1ª Nota de Autor: Resolvi acrescentar uma pequena nota, antes do capítulo, para evitar quaisquer mal-entendidos.
- A Rose e o Scorpius já namoram há três meses, mas podemos dizer que os seus sentimentos um pelo outro já vêm de há muito tempo atrás
- Segundo o meu ponto de vista, os feiticeiros amadurecem mais rapidamente que os outros adolescentes, afinal, com um grande poder vem uma grande responsabilidade (Obrigada Homem-Aranha por esta frase fantástica!)
Por isso e também pela forma como a história acabou por se desenvolver sozinha, espero que ninguém ache precipitada uma das cenas deste capítulo. A partir daqui a história vai tornar-se mais negra, vão existir outros desafios que vão colocar em causa não apenas a relação dos dois, mas também a confiança entre eles como amigos. Assim, aproveitem este capítulo leve e amoroso!
Surpresas de Aniversário
- Scorpius! – guinchou Rose, ao ser agarrada por trás por dois braços fortes.
- Sim? – retorquiu ele, com uma voz inocente.
Estavam novamente na Torre de Astronomia, iluminados apenas pelo luar que criava estranhas sombras em seu redor.
- Porque é que me pediste para vir aqui? – perguntou Rose, virando-se para o beijar.
- Tenho saudades tuas… - murmurou Scorpius, beijando-a ao de leve, no pescoço.
Rose suspirou e abraçou Scorpius com força, enquanto começava a sentir as lágrimas a percorrerem-lhe a cara.
- Ei ei ei! Que se passa, amor? Rose? Estás bem? Estás doente? Dói-te alguma coisa? – Scorpius tocava ao de leve na face dela, nos braços, no cabelo, tentando achar a razão da sua tristeza.
- N-nada, n-não m-me dó-ói nada! – soluçou Rose, agarrando Scorpius, como se a sua vida dependesse disso.
- Ok, então porque estás a chorar? – perguntou Scorpius, enquanto a voz de Albus lhe ecoava aos ouvidos "As miúdas são doidas!".
- Estou a chorar, porque estou feliz. Isso faz algum sentido? – murmurou Rose, enquanto o olhava fixamente.
A luz da lua deixava-lhe ver o nariz vermelho dela, assim como os olhos marejados de lágrimas, mas nada disso o fez achá-la menos bonita ou menos merecedora dos seus sentimentos.
- Amo-te… - murmurou ele. Desde a primeira vez que o dissera, apenas utilizara aquelas palavras nas cartas que lhe enviava ou nas mensagens no diário. Mas agora, apenas esta lhe fazia sentido dizer.
- Oh Scorpius! – suspirou Rose e beijou-o suavemente. Não um beijo a gritar de desejo, como outros que haviam partilhado, mas de amor, doce e suave.
- Deves pensar que sou uma miúda estúpida e chorona! Aposto que estás desejoso que me vá embora! – murmurou Rose, já sem chorar.
- Agora é que estás a agir como uma miúda estúpida! Nunca mais digas que eu prefiro estar sem ti, ok? – pediu Scorpius, de forma ríspida. Que coisa doida de se dizer, pensou Scorpius, enquanto limpava a face de Rose.
- E agora, depois de toda esta choradeira, que vamos fazer? – perguntou Rose, com um sorriso aberto, que nada indicava que estivera a chorar momentos antes. Scorpius abanou a cabeça com descrença e sorrindo, apontou para trás de si, onde uma vassoura estava encostada às ameias.
- Que tal passarmos a meia-noite na nossa gruta? – sugeriu Scorpius – Afinal, não é todos os dias que se faz 17 anos, não é Rosie fofinha?
- Ugh! – gemeu Rose, com repugnância – Não me voltes a chamar isso. O meu pai costumava usar esse nome horrível quando eu era pequena e vindo de ti é apenas arrepiante!
