Notas: Olá =)
Esse capítulo é narrado pelo Nico, e eu gostei especialmente de escrever ele...
Apreciem sem moderação! =D
Parte II
Agora me explica... Quando eu ia imaginar que isso tudo ia acontecer?
Ok, me deixe voltar um pouco.
Rachel chegou da tal Academia para moças e me disse uma profecia. O que me vem na cabeça? Ah, minha vez de salvar o mundo! Vou matar um deus do mal! Vou... sei lá, engolir um búfalo ou qualquer coisa! Aí me aparece uma missão de busca. Meu primeiro argumento foi:
- Isso não é trabalho dos sátiros? - nota mental de não gritar mais no Acampamento.
Mas Quíron veio com aquele papo calmo e disse que poderia ser um meio-sangue importante, poderoso, e blá blá blá. Resultado: Nico Di Angelo foi parar sozinho, com fome e sem dinheiro no meio da Califórnia. E nada de alguém me dizer o nome de quem eu estava procurando, ou onde eu devia procurar, nem que eu iria "entender tudo na hora certa".
Foi tipo... Tchau, você tem uma missão. Te vejo depois.
Enfim... fui parar em San Diego através de uma Mensagem de Íris enviada por Atena do Mundo Inferior (?), em um bairro muito estranho. Aí eu tive um dos meus insights sinistros de quando alguém está morrendo, e fui correndo até a origem do zumbido nos meus ouvidos.
Vi uma garota encolhida em baixo de uma árvore, prestes a ser devorada pela Quimera e/ou envenenada e engosmada pela Equidna. Acho que ela me viu, e desmaiou antes da "hora H". Pelos meus cáuculos, a última cena que ela viu fazia parecer que eu ia matar a Quimera enfiando a espada no pescoço dela, mas lógico que não. Eu posso até ser corajoso, mas não sou burro. Esse é o tipo de coisa que Percy faria.
O mandei direto pro Tártaro, e poupei minhas energias pra lutar com a mãe do bicho. Envoquei alguns esqueletos do Submundo, e demos conta da Equidna. Depois disso eu também não estava nos melhores estados, mas dei um jeito de me arrastar e levar a garota pra algum lugar "seguro".
Acabamos num depósito velho - e mofado, tenho que acrescentar -, e a garota dormiu por um dia inteiro. Admito que eu devia ter percebido um pouco antes que ela estava desmaiada, e não dormindo... Ela tinha sido envenenada pela gosmenta do bairro sinistro, mas depois de um pouco de drama, néctar e ambrosia ficou tudo bem.
Tudo menos o tornozelo, que ela tinha quebrado quando bateu na árvore.
Eu fiquei um bom tempo tentando descobrir como alguém quebra o tornozelo numa árvore, mas decidi que era mais útil fazer aquilo ficar bom de algum jeito, porque não estava com disposição nenhuma pra carregar alguém até o outro lado do país. Fiquei bem estressado quando descobri que na minha mochila tinha até uma faixa e nem um mísero dólar, e surpreso quando a garota - descobri que se chamava Anna - disse que já estava melhor depois de algumas horas, com uma cara de "tenho um segredo, mas não me pergunte sobre isso." É claro que ela quis saber para onde estava indo, por quê e todas as outras coisas; respondi que ela iria saber depois, ou isso iria nos prejudicar mais. Charme, hoje eu sei que era. E eu acho que ela é louca até hoje, porque que tipo de pessoa atravessa os Estados Unidos com alguém que nunca viu por um motivo misterioso?
Depois disso nós passamos na casa dela, comemos panquecas - que estavam muito boas, nota dez pra tia dela, uma tal de Susan -, pegamos uma mochila e outras coisas básicas e saímos. O plano era pegar um avião, mas como ela chegaria no Acampamento com um Nico queimado em uma caixa de sapato, decidimos ir por terra. Não tivemos muitos monstros no caminho, mas foi uma rota enorme.
