Título: Um Lugar Para Recomeçar

Gênero: Padackles / J2

Autora: Mary Spn

Beta: TaXXTi

Avisos: Contém cenas de relação homossexual entre dois homens. Não gosta, não leia!

Sinopse: Dois homens feridos pelo passado. Enquanto um deles está disposto a recomeçar, tudo o que o outro quer é fugir. Estariam destinados a curar as feridas um do outro ou a machucarem-se ainda mais?


Um Lugar Para Recomeçar

Capítulo 16

Jared estava fazendo o possível para retomar a sua vida, mas não estava sendo uma tarefa nada fácil. Não que isso o surpreendesse, mas tinha que admitir para si mesmo que diversas vezes ao dia, sentia vontade de voltar correndo para aquela maldita ilha.

Nem mesmo o trabalho estava sendo fácil. As notícias se espalharam rapidamente depois do seu retorno, e nem todos os seus colegas de trabalho aceitaram bem a sua volta.

- Então é você quem vai me ajudar com o projeto da nova máquina? – Chad falava enquanto fazia algumas anotações sobre o desenho de um motor.

- Parece que sim – Jared terminava alguns cálculos em frente ao computador.

- Como nos velhos tempos, hein?

- Você acha isso bom? – Jared girou a cadeira, ficando de frente para o amigo.

- Acho. Quero dizer, pelo menos eu confio no seu trabalho. As coisas andam difíceis por aqui.

- É estranho... – Jared ficou pensativo por alguns instantes, deixando Chad preocupado.

- O que é estranho?

- Antes... Eu gostava disso aqui. Gostava do que eu fazia, e agora... Ok, não era o emprego dos meus sonhos, você sabe, mas... Eu não sei, eu deveria estar animado para recomeçar, e no entanto...

- E no entanto...?

- Eu não vejo a hora do dia terminar e poder voltar pra casa, é como se... É quase um sacrifício ficar aqui, entende?

- Sim. Você não vê a hora de poder voltar para o seu homem. Isso é tão romântico que chega a me arrepiar – Chad passou a mão pelo próprio braço, fingindo sentir um arrepio.

- Tudo bem. Você pode tirar sarro à vontade – Jared deu risadas – Eu também não perdoaria se fosse com você.

- O que é que as meninas estão fazendo sozinhas aqui na sala? Cuidado Chad... Dizem que isso é contagioso – Charles fez piada logo que entrou, Jared e Chad apenas olharam um para o outro, achando melhor ignorar – Então esse é o projeto que restou para mim? Ótimo! – Charles sorriu com ironia, pegou os papéis de cima da mesa e saiu da sala.

- Eu ainda vou quebrar a cara dele – Jared resmungou assim que ficaram a sós.

- Não vale à pena. Ele só está enciumado porque o chefe passou os melhores projetos pra você.

- Ok. Então vamos trabalhar - Jared achou melhor não se aborrecer ainda mais.

- x -

No dia seguinte, Jensen trabalhava no seu novo livro quando Jared chegou em casa, e estranhou o fato do moreno ter voltado mais cedo do trabalho.

- Hey! Você chegou cedo – Jensen foi ao seu encontro e lhe deu um selinho nos lábios – Está tudo bem?

- Está sim – Jared o puxou para um abraço e o beijou profundamente – Vejo que você voltou a escrever – O moreno comentou ao ver o laptop sobre a mesa de centro.

- É, eu estou me dedicando ao meu novo livro. Está sendo um pouco trabalhoso, por que eu não quero perder nenhum detalhe. Eu leio e releio... Sempre fica parecendo que eu esqueci de algo...

- Posso ler? – Jared perguntou só para provocar.

- Não ainda. Deixa de ser apressadinho, vai? – Jared fez bico e Jensen sorriu, voltando a beijá-lo – Mas por que você voltou tão cedo hoje? – Jensen estranhou a reação de Jared à pergunta.

