Trabalho em Grupo
- Gryffindors e Slytherins, estejam com atenção, pois vou nomear os grupos para realizarem os trabalhos sobre transfiguração humana – a voz da Professora Thomas arrancou Albus da sua longa dormência, fazendo-o finalmente olhar para cima.
- Custava-te muito estares atento? – ralhou Rose, vendo os olhos sonolentos do primo.
- Isso, para ele, seria uma impossibilidade, certo companheiro? – Scorpius esticara-se pela parte de trás de Rose para dar uma pancada na cabeça de Albus e ao recuar sentiu mais uma vez o aroma que, ao contrário do que Albus lhe aconselhara, andava a cheirar todos os dias, pois nunca mais largara o casaco, mas que se ia, infelizmente, desvanecendo com o tempo.
- Scorpius Malfoy e Rose Weasley! – os olhos da professora caíram sobre o par e imediatamente estes fizeram silêncio.
- Bolas, não me calhou nenhum de vocês! – resmungou Albus, enquanto saía da sala de aula.
- Sim, mas em contrapartida ficaste com a boazona da Trish! – comentou Scorpius, sem um pingo de inveja.
A face de Albus iluminou-se imediatamente, enquanto Rose olhou para Scorpius de uma forma acabrunhada.
- Se gostavas de ter outra parceira, porque não te queixas à professora? – retorquiu ela, encaminhando-se rapidamente para a biblioteca e deixando os dois rapazes com uma expressão estarrecida.
- A tua prima endoideceu! – comentou Scorpius, quando recomeçaram a andar.
- Achou que o comentário de achares a Trish boazona lhe tocou num ponto sensível – retorquiu Albus, bocejando longamente.
Scorpius não percebia bem porquê, mas tal facto deixava-o de muito bom humor e em paz com o mundo.
- Acho melhor ir atrás dela, antes de ela fazer o trabalho sozinha – desculpou-se Scorpius, enquanto ultrapassava Albus.
- Se eu fosse a ti deixava-a, assim tinhas menos trabalho, mas também era menos tempo que passavas com a tua fofinha, não é? – Albus ria às gargalhadas, enquanto se afastava a correr, antes de Scorpius ter tempo de o amaldiçoar.
Ao entrar na biblioteca, Scorpius viu imediatamente o cabelo ruivo de Rose, a algumas mesas de distância.
- Desculpa pelo meu comentário machista e totalmente despropositado – disse Scorpius, colocando-se atrás de Rose e colocando as suas mãos nos ombros dela, sabendo que se estava a colocar num enorme risco de ser amaldiçoado.
Sentiu os ombros de Rose subirem e descerem, quando ela suspirou e então, ela virou-se para ele, com toda a força dos seus olhos castanhos nos cinzentos dele.
- Não te preocupes com isso – o seu sorriso indicava que ele já estava perdoado – E agora senta o teu rabo naquela cadeira e vamos trabalhar! - Scorpius riu-se e obedeceu aos desejos de Rose.
Depois de muitas horas a trabalharem incansavelmente, com livros espalhados pela mesa e inúmeras folhas de pergaminho gastas, Scorpius bocejou abertamente pela primeira vez e Rose, olhando para o relógio, soltou uma exclamação de surpresa.
- Já é muito tarde, a biblioteca está quase a fechar – informou Rose, olhando para Scorpius que abanava a varinha num movimento estranho em direcção a uma folha de pergaminho vazia.
- Pelo menos já só nos falta a conclusão e se não tivermos a nota máxima, atiro-me da torre de Astronomia – disse ele, sem despegar os olhos do pergaminho em branco.
- Não seja tão melodra… oh! – Rose interrompeu-se a si mesma, ao ver a folha de pergaminho transformar-se numa rosa azul-noite – Uau, está linda!
- Uma flor para uma flor – disse Scorpius, pegando delicadamente na rosa e aproximando-se da companheira.
- Obrigada – murmurou Rose, ao ver a face de Scorpius aproximar-se da sua. Sentiu as mãos dele agarrarem as suas e colocarem-lhe a rosa entre os dedos.
- Para te lembrares de mim, quando eu não estiver por perto – sussurrou Scorpius, com os lábios a meros centímetros dos de Rose.
- A biblioteca fecha dentro de dois minutos, sugiram que arrumem tudo nos devidos lugares! – a voz de Madame Pince elevou-se e quebrou a bolha que se tinha criado entre Rose e Scorpius. Rose sentiu-se corar violentamente e agarrando nas suas coisas, correu para fora da biblioteca.
Scorpius suspirou e com um gesto da varinha fez todos os livros reorganizarem-se nas prateleiras. Olhou para a mesa e viu que o trabalho ainda lá estava, mas que a rosa não. Sorrindo para consigo, guardou os pergaminhos na mala e encaminhou-se para a sua sala comum, a assobiar alegremente.
