Oops!

O final do ano em Hogwarts aproximava-se a passos largos e com ele aumentava cada vez mais a rivalidade entre Slytherins e Gryffindors, isto porque, a final de Quidditch ia colocar frente a frente os velhos rivais, afastados apenas por vinte pontos. Gryffindor liderava, mas como James fazia lembrar continuamente à sua equipa isso não lhes dava margem de manobra para serem preguiçosos, muito pelo contrário, deviam treinar mais e mais, até porque, segundo James "a taça sentir-se-ia bem melhor rodeada pelas plantas de Neville do que pelos instrumentos de Gillian". Albus sentia-se extremamente satisfeito por não ser do ano do irmão, pois este, com cada dia que passava tornava-se cada vez mais impiedoso e Fred, que normalmente era bastante complassivo podia ser visto diversas vezes a bater com a cabeça na parede da sala comum para abafar a voz do primo.

Rose observava a comoção com um olhar divertido, enquanto imaginava o ambiente na sala comum dos Slytherin. Apesar de Scorpius ser o seu namorado, apoiava totalmente os Gryffindor, o que a levou à conclusão de que queria que Scorp apanhasse a snitch, mas que a sua equipa ganhasse à mesma. No entanto, sabia quão dificil seria esse feito e afastou esse pensamento para a parte de trás do seu cérebro.

Com a aproximação do jogo, o tempo que Scorpius e Rose passavam juntos diminuía drasticamente e por isso, na véspera do grande dia, a rapariga deu consigo, sozinha, na sua mesa habitual da biblioteca, quando James e Albus entraram a correr pelas enormes portas, com expressões desesperadas. A rapariga levantou-se subitamente e encontrou-se com eles a meio do caminho.

- Que aconteceu? Alguém morreu? - apesar da segunda pergunta ser retórica, ela viu com horror James anuir.

- A avó do Nick e da Ally morreu - explicou este, apressadamente. Nick e Ally eram gémeos, keepers dos Gryffindor, ela como principal e ele como reserva.

- Não temos mais ninguém para jogar como keeper - continuou Al pelo irmão, que adquirira uma expressão esperada num velório.

- E por isso precisamos de ti! - pediu subitamente James, começando a falar atabalhoadamente - A Lily não tem a velocidade, a Marsha não tem a perspicácia, o Michael é demasiado intempestivo... Não temos mais ninguém a quem pedir, por favor - e ajoelhando-se à frente de Rose, implorou - por favor, por favor, sê a nossa keeper no jogo de amanhã...

A expressão de James estava tão desesperada, que Rose deu consigo a anuir, sem que a realidade em que se estava a meter a alcançasse.

James deu uma espécie de pirueta e dando um beijo na face de Rose, saiu a correr da biblioteca.

- Sabes, se não fosse querer vencer, adoraria ver a cara do James se dissesses não - comentou Al.

Rose deu um salto, lembrando-se que o primo ainda ali estava e então...

- Oh Meu Merlin! Eu tenho de ir treinar, não posso ir para o jogo amanhã assim! Albus, vem comigo! - e puxou o primo que, no entanto, se recusou a segui-la.

- Rose, tu és a melhor keeper que eu conheço, a tua recusa para prestares provas para a equipa tem levado o James à loucura, durante anos, por isso, acredita em mim, vais ser brilhante amanhã. Os Slytherin nem vão saber o que lhes caiu em cima... – congratulou-se Albus, enquanto a prima adquiria uma expressão de horror.

- Oh não, eu vou jogar contra...

- Estava a ver quando é que chegavas a essa conclusão... - disse Albus, animadamente - Ele vai cair da vassoura quando te vir. Até pode ser que veja realizada uma das suas fantasias...

- Hum? - retorquiu Rose, confusa.

- Tu, numa vassoura, com a roupa de Quidditch, a ires na direcção dele... - a voz de Albus adquirira um tom cada vez mais baixo e Rose sentiu-se corar intensamente.

- Nem sequer termines essa frase, seu pervertido! - rosnou ela.

- Ei, diz isso ao teu fofinho... - afirmou Al, deixando Rose petrificada. Poderia mesmo...


A sala comum estava anormalmente silenciosa quando os dois primos atravessaram o buraco do retrato e viram imediatamente a resposta a tal mistério na pessoa de James, que informava toda a equipa da mudança de keeper.