- Eu... Eu me demiti – O moreno se afastou, passando a mão pelos cabelos, em sinal de nervosismo.

- Se demitiu? – Jensen estranhou – Aconteceu alguma coisa?

- O de sempre... Eu só... Perdi a paciência com as brincadeiras idiotas. Só isso.

- Que tipo de brincadeiras idiotas?

- Eu não quero falar sobre isso, Jen... Deixa pra lá.

- Jared... Fala comigo, por favor? Eu preciso saber o que está acontecendo. Até mesmo o Chad faz piadas gays com você e eu nunca vi você se importar antes, agora vem me dizer que pediu demissão por causa disso?

- Pois é, eu nunca me importei, não costumo ligar pra esse tipo de coisa. Enquanto eram só piadas sobre queimar a rosca e esse tipo de idiotices, tudo bem, mas ele... Ele descobriu quem você é e fica...

- E fica...?

- Ele decorou trechos dos seus livros e fica fazendo zoação em cima deles... Fica... Eu mandei ele se ferrar e dei um soco na cara dele – Jared riu, sem humor.

- Um soco?

- Eu sei que não é nenhuma atitude sensata, não é o que você esperava de mim, mas... Eu não podia permitir esse tipo de coisa. O que eu tenho com você é sagrado e eu não...

- Eu amo você! – Jensen o interrompeu com um beijo na boca.

- O quê?

- Eu disse que amo você! – Jensen o abraçou com força e beijou seu pescoço, deixando Jared sem entender nada – Eu não teria feito outra coisa em seu lugar.

- Mesmo? Quero dizer... Eu estava esperando você me xingar por conta disso, ou me passar um sermão sobre eu ter que ser mais compreensivo com as pessoas, qualquer coisa assim.

- Ei! Eu não sou assim chato! – Jensen se fez de ofendido.

- Às vezes você é – Jared brincou – Adoravelmente chato! – O moreno o puxou para um beijo.

- Eu sinto muito que você tenha que passar por isso.

- Não se preocupe, eu sei me virar. Você deveria ter visto a cara do Chad – Jared riu - Ah, espero que você não se importe em me sustentar por uns tempos. Eu posso cozinhar e lustrar seus sapatos pra pagar minha estadia aqui, se você quiser...

- Eu tive uma ideia melhor. Você pode me pagar em favores sexuais. O que acha? – Jensen ergueu as sobrancelhas e depois sorriu de um jeito safado.

- Desse jeito eu vou querer ficar desempregado pelo resto da minha vida – Jared passou a língua pelos lábios – Quer que eu me ajoelhe, senhor?

- x -

Nos dias seguintes, Jensen percebeu que Jared andava estranho, com alterações de humor e algumas vezes parecia até deprimido. Tentou convencê-lo a procurar um médico, mas o moreno sempre desconversava quando tocava neste assunto, dizendo que só precisava de um novo emprego para manter a cabeça ocupada.

Talvez o problema fosse apenas este, ou talvez fosse algo muito maior...

Jensen viajou com Misha para ir a uma feira, e quando retornou, tomou um grande susto pela reação de Jared.

- Jensen... Graças a Deus! – O moreno foi ao seu encontro e o abraçou apertado.

- Hey meu amor, você... Jared, você está tremendo! – Jensen percebeu ao segurar a mão do moreno – E pálido também. Aconteceu alguma coisa?

- Olá Jared! – Misha o cumprimentou de longe.

- Se aconteceu alguma coisa? – Jared respondeu com a mesma pergunta, ignorando Misha – Por que esse atraso todo? E por que você não atendeu as minhas ligações?

- Eu estou duas horas atrasado, Jared. Isso é mais do que normal em um vôo com este tempo. Você sabe disso. Por que tudo isso agora?

- E o seu celular?

