Pais

Rose sabia que Scorpius não a enganara, pelo menos não de livre vontade e baseando-se no que este lhe contara, chegara à conclusão que Anita produzira uma poção ilegal. Mas, qual seria a intenção dela? Seria óbvio que Scorpius não se apaixonaria por ela com aquela poção... Estaria ela desconfiada de que este pudesse ter uma namorada secreta e queria assim minar esse relacionamento? Sim, isso fazia sentido, mas então, deixava Rose com uma margem de manobra muito pequena para desmascarar aquela cabra. Poderia ter sido apenas uma poção desta vez, mas se alguém se lembrava de fazer algo do género para destruir uma relação, até que ponto poderia ela ir para ficar com Scorpius? E não era a possibilidade de sucesso dela que fazia Rose recear, mas sim os danos colaterais que podiam advir de tais maquinações. Uma poção de amor, uma tentativa de salvamento... tudo isso podia figurar num plano e acabar muito mal, com a poção a tornar-se um veneno ou o salvamento a terminar em tragédia... Não poderia ser ela a queixar-se, pois ela não fora directamente prejudicada, por isso, teria de ser Scorpius a resolver esse assunto com o professor Gillion, o seu chefe de equipa, e teria de o fazer o mais rapidamente possivel...

- Scorpius! - exclamou Rose, ao esbarrar no rapaz. Vinha a sair da biblioteca, onde estivera durante toda a manhã de domingo a pensar no que deveria fazer a seguir.

- Bom dia, vinha mesmo procurar-te. Fui chamado ao gabinete da directora, provavelmente por causa da minha aventura alcóolica... - murmurou Scorpius, enquanto ambos se encaminhavam em direcção ao gabinete de McGonagall.

- Bem, não há muito por onde possas escapar - retorquiu Rose, pensativa - Sempre podes dizer que estavas sobre uma grande pressão ou que a tua namorada te deu com os pés ou... - e então, uma ideia brilhante surgiu-lhe na mente - Oh! Já sei! - exclamou Rose, vivamente.

- Vais tomar poção polisuco e tomar o meu castigo por mim... - sugeriu Scorpius, com um sorriso.

- Claro que não, isso demorava um mês a ser feito...

- Estava a brincar, Rose - retorquiu Scorpius, exasperado.

Rose fez um gesto com a mão para ele se calar e contou-lhe, num múrmurio excitado, o seu plano.

- Sabes, até é capaz de resultar... - anuiu Scorpiu, pensativo, quando ela se calou.

Continuaram em direcção ao gabinete de McGonagall, até uma voz os chamar. Viraram-se ambos e depararam com Albus a correr para os apanhar.

- Que fazem os dois juntos por estes lados? - perguntou ele, quando parou, juntos aos amigos, em frente à gárgula que guardava a passagem do gabinete da directora.

- Esbarrei no Malfoy quando ele andava à tua procura e visto teres sido o culpado da alhada de ontem, ALBUS SEVERUS POTTER, PODES EXPLICAR-ME O QUE TE PASSOU PELA CABEÇA PARA FAZERES UMA COISA DESTAS? ELE PODIA TER MORRIDO E TU PODIAS TER-TE MAGOADO A SÉRIO!

- Lá vem ela com a cena do nome todo - resmungou para si e continuando - Mas eu não estava bêbedo... - tentou defender-se Al, mas Rose estava imparável.

- AINDA PIOR! DEVIAS TER SIDO RESPONSÁVEL!

De repente a gárgula moveu-se e uma feiticeira de cabelo preto manchado de madeixas prateadas surgiu por detrás desta.

- Miss Weasley, agradeço muito a tentativa de tentar repreender o seu primo, mas isso é um trabalho que cabe às pessoas de direito, que estão à espera no meu gabinete - afirmou a professora McGonagall, num tom cortante. Rose corou e baixou os olhos para o chão, não lhe escapando o sorrisinho que Albus fez e aparentemente à directora também não.

- Mr. Potter, se fosse a si, não aparecia à frente do seu pai com esse sorriso idiota.

- O meu pai esta aí? Oh Merlin, se a minha mãe sabe estou morto! - resmungou ele, já sem qualquer traço de boa disposição.

