Notas: Narrado pela Anna, esse é o último capítulo da fic, e espero que estejam curtindo ^^...
Parte III
O quão diferente uma garota de 13 anos pode se tornar em menos de um mês? Muito, é essa a resposta.
Agora imagine, só imagine, essa situação: você está em um dia normal das suas férias, comendo pizza de calabresa com sua tia, e ela te pede pra pegar uma coisa no carro. Você vai pegar essa coisa, mas quando tenta voltar é perseguido por um cara que se transforma em uma mulher verde e sebosa, com um cachorro gigante que cospe fogo. Ah! Detalhe: você está sozinho, está escuro, não sabe droga nenhuma sobre lutas com seres que não deviam existir e eles tentam te matar. A primeira coisa que você pensa logicamente é: ferrou.
Então, pouco depois - na parte em que você quebrou o tornozelo, se ralou toda numa árvore e apelou pra todo deus que puder imaginar - aparece uma criatura de preto, com uma espada sinistra e com uma cara assassina, que atualmente atende por 'Nico di Angelo'. Primeiro achei que ele também queria me matar, mas estava correndo para o cachorro. Eu sinceramente não queria assistir o garoto morrer sem poder fazer nada, então fechei os olhos e esperei ouvir algum barulho. É lógico que não ouvi nada, porque o ser que vos fala é estúpido o bastante pra bater a cabeça na árvore com muita força e desmaiar.
Quando acordei estava descabelada, com dor de cabeça, o braço sangrando e sujo. E tinha um garoto completamente estranho enfaixando minha perna e rindo sozinho. Ele demorou uns bons minutos pra perceber que eu tinha acordado, e quando o fez começou a falar de um jeito estranho:
- Oi. Acho que você quebrou o tornozelo, e bateu a cabeça na árvore. Desmaiou por um tempo, e eu tenho que te levar pro Acampamento. Sua mãe deve ter te falado. Consegue andar? - me olhou, e pareceu se assustar. Poxa, eu estava tão horrível assim?
- Ahn... - devo ter feito a maior cara de mongol do mundo, mas... entenda meu lado, era uma situação no mínimo complicada. Tentei levantar, e literalmente esmaguei minha bunda no chão. Isso doeu muito, tipo... muito mesmo. E eu ri.
Antes de tudo, uma coisa sobre mim que vocês precisam entender. Eu tenho sérios problemas. Além dos normais, é claro, que são: dislexia, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, astigmatismo, hipermeutropia, miopia e transtorno obssessivo-compulsivo. Além disso, eu tenho surtos de raiva que já me renderam muitas encrencas - e expulsões de colégios - e instintos pra fazer merda. Impressionante, não? Pois é. Então você percebeu que meu cérebro não é muito normal; não me julgue por reações completamente sem noção. Tipo rir quando sinto dor, é um caso sem solução. Eu sou um caso sem solução. Mas enfim, continuando...
- É, acho que não. Por que eu estou aqui? - olhei em volta. Parecia um lugar não visitado havia anos. Estava imundo, e bem frio.
- Ahn... Você se machucou, e eu não tinha muitas ideias de para onde te levar.
Resumindo o resto da história, tia Susan concordou em eu ir para Manhattan com Nico - que salvou minha vida, palavras da minha tia -, mas não podíamos ir de avião e chegar muito mais rápido, porque não era seguro. Minha perna já tinha melhorado (?), então por isso eu já não podia argumentar. O jeito foi aceitar; fazer o que? Mas comecei a nutrir uma certa antipatia pelo garoto.
Três horas depois, estava em um trem quase vazio, encarando olhos misteriosos e negros que me encaravam de volta.
- Por que você não pode me falar sobre o Acampamento? - perguntei, quebrando o silêncio quase doloroso que se estabelecera.
- Ordens do pessoal do Acampamento...
- E o que você pode me contar então? Sobre isso tudo de 'tenho-que-ir-pra-Manhattan-agora'? - tentei irritá-lo.
- Depende do que quer saber... - respondeu vagamente, claramente não se deixando intimidar.
- Você. Sempre morou lá? - eu ainda estava mantendo o tom áspero, mas sobre essa parte eu estava realmente curiosa. Ele não podia ter surgido do nada, podia?
- Eu não moro lá, só passo o verão. Moro em Los Angeles. Quero dizer, na maior parte do tempo. Viajo muito, moro em todos os lugares em que passo. - Complexo. Mas divertido; a vida que eu queria para mim, provavelmente.