- Eu devo ter esquecido de ligá-lo depois do vôo. Me desculpe! – Jensen tirou o aparelho da sua pasta e o ligou, vendo que tinha oito chamadas perdidas e três mensagens, todas de Jared.

- Claro... Você deve ter esquecido – Jared ironizou – Um avião acabou de fazer um pouso forçado naquele maldito aeroporto. Você não achou que eu ficaria preocupado? É pedir demais que você mantenha o seu celular ligado? – Jared elevou o tom de voz.

- Jared, eu... Eu não sabia. Deve ter acontecido depois que nós desembarcamos, eu... Foi um descuido, me desculpe! – Jensen falou calmamente e se aproximou do moreno, o abraçando em seguida e percebendo que ele já estava mais tranquilo.

- Tudo bem, eu... Eu vou me deitar um pouco - Jared falou em voz baixa, olhou com tristeza de Jensen para Misha, então foi para o quarto.

- Você vai ter que dar um jeito nisso – Misha comentou assim que ele e Jensen ficaram a sós – Daqui a alguns dias ele vai apertar a coleira tão forte que você não vai mais poder sair de casa. Tenham um bom dia! – Misha foi embora, deixando Jensen pensando à respeito.

Jensen pensou em ir atrás do moreno no quarto, mas decidiu dar um tempo à ele e tentar entender o que estava se passando. Sentou-se no sofá e ligou a televisão, onde o noticiário mostrava o avião que teve que fazer um pouso forçado, devido as más condições do tempo.

Pensou então que se fosse ele no lugar de Jared, também teria ficado aflito, também teria surtado, sem ter notícias.

Desligou a TV e foi para o quarto, onde ouviu o barulho do chuveiro ligado. Tirou suas roupas e entrou no banheiro, Jared estava com os olhos fechados, deixando a água cair sobre sua nuca e ombros, tentando relaxar.

Quando Jensen se aproximou, o moreno abriu os olhos e o loiro percebeu que ele tinha chorado.

- Jared...

- Eu devo estar ficando paranóico, não é? Eu... Eu fiquei com tanto medo... Se alguma coisa te acontecesse, eu... Eu não sei...

- Shh... Está tudo bem, meu amor. Eu estou aqui – Jensen o abraçou, tentando passar segurança – Eu não devia ter desligado o celular. Me desculpe!

- Não é culpa sua, eu que entrei em pânico... Quando eu vi a notícia sobre aquele avião, eu fiquei morrendo de medo que você estivesse nele.

- Eu teria agido da mesma forma, Jared. Está tudo bem.

- Não, você não teria. Não é a primeira vez que eu perco a cabeça desta maneira, eu... Talvez não tenha sido uma boa ideia nós morarmos juntos...

- Não diga isso, por favor! Nunca mais repita isso! – Jensen o abraçou com força, como se tivesse medo de perdê-lo.

- x -

No dia seguinte, depois de ir a uma entrevista de emprego, no início da tarde, Jared passou na livraria para visitar Alice.

Ficou algum tempo observando enquanto ela dava ordens e corria de um lado para o outro, ajeitando as coisas, ao mesmo tempo em que falava com um fornecedor ao telefone.

Sua cunhada era uma mulher de fibra, só conseguia admirá-la cada vez mais.

- Pronto, agora vem comigo... Vamos tomar um café – A morena puxou Jared para fora da livraria e foram até a cafeteria da esquina – Jesus! Está cada vez mais difícil tirar uma folga, vou acabar tendo que ampliar a livraria. Está uma loucura!

- Eu percebi – Jared riu do jeito da cunhada. Sabia que ela reclamava, mas não vivia sem aquele tumulto.

- Você poderia ser meu funcionário. Aposto que a clientela iria aumentar muito. Principalmente se o Jensen viesse te visitar de vez em quando, hein! – A morena riu – Ok, eu estava brincando – Ela se corrigiu ao ver Jared lhe olhar de cara feia.

- Eu sei.

