Formas de Comunicação
- Temos que arranjar uma melhor forma de nos comunicarmos – dizia Rose, enquanto corria da sua última aula para o lago – o King vai ficar farto de andar sempre de roda da Torre dos Gryffindor e alguém pode reparar no teu mocho…
- Eu sei, mas ainda não pensei em nada melhor… - sussurrava Scorpius, enquanto ambos se escondiam de um grupo de primeiros anos que ria e se encaminhava para o castelo.
- Parece que saímos de um filme de espiões – retorquiu Rose, rindo baixinho.
- O que é um filme? – perguntou Scorpius, enquanto a puxava na direcção da gruta.
- Uma coisa de muggles, onde podemos ver algo que foi gravado durante um certo tempo – Rose não tinha a certeza se seria a forma acertada de explicar, mas esperava ter sido clara.
- Oh claro – respondeu Scorpius, com uma expressão impassível.
- Não percebeste nada, pois não? – perguntou ela.
- Nope – negou Scorpius e ambos começaram a rir à gargalhada.
A gruta estava escura ao entrarem, o que fez Rose escorregar, mas como grande cavalheiro que era, Scorpius agarrou-a pela cintura e virando-a na sua direcção beijou-a. Rose sentiu as mãos deles agarrarem a sua camisa e puxarem-na, mas ela sorriu para ele e afastou-se. A face de Scorpius demonstrava desilusão, mas ao ver o sorriso doce de Rose apercebeu-se de que não estava preparado para um próximo passo na relação, não com esta miúda que merecia tudo o que ele lhe podia oferecer.
Rose fez alguns movimentos com a varinha e sem proferir uma palavra inúmeras luzes começaram a aparecer no tecto de rocha.
- Muito bem, menina aplicada nos feitiços não-verbais – comentou Scorpius.
- Alguém tem de o ser, Malfoy – retorquiu Rose, sentando-se e tirando o livro de Poções para fazer o trabalho de casa.
- Sabes, adoro quando me chamas Malfoy – comentou ele, sentando-se a seu lado e colocando-lhe o braço em volta da cintura. Rose deitou a cabeça sobre o ombro dele e murmurou:
- Hum, então terei de passar a chamar-te Malfoy... Quando estivermos a brigar, cada vez que te chamar Malfoy será como um beijo, é a nossa próxima forma de comunicação…
Scorpius sorriu de forma doce, algo que Rose só via quando estava sozinha com ele e naqueles momentos pensava como nunca antes reparara como ele era fantástico.
- Ora bem, vamos lá fazer o trabalho de Poções – anunciou Scorpius, friccionando as mãos, uma contra a outra para as aquecer.
- És um idiota, Malfoy! Não devias ter juntado aquela raiz de beladona antes da cauda de tritão! Por tua causa vamos ter de trabalhar fora da aula – Rose guinchava com Scorpius ao longo do caminho até ao salão, ele ia de cabeça baixa, fingindo-se chateado, mas a verdade é que ambos não podiam estar mais satisfeitos por puderem estar sozinhos, sem que ninguém desconfiasse. Rose gritava para evitar o sorriso que lhe teimava em entrar na cara, na verdade, a ideia fora dela e Scorpius, tal como um bom rapaz oferecera-se para ser o causador da destruição da poção.
Ao passarem as portas do salão, Albus despediu-se a medo do amigo, tinha receio que a prima o amaldiçoasse só por falar a Scorpius e julgou que tinha vindo a interpretar erradamente aquilo que lhe dizia que Rose e Scorpius podiam estar apaixonados. Depois de um tal espectáculo de raiva, Al tinha a certeza que eles não poderiam estar juntos.
- Uau, priminha! Não deixes toda essa raiva aí dentro! Partilha-a com todo o salão! – aplaudiu James quando Rose se sentou a seu lado.
- Vai dar comer a um dragão morto – retorquiu Rose, ela detestava brigar com Scorpius em frente a toda a gente e os comentários de James nunca ajudavam – Aquele idiota deu-me cabo da poção.
- Posso castigá-lo, sabes? – sugeriu James, começando a tirar a varinha do manto.
- Não! – exclamou imeditamente Rose, atraindo olhares suspeitos de toda a família – Não te vais meter em sarilhos, além disso, eu consigo resolver os meus assuntos sozinha! Detesto que se metam entre mim e as minhs lutas! – e com um tom de voz definitivo, Rose fez com que todos os seus familiares esquecessem o incidente.
- Ei, Rosie, sabes que dia é amanhã? – perguntou Scorpius, enquanto ambos faziam a patrulha dos prefeitos. Albus ficara com a prefeita de Ravenclaw, na esperança de a convidar para sair.