- Ela joga bem? - perguntava um aluno do quarto ano a James, quando Rose se prostou a seu lado.

- Fui treinada pelos melhores e tenho referências da Ginny Potter em como poderia jogar pelas Harpies se eu quisesse - afirmou Rose, perante os olhares fascinados dos restantes Gryffindor.

- Sim, por detrás desta imagem de prefeita mandona e sabichona - dizia Al, enquanto se desviava, com dificuldade, dos murros da prima - temos uma brilhante keeper.

- Ah! Mal posso esperar para ver a cara dos Slytherin amanhã! - exclamou subitamente Mark Thomas, do quinto ano e beater da equipa. Todas as caras se iluminaram, imaginando a cena.

- Estás nervosa? - perguntou Hugo, ao ver a expressão da irma. Esta sorriu-lhe tranquilamente e abanou a cabeça que não. Na verdade não estava preocupada com o jogo, mas sim com um jogador. Que diria Scorpius ao vê-la? Poderia achar que ela o traíra se contribuisse para a vitória dos Gryffindor? Mas então, ele nunca poderia ter-se tornado amigo de Albus... Mas a relação entre os dois rapazes era diferente da deles... Com um suspiro, Rose levantou-se do seu cadeirão e encaminhou-se para o seu dormitório. Sem se aperceber, Al observava-a com uma expressão preocupada.


No dia seguinte, ao chegar ao salão com o resto da equipa, os rumores de que Rose seria keeper já haviam voado por todos os cantos do castelo. E por isso mesmo, fora recebida por centenas de murmúrios. No entanto, apenas uma face a interessava no meio da multidão. Scorpius já estava sentado na mesa da sua equipa e ao aperceber-se da sua entrada, virou-se para trocar um olhar com ela. Os seus olhos transmitiram sucessivas mensagens que Rose decifrara rapidamente: choque, ao ver que era verdade o que se dizia; resignação, ao aperceber-se que nada podia fazer contra e por fim uma mistura de fascínio, que Rose não conseguira entender o porquê e desafio, que ela tivera imensa facilidade em perceber: se havia algo que o Slytherin gostava era de um bom desafio e este jogo visionava-se como sendo o seu maior até à data.

Ao chegarem à zona interdita dos balneários, Rose deixou-se ficar para trás com a desculpa de se concentrar, para esperar por Scorpius. Este apareceu alguns momentos depois, como ela sabia que ele faria. Encaminharam-se separadamente para um nicho protegido dos olhares indiscretos.

- Keeper, hein? - disse Scorpius, tocando na vassoura que Rose levava ao ombro.

- Tens algum problema com isso? - retorquiu Rose.

- Na verdade até tenho, é muito injusto - Rose abriu a boca para o interromper, mas Scorpius apressou-se a concluir - Como é que vou manter os olhos no jogo quando só me apetece olhar para a zona dos postes?

Rose sorriu e dando-lhe um beijo nos lábios, murmurou "Boa sorte". Em seguida correu a juntar-se à sua equipa para vestir o equipamento.


- E lá vêm as equipas! - a voz do pequeno Lorcan Scamander, do segundo ano, fez-se ouvir pelo estádio todo. Este substituía Fred sempre que os Gryffindor jogavam - Na equipa dos Gryffindor uma mudança repentina, Rose Weasley subsitui os ausentes Ally e Nick Willows, vejamos se o sangue que lhe corre nas veias é realmente o de uma grande jogadora como o dos seus familiares! E agora os jogadores: do lado vermelho Potter, Hunter, Saint, Weasley, Thomas, Potter e Weasleyyyyy! Do lado verde: Xavier, Zabini, McCarthy, Grey, Roger, Malfoy e Williamssss! Muito bem, estão a montar nas vassouras, Madame Hooch prepara-se para apitar e o jogo COMEÇA!

Ao lado de Lorcan, um homem ruivo observava o campo, com uma expressão confusa.

- Eu não sabia que a minha filha ia jogar... - disse Ron, olhando para além da sua mulher, para o seu companheiro do lado.

- Eu também não... - respondeu Harry, enquanto observava a perícia dos jogadores. Realmente o seu filho escolhera bem a sua equipa – São bons aqueles miúdos…

- Cala-te, que eu quero ver o jogo! - ordenou Hermione, surpreendido os amigos, que a olharam chocados - É a minha filha que está a jogar - apressou-se a explicar e se havia algo que fazia Hermione cometer as maiores loucuras era aquela miúda.

