Título: Um Lugar Para Recomeçar

Gênero: Padackles / J2

Autora: Mary Spn

Beta: Eu mesma! Os erros são todos meus.

Conselheira: TaXXTi *-*

Avisos: Contém cenas de relação homossexual entre dois homens. Não gosta, não leia!

Sinopse: Dois homens feridos pelo passado. Enquanto um deles está disposto a recomeçar, tudo o que o outro quer é fugir. Estariam destinados a curar as feridas um do outro ou a machucarem-se ainda mais?


Um Lugar Para Recomeçar

Capítulo 6

Jared perdera bastante sangue e com a quantidade de vodka que ingeriu, acabou logo adormecendo.

Jensen permaneceu ali, sentado ao seu lado, o observando dormir. Um mistério a ser desvendado, bem ali, diante dos seus olhos.

Era a primeira vez que via Jared assim, vulnerável, sem estar na defensiva. Tinha o semblante sereno, o sono tranquilo embalado pelo álcool em seu sangue.

O loiro chegou mais próximo e afastou os fios de cabelo que lhe cobriam a testa. Demorou-se um pouco mais nesta tarefa, sentindo o quanto aqueles cabelos eram mesmo sedosos. Uma de suas curiosidades satisfeita - Jensen sorriu com o pensamento.

Jensen não sabia a idade do moreno, mas ele parecia ser muito jovem ainda. Alguns traços infantis até, o que seria mais evidente se não fosse o toque de sarcasmo em suas risadas, ou a amargura em suas palavras. Enquanto o observava, Jensen ficou pensando no que poderia tê-lo deixado assim. Jared era muito bonito, atraente, tinha um corpo desejável. Era inteligente e pelo que dissera, formado em engenharia. Não era um João-ninguém. Por que alguém assim se isolaria do resto do mundo?

Jensen levantou-se rapidamente e abriu as gavetas do balcão em frente à cama. Pensou que talvez pudesse encontrar uma resposta para o que procurava. Mas só encontrou algumas revistas, mapas e planta do farol e por fim a carteira de Jared. Hesitou um pouco, mas decidiu abri-la.

- Jared Tristan Padalecki - Jensen falou para si mesmo, baixinho - Vinte e oito anos? Eu achei que tivesse menos, você tem sorte - Continuou falando enquanto olhava para Jared, que dormia profundamente.

Guardou a carteira na gaveta e parou diante da cama.

- Você continua sendo um mistério. Um grande mistério... Mas talvez o Misha possa me ajudar a descobrir quem você é.

Jensen olhou mais uma vez de Jared para o retrato em cima do balcão, querendo por toda força saber quem era aquela mulher. Percebeu que ficar ali parado, remoendo as coisas em sua cabeça não adiantaria nada, e que acabaria ficando louco se não tirasse isso da cabeça.

Um ar gelado entrou pela janela e Jared se encolheu na cama, sentindo frio. Jensen pegou o cobertor e o cobriu, parando mais uma vez para admirá-lo antes de ir até a barraca buscar sua mala e um colchonete.

Pegou sua toalha na bolsa e foi para o banheiro. Parou diante do espelho, encarando sua própria imagem. Estava um bagaço. Profundas olheiras, cabelo desgrenhado e barba por fazer. Se bem que, Jared era cem por cento hetero, então de nada adiantaria, estando bonito ou não, não teria nenhuma chance.

Jensen tirou suas roupas, abriu a porta do box e ligou o chuveiro. Esperou a água esquentar, então se colocou debaixo da ducha. Sentiu a água quente relaxando seus músculos, o que era uma sensação deliciosa. Melhor que isso só se tivesse companhia – Pensou, mas repreendeu-se em seguida.

O engraçado era que antes de ir para a ilha, não tinha a menor vontade de ter contato com alguém. Misha e seus outros amigos por muitas vezes tinham lhe arranjado encontros, mas estes nunca tinham passado da primeira noite, ou das primeiras horas. Depois da morte de Julian, nem sequer tinha beijado alguém. E agora, depois de conhecer Jared é que percebera o quanto isto lhe fazia falta. Não tinha ainda se dado conta do quanto desejava aquele moreno de olhos verdes. Quanta vontade tinha de tocar aquela pele bronzeada, aqueles ombros fortes, e de beijar aqueles lábios tão tentadores.

Pensando nisso Jensen percebeu que seu membro estava duro, pedindo por atenção. Por muito tempo não sentira vontade nem mesmo de se tocar. Mas agora era diferente... Desceu sua mão ensaboada pelo peito, abdômen, até alcançar seu membro. Encostou-se na parede e fechou os olhos, enquanto movimentava sua mão num ritmo suave e gostoso, que foi aumentando conforme a sua necessidade. Tentou controlar seus gemidos, porque tudo que não queria agora era que Jared soubesse o que estava fazendo em seu banheiro.