- Ok, ok – assentiu Scorpius, com as mãos no ar, num gesto de rendição – Seja como a menina dos anos deseja.
- Sabes que só faço anos amanhã, certo? E ainda são só… - Rose consultou o pequeno relógio azul que a mãe lhe dera no Natal passado – onze… Ainda temos uma hora até ao feliz momento! – comentou ela, sarcasticamente.
- Hum, algo me diz que o teu humor vai mudar quando vires a prenda que te comprei… - murmurou Scorpius, ao seu ouvido, fazendo-a arrepiar-se. Depois afastou-se e montando a vassoura, estendeu-lhe uma das mãos, em tom de convite.
Ela olhou duvidosa para o meio de transporte, com receio, não de voar, mas de ser um peso excessivo para o pobre cabo de madeira.
- Não te preocupes com a resistência – assegurou-a Scorpius, lendo-lhe os pensamentos – Tratei dela para que nos aguentasse a ambos…
- Trataste? – perguntou Rose, erguendo uma sobrancelha.
- Pronto, pedi ajuda ao professor Flitwick, mas o que conta é a intenção - e brindou-a com um sorriso aberto e brilhante que fez com que Rose ficasse sem fôlego.
Ao recuperar do estado de deslumbre, abanou a cabeça como um cão a livrar-se de água e apressou-se a sentar-se atrás de Scorpius, com as mãos a rodearem-lhe imediatamente a cintura.
Levantaram voo e puderam observar por momentos a quietude dos campos, antes de Scorpius acelerar e a vassoura se dirigir para perto do lago, tão rápido que era impossível a Rose vislumbrar algo mais do que meras sombras e borrões.
Ao chegarem ao local pretendido, Scorpius parou a vassoura suavemente e saltou imediatamente para a relva, com Rose atrás de si. Esta estendeu-lhe a mão, que ele se apressou a agarrar: era tão raro puderem andar de mãos dadas que aproveitavam qualquer momento possível.
- Lumos! – murmurou Rose, com receio de tropeçar em algo, apesar de ter feito aquele caminho dezenas de vezes. No entanto, ao aproximar-se da entrada da gruta, notou algo de diferente. O local estava sempre em silêncio quando se encontravam de noite, ela e Scorpius, ali, porém, naquele momento, podia ouvir um gemido fraco e algo a mover-se suavemente nas sombras da gruta. Olhou para trás, com receio, para Scorpius, mas este limitou-se a fazer-lhe um gesto com a cabeça para seguir em frente e não querendo dar parte de fraca, foi isso mesmo que fez.
Ao pisar o chão da gruta, sem mesmo ter tempo para se habituar ao novo ambiente, algo peludo tocou-lhe nas pernas e Rose saltou para o colo de Scorpius com um grito estridente. Este desatou a rir à gargalhada e sem a soltar dos seus braços, onde a segurou estilo noiva, acendeu a ponta da varinha e apontou para a causa de tanto alarido.
- Oh meu Dumbledore! – murmurou Rose, saltando imediatamente dos braços de Scorpius e ajoelhando-se no chão. Tratava-se de um minúsculo gato, cujo pêlo se assemelhava estranhamente à cor de cabelo de Rose, mas cujos olhos, vistos de perto era iguaizinhos aos de Scorpius. Ela inspirou fundo e agarrando a pequena bola de pêlo, apertou-a contra o peito, onde este ficou enroscado, a ronronar.
- Scorpius… - murmurou Rose, levantando-se e olhando para Scorpius – É… é…
- Não gostaste? – interrompeu Scorpius apressadamente – Posso dar-te outra coisa se quiseres…. Podemos devolvê-lo e…
- Nem penses! – interrompeu bruscamente Rose – Não vais devolver o Winter!
- Winter?
- Claro, ele tem de ter um nome e qual o melhor nome do que a nossa estação favorita? Para além de que, cada vez que olhar para ele, posso ver os teus olhos…
- E não te esqueças do teu cabelo… - acrescentou Scorpius, com um sorriso.