- Idade? - ele hesitou. Como ele não sabia a própria idade? Ok, isso foi assustador.
- 14... - tentou mudar de assunto. - Pra alguém que parecia querer me matar, você é até... social.
- Haha. Engraçadinho. Fala de você. - ignorei a provocação e me acomodei no assento, esperando ouvir alguma história realmente boa.
- Sério? - ele não acreditou. Pff.
- É. - assenti, como se estivesse explicando algo a uma criança pequena. - Temos uma longa viajem, então...
- Ahn... Ok. - ele deitou nas cadeiras, com os pés apoiados na janela e os olhos grudados no vidro. - A casa em Los Angeles é do meu pai, fico com ele, minha madrasta e... alguns visitantes. - ele sorriu de lado, como se houvesse uma piada particular. - Gosto de... filmes de terror e romãs. - pausou, como se pensasse no que dizer.
- Que tipo de música? - perguntei aleatoriamente.
- Ahn... Não sei que tipo. Ouço... Linkin Park, Green Day, My Chemical Romance, Trhree Days Grace, Pa...
- Então você gosta de música emo? - estava ficando interessante.
- Não! Por que insistem em dizer isso? - ele pareceu perguntar a si mesmo, completamente frustrado.
- Porque você ouve Three Days Grace. - chutei, rindo internamente.
- Pff... - Nico resmungou.
- E qual é a das roupas pretas?
- Ué... são roupas. Normais. Todo mundo usa roupas. - ele tentou fugir do assunto.
- Por que pretas? - continuei, me divertindo às suas custas.
- Porque sim. É uma cor... é uma boa cor, eu acho. Eu também uso branco.
- Na caveira da blusa preta? - atirei.
- Hm... Sim, mas...
- E a pulseira com espinhos? - o cortei, pressionando-o por mais respostas.
- É um bracelete, ok? - ele me olhou, parecendo aturdido.
- E o anel de caveira? - não pude evitar um sorriso.
- Foi um presente! - Nico exclamou.
- E a franjinha no rosto? - é, acho que consegui irritar um certo punk...
- É só o meu cabelo!
- Você é emo, Nico?
- Não! Quer parar de me analisar? - ele exaltou a voz. Ri abertamente, e ele me acompanhou. - Pra que isso tudo?
- Estava só tentando entender...
- Aham... Minha vez. Você conheceu seu pai?
- Não. - respondi. Era verdade; morei com minha mãe até os sete anos, quando ela morreu. Meu pai nunca apareceu, deu notícias nem nada. Nico pareceu satisfeito com minha resposta, foi sinistro.
- Hum. Quantos anos você tem?
- 13.
- Eu estou falando sério. Quantos anos?
- 13! - repeti. Ele arregalou os olhos.
- Como assim?
- Bem, na última vez em que chequei, minha mãe me deu à luz em...
- Ok. Isso é perturbador. Que tipo de música você gosta? Música "emo"? - ele devolveu. Eu ri; ele me esperou responder.
- Eu gosto de música boa. Não tenho preconceitos.
- Exceto Thre Days Grace?
- Exceto Three Days Grace. - concordei.
- Manias?
- Ahn... Quebrar coisas e ficar com raiva sem motivo - admiti. Nico fez uma cara de 'não brinca!', e continuou me interrogando.
- Tem medo de altura?
- Não. Eu gosto de altura; gera adrenalina. - dei de ombros.
- Seu maior medo, então? - levantou as sobrancelhas.
- Sei lá. Escuro?
- Ah! Fala sério, você não pode ter medo do escuro!
- E por que não? - perguntei, também o encarando.
- Porque é ridículo! Não tem nada demais no escuro, é só... Escuro.
- E qual o seu maior medo, Di Angelo? - ele revirou os olhos, provavelmente por eu ter usado seu sobrenome.
- Isso não vem ao caso. E é a minha vez de 'te entender'. Cor preferida?
- Pergunta inútil, mas ok. Azul... e preto - assumi mais uma vez.
- E depois eu sou emo. - Nico ironizou.
- Ninguém olha pra mim e pergunta se eu tomo antidepressivos...
- Como se eu tomasse antidepressivos...
- Você entendeu, por favor!
- É, entendi. - ele fingiu estar ofendido. Tentativa falha. - Esporte preferido? - continuou a me interrogar.