Rose irrompeu tempestuosamente na sala comum e correu para o seu dormitório, sem parar para responder a Albus que lhe acenou ou a Fred que a tentara chamar para lhe mostrar a sua mais recente partida. Atirou-se para cima da cama e fixou o tecido carmesim que se encontrava sobre si, no entanto, em vez de conseguir ver o tecido, apenas via um par de olhos cinzentos-azulados, um cabelo loiro elegantemente despenteado, umas mangas de uma camisa dobradas que mostravam uns braços musculados e uns botões abertos que mostravam um peito que fez Rose tremer ao imaginar o que mais se poderia esconder sob aquela camisa branca.
- Não! Não podes pensar nisso, por amor de Merlin, ele é um Malfoy e um Slytherin! – pensava Rose, tentando convencer-se, mas sem qualquer resultado aparente.
Quando começara ela a reparar nas qualidades de Scorpius e não nos defeitos? O ano passado ficara chateada ao vê-lo curtir com aquela vaca dos Slytherin, e no ano antes desse começara a reparar como o cabelo dele era bonito e ainda antes…
- Oh meu Merlin! Estou apaixonada pelo Scorpius Malfoy! – a realização bateu-lhe tão forte que a deixou sem ar – Mas não pode ser, o meu pai deserdava-me, o meu avô nunca mais me falava, o meu irmão e os meus primos matá-lo-iam! Não, não, não, tenho de parar de pensar nele, amanhã acabamos o trabalho e pronto, acaba-se a confusão, sim porque isto é só uma confusão na minha cabeça… Será que a cabeça dele também está confusa? Ele quase me beijou! Ou será que sou apenas uma conquista como os milhares de miúdas que se andam a babar por ele, nos corredores? Mas ele parecia tão doce e inocente… Pára com isso, Rose Weasley!
De repente ouviu-se um barulho na janela por cima da sua cama e vendo o que era, o coração de Rose começou a bater mais forte. Um mocho real estava a bater com o bico no vidro, um mocho que Rose conhecia muito bem. Abrindo a janela e deixando King aterrar na sua cama, Rose apressou-se a tirar a nota que ele trazia, com as mãos a tremer.
Espero ansiosamente pela conclusão do que deixámos pendente, sonha comigo, Scorpius
A porta do dormitório abriu-se de repente e Rose só teve tempo de esconder o bilhete debaixo da almofada.
- Oh, que rosa linda, onde a arranjaste? – perguntou Audrey Swann, ao ver a rosa que estava em cima da mesinha ao lado da cama de Rose.
- Transfigurei-a de uma folha de pergaminho. Estava a fazer o trabalho de Transfiguração e encontrei esse feitiço e experimentei fazê-lo – inventou apressadamente Rose, esperando que o seu rubor não a deixasse ficar mal.
- Tens que me ensinar qual é! – disse excitadamente a rapariga, pegando na rosa e observando-a minuciosamente.
- Ah, eu… agora não me lembro bem qual era, mas amanhã procuro e digo-te, ok? – a voz de Rose ia subindo de timbre, conforme a mentira ia aumentando, mas ela não conseguia controlar-se a si mesma, sempre fora assim, desde pequena.
- Ok – anuiu Audrey, com uma expressão de dúvida e encaminhou-se para a sua cama.
Na manhã seguinte, ao chegar ao salão, os olhos de Rose encaminharam-se imediatamente para a mesa dos Slytherin, onde Scorpius já estava sentado. Respirando fundo, aproximou-se dele. Um dos colegas de Scorpius, August Xavier, deu-lhe uma forte cotovelada e apontou para Rose, que se sentiu a corar.
- Bom dia, Scorpius, só te queria perguntar se guardaste o trabalho de transfiguração? É que não o encontro nas minhas coisas – a voz de Rose saiu disparada, sem dar tempo a Scorpius de dizer algo antes dela.
- Sim, não te preocupes, Rose, eu tenho isso guardado. Hoje, à mesma hora, na biblioteca para terminar? – perguntou ele, tentando controlar o enorme sorriso que a presença de Rose lhe provocava.
- Claro – retorquiu Rose, numa voz formal e distante, afastando-se para a sua mesa.
- Oh, pensava que a miúda te ia convidar para sair, imagina a cara dos primos dela se ela o fizesse! Impagável! – a voz de August infiltrava-se lentamente nos ouvidos de Scorpius, pois toda a sua atenção estava focada em recordar cada pormenor do curto encontro.
- Que estavas a fazer com o Malfoy? – perguntou Hugo, assim que Rose se sentou a seu lado, na mesa dos Gryffindor.