Scorpius escapara-se para Hogmseade com o auxílio do mapa dos Salteadores e ao passar pela loja de animais da aldeia, viu um pequeno animal devolver-lhe o olhar com tal intensidade que esteve quase cinco minutos num duelo de olhares, até se lembrar da figura rídicula que deveria estar a fazer e entrar na loja para comprar tal adversário. O pêlo lembrara-lhe imediatamente a tonalidade do cabelo de Rose, com laivos castanhos e ruivos e os olhos eram da mesma tonalidade que os seus próprios e achando que Rose acharia a fusão bastante apropriada nem tentou ver qualquer outro animal. O pior tinha sido o transporte, tivera de enfeitiçar o bichano para este não emitir qualquer som e a sua própria mala para expandir o seu tamanho de forma camuflada e assim não ser visto a andar por Hogwarts com o futuro gato de Rose. A primeira noite o gato dormira no seu dormitório, mas ao acordar às três da manhã com este a brincar com uma meia de Xavier achou melhor levá-lo para a gruta imediatamente, onde passou a se dirigir inúmeras vezes por dia para cuidar deste.
- Realmente é uma combinação perfeita – comentou Rose, fazendo sons amorosos em relação ao animal adormecido nos seus braços.
Scorpius aproximou-se dela por trás e rodeou-lhe o tronco com os braços, apoiando o queixo sobre o seu ombro.
- Sabes, as surpresas não ficam por aqui… - e fazendo-a girar no mesmo sítio, mostrou-lhe o que parecia ser um banquete digno das melhores festas de Hogwarts. Tudo desde tarte de morango, inúmeras taças com doces, marshmallows e jarros de chocolate quente com creme de baunilha, a bebida favorita de Rose, pareciam convidá-los com os seus aromas tentadores.
- Isto coloca o teu pequeno bolo a um canto – suspirou Rose e Scorpius notou uma nota de pena na sua voz.
- Ei, eu adorei o que fizeste por mim e não o trocaria por nada, ok? – disse Scorpius, com um sorriso. Rose sorriu-lhe também e colocando o gato num pequeno cesto, correu para agarrar uma caneca de chocolate quente.
- Esta tem sido uma das melhores noites da minha vida – murmurou Rose, contra a boca de Scorpius, que sabia a chocolate e morangos. Este mordeu-lhe ao de leve o lábio e aproximando-a mais de si, cortou-lhe o resto da frase, fazendo-a gemer.
Antes que se pudessem aperceber, as suas roupas estavam espalhadas no chão e eles abraçavam-se e beijavam-se desenfreadamente, arrepiando-se ao sentir o toque de pele contra pele, enquanto rolavam sobre os mantos depojados no chão. Scorpius puxou de um cobertor, escondido num canto e empurrou Rose contra este. Ela afastou a sua boca do corpo dele, puxou-o atrás de si e ambos cairam sobre a superficie fofa de lã. Ambos riram e ao sentirem a vibração dos seus corpos juntos souberam que não conseguiriam esperar mais.
- Rose… - murmurou Scorpius, olhando-a fixamente e tudo nela lhe gritava de que estava pronta – não te esqueças do feitiço…
Ela corou, mas pegando na varinha, apressou-se a realizar o feitiço anticonceptivo, sem quedar o olhar de Scorpius. Quando esta posou a varinha, ele beijou-a novamente e libertou-se de qualquer receio ou pensamento que fosse exterior àquela bolha de prazer onde estava envolvido com Rose. Apenas os murmurios dela, dizendo o seu nome e os dele, respondendo na mesma voz sem fôlego conseguiam penetrar no cérebro de Scorpius; era como se estivesse ficado surdo para tudo o resto com excepção da voz de Rose, para qualquer sensação que não o corpo dela sob o dele, para tudo o que não soubesse aos lábios dela ou cheirasse aos seus cabelos.