Passamos o resto da viagem assim, em um tipo de 'ping-pong'; nem vimos o tempo passar. Mas é claro que a convivência entre uma pessoa e eu não pode ser perfeita, então segundos depois de morrer de rir estávamos discutindo, de novo e de novo. O que dava mais raiva é que não víamos motivo nenhum, apenas estávamos conversando e de repente furiosos um com o outro.
E eu me odiava em todas as vezes, porque Nico era o melhor amigo que eu nunca tive e eu não conseguia manter um diálogo com ele sem terminar gritando. O que compensava eram os bons momentos, talvez as únicas razões para não termos desistido de chagar no tal Acampamento. Como aquela vez em que fomos obrigados a dormir literalmente no chão, e Nico puxou meu cobertor a noite inteira. Ele ficou completamente vermelho no outro dia, e eu quase tive um infarto de tanto rir de sua cara... Ou quando eu liguei para minha tia pelo celular - hoje eu sei que nunca mais devo fazer isso... -, e uma criatura disforme veio correndo atrás de mim por todo o corredor de um hotel. Nico me agarrou pelo braço e me puxou para uma sala estranha, e tentando me soltar eu acabei empurrando nós dois para uma escada que dava no porão. Caímos literalmente igual jacas maduras, uma em cima da outra, e gargalhamos como bêbados em show de piadas.
Pulando várias partes, brigamos novamente quando chegamos no Acampamento Meio-Sangue. Eu fiquei com raiva, saí andando pela floresta, me machuquei e acabei conhecendo dois de meus "irmãos temporários". Travis e Connor eram legais, engraçados e encrenqueiros, a companhia perfeita.
Mas eu também não sou de pedra; estava me roendo de vontade de voltar a falar com Nico, tinha saudades até de brigar com ele! O problema era que eu não tinha coragem de pedir desculpas, e a culpa nunca foi dele.
O que significa que eu quase pulei quando ele veio me pedir desculpas... Veio todo quietinho, vermelho, uma gracinha! O sorriso dele quando o abracei, achei tão bonitinho!
Agora, que isso não saia daqui. Podem dizer o que quiser, que ele é emo, tem pacto com o demo, que é esquisitão ou qualquer outra coisa. Pra mim, Nico sempre vai continuar sendo meu anjinho. Meu anjinho bem estressado com uma missão complicada, mas ainda assim um anjinho.
Exceto nas partes em que estamos gritando loucamente um com o outro; aí ele é meu capetinha. Enfim... para todos os efeitos, ele foi um presente dos deuses para me ajudar a entender a mim mesma; entender que eu sou só um pouquinho louca, não completamente. E ele me ensinou que eu posso, sim, ter amigos que gostam de mim pelo modo como eu sou, incluindo o orgulho idiota e as frases retardadas. Eu posso amar esses amigos, e fazer disso uma relação que não acabe em algumas horas.
Então... no fim do discurso fofo de "ele é o melhor amigo que eu nunca tive", aconteceu o seguinte; os dias passaram normais, até aquele do treino de esgrima. Acho que nunca mais esqueço isso. Enfim... eis o diálogo das pessoas:
- Eu queria falar com você... - ele falou quando lutávamos. Pensei 'ele deve querer falar sobre como eu fui péssima na luta com faca ou algo assim...'
- Pode falar. - comentei frustrada, caindo pela milésima vez. Isso não era justo; ele fazia isso a séculos! Na verdade quatro anos mas ainda assim...
- Hm... Você sabe que eu gosto de você, não é? - ele falou. Bufei quando ele cortou meu braço. Ele fazia isso parecer tão fácil! - Desculpe.
- Cala a boca. - esse 'desculpe' não foi muito um incentivo. - Mas sim, eu sei. - Nico travou um pouco, e abri uma grande fenda na camisa dele. Continuamos a luta e a conversa, uma dificultando a outra.
- Como assim, sabe? - como assim, ele não entendeu?
- Ahn... Eu sou sua amiga. Seria bem complicado se você não gostasse de mim, não acha? - respondi por impulso, e ele pareceu decepcionado.
- Não assim... E se eu realmente gostasse de você? - fiquei confusa por um instante, e por impulso quase arranquei a cabeça do garoto. - Woow!
Dei um sorrisinho pelas palavras dele e pelo meu 'pequeno sucesso', e vi de relance o rosto distante de Nico. Resolvi brincar um pouco, mas tinha alguma ideia do rumo dessa conversa.
- Explique. - falei simplesmente, e fingi que não estava realmente me importando com o assunto; continuei tentando acertá-lo com a espada. Eu estava até melhorando!