Em poucos minutos o loiro gozou em sua própria mão, deixando a água levar os vestígios embora.

Terminou o banho sentindo-se aliviado. Se secou, colocou uma roupa limpa e voltou para onde Jared estava. O moreno continuava dormindo, como se nada tivesse acontecido ali.

Já era noite e Jensen pensou em preparar algo, caso Jared acordasse com fome, mas imaginou que o moreno acordaria só no dia seguinte. Também estava sem fome, então resolveu verificar o ferimento de Jared.

Tirou o cobertor de cima dele, tendo que se policiar para não atacar aquele corpo incrível, ali deitado, tão indefeso...

Levantou o curativo e viu que estava tudo em ordem, o que o deixou aliviado. Tinha medo que o ferimento acabasse infeccionando. Sentou na beirada da cama e colocou a mão na testa de Jared, percebendo que não tinha febre. Só para garantir, colocou a mão também em seu pescoço, que estava quente, mas não era sinal de febre.

Do pescoço, sua mão deslizou para os ombros e então para o peitoral. Nada de febre ali também – Jensen deduziu, passando a língua pelos lábios.

Sentiu os músculos firmes de Jared com as pontas dos dedos e desceu até o seu abdômen. A pele dele estava um pouco úmida pelo suor e as mãos de Jensen continuaram percorrendo aquele corpo quente e tentador.

Ajeitou mais uma vez o esparadrapo que estava se soltando, e então sua mão percorreu a coxa do moreno. Ao chegar na parte interna delas, Jared se mexeu na cama e Jensen pulou de susto, com medo de ter sido pego no ato. Queria parar, mas ao mesmo tempo não conseguia. Talvez nunca mais tivesse a oportunidade de tocar aquele corpo, de senti-lo assim, tão próximo.

Sua mão partiu para a coxa direita e Jensen percebeu que a pele de Jared se arrepiou. Ainda dormindo, o moreno moveu o quadril de uma maneira provocante e o loiro não conseguiu conter sua vontade de tocá-lo também em outros lugares.

Sua mão direita deslizou sobre o tecido da boxer do moreno, fazendo uma leve fricção e logo o volume ali começou a aumentar.

- Pelo visto, você ainda tem sangue o suficiente – Jensen falou baixinho e sorriu, cheio de malícia.

Sabia que era errado e que Jared o mataria caso acordasse, mas nada o faria parar agora. Seu corpo transbordava luxúria e seu cérebro já não o controlava mais.

Escorregou sua mão para dentro da boxer e segurou o membro de Jared com firmeza, o libertando e passando a massageá-lo suavemente. Jared soltou um gemido e moveu seu quadril ao encontro da mão de Jensen, por puro instinto.

Enquanto continuava a acariciá-lo, Jensen levou sua boca até o abdômen do moreno, depositando suaves beijos e explorando a região com sua língua.

Jared gemeu mais uma vez e entreabriu os olhos, só então se dando conta do que estava acontecendo ali. Ao perceber, Jensen sentiu um frio na barriga e ficou esperando ser expulso, mas Jared nada fez. Jogou a cabeça para trás e voltou a fechar os olhos, o que Jensen entendeu como um consentimento para continuar.

O loiro não perdeu tempo e passou a língua pelo seu membro, para depois abocanhá-lo, arrancando mais gemidos do moreno. Alternou seus movimentos entre chupar e lamber, enquanto Jared empurrava seu quadril de encontro à sua boca, com uma de suas mãos nos cabelos curtos de Jensen, enquanto a outra estava agarrada aos lençóis.

- Eu... Eu vou... – Jared tentou avisá-lo, mas Jensen não se importou. Continuou com os movimentos até que o moreno se derramasse em sua boca, com um gemido gutural.

Jensen tirou a camiseta que vestia e limpou-se, depois se deitou na cama com um sorriso de satisfação. Nenhum dos dois disse nada e depois de alguns minutos Jared voltou a dormir.

O moreno acordou pela manhã com uma sensação de fraqueza no corpo e a cabeça latejando. Sentou-se na cama e só então percebeu que Jensen estava ali. Devia ter adormecido sem querer, porque ainda estava de jeans e sapatos, encolhido no canto da cama sem sequer ter se coberto.

Como um flash, as lembranças da noite anterior vieram à sua mente. Estava tudo um tanto confuso e Jared não conseguia saber se tinha sido um sonho ou se realmente aconteceu. Fechou os olhos por um instante e quase podia sentir os toques de Jensen em seu corpo, era tudo real, vívido demais para ter sido um sonho.

Foi ao banheiro e depois de vestir-se pegou um copo de leite na geladeira e alguns biscoitos para enganar seu estômago.

Depois de comer, parou diante da cama, observando Jensen dormir. O loiro ressonava baixinho e tinha o sono tranquilo. Jared não quis acordá-lo, se aproximou e colocou o cobertor sobre o seu corpo.

