Título: Um Lugar Para Recomeçar

Gênero: Padackles / J2

Autora: Mary Spn

Beta: TaXXTi

Avisos: Contém cenas de relação homossexual entre dois homens. Não gosta, não leia!

Sinopse: Dois homens feridos pelo passado. Enquanto um deles está disposto a recomeçar, tudo o que o outro quer é fugir. Estariam destinados a curar as feridas um do outro ou a machucarem-se ainda mais?


Um Lugar Para Recomeçar

Capítulo 17

Escrever foi a melhor alternativa que Jensen encontrou para fugir do sofrimento. Não que estivesse com inspiração ou conseguindo se concentrar o suficiente, mas era a sua história com Jared que estava ali, relembrar os momentos e transferi-los para o laptop o fazia acreditar que tudo voltaria a ficar bem.

Tinham passado por tanta coisa... Jensen se lembrou de quando o viu pela primeira vez naquela ilha e de toda a luta que tinha sido para conseguir fazê-lo abrir o seu coração. Teve seu orgulho ferido e em alguns momentos tinha pensado em desistir, em deixar tudo para trás.

Não sabia se era o destino que o havia empurrado naquela direção, mas assim como antes, não estava disposto a desistir agora. Deixaria Jared livre, lhe daria o tempo que precisasse, mas não desistiria dele jamais.

Logo que Jared fora embora, decidiu fazer as malas e viajou com Misha para a América do Sul. Foi uma viagem excelente. Conseguiu respirar novos ares, conhecer gente nova, esfriar a cabeça. Ao voltar da América do Sul, também viajou pela Europa; quase um mês de viagem, onde aproveitou o tempo livre para escrever e pintar.

Agora, depois de três meses, ainda olhava para a cama vazia ao seu lado e suspirava, pensando se Jared também sentia a sua falta, assim como ele sentia a do moreno.

- Isso é tudo culpa sua, sabia? – Jensen falou para uma foto de Julian que tinha em seu laptop – Se você não tivesse me deixado, eu jamais teria ido para aquele Chalé, ou para aquela ilha, e agora não estaria sofrendo por causa daquele problema de quase dois metros de altura! – O loiro sorriu – Se você o conhecesse, eu teria um sério concorrente, não é? Eu sou um cara de sorte, apesar de tudo. Conheci os dois homens mais maravilhosos do mundo. Mas as coisas nem sempre são fáceis, e talvez nem tivessem graça se fossem – Jensen riu de si mesmo.

Tinha se decidido a vender aquele apartamento, ou quem sabe, alugar. Apesar de tantas boas recordações, aquele espaço pertencia a Julian, não a ele. Jensen queria comprar uma casa perto do mar, com um enorme jardim e um quintal onde pudesse criar um cachorro ou, quem sabe, até dois.

- x -

As primeiras consultas com o psiquiatra não haviam sido nada fáceis. Se já era complicado falar sobre a sua vida com Jensen ou com seus amigos, pior ainda com um sujeito completamente estranho. Jamais iria se acostumar com isso, foi o que Jared pensou.

Os remédios o deixavam tonto nos primeiros dias, muitas vezes sentiu vontade de jogar tudo pro alto e desistir. Jensen era a única coisa que o fazia seguir em frente e querer melhorar, e só por causa dele, tinha sido insistente e continuado o tratamento.

Instalou-se em um apartamento pequeno em Newark, colocou sua casa à venda e alguns dias depois ligou para seu amigo Chad.

- Não vai me dizer que você quer o seu emprego de volta? – Chad zoou assim que atendeu ao telefone.

- Chad, você... Ainda precisa de um sócio? – Jared falava sério e Chad ficou mudo do outro lado da linha – Chad?

- Isso é pra ser uma piada? – A voz do loiro era quase inaudível.

- Coloquei a casa à venda e já tem um possível comprador. Era só dinheiro o que nos faltava, não era? Eu tenho mais algumas economias que...

- Espera, eu ouvi direito? Você vendeu a casa?

- Sim, quero dizer, vamos fechar o negócio hoje, mas...

- Então a coisa é séria? – Chad quase não conseguia acreditar. Antes da tragédia que levara a família de Jared, os dois planejavam trabalhar por conta própria, afinal ambos eram formados em engenharia. Mas lhes faltava o dinheiro para o investimento inicial, e agora isso parecia não ser mais problema.

- Você não quer passar aqui depois do trabalho pra gente conversar?

- Agora! Eu estou indo agora! – Chad desligou o telefone, fazendo Jared rir da sua empolgação.

As coisas pareciam estar se encaminhando... Nos dias seguintes, a casa fora mesmo vendida, Chad abandonou o emprego, mesmo com Jared insistindo para que esperasse mais um pouco. O loiro queria participar de tudo e ambos deram duro até finalmente conseguirem abrir o próprio escritório. Conseguiram alguns poucos projetos no início, mas eram projetos de máquinas de alto valor agregado, e se revezavam na tarefa de visitar e conseguir mais clientes. Era um bom começo, além de um sonho sendo realizado.

- x -

Jensen se reuniu com Misha no meio da tarde, em seu apartamento. Discutiram alguns detalhes sobre as edições de seus livros, mas o moreno logo percebeu que Jensen não estava bem.

- Você já pensou em procurá-lo? – Misha perguntou ao ver Jensen parado diante da janela da sala, com os pensamentos longe.

