Sesshoumaru balançou a cabeça negativamente. Ele definitivamente estava velho demais para agüentar aquelas discussões, mas precisava concordar com Kouga. Inuyasha era a única pessoa que poderia tirar Kagome do buraco em que ela iria entrar. Viver sem suas asas seria o último teste de Kagome e seria o mais difícil de todos.
- Você não está morrendo? Como ficou beijando o Kouga? - disse Inuyasha.
- Eu não fiquei beijando o Kouga, eu dei alguns beijos, só isso. – retrucou Kagome.
- Alguns? – disse Inuyasha erguendo a sobrancelha. – Você ouviu isso, Sesshoumaru? Eu acho que ela não precisa tanto assim de um médico.
- Eu ouvi, Inuyasha, eu estou aqui ouvindo toda essa besteira e garanto que ela precisa de um médico. Aquilo que ela deu no Kouga nem pode ser considerado um beijo! Ou você só sabe beijar assim? – disse Sesshoumaru.
- Hei! – disse Kagome inconformada. – Foi um beijo de despedida, ok? Não conta! Eu sei beijar, Inuyasha, diga para ele que eu sei beijar!
Inuyasha deu nos ombros.
- Eu só te beijei quando você tinha problemas com coordenação motora, não posso opinar.
- Mentiroso! Teve o beijo na minha casa e naquela droga de mundo dos mortos!
- Espera... Aquilo foi um sonho! Como você pode saber disso?
- Eu nunca disse que aquilo era um sonho. – disse Kagome. – Você que achou isso.
- Ah merda! Isso é trapaça!
Sesshoumaru riu mentalmente. Kagome ficaria bem, sabia disso. Desde que tivesse Inuyasha ao seu lado.
Capítulo 23 – Novo começo
Um cheiro forte de incenso fez Rin abrir os olhos, ela estava sentada no chão, usando o resto de algo que algum dia fora uma árvore como encosto. Sorriu sem emoção alguma e disse:
- As asas já desapareceram.
- Não estou aqui para isso, quero saber como você está.
Rin deu nos ombros e rolou os olhos. Ela não parecia confortável com aquela situação, seu tom de voz era diferente do usual, parecia sério demais.
- Estou falando sério.
- Você não viria até aqui só por causa disso, Kikyou.
Kikyou cruzou os braços e encostou em um tronco seco.
- Você tem a impressão errada sobre mim.
- Ás vezes acho que você esquece que presa aqui eu sei de tudo.
- Você não sabe de tudo. – retrucou Kikyou.
- Sim, eu sei. Eu sei por que você está agindo assim, mas não concordo.
- Se sabe de tudo então deveria concordar comigo! – disse Kikyou. – Se pudesse voltar atrás e se vingar do Inu Taisho, se pudesse proteger aquela criança que lhe era tão preciosa, você não voltaria?
- Eu adoraria poder voltar no tempo, não estar presa nesse lugar pela eternidade, podendo viver em paz com o Sesshoumaru e minha filha, mas eu não me vingaria do Inu Taisho. Apesar de amargurar todos esses anos pelo o que ele me fez não posso culpá-lo por ser ignorante.
- Você está mentindo! Não tente agir como se fosse melhor do que eu!
Rin suspirou e balançou a cabeça negativamente.
- Vingança não leva a lugar nenhum, você deveria saber disso, Kikyou. Não vê que é por causa da vingança que estamos presas nesse destino cruel? Eu já perdoei o Inu Taisho, quando fez o que fez ele ainda não conhecia o amor, não conhecia nada além daquela vida.
- Mas eu não perdôo! – disse Kikyou verdadeiramente irritada. – Eu nunca vou perdoá-lo.
- Você é igualzinha a Midoriko. – disse Rin que agora soava normalmente. – Ela costuma me visitar, sabia? Ela também não concorda com o que você está fazendo.
- Eu não me importo com o que vocês acham!
- Nós sabemos. – disse Rin e ela sorriu. – Você deveria ouvir as mais velhas, não é essa a regra?
Kikyou revirou os olhos.
- Agora lembrei o motivo de não te visitar nunca.
- A verdade é uma droga, né?
- Você achar que sabe tudo é que é!
Rin fechou os olhos e sorriu. Kikyou havia ido embora.
Um palavrão alto e claro quebrou o silêncio da casa de Miroku. Kagome estava deitava de bruços no chão e Sesshoumaru estava sentado ao seu lado, limpando suas costas. Miroku olhou confuso para Inuyasha e o hanyou balançou a cabeça.
- Ela não pode ir para o hospital. – explicou.
- Isso não faz sentido. – retrucou Miroku.
- Faz sim, nós não conseguiríamos explicar de onde saiu esse machucado e eles provavelmente fariam transfusão de sangue e como o sangue dela não é compatível com o dos humanos talvez isso a matasse.
- O que você está passando ai? Uma lixa? – disse Kagome irritada.
- Não, mas se você não calar a boca será uma ótima opção! – respondeu Sesshoumaru.
- Que agradável da sua parte!
- Você precisa de alguma coisa? – disse Miroku olhando para a garota no chão.
Ela ergueu os olhos e encontrou os de Miroku, deu um sorriso fraco e soltou outro palavrão antes de responder.
- Não, obrigada. E desculpe pela sujeira...
Inuyasha encostou na parede e cruzou os braços. Agradecia mentalmente por não estar sentindo aquilo, tinha certeza que a dor que Kagome estava sentindo naquele momento era algo que beirava o insuportável e não ter uma ligação bizarra ajudava muito. Fechou o punho com força quando ela soltou outro berro, poderia estar aliviado por não sentir, mas isso não significava que estava confortável com aquilo, queria encontrar alguma maneira de amenizar aquele sofrimento, porém sabia que não existia nada que pudesse fazer além. Isso o irritava verdadeiramente.
Sesshoumaru deixou o pano dentro da bacia de água morda e pousou a mão no ombro de Kagome.
- Eu precisarei dar pontos, ok? Isso vai doer bastante, não tenho nada que possa te anestesiar e não acho que você agüentaria voltar de uma anestesia. – ele parecia absurdamente calmo e tranqüilizante. – Mas antes eu preciso que me responda uma coisa, acha que consegue?
- Bem, são as minhas costas que estão destruídas afinal de contas, não a minha cabeça. – disse Kagome.
Sesshoumaru fez o barulho com o nariz que Kagome havia decidido ser uma risada e disse seriamente:
- Onde fica o templo dos anjos?
- Para quê você quer saber isso? – perguntou Kagome parecendo confusa.
- Estamos em guerra. – disse Sesshoumaru.
- Ah, certo... – disse Kagome. – Acho que esse é um bom motivo.
- E então... onde ele fica?
Inuyasha olhou para a cena intrigado, talvez ninguém na sala pudesse perceber, mas Sesshoumaru estava visivelmente compreensivo e de uma maneira estranha parecia carinhoso.
Kagome mordeu o lábio inferior e logo fechou os olhos, sua expressão era confusa, quando ela abriu os olhos eles estavam arregalados e pareciam perdidos encarando o nada.
- E-eu não lembro. – disse.
Sesshoumaru apenas alisou o cabelo da garota, enquanto tirava-o das costas e de cima do ferimento.
- Está tudo bem, não se preocupe com isso.
- Por que eu não me lembro disso? – sussurrou Kagome e seus olhos ainda estavam vagos.
- Você está cansada. – disse Sesshoumaru. – É só isso.
Miroku andou até Inuyasha e sussurrou:
- O que está acontecendo? Quem é esse ao lado da Kagome?
- Eu não sei, mas eu não acho que isso seja algo bom. – respondeu Inuyasha. – Ligue para a Sango e avise que encontramos a Kagome, diga para ela vir para cá.
Miroku não retrucou, apenas saiu da sala, empurrando sua família que estava escutando atrás da porta. Sesshoumaru havia pedido que ficassem em outro cômodo.
Inuyasha abaixou-se e ficou na altura de Sesshoumaru, o yokai olhou-o com o canto dos olhos e não moveu um músculo.
- Eu pedi para o Miroku chamar a Sango. – disse.
A garota esboçou um sorriso.
- Isso foi legal da sua parte, obrigada.
- Não se acostume. – retrucou Inuyasha.
- Sim, senhor.
- Inuyasha, eu preciso falar com você mais tarde. – disse Sesshoumaru.
O hanyou apenas acenou positivamente com a cabeça e sentou-se, para sua surpresa Kagome esticou o braço e pegou sua mão.
- Posso apertar sua mão enquanto o maluco da montanha costura minhas costas? – perguntou.
Inuyasha sorriu e disse:
- Claro, duvido que você tenha força o bastante para me machucar, então vá em frente.
Kagome apenas sorriu em resposta.
- Preciso encontrar um kit de primeiros socorros, - disse Sesshoumaru. – ou algo que me ajude a costurar suas costas.