- A falar sobre o trabalho de Transfiguração que nos pediram para fazer – respondeu Rose, puxando para si uma fatia de tarte de maçã e uma chávena de café.
Hugo olhou-a durante vários momentos, em busca de algo que provasse o contrário, mas como naquele dia o rubor de Rose estava do seu lado, ele acabou por deixar cair o assunto.
Ao sair do salão para a sua aula de Encantamentos, Rose olhou para Scorpius, que em seguida teria Defesa Contra as Artes das Trevas e viu-o a observá-la fixamente, formando um enorme sorriso nos seus lábios.
- Podias ter perguntado pelo trabalho na aula, sabes? – disse Scorpius, quando ele, Rose e Albus se encaminhavam para a aula de Poções.
- Achei melhor ter logo a certeza de manhã, não queria passar o pequeno-almoço preocupada – retorquiu Rose, com um sorriso curto.
- Por amor ao Dumbledore, não comecem a flertar enquanto eu aqui estou, ok? É nojento! – queixou-se Albus, mas o sorriso que tinha na cara contrariava o que acabara de dizer.
- Claro, claro… - anuiu Rose, distraidamente.
Scorpius sorriu-lhe apenas e continuou o seu caminho para a aula de poções, com um andar muito mais animado.
Quando Rose voltou à biblioteca, depois da aula de Cuidado com as Criaturas Mágicas, esperava encontrar Scorpius já à sua espera, no entanto, este não estava em nenhuma das mesas ou das secções. Alguns minutos depois, quando Rose começava a pensar que Scorpius provavelmente se tinha esquecido, um pequeno avião de papel aterrou na mesa em que esta estava. Rose apressou-se a desdobrar o pergaminho e deparou-se com a letra de Scorpius:
Vem ter ao lago e traz as coisas de Transfiguração, hoje não me apetece estar no interior!
Rose sentiu o seu interior vibrar de excitação e correu a agarrar as suas coisas e a apressar-se para o exterior. Ainda era cedo, por isso os campos estavam suficientemente iluminados pelo sol para que, durante algumas horas, não houvesse problemas de visibilidade.
Ao chegar ao lago, apercebeu-se que apenas uma pessoa lá se encontrava. Sentado numa rocha e com o olhar perdido nas montanhas ao longe, Scorpius nunca lhe parecera tão misterioso nem tão bonito.
- Ainda bem que recebeste o meu recado, pensei que te tivesses perdido nos campos e teria que ir em teu auxílio novamente – Scorpius sorria mais do que alguma vez Rose vira, um sorriso diferente das gargalhadas que partilhava com Albus depois de uma partida ou diferente dos sorrisos que lançava às suas fãs.
- Bem, nós tínhamos combinado na biblioteca, a culpa é tua, se me atrasei – retorquiu Rose, sentando-se na relva fresca, num ponto muito mais baixo do que o rochedo de Scorpius.
Este levantou-se e sentou-se ao lado de Rose, enquanto tirava da sua mochila o trabalho de Transfiguração.
- Muito bem, podíamos começar imediatamente a conclusão, eu tenho algumas linhas preparadas sobre isso e depois podemos rever para termos a certeza de estar tudo correcto, pode ser? – sugeriu Rose, puxando o trabalho para si e equilibrando a pena para começar a escrever.
Scorpius anuía com a cabeça, enquanto Rose debatia o que deveriam escrever, pensando em tudo menos no trabalho: reparava na forma como a boca de Rose se torcia para o lado direito ao acabar uma frase, ou como mexia repetidamente no cabelo ou como começara a corar ao acabar o trabalho e reparar no olhar fixo de Scorpius, com um brilho nos olhos que nunca lhe vira, nem mesmo na tarde anterior, durante o quase beijo.
- Sabes que és linda, Ruiva? – murmurou Scorpius, depois de Rose ter anunciado que haviam acabado o trabalho.
Rose limitou-se a corar, a enrolar o pergaminho e a guardar a pena dentro da bolsa.
- Sabes que há muito tempo te acho linda? – murmurou Scorpius, aproximando a face da dela, sentindo o calor irradiado pelas faces coradas da rapariga.
- Scorpius… - murmurou Rose, mas antes de conseguir dizer algo mais, algo na forma como ela dissera o seu nome, fez Scorpius avançar e colar os seus lábios aos de Rose.
Todo o receio que ambos haviam sentido, as dúvidas sobre os seus sentimentos, a reacção dos amigos e família, tudo isso foi esquecido quando os seus lábios se tocaram. As mãos de Rose encaminharam-se imediatamente para o cabelo de Scorpius e as mãos deste agarraram a cintura dela. Quando se afastaram para respirar, Scorpius aproximou os seus lábios dos ouvidos de Rose e sussurrou:
- Amo-te!
