Título: Um Lugar Para Recomeçar

Gênero: Padackles / J2

Autora: Mary Spn

Beta: Eu mesma! Os erros são todos meus.

Conselheira: TaXXTi

Avisos: Contém cenas de relação homossexual entre dois homens. Não gosta, não leia!

Sinopse: Dois homens feridos pelo passado. Enquanto um deles está disposto a recomeçar, tudo o que o outro quer é fugir. Estariam destinados a curar as feridas um do outro ou a machucarem-se ainda mais?


Um Lugar Para Recomeçar

Capítulo 9

Jensen ainda gritou o nome de Jared algumas vezes, mas o moreno não lhe deu ouvidos, foi embora sem sequer olhar para trás.

O loiro permaneceu alguns minutos ali parado, na beira da praia, sentindo que o seu mundo desabara mais uma vez.

Se quando saiu da ilha no dia anterior já não acreditava que ainda pudesse haver algum entendimento entre eles, agora suas últimas esperanças tinham se esgotado.

Jared não o perdoaria.

Jensen caminhou de volta para o chalé e Misha veio encontrá-lo na beira da praia.

O moreno sentiu um aperto no coração ao ver o amigo assim, tão arrasado. Só se lembrava de tê-lo visto deste jeito uma vez, depois do acidente em que Julian morrera.

- Jensen, eu... Eu sinto muito, cara! - Misha não sabia direito o que dizer.

- Você tinha razão, Misha.

- Sobre o quê?

- Acho que eu devo mesmo tentar esquecê-lo. Se as coisas já estavam ruins, agora ferraram de vez – Jensen falava enquanto entrava no chalé, onde se jogou cansadamente no sofá.

- Eu deveria ter guardado o jornal. Que droga, cara! – Misha passou a mão pela cabeça, se amaldiçoando.

- Quem poderia imaginar que ele viria até aqui? Ele nunca veio, ainda mais depois de ontem... Por falar nisso, o que será que ele queria? Praticamente me escorraçou ontem de lá e agora...

- Fazer as pazes, talvez? – Misha sugeriu.

- Não. Ele não viria até aqui pra me pedir desculpas. Pra me xingar mais ainda sim, mas não pra se desculpar.

- Também, eu sou mesmo um tapado, não é? Atender a porta só de toalha... Às vezes eu esqueço que não estou em casa.

- O quê?

- Eu achei que ele fosse arrancar os meus olhos, juro que fiquei com medo.

- Ele falou alguma coisa?

- Não, primeiro ele me olhou de cima em baixo, e quando eu disse que você estava no banho, ele... Ele me encarou de um jeito que eu não achei muito seguro permanecer no mesmo cômodo que ele - Misha falou sério e de repente Jensen começou a ter um ataque de riso, deixando o amigo sem entender nada.

- Eu amo você, Misha! – Jensen levantou-se do sofá e abraçou o moreno, dando-lhe um beijo na testa.

- Eu estou começando a duvidar da sua sanidade mental, Jensen! – Misha ainda não entendia nada, mas começou a rir também.

Quando finalmente Jensen se acalmou e voltou a ficar sério, segurou mais uma vez o jornal em suas mãos.

- Eu vou voltar lá amanhã – Jensen falou simplesmente.

- O quê? Você ficou maluco? Não vai mesmo!

- Eu nunca vou saber se não for, Misha. E ele com certeza nunca mais irá voltar aqui.

- Jensen, eu sei que você está se sentindo mal por ele ter visto o jornal e sabido que você investigou a sua vida, mas... Você mesmo disse que ele não queria envolvimento. Vai voltar lá pra quê? Pra se magoar ainda mais?

- Ele ficou com ciúmes, Misha! Ciúmes! – Jensen falou com empolgação, como se isso explicasse alguma coisa.

- E daí? Eu não sei o que...

- E daí que se ele não sentisse nada por mim, não iria se importar por ver você só de toalha na minha casa. Mas ele ficou puto. Muito mais depois que viu o jornal, mas mesmo assim, ele não deixou de jogar na minha cara que achou que eu e você estávamos tomando banho juntos, entendeu?

- Não.

- Não importa. Eu preciso me desculpar e ter certeza de que não existe mesmo uma chance para nós.

- Você é um filho da puta teimoso, Jen!

- Eu sei. Mas agora é tarde, Misha. Eu só consigo pensar nele o tempo todo e se eu não for até lá é como se eu estivesse desistindo...

- Às vezes é preciso desistir, Jensen.

Misha conhecia Jensen há muito tempo e sabia que nada o faria mudar de ideia. Como estava em seus planos, foi embora antes do anoitecer, mas não antes de dar mil e uma recomendações a Jensen e se certificar que o amigo ficaria bem.