- Ah! Não dá pra explicar... Tipo... Zeus e Hera? - quase o parti ao meio; novamente o impulso sem noção.
Ok, se ele comparasse a Percy e Annabeth eu até entenderia, agora... Zeus e Hera? Isso soou... sério. Assustador, na verdade.
- Você chifrou sua namorada? - tentei romper o clima tenso, e consegui jogá-lo no chão. Sorri, mas não estava tão calma por dentro.
- Não! Só... - acho que ele desistiu de falar. E partiu pra ação.
Quando Nico colocou a espada na minha garganta pensei 'putz, ele vai me matar!'. Fiquei parada por um momento, encarando seus olhos hipnóticos perto de mim. Então ele me beijou. Isso mesmo, me beijou. Eu podia dizer qualquer outra coisa, mas não.
Eu agarrei ele - literalmente - pelo pescoço, o puxei pra mais perto e retribuí. Meus dedos se embaraçaram nos cabelos dele, e parecia que alguma força misteriosa - e depravada! - tinha se apossado de mim.
No segundo em que percebi o que tava rolando desci as mãos para os ombros dele e empurrei Nico pro chão. Tentei fingir que nada tinha acontecido mas... Talvez os batimentos pulando, o rosto vermelho ou as mãos tremendo tenham me entregado. Só talvez.
Eu estava completamente 'aérea', então não fui "eu" pelo resto do meu dia. Só consegui pensar direito em meu chalé, quando fui dormir. Eis a mente da garota:
"Ele me beijou. ELE ME BEIJOU! E eu beijei ele também. Calma... Por que eu estou loucamente feliz? É o Nico! Nico, meu melhor amigo, com aqueles olhos perfeitos... Ops. Alguma coisa tá errada. Como assim ele me beijou? A gente se beijou? Ele gosta de mim? É, ele falou isso hoje. Então ele gosta realmente de mim? Não! Ele não gosta realmente de mim! Quer dizer... Alguém gosta realmente de mim? Por que eu estou tremendo? Isso não está certo. Eu gosto realmente do Nico? Sim! Não, claro que não. Então o que foi aquilo na arena? Uma demonstração de carinho...? Ah, cala a boca! Anna, você gosta realmente do Nico. Ahn? Não, eu estou confusa por que ele me beijou. VOCÊ beijou ele. Depois que ele me beijou! Ok, nós nos beijamos. E você agarrou ele! É, o que foi aquilo? Acho que eu fui usada por algum espírito... Não! São desejos reprimidos! Quem falou isso? "Desejos" de quê, exatamente? Eu só tenho 13 anos! É, ela só tem 13 anos! E ele é meu melhor amigo! Será? Os sentimentos dele mudaram! Ele é meu amigo, não quero estragar isso! Ou quero? Aquele olhos... Foi tão bom! Own, ela está apaixonada! Pro inferno com essa sua 'paixão'! Eles são amigos. Amigos, entende? Duvido! Hey! O que houve aqui? Decida-se!'.
Confuso, não? Isso foi a guerra de opiniões e sentimentos dentro da minha cabeça naquela hora. Era como... Era exatamente como se o chalé de Afrodite inteiro estivesse na minha cabeça, discutindo entre si. E eu estava no meio, falando coisas sem nexo.
No fim da discussão, cheguei a três conclusões:
1 - Nico estava gostando de mim. Realmente.
2 - Eu não queria estragar nossa amizade.
3 - Eu estava gostando dele. Mas não queria poder gostar dele. Bastou ele me beijar pra eu perceber que eu estava fugindo disso há algum tempo, e continuei fugindo.
Comecei a evitá-lo, pra reorganizar minha cabeça, mas não deu certo. Porque toda vez que ele aparecia do nada com aqueles olhos maravilhosos e o sorriso confiante acontecia a mesma discussão dentro da minha cabeça, e eu ficava perdida em meus pensamentos.
No outro dia, eu já estava pronta pra dormir, e veio uma voz na minha cabeça. Só uma, clara, sem confusão nenhuma. "Se não gostasse dele, não ficaria martelando isso por semanas." Levantei da minha cama, saí do meu chalé às onze e quarenta da noite e bati na porta do chalé 13. Demorou algum tempo, mas Nico finalmente abriu a bendita porta. Descabelado, com sono e vestido de preto.
Encostei minha boca na dele por um segundo, não mais que isso.