- Hum… quinta-feira? – sugeriu duvidosamente Rose.
- Claro, mas sabes o que é que accontece amanhã? – insistiu Scorpius, temendo que ela se tivesse esquecido do seu aniversário.
- OH! – exclamou Rose, surpreendida e Scorpius sorriu – O trabalho de Defesa! Desculpa, amor, mas vou ter de voltar já para a sala comum, esqueci-me totalmente de fazer a conclusão! – e qual morcego saido do Inferno, desatou a correr em direcção à torre dos Gryffindor. Scorpius ficou especado, a olhar na direcção que ela tomara, como se não conseguisse acreditar em tudo o que se passara.
No dia seguinte, Scorpius encontrou-se com Albus no Hall, recebendo um enorme abraço do amigo, que lhe deu os parabéns entusiasticamente. Ao entrar no salão, procurou Rose imediatamente na sua mesa de equipa, mas ela não se encontrava lá. Durante todo o dia, em que não tinham nenhuma aula em comum, Scorpius procurou Rose pela multidão, mas ela teimava eu não aparecer. Ele começou a ficar preocupado, estaria ela doente? No entanto, ao jantar, viu-a na sua mesa, conversando animadamente com Lily Potter e sentiu uma forte decepção crescer dentro do seu peito. Sentou-se ao lado de Charles Zabini e de August Xavier, sem saborear o jantar, apesar de ser o seu prato favorito. Quando achou que já podia ir para a sala comum, sem lhe fazerem perguntas perniciosas, levantou-se da mesa e caminhou de forma deprimente em direcção às masmorras.
Um alegre fogo crepitava na lareira, quando Scorpius se sentou num dos cadeirões, puxando a sua mala na sua direcção. Ao colocar a mão no seu interior sentiu algo estranho lá dentro, algo enrolado em tecido… Retirando rapidamente o pacote misterioso e desenrolando-o, Scorpius deparou-se com um diário preto com laivos de verde, ao abri-lo, uma nota caiu no seu colo, onde ele podia ver uma letra pequenina que reconheceria em qualquer lado:
Desculpa pelo comportamento de hoje, digamos que também gosto de ser mázinha, às vezes…
Se quiseres uma festa de aniversário apropriada vem ter à Torre de Astronomia às 21h.
O bilhete ainda tinha mais escrita, mas Scorpius ignorou-a, correndo para a Torre de Astronomia. Subindo os degraus da torre a dois e dois, Scorpius deparou-se com Rose, carregando um enorme bolo. Ao vê-lo aparecer, Rose começou a cantar-lhe os parabéns, mas ao ver os seus olhos, só teve tempo de pousar o bolo no chão, antes dele a agarrar e a beijar impetuosamente.
- Scorpius, ainda me fazes cair da torre e depois o que seria de ti? – perguntou Rose, sorrindo.
- Iria imediatamente atrás, pois sem ti não valeria a pena viver – respondeu Scorpius, beijando abaixo das orelhas e fazendo-a corar.
- Isso foi…
- Demasiado idiota?
- Não, foi lindo!
- Mas se alguma vez me acusares de o ter dito negarei com todas as forças do meu ser! – retorquiu Scorpius, com um ar gozão de altividade.
- Ei, o bolo não se vai comer sozinho, sabes? – disse Rose, enquanto se libertava dos braços de Scorpius e lhe indicava o pequeno bolo de chocolate com cobertura cor-de-rosa que estava no chão.
-Cor-de-rosa não faz bem o meu estilo, compreendes isso, certo? – comentou Malfoy, com uma sobrancelha erguida. Rose limitou-se a rir e a cortar duas fatias com um gesto da sua varinha.
- Realmente os elfos de Hogwarts são brilhantes!
- Desculpa? Eu é que fiz este bolo! – retorquiu Rose, com as faces coradas.
- Hum, sabes que gosto das minhas miúdas prendadas… - respondeu Scorpius, com um sorrizinho altivo.
- A utilização do plural nessa frase foi puramente inocente, certo? – perguntou Rose, franzindo os olhos perante o loiro que se continuava a encher de bolo.
- Claro, Cenoura, sabes que apenas existem duas mulheres na minha vida… - começou Scorpius – a minha mãe, sem a qual o mundo não poderia usufruir da minha brilhante presença e a minha irmã, que sempre me apoiará mesmo quando lhe matei os peixinhos! – ao que Rose respondeu com um murro no braço deste, deixando-o a olhá-la com um ar ofendido e a esfregar a zona ressentida.