Jensen passou a noite praticamente em claro. Não conseguia parar de pensar em Jared e nas tragédias que haviam lhe arrancado toda a esperança e a vontade de viver. Não podia julgá-lo, pois nenhum ser humano passaria por algo tão devastador e sairia sem sequelas.

O que mais machucava agora era lembrar o olhar de Jared, que não tinha mais nada além de dor e pura decepção. O moreno estava magoado, e com razão. Mesmo que a intenção de Jensen fosse boa, mas agora estava se sentindo um traidor.

Mal o sol tinha nascido e Jensen já estava navegando em seu barco, rumo à ilha. O mar estava agitado e o loiro, apesar de ter trazido consigo um colete salva vidas, ficou com medo de não conseguir chegar ao seu destino.

Com sorte e um pouco de habilidade em pilotar o barco, conseguiu chegar são e salvo.

Estava angustiado, afinal, não sabia como iria encontrar Jared depois do que acontecera. Saiu do barco e andou alguns metros pela areia, com o coração apertado.

Tomou um susto muito grande e seu coração disparou quando viu Jared ali, deitado de bruços na areia, uma garrafa de uísque ao lado de uma das mãos e ao lado da outra uma arma.

- Seu filho da... – Jensen correu até ele e o virou, para se certificar de que estava vivo. O coração querendo saltar do peito, tamanha a aflição ao ver a cena.

No momento em que foi virado, Jared se mexeu e gemeu alguma coisa que Jensen não conseguiu entender, mas serviu para aliviar sua aflição.

Pegou a arma e a verificou, vendo que estava carregada.

- Seu maldito! Que merda você pensou em fazer? – Jensen não conseguiu segurar as lágrimas, suas mãos tremiam, tamanho era o seu desespero. Não conseguia nem imaginar se chegasse ali e encontrasse o moreno sem vida. Ou melhor, já não conseguia mais imaginar a sua vida sem ele.

Tirou as balas e colocou a arma na cintura, então jogou a garrafa de uísque para o lado.

- Jared! Vamos lá, você precisa levantar daí – Jensen tentou despertá-lo.

Jared abriu os olhos por um instante e resmungou algo como: "Eu estou no céu?"

- Não! Mas eu vou te mandar pro inferno se você não se levantar agora! – Jensen falou sem paciência.

Jared se levantou com a ajuda de Jensen e o loiro o conduziu para o farol. O moreno quis deitar-se na cama, mas Jensen o conduziu até o chuveiro, já que estava todo sujo de areia.

Ajudou-o a tirar a roupa e ligou o chuveiro frio, mas como Jared era mais forte e relutou em entrar debaixo daquela água, Jensen ligou o aquecimento.

Ainda ajudou o moreno a tirar a areia do corpo e a secar-se, então o levou para a cama. Jared puxou o cobertor, encolheu-se feito uma criança e logo voltou a dormir.

Jensen estava nervoso, já não aguentava mais esperar. Sentira vontade de bater em Jared quando vira aquela arma ao seu lado na praia.

O estresse e o cansaço do dia anterior o estavam matando. Jensen tirou seus sapatos e deitou-se ao lado de Jared na cama. Do jeito que estava bêbado, com certeza Jared nem notaria a sua presença.

Acabou pegando no sono e acordou algumas horas depois, percebendo que Jared estava sentado na beirada da cama, e pelo visto já tinha levantado e tomado banho, pois estava com os cabelos molhados.

- Jared, eu... – Jensen levantou-se rapidamente da cama.

- Eu pedi pra você ficar longe de mim, Jensen. Me diz, o que eu preciso fazer pra você entender isso de uma vez por todas? – Jared falou sem olhar para o loiro.

- O que você fazia com uma arma, Jared? – Jensen ignorou sua pergunta.

- Que arma, Jensen?

- Não se faça de idiota, ok? Eu cheguei aqui pela manhã e encontrei você deitado na praia com uma garrafa de uísque em uma mão e uma arma na outra.

- Eu ouvi um barulho durante a noite e fui verificar o que era. A arma estava descarregada!

- Não, não estava. Foi a primeira coisa que eu verifiquei. Você não estava pensando em...

- Não, Jensen! Eu sou um covarde. Você acha que se eu tivesse mesmo coragem não teria feito isso há muito tempo?

- Você por acaso pensou que seria eu a encontrá-lo se você tivesse...

- Pensei. E foi por isso que eu não fiz, ok? Agora me deixa em paz que eu estou com dor de cabeça. E eu ainda quero você longe de mim!

- Jared, eu... Eu sinto muito por ter investigado a sua vida, eu...

- Sente muito? – Jared riu sem humor.

- Eu tive a melhor das intenções, eu juro!

- E está feliz agora? Isso faz você se sentir melhor?

- Não. Mas agora pelo menos eu posso entender você.

- Pode me entender?

- Eu sei que não tem comparação, mas você sabe que eu passei por algo parecido...

