1ª Excessividade - Teimosia
O pequeno Sirius observava aquele menino sentado na ponta da mesa, quieto e reservado, comendo um pedaço de frango. Não havia o visto no trem. Virou para seu novo amigo, James Potter:
- Sabe quem é aquele menino de cabelo quase amarelo, na ponta da mesa?
- Especifique Sirius. Vejo vários desse. - O garoto de óculos respondeu, com certa arrogância falsa, levando um tapa no braço do amigo.
- Cabelo castanho claro, olhos cor de mel, uma cicatriz no lado esquerdo do rosto... - Sirius descreveu-o.
- Não faço ideia. Mas existe a possibilidade dele dormir no mesmo quarto que a gente. - Sirius assentiu. Quem sabe.
Depois de encaminhados ao dormitório, Sirius e James subiram juntos e felizes por terem um amigo no mesmo dormitório.
Entraram e se depararam com um menino com cicatriz no rosto parado no centro do quarto.
- Estava esperando vocês... É que... - o menino travou e limpou a garganta - Bem, é que não sei qual cama vocês preferem... - corou.
- Tanto faz pra mim. Fico com aquela, do lado do banheiro, pode ser? - James apontou. Os outros dois meninos, que até agora se encaravam, assentiram e saíram de seus devaneios. - Bem, boa noite para vocês. Estou morrendo de sono. - deitou-se em sua cama e dormiu feito uma pedra. Não abriu os olhos até o amanhecer seguinte.
- Pode escolher. - Sirius murmurou, envergonhado.
- Bom, eu prefiro ficar do lado da janela... - o garoto murmurou - Se você não se importa - tratou de completar.
- Sem problema algum - avançou alguns passos em direção ao menino, que logo foi para trás, como autodefesa. Ergueu a mão, o que fez o menino corar. Sirius não queria machucá-lo. O menino apertou-a - Qual seu nome?
- Remus. Remus Lupin. - comentou, corando
- Meu nome é Sirius. - sorrindo
- E seu sobrenome? - perguntou rubro por ter sido tão ousado. Não conhecia o menino, não deveria perguntar aquilo.
- Não é tão importante... Estou com sono. Devemos dormir? - comentou Sirius, tentando mudar de assuntou. Dirigiu-se até a cama restante e se jogou nela. Fez um muxoxo. Gostaria de ter pegado a cama da janela, mas não conseguiu argumentar com Remus. Ele parecia tão fragil e ao mesmo tempo tão cordial que decidiu não falar nada.
Remus aproximou-se da cama de Sirius, tentando ver o rosto do menino, oculto pela sombra.
- Eu creio que um nome é importante. Te define. - Remus murmurou. - Você não precisa esconder o seu. Mas também não precisa me contar.
- Definir? Sério? O que há num nome?¹ Não. Meu sobrenome não me define. - Remus corou pela ousadia e tratou de sair da frente de Sirius. Foi até sua cama e se deitou. - Não, não e não. Não vou falar. O nome não faz realmente parte de mim. Não! - Sirius resmungou para o travesseiro.
Passaram-se meia hora e os dois meninos não haviam dormido. Sirius levantou-se e foi até a cama de Remus. Viu o menino com os olhos fechados e sussurrou inocentemente ao seu ouvido, achando que ele estava dormindo.
- Me desculpe. Não é nada pessoal com você. É que... Eu tenho vergonha da minha família.
- Tudo bem - Sirius se espantou ao ouvir a voz de quem achava que dormia - não tem problema. - os dois sorriram e o menino voltou para sua cama.
Os dois não se desgrudaram desde então.