James comandava os chasers com uma perícia que a sua mãe sempre elogiara; Albus circundava o estádio em busca da pequena bola dourada, esticando o pescoço e passando rapidamente por entre braços e pernas sem desestabilizar os seus colegas; Fred e Mark arremessavam estrategicamente as bludgers contras os oponentes e Rose ia calculando na sua mente que jogadas poderiam resultar em golo e evitava-as com uma capacidade que deixou todo o público, com excepção de quatro adultos e dois adolescentes, totalmente extasiados. Nunca nos seus mais loucos sonhos poderiam imaginar que a prefeita dos Gryffindor, filha dos heróis da segunda guerra, estudante número um do seu ano e provavelmente de todos os outros, pudesse ser tão boa.

"Aquela é a minha filha" - murmurava Ron, com os olhos brilhantes, enquanto observava a rapariga a agarrar a quaffle, com segurança.

Do outro lado as bancadas, no meio da massa verde, Draco Malfoy observava fixamente o filho. Ele era realmente muito bom, muito melhor do que o pai alguma vez fora; poderia mesmo aspirar a um lugar na equipa nacional se quisesse e por momentos viu-se no camarote de honra a ouvir a voz ribombante do comentador a anunciar "E agora MALFOY!". Sorrindo para a mulher, a qual observava o filho fixamente, voltou a sua atenção novamente para o jogo.

- Potter, Hunter, novamente Potter e passa para Saint que rasa a cabeça de Xavier e consegue passar, tem o caminho livre, vá lá! E MARCA! E os Gryffindor estão na frente por trinta pontos! - Lorcan gritava de entusiasmo, enquanto Hermione gritava continuamente por Rose. Se a rapariga a pudesse ouvir, ficaria certamente envergonhada.

Os chasers dos Slytherin eram matreiros, haviam conseguindo por duas vezes passar pela defesa de Rose e ela via quão bem eles comunicavam uns com outros, mas também sabia que esse dois erros não se voltariam a repetir. Fazendo uso desse conhecimento conseguiu manter os postes inexpugnáveis e através da prestação dos seus chasers conseguiram aumentar a vantagem para cinquenta pontos.

Scorpius começava a ficar desesperado, a sua equipa era muito boa, mas os Gryffindor pareciam ler os pensamentos uns dos outros, com um único piscar de olhos podiam alterar totalmente a táctica e apanhar o seu keeper de surpresa e não pela primeira vez, Scorpius deu consigo realmente admirado pela capacidade de Rose, a rapariga parecia que via o futuro, estando sempre um passo à frente dos seus jogadores. No entanto, Albus também ainda não conseguira ver a snitch e sabia que se o amigo Slytherin a apanhasse o brilhante trabalho de Rose seria esquecido perante aquela derrota humilhante. E com tal no pensamento, fixou mais concentradamente o olhar no estádio.

- O Malfoy é muito bom - comentou Ginny, com um olhar crítico. Enquanto repórter do Quidditch Hoje e antiga jogadora das Harpies tinha sempre em atenção os novos talentos e aquele rapaz era deveras impressionante.

- Mas a minha menina é melhor - retorquiu asperamente Ron, provocando um rolar de olhos na irmã.

- Imagina se os dois jogassem pela equipa nacional? - insurgiu-se Hermione, analisando a reacção do marido. Este engasgou-se e Harry foi obrigado a dar-lhe umas palmadinhas nas costas para o acalmar.

- A minha filha há-de estar sempre em lados opostos ao daquele rapazola! - exclamou Ron, ofegante. Hermione suspirou derrotada, o que chamou a atenção de Harry, mas ao trocarem um olhar, viu que a amiga não lhe explicaria qual a razão do seu abatimento.

Então, de repente...

- Aquilo era a snitch? - indagou Harry ao julgar ver um brilho dourado passar ao lado das bancadas. Momentos depois, tanto Al como Scorpius estavam ombro a ombro, em perseguição da pequena bola com asas. Ambos esticavam as mãos e dedicavam pedidos às vassouras para aumentarem a velocidade, mas de repente, a snitch conseguiu ludibriá-los, passando entre as pernas dos chasers verdes que se debatiam pela posse da quaffle.