- A idéia costurar minhas costas te agradou, não é? Doente. – disse Kagome e seu tom era humorado.
- Oh, claro! – disse Sesshoumaru ironicamente. – Eu sempre sonhei em fazer ponto-cruz nas costas de um anjo.
- O que é um ponto-cruz? – disse Inuyasha arqueando a sobrancelha.
- Eu também não sei, não entendo nada de costura. – disse Kagome.
Sesshoumaru revirou os olhos, levantou-se e saiu sem dizer nada.
- Acho que ele ficou irritado por não sabermos o que é um ponto-cruz. – disse Kagome.
- Ele fica irritado com qualquer coisa. – disse Inuyasha.
- Não posso reclamar, é a segunda vez que ele salva minha vida.
- Achei que eu tivesse salvado da primeira vez e da segunda tivesse sido seu namorado lobo.
Kagome girou os olhos e tentou segurar o riso.
- Está rindo do quê? - disse Inuyasha dando nos ombros.
- De você. – disse Kagome. – Me diga uma coisa, Inuyasha, por que você ainda está aqui?
- Está me expulsando?
- Não, não é isso. – disse Kagome. – O que estou querendo dizer é que mesmo depois de eu deixar de ser um anjo e de não ter mais aquele efeito de defesa nos yokais você continua aqui. E não só você, mas o Kouga também e até mesmo o Sesshoumaru.
- Eu não sei o que motiva os dois, mas eu estou aqui porque me importo. – disse Inuyasha.
- Não deveria. – embora Kagome dissesse isso, ela sorria.
- Você também não deveria estar com as costas rasgadas parecendo uma vítima do Jigsaw, mas você está. A vida não faz muito sentido.
- Era escolher parecer uma atriz de Jogos Mortais ou continuar a viver uma mentira. – disse Kagome. – Não quero que se sinta culpado pelo o que está acontecendo comigo, mas se eu fui capaz de fazer uma escolha foi por causa de você.
Inuyasha ergueu a sobrancelha, franzindo a testa.
- O que quer dizer com isso?
- Sinceramente, eu não sei direito. – disse Kagome rindo. – Quando eu precisei escolher entre ser ou não um anjo um monte de coisas passou pela minha cabeça, eu sabia o que tinha de fazer, mas apenas quando me lembrei de você tive certeza.
Inuyasha passou de leve a mão nas costas de Kagome, contornando o machucado e parando no ombro. A outra mão ainda segurava a da garota.
- Eu tive tanto medo de morrer... – disse Kagome e embora não chorasse sua voz era abafada. – Eu ficava me perguntando se eu teria a chance de ser livre, de viver, de voltar e me desculpar por todas as coisas idiotas que eu tinha falado e feito com você.
- Desculpe, eu deveria ter te impedido quando me avisou que estava indo. Eu deveria ter te seguido e ter impedido que tudo isso acontecesse.
- Tinha que ser assim. – disse Kagome. - Se fosse atrás de mim naquele momento nunca saberíamos se estava lá porque queria ou porque se sentia obrigado a fazer isso.
- E que diferença isso faria? – disse Inuyasha. – Ao menos você não estaria assim.
- Inuyasha, certa vez você disse que queria estar ao meu lado porque gostava de mim, mesmo não entendendo como ou o porquê. Agora que não existe mais ligação ou atração ou qualquer outra coisa que confunda a minha visão eu posso dizer que quero estar ao seu lado por que você faz com que eu me sinta bem. Eu não estou dizendo que quero ser sua namorada ou qualquer coisa do tipo, mas se você deixar eu gostaria de ficar aqui, eu não tenho mais uma casa, nem um lugar para voltar. Desde que eu sai do templo dos anjos nada mais fez sentido e eu não acho que um dia voltará a fazer, mas ficar aqui, com você e com os outros torna tudo menos doloroso. Estar ao seu lado faz parecer que o vazio é um pouco menor.
Inuyasha beijou a mão de Kagome e ela fechou os olhos.
- Ficar ao meu lado... Isso não é algo que você precise pedir. – ele disse.
Kagome sorriu e antes que qualquer um dos dois pudesse dizer qualquer coisa a porta do quarto se escancarou e Sango entrou parecendo um furacão. Ela sentou-se ao lado de Inuyasha e o hanyou precisou ir para o lado, pois Sango ocupava mais espaço do que deveria.
- Oh, meu Deus do céu! Você está viva!
Miroku estava parado na porta e balançou a cabeça negativamente.
- Desculpe, eu tentei impedi-la de entrar assim, mas acho que não estamos tão bem assim para ela me ouvir.
- Ótima hora, Sango. – disse Inuyasha revirando os olhos.
- Como você está? Está doendo muito? – disse Sango ignorando Inuyasha.
- Eu estou bem, - disse Kagome. – a dor não é tão ruim assim, já doeu mais.
Inuyasha soltou a mão de Kagome e levantou-se, a garota apenas o acompanhou com o olhar enquanto ele ia à direção de Miroku.
- Ela atrapalhou? – perguntou Miroku.
- O que você acha que estávamos fazendo? – disse Inuyasha. - Depravado.
-Achei que estavam declarando seu amor infinito, parece um bom momento.
- Eu não amo a Kagome, - disse Inuyasha. – agora sem aquela ligação idiota eu posso dizer com certeza que não a amo.
- Pode mesmo? – disse Miroku e ele sorria.
- Onde está o Sesshoumaru? Ele precisa fechar aquilo antes que infeccione!
- Inuyasha, querido, poderia vir aqui um minuto?
Inuyasha olhou por trás do ombro de Miroku e viu Hana, a mãe do garoto. Acenou com a cabeça e deixou Miroku para trás, indo ao encontro da mulher.
Kagome que acompanhava a cena do chão perguntou:
- Para onde ele está indo?
Sango olhou para a porta e Miroku respondeu.
- Minha mãe o chamou, mas ele volta logo, logo.
- Sua mãe não gosta muito de mim, né? – disse Kagome.
- Acho que ela não gosta de anjos... – disse Miroku. – Vou deixar vocês a sós, acho que precisam de um momento de garotas aqui.
E dizendo isso Miroku saiu e fechou a porta atrás de si, Sango continuou olhando para a porta por alguns minutos e Kagome disse:
- Parece que vocês voltaram a se falar.
- Quase isso. – disse Sango ainda olhando para a porta. – Estávamos preocupados com você, então abrimos uma trégua.
- Ainda está magoada por ele ir embora?
- Muito.
- Se pedir para ele ficar, ele fica. Sabe disso, não sabe?
- Sim, eu sei. Mas não acho justo. Ele deveria ficar porque quer e não porque eu pedi. É a vida dele, afinal de contas.
- Eu acho que isso é um grande problema de comunicação. Ele inventou de ir embora esperando que você pedisse para ele ficar e você não pede para ele ficar porque acha que ele quer ir embora.
- Se ele quisesse ficar, ficaria. É simples. – disse Sango. – Mas não estou aqui para falar sobre eu e o Miroku.
- Esse é um assunto que eu gostaria de falar com você quando estiver boa. – disse Kagome.
- Vou pensar no seu caso. – disse Sango.
- Ótimo. – disse Kagome.
- O que aconteceu com você? – perguntou Sango. – Por onde esteve, por que está ferida assim?
- Eu estive tentando despistar os anjos, mas a Kikyou acabou me encontrando. Resumindo a história toda, elas me deram a opção de agir como se nada disso tivesse acontecido ou deixar de ser um anjo. Acho que seus sermões tiveram efeito, afinal, eu escolhi deixar de ser um anjo. E para isso acontecer elas tiraram minhas asas, isso explica esse pequeno rasgo nas minhas costas.
- Mas achei que essa de um anjo fosse apenas uma história! – disse Sango.
- E é. Mas quando terminamos nossa missão, recebemos a liberdade e vamos para um lugar onde nossas asas se tornam reais. – explicou Kagome.
- Isso significa que você é livre agora, mas não tem mais asas?
- Eu acho que é isso. – disse Kagome e seu tom de voz era baixo. – Sango, eu preciso que você faça uma coisa por mim.
Sango apenas apertou a mão de Kagome, incentivando-a a falar.
- Meu cabelo. Eu quero que você o corte.
- Seu cabelo? – disse Sango confusa.
- Sim. Eu não sou mais um anjo, eu não preciso e não quero mais ter a aparência que elas me obrigaram a ter a vida inteira.
- Eu não sei se posso fazer isso e se eu destruir todo seu cabelo?
- Eu não me importo, - disse Kagome. – eu só quero nunca mais parecer com elas.
- Espere um minuto, irei atrás de uma tesoura.