- Eu sei. Você também perdeu alguém que amava – Jared levantou-se da cama e foi até a frente do balcão, pegando o porta retratos em suas mãos – Mas você pelo menos estava com ele, não estava?

- O que você...

- Você sabe onde eu estava, Jensen, quando a minha casa foi destruída por um furacão e matou as duas pessoas que eu mais amava? – Grossas lágrimas escorriam pelo rosto do moreno – Em um bar! Eu estava em um maldito bar! – Jared socou o balcão com força.

- Jared...

- A ironia disso tudo é que, eu trabalhava em uma empresa na cidade vizinha e todos os dias ia direto do trabalho para casa. A Gene era ciumenta, e... - Jared sorriu com a lembrança - Qualquer atraso tinha que ser muito bem justificado. E logo naquele dia eu encontrei um amigo que me convidou para tomar uma cerveja. Fomos a um bar e depois da terceira cerveja começou a ventar muito por lá. O rádio estava ligado na estação local e anunciou que a cidade em que eu morava tinha sido devastada. Eu entrei no carro e corri o quanto pude, mas... Era tarde demais. Quando eu cheguei lá havia um poste caído sobre a casa. Os bombeiros tentaram me segurar, mas eu entrei mesmo assim. A Gene segurava nossa filhinha nos braços, estava tentando protegê-la enquanto o telhado desabava em cima delas... Eu não... – Jared não conseguiu dizer mais nada, voltou a sentar-se na cama, chorando com o rosto escondido entre as mãos.

- Jared, você não teve culpa! Aquele furacão pegou a população de surpresa, não tinha nada que você pudesse fazer!

- Eu deveria estar lá! Eu deveria tê-las protegido!

- Você só teria morrido junto com elas, Jared! Não poderia salvá-las!

- Era tudo o que eu mais queria, Jensen! Será que você não entende?

- Eu entendo. Eu entendo melhor do que ninguém. Mas você está vivo. Está vivo! E não pode continuar se escondendo aqui, sozinho, esperando pelo dia da sua morte!

- Eu sei. Isso tudo era pra ser temporário. Então eu fui ficando e ficando, e... Agora eu já não consigo mais ir embora. Nem sei se eu quero sair daqui algum dia...

- Eu não consigo imaginar... Deve ser muito solitário, eu não aguentaria.

- Como tudo na vida, você se acostuma. No começo eu falava sozinho o tempo todo. Depois até mesmo o som da minha própria voz se tornou algo estranho de ouvir.

- Jared... E onde estão seus amigos? Eu quero dizer, eles sabem que você está aqui? Você... Tem amigos, não tem?

- Eu deixei tudo para trás quando vim pra cá. Logo depois que tudo aconteceu, a minha casa estava destruída e eu fui morar no apartamento de um amigo. Eles se preocupavam muito comigo, toda hora alguém vinha me visitar, perguntar como eu estava, e... Eu estava arrasado. Eu só queria que as pessoas me esquecessem e parassem de se preocupar comigo. Cada vez que alguém me perguntava, eu mentia, dizia que estava bem, que não era pra eles se preocuparem... Mas eu estava morrendo por dentro. Eu só dizia que estava bem pra fazer eles se sentirem melhor. E depois de um tempo eu já não aguentava mais, eu só queria ficar sozinho. Eu larguei o meu trabalho e disse aos meus amigos que iria viajar. Dias depois eu encontrei o chalé que você alugou e achei que era o lugar perfeito. Ninguém me conhecia, e eu não teria que dar satisfação da minha vida pra mais ninguém. Fiquei quase dois meses ali até que eu soube desse emprego aqui no farol. Assim que eu coloquei meus pés nesta ilha, eu sabia que o meu lugar era aqui.

- E desde então, nunca mais procurou pelos seus amigos?

- Só liguei avisando que eu estava bem e que ficaria longe por algum tempo.

- Eles devem estar preocupados.

- Ou já devem ter me esquecido.

- Não. Eu aposto que não.

- Como você pode saber?

- Eu dificilmente me engano com as pessoas. E pelo jeito que você amava a sua mulher, mais o pouco que eu te conheço, eu só posso deduzir que você é uma pessoa especial. Não é do tipo que pode ser esquecido facilmente.

- Você é certamente o cara mais estranho que eu já conheci.

- Ah, ok. Então eu sou o cara estranho aqui? – Jensen ironizou.

- Eu ainda não sei o que você faz aqui. Se você tivesse um pingo de sanidade, ficaria bem longe de mim. E por mais que eu tente te afastar, você sempre acaba voltando. Qual é o seu problema? O que você quer de mim?

- O que eu quero? Eu... Eu quero saber o que você queria quando foi até o chalé.

- Nada! Não tem mais importância.

- Como assim, não tem mais importância? Eu preciso saber! Você foi lá pra se desculpar?

