aqui?
- Do que você está falando?
- De você falando que vai me perseguir o resto da vida, isso é um grande avanço, Sangozinha, até pouco tempo atrás seu sonho era terminar o colegial pra se ver livre de mim!
Sango pegou o copo e terminou com o pouco suco que ainda tinha. Olhou para Miroku com cara de pouco caso e disse:
- Quando eu digo "vida inteira" estou considerando o tempo que ainda irei te ver e isso é o fim desse ano. E já conversamos sobre esse Sangozinha!
- Avançamos cada vez mais! Agora não existe mais vida sem mim? – disse Miroku sorrindo.
- Vamos mudar de assunto? Sua mente é doente demais, eu não consigo acompanhar seus devaneios, desculpe.
Miroku apoiou o cotovelo na mesa e a cabeça nas mãos.
- Certo, continuaremos esse assunto quando você resolver parar de fugir de mim.
Sango mordeu distraidamente um pedaço de pão e disse:
- Ótimo saber que não falaremos mais sobre isso.
O rapaz suspirou e chamou a garçonete. Ele sabia que não adiantava continuar com aquele assunto, Sango não daria o braço a torcer, principalmente em uma manhã de sábado e pensando nisso ele sorriu. Quem sabe em uma tarde de quinta?
Kagome ouvia a campainha tocar, mas se recusava a acreditar que alguém estava fazendo isso com ela. Ninguém deveria tocar a campainha da casa dos outros em um sábado, qualquer que fosse o horário e o motivo. Ao menos era o que ela achava.
Enfiou a cabeça em baixo de um travesseiro, mas a pessoa pareceu não gostar de ser ignorada, pois começou a apertar o botão compulsivamente, fazendo um barulho insuportável. Kagome deu um berro "já vou, desgraça" e começou a descer as escadas, caminhando até a porta, resmungando o caminho inteiro.
- Você sabe que horas são? – disse irritada ao abrir a porta.
- Me diz como dormir!
Kagome olhou para cima e deparou-se com Inuyasha com olheiras e cara de poucos amigos.
- Deitar e fechar os olhos funciona bem comigo. – disse Kagome. – Já tentou?
- Não estou com humor para suas gracinhas, vamos terminar logo com isso, você me fala como eu faço para dormir em paz e eu paro de apertar sua campainha! – retrucou Inuyasha irritado.
- Eu não faço idéia do que você está falando. Se você sofre de insônia procure um médico, não posso te ajudar em nada!
- Desde que você chegou nessa cidade eu não tenho uma noite inteira de sono! Quando consigo dormir, acordo no meio da noite. Ainda acha que não tem nada a ver com você?
- Coincidência não? Agora se me permite eu vou voltar a dormir!
Inuyasha empurrou Kagome para o lado e entrou na casa, batendo o pé.
- O que acha que está fazendo? – disse Kagome.
- Se não consigo dormir, você não também não vai. Não até resolver isso! – disse Inuyasha jogando-se em um dos puffs da sala.
- Você é muito atrevido! – disse Kagome incrédula. – Como tem a cara de pau de pedir alguma coisa depois de me fazer descer aquela montanha no meio da noite? Quer saber? Bem feito pra você, que fique semanas sem dormir e morra de tanto sono!
- Porque não pediu pra um dos seus amigos lobos te trazerem? – disse Inuyasha. – Ou melhor, porque não ficou lá na casa do Sesshoumaru?
Ela fechou a porta da sala com força e andou até o sofá, sentando-se. Kagome usava um pijama de calça capri azul e camiseta branca com estampa de ursinhos, abraçou uma almofada e olhou para Inuyasha, que usava uma calça jeans escura e uma camiseta vermelha.
- O que você quer de mim? – disse.
- De você? De você eu não quero nada, a única coisa que faço questão de ter de volta é o meu sono! – disse Inuyasha.