O seu pescoço ficou em pele de galinha, ao sentir a boca de Scorpius tão perto, mas também pelas palavras, que vibravam de sinceridade, como se cada letra gritasse a palavra que ele dissera.
Os braços de Rose apertaram o pescoço de Scorpius e este puxou-a para o chão, onde ambos ficaram durante um tempo infindável, apenas a olharem um para o outro, sem repararem que aos poucos o sol ia percorrendo o seu caminho e se escondia por detrás das montanhas, lançando um tom alaranjado sobre o mundo.
- Amas-me, Rose Dora Weasley? – murmurou Scorpius, quando a voltou a beijar, de forma mais doce e mais demorada.
- Sim, mais do que alguma vez imaginei… - Rose sentiu-se uma miúda idiota por dizer algo do género e corou violentamente.
- Não te sintas envergonhada, miúda tola – censurou Scorpius – Que eu não tenho vergonha nenhuma em dizer que te amo muito, infinitamente muito!
- Pareço uma miúda daquelas que dizem amo-te a cada curte que têm, que não têm maturidade suficiente para se aperceberem dos seus verdadeiros sentimentos, que só pensam em rapazes e maquilhagem… - barafustou Rose, sentindo que precisava de se explicar a Scorpius. Não queria que ele pensasse que ela era como as suas outras conquistas sem cérebro.
- Rose, eu conheço-te! Sei quem és e sei que se estás a dizer isso é porque te sentes realmente assim, não és de certeza como as outras. Elas não passam de miúdas mimadas que só querem um rapaz para mostrar que têm um namorado, tu és uma mulher madura, responsável, que sempre lutou por aquilo em que acredita e que por isso mesmo ainda me leva a amar-te mais! És diferente delas – apontou para o castelo – e é por isso que és a primeira rapariga a quem digo amo-te!
Rose sorriu, como se lhe tivessem tirado um peso de cima e ao ouvir as palavras de Scorpius concluiu que apesar de puder parecer errado o que estava a fazer, era o mais certo que há muito tempo ela deveria ter feito.
- Mas há um problema… - começou Rose, enquanto aproximava os lábios do pescoço de Scorpius e o começava a beijar, sentindo-se orgulhosa ao ver que a voz deste tremia ao perguntar:
- Sim e o que é?
- Não podemos dizer a ninguém que estamos juntos… - os seus lábios haviam chegado finalmente aos de Scorpius e este estava muito mais preocupado em explorar a suavidade da boca de Rose para responder imediatamente.
Rolando sobre si mesmo, de modo a que Rose ficasse com as costas sobre a relva e deitada sob si, Scorpius afastou a boca da dela e murmurou:
- Não queremos que os teus primos me matem antes de termos feito tudo o que queremos…
Rose sentiu-se corar, não só pelas palavras de Scorpius, mas pela posição em que estava.
- Não, não queremos mesmo – foi a única resposta que lhe veio à cabeça, antes da boca de Scorpius encontrar a sua novamente.
- Caraças, tenho que ir para dentro! – exclamou Rose ao ver a escuridão que imperava em seu redor. Levantou-se apressadamente, limpando a relva do manto e tentando compor o cabelo.
- Não te preocupes, amor, estás perfeita – murmurou Scorpius, que ainda se encontrava sentado na relva.
- Se perfeita, quer dizer como tu estás, então estamos muito mal – admoestou Rose: o cabelo de Scorpius estava despenteado e coberto de relva, o seu uniforme amarrotado e húmido do orvalho que começava a cair, a gravata totalmente desarranjada e com pontos de terra aqui e ali.
Scorpius levantou-se e aproximou-se de Rose, estendeu as mãos em direcção ao seu cabelo e tirou algumas folhas dos seus caracóis, em seguida tentou penteá-los, mas ao ver que não havia nada a fazer, desamarrou uma fita de seda preta que prendia a sua bolsa e usou-a para amarrar o cabelo de Rose. Continuou a sua inspecção, tirando a terra que se encontrava nas costas do seu manto e mais abaixo, o que levou Rose a corar violentamente e a respirar mais ofegantemente. Em seguida, foi a vez dela de tornar o Slytherin mais apresentável, arranjou-lhe a gravata, tirou os pedaços de relva que marcavam os seus fios de cabelo loiro e penteou-os, demorando muito mais tempo do que o necessário, prolongando a sensação de proximidade.
- Pronto, estamos apresentáveis… - murmurou Rose, roubando um beijo a Scorpius e correndo para o castelo, enquanto se ria às gargalhadas.
- Aquela miúda vai dar cabo de mim – murmurou Scorpius, encaminhando-se para o castelo, num passo muito mais vagaroso, para dar a impressão de que não estavam juntos quando entrassem no salão para jantar.