- Me visitando fora de hora, monossilábico e sério demais... Anda, desembucha! Qual é o problema desta vez?

- Nenhum. Por que você acha que sempre há algum problema?

- Há quantos anos eu te conheço mesmo? A Gen que sempre dizia: Quando o Jared está calado, é sinal de problema.

- Pois desta vez você está enganada – Jared forçou um sorriso.

- Certo. Mas então, me conte as novidades. Como vão os pombinhos?

- Pombinhos? – Jared fez uma careta, incrédulo.

- O Jensen está escrevendo alguma história nova? – Alice perguntou só para puxar assunto, já que Jared estava calado.

- Posso te fazer uma pergunta idiota?

- Claro – Alice pensou ser alguma piada, mas segurou o riso, vendo que o cunhado estava sério demais.

- Durante esse tempo todo em que você e o Chad estão juntos, você já sentiu alguma vez como... Sei lá, que talvez ele estivesse melhor sem você?

- O quê? – A morena gargalhou com vontade – Sem mim, provavelmente o Chad já estaria na sarjeta! Qual é, Jared? Ok, talvez nem tanto, mas... Na verdade, não é de mim e do Chad que você está falando, certo?

Jared nada disse, apenas ficou olhando para a janela, pensativo.

- De onde surgiu isso agora, hein? – Alice puxou o rosto do moreno na sua direção, o fazendo encará-la. Quer me contar o que está acontecendo?

- Nada. Não está acontecendo nada, só... É só uma sensação. Eu tenho a impressão de que o Jensen está deixando as coisas dele de lado por minha causa.

- Deve ser só impressão sua. Ele não faria isso.

- Eu já ouvi várias vezes o Misha ligando pra ele, e ele inventando uma desculpa qualquer pra não ter que ir ao compromisso. Ele é um escritor famoso, Alice. Você, melhor do que ninguém, sabe como essas coisas funcionam.

- Eu tenho certeza que o Jensen sabe o que está fazendo. Você deveria confiar nele.

- Eu confio! Mas eu não quero ser um peso na vida dele. Depois, eu... Eu tenho tido muito essas alterações de humor, e... Eu não sei se eu sou uma boa companhia. Talvez tenha sido precipitado, sabe?

- Jared, não fique pensando bobagens, vai? Você é um amor de pessoa, só está passando por uma fase ruim. As coisas vão se encaixando com o tempo. Converse com ele, se você estiver mesmo encucado com isso. Mas não deixe que uma besteira dessas interfira no amor de vocês.

- É, eu vou fazer isso. Talvez seja mesmo só coisa da minha cabeça, mas...

- Mas?

- Às vezes eu fico pensando que... Talvez eu não deva... Talvez não seja justo com elas, eu...

- Oh, não Jared! Não faça isso consigo mesmo, por favor?

- Mas não é justo. Não é justo a minha vida continuar, eu voltar a ser feliz como se nada tivesse acontecido. Elas não tiveram nenhuma chance, Alice!

- A minha irmã foi feliz com você, Jared. Muito feliz! Ela te amava e com certeza iria querer chutar o seu traseiro se soubesse o que você está fazendo com a sua vida. Vamos lá, seu cabeça dura... Você sabe disso! – Alice queria poder abrir um buraco na cabeça de Jared para enfiar isso dentro.

- Talvez...

- Sabe de uma coisa? Você deveria procurar ajuda. Tudo que você tem passado é peso demais pra uma pessoa só. Eu tenho um amigo que é psiquiatra, e...

- Eu não preciso de um psiquiatra, Alice!

- Por que é que vocês, homens, têm que ser tão teimosos? Um psiquiatra não vai morder você, ele vai apenas conversar e receitar remédios que vão te ajudar a superar essa dor.

- Eu já disse que não...

- Que não precisa de um psiquiatra, eu sei! – Alice bufou.

- Que bom que você entendeu – Jared ironizou.