Sango levantou e Kagome ouviu o barulho da porta abrindo e fechando. Quando se viu sozinha pela primeira vez se permitiu chorar, não queria realmente cortar seu cabelo, gostava dele do jeito que era, mas era a única maneira que ela enxergava de começar a se libertar de tudo o que os anjos significavam em sua vida. Começaria a ser ela mesma, ninguém mais diria a ela o que deveria ou não fazer. Mesmo que estivesse presa naquele mundo humano estranho ainda assim, estava livre. Livre dos anjos e de suas regras.
Inuyasha sentou-se no sofá da sala e encarou Hana, a mulher estava com as mãos em cima da perna cruzada e parecia nervosa.
- Essa é a garota que procuravam? – disse.
- Sim, ela é a Kagome. – disse Inuyasha.
- E os anjos fizeram isso com ela, certo? – disse Hana.
- Sim.
- Sabe que te considero como um filho, não sabe disso?
- Senhora Akamine, onde está querendo chegar?
- Você está em perigo, querido. – disse Hana e agora suas mãos enrolavam o pano da saia comprida que ela usava. – Não percebe isso? Esses anjos são capazes de qualquer coisa para conseguir o que querem, veja o que fizeram com a própria espécie! Imagina o que fariam com você?
- Eu sei me cuidar.
- Não, não sabe. – disse Hana aflita. – Não contra essa gente, elas virão atrás de você! Elas já vieram antes e vão vir novamente, se afaste dessa garota enquanto ainda pode, Inuyasha. Se precisar de dinheiro eu lhe dou, mas saia da cidade ou vá morar com o Sesshoumaru, eu não sei, mas você não pode continuar assim.
- Eu agradeço a sua preocupação, mas não posso sair da cidade, nem me afastar da Kagome. Ela não tem mais ninguém e precisa de mim. – disse Inuyasha e ele soava convicto. – Quando eu era criança você e sua família sempre me visitavam, cuidavam de mim e fizeram todo o possível. Fizeram isso por mim mesmo sabendo o que eu era e o risco que corriam, o que estou fazendo pela Kagome agora é o mesmo.
- É diferente...
- Não, não é. – disse Inuyasha e ele deu um leve sorriso.
Hana respirou fundo, parecendo derrotada.
- Espero que não se arrependa da sua escolha.
- Mãe, onde tem uma tesoura? – gritou Miroku do corredor.
- Para que você quer uma tesoura? – gritou Hana em resposta.
- A Sango vai cortar o cabelo da Kagome!
Inuyasha arqueou a sobrancelha.
- O quê? – ele disse.
Miroku colocou a cabeça na porta da sala e disse:
- Parece que a Kagome resolveu cortar o cabelo e pediu pra Sango fazer isso. Mulheres são muito estranhas mesmo, quem deixaria a Sango com uma arma branca tão perto da própria cabeça?
- Eu estou ouvindo, seu idiota! – gritou Sango e sua voz vinha de longe.
Hana balançou a cabeça. Sua casa estava um caos, yokais andando para lá e para cá, um anjo ensangüentado no quarto de visitas, a possível namorada do seu filho berrava e o xingava como se estivesse na própria casa. Tinha sorte de seu marido ter saído com seu pai, a presença do ancião deixaria tudo pior.
- A tesoura, mãe, onde eu acho? – insistiu Miroku.
- Para cortar o cabelo da menina? Eu acho que na primeira gaveta do banheiro deve ter algo que sirva para isso. – disse Hana.
- Você vem? – disse Miroku olhando para Inuyasha.
Inuyasha olhou para Hana e ela acenou, incentivando-o a ir. O hanyou pediu licença, levantou-se e foi até Miroku, que acenou tchau com a mão para Hana.
- Sango! É por aqui. – gritou Miroku.
- Parem de gritar! – gritou Hana da sala parecendo irritada. – Isso está parecendo um hospício!
Miroku foi até o banheiro e procurou por uma tesoura nas gavetas, achou na terceira e levou até Sango, que já estava parada ao lado de Inuyasha.
- Você vai mesmo fazer isso? – disse o hanyou erguendo a sobrancelha.
- Vou. – disse Sango convicta. – Vocês homens não entenderiam os motivos da Kagome.
- Não mesmo, o cabelo dela é bem bonito, você não acha? – disse Miroku.
Inuyasha concordou com a cabeça e Sango resmungou baixo, virou-se e foi em direção ao quarto que Kagome estava, Inuyasha e Miroku a seguiram.
Kagome ouviu a porta abrir e enfiou o rosto no carpete em que estava deitando, tentando limpar o rosto e esconder as lágrimas, se qualquer um dos três notou que ela havia chorado quando ela os encarou fizeram questão de não demonstrar e ela sorriu aliviada.
- Eu acho que você precisa ao menor sentar. – disse Sango olhando para a garota.
- Estava pensando exatamente nisso, Inuyasha, poderia me ajudar?
Inuyasha fechou a cara e pareceu contrariado, mas apenas concordou. Sabia que sentar não era uma boa idéia, certamente começaria a doer.
Foi até Kagome e pegou-a no colo, nos seus braços virou-a fazendo com que agora suas costas estivem voltadas para baixo, a garota estava com o rosto contraído em uma careta de dor, mas não disse nada. Inuyasha abaixou-se e colocou-a sentada, ela tombou para o lado, mas ele a segurou novamente.
- Acho melhor você ficar ai segurando a Kagome! – disse Miroku.
- Eu concordo. – disse Sango.
- Está certo, está certo. – resmungou Inuyasha.
Sango andou até Kagome e sentou-se atrás dela, o cabelo de Kagome era realmente comprido, batia em sua cintura. Era muito liso e brilhante, Sango não deixou de sentir pena ao cortar um cabelo tão bonito.
- Onde você quer que eu corte? – disse Sango.
- No ombro.
- Mas isso é mais da metade do que cabelo!
- Eu sei. Eu quero no ombro. – insistiu Kagome.
Sango suspirou.
- Está bem. Miroku, pode conseguir um espelho para mim e talvez uma navalha se você tiver?
- Verei o que posso fazer por você.
Miroku que estava parado na porta deu meia volta e voltou para o resto da casa. Os três ficaram em silêncio enquanto esperavam o rapaz voltar e em menos de 10 minutos ele voltou com um espelho grande e uma navalha.
- Ótimo. – disse Sango sorrindo. – Coloque o espelho em frente a Kagome, por favor. E me dê a navalha.
O rapaz apenas obedeceu e sentou-se ao lado de Sango.
Kagome olhou seu reflexo, era a primeira vez que via seu rosto depois do que acontecera no templo. Estava péssima. Seus olhos pareciam fundos e sua pele tinha uma palidez pouco saudável, tinha olheiras escuras, quase pretas. O cabelo parecia impecável, apesar de seu estado lamentável. Continuava liso e brilhante e caía sob seus ombros e escorriam até a cintura, naquele momento lembrou de todas as horas que perdera de sua vida cuidando daquele cabelo, ela se orgulhava dele. Como um anjo, seu cabelo bem cuidado mostrava sua força, mas agora não era um anjo e não precisava mostrar força para ninguém.
Sango puxou o cabelo para trás e segurou em uma mão na altura do cotovelo, fazendo uma espécie de rabo de cavalo, ela olhou pelo reflexo para Kagome e ela acenou com a cabeça, incentivando a garota. Sango pegou a tesoura e cortou o cabelo de uma só vez. Os fios caíram de sua mão e se espalharam pelo chão.
Kagome viu seu reflexo começar a chorar.
- Você quer que eu pare? – disse Sango.
Kagome balançou a cabeça negativamente.
- Não, eu disse que queria no ombro.
Sango repetiu a mesma ação, cortando mais alguns centímetros, ainda não estava no ombro, mas ela deixou a tesoura de lá e pegou a navalha. Segurou gentilmente alguns fios e começou a raspá-los.
- Achei que não soubesse cortar cabelos. – disse Inuyasha.
- Vi isso na TV. – explicou Sango. – A Kagome queria mudar e estou desfiando o cabelo dela, vai ter mais movimento.
Mesmo chorando, Kagome soltou uma risada alta.
- Você está falando como uma profissional. – disse Kagome.
- Foi o que o cara da TV disse, apenas imitei. – disse Sango dando nos ombros ainda desfiando o cabelo.
- Você confia em uma pessoa que aprender a cortar cabelo pela TV? – disse Miroku.
- Não, - disse Kagome. – mas eu confio na Sango.
- Estamos sobrando. – disse Inuyasha.
- Isso me faz pensar... Por que estamos aqui? – disse Miroku.
- Porque não é todo dia que vocês me vêem chorar graças ao meu cabelo. – disse Kagome.
- E nem podem ver minhas habilidades incríveis. – disse Sango.
- Que habilidades? – disse Inuyasha.
- A de aprender coisas pela TV. – disse Sango.
- Isso é reaaalmente incrível. – disse Miroku.
- Fiquem quietos e vejam como um gênio trabalha. – disse Sango.
Inuyasha e Miroku se entreolharam e deram no ombro.