- Me desculpar?

- Pelas grosserias que você me disse no outro dia, não foi?

- Eu já disse que não importa mais!

- Importa pra mim!

- Não pense que eu esqueci o que você fez... O fato de você ter vindo aqui não mudou nada!

- Então é isso? Mesmo depois de eu me desculpar e te explicar que estava apenas querendo ajudar, você ainda quer que eu vá embora, não é? Pois eu vou fazer a sua vontade! Vou embora daqui e você nunca mais vai precisar olhar pra minha cara! – Jensen praticamente gritou, furioso.

O loiro pegou sua mochila com raiva e ia saindo, quando Jared o segurou pelo braço.

- Você enlouqueceu?

- Não é o que você quer? Então me solta! – Jensen tentou se desvencilhar dos braços fortes de Jared, em vão.

- Você não está ouvindo o barulho do mar? Vai querer mesmo entrar nele com esse seu barquinho e morrer afogado, seu idiota?

- Que se dane! Assim você se livra de mim de uma vez por todas!

- Não, você não vai sair daqui com o mar revolto desse jeito. Não mesmo! Pode ligar pro seu namoradinho e dizer a ele que vai ter que passar a noite aqui.

- O Misha não é meu namorado! Ele é meu editor e meu melhor amigo! Será que você não entende?

- Talvez eu não entenda porque não costumo tomar banho junto com meus amigos! – Jared ironizou.

- Você já viveu no chalé, então deve saber que só tem um banheiro lá. Isso quer dizer que ele tomou banho, saiu do banheiro, então eu entrei! Nós não tomamos banho juntos! O Misha é hetero! E casado! Quero dizer, não no papel, mas vive com uma mulher há anos!

- Como se isso fizesse diferença... – Jared finalmente soltou o braço de Jensen.

- O que é isso agora? Uma crise de ciúmes? – Jensen sorriu satisfeito.

- Não seja tão convencido!

- Já posso ir agora?

- Eu já disse que você não vai sair daqui enquanto o mar não se acalmar. E provavelmente isso só vai acontecer de madrugada.

- Além de insuportável, você é mandão agora?

- Pense o que você quiser. Eu não me importo. Só não vou deixar você fazer besteira só porque está puto comigo.

- E tem algo com que você se importe?

- Eu me importo com você! – Jared segurou Jensen pela gola da camisa e o encostou contra a parede – Será que você não percebe?

Jensen fora pego de surpresa e ficou algum tempo sem reação, com a respiração ofegante, seu rosto há apenas alguns centímetros do rosto de Jared.

- Então me mostra o quanto você se importa! – Jensen puxou o moreno pela nuca e iniciou um beijo. Jared tinha duas opções agora... Poderia corresponder ao beijo e apagar o fogo que o consumia ou jogá-lo no mar. Jensen só esperava que ele escolhesse a primeira opção...

Continua...


Respondendo às Reviews:

Cleia: Até a briga foi linda? *eu ri* rsrs. Você é um amor! Obrigada por ler e comentar! Beijinhos!

Bia: Não deve ter sido fácil pro Jared suportar tudo isso sozinho, né? Tadinho do meu baby! Vamos ver se a teimosia do Jensen é maior que a dele... rsrs. Beijos!

Elisete: Angst é o que não falta nessa fic... O Misha pisou na bola, né? Mas eles também não poderiam adivinhar que o Jay fosse aparecer por ali. O negócio está feio mesmo! rsrs. Beijos!

Lene: Quando eles vão se acertar? *disfarça* rsrs. Será que a situação dos dois vai melhorar? Deixa eu ver... A, não posso contar! Um beijo!

Black B: Apaixonada pela fic? Ownnnn... *toda boba aqui* rsrs. Beijos!

Sandra: Que bom que você me achou no ff . net então! Eu adoro receber reviews! Não dê essas ideias de catástrofes para esta minha mente sádica, senão ainda acabo matando os dois! (brincadeirinha... rsrs). Um beijo! E obrigada por comentar!


Um recadinho da Mary: O capítulo 9 provavelmente será postado só daqui a duas semanas (ou mais), pois semana que vem estarei de férias na praia e sem acesso à internet. Mas enquanto vocês não tiverem capítulo novo para ler, podem ler essa fic delicinha que eu ganhei da TaXXTi:

"O inferno é seu corpo" http : / www . fanfiction . net / s / 7140925 / 1 /O_inferno _e_ seu_ corpo (tirem os espaços do link)

O shipper é Samifer/Dean (com dark lemon), eu recomendo! Eu pedi e ganhei! Não é o máximo? rsrs... LIKE A BOSS!

Ah, se forem ler, por favor deixem review... Façam valer à pena ela ter passado a magrugada de sábado para domingo escrevendo pra mim!

Beijos!

Mary.