- Espero que você também tenha entendido o que eu falei. Vá ser feliz, homem, e pare de se torturar!

- Eu vou tentar.

- Promete?

- Prometo! – Jared rolou os olhos.

Quando o moreno voltou ao apartamento de Jensen, disposto a conversar com ele, não era sua intenção ouvir às escondidas, mas não conseguiu evitar, depois de ouvir sem querer o que Misha dizia.

- Eu fico feliz por você estar recomeçando a sua vida, Jensen. Mas eu sei como é estar apaixonado, e como seu amigo, tem coisas que eu não consigo ficar vendo e não dizer nada.

- Como o que, por exemplo?

- Você está abdicando da sua vida por causa dele!

- O quê? - Jensen forçou uma risada - Agora você está sendo ridículo, Misha!

- Estou? - Desta vez foi Misha quem riu forçadamente - Jensen... Você não tem ido a nenhum dos eventos que frequentava antes. E agora desistiu da viagem de duas semanas que faria para promover o seu livro na América do Sul.

- Eu só estou adiando as coisas, Misha. Não quer dizer que eu não vá voltar a fazer.

- Você concordou com a tradução dos seus livros para o português e espanhol, e agora não quer comparecer na promoção? Cadê o seu profissionalismo?

- Não é a minha prioridade agora. Eu tenho uma vida pessoal, se é que você esqueceu!

- E qual é a sua prioridade? Ficar sendo babá do seu homem das cavernas? Eu entendo que o Jared tenha problemas e que você queira ajudá-lo, mas você precisa saber separar as coisas. Não pode simplesmente deixar o seu trabalho de lado e dedicar sua atenção somente a ele!

- Eu não preciso de você pra me dizer o que eu devo ou não fazer, Misha. Da minha vida com o Jared, cuido eu! – Jensen falou aborrecido.

- Ok! Me desculpe! Mas eu acho melhor você repensar sobre a viagem...

Jared encostou-se na porta, prendendo a respiração, e agradeceu mentalmente que nenhum dos dois o tivesse ouvido chegar.

Voltou a abrir a porta e saiu, e quando entrou novamente em seu carro, finalmente deixou as lágrimas caírem.

- x -

Já eram oito horas da noite e Jensen andava de um lado para o outro dentro do seu apartamento. Era a décima vez que tentava ligar para o celular de Jared, e sempre caía na caixa de mensagens. O moreno saíra logo após o almoço, dizendo que iria a uma entrevista de emprego e não dera notícias depois disso. Jensen queria acreditar que ele apenas tinha saído com algum amigo e se esquecido de ligar, mas não conseguia deixar de ficar aflito.

Talvez estivesse com Chad e Alice, então o loiro resolveu ligar para se certificar.

- Oi Jensen! – Alice atendeu logo no primeiro toque.

- Olá Alice, tudo bem com você? – O loiro tentou parecer tranquilo, mas falhou terrivelmente.

- Você parece aflito. Aconteceu alguma coisa?

- Não, está tudo bem. O Jared está aí com vocês? Ele deve ter esquecido o celular em algum lugar, eu não estou conseguindo falar com ele.

- O Jared? Não, nós tomamos um café juntos, mas ele saiu daqui no meio da tarde.

- Ah, então... Ele disse pra onde ia quando saiu dali?

- Jensen, ele me disse que ia direto para casa. Ele não voltou? – Alice tinha preocupação na voz.

- Não, e... Você acha que eu devo me preocupar? Quero dizer, eu já estou preocupado, mas... Ele nunca se atrasou sem avisar antes. Eu não sei o que fazer ou onde procurá-lo.

- Olha Jensen, fique calmo, ok? Eu vou falar com o Chad e ligo pra você em seguida.

Depois de vinte minutos, Alice finalmente ligou, e Jensen já estava entrando em desespero.

- O Chad ligou para alguns amigos e ninguém tem notícias dele, Jensen.