Sango continuou a raspar o cabelo de Kagome com a navalha até chegar na altura do ombro, o cabelo tinha um comprimento irregular agora e as pontas curvavam levemente para cima. Kagome olhou o reflexo no espelho e não reconheceu a pessoa que estava ali, embora fosse só cabelo a mudança era incrível. Sango encarou o reflexo de Kagome e mordeu o lábio.
- Posso mudar só mais uma coisinha?
- Sou toda sua. – disse Kagome.
Inuyasha arqueou a sobrancelha e Miroku começou a rir.
- Ele está com ciúmes de você, Sango. – disse o humano.
- Deveria mesmo, - disse Sango. – quando você for embora ele precisará dividir a Kagome comigo o tempo todo.
- Hm, alguém pegou pesado. – disse Inuyasha.
Miroku não respondeu e Sango levantou-se, deu a volta em Kagome e sentou-se novamente em sua frente, Kagome não podia mais ver seu reflexo no espelho, mas não se importou. Havia falado sério quando tinha dito que confiava em Sango.
Sango puxou os fios compridos da franja de Kagome e passou a navalha na altura do nariz, desfiando como o resto do cabelo.
- Agora sim. – disse sorrindo.
Sango se arrastou para o lado e saiu da frente do espelho e Kagome pôde novamente se ver. A primeira coisa que ela pensou ao se ver foi "eu tenho franja!". A franja na altura do nariz completava o seu novo cabelo, era completamente diferente de tudo o que ela já tinha usado em sua vida. Como Sango havia dito que aconteceria, seu cabelo tinha movimento, não era mais como antes, fios longos e pesados, caindo por suas costas. Kagome levantou a mão e tocou de leve as pontas do cabelo.
- O que achou? – disse Sango ansiosa.
Os olhos de Kagome voltaram a se encher de lágrimas, Sango olhou para Miroku parecendo desesperada. Tinha se empolgado, sabia disso, mas achava que estava indo bem, gostava do que via no reflexo, mas talvez tivesse exagerado. Curto demais, desfiado demais e com franja. Talvez Kagome nem gostasse de franjas!
- Desculpe, - disse Sango. – você pode ir a um cabeleireiro, ele arrumará isso!
- Idiota. – disse Inuyasha. – Não está vendo que ela está feliz?
Kagome olhou para Inuyasha e sorriu em meio as lágrimas. Era só um cabelo, ela sabia disso, mas aquela pequena mudança havia lhe feito tão bem. Pela primeira vez na vida sentia-se não um anjo ou uma cópia das outras garotas, Kagome era apenas Kagome. Era o primeiro passo para finalmente se libertar de verdade.
Kagome abriu os braços e abraçou Sango, mesmo que isso fizesse suas costas doerem como o inferno.
- Obrigada. – ela disse ainda em meio as lágrimas.
- E temos um final feliz. – disse Miroku. – O que você achou, Inuyasha? Aprovou o corte de cabelo da sua namorada?
- Ela está mais linda do que nunca. – disse Inuyasha. – E você? Aprovou o corte que a sua namorada fez?
- E o que aprendemos hoje? – disse Miroku.
Ninguém respondeu.
- Aprendemos que pessoas podem aprender coisas úteis assistindo programas de TV inúteis. – disse Miroku. – E aprendemos também que o Inuyasha pode ser civilizado quando está apaixonado.
- Ninguém está apaixonado aqui. – disse Kagome. – Mas devo concordar com a parte dos programas inúteis.
- Sim, sim, eu sou um gênio. Obrigada. – disse Sango.
- Ótimo, você já cortou seu cabelo. Eu ia pedir para que fizesse isso, aquele monte de cabelo no machucado estava começando a me irritar.
Todos se viraram para a porta e encontrar Sesshoumaru, segurando uma caixa branca.
- Problema é que vocês são idiotas e fizeram isso aqui, - continuou Sesshoumaru. – olha a sujeira. Como posso dar pontos em alguém no meio disso?
Kagome olhou para Miroku no mesmo instante.
- Oh, meu Deus, desculpe por isso tudo! – disse. – Eu não queria...
- Está tudo bem, - disse Miroku. – eu limpo isso tudo. Podem ir para o meu quarto.
Sesshoumaru não esperou uma resposta para jogar a caixa no colo de Inuyasha e pegar Kagome no colo.
- Traga isso até o quarto. – disse.
Inuyasha acompanhou Sesshoumaru saindo do quarto e virou-se para Miroku.
- Acho que ele precisa de mim por lá, eu te ajudaria com essa sujeira toda...
- Não se preocupe, eu ajudo. – disse Sango. – Vá lá, eles precisam de você.
Inuyasha pegou a caixa e foi até o quarto de Miroku, Kagome já estava deitada em um futon, ao seu lado estava uma bacia com água quente, Sesshoumaru estava lavando sua mão na bacia quando percebeu o hanyou no quarto.
- Lave suas mãos e traga a caixa aqui. – disse Sesshoumaru.
Inuyasha deixou a caixa ao lado de Sesshoumaru e mergulhou as mãos na água quente, lavando-as. Sesshoumaru abriu a caixa e pegou um pacote de algodão, algo que lembrava álcool, uma agulha e um carretel estranho de linha. Abriu a garrafa de álcool e virou em cima da agulha, desinfetando-a, colocou um pouco no algodão e antes de encostar em Kagome disse:
- Isso vai arder.
Kagome mordeu o lábio com força para se impedir de gritar, sentiu o gosto de sangue em sua boca e a dor em seus lábios, mas aquilo não era nada. Suas costas ardiam como se estivessem pegando fogo, sem perceber ela esticou o braço e deixou a mão aberta. Inuyasha olhou de Sesshoumaru para Kagome e sentou-se ao lado da garota, segurando a mão que ela havia oferecido.
Ao perceber que Inuyasha segurava sua mão Kagome transferiu a força que fazia em seus lábios para sua mão, apertando a do hanyou com toda força que tinha.
- Certo, já desinfetei o local. – disse Sesshoumaru. – Agora eu irei fazer os pontos.
- Ok. – sussurrou Kagome.
Sesshoumaru pegou a agulha e passou a linha por ela, olhou para as costas de Kagome e respirou fundo. Aquilo realmente iria doer.
Kagome fechou os olhos com força quando a agulha atravessou a carne de suas costas, sentiu a linha sendo puxada e novamente a carne sendo atravessada. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas se concentrava em segurar a mão de Inuyasha e apertá-la com toda a força que tinha, sua unha começava a perfurar a carne da palma do hanyou, mas ela sequer conseguia perceber isso. Estava em transe, não fazia idéia de quanta dor poderia agüentar ainda. Existia um estoque de dor que um ser vivo conseguia sentir em vida? Kagome começava a achar que se tal coisa realmente existisse ela estava chegando no limite.
Sesshoumaru continuou concentrando em fechar os rasgos que havia nas costas de Kagome. Eles eram fundos e compridos, não contou ao certo quantos pontos já havia dado, mas tinha certeza que passara dos 70.
Inuyasha sentia sua mão arder devido as unhas de Kagome que perfuravam sua pele, mas ele não se importava. Aquela dor não era nada demais perto do que a garota estava passando. Usou a mão livre para alisar o cabelo de Kagome e estranhou o novo comprimento, continuava a alisar a parte que havia sido cortada.
- Está acabando. – disse no ouvido da garota.
- Eu espero mesmo. – sussurrou Kagome.
Sesshoumaru deu, pela sua conta, mais 10 pontos nas costas de Kagome e finalmente terminou. Os cortes estavam fechados e agora era esperar para que cicatrizasse e os pontos caíssem, se ela suportasse a perda de sangue, ficaria bem.
- Você pode parar de chorar agora. – disse Sesshoumaru. – Eu terminei.
- Há, muito engraçado. – disse Kagome.
- Eu pedirei para que a Hana faça algo para você comer, - disse Sesshoumaru. – e quero que depois disso você durma e descanse um pouco.
- Não quero atrapalhar, não posso ir para outro lugar? – disse Kagome.
- Não. – disse Sesshoumaru. – Aqui é o lugar mais seguro para você, seus amigos irritantes e o hanyou idiota que dizem ser meu irmão.
- Eu estou aqui. – disse Inuyasha.
- Eu sei. – disse Sesshoumaru. – Preciso que venha comigo, chamarei seus amiguinhos e eles virão te fazer companhia.
- Faça o que quiserem, eu vou ficar aqui quietinha. – disse Kagome.
Inuyasha beijou novamente a mão de Kagome e seguiu Sesshoumaru para fora do quarto. A garota ouviu quando Inuyasha berrou pelo corredor que Miroku e Sango deveriam fazer companhia para ela. Ela sorriu e fechou os olhos.
Sesshoumaru estava parado com os braços cruzados, ele encarava o céu, que continuava escuro graças as chuvas insistentes. Inuyasha estava parado ao seu lado olhando para o caminho que a água fazia no chão.