A primeira luz da madrugada encontrou Scorpius e Rose adormecidos, enrolados no cobertor e abraçados. Winter cheirava algum do chocolate que ficara por comer e miava para despertar a dona. Aproximando-se do casal adormecido, começou a empurrar os dedos de Scorpius, depois pulou para o seu peito e começou a lamber-lhe a cara, este afastou-o com um gesto ausente e enterrou a face no cabelo de Rose. Não se dando por vencido, Winter aproximou-se da dona e começou por sua vez a lamber-lhe o nariz. A língua áspera do gato começou a puxar Rose das profundezas do sono e abrindo os olhos de repente e deparando-se com a face do animal tão perto, deu um grito. Scorpius sentou-se, imediatamente e agarrou a varinha, à espera de lutar com um qualquer inimigo, mas ao deparar-se com a cena em frente de si: Winter com o focinho e os bigodes cobertos de chocolate e Rose a olhá-lo reprovadoramente e com o nariz sujo de chocolate, desatou a rir à gargalhada. O olhar desta passou do gato para Scorpius e ao ver a cara deste também coberta de chocolate, não conseguiu manter o olhar austero e desatou a rir. Isto é, até que o seu olhar recaiu no peito nu de Scorpius e lembrando-se do que se passara na noite anterior, corou violentamente. Mordendo o lábio e sem conseguir desviar o olhor do corpo de Scorpius, Rose aproximou-se dele e beijou-o, primeiro suavemente e depois apaixonadamente. Este enrolou as mãos em torno do seu cabelo e ambos voltaram a cair sobre o cobertor. No entanto, os miados continuados de Winter fizeram-nos afastarem-se um do outro, apenas o bastante para se aperceberem de que já era dia, o que fez com que reagissem como se tivessem sido electrocutados. Pularam simultaneamente, agarrando roupa atabalhoadamente e vestindo a que lhes pertencia e atirando a restante na direcção do outro. Ao estarem totalmente vestidos, olharam um para o outro e desataram às gargalhada. Rose usava a gravata dos Slytherin e Scorpius a dos Gryffindor, os seus mantos estavam ao contrário e sabe-se lá como haviam conseguido sujar os cabelos com chocolate. Limpando as lágrimas que haviam brotado dos seus olhos, de tanto rir, Rose apontou a sua varinha ao cabelo de Scorpius e limpou-o de todo o chocolate que o cobria, repetindo o processo, depois, em si mesma. Apressava-se a tirar a gravata, quando sentiu as mãos de Scorpius a puxarem-lhe o manto pela cabeça.
- Scorp… - murmurou ela – Não podemos…
- Hey, não comeces com ideias, só tentava facilitar-te a tarefa – retorquiu ele, num tom sarcastico que fez Rose bufar de impaciência e dar-lhe um leve encontrão.
Quando ambos já estavam apresentáveis, Scorpius agarrou Winter e colocou-o nos braços de Rose, demorando mais tempo com as mãos perto do seu peito do que seria necessário.
- Devias ir primeiro… afinal, nós não passámos a noite juntos – murmurou Scorpius, ao ouvido de Rose, fazendo-a arrepiar-se.
Dando-lhe um leve beijo de despedida, ela apressou-se a sair da gruta e encaminhou-se para o castelo. Scorpius ficou a vê-la a afaster-se, sentindo um nó na garganta que sempre aparecia cada vez que tinha de se afastar de Rose.
- Bom dia! – exclamou Rose, alegremente, quando Albus, Lily e Hugo se sentaram à sua frente na mesa.
- Parabéns! – exclamaram os três em coro, sorrindo a Rose e esperando que esta os mandasse sossegar, no entanto, ela brindou-os com um largo sorriso.
- Olhem o que me vieram trazer hoje de manhã! – e puxou Winter do seu colo para o colocar debaixo do nariz de Albus.