- Você foi a última pessoa a falar com ele, Alice. Tem certeza que ele não disse mais nada? Ele estava bem?

- Bom, quando nós conversamos ele estava um pouco triste e chateado, mas... Espera, eu sei pra onde ele pode ter ido, Jensen. Você sabe onde fica a casa dele? Talvez ele quisesse ficar sozinho e pode ter ido pra lá.

- Eu sei sim, estou indo para lá agora mesmo.

Jensen desligou o telefone e depois de quase uma hora, estacionou em frente à antiga casa de Jared, suspirando aliviado ao ver que o carro dele estava lá.

Tocou a campainha, mas como não foi atendido, tentou abrir a porta, percebendo que a mesma não estava trancada.

Foi entrando devagar, com o coração acelerado, torcendo para que Jared não tivesse feito alguma besteira.

A casa estava numa escuridão total e quando Jensen acendeu uma das luzes, viu Jared sentado sobre o tapete da sala, encostado no sofá. Ele tinha os joelhos dobrados e estava com um ursinho de pelúcia em seus braços, ao seu lado uma garrafa de uísque com o líquido pela metade.

- O que você está fazendo aqui sozinho? – Jensen ajoelhou-se ao seu lado e secou os rastros de lágrimas do seu rosto.

- Pensando – Jared sorriu com tristeza, segurando a mão de Jensen.

- Vem, vamos voltar pra casa – Jensen se levantou e tentou puxar Jared consigo.

- Não! Eu não quero sair daqui. Eu não quero me esquecer delas, Jensen! – Jared tinha o olhar tão perdido e desesperado que Jensen teve vontade de pegá-lo no colo.

- Você... Por que ficar se torturando desse jeito, Jared? Estava tudo indo tão bem, e...

- Não! Não estava nada bem. Eu não posso continuar com isso, eu... eu... Eu não posso seguir a minha vida como se nada tivesse acontecido, isso não é justo... Eu não tenho esse direito!

- Meu amor, você... Você bebeu demais e não sabe o que está falando. Vem comigo pra casa, você precisa esfriar a cabeça, aí nós poderemos conversar com calma sobre isso, ok?

- Sabe, Jen... Este era o ursinho preferido da Emy... Ela dormia abraçada com ele, todas as noites. Eu não o levei comigo porque não aguentava olhar pra ele. Doía demais!

- Jared, por favor...

- Toda noite, quando chegava do trabalho, eu brincava com ela aqui, em cima deste tapete... Ela engatinhava e eu ia atrás dela pela casa... Eu ainda posso ouvir os gritinhos e as risadas dela quando fecho os olhos... – Jared fechou os olhos e deitou a cabeça para trás por um instante – Depois eu dava banho nela, às vezes a Gen, nós sempre revezávamos ou fazíamos isso juntos. E depois do jantar nós levávamos ela pra nossa cama e brincávamos os três, então ela acabava dormindo no meio de nós dois e eu a carregava para o berço depois. As pessoas diziam que nós estávamos acostumando ela mal com isso... Se eu soubesse que a perderia tão cedo eu não a teria tirado de perto de mim por um instante sequer...

- Você deve ter sido um ótimo pai – Jensen se sentou no sofá e acariciava os cabelos do moreno, tentando confortá-lo.

- Mas eu não estava aqui quando elas mais precisaram de mim.

- Você não tinha como prever.

- Ainda dói tanto...

- Você precisa tentar deixar o passado pra trás e seguir em frente, Jared.

- Eu não posso. Cada dia que passa eu penso menos nelas, e... Isso não é justo, Jensen. Talvez eu nunca devesse ter saído daquela ilha.

- É a ordem natural da coisas, meu amor. É o tempo curando as feridas. Você só precisa deixar que ele faça o seu trabalho.