Scorpius debatia-se com problemas idênticos, "Pelo menos Al não se embebedara", pensava ele, sorumbaticamente, imaginando a reacção dos pais ao receberem as noticias.

A directora fez-lhe um gesto para a seguirem e Rose viu os dois rapazes desaparecerem pela escadas em caracol.

Quando a porta do gabinete se abriu, Al e Scorpius depararam-se com cinco pessoas, sentadas em diferentes cadeiras, a olharem para eles. McGonagall apressou-se a sentar-se atrás da sua enorme secretária, enquanto os rapazes, envergonhados e receosos, ficaram parados à porta, a olhar para todos os lados menos os olhos dos adultos.

- Albus Severus Potter, se a tua mãe estivesse no país, neste momento estarias em muito piores lençóis do que estás - afirmou Harry, ao ver o filho suspirar de alívio e adivinhando o porquê.

- Estúpido nome - resmungou Al, novamente, fazendo Harry erguer as sobrancelhas e o rapaz calar-se imediatamente.

- Scorpius, o que é que te passou pela cabeca? - a voz da mãe fê-lo olhar para cima, mas ao sentir o seu olhar desiludido, apressou-se a observar os sapatos.

- A culpa foi toda minha, o Al não tem nada a ver com isto. Ele tentou parar-me e... - começou Scorpius, mas foi interrompido pelo amigo.

- Não, a ideia de irmos ao Cabeça de Javali beber foi minha!

- Sim, mas tu bebeste uma cerveja de manteiga e tentaste fazer-me parar...

- Mas deixei-te sozinho quando sabia que não estavas em condições...

- Mas fui eu que decidi ir até ao penhasco...

- E eu já te disse que...

- CALEM-SE! - rugiu a directora, interrompendo a discussão dos dois rapazes - Mr. Potter, pode explicar-nos qual a razão que o fez ter essa ideia estapafurdia?

Al olhou para a directora e sabendo que não podia divulgar a verdadeira razão, caso contrário, o seu tio Ron ficaria a saber das suas desconfianças e teria provavelmente um AVC, tentou criar uma história que fosse minimamente verosímel.

- Desde o dia do jogo de Quidditch que o Scorpius tem andado deprimido, ele não me queria dizer porquê - Al apercebeu-se de que a pose rígida do amigo diminuíra e tomando isso como um apoio, continuou - eu via que ele estava totalmente alheado do que se passava, então, depois de ter recorrido a tudo o que me lembrei para o fazer falar, tive de desistir e dar aquele passo, que sei que foi estúpido e imaturo, mas eu queria ajudar um amigo...

Ele arriscou a olhar para cima e viu que o professor Longbottom o olhava com orgulho e que o olhar triste do pai tinha desaparecido e sentiu-se um pouco melhor.

- Scorpius, isto é verdade? Estavas deprimido? - inquiriu o pai, numa voz preocupada.

O rapaz anuiu e lembrando-se de tudo o que Rose lhe dissera e agradecendo aos céus pela capacidade de invenção de Albus, começou a falar.

- Depois do jogo acabar, uma rapariga do quinto ano deu-me um cálice para beber e disse-me que era água. Quando saí do estádio, deparei-me com uma rapariga a correr na minha direcção... - Scorpius sentia os olhares de todos postos em si. E sabendo que Al iria perceber tudo, respirou fundo e continuou - a minha namorada...

Ao olhar para cima viu a expressão curiosa da mãe e algo que se parecia com orgulho nos olhos do pai.

- O pai dela não a deixa namorar, por isso temos andado às escondidas. Então, quando a vi a correr na minha direcção e quando ela me beijou - Scorpius corou profundamente ao divulgar essas informações no meio dos professores - fiquei surpreendido. Mas algo não estava bem, por isso quando me afastei e olhei em redor vi-a, ao longe, a correr para o castelo...

- O quê? - interrompeu Gillion - Mas disseste que ela estava contigo...

- Sim e foi isso que originou tudo isto. A rapariga que me abraçou não era ela. Ora, o que eu posso concluir é que a amiga desta me deu um cálice com uma poção de ilusão, para...

- Conseguirem acabar com a tua relação? - completou Astoria, numa voz horrorizada - Quem, em nome de Merlin, pensam estas miúdas que são?