- O que está acontecendo? – perguntou finalmente.
- É sobre a Kagome. – disse Sesshoumaru.
- Eu sei que é. – disse Inuyasha. – Porque você sendo tão gentil com ela?
- Não estou sendo gentil. – respondeu Sesshoumaru.
- Claro que está! O que foi você alisando a Kagome e dizendo para não se preocupar por não lembrar onde era o templo dos anjos?
- Então você percebeu isso.
- É claro que eu percebi! Quando eu disse que não lembrava nada do meu sonho você quis me matar, mas quando ela disse que não se lembrava você ficou todo preocupado e gentil. O que isso significa?
- Você lembra o que o Kouga te disse quando entregou a Kagome?
- Ele ficou falando que somente eu poderia salvá-la.
- Você não faz idéia do que isso significa, não é? – disse Sesshoumaru.
- É claro que não.
- Inuyasha, eu nasci há muito, muito tempo atrás. Eu estive aqui quando os primeiros anjos apareceram e vi todas as outras que vieram e em todo esse tempo eu só vi 10 garotas ou até menos, que perderam suas asas. Eu não sei se te expliquei como isso funciona, quando uma garota perde suas asas ela deixa de ser um anjo e pode ser atacada a qualquer momento, ela é uma traidora e as outras irão tratá-la como tal.
- Tá e isso significa que eu tenho que protegê-la dos anjos? – disse Inuyasha.
- Não, proteger é diferente de salvar. – disse Sesshoumaru. – O que acontecerá com a Kagome à partir de agora será cruel.
- Achei que isso tinha terminado. – disse Inuyasha.
- Isso está longe de terminar. – disse Sesshoumaru. – A Kagome escolheu ficar ao nosso lado em uma guerra eminente, ela é uma traidora e sabe todos os segredos dos anjos. Os pontos fracos, os esconderijos, os planos...
- Espera, você não pode estar falando sério. – disse Inuyasha incrédulo.
- Parece que você entendeu rápido dessa vez. A garantia dos anjos de que a Kagome não usará seus conhecimentos para matá-los é tirar suas memórias. Quando um anjo perde suas asas ele lentamente esquecerá tudo sobre ele mesmo e todos os outros, você presenciou um exemplo disso. Ela já não se lembra mais onde fica o templo dos anjos. E será assim o tempo todo agora.
- Quão ruim é isso? – disse Inuyasha. – Ela se esquecer dos anjos é uma coisa boa no final das contas.
Sesshoumaru respirou fundo.
- Inuyasha, ela é um anjo. Ela começará a esquecer onde treinou e das coisas que as mais velhas ensinaram durante sua infância, mas depois disso ela começará a esquecer quem ela é, o que ela fazia, de onde ela veio. A única memória que ela terá será a do presente.
- Isso é doente! – grunhiu Inuyasha. – Que espécie de gente faz isso?
- Anjos fazem isso. – disse Sesshoumaru. – O que quero que você entenda, Inuyasha, é que você não precisa protegê-la, muitos yokais estarão fazendo isso, mas você precisa salvá-la.
- E como você espera que eu faça isso? – disse Inuyasha frustrado.
- Quando a Kagome começar a perder a memória ela começará a definhar, vai se sentir deprimida o tempo todo, não sentirá vontade ver ninguém, talvez fique agressiva ou simplesmente fique apática. Sua função é não deixar que isso aconteça você deverá ficar ao lado dela, não importa o que ela diga ou faça. Eu já vi anjos que conseguiram ser mais fortes que essa maldição estúpida, mas todas elas tinham alguém ao seu lado. Você precisará fazer com que ela sinta vontade de viver.
- Não acha que é responsabilidade demais pra uma pessoa só? – disse Inuyasha. – E se eu não conseguir? Como vou agüentar isso o resto da vida?
- Bem, pode não ser justo, mas não fui eu quem te escolhi para isso. – disse Sesshoumaru.
- E quem foi? – retrucou Inuyasha irônico. – Deus?
- Não. A Kagome. Você é uma pessoa por quem ela daria a vida, tanto é que ela deu.
- Eu praticamente já dei minha vida por ela. E ai, como ficamos?
Sesshoumaru soltou ar pelo nariz e curvou o lábio em algo que se assemelhava em um sorriso.
- Isso só prova que ela estava certa ao te escolher. Você já a salvou uma vez, fará isso de novo e quantas vezes forem necessárias. Um dia você vai entender.
- Sua confiança em mim me comove. – disse Inuyasha.
- Eu não confio em você, a Kagome sim. E isso o que importa. – disse Sesshoumaru.
- Isso vai ser uma droga. – disse Inuyasha.
- Se me lembro bem você vivia reclamando que sua vida era sem graça. Agora acho que tem emoção o bastante. – disse Sesshoumaru.
- Emoção até demais.
Kagome sentiu o calor do sol tocando sua pele, ela estava deitada, mas não lembrava exatamente o porquê. Era dia e o lugar cheirava a pão fresco, abriu os olhos e olhou ao redor. Estava em um quarto simples deitada em cima de um futon, a seu lado Inuyasha parecia dormir e logo atrás do hanyou Sango estava sentada e Miroku dormia encostado na parede.
Quarto do Miroku, era lá que estava. Sesshoumaru havia levado-a até lá e tinha cuidado de suas costas, sentiu-se aliviada por lembrar daquilo. Sua mente parecia confusa, mas acabara de acordar, era óbvio que não pensaria direito.
- Bom dia. – sussurrou Sango.
- Bom dia. – respondeu Kagome. – Que horas são?
- Deve ser umas seis horas da manhã. Você dormiu um dia inteiro, como está se sentindo?
- Bem, eu acho. – disse Kagome parando para pensar. – Tem certeza de que dormi um dia inteiro? Ainda me sinto cansada.
- Você comeu um pouco ontem era 9 horas da manhã, dormiu logo em seguida e acordou só agora.
- Que vergonha, - disse Kagome. – eu invadi a casa do Miroku, sujei tudo e ainda dormi o dia inteiro.
- Não se preocupe, eles não pareceram se incomodar. – disse Sango.
Kagome suspirou. Estava deitada com as costas para cima e isso estava começando a incomodá-la, suas costas doíam mais pela posição do que por causa dos pontos. Tentou se levantar, mas era como se os pontos puxassem a pele de suas costas e ela pudesse rasgar a qualquer momento.
- Precisa de ajuda? – disse Sango.
- Não, obrigada, - disse Kagome. – Sango, me diz uma coisa. O que você está fazendo aqui?
- Sesshoumaru disse que deveríamos acompanhar seu sono, você estava muito fraca e perdeu muito sangue, ele achou que você poderia dormir e não acordar mais. Por isso nós nos revezamos para acompanhar sua respiração. Ele foi bem direto quando disse que se você morresse ele nos mataria.
- Sesshoumaru é sempre um encanto de pessoa. – disse Kagome. – E eu sinto muito por isso, se tiver muito sono pode dormir, eu vou ficar acordada.
Parecendo lembrar-se de que passara a noite em claro, Sango soltou um bocejo e sorriu:
- Obrigada, se quiser, acorde o Inuyasha. Ele pediu que eu o avisasse caso você acordasse, mas você sabe... Ele odeia que o acordem.
Kagome sorriu.
- Sim, eu lembro.
Sango soltou outro bocejo e escorregou o pescoço para o lado, apoiando a cabeça no ombro de Miroku. Ela dormiu em poucos minutos.
Kagome continuou ali deitada, mas seus olhos agora encaravam Inuyasha. Sango havia feito com que ela se lembrasse da primeira vez que eles ficaram sozinhos, só agora ela conseguia perceber quão irritante e convencida era naquela época. Achava loucura que Inuyasha pudesse agüentá-la se não fosse graças ao instinto, ele era o único que conhecia sua verdadeira natureza, a única pessoa naquele quarto que tinha visto de perto toda a arrogância e prepotência, e ainda assim, estava ali. Talvez ele continuasse porque era tão arrogante como ela própria, ele mesmo havia dito que via Kagome como um espelho. Espelhos refletem tudo, até mesmo as partes que queremos esconder. De alguma maneira ele se enxergava nas imperfeições de Kagome e isso era a coisa mais generosa que alguém fizera por ela durante toda a sua vida. Inuyasha tinha colocado Kagome ao seu lado, como uma igual. Nem pior, nem melhor, apenas igual.
- Ela dorme muito rápido.
Kagome sentiu seu corpo inteiro se mexendo em algo que lembrava um pulo. Inuyasha virou-se no futon e logo se sentou, encarando Kagome.
- Você realmente achou que eu estava dormindo? – disse o hanyou.
- Claro! – disse Kagome. – Por que mais ficaria ai jogado no chão se fingindo de morto?
- Eu estava cuidando de você, má agradecida. – disse Inuyasha cruzando os braços. – Se dependesse desses dois, já estaria morta.