- Vou ser bem sincera com você, - disse Kagome. – eu não vejo porque te ajudar. Você é grosso e mal agradecido, se tivesse me ajudado ontem eu estaria te ajudando agora, é assim que o mundo funciona, sabia? Uma pessoa só faz algo por você, se você fizer o mesmo por ela.
- Só se for no seu mundo, no meu ninguém faz nada por ninguém. – retrucou Inuyasha.
- Ah, pronto, vai usar o fato de ser um hanyou para eu te ajudar?
- Não estou usando nada, estou mostrando fatos.
- Fatos? Você fala como se não tivesse ninguém, mas é só olhar como o Miroku se preocupa com você e até mesmo a Sango. – disse Kagome. – Você está se colocando em posição de vitima só porque é cômodo, é muito mais fácil colocar a culpa nos outros por você ter esse gênio terrível. São os outros que são preconceituosos, não você que é grosso, não é isso?
Inuyasha se levantou e andou até parar em frente à Kagome, olhou-a e começou a falar, de forma impaciente:
- Porque fala desse jeito como se fosse dona da verdade? Isso é irritante, sabia? Você age como se fosse muito superior, muito melhor do que eu, mas quem te colocou nessa posição, quem disse que você poderia me julgar? Você não sabe nada sobre mim, então não se meta na minha vida, nem no modo como eu vivo.
- Então é isso que pensa de mim? – disse Kagome. - Acha que sou uma pessoa arrogante que acha que sabe tudo?
- Eu não acho. Você é uma dessas pessoas! – disse Inuyasha. – Ou não reparou ainda?
Kagome pegou a almofada que estava abraçando e atacou em Inuyasha, que a agarrou graças ao reflexo. Ela se levantou e começou a andar, o hanyou a seguiu com os olhos.
- Não há muito que fazer, você precisa se acostumar. – disse Kagome parando no primeiro degrau da escada. – Então, deite no sofá e tente dormir.
- Quê? – disse Inuyasha.
- O cheiro. – disse Kagome subindo os degraus. – É óbvio que ele estará mais forte nas minhas coisas, então, se você conseguir dormir aqui, conseguirá dormir em qualquer lugar. Acostume-se, não existe nenhum truque.
- Onde você está indo? Não terminamos isso ainda! – disse Inuyasha.
- Sim, nós terminamos. Boa noite, Inuyasha. – disse Kagome, antes de sumir no segundo andar.
Inuyasha olhou para a escada vazia e resmungou um "estranha", antes de deitar no sofá usando a almofada que Kagome havia jogado nele anteriormente como apoio para a cabeça.
- Ela só pode estar brincando comigo, é impossível dormir nesse lugar com todo esse cheiro.
Kagome abriu o registro do chuveiro e sentiu a água molhando primeiramente seu cabelo e depois escorrendo por todo seu corpo, aquele era o tipo de sensação que ela sempre gostara. Para muitas pessoas o banho é o momento perfeito para colocar a cabeça no lugar e com ela não era diferente, Kagome tinha o costume de se enfiar em baixo do chuveiro sempre que queria pensar em alguma coisa.
Dessa vez os pensamentos estavam nas palavras de Inuyasha, não que ela estivesse magoada com aquilo, Kagome realmente não se importava muito com o que hanyou achava ou não dela, mas aquela não era a primeira vez que ouvia aquilo. No primeiro encontro com Sesshoumaru ele dissera o mesmo, era como se yokais tivessem um sério problema em seres julgados. Sabia perfeitamente que quando se tratava de yokais ela estava acostumava a primeiro julgar e depois, bom, na maioria dos casos não tinha um depois. Como o yokai fizera questão de comentar, ela era realmente boa no que fazia, melhor do que os outros. A garota não sabia exatamente o porquê de ser melhor do que as outras, mas aquilo já era como um fato, talvez fosse exatamente por julgar a todos antes e assim não correr o risco de se apegar.