O rugido decepcionado da multidão fez-se ouvir por momentos, até que todo o barulho do estádio se calou para os dois seekers. A snitch tinha desaparecido por instantes, mas ao olharem para cima reavistaram-na, no extremo oposto do estádio. Trocaram um olhar de desafio e ambos se afastaram em direcções contrárias.

"Posso usar os postes da Rose para ganhar balanço com os pés", pensava Scorpius, aproximando-se a alta velocidade da keeper dos Gryffindor. Era um trajecto mais longo que o de Al, mas com a impulsão que conseguiria, seria capaz de ultrapassá-lo. Al via o amigo afastar-se pelo trajecto mais longo com confusão, mas sem ter tempo para se alongar com as loucuras dele, acelerou em direcção ao brilho dourado.

Enquanto isso, os chasers dos Slytherin estavam a dar em loucos, por mais que rodeassem e tentassem ultrapassar Rose, esta parecia uma barreira intransponivel e a paciência dos rapazes estava rapidamente a esgotar-se. Ao ver o seu colega beater, Alfred Roger, aproximar-se, McCarthy apontou para a bludger que se aproximava perigosamente dele e para Rose, a qual os tentava manter debaixo de olho, ao mesmo tempo que seguia a aproximação de Scorpius. Roger entendeu imediatamente e no exacto momento em que Scorpius estendia os pés para ganhar impulso no poste mais próximo da snitch, a bludger foi arremessada com toda a força contra Rose, ao mesmo tempo que McCarthy fazia a quaffle passar pela argola do meio.

Scorpius ouviu um grito que lhe era estranhamente familiar e ao olhar para trás, viu Rose a cair desamparada com uma chuva de sangue a acompanhá-la. Esquecendo completamente o que era esperado dele, apressou-se a virar completamente a vassoura e a dirigir-se a pique em direcção à rapariga. A 15 centímetros do chão conseguiu apanhá-la e foi com dificuldade que caiu no chão sob o peso dela.

- Scorp... - murmurou Rose, abrindo os olhos.

- Shiu, vais ficar bem... - respondeu ele numa voz trémula. A bludger acertara no braço de Rose e a força fora tal que para além de lhe partir o braço fizera com que a cabeça desta batesse no aro e sangrasse profusamente. A mão dele tremia ao afastar-lhe o cabelo colado à cara com suor e sangue.

- Ganhámos? - perguntou Rose num fio de voz. O Slytherin olhou para cima e deparou-se com Albus, usando uma expressão aparvalhada e com duas pequenas asas visiveis por entre os seus dedos.

- Parabéns! - murmurou tristemente Scorpius, mas antes de poder dizer mais alguma coisa, sentiu os dois beaters poisarem a seu lado.

- Que cena foi aquela? - gritou Roger, enraivecido.

- Que cena foi aquela? - repetiu Scorpius, com veneno - Seus filhos da mãe! - e preparou-se para os atacar, mas de repente, dois braços fortes agarraram-no, rodeando-lhe o tronco. Sem se terem apercebido, Al havia se juntado ao grupo no chão e agora evitava que Scorpius saltasse para cima dos colegas. Ele continuava a gritar profanidades, perante o olhar chocado de toda a gente no estádio.

- Vocês vão-se arrepender de terem atacado a minha namorada! - rugiu Malfoy, enquanto Al lhe rodeava o tronco com os braços e o levantava do chão para evitar que este matasse os colegas. Então, ao ouvir as duas últimas palavras de Scorpius, o estádio caiu num silêncio sepulcral.

Al mordeu o lábio e olhando em redor viu que os restantes membros das equipas olhavam para Scorpius como se ele fosse louco. O rapaz já não se debatia e este deixou-o cair num chão com um baque surdo.

- Ouviste isto, Ron? Parece que... - começou Harry, mas ao olhar para o lado onde o melhor amigo devia estar só encontrou a face de Hermione, que parecia estar a conter-se para não desatar a rir à gargalhada. Esta apontou para baixo e seguindo essa direcção, o Auror viu que o cunhado estava desmaiado, no chão.

Do outro lado das bancadas, Draco Malfoy segurava fortemente o braço da mulher, enquanto respirava com dificuldade, com uma mão sobre o coração.

- Ele não, pois não? Ele não disse aquilo que eu julgo ter ouvido... é isso, ouvi mal, ele disse aquela atrasada, sim, de certeza que foi isso - dizia Draco, tentando evitar acreditar no que acabava de assistir.