Primeiro pegamos um trem de San Diego à Albuquerque, e outro até Oklahoma. Fomos de ônibus até Indiana, e pelas sombras chegamos em Manhattan. Foi mais de uma semana de viajem, quase sem parar, então chegamos no Acampamento mortos de cansaço. Tivemos tempo pra conversar, e isso foi ao mesmo tempo bom e ruim. Rimos loucamente enquanto ela falava sobre seu dia-a-dia, sua escola - um reformatório - e sua tia doida. Anna era uma pessoa naturalmente engraçada, não pensava para falar as coisas e era especialista em se meter em encrenca. Mas também discutimos bastante; não éramos exatamente 'fáceis de lidar', e eram mentes bem diferentes. Ela já era esquentada, eu nunca aguentei nada calado... Brigávamos por 'o que comprar na lojinha da estação', 'em que hotel ficar', 'por que isso e não aquilo'... Até nossas piadas às vezes acabavam em discussões! E, tenho que admitir, ela ganhava em todas.
A pior foi quando a fiz subir em um cão infernal. Reclamou, gritou, esperneou. Disse que não ia, que Kólasi - o nome dele, Inferno em grego - ia avançar nela, que queria ir de outro jeito. Foi mais difícil do que a guerra contra os Titãs, mas consegui fazê-la subir no cachorro. Chegamos ao Acampamento em minutos, mas ainda assim ela não quis falar comigo.
Então, depois de falarmos com Quíron, brigamos de novo e ela saiu andando pela floresta. Teve uma luta feia com um dos monstros mantidos no Acampamento, a sorte foi os irmãos Stoll estarem tramando alguma coisa por ali. Ela foi para o chalé de Hermes - um espanto, por ser a única meio-sangue com 13 anos não reclamada -, e começou a passar tempo demais com os gêmeos.
Anna continuava sem falar comigo, e eu já estava cheio disso. O pior é que tinha certeza de que se quisesse alguma resposta teria que dar o braço a torcer. Então enguli todo o meu orgulho e fui pedir desculpas, e a conversa foi mais ou menos assim:
- Ahn... - nessa parte ela me ignorou, como já havia me acostumado - Ok, Anna. Desculpa por aquele dia, com Kólasi, e depois, aquilo da floresta. Eu sei que você só estava esperando isso, então tá liberada. Pode voltar a falar comigo agora. - ela me encarou e começou a gargalhar.
Ok, eu fiquei com vontade de matar alguém. Eu estava ali, feito um idiota, pedindo desculpas por alguma coisa que nem era culpa minha de verdade, e ela ria? Gargalhava? Aí já é demais! Foi quando ela me abraçou, e bem... As coisas mudaram um pouco.
- Obrigada, ok? Não precisa fazer essa cara de assassino... Eu sei que fui infantil e criei caso, também dei motivo! Eu sou idiota, você sabe que eu sou, e aposto que esperava isso de mim, quer dizer... Eu faço discussões inúteis, e... - eu ri do modo como ela se afobava com as palavras. - Olha, eu juro que ia te pedir desculpas depois daquele dia, mas... Ah! Eu bati o recorde de não falar com alguém, se você esperasse só mais um dia...
- Aham. Até parece. Mas ok, desculpas aceitas. - ela ia começar a discutir, então mudei de assunto rapidamente. - Pra compensar, quer perder pra mim na esgrima amanhã?
- Pff. Até parece que eu vou perder... Presta atenção, garoto! - e tudo recomeçou. Mas eu até que fiquei feliz dessa vez. Só dessa.
Alguns dias depois, tudo estava mais ou menos normal. Nós ríamos diariamente, brigávamos diariamente... Nada muito preocupante. Monótono, até. Mas eu comecei a reparar nela. E eu não era o único, sem dúvida.
Por mais cabeça dura, orgulhosa, teimosa e irritante que Anna possa ser, suas qualidades não passam despercebidas. Era sincera, corajosa, disposta e alegre. E o resto... Que resto!
Não que eu seja algum tarado ou coisa do tipo, mas a garota é impressionante. Primeiro, nenhuma adolescente normal daquela idade tinha um corpo daquele. Humilhava até as garotas de Afrodite! Zeus queira que elas não vejam isso... Seu rosto não precisava de nada para ser bonita, assim como seus olhos. Os olhos azuis elétricos, como o de Thalia, que me deixaram tão convicto de que ela era filha do deus dos céus - depois de uma longa história, ela era filha de Apolo, que fez uma reclamação bem 'extravagante'.