- Esse animal não é um pouco pesado demais para uma coruja? – perguntou Albus, afagando Winter, até que este o tentou morder e o ficou a olhar reprovadoramente.
- Claro que é – retorquiu Rose, puxando-o para o seu colo, para evitar que Albus ficasse todo esgatanhado – A loja de animais tem um serviço de entregas ao domicilio, normalmente não costumam vir até Hogwarts, mas quando eu lhes disse de quem era filha…
- Rose Dora Weasley! A usar a fama dos papás para obter algo em proveito próprio! – exclamou James, por detrás de Rose, fingindo-se chocado – Eu sabia que havia uma razão para seres minha prima…
- Para além do meu pai ser irmão da tua mãe? – retorquiu Rose, rindo.
- Estás muito bem disposta – comentou Hugo, olhando-a desconfiado. A irmã era conhecida por ser uma pessoa anti-acordar cedo, aliás, toda a equipa dos Gryffindor conhecia os seus resmungos de cor.
- Ora, querido maninho, o dia está fantástico, faço anos, ainda que o James não tenha tido a decência de me dar os parabéns e tenho finalmente um animal que não deixarei morrer… - respondeu Rose, rindo e corando ao mesmo tempo, a verdade é que diversas imagens da noite passada lhe haviam passado pela mente, sendo a verdadeira razão de tão boa disposição.
- Ah, mas a minha supresa e do Fred, que se deixou dormir outra vez, mesmo tendo levado com um copo de água em cima, será melhor que qualquer felicitação verbal! – congratolou-se James, inchando o peito de orgulho.
A testa de Rose enrugou-se, observando o primo que se afastava num passo gingão.
- Algo me diz que até ao final do dia vou matar o James e o Fred – comentou Rose, servindo-se de uma caneca de chocolate quente.
- Weasley, não sabes que o chocolate engorda? – comentou uma voz escarninha, por detrás do seu ombro.
- Malfoy, nem mesmo tu me podes aborrecer hoje – retorquiu Rose, com um enorme sorriso.
- Hum… será que finalmente algum feiticeiro foi capaz de domar esta fera? – perguntou Scorpius, com um sorriso arrogante.
- Não, Malfoy, estás como sempre errado – respondeu Rose – Não preciso de ser domada, não sou nenhum animal…
- Não foi isso que pareceu ontem à noite – murmurou ele, quando se baixou fingindo atar os sapatos. Rose corou violentamente e apressou-se a deixar cair o garfo de propósito para mergulhar sob a mesa. Ao agarrar o talher deu um forte espenicão na perna de Scorpius e ouviu-o gemer de dor, algures acima de si.
- Que aconteceu? – perguntou Albus, que entretanto se embrenhara numa conversa com Lily e Hugo sobre a nova viagem da mãe enquanto correspondente desportiva da revista Quidditch Hoje.
- Nada – apressou-se Scorpius a dizer, sob o sorriso altivo de Rose.
Albus levantou-se da mesa e despedindo-se dos restantes, saiu do salão. Scorpius seguiu-o até chegar à mesa dos Slytherin, onde se sentou junto dos restantes companheiros, sob o olhar atento de uma Slytherin do quinto ano que lhe passara totalmente despercebida. Rose, porém, reparara na forma como os olhos da rapariga seguiam cada gesto de Scorpius e sentiu uma fúria irracional a crescer dentro de si.
- Rose! Rose! – a voz de Hugo vinha de muito longe, enquanto Rose observava toda a cena e só quando se apercebeu que o irmão a chamava é que se virou.
- Que achas? – perguntou ele, olhando-a.
- Acho bem – respondeu Rose, esperando que o irmão não tivesse sugerido seguir as tendências capilares de Teddy e decidido usar o cabelo azul eléctrico.