- Mas eu não "quase morri" enquanto dormia. – disse Kagome soando de maneira lógica.
- Não, mas poderia e eles não veriam. – disse Inuyasha. – Como está se sentindo? O cansaço está te incomodando?
- Na verdade, não. – disse Kagome. – Ficar nessa posição é que está.
Inuyasha prontamente se levantou e ajudou Kagome a se levantar, ela contraiu o rosto, mesmo com a ajuda de Inuyasha ainda sentia como se sua pele fosse rasgar.
- Está doendo? – perguntou o hanyou ao perceber a expressão da garota.
Ela balançou a cabeça negativamente.
- É mais como se os pontos fossem abrir. – explicou Kagome.
- Prefere ficar deitada? – disse Inuyasha ajudando Kagome a ficar em pé.
- Não mesmo, preciso andar um pouco.
Kagome era baixa demais para passar o braço em volto do pescoço de Inuyasha, então ele segurou-a pela cintura e a ajudou a andar. Ela parecia não ter muito equilíbrio.
- Estou com fome. – disse Kagome sentindo o cheiro de pão no ar.
- A senhora Akamine fez café da manhã pra todo mundo.
Inuyasha guiou Kagome até a cozinha e a ajudou a se sentar, Hana estava sentava na ponta da mesa e olhou do hanyou para a garota, passou geléia em uma torrada e disse:
- Você não parece um anjo.
- É porque eu não sou mais um. – disse Kagome.
- Isso explica as coisas. – disse Hana. – Seu cabelo ficou bonito assim.
Kagome sorriu.
- Obrigada. – disse. – Desculpe por toda a confusão na sua casa, a senhora sequer me conhece, não deveria acabar fazendo parte disso tudo.
- Primeiro, não me chame de senhora. – disse Hana. – Meu nome é Hana e pode me chamar assim se quiser. Segundo, estou acostumada com essa confusão.
Inuyasha puxou uma cadeira e sentou-se ao lado de Kagome. Hana ergueu a sobrancelha ao notar como o rapaz estava agindo, era como se Inuyasha fosse outra pessoa. Desde pequeno ele afastava as pessoas, inclusive ela mesma, e agora parecia ser capaz de se jogar no chão para que Kagome passasse, se ela precisasse. Ele parecia mais gentil e mais aberto ao contato com outras pessoas. Ela sorriu.
- Vocês formam um casal bonito. Melhor do que meu filho e a Sango, eles ficam brigando o tempo todo e gritando um com o outro, parecem dois loucos. Agora que ele inventou de fazer faculdade no fim do mundo as coisas só pioraram.
- Não somos um casal. – disse Inuyasha. – E eles também não.
- Mas agem como se fossem. – disse Hana. – E isso é o que importa.
- Meu nome é Kagome, - disse a garota finalmente notando que não havia se apresentado. – e bem, não há muito mais o que falar sobre mim.
- Eu sei quem é você. – disse Hana. – Parece que por algum motivo que eu não descobri ainda meu filho, a namoradinha dele e até mesmo o Inuyasha acham que você é importante.
Inuyasha olhou para Kagome, ela estava chocada. Era impressão sua ou a mulher tinha sido incrivelmente grossa? Hana era estranha, até agora parecia simpática e agradável e agora aquilo?
- Você não conseguiu descobrir o motivo de eu ser importante porque eu realmente não o sou. – disse Kagome. – Eu sou uma pessoa normal.
- Você é um anjo. – disse Hana cerrando os olhos. – E deve ter sido criada pela aquela aberração.
- Fui criada pela Kikyou, mas não tenho mais nenhuma ligação com ela ou com os anjos. – disse Kagome.
- Acho que já conversamos o bastante, não? – disse Inuyasha.
- Estamos apenas conversando. – disse Hana.
- Desculpe se minha presença na sua casa te causa tanto desconforto. Irei embora agora mesmo.
- Não disse que precisava ir, apenas quero deixar claro que não confio em você. Não é nada pessoal, apenas não confio em anjos.
- Senhora Akamine, - disse Inuyasha e seu tom de voz era sério. – não ouviu o que ela disse? A Kagome não é mais um anjo, não há motivos para agir dessa maneira.
- Anjos sempre serão anjos. – disse Hana.
- A senhora está enganada. – disse Kagome. – Obrigada pela acomodação e mais uma vez, desculpe por qualquer coisa. Inuyasha, pode me levar até a casa do Sesshoumaru?
- Você não estava com fome? – disse Inuyasha.
- Não estou mais. – disse Kagome.
Hana cruzou os braços e acompanhou com os olhos Inuyasha ajudando Kagome a levantar e sair da cozinha. Ela suspirou. Deveria controlar sua personalidade, a garota não tinha nada a ver com sua revolta.
- Eu não sei o motivo dela odiar anjos. – disse Inuyasha enquanto saía da casa de Miroku.
- Talvez não tenha um motivo. – disse Kagome.
- Ela sempre me ensinou que odiar os outros sem motivos é errado. – disse Inuyasha.
Kagome riu alto e disse:
- Acho que pais não costumam ouvir seus próprios conselhos. Lembro de quando era mais nova a Kikyou vivia me dizendo para que eu não brigasse com a... com a... Qual era mesmo o nome dela? Enfim, ela me recriminava por brigar com outra garota, mas vivia se estranhando com outro anjo, que eu também não lembro o nome.
Inuyasha olhou pelo canto do olho para Kagome, implorando para que ela não percebesse sua inquietação. Estava acontecendo, parecia algo simples e sem importância não lembrar o nome de pessoas, mas ela estava começando a se esquecer das coisas. Ele sabia disso, mas aquele conhecimento não lhe ajudava em nada.
- Esqueceu o nome da garota que batia em você, é? – disse Inuyasha tentando soar irritante como o seu normal.
- Eu diria que estávamos empatadas. Eu batia, mas apanhava também. Se não me engano o nome dela começava com Ka... Ka alguma coisa,. – disse Kagome - mas isso não é importante.
- Não. – disse Inuyasha. – Esquecer nomes é a menor das nossas preocupações agora.
Inuyasha continuou guiando Kagome pela cintura até chegar na entrada da cidade, dali ela precisaria ir no colo. Não conseguiria andar no meio daquela floresta nem se quisesse. O hanyou a pegou no colo como se fosse uma pena e disse:
- Você precisa comer, está muito mais magra do que da última vez que tive que te levar até lá em cima.
- Você disse que eu estava gorda. – disse Kagome.
- Eu estava mentindo.
Kagome sorriu e deu um soco de leve no ombro de Inuyasha, ele deu um sorriso discreto em resposta e começou a se embrenhar no mato.
- Por que você quer ver o Sesshoumaru? – perguntou.
- Não tenho mais casa. – disse Kagome. – Nem dinheiro ou qualquer outra coisa. Preciso de um lugar para ficar até que me recupere e possa procurar um emprego.
- Só isso? – disse Inuyasha e sua voz parecia emburrada.
- Bem, é. – disse Kagome.
- Sequer passou pela sua cabeça me pedir isso? – disse Inuyasha.
- Bem, não. – disse Kagome. – Você está ficando na casa do Miroku e a mãe dele me odeia, não achei que ia funcionar.
- Vou voltar para minha casa hoje. – disse Inuyasha. – E quero que fique comigo.
A boca de Kagome abriu em surpresa, olhou para cima e procurou os olhos de Inuyasha, mas ele olhava para frente, como se ela não estivesse ali.
- Você não precisa fazer isso. – disse Kagome.
- Eu não estou te dando uma opção, nós vamos até o Sesshoumaru e direi para ele que cuidarei de você.
- Desde quando você é super protetor? – disse Kagome erguendo a sobrancelha.
- Não sou super protetor. – retrucou Inuyasha. – Eu só não me acostumei em não saber tudo o que acontece com você, é estranho.
- Antes isso era um problema.
- Suas perguntas idiotas só fazem com que eu entenda que você quer ficar naquela mansão estranha e destruída do Sesshoumaru. Ok, faça como quiser. – disse Inuyasha.
- Não foi isso o que eu disse. – disse Kagome. – Não tenho problemas em ficar com você, só estranhei...
Inuyasha balançou a cabeça e não disse nada. O motivo de chamar Kagome para ficar com ele era parte culpa da conversa que tivera com Sesshoumaru, se precisava salvá-la de seja lá o que fosse, seria mais fácil se ela estivesse por perto, mas precisava aceitar que a idéia da garota morando com seu meio-irmão não lhe agradava em nada.
- Inuyasha, você já teve a sensação que se esqueceu de algo muito importante, mas não lembra o que é? – disse Kagome
- Já, – disse Inuyasha. – na verdade eu conheço essa situação muito bem. Eu não tenho lembranças da minha infância.
- O Miroku me contou há algum tempo. – disse Kagome.