- E foi por isso que passei a semana neste estado - e ao ver os olhares confusos dos outros, concluiu - Ela acabou comigo...

Scorpius quase podia ouvir o clic na mente de Al e pelo seu sorrisinho sabia que iria ter de aturar muita coisa.

A expressão da sua mãe estava triste e a do seu pai furiosa. Os professores entreolhavam-se, como que comunicando silenciosamente e o pai de Al olhava para o sorriso do filho como se ele fosse doido.

- Directora! Exijo que essas raparigas sejam trazidas aqui! - exclamou Draco, com um tom de finalidade - A darem poções que nem sequer sabem se foram bem feitas! Podiam tê-lo envenenado!

- Concordo plenamente, Mr. Malfoy. Scorpius, quem foram as raparigas? - perguntou McGonagall.

- Anita Elliot e Ruth Oliver - disse prontamente Scorpius, imaginando o ar de felicidade de Rose, ao saber que as raparigas iam ter o que mereciam.

- Tens a certeza? Não queremos acusar pessoas inocentes - disse Gillion, pelo que Al foi em auxilio do amigo.

- Eu vi a Oliver a dar-lhe o cálice!

- Al, tens a certeza de que é verdade e não estás apenas a defender um amigo? - perguntou, seriamente, Harry.

O filho anuiu. Aquela parte da história era realmente verdade. Al reparara que a rapariga seguira Scorpius desde o momento em que ele saíra do campo, com um cálice, o que achara deveras estranho, mas não o suficiente para alertar o amigo; tomara-a como uma das inúmeras fãs de Malfoy.

- Albert, pode ir buscar essas alunas? - pediu a professora, dirigindo-se a Gillion. Este anuiu e saiu do gabinete rapidamente.

- Filho, quem é essa rapariga com quem namoravas? - perguntou-lhe a mãe e Scorpius viu pelo canto do olho que Al usava uma expressão presunçosa.

- Mãe, não te posso dizer. É segredo... Para além disso, agora também já não vale de nada - Scorpius fingiu um suspiro de tristeza e Al olhou-o, desconfiado.

Diversos minutos de silêncio constrangedor imperaram no gabinete, até que ouviram a escada em caracol ganhar vida e alguns momentos depois, Gillion aparecia com Anita e Ruth. Estas tinham um ar confuso e um pouco amedrontado, o que levou toda a gente a concluir que o chefe de equipa não lhes dissera nada. As raparigas olharam em redor e ao verem Scorpius no gabinete coraram profundamente, mas ao continuarem a vistoria aperceberam-se da presença dos adultos e toda a cor desapareceu da face delas.

- Miss Elliot e Miss Oliver, foram aqui chamadas devido a um caso de extrema gravidade! - exclamou a directora, num tom grave. As raparigas entreolharam-se, amedrontadas - É verdade que deram a Mr. Malfoy uma poção ilegal em Hogwarts? Uma poção que, segundo ele, o fez ver uma outra pessoa em vez de Miss Elliot?

Anita e Ruth abriram a boca, mas nenhum som saiu. Pareciam estar rapidamente à procura de uma explicação, mas sem qualquer sucesso aparente.

- Vamos! Expliquem-se rapidamente, já que pelos vistos essa desconfiança é fundamentada! - exigiu o professor Gillion, num tom ríspido.

- Foi culpa da Anita! - acusou subitamente Ruth - Ela estava apanhada pelo Scorpius desde o ínicio do ano...

- Cala-te, sua idiota! - rosnou Anita.

- Não, Miss Oliver, por favor continue! - pediu Draco Malfoy, numa voz educada, mas simultaneamente feroz.

- A Anita queria o Scorpius e quando viu que as tentativas de passar tempo com ele não estavam a funcionar, chegámos à conclusão de que ele deveria ter uma namorada secreta. Então, ela decidiu fazer uma poção que fizesse com que a rapariga acabasse com ele, uma poção que o fizesse ver a namorada em vez da Anita. No final do jogo eu dei-lhe a poção e ela fez o resto. Pensámos que estando todos os Slytherins ali, a tal rapariga acabaria por vê-los juntos e mesmo se não pertencesse à equipa toda a gente iria saber ao fim de quinze minutos...