- Óptimo, então dou-te o teu presente logo à noite. Se a coruja não se tivesse atrasado até o recebias agora, mas assim…
- Claro, os presentes… - murmurou Rose. A verdade é que viera directamente da gruta para o salão, sem se lembrar que provavelmente, aos pés da sua cama se encontrava um pequeno montes de presentes da sua família. Pegando em Winter e levantando-se, correu em direcção ao dormitório, para ter tempo, antes da sua primeira aula de ver o que recebera. Como normal para uma feiticeira com dezassete anos recebera uma mola de cabelo de prata, com pequenas violetas incrustadas, que conseguia domar e prender até mesmo a sua juba, vindo dos seus pais; um lenço de seda e luvas de pele da tia Fleur e do tio Bill; um livro, por estranho que pareça de Goerge e Angelina " Como quebrares as regras sem seres apanhado em dez lições", claro, só mesmo o tio George para se lembrar de algo como aquilo; um medalhão de prata que apenas o seu proprietário poderia abrir da tia Ginny e do tio Harry; um casaco de pele de dragão de Charlie, que se recusava a ser tratado por tio; um manto novo de cerimónia de Percy, que diga-se de passagem era lindo, "Tenho de agradecer à tia Audrey!", pensou Rose; um livro dos seus avós maternos: Jane Eyre e a tradicional camisola Weasley cor-de-pérola dos avós paternos.
Deixando Winter enroscado ao fundo da sua cama, Rose apressou-se a descer a torre dos Gryffindor até à sua primeira aula, onde deixou que a sua mente vagueasse sem rumo de volta à noite passada. Quase podia sentir novamente o chocolate nos lábios de Scorpius e a forma como ele a abraçara.
- Rose! – exclamou, de repente Albus, quebrando a sua teia de devaneios – Já tocou, estás a pensar em ficar aqui o dia todo?
Ela olhou em redor e viu que a sala estava deserta, nem se conseguia lembrar de que aula era suposto ter assistido nem qual seria a seguinte.
- Vá lá, o professor Gillion vai ficar chateado se chegarmos atrasados – apressou-a Albus, empurrando-a para fora da sala.
"Certo, Gillion, defesa contra as artes das trevas e… oh, o Scorpius está nessa aula! Pára Rose, concentra-te, respira fundo e pensa racionalmente!"
Rose apressou-se a seguir Albus, com a mente focada em manter a concentração durante a aula e não ligar a um Slytherin lindo e maravilhoso e… Pára Rose!
Scorpius já se encontrava na sua mesa habitual, ao lado de Zabini e Albus e Rose encaminharam-se para a que se situava atrás dele. Os dois Slytherin conversavam, embora pela expressão de Scorpius, a conversa não lhe agradasse nada.
- Vá lá, meu, onde é que passaste a noite? Pelo menos diz quem era a miúda, não preciso de saber os pormenores sórdidos… - pedia Zabini, na sua voz grossa, tentando falar o mais baixo possível, mas ainda assim, sendo ouvido por Albus e Rose, esta última tentando evitar corar.
Scorpius bufou impacientemente e retorquindo que ficara a estudar até tarde e se deixara dormir na sala comum, virou a cabeça em direcção ao professor, ignorando o amigo durante o resto da aula.
Ao chegar à biblioteca após a aula para algum tempo de estudo, Rose tirou o seu diário para fora e começou a escrever uma mensagem para Scorpius, modéstia à parte, aquele ideia tinha sido deveras brilhante.