- É claro que ele contou! – disse Inuyasha revirando os olhos. – Ele não poderia perder essa oportunidade.
- Ele me contou porque estava preocupado com você, achou que eu estava aqui para te matar.
- E ele estava certo.
- Tenho a impressão que o Miroku está sempre certo. – disse Kagome.
- Ele tem uma percepção incrível, - disse Inuyasha. – consegue entender as coisas antes de todo mundo. Aquele jeito de idiota é só pose, deve ser um saco ser tão maduro quando se é tão novo.
- Você também está bem maduro. – disse Kagome. – O relatório que a Kikyou me passou sobre você dizia que você era infantil, mal humorado, grosso, confuso e tinha tendências a afastar as pessoas.
- Você não era muito agradável também. – disse Inuyasha.
- Eu sei, eu era insuportável. – disse Kagome rindo. – Até me perguntei por que você acabou gostando de mim.
- Me reconheci em você, não se lembra?
- Lembro. Eu sou seu espelho.
Inuyasha parou e olhou ao redor, um cheiro forte de algum yokai estranho estava se aproximando muito forte. Ótima hora para um yokai aparecer, bem quando estava quase chegando à casa de Sesshoumaru.
- De onde o yokai está vindo? – disse Kagome.
- Como você sabe sobre isso? Achei que não era mais um anjo. – disse Inuyasha ainda olhando ao redor.
- Eu só sei. – disse Kagome.
Inuyasha ouviu um som estranho, lembrava algo sendo arrastado e deu um passo para trás quando viu um yokai com uma espada maior do que ele.
- Bem, ele estava vindo da direita. – disse Kagome.
- Aqui não é lugar para namorar. – disse o yokai. – Você é um yokai, não é? Deveria saber que estamos em guerra, deveria levar sua namoradinha para um lugar seguro.
- É o que estou tentando fazer. – disse Inuyasha. – Quem é você?
- Espera... Eu conheço esse cheiro. – disse o yokai. – Inuyasha? Você está enorme! Achei que hanyous ficassem pequenos e fracos para sempre!
- Você o conhece? – disse Kagome olhando confusa para os dois yokais.
- Não faço idéia de quem seja e de como me conhece. – disse Inuyasha.
- E você é o anjo que causou tudo isso? Pelo jeito já te expulsaram do clubinho.
- Não sei se sou quem você acha que eu sou, mas meu nome é Kagome. E você quem é? – disse Kagome cerrando os olhos.
- Uma vez anjo, sempre anjo, não é, belezinha? – disse o yokai. – Você deve me conhecer, meu nome é Bankotsu e estou aqui trabalhando para o Sesshoumaru.
- O que o Sesshoumaru quer com o bando dos sete? – disse Kagome.
- Tá, agora eu é que pergunto... Você o conhece? – disse Inuyasha.
- Todos os anjos conhecem. – disse Kagome. – Nós procuramos por ele e os outros do bando por séculos e nunca os encontramos.
- Exatamente. – disse Bankotsu. – Na verdade, estamos mais perto de chegar ao seu quartel general do que vocês jamais estiveram de nos encontrar.
- Não temos um quartel general! – disse Kagome girando os olhos. – É um templo! É um lugar sagrado.
Bankotsu balançou a espada, parecendo brincar com a arma, e deu um riso alto.
- Eu não me importo se é sagrado ou não. – disse. – Estou aqui para matar suas irmãzinhas e farei isso.
- Elas não mais minhas irmãs. – disse Kagome com convicção. – Eu não tenho mais nada a ver com o que elas fazem ou deixam de fazer.
- Sim, eu sei. – disse Bankotsu. – Você é um bom exemplar de traidora, me pergunto como o Sesshoumaru confia em você. Se foi capaz de trair a própria raça, o que faria com nós, yokais?
- Sou livre, não faço nada por vocês ou pelos anjos. – disse Kagome. – Farei o que achar certo.
- Isso soa como as palavras de uma traidora. – disse Bankotsu.
- Eu não sei quem você é ou por que diabos o Sesshoumaru chamou um cara tão irritante para ajudar, mas faça o grande favor de calar a boca e sair do nosso caminho. – disse Inuyasha.
Bankotsu sorriu maldosamente.
- Defendendo sua fêmea? Muito corajoso da sua parte me enfrentar.
- Bankotsu, já basta.
Inuyasha e Kagome olharam por trás do ombro do yokai e viram Sesshoumaru. Ele estava parado em meio as árvores e parecia irritado. Bankotsu colocou a espada nos ombros e virou para trás.
- Estava apenas conhecendo seus protegidos. – disse.
- O bando está procurando por você. – disse Sesshoumaru.
Bankotsu acenou com a cabeça e virou-se novamente para Inuyasha.
- Hei, garoto, sua mãe pode ser uma vaca, mas você não é um caso perdido. Você agiu exatamente igual seu irmão quando eu irritei a Rin, algo em seu sangue se salva.
- Por que todos sabem quem é minha mãe, menos eu? – disse Inuyasha revirando seus olhos.
Bankotsu começou a rir enquanto se afastava.
- Não perde nada ao não saber quem ela é! – disse antes de sumir em meio a floresta.
Sesshoumaru olhou irritado enquanto o yokai se afastava e andou até Inuyasha e Kagome.
- O que estavam pensando? – disse. – Tiveram sorte de ter sido o Bankotsu a ter encontrado vocês! Estamos em guerra, vocês dois são alvos fáceis.
- Fui expulsa da casa do Miroku. – disse Kagome.
- Você o quê? – disse Sesshoumaru e ele andava de um lado para o outro.
- Não sei o que deu na senhora Akamine, ela começou a falar um monte de bobagens e deixou subentendido que a Kagome não era bem vinda da sua casa. – explicou Inuyasha.
- E então eu sai por conta própria. – terminou Kagome.
- Idéia de gênio! – disse Sesshoumaru.
- Pensei em ficar na sua casa. – disse Kagome. – Não sei você se lembra, eu não tenho mais um lugar para ir.
Sesshoumaru encarou Inuyasha no mesmo momento, o hanyou balançou a cabeça parecendo impaciente.
- Já resolvi isso, ela vai ficar na minha casa. – disse. – Não precisa ficar irritado.
- Os dois deveriam ficar aqui. – disse Sesshoumaru. – É mais seguro.
- Você fala como se estivéssemos prestes a morrer. – disse Kagome.
- Você é um alvo fácil para os anjos, é uma traidora, elas vão querer você morta. E todos sabemos da obsessão da Kikyou pelo Inuyasha. – disse Sesshoumaru. – Vocês juntos só vão atrair problemas.
- Não posso ficar aqui no fim do mundo, - disse Inuyasha. – estou em provas. Não vou reprovar o último ano.
- Acho que eu nem vou terminar o ano. – disse Kagome. – Se for facilitar as coisas, eu fico por aqui.
Inuyasha cerrou os olhos e encarou Kagome que ainda estava em seus braços.
- Você não vai ficar aqui sozinha com ele.
- Ele está certo. – disse Sesshoumaru. – Vocês precisam ficar juntos por enquanto. Seu problema com a escola é a mensalidade? Tenho dinheiro, pago para você terminar seus estudos. Você precisa agir normalmente, continuar sua vida como se nada tivesse acontecido.
- Mas algo aconteceu. – disse Kagome frustrada. – Não é assim que funciona. E eu já perdi aulas e provas, aposto que perdi o ano.
- Myouga resolve isso. – disse Sesshoumaru.
- Ele está certo, - disse Inuyasha. – você precisa fazer as coisas como antes. Ficar parada em casa não vai ajudar em nada.
Kagome suspirou.
- Façam o q eu for melhor para vocês.
- Estamos fazendo o que é melhor para você. – disse Sesshoumaru. – Precisam de mim para mais alguma coisa?
Inuyasha olhou para Kagome, afinal estavam ali por causa dela.
- Agora que estou livre dos anjos, pode me contar seu plano? O que faremos para salvar a Rin?
- Conversaremos sobre isso quando estiver curada. – disse Sesshoumaru.
Kagome revirou os olhos.
- Sempre me enrolando. – disse. – Mas está bem, era só isso.
- Deixarei yokais vigiando a escola e a sua casa, Inuyasha. Eles não atrapalharão, ficarão escondidos.
- Maravilha, guarda-costas, tudo o que eu sempre quis para ser feliz. – disse Inuyasha ironicamente.
Sesshoumaru revirou os olhos e virou-se para ir embora.
- Se precisarem de algo, sabem onde me encontrar.
Kagome acompanhou Sesshoumaru se afastar e encostou a cabeça no peito de Inuyasha. Precisava salvar Rin, mas da onde mesmo? Suspirou. Aquela amnésia estava começando a irritá-la.
