Primeiro encontro
Sábado amanheceu com nuvens a cobrirem o céu e quando os alunos acabaram o pequeno-almoço, os campos em redor começavam a cobrir-se de branco. Acenando a Albus, que a olhava macambúzio, Rose saiu do castelo e dirigiu-se à estrada que levava a Hogsmeade. Não vira Scorpius durante o pequeno-almoço, por isso suponha que provavelmente se encontraria com ele na vila, o que até era positivo, assim poderia escolher uma prenda sem que ele soubesse de que se tratava.
Rose tinha uma vaga ideia daquilo que pretendia oferecer a Scorpius, algo que ele pudesse usar e que o marcasse como dela, mas sem que mais ninguém se apercebesse disso. E então, ao passar por uma montra com diversos diários encantados, a ideia que tinha vindo a criar floresceu e ela sorriu de orgulho: aquele presente seria o melhor que lhe poderia oferecer e King ficar-lhe-ia muito agradecido, também.
Depois das suas compras feitas, Rose decidiu ir até ao Três Vassouras, no entanto, quando se encontrava a meio do caminho, uma mão forte tapou-lhe a boca e ela sentiu-se ser puxada para um beco que existia entre duas lojas. Tentou pontapear o seu atacante e ainda conseguiu, mas ao ouvir o seu queixume parou imediatamente: reconhecera aquela voz.
- AU, Weasley! – Scorpius estava agarrado à perna e encostara-se à parede da loja para puxar as calças para cima e ver a extensão dos ferimentos – Estavas a tentar lesionar o melhor jogador de Quidditch dos Slytherin?
- AhAh! – fez Rose, mas sem humor. No sítio onde atingira Scorpius estava a formar-se uma nódoa negra – Desculpa, Scorp…
- Não te preocupes, isto não é nada… - tranquilizou-a ele, enquanto lhe fazia sinal para se aproximar.
- Pelos teus gritos parecia que te tinham arrancado a perna! Para um seeker tão poderoso és muito mariquinhas – gozou Rose, caminhando na sua direcção.
- Já vamos ver quem é que mariquinhas – retorquiu Scorpius agarrando Rose e puxando-a contra si para a beijar. Scorpius já tinha beijado muitas outras raparigas, não era por acaso que a sua fama de galã era conhecida em toda Hogwarts, mas beijar Rose provocava nele sensações que nenhuma outra rapariga provocara, era como se nunca tivesse beijado ninguém antes, tal avassaladores eram os sentimentos que ela lhe despertava. Podiam ter estado horas a beijarem-se, o tempo não lhes interessava muito, quando estavam assim: nos braços um do outro.
- Vai começar a nevar em força – comentou Rose, quando reparou que os seus ombros e o cabelo estavam cobertos de flocos brancos.
- Ficas linda na neve – murmurou Scorpius, começando a afastar-se, mas sem largar a mão de Rose – Anda, quero mostrar-te um sítio…
- O tal esconderijo secreto? – perguntou Rose, com um sorriso conspiratório.
Scorpius limitou-se a anuir e a puxá-la na direcção da estrada, a qual já não se diferenciava dos passeios. Correram de regresso à escola, rindo como duas crianças e mandando bolas de neve um ao outro. Ainda era cedo para os outros alunos voltarem para o castelo, por isso sentiam-se em paz para demonstrarem os seus sentimentos, sem receio de ouvidos bisbilhoteiros.
Ao chegarem ao lago, Scorpius tirou uma fita preta do bolso e apresentou-a a Rose.
- Para que é isso? – perguntou ela, olhando-o duvidosamente.
- Para te tapar os olhos, quero que seja uma surpresa – Scorpius colocou a venda sobre os olhos de Rose e ela sentiu o seu corpo tremer ao sentir Scorpius tão perto de si.
- Não tenhas medo – Scorpius tomara os tremores por medo e agarrando a mão de Rose guiou-a através da relva até um enorme rochedo que ficava sob as árvores da floresta proibida.
- Cuidado, agora baixa a cabeça – o rochedo escondia uma entrada por entre a erva, uma entrada que ficava abaixo da superfície e que por isso dificultava a entrada – Agora, espera um pouco – Scorpius agarrou a cintura de Rose e esta soltou um gemido de surpresa – Calma! – Scorpius transportou-a até ao chão e largou-a.
- Pronto, podes tirar a venda – anunciou Scorpius, com um enorme sorriso.
Rose tirou a fita dos olhos e ao olhar em redor ficou totalmente abismada.
- Finalmente fiz a Rose Weasley ficar sem palavras – comentou Scorpius, com um sorriso – E sem o auxílio dos meus lábios…
A gruta em que estavam estava iluminada por misteriosas luzes que levitavam junto ao tecto, pequenas flores amarelas e vermelhas cresciam entre as rochas, as rochas possuíam motivos florais como se alguém tivesse passado horas a pintar com o mesmo cinzento das rochas aquelas leves imagens e ao centro da gruta estava um enorme cesto de piquenique, coberto com fruta, chocolate, cerveja de manteiga, sumo de cereja, o preferido de Rose e muitas outras delícias.
- És louco! – murmurou Rose, encantada.
- Por ti – concluiu Scorpius, agarrando-lhe a mãe e beijando-a.
Rose e Scorpius passaram a tarde a aproveitar a comida que ele roubara da cozinha, conversando sobre eles mesmos, como nunca haviam feito.
- Enquanto filho mais velho de um Malfoy, quando era mais pequeno julgava que tinha de ser melhor que os outros em tudo… A minha irmã vê-me como um herói, quando eu vim para cá ela achava que eu seria o rei do castelo… - Scorpius suspirou, massajando as têmporas. Rose olhava-o fixamente, à espera que ele continuasse.