- Bem, meu amigo, acho que o dragão está fora do saco... - murmurou Al, pelo canto da boca a Scorpius. Este olhou-o com um ar carrancundo, enquanto observava a enfermeira a falar suavemente com Rose.

Olhando para as bancadas onde estavam os seus pais e depois para onde estavam os de Rose, sentiu-se incrivelmente nervoso. Felizmente, viu-se livre de qualquer explicação, por momentos, graças à comoção provocada pela matrona a levar Rose para a enfermaria. Scorpius apressou-se a segui-las, com Albus na sua peugada, este não querendo estar no estádio quando o choque passasse.

- O quê? - berrou finalmente Hugo, piscando rapidamente os olhos.

A sua voz pareceu acordar toda a gente como uma enorme onda e com um rugido, Ron voltu à consciência.

- Aquele pequeno insecto! Seduziu a minha filha! Deu-lhe uma poção! - e antes que alguém tivesse tempo de reagir, desatou a correr em direcção à saída do estádio.

Hermione suspirou, antes de se apressar a seguir o marido, com Harry, Ginny, Hugo e Lily imediatamente atrás.

Ainda vinham nas escadas encantadas e o grupo podia já ouvir as vozes exaltadas de Ron e do outro pai aparentemente traído, Draco Malfoy. Ron apresentava a face totalmente vermelha e respirava pesadamente, enquanto Malfoy, com um tom rosado nas faces usava uma expressão mesquinha.

- O meu filho nunca se apaixonaria por uma Weasley - disse Draco, como se a última palavra fosse um insulto.

- E a minha filha sabe mais do que misturar-se com filhos de ferrões! - retorquiu Ron, com os olhos a chispar de fúria.

Um pouco afastada e espreitando, ansiosa, na direcção da ala hospitalar estava Astoria que não parecia ligar nenhuma ao atrito dos dois homens.

Hermione afastou-se do grupo, passou pelo marido sem lhe dirigir palavra e parou em frente a Astoria. Estendendo-lhe a mão, apresentou-se:

- Muito prazer, sou a Hermione Weasley, mãe da Rose.

Astoria sorriu, surpreendida, mas aceitou a mão, apesar disso.

- Astoria Malfoy, mãe do aparentemente namorado da sua filha.

Ao ouvir a palavra namorado, Ron e Draco deram um salto e olharam ofendidos para Astoria.

- De certeza que ele levou com uma bludger na cabeca e foi isso que o fez dizer tais loucuras - afirmou peremptoriamente Draco, com o olhar fixo na mulher.

- Sim, sim foi isso mesmo - concordou Ron, apressadamente.

- Já alguma imaginaste ver o Ron concordar com o Malfoy nalguma coisa? - sussurou Ginny, pelo canto da boca, ao marido. Este sorriu, contrafeito, e abanou a cabeça.

Quando as portas da enfermaria finalmente se abriram e Miss Bones, a auxiliar de Madame Pomfrey, surgiu na ombreira da porta, Ron e Hermione correram para esta a interrogá-la sobre o estado da filha.

- Ela está perfeitamente bem - disse Miss Bones, com um sorriso.

- Mas Susan, tens a certeza que não houve sequelas? - perguntou Ron, imaginando que a filha pudesse proclamar o seu indubitável amor por Scorpius Malfoy.

- Sim, o braço foi curando num instante e o pior foi mesmo a pancada na cabeça, mas se bem me lembro vocês os três - e o seu olhar caiu sobre Hermione, Ron e Harry - sofreram muito pior. Se não fosse Mr. Malfoy, aí sim poderia ter sido mais grave... - tranquilizou-os a enfermeira.

Ron resmungou ao ouvir o nome do rapaz, mas quando Susan se afastou e os adultos puderam olhar para dentro da enfermaria, o seu resmungo tornou-se num berro de fúria.

Scorpius estava debruçado sobre Rose, depositando leves beijos na sua testa, enquanto Al resmungava com eles, para pararem com aquilo. No entanto, ao ouvirem o som inumado libertado por Ron, os três adolescentes deram um salto: Al fixou a família com um esgar de horror, Scorpius ficou tão pálido que parecia ir demaiar a qualquer momento e Rose corou profundamente, até à raiz dos cabelos.

- Oops... - murmurou Al.