- Eu acho que estou gostando de você. - sorri, me virei e voltei pro meu chalé, sem olhar pra trás ou ver a cara confusa que ele provavelmente fez.
No dia seguinte ele me procurou. Pela primeira vez fez algum barulho quando me viu saindo do chalé.
- Você é bipolar, tá de sacanagem comigo ou eu tô alucinando? - ele estava sério; não sairia dali sem uma resposta. Não consegui evitar um sorrisinho de diversão.
- Eu sou bipolar. E você podia me dar aquele beijo de novo... - ele me abraçou e me beijou uma segunda vez. Dessa vez não reprimi meus impulsos.
Você deve estar pensando "Oh, eles começaram a namorar, tiveram a benção de Afrodite e foram felizes para sempre." Até parece.
Estava tudo bem, até aquele jogo idiota de 'Verdade ou Consequência'. Não sei se foi uma pegadinha para mim e o Nico ou outra coisa, mas que aquilo rendeu... Depois de várias perguntas bem... capciosas, foi essa que me prendeu:
- Nico, o que há entre você e a Anna? - era Kayla, a suposta irmã que devia me apoiar e não fazer perguntas desse tipo.
O pior foi o silêncio que dominou o lugar. Nico me encarou, e eu o encarei de volta. Essa era uma pergunta sem resposta.
- Anna, o que há entre a gente? - ele perguntou. Alguns começaram a rir, outros não acreditaram.
- Eles tem um caso! - alguém falou.
- Que nada! Eles só se pegam algumas vezes! - essa foi mais constrangedora de ouvir.
- Ahn... Sem perguntas difíceis, ok? - falei, por fim. Nico apenas sorriu, não descobri o que ele pensou naquela hora.
Depois de muitas piadinhas e brincadeiras, terminamos o jogo sem a resposta. Mais tarde, quando andamos para a área dos chalés, a conversa recomeçou:
- O que acontece entre a gente, Anna? - eu estava olhando pro chão, mas Nico provavelmente estava sorrindo.
- Ahn... Somos amigos, não somos?
- Amigos que "se pegam" algumas vezes no dia? - ele respondeu, me fazendo rir.
- Ok, então somos 'amigos com benefícios'. Estamos 'ficando', como diriam as filhas de Afrodite. - sorri também, ainda não vendo seu rosto.
- Ou namorando... - olhei para Nico. De propósito, ele estava agora olhando para frente. Queria saber minha reação sem demonstrar as suas; odiava quando fazia isso.
- Talvez isso seja... precipitado. - pensei que ele ficaria com a cara fechada e não falaria mais nada, mas ele riu.
- Eu não acho. Você amaria ser minha namorada. - Nico piscou pra mim.
- Mas você se acha, hein, garoto? Que eu saiba, foi você quem tentou se declarar pra mim!
- Que eu saiba, foi você quem me acordou pra me beijar de pijama... - eu provavelmente fiquei vermelha.
- Ah! Fala que você não adorou aquilo, nem deve ter conseguido dormir depois! - ri, divertida.
- Depois eu sou convencido. Aham. Mas, voltando ao assunto... Você vai ser minha namorada ou não? - tentou manter o tom sério, sem sucesso.
- Não agora.
- Ah, vai sim. Você sabe o que aconteceu na última vez que tentou me evitar, não sabe? - passou o braço ao redor de minha cintura, beliscando minha barriga. Levou um tapa no braço.
- Não sei de onde você tira essa confiança toda! - ele gargalhou.
- Eu te conheço... Você não vai resistir por muito tempo!
- Veremos...
- Você não é imune ao meu charme, Anna! - e aquilo já tinha virado uma grande brincadeira.
- Ha-ha! Hilário você! - ironizei.
- E eu sei que você adora meus olhos... - ele olhava para mim e sorria, como se pudesse ler minha alma. Esperei que ao menos isso ele não pudesse fazer...
- Como vo... - comecei, mas mudei de ideia. - E daí que eu adoro seus olhos?
- Ninguém adora meus olhos. Exceto você, e isso indica que você me ama. - Nico continuou.
- E você deduziu isso pelo lance dos olhos?
- Sim! Impressionante, não?
- Pff...
- E agora, namora comigo? - alargou ainda mais o sorriso.
- Você escutou o que eu te falei um minuto atrás?
- Aham. Namora comigo?
- Ah, meus deuses! Nico...
É, vai começar tudo de novo...
Notas: É, acabou... *snif*
Mas e aí, ficou bom? Agradeço já aos que leram =)
Beijos ;*