Apesar de nunca ter se interessado por homens, tinha que admitir que Jensen era um homem bonito. E isso soava estranho até de pensar. Mas não era só a sua beleza física, Jensen era de certa forma... Encantador. Tinha algo nele que, mesmo parecendo estar quebrado por dentro - o que não conseguia esconder nem com seu melhor sorriso – ainda havia um brilho especial, uma vontade de viver, de recomeçar... Talvez ainda não tivesse perdido a fé e a esperança – Jared pensou com uma pontada de tristeza.

Jared não conseguia entender como tudo tinha acontecido na noite anterior. Como tinha deixado as coisas chegarem naquele nível. E não sabia como iria olhar para Jensen quando ele acordasse.

Precisava sair dali, precisava respirar... Como sempre, fugir era o que melhor sabia fazer. Pegou um casaco, as chaves do barco e saiu...

Rumou com o barco mar adentro até achar que estava há uma distância segura. Desligou o motor e sentou-se encostado na popa. Ali, no meio do mar, sentia como se nada pudesse o atingir. Mas a dor que tinha dentro do peito continuava ali e sabia que ela o perseguiria pelo resto da sua vida.

Lembrou-se da noite em que nadou para o meio do oceano até esgotar suas forças. Achou que seria uma morte digna, mas na manhã seguinte acordou deitado na areia da praia, com nada mais além do corpo dolorido e cansado.

Chegava a ser irônico ter que continuar a viver quando tudo o que mais desejava era que tudo acabasse. Sua educação cristã não o permitia acabar com a própria vida, apesar de ter pensado nisso várias vezes. Era um covarde, acima de tudo.

Estava conseguindo manter-se lúcido ali na ilha, longe das pessoas, longe de tudo. Até a chegada de Jensen. O loiro tinha chegado ali e do dia para a noite tinha conseguido bagunçar toda a sua vida. E agora, depois do que acontecera, as coisas se tornariam insustentáveis entre os dois. Jared não queria envolvimento. Não era pelo fato de Jensen ser um homem, apesar disso tornar tudo ainda mais estranho.

Também não sabia por que estava se preocupando com isso, pois talvez Jensen estivesse ali apenas em busca de diversão. Ele era boa companhia, disso não tinha dúvida. Mas qualquer envolvimento só tornaria mais dolorosa a sua partida. Já estava acostumado à solidão, mesmo que ela ainda machucasse algumas vezes.

Fechou os olhos e deixou as lágrimas caírem. O que lhe assombrava agora não eram os fantasmas do seu passado, mas o turbilhão de sentimentos que sufocavam o seu peito.

Jensen acordou quando o sol já estava alto. Percebeu a falta de Jared na cama e se levantou rapidamente. Jogou água em seu rosto, vestiu uma camisa limpa e saiu pela ilha, à procura do moreno.

Mesmo sem querer, uma pontada de tristeza se abateu sobre ele quando percebeu que o barco de Jared não estava ali. Isso não era um bom sinal, em todos os sentidos.

Se mesmo estando machucado, o moreno optara por sair da ilha, só poderia significar uma coisa... Provavelmente depois de acordar e se dar conta do que acontecera durante a noite, não queria mais vê-lo. E isso agora machucava mais do que Jensen poderia imaginar.

Continua...


Respondendo às reviews:

Elisete: Fico feliz em saber que você gostou do capítulo. Sim, a cena do Jared nu + o brilho da lua sobre o mar é perfeita (pelo menos na minha imaginação... rsrs). Obrigada por ler e comentar! Beijos!

Bia: Qual feitiço que eu faço? Segredo de autora... huahuahua. Mas está dando certo, então... É, não dá pra saber qual dos dois é o mais teimoso. Beijos! E obrigada por comentar!

lene: Pois é, mesmo sem querer o Jared está se envolvendo, não é? Fico feliz em saber que está apaixonada pela minha história *-* Beijinhos, e obrigada por comentar!

Cléia: É só fazer o Jared morder a fronha que vcs já ficam empolgadas, né? hehehe. Um beijo, amore! Obrigada por continuar acompanhando minhas insanidades.

TaxxTi: O que seria da minha vida sem você, amore? *abraça apertado* Beijinhos!

Luana: Quem me conhece, ou me acompanha no twitter e no tumblr, sabe que eu adoro a Genevieve e que jamais vou colocar ela como vilã em minhas fics. Nada contra, podem xingar à vontade, porque ninguém é obrigado a gostar dela e eu respeito a opinião de cada um. Assim como eu não curto Destiel e a maioria do fandom curte, tudo bem. Viva a diversidade de opiniões! Agora, você estava gostando muito da fic, mas só conseguiu comentar neste capítulo para criticar sobre eu colocar a Gene como boa moça? Sem mais comentários...

Obrigada a todos que leram, e um abraço especial a quem deixou review!

Beijinhos!

Mary.