O Zabini estava muito curioso…
Sabes como é, sou sempre um tipo com muitas conquistas, ele tem de se manter a par para não andarmos com a mesma…
Algo me diz que desta vez não têm esse problema
Realmente, pareces muito bem informada…
Hum hum, sabes como é Hogwarts, não existem segredos
Pois pela saúde de todas as minhas partes anatómicas, principalmente aquelas que tu mais gostas, espero que isso não seja verdade, caso contrário o teu primo e o teu irmão vão entrar biblioteca adentro armados com uma raiva assassina
Não te preocupes com eles, o meu pai, esse sim, é capaz de te matar, literalmente…
Obrigado, babe, agora sinto-me tão mais tranquilo… Já agora, tens uma mancha de tinta na bochecha
E tu devias estar a estudar em vez de estares a olhar para mim
Sabes, a hipócrisia não te fica bem
Amor, enquanto estive a falar contigo consegui acabar o trabalho de casa de poções
Pois, mas nem todos temos os teus miolos, já agora podias vir ajudar-me…
Estás a uma mesa de distância da secção de Poções!
Eu não estava a falar de Poções,… algo mais físico
Rose sentiu-se corar e fechando o diário, deitou um olhar altivo a Scorpius, que lhe sorriu de forma inocente, se se pode chamar inocente a algo relacionado com o Scorpius Malfoy.
De repente, ouviu-se um pop e em toda a biblioteca começou a ouvir-se inúmeras vozes a cantarem os parabéns, vozes horrivelmente conhecidas de Rose: James, Fred, Hugo, Teddy e Louis, apesar destes dois últimos terem abandonado Hogwarts há muito tempo, cantavam a plenos pulmões. Rose sentiu as suas bochechas ruborizarem e agarrando nas suas coisas, correu para fora da biblioteca, no entanto, as vozes continuavam a segui-la, ainda que em tons mais baixos. Ao dobrar uma esquina, deparou-se com Albus, que se ria a bandeiras despregadas ao ver a sua cara.
- Como é que eu os calo? – guinchou Rose, desesperada.
- Não sei, eu não tive a nada a ver com isso, vais ter de perguntar aos outros – retorquiu Albus, sorrindo perante o seu ar desalentado. A música começava mesmo a irritar-lhe os nervos.
- Rose, querida, não estejas chateada – ouviu-se uma voz atrás de si, e virando-se viu que se tratava de James, encostado a uma parede de forma indolente.
- Se não os calares já… - começou Rose.
- Fazes o quê? Castigas-me? E ao Teddy e ao Louis? Vais atrás deles? – interrompeu-a James, sorrindo abertamente.
- Não, claro que não – retorquiu simplesmente Rose – Mas ainda não agradeci à tia Ginny o meu presente e que óptima oportunidade para lhe dizer da tua surpresa…
Rose viu com satisfação o sorriso de James congelar durante um segundo e depois desaparecer da sua cara. Ele conheci-a demasiado bem para saber que nenhuma das suas ameaças eram vãs e deitando-lhe a língua de fora, tirou a varinha do bolso e murmurou algo indiscernível a Rose.
- Obrigada, priminho. Tive muito gosto em conversar contigo – disse Rose, dando-lhe uma palmadinha paternalista no ombro e afastando-se com uma gargalhada.
Ao regressar à biblioteca, viu que Scorpius se mudara para a sua mesa e ao vê-la entrar um grande sorriso dominou-lhe a expressão facial.
- Já sem banda sonora? Achei aquela música deveras interessante – comentou Scorpius, quando Rose se sentou à sua frente. Esta deitou-lhe a língua de fora e enfiou o nariz no livro de Transfiguração, mas não por muito tempo. Do nada, sentiu algo a subir-lhe pela perna e só segundo depois se apercebeu que era o pé de Scorpius. Rose humedeceu os lábios e olhou-o reprovadoramente, enquanto tentava controlar o impulso de se atirar para o colo dele. Afastando o pé dele com o seu, no entanto, só conseguiu piorar a situação, pois sem saber como, viu-se no meio de uma batalha silenciosa, mas árdua de pés. E foi assim, ofegantes e com um ar de desafio, que Albus os encontrou meia hora depois. Ele olhou-os desconfiado, mas perante o olhar ameaçador de Rose, que ainda não se esquecera da sua reação à partida de James, não se atreveu a comentar.