O motivo de ser assim nem ela sabia, achava que era alguma espécie de defesa contra aquela atração, porque em alguns casos era realmente difícil controlar os instintos. Era como se alguns yokais, em especial, tivessem o poder de varrer a sanidade de sua mente e quando isso acontecia, ela sempre acabava se entregando. Apesar de nunca ter namorado, Kagome não era uma completa ignorante no assunto, mesmo que preferisse o ser, pois todas as suas experiências incluíam yokais e elas geralmente seguiam um padrão de "missão, encontro, atração avassaladora, beijos, discussão e então, fim trágico".
- "Praticamente uma viúva negra" – pensou enquanto passava shampoo no cabelo.
O problema com aquele comentário de Inuyasha era a critica. Kagome não gostava nada de ser criticada, claro que ela não ligava para o fato de ela mesma sair criticando yokais a torto e a direito, mas ela não aceitava muito bem quando o contrário acontecia. Ela não estava brava, não era isso, era mais como uma decepção por ter aquela imagem. A garota se empenhava bastante em ser agradável em todas as cidades em que precisava ficar e já haviam sido muitas.
Kagome enxaguou a cabeça e tirou o shampoo, passando o condicionar e deixando agir enquanto ensaboava o corpo. Tirou o condicionar e desligou o chuveiro, se enrolando em uma toalha azul, caminhou até o armário do banheiro e pegou outra toalha e colocou-a na cabeça, como uma touca.
Abriu a porta e foi até seu quarto. O quarto era simples, se comparado ao resto da casa, a parede tinha um tom de bege bem clarinho, o armário era de marfim, assim como a cabeceira da cama de casal que ficava no centro. A janela gigante da fachada era daquele quarto e mesmo que a cortina amarela estivesse fechada, o cômodo ainda era claro. Em um dos cantos tinha um puff branco e no outro uma mesa com um computador branco, um telefone e alguns livros, a cadeira era uma dessas pretas de escritório. Na parede havia um mural de fotos. Vazio.
- Odeio esse 'quarto-pastel'.
E dizendo isso, Kagome abriu o armário, procurando uma calcinha. Colocou-a e começou a procurar uma peça qualquer de roupa que ela notou não estar lá, revirou os olhos se enrolando de novo na toalha.
- Todas as calças jeans estão na lavanderia. – resmungou enquanto colocava um chinelo. – Odeio passar roupa, elas deveriam se passar sozinhas!
Kagome saiu do quarto, com o cabelo, assim como o seu corpo, enrolado na toalha. Desceu as escadas e andou silenciosamente pela sala, pelo o que ela tinha visto dali, Inuyasha conseguira dormir, pois estava deitado no sofá com os olhos fechados. Ela não queria acordá-lo, não vestida daquele jeito. Chegou à cozinha e suspirou, aliviada.
- Isso faz parte do tratamento de choque?
Kagome revirou os olhos. Ela estava enganada, Inuyasha estava acordado e por algum motivo desconhecido estava apenas deitado com os olhos fechados, esperando o momento certo para irritá-la com aquela voz.
- Não, isso se chama "pegar roupa na lavanderia", conhece? – respondeu. – Olha, eu só deixei que ficasse aqui pra dormir, mas como você parece não estar com sono, por favor, se retire.
- E você acha que dá pra dormir com esse seu cheiro? – respondeu Inuyasha, sentando-se. – Não sei se a idéia em tomar banho era diminuir o seu cheiro, mas você falhou miseravelmente!
- Geralmente a idéia de tomar banho envolve sentir-se e estar limpo, com você não é assim? – disse Kagome olhando para a sala.
- Porque está vestida assim? Sabe que não conseguiria me seduzir nem se deixasse essa toalha cair, não sabe? – disse Inuyasha.
- E porque eu estaria tentando te seduzir? – disse Kagome incrédula.
- Instinto?
Kagome começou a rir e caminhou até Inuyasha, parando em sua frente e encarando-o. O hanyou arqueou a sobrancelha.