Jensen sentou-se no tapete, ao lado de Jared e o abraçou, deixando que o moreno chorasse em seu ombro. Mais tarde, quando Jared pareceu um pouco mais calmo, o ajudou a levantar-se e o levou de volta ao seu apartamento, então o ajudou a tomar um banho e o colocou na cama, onde dormiram abraçados.

Já eram nove horas da manhã quando Jensen acordou, percebendo que a cama estava vazia ao seu lado. Tinha custado a pegar no sono depois do acontecido na noite anterior. Enviara uma mensagem a Alice, dizendo que estava tudo bem e então tinha ficado zelando o sono de Jared durante algum tempo, antes de conseguir dormir.

O moreno não estava nada bem. Jensen sabia disso e pela primeira vez sentiu medo do que estava por vir. Tomou um banho rápido, vestiu-se e foi até a sala, sentindo seu coração falhar ao ver Jared sentado no sofá, com uma mala aos seus pés.

- Jared, o quê...? Você não está pensando em... Por favor, me diga que você não está me deixando... – Jensen estava entrando em desespero.

Jared se levantou e caminhou até o loiro, então secou as lágrimas dele com as pontas dos dedos e o beijou.

- Eu preciso fazer isso, Jensen – Sua voz saiu quase como um sussurro, porque agora Jared também chorava.

- Não! Por favor? – Jensen implorava, fazendo o coração de Jared apertar ainda mais – Nós podemos resolver isso, Jared. Deixa eu te ajudar...

- Jen – Jared segurou o rosto do loiro com ambas as mãos, o olhando nos olhos – Eu sei que você quer me ajudar, e... Que só quer o melhor pra mim, mas... Tem coisas que eu realmente preciso resolver sozinho. Se eu continuar aqui, só vou atrapalhar a sua vida ainda mais...

- Você jamais atrapalharia a minha vida, jamais!

- Eu fiquei sozinho por tempo demais, Jen. Eu não estou conseguindo... Eu não estou pronto pra viver esse relacionamento ainda. Eu preciso curar algumas feridas antes de recomeçar... Eu preciso desse tempo. Por favor? – Jared implorava com os olhos.

Jensen virou de costas e se afastou um pouco, já não sabia o que fazer.

- Eu não posso obrigar você a ficar aqui, Jared. Eu pensei que... Que estivesse tudo bem entre a gente, eu pensei que... Pensei que pudesse te fazer feliz.

- Você me faz feliz! Você fez tanto por mim, que eu acho que vou ficar te devendo por uma vida inteira. Mas o pior de tudo é que eu estou afundando e levando você junto comigo. Você está deixando a sua vida de lado por minha causa, e eu não posso permitir isso. Eu amo você demais pra permitir isso, você entende?

- E eu amo você demais pra permitir que você vá embora – Jensen não conseguia se conformar - O que você pretende fazer?

- Eu vou procurar ajuda... Ajuda profissional. Eu pensei que conseguiria sozinho, mas... Estava enganado. Eu fiquei tempo demais longe das pessoas, preciso reaprender a viver, eu acho – Jared forçou um sorriso – E preciso dar um rumo pra minha vida, já que nem no meu antigo emprego eu consegui me manter.

- Você não vai sumir pelo mundo, vai?

- Não. Eu vou estar por perto, Jen. Eu não vou fugir desta vez.

- Promete que vai manter contato? Vai me deixar saber como você está? – Jensen se aproximou novamente e tocou seu rosto com carinho, como se quisesse guardar o momento.

- Eu prometo! Se você prometer que vai cuidar da sua vida também, assim como eu vou cuidar da minha.

- Eu prometo... Que vou tentar.

As lágrimas ainda escorriam pelo rosto de Jensen quando Jared saiu pela porta. Seu coração estava partido mais uma vez, e o loiro tentava se agarrar à esperança de que talvez, algum dia, as coisas pudessem melhorar. Tudo o que podia fazer agora era torcer para que Jared ficasse bem, pois o amor que sentia por aquele homem era a sua única razão de viver.

Continua...