- Mas para tal poção são necessários diversos ingredientes que não estão no armário dos alunos... - começou o professor Longbottom - o que me leva a concluir que as meninas não só produziram uma poção ilegal, como o fizeram recorrendo ao roubo!

Al apanhou parte da expressão do pai e ficou surpreendido ao vê-lo corar ligeiramente.

- E isso é algo que não admito na minha equipa! Nunca me senti tão decepcionado convosco! E se tivesse corrido mal e produzissem um veneno? Teriam na vossa consciência a morte de um colega! - a voz de Gillion ia aumentando a cada palavra, até este finalmente se conseguir controlar. Draco e Astoria empalideceram, Harry usava uma expressão dura e até os quadros as olhavam de forma reprovadora.

- Lamento imenso... - murmuraram ambas, com as cabeças baixas.

- Oh sim, vão lamentar imenso! Para já serão retirados 50 pontos por cada aos Slytherin, os vossos pais serão cá chamados e serão realizadas dentenções apropriadas ao vosso crime - asseverou a directora.

Gillion conduziu as raparigas de regresso à sala comum, enquanto Scorpius se aproximava dos pais e Al do pai e do chefe de equipa.

- Albus, apesar das boas intenções, o que fizeste foi errado, poderiam ter-se magoado a sério - proferiu Harry, observando o filho fixamente.

- Sim, apesar do que descobrimos, vocês terão um castigo adequado! - exclamou o professor de Herbologia.

- Sinceramente, Al. Pensei que tivesses mais juizo do que tentares embebedar o teu amigo para ele te contar os seus segredos... - disse o pai e Albus teve uma enorme vontade de lhe dizer que só queria embebedar Scorpius para que ele e Rose fizessem as pazes, mas mordendo a língua, anuiu.

- Espero que da próxima vez penses melhor antes de arranjares um esquema maluco destes, ok?

- Harry! - exclamou Neville, subitamente - Os teus filhos não precisam de nenhum incentivo para fazerem esquemas e se bem me lembro, os teus também não eram sempre à prova de feitiço...

Harry tossiu para aclarar a garganta, enquanto o filho ria do seu embaraço.

- Scorpius, estás bem? - perguntou Astoria, preocupada, quando o filho se lhes juntou. Este anuiu, simplesmente. Mas, insatisfeito com a resposta, Draco pressionou-o.

- Scorpius, o que se passou foi grave. Não só o que aquelas duas malucas fizeram - Astoria e Scorpius riram - mas o que tu fizeste. Andares assim, bêbedo, pelas ruas... Educámos-te melhor do que isto, a nossa familia, depois de tantos... erros no passado, tem de se comportar de forma imaculada... Não que eu queira que sejas um santo, mas tens de ter cuidado contigo. Imaginas o que nos faria se te tivesses magoado a sério? Como a tua irmã reagiria? - a voz do pai não estava zangada, mas sim preocupada e triste.

- O teu pai não quer dizer que quando fazes algo deves pensar simplesmente no que a familia poderá pensar... Mas sim que tenhas cuidado, és o nosso tesouro...

- Mãe! - exclamou Scorpius, envergonhado.

Draco sorriu e adquirindo uma expressão travessa, deu-lhe uma cotovelada e murmurou:

- Com que então uma miúda? Como é?

Scorpius arrastou os pés, no chão, sem sair do lugar, tentando arranjar uma resposta.

- Draco! Não vês que estás a envergonhar o teu filho! - admoestou Astoria.

- Querida, foste tu que acabaste de chamar "meu tesouro" a um rapaz de dezassete anos. E para além disso, ele tem a quem sair, o pai também era cobiçado por todas! - disse Mr. Malfoy, pomposamente.

- Sim e acabaste por escolher aquela troll da Parkinson, grande escolha, realmente! - rosnou Astoria, com uma expressão amuada.

- Astoria, mas a prova de que tenho um extremamente bom gosto está à nossa frente... - afirmou Draco - E já agora, não precisas de ficar com ciúmes, não existe pessoa mais diferente dela que tu. E isso é maravilhoso!

- Arranjem um quarto! - pediu Scorpius, sentindo-se enjoado, ao ver os pais fazerem olhinhos um ao outro.

