Totosay, minha linda, aqui está o segundo capítulo. Espero que goste.

Capítulo 2 — Descobrindo a verdade

A conversa com Missouri foi tensa e Dean se perguntava se tinha sido uma boa ideia pedir que ela os ajudasse. Mas, enquanto discutiam pelo telefone, explicando-lhe que não fora sua culpa o que aconteceu com Sam, olhava para ele deitado sobre a cama, sem sentidos e cada vez mais fraco. Seu coração se apertava de dor. Suportaria aquela mulher irritante por ele. Precisava salvar a pessoa mais importante para si.

Dean a convenceu vir para Cleveland. Ela não relutou, embora o loiro soubesse que seria um esforço para ambos suportar a presença um do outro. Não entendia porque não se gostavam, mas sabia que não gostava dela porque encrencara com ele desde a primeira vez que o viu em Lawrence, Cansas.

Motel Vinance, terceiro dia após a maldição, seis e cinco da manhã.

Três batidas na porta chamaram a atenção de Dean que estava sentado em uma poltrona ao lado da cama do irmão. Levantou de supetão e foi angustiado atender a porta. Era Missouri.

— Credo, garoto! Sua aparência está horrível. — Falou a mulher cruzando a porta e entrando antes mesmo do loiro a convidar.

— Bom dia para você também, Missouri! E pode entrar. — Não perdia a pose e o jeito sarcástico.

— Sam? Querido? Você pode me ouvir? — Falou gentilmente quando se aproximou da cama em que o garoto dormia. Sentou ao seu lado deixando sua bolsa sobre o criado mudo.

— Acho que ele não está te escutando. Na verdade, acredito que ele não escute ninguém. Ele não esboçou nenhuma reação desde que desmaiou. É como se estivesse dormindo profundamente, mas sem sonhos, sem pesadelos. — Dean estava certo.

— Sei! — Respondeu sem emoção. — Sabe Dean! Eu só não entendo como pode ter deixado isso acontecer com ele. — Falou ainda sem olhá-lo. Observava o rosto cada vez mais pálido do caçula.

— Como é? Qual a parte do eu não tive culpa, quando conversamos pelo telefone, que você não entendeu? Caso eu adivinhasse que o demônio amaldiçoaria quem o evocara, eu nunca teria deixado o Sammy fazer o ritual de invocação! — Tentava não perder a compostura, afinal, além de ser uma mulher ela era uma senhora e tinha idade até mesmo para ser avó dele e de seu irmão.

— É claro que é sua culpa! Você é muito lerdo para enxergar a realidade a sua volta! Só lamento que o coitado do garoto sofra as consequências por isso.

Dean mandou a educação às favas e esqueceu por um instante o respeito que tinha pelos mais velhos. Aquela mulher mal tinha chegado e já o tratava assim?

— Qual é o seu problema comigo, hein "Dona Maria?" Desde a primeira vez que o Sam e eu a procuramos quando buscávamos nosso pai, você encrenca comigo e me trata como um moleque sem noção. Bem, eu tenho uma novidade: SEM NOÇÃO É VOCÊ! — Gritou a última frase percebendo que Missouri se controlava para não rir, pois julgava sua atitude infantil.

— Você já acabou, Dean? — Perguntou olhando-o com divertimento. Ainda sentada ao lado do caçula. Não obteve resposta.

— Olhe, rapaz! Talvez eu tenha mesmo exagerado com você. Mas, eu não suporto o fato de você ser tão cego e não enxergar a realidade a sua volta. — Falou ainda observando Sam. Alisava a longa franja e o rosto adormecido dele.

Dean a olhou curioso. Percebeu humildade em sua voz e uma súplica silenciosa disfarçada em palavras.

— Desculpe-me. Não quis ser rude, mas é que eu não te entendo! Por que tem tanta raiva de mim? Que mal eu lhe fiz? Que realidade é essa que eu não enxergo?

Ela não respondeu. Ainda não. Precisava fazê-lo entender, o que seria muito difícil em sua opinião. Suspirou alto e cessou os carinhos no moreno. Olhou para o Dean e determinada, falou:

— Por favor! Preciso que me escute com atenção. A pessoa que pode salvar seu irmão, a única pessoa que pode impedir que a maldição o consuma, é você!

— Não! Também tem o Bob. Ele está me ajudando a encontrar a garota... — Ela cortou suas palavras com impaciência.

— Não! Entenda que não existe garota nenhuma! É você Dean winchester! É você quem seu irmão ama, ele é a outra metade de sua alma. Estão conectados. Vieram a esse mundo porque juntos escolheram a missão de ajudar as pessoas, por isso vieram como irmãos.