Os lábios cheios, sempre contorcidos em um sorriso travesso e sua pele morena eram incrivelmente atraentes, mas... A minha perdição estava mesmo naqueles cabelos. Pretos como a noite, quase roxos no sol. Aqueles lindos cachos, sempre soltos, que deixavam seu estilo com uma aparência selvagem.
E eu vou matar Eros. Porque só pode ser feitiço dele, quem deixou ela mexer comigo assim? Esse jeito abobalhado de descrever uma garota...
Enfim, assim que percebi que estava pensando demais em Anna, decidi falar com ela. Eu não ia perder essa chance por falta de coragem, não mesmo. E logo, logo eu voltaria ao Submundo, no fim do verão, e eu não ia esperar mais um ano inteiro.
Falei com ela no outro dia, na esgrima. Ela insistia em lutar comigo, mesmo caindo uma vez após a outra; mas ela iria melhorar. "Ou meu nome não é Anna Vallez!", ela dizia.
- Eu queria falar com você... - comecei. Decidir é fácil, mas na hora de realmente falar com ela... Ainda mais porque Anna estava tentando me acertar com uma espada perigosamente afiada, e eu tinha que me concentrar pra que a minha não sugasse a alma dela.
- Pode falar. - ela suspirou quando caiu novamente, mas ainda assim se levantou e tentou arrancar minha perna esquerda.
- Hm... Você sabe que eu gosto de você, não é? - me desviei, e ela bufou de frustração. - Desculpe.
- Cala a boca. Mas sim, eu sei. - me atacou de novo, pelo flanco. Arrancou um belo talho da minha camisa, mas eu não caí.
- Como assim, sabe? - desviei.
- Ué... Eu sou sua amiga. Seria bem complicado se você não gostasse de mim, não acha? - ela se embolou em minha rasteira, e levantou na mesma hora.
Pff. Não era bem aí que eu queria chegar.
- Não assim... E se eu realmente gostasse de você? - prestei mais atenção na expressão dela do que na luta em si, e ela quase me decapitou. - Woow.
Depois do familiar sorrisinho travesso, ela olhou para meu rosto por um segundo. Estava muito concentrada, não dava para decifrar o que estava pensando.
- Explique. - pronto. Como eu explicaria? - continuou me atacando. Estava ficando realmente difícil vencer esta luta.
- Ah! Não dá pra explicar... Tipo... Zeus e Hera? - comparação horrível, eu assumo. Aparei um movimento que me partiria ao meio. Ela pegou a espada nas duas mãos, e veio pra cima de mim.
- Você chifrou sua namorada? - voou com a arma no meu pescoço, e fui obrigado a me jogar no chão. Anna sorriu vitoriosa, me esperando levantar.
- Não! Só... - decidi que não dava pra explicar. Fiz algo que não sou acostumado a fazer, agi por impulso. Desarmei-a e coloquei a espada em sua garganta, com a mesma cara que devo ter feito quando matei a Equidna. Ela entrou em choque por um segundo, mas foi o tempo que precisei.
A beijei na hora, sem tempo pra pensar. Ela se entregou completamente no início, mas segundos depois me empurrou pro chão. Pegou sua espada e continuou a luta, meio perdida mas ainda assim duplamente concentrada.
E a minha conclusão? Garotas são sociopatas. Elas sorriem pra você, te abraçam e dizem que te adoram, mas quando você beija elas é empurrado pro chão da Arena.
Desde esse dia, continuo tentando falar com ela, embora ela evite o assunto com todas as forças. Mas ela não me engana, não a mim.
Ela pode não admitir, mas eu sei em quem ela pensa quando fica sorrindo, vermelha, e olhando pro nada. E eu continuo tentando, porque alguma hora ela vai ceder.
Notas: Não se intimidem, ok? Os reviews tão pulando pra serem recebidos! Hahaahhaha'
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