- Foi estúpido, ao início, quando toda a gente me via apenas como o filho de um Devorador da Morte e um neto de um Devorador da Morte e possivelmente um futuro Devorador da Morte, ainda que o Voldemort tivesse morrido mesmo… - recomeçou Scorpius, num tom baixo, um tom triste que adquiria sempre que falava dos seus primeiros tempos em Hogwarts – Acho que me tornei tão bom em Quidditch a safar-me das bludgers por causa das fugas que tinha que fazer das maldições que me mandavam, isto claro, até ter aprendido a defender-me convenientemente…
- Mesmo na tua equipa tratavam-te assim? – Rose detestava ver Scorpius tão em baixo, era como se o seu interior também sofresse com ele, como se ela própria se visse a ter que se esconder pelos erros dos pais.
- Sim, apesar de serem um bocado mais suaves, mas os outros… acho que só depois de me tornar amigo do Al é que eles pararam com isso, afinal um amigo do filho do Harry Potter não poderia ser assim tão mau, se bem que a coisa pudesse ter dado para o torto… ainda podiam pensar que eu o enfeitiçara ou coisa parecida…
- Mas o teu pai mudou muito… ele nunca te criou com aqueles preconceitos, pois não? Por exemplo, tu nunca me chamaste… - Scorpius impediu Rose de proferir a maior ofensa que lhe poderia dirigir, colocando-lhe um dedo em frente à boca.
- Nunca digas isso à minha frente! Não te rebaixes ao que os outros dizem sobre ti! És a mais brilhante e fantástica feiticeira que alguma vez conheci – murmurou Scorpius, beijando-lhe a face.
- Acho que ainda não conheceste a minha mãe, ela é muito melhor do que eu e já agora não deveria ser eu a dar o apoio moral? Quando é que trocámos de papéis? – Rose tentava elevar a moral de Scorpius, conseguindo que pelo menos ele sorrisse, um sorriso que demorou a chegar aos olhos, mas que acabou por os alcançar.
- Sabes, nunca tinha falado disto a ninguém, nem mesmo ao Al ou ao meu pai… - confessou Scorpius, suspirando – Acho que me estou a tornar muito mole…
- Desde que seja só comigo não me importo, não quero ouvir dizer que te andas a confessar a outras miúdas, estás a ouvir? – subitamente o tom de Rose tornou-se ameaçador.
- Ainda te sentes insegura em relação a mim? – concluiu Scorpius da mudança repentina de humor de Rose.
- Insegura em relação a ti não, mas insegura em relação às outras sim! Há montes de miúdas atrás de ti, a babarem o chão por onde passas – e a sua voz adquiriu um trinado muito agudo – "Ai o Scorpius Malfoy é tão tão tão lindo!", "Daria tudo para namorar o Scorpius", "Aquele cabelo e aquele corpo musculado, meu Merlin!" – retomando a sua voz normal, Rose concluiu – Percebes porque tenho medo que elas te ataquem? São totalmente loucas!
- Com que então as miúdas gostam do meu corpo? Não sabia que era o tema mais quente na casa de banho feminina – zombou Scorpius, com um sorriso vaidoso.
Rose deu-lhe um murro no braço que o fez encolher-se, mas o seu sorriso alargou-se ainda mais, até ele se rir às gargalhadas.
- Devias… ter visto… a tua cara – rindo a bandeiras despregadas, Scorpius rebolava no chão pedregoso, rindo ainda mais ao ver a cara ofendida que Rose lhe dirigia.
- Slytherin vaidoso, egocêntrico e idiota! – acusou Rose, cruzando os braços e virando-se de costas para ele.
- Vá lá, ruivinha, não fiques assim – implorou Scorpius, abraçando-a por trás – Mas a tua cara foi impagável, devias ter visto quão afrontada ficaste e tu sabes bem como eu adoro ver-te zangada! Porque achas que te chamo estas alcunhas ridículas?
- Para me irritares até à morte – retorquiu Rose, olhando para o lado, para ver a face de Scorpius que estava sobre o seu ombro.
- Não, para ver esse teu ar sexy quando ficas toda chateada comigo – explicou Scorpius, sem um pingo de vergonha. Rose corou violentamente, mas avançando a cara até à de Scorpius, beijou-o.
Ao afastar a cara da de Scorpius, Rose olhou para o relógio e deu um salto, era muito mais tarde do que imaginara.
- Scorpius, passámos o dia inteiro dentro desta gruta! – exclamou Rose, enquanto se levantava apressadamente.
- Podíamos continuar aqui… Que me dizes? – sugeriu Scorpius, sedutoramente, olhando Rose fixamente. Esta sentiu-se ficar sem fôlego, mas parte da sua mente racional disse-lhe imediatamente que não.
- Adorava, mas não podemos… - desculpou-se Rose, pegando na mala. Scorpius levantou-se também e com um gesto da varinha fez a comida que estava no cesto desaparecer.
- Não queremos chamar roedores ocasionais, pois não? – explicou Scorpius, ao ver que Rose o olhava curiosamente.
- Suponho então, que este não foi o nosso último piquenique? – perguntou ela, sorrindo sonhadoramente.
- Claro que não, miúda tola – respondeu Scorpius, agarrando-lhe a mão e ajudando-a a sair da gruta.
Caminharam de mão dada até à entrada do castelo, pois os campos encontravam-se mergulhados em escuridão e não havia ninguém a tais horas fora do castelo: encontravam-se, provavelmente, todos a jantar.
Rose e Scorpius estavam tão cheios de toda a comida que haviam ingerido durante o dia, que se despediram na grande escadaria, com um beijo ao de leve e ambos se dirigiram às suas salas comuns.
" - Nada mau para um primeiro encontro!" – pensavam ambos, enquanto relembravam a tarde passada juntos.