Dean a olhou assustado. Na verdade era um misto de surpresa e horror. E então, alguns segundos depois, passados esses sentimentos, soltou uma sonora gargalhada. Ria, ria com gosto não acreditando no que ouvira da mulher. Bem verdade que ela tinha uma grande capacidade mediúnica, acreditava em sua percepção e seu dom para ler mentes, mas o que ela falou estava fora da realidade e jogou-a no mínimo doida.

Ela o olhava tranquila. Aguardava o momento que o loiro se recompusesse, o que só aconteceu minutos depois.

— Pronto? Já terminou ou o assunto ainda tem graça?

Ele secou algumas lágrimas que brotaram de seus olhos, de tanto rir, e falou sarcástico:

— Olha... Devo confessar que estou surpreso! Não conhecia esse seu lado humorístico. Gostei da brincadeira. — Falava risonho.

— E quem disse que eu brinquei? Eu confirmo tudo o que falei antes do seu ataque de risos.

— Ataque de risos? Missoure, estamos falando de encontrar uma garota que o Sam ama e você me vem com isso? O que queria? Que eu ficasse com raiva? "Desculpe-me "amor"! Tenta mais tarde. Quem sabe...

— CHEGA! EU NÃO ESTOU BRINCANDO! O SAM TE AMA MUITO MAIS DO QUE COMO IRMÃO. — Gritou.

— E VOCÊ ACHA QUE EU VOU ENGOLIR ESSA HISTÓRIA DE AMOR NÃO FRATERNAL? — Devolveu o grito.

Missoure baixou a cabeça e respirou fundo. Estava decepcionada com Dean.

— Há quase dois anos você foi para o inferno em troca da vida de Sam e quando isso aconteceu ele me procurou e juntos, finalmente, conseguimos salvá-lo três dias depois. Você foi capaz de dá a sua vida por ele, mas não é capaz de amá-lo? Acho que você não o merece, infelizmente.

As palavras saíram em um tom audível, porém baixo. Estava mais que triste, na verdade decepcionada era a palavra correta. Esperava uma atitude diferente de Dean, mas completamente diferente dessa. Voltou novamente sua atenção ao caçula e foi para a cama dele sentando-se ao seu lado. Nada podia fazer.

O Winchester mais velho sentiu-se absurdamente mal diante daquelas palavras ditas tão compassadamente e com tanta tristeza. Talvez ela não estivesse brincando. Talvez Sam realmente o amasse de uma maneira mais profunda. Mas não o amava assim. Pensava.

— Por favor! Desde que você chegou só brigamos e até agora não achamos uma solução para salvar o meu irmão. — Caminhou até ela puxando uma pequena cadeira próxima a mesinha de quarto sentando-se de frente a mulher. Falou observando-a.

— Eu o amo! Ele é tudo para mim. É a pessoa mais importante e aquela com quem sempre quero está. Mas é amor fraternal. Preciso que entenda! — Apesar do desespero na voz do mais velho, ela não o olhou. Sua atenção continuava em Sam.

— Sabe, quando eu os vi pela primeira vez naquela manhã em que procuravam notícias sobre Jonh e sua cruzada contra o demônio de olho amarelo, senti uma vibração perfeita vinda de vocês dois, a mesma aura brilhante e ardente compartilhada juntos. Nem precisei fazer esforço algum. A mente do seu irmão estava clara como água. O amor que ele sente por você pedia para ser vivido, gritava dentro dele. No entanto, não consegui ler você.

— Está vendo! Mais um motivo para lhe dizer que está enganada.

Missouri negou com um aceno de cabeça e continuou:

— Está errado, Dean! Isso que dizer que você não acordou para esse amor. Acredito no seu amor fraternal e na sua preocupação por Sam, mas acredite: o que você sente por ele agora, não é nem a metade do que sentirá se permitir que esse sentimento acorde.

— Foi por isso que não gostou de mim quando me conheceu? É por isso que sempre encrenca comigo quando me vê? — Repetiu a pergunta feita anteriormente, mas dessa vez a vidente não a desconsiderou.

— Sim! Justamente por isso. Eu não aceitei e continuo sem aceitar o fato de você está ao lado de Sam e não perceber, não sentir os olhares dele sobre você. Ele tem medo de perdê-lo por amá-lo desse jeito. E isso não é justo, Dean! — Ambos silenciaram.

Dean escutara cada palavra dita por Missouri. Não com nojo ou o divertimento de antes, mas com pesar. Amava seu irmão, mas, não assim, não dessa maneira. E quando ele finalmente acordasse a salvo dessa maldição, porque tinha certeza que ele acordaria, teriam uma longa conversa. Sem recriminações, julgamentos ou desafetos, mas uma conversa em que ambos convivessem respeitando o sentimento unilateral de Sam.

— Por favor! Eu imploro! Ajude-me a salvar o meu irmão! Você além de vidente é uma ótima curandeira. Deve saber sobre ervas ou feitiços que acordem pessoas em coma por algum encanto, mandinga, sei lá! Qualquer coisa desse tipo, não estou certo?