Sango sentiu seu corpo sendo deitado em algo macio e quente e sorriu, mesmo com os olhos fechados. Tinha cochilado a noite inteira encostada naquela parede gelada, a idéia de uma cama parecia-lhe muito agradável. Sentiu quando um edredon a cobriu e uma mão arrumou seu cabelo, que estava todo em seu rosto. Espera, uma mão? Sango abriu os olhos e deparou-se com Miroku sentado ao seu lado.
- Desculpe, te acordei?
- O que está fazendo aqui? Que espécie de tarado doente é você que fica vendo os outros dormindo? – disse Sango assustada.
Miroku riu.
- Você está na minha casa, lembra? Estava dormindo sentada e toda torta, achei que seria melhor deitá-la.
- Sua casa? – disse Sango começando a raciocinar. O que estaria fazendo na casa de Miroku?
- É, você veio atrás da Kagome... – disse Miroku.
Parecendo lembrar-se de tudo o que acontecera Sango arregalou os olhos e olhou ao redor, procurando pela garota.
- Minha mãe disse que ela e o Inuyasha saíram.
- Ela não deveria sair. – disse Sango agora se sentando.
- O Inuyasha está com ela, não precisa se preocupar.
- Ela estar com o Inuyasha é que me preocupa. – disse Sango.
- Ainda preocupada com ela matá-lo? – disse Miroku erguendo as sobrancelhas.
- Não, não é nada disso. Minha preocupação é o Inuyasha andando por ai com a Kagome naquele estado, ele não é a pessoa mais delicada do mundo.
- É a Kagome. Ele nunca faria nada para machucá-la.
- Não sei como pode ter tanta certeza, ele pode gostar dela, mas sabemos que ele não sabe muito bem como lidar com as pessoas. – disse Sango cruzando os braços.
- Ela não é uma pessoa, é a Kagome. – disse Miroku rindo. – E eu tenho certeza por que sei como ele se sente, apenas isso.
Sango arrastou seu corpo até encontrar a parede com as costas, ficar sentada sem um apoio estava começando a doer. Miroku imitou seus movimentos e sentou-se ao seu lado.
- O quarto é enorme, por que está sentado do meu lado? – disse Sango.
- Ainda está brava comigo?
Sango cruzou os braços.
- E porque eu estaria brava com você?
Miroku suspirou.
- Por que você é sempre tão orgulhosa? Até mesmo o Inuyasha conseguiu deixar o orgulho de lado por causa de uma pessoa, por que você não consegue?
- Está insinuando o quê? – disse Sango cerrando os olhos.
- Nada. – disse Miroku. – Eu só não consigo entender por que continuamos com isso.
- Você quem continua! – retrucou Sango.
- Ah, pelo amor de Deus, Sango! - Miroku parecia irritado. – Vai dizer que você não sente absolutamente nada por mim? Que nunca pensou em como seria se me dessa uma chance? Vai negar que ficou magoada por eu pensar em me mudar e te deixar para trás?
- Seu problema é você achar que todas as garotas têm uma queda por você. – disse Sango se levantando. – Deveria ser mais modesto.
Miroku novamente imitou o movimento de Sango e levantou-se. Para a surpresa da garota, ele estava parado ao seu lado, segurando seu pulso, impedindo que ela se afastasse. Ele a encarava profundamente.
- Não fuja da minha pergunta! – ele disse e seus olhos eram sérios.
- Me solta! – disse Sango.
- Não vou te soltar até que me responda. – disse Miroku. – O que te impede de aceitar que gosta de mim?
- Eu não gosto de você. – disse Sango olhando para o chão.
- Olhe para mim quando estivermos conversando! – disse Miroku.
Sango encarou Miroku e seus olhos estavam cheios de lágrimas.
- O que você quer que eu responda? – ela gritou. – Quer que eu diga que sou uma estúpida por ter te ignorado todos esses anos? Que assuma que me senti completamente perdida quando disse que iria embora? Eu não vou dizer isso, eu não vou mentir para você!
- E mentir para você mesma faz você se sentir melhor? – disse Miroku.
- Arrogante! – disse Sango. – Eu odeio você! Odeio tudo em você, absolutamente tudo! Não vejo a hora que entre naquele avião e suma da minha vida.
Miroku soltou o braço de Sango e a encarou alguns instantes, a garota sentiu seu sangue gelar. Ele parecia tão magoado, nunca tinha visto Miroku tão abatido, nem mesmo no dia em que haviam brigado no café.
Os olhos de Sango se arregalaram quando ela sentiu Miroku segurando-a pelo pescoço sem delicadeza nenhuma. Ele a estava beijando. E ela não estava fazendo nada para impedir.
Olá, como vão :D
Eu acho que essa fic tá sofrendo de uma mandinga forte, sério! Meu computador morreu de vez, dai tentei usar as peças do pc da minha irmã pra arrumar o meu e adivinha 8D Ferrei o pc dela, que era o único que funcionava aqui em casa! Quando arrumei o pc dela, a internet resolveu parar de funcionar! Está um vem e vai insuportável, estou aproveitando para postar agora, pois sabe-se Deus quando ele funcionará novamente. Minha faculdade finalmente começou, por enquanto está tranqüilo, mas pelo o que ouvi (faltei a primeira semana inteira, yey!) já tenho 4 livros para ler e um seminário para fazer, jóia! Não acho que vai afetar muito as atualizações daqui, já que eu estou em falta com vocês e estou demorando pra atualizar, desculpem por isso :\ Desculpem pelos capítulos com erros e sem revisão, mas estou sem tempo de ficar exercendo meu fanatismo e relendo a fic 20 vezes antes de postar (é, eu fazia isso :D), escrever de madruga sempre resulta em erros grotescos, por isso peço que relevem.
Fiquei muito, muito, muito feliz com as reviews do capítulo passado *-* Vocês foram uns amores comigo, queria responder uma por uma com toooooda a atenção, mas preciso ser rápida, já que logo minha mãe virá acordar minha irmã e se me pegarem no pc estou perdida (acho que disso isso da última vez também, não disse? hahahaha 8D). Como prometi que responderia nesse capítulo, vou comentar por cima, desculpem pelo descaso ;_;
Morringhan Higurashi: Olá :D Muito obrigada pela review e desculpe por escrever textos tão grandes, deve gastar um montão de tinta, né? hahahaha Fico feliz que eu tenha ajudado você a gostar de fics, de verdade. Recomendo a fic "Seguindo Estrelas" da Lady Mirza, é de Inuyasha também e foi a fic que fez com que entrasse nesse mundo e escrevesse as minhas próprias. Não sou tão ocupada assim, mas entendo que outras pessoas são, por isso agradeço que tenha usado seu tempo para deixar review aqui K3 Sinta-se muito bem vinda! :3
AdamuNaruto: HAHAHAHA Eu sou masoquista, a agonia da Kagome nunca acaba, coitada! 8D
Ayame Gawaine: O problema com a Kagome é que ela nunca teve ninguém que a ajudasse, dai ela sempre acha que é um peso destruindo a vida de todo mundo! Acho que consegui tirar sua duvida, né? O Inu é a salvação dela já que é o único que pode impedir que ela desista de tudo e aceite o destino que os anjos impuseram para ela. Ao menos, é o papel dele, se ele consegue ou não é outra história 8D A Rin logo mais aparecerá um montããão! Muito obrigada pela review e pelos elogios! k3 *_*
Lecka-Chan: HAHAHAHAHA Eu me divirto MUITO com as suas reviews! É maravilhoso ver que alguém gosta tanto assim da minha fic e vibra com ela e o melhor de tudo: consegue rir das minhas piadas sem graça! Só eu dou risada com essas coisas, obrigada por compartilhar meu humor 8D Se serve de consolo eu tenho um mooooonte de fics no meu pc e estou fazendo a versão original dessa história, gosta de vampiros? 8D
Maah: Maaaaaaaaah! *_* Achei que tinha me abandonado, fiquei tão emo aqui ;-; Se minha leitora número 1 largasse minha fic eu ia entrar em crise e largaria tudo! (drama, oi?)! Eu super entendo problemas com pc, os meus vivem explodindo por ai, me dá agonia! Agora salvei todas as minhas fics no meu ipod e está tudo a salvo, nunca mais precisarei me preocupar 8D Te adicionei no msn, aleluia! Agora podemos nos comunicar sempre YEY! *_*
Yogoto: Tenho um grave problema de detestar tudo o que eu escreve 8D Isso explica o "porquinho", minha obsessão com revisão conta pontos, já que se eu releio 2907283 vezes, melhoro o capítulo cada vez que eu leio e ai acho que tá aceitável. Como não tenho revisado, não tenho achado os capítulos lá grandes coisas! E acredite, não é marketing, perdi várias leitoras por causa dessa demora hahahahah muito triste na verdade mimimi ;-; beijão
That's all folks. Prometo tentar atualizar a cada 15 dias, não é uma grande coisa, mas já é um começo, né? :3 Espero que gostem e até a próxima!
Beijos :*