- Não me apetece nada voltar para a sala comum… - disse de repente Scorpius, bocejando longamente, quando tudo o que restava do bolo eram algumas migalhas no prato onde este estivera momentos antes.
- Tu comeste um bolo inteiro… - começou Rose, com um ar de incredulidade.
- Não – interrompeu-a Scorpius – tu comeste uma fatia, logo esse teu ponto não passa de uma falácia.
Rose, reagindo com a maturidade de alguém quase com dezassete anos, limitou-se a mostrar-lhe a sua lingua. Scorpius riu-se e esticando-se, deitou-se sobre as pedras da torre.
- Não, assim acabas por congelar – insurgiu-se Rose, numa voz preocupada, enquanto se esticava para a sua mochila, oculta nas sombras e de onde tirou um largo cobertor.
- Adoro essa tua mala com um feitiço de tamanho extensivel – comentou Scorpius, enquanto se deitava sobre o cobertor, ao lado de Rose e cobria ambos.
- Como sabes isso? – perguntou Rose. Ela tinha a certeza de que nunca comentara tal facto com Scorpius Malfoy. Nem mesmo o seu primo conhecia esse segredinho, admirando-se com a capacidade de Rose de transportar tantos livros numa simples mala.
- Eu observo, minha querida… - respondeu Scorpius, suspirando. Fechou os olhos e enrolou o seu braço em torno dos ombros de Rose. Esta deitou a cabeça sobre o seu peito, apercebendo-se pela primeira vez de quão era musculado.
- Vamos dormir aqui hoje, ok? – murmurou Rose, enquanto brincava com a gola da camisa do rapaz a seu lado.
- Tens algum plano para voltares amanhã sem sermos vistos? Tudo bem que é sábado, mas estás pronta a correr o risco de seres castigada por conduta imprópria com um Slytherin? – Rose podia sentir a reverberação do riso silencioso do dito Slytherin contra a sua bocheca.
- Sabes, Slytherin, eu tenho sempre um plano. A minha querida prima Lily emprestou-se o manto de invisibilidade que o Albus por sua vez lhe tinha emprestado esta semana, tudo, claro, pelo bem da minha vida académica – informou Rose e sentindo a confusão de Scorpius, mesmo sem ter de olhar para ele, apressou-se a explicar – Ela pensa que vou ficar até tarde na biblioteca a estudar, logo, amanhã de manhã, mesmo que apareça mais tarde tenho essa desculpa…
- Ah, sabia que havia um motivo para namorar contigo…
- Idiota!
- Rose, estás a dormir? - perguntou suavemente Scorpius.
- Não, porquê?
- Estás feliz?
- O quê? – perguntou ela, soerguendo-se e apoiando-se num dos cotovelos para lhe poder olhar para a face.
- Se estás feliz… se eu te faço feliz… - gaguejou Scorpius, sentindo como se as palavras tivessem um peso tremendo. E até tinham. Para ele nada mais importava do que a felicidade de Rose.
- Sim, não consigo estar tão feliz como quando estou contigo. Devo ser uma pessoa horrível por dizer isto, tendo em conta a minha família, mas é contigo que quero estar aqui, agora, sempre… - suspirou Rose, baixando os olhos ao sentir as faces a escaldar – Os meus pais… são os melhores pais do mundo, o meu pai nunca está sério, beija a minha mãe nos momentos mais inapropriados e fá-la rir como ninguém, e ela é fantástica, sabe sempre o que fazer para te animar, quer seja uma chávena de chocolate quente ou uma história para adormecer… e mesmo o Hugo, ele é o meu maninho, não há mais nada a dizer, tu compreendes, é como tu e Elise… mas contigo, é como se estivesse completa…
Scorpius passou-lhe uma das mãos por baixo do queixo e empurrou a sua face para cima, sentindo o rubor sob os seus dedos, enquanto lhe acariciava a face.
- Nunca te sintas envergonhada por dizer o que sentes, está bem? Façamos um pacto, de nunca mentir sobre os nossos sentimentos – sugeriu Scorpius.
- Mesmo quando me perguntas se te gosto de ver com aquela blusa azul que acho horrível, mas tu adoras? – perguntou Rose, com um sorriso inocente.
- Vês? Já está a resultar, não com os resultados desejados, mas já é um começo – respondeu Scorpius com um sorriso, deixando-se cair novamente sobre o cobertor e fixando o céu estrelado.
- Hum hum – anuiu Rose, aninhando-se sobre o peito de Scorpius.
- E já agora, a blusa não é horrível.
Rose sorriu e adormeceu em seguida.