— Sim! Está. Eu conheço muitos encantos, feitiços e remédios medicinais, tudo isso para quebrar o que o mal que anda sobre a terra faz as pessoas.

— Então! Ajude-me, por favor! Missouri, não me deixe perdê-lo.

Ela o olhou calma, sem a raiva de antes ou a explosão de outrora, porém ainda triste, muito triste pela morte de Sam que se aproximava. Mas, faria do jeito de Dean. Não negaria ajuda a ele.

— Embora eu ache que não vai adiantar de nada... Tudo bem! Eu o ajudarei.

Hotel Vinance, cinco e quarenta e cinco da tarde.

Dean e Missouri desde o início da manhã até o começo da noite que se aproximava, pesquisaram, ligaram para outros caçadores, leram livros antigos, mas nada encontraram. Bob também os ajudava ligando sempre que descobria um novo encanto. Encantos esses que eram receitas milenares de chás espirituais.

Cada nova receita de chá encontrado pelo caçador mais velho, era repassado para a dupla que após fazer a infusão ajudavam o caçula a ingeri-lo mesmo estando inconsciente. O resultado era igual aos outros: negativo.

Vendo que nada adiantava, Bob se ofereceu para ir a Cleveland ajudá-los pessoalmente. A vidente recusou. Ela ainda tinha esperanças que Dean mudasse de ideia. O que não aconteceu até aquele momento.

— Eu tentei. Mas, não dá! — soltou um punhado de ervas que igual as outras faria um novo chá. Pegou sua bolsa e saiu em direção à porta sendo segurada por braços antes de alcançá-la.

— O que pensa que está fazendo? Vai me negar sua ajuda?

Ela o olhou furiosa.

— Eu não acredito que você disse isso, seu cabeça dura! Eu expus todos os meus conhecimentos de vidente mesmo sabendo que isso não ia adiantar. Chega! Não dá! Eu não posso ver o garoto morrer porque o irmão dele é um machista e um brutamonte incapaz de amar. NÃO POSSO! — Soltou-se dos braços que a retinha e saiu batendo a porta com força.

Deixou-a ir limitando-se a olhar para a porta fechada. Passou as mãos no rosto em sinal de cansaço. Sim, estava cansado. Cansado das lutas, das caçadas, de tanto mal aleatório nesse mundo, mas tinha algo de que ele nunca se cansaria, alguém que ele sempre cuidaria e amaria: Sam, seu Sammy. Ainda perto da porta, Virou o corpo e olhou-o. Avançou alguns passos sentando-se na cadeira que acomodara perto dele.

— Ei, cara! Acorda desse sono, vai!

O silêncio da noite aproximada enchia o quarto de nostalgia e a luz do sol antes pairando brilhante pela janela era apenas um resquício do dourado que fora há minutos atrás.

— Você sempre controla meus passos, reclama pela minha comida, não gosta de beber quando eu te levo para algum bar... Enfim, às vezes você é um pé no saco. Só, que é desse jeito que eu o amo meu irmãozinho pentelho e certinho.

— Sam... Saiba que se eu pudesse mudar algo em você, eu não mudaria nada porque seu jeito é perfeito assim. Por favor, maninho! Não me deixa sozinho! Acha que eu vou sobreviver?

De repente um resmungo chamou sua atenção.

— Sammy? Está me ouvindo?

Silêncio!

— Irmãozinho, por favor! Fale comigo! Eu preciso de você!

De... Dean!

Ouviu claramente o garoto sussurrar seu nome após suas palavras sinceras. Estava assustado. Ainda não sabia se acreditava ou não no que Missouri dissera. No entanto, ao abrir seu coração ao irmão inconsciente, observou que ele reagia, mesmo sem acordar do coma.

Levantou da cadeira e sentou ao lado de Sam. Faria mais uma tentativa.

— sempre fomos tão unidos, não fomos Sammy? E sabe por quê? Porque você é a pessoa mais importante para mim. Não vou suportar perdê-lo.

O som emitido pelo jovem foi mais audível. Dean tocou sua testa antes gelada percebendo uma leve quentura brotava em sua pele.

— Meu Deus! Então... O que Missouri disse é... É tudo verdade! — A ficha finalmente havia caído.

Continua...


Boa noite!

Patrícia Rodrigues, Pérola fics, Casammy, Priscila, vitória winchester, Totosay de Cueca, vou responder melhor aos rewies das leitoras não logadas no próximo capítulo, pode ser? Vocês são demais e seus rewies me inspiram sempre e me fazem começar o dia com um humor renovado. (Priscila, espero te ver mais vezes em minhas histórias. É sempre um prazer conhecer novos leitores).

Beijos a todas vocês que leem e me agraciam com seus maravilhosos comentários. Espero que possa contar com eles novamente nesse segundo capítulo.

Uma excelente noite a todas e um excelente início de semana.

Beijos!