- Não fale sobre aquilo que você não entende. – disse Kagome sorrindo.
- Ah, desculpe-me, eu havia esquecido completamente que estou conversando com a senhora "eu sei de tudo". – retrucou Inuyasha em tom irônico.
Kagome começou a se aproximar de Inuyasha, que não entendia nada do que estava acontecendo, ela apoiou os dois braços no encosto do sofá, prendendo-o no meio. De repente o corpo de Inuyasha começou a reagir, a respiração foi ficando rápida e seu sangue era bombeado muito rápido, Kagome deu um leve sorriso, antes de roçar os lábios na orelha do hanyou e sussurrar:
- Lição número 1: isso é instinto.
Inuyasha entreabriu os lábios e sentiu um arrepio correr por todos o seu corpo, levantou os braços que antes estavam caídos ao seu lado, buscando os braços de Kagome, mas antes de alcançá-los, a garota já havia se afastado e começava a voltar para a cozinha.
- Lição número 2: isso é controlar o instinto. – disse rindo.
O hanyou olhou para Kagome incrédulo, como se não acreditasse no que estava acontecendo. Ele ainda não conseguia pensar direito, ainda sentia o arrepio em sua nuca, mas sabia que se ela tivesse demorado mais alguns segundos para sair dali, ele teria puxado-a e beijado-a ali mesmo. Ele queria retrucar, insultá-la por fazê-lo ficar com aquela cara de idiota, mas algo nas costas da garota chamou-lhe a atenção e mudou completamente o rumo dos seus pensamentos.
- Você só pode estar brincando comigo. – ele disse ainda olhando na direção dela.
Ela apenas virou o rosto para Inuyasha, com uma expressão curiosa no rosto.
- Asas!
Kagome revirou os olhos e suspirou. Aquela seria uma manhã longa.
- Isso aí... São asas, não são?! – repetiu o hanyou ao não obter respostas.
- E você acaba de destruir minha maravilhosa saída dramática. Satisfeito?
Kagome corrigiu mentalmente: seria uma manhã muito, muito longa.
Olá minhas queridas, como estão? :D Hoje eu cheguei mais cedo da casa do namorado, então consegui atualizar em um horário decente! Que lindo isso ;_; Fico até contente!
Estou ficando ansiosa para terça-feira, vou tomar anestesia geral e tudo, então não ando tão criativa quanto eu gostaria, travei no fim do capítulo 9, por isso já peço desculpas caso eu fique sem atualizar uma semana! Domingo que vem eu darei notícias sobre meu estado de saúde e já aviso se vou sumir por durante a semana. E acho que que só isso tenho isso a comentar :D
: Ah, obrigada ;_;' E nossa, minha saúde é uma tristeza xD A sua também é fraca? ;-; :*
Biia-Sama: Obrigada *insira coração gay aqui que o não deixa eu colocar ;_;* Ahhh! Essa sua pergunta é o segredo-mor da fic e iiiinfelizmente não posso contar por enquanto, só posso dizer que a única pessoa na fic que tem a resposta pra isso é o Sesshoumaru! Como eu disse na semana passada, ele sabe de tudo 8D :*
Aricele: Fico tão feliz em saber que terei compainha *insira coração gay* Obrigada por me desejar sorte e pela review *-* :*
E é isso! Se tuuuudo der certo, domingo estou de volta com o próximo capítulo 8D Eu escrevi o dando risadinhas, acho que tenho problemas :\ Enfim, vou levar o note pro hospital e vou tentar escrever lá, agradeço à vocês desejarem que dê tudo certo! Beijos e obrigada pelas visitas e pelas reviews! :*
P.S: Eu acho incrível como a fic tem visitas, acho que é porque minhas outras fics recebiam umas 30 visitas durante a vida inteira! Essa aqui tem umas 100 visitas mensais por capítulo! ;_; *orgulhosa*