- Mas a verdade - começou Astoria, voltando a olhar para o filho, com as faces levemente coradas - é que se essa rapariga realmente fosse a certa para ti, ao saber do acidente, teria imediatamente ido ter contigo e se assim não foi é porque não te merece.

Scorpius anuiu, com uma expressão séria, enquanto sorria internamente. Pelo menos, aos olhos da mãe dele, Rose era a certa para ele.

- Sim, para um Malfoy apenas a melhor - concordou o pai, colocando-lhe a mão no ombro e apertando-o levemente.

Ao ouvirem a escada entrar em funcionamento, viraram-se todos e depararam-se com o professor Gillion.

- Deixei-as na sala comum e proibi-as de sairem de lá, até termos decidido um castigo - informou o professor.

- Muito bem, Mr. Potter e Mr. Malfoy, uma vez que já conhecemos todos os factos da história, julgo oportuno indicar-vos os vossos castigos. Vinte pontos serão retirados às vossas equipas, ficarão sem fins-de-semana em Hogsmeade até ao final do ano e terão de auxiliar a Madame Pince, durante o próximo sábado, em tudo o que ela vos mandar, sem auxílio de magia, claro.

Al e Scorpius gemeram, ao imaginar a decrépita bibliotecária a obrigá-los a etiquetar e a ordenar alfabética e tematicamente os inúmeros livros. E conhecendo James como o conheciam, algo lhes dizia que ele estaria extremamente disposto a utilizar todos os recursos que a biblioteca oferecia.

- E se eu volto a ouvir que utilizaram quaisquer privilégios enquanto Prefeitos para mais uma destas aventurazinhas... - McGonagall deixou a ameaça no ar, fazendo os rapazes engolirem em seco.

Após um gesto de McGonagall ambos saíram do gabinete, deixando os adultos a conversar.

- Espero que tenham noção da gravidade do que os vossos filhos fizeram - disse a directora, pelo que os pais anuiram.

- O Scorpius, com certeza, respeitará qualquer castigo que lhe seja imposto.

- E isso quer dizer que o meu filho, não? - retorquiu Harry.

- Bem, se for pelos antecedentes familiares... Até diria que não, mas como até é bom miúdo...

- A minha familia não tem problemas em termos de antecedentes, como dizes Malfoy, ou pelo menos, não são piores que os teus ou já te esqueceste?

A face de Draco adquiriu um leve tom rosado e tomando as rédeas da conversa, antes de ser tarde demais, Astoria decidiu intervir.

- Por favor, agora que os miúdos sairam vão vocês portar-se como crianças? Tenham juízo - exigiu num tom peremptório.

- Pois bem, sem termos mais nada a discutir, podemos dar por encerrada esta reunião - todos os adultos no gabinete sentiram como se tivesse regressado aos seus anos de adolescência ao ouvir aquele tom exasperado. Os Malfoy levantaram-se e saíram do gabinete, com Draco a ranger os dentes e a mulher a colocar-lhe uma mão acolhedora sobre o braço.

- Sinceramente Harry, poderias ter tido um pouco mais de calma! - pediu a directora, pelo que o homem sorriu envergonhado.

- A Minerva sabe bem que nunca fui regido pela calma - retorquiu Harry, fazendo Neville produzir um som irónico.

- Infelizmente sei bem que não, quantos dos meus cabelos brancos não apareceram à tua conta, do Ron Weasley e da Hermione Granger e até mesmo da tua, Neville Longbottom! Devem-me vários anos de vida! - acusou McGonagall, mas os dois homens podiam ver o brilho de orgulho nos olhos da velha professora ao falar dos seus alunos.

- Não se preocupe, transmitirei os seus sentimentos ao Ron e à Hermione - disse Harry em forma de despedida.

- Será que nunca se conseguirão conter de brigar? - suspirou Minerva, depois da porta se fechar nas costas de Harry.

- Só no dia em que um Weasley e um Malfoy se casarem... - retorquiu Neville, fazendo a directora, Gillion e os diversos antigos directores rirem, com excepção de um.

- Quem sabe, eu nunca descartaria essa hipótese... - murmurou Dumbledore, sem ser ouvido pelos outros, enquanto observava o gabinete por cima dos seus óculos de meia-lua.


O que posso dizer? Eu amo o Dumbledore!