6ª Excessividade-preguiça

Era o meio do quinto ano quando eles voltaram do feriado de natal. Chegaram rindo no dormitório, contando como foi engraçado passar o natal na casa dos Potter quando Sirius bufou, mudando totalmente seu humor.

- Droga. Alguém pode arrumar a cama pra mim?- Os elfos domésticos haviam arrastado sua camade volta pro lugar, longe da de Remus.

- Muito cansado - os dois responderam em unissono.

- Por favor, Moony, pooooor favor - fazendo cara manhosa. Ninguem vencia a cara manhosa de Sirius Black a não ser... Bem, a não ser Remus Lupin.

- Boa noite Paddy - os dois falaram.

- Eu acredito que terei de dormir no chão, então. Ou... - começou

- Nem pense em dormir aqui, seu animal. Você fica aí, na sua cama. Um dia não mata. Amanhã de manhã puxo sua cama para cá.

- Ah Remus, por favor... - gemeu

- Não não e não. Durma!

- Não falo mais com você! Seu arrogante! - Sirius e sua insuportável mania de achar que tem tudo que quer.

- Sei o que você está tentando fazer, Black. Não vai funcionar. - sorriu de lado - Se o manhoso não funcionou, o prepotente também não funciona. Por que não tenta fazer essa jogada com James Potter? - riu baixinho

- Nem pense nisso seu cão piolhento - James resmungou já embaixo dos lençóis.

- Vocês são ridículos. - Sirius jogou-se na cama e, depois de alguns minutos rolando, percebeu que não conseguiria dormir lá. Pegou o travesseiro e o cobertor e deitou do lado da cama de Remus, no chão, abaixo da janela.

Foram mais ou menos às três da manhã em que os pesadelos de Remus começaram naquela noite. Sirius acordou e percebeu que Remus se debatia e gemia de dor, como se algo estivesse o machucando. Chacoalhou-o, acordando-o.

- Remus? Moony? Shii, está tudo bem - Sirius acariava o braço do amigo a fim de fazê-lo parar de tremer, sentou-se ao seu lado na cama.

- Ah Sirius... Foi tão... ele estava lá, me mordendo... aah- gemeu baixinho, deixando as lagrimas rolarem pelo rosto. - Sou um monstro, não sou? Terrível. Um monstro. - agora não tinha mais controle sobre as lagrimas e o choro tornou-se grande a ponto de haver soluços.

- Não... Não chore Moony... Venha cá. - abraçou Remus de lado, fazendo-o virar e o encarar. - Escute aqui... Você é gentil, normal, e não tem nada de monstro. Ele não vai mais te machucar, eu prometo - embalou-o no abraço, e Remus, fungando, enterrou a cabeça no peito de Sirius.

- Ah Paddy... - gemeu baixinho - Não me deixe nunca, por favor... - respirou fundo e se sentiu inebriado pelo cheiro do cão.

- Não se preocupe Moony. Estarei aqui, sempre. - apertou Remus mais forte contra o peito e entrelaçou os pés no pés de Remus. Estavam, literalmente, grudados.

- Sirius Black... Seu cachorro imundo... Fique na minha cama essa noite, por favor - resmungou baixinho

- Sempre que você precisar - sorriu de lado, ainda embalando o amigo.

Ficaram lá por algum tempo tentando controlar a respiração de Remus até que o lobo adormeceu.

Alguns minutos depois, já quase adormecendo, Sirius Black sorriu deliciado ao se dar conta de que Remus Lupin dormia grudado nele usando somente uma cueca. E Sirius Black não estava diferente.

Suspirou profundamente. Estava literalmente entregue nos braços do outro.

Deliciosamente entregue.