- Jared? – Jensen sorriu, seu amigo parecia adivinhar seus pensamentos - Não sei se é uma boa ideia. Eu falei com ele por telefone na semana passada, se ele estivesse pensando em voltar, teria dito alguma coisa.

- Talvez ele precise de um empurrãozinho.

- Eu pensei que você o quisesse longe de mim – Jensen olhou para o amigo, tentando entender.

- Não é isso. Quero dizer, eu até pensei algumas vezes que você estaria bem melhor sem ele. Mas eu estava enganado, tenho que admitir.

- Por que isso, agora?

- Quando vocês estavam juntos, apesar das dificuldades, você estava sempre sorrindo, fazendo planos, empolgado com a vida... Agora parece que voltou à estaca zero. Eu não gosto de ver você assim. Eu sou seu amigo, esqueceu? Eu só quero ver você bem.

- Eu sei, Misha, mas... Eu já não consigo imaginar a minha vida sem ele, eu... Eu não sei o que fazer. Não quero pressioná-lo, mas também não aguento mais esse distanciamento.

- Ficar aqui se lamentando dentro deste apartamento, não vai trazer ele de volta, Jen.

No dia seguinte, Jensen resolveu ir conversar com a pessoa que talvez conhecesse Jared ainda melhor do que ele, afinal, ficar parado, esperando, não estava ajudando em nada.

- Jensen! Que surpresa boa! – Alice quase não acreditou quando o viu entrar em sua humilde livraria.

- Hey Alice! Como vai? – O loiro a abraçou e beijou sua bochecha, fazendo o coração da morena disparar.

- Tudo bem, mas... Oh my god! Você aqui na minha livraria! – Alice tinha uma mão sobre o peito e respirava profundamente.

- Eu... Gostaria de conversar com você, mas... – Jensen olhou ao redor, nervoso, vendo que as pessoas já o haviam notado e alguns já se aproximaram, lhe pedindo um autógrafo.

- Oh, você pode me acompanhar até o meu escritório. Teremos mais privacidade lá – Alice esperou que o loiro terminasse de autografar o livro de uma fã e o conduziu até lá.

- Alice, eu... – Jensen sentou-se na poltrona oferecida pela amiga - Eu sei que eu vivo te pentelhando por telefone, pra ter notícias do Jared, mas...

- Imagina, Jensen. Não é problema algum, muito pelo contrário. Eu fico feliz em saber que você ainda não o esqueceu.

- Esquecer? Acho que isso é uma coisa impossível. Eu tenho falado com ele por telefone também, mas... Bom, você sabe como é o Jared. Ele é sempre muito vago e, na verdade, eu já não sei muito o que esperar.

- Eu tive uma ideia! – Alice sorriu com empolgação – Amanhã é sexta, noite de eu e o Chad sairmos, então... A babá que sempre fica com a Gaby não está disponível e eu pedi ao Jared pra ficar com ela.

- Ele topou?

- Claro! Ele morre de amores pela Gaby, e... Ele vai estar sozinho no meu apartamento, à partir das oito. Quero dizer, a Gaby vai estar lá, mas depois que ela dormir, vocês podem... – Alice ficou com um ar sonhador – Podem conversar, eu quis dizer! – A morena se corrigiu e percebeu que tinha ficado vermelha.

- Tem certeza? Será que ele não vai desconfiar de nada? Não vai parecer armação?

- Pode até parecer, mas aí ele vai achar que é coisa minha, sabe. Ele não vai suspeitar que você sabia que ele estaria sozinho lá. Eu espero...

- Mas com que desculpa eu vou chegar lá? Não que eu não possa ir à sua casa, mas... Numa sexta à noite, e logo quando vocês não estiverem...

- Deixe-me pensar... – Alice olhou ao redor – Já sei! Vou deixar alguns livros lá, e você diz pra ele que nós combinamos que você apareceria para autografá-los pra mim.

- Ótimo! Mas não sei... Eu estou ansioso... E se ele...? Droga! – Jensen se levantou e passou a mão pelos cabelos, os bagunçando.

- Eu entendo o seu nervosismo, Jensen. Mas, eu não sei, tanto tempo já se passou... Alguém tem que dar o primeiro passo, não é?

- Sim. E seria demais esperar isso dele, eu acho...

- Ele tem se esforçado, você não imagina o quanto. Nem parece o mesmo Jared assustado que retornou daquela ilha. Ele ainda tem seus chiliques, claro, mas... O que importa é que ele está se tratando. Ele vai conseguir, eu sei que vai.

- x -

Na noite de sexta, Jensen estava extremamente ansioso. Olhou-se no espelho diversas vezes antes de sair de casa. Queria estar bem vestido, mas não podia exagerar, para que Jared não desconfiasse. Colocou uma calça jeans e uma camiseta preta, com uma camisa da mesma cor por cima. Jared gostava de preto. Dizia que ficava muito bem nele, que era loiro.

Ao tocar a campainha do apartamento de Alice, tentou fingiu estar ali só de passagem e teve que rir de si mesmo. Estava sendo patético. Mas quando Jared atendeu à porta, vestindo uma calça jeans surrada, uma camiseta branca em decote V e descalço, Jensen esqueceu qualquer coisa que tinha ensaiado dizer.

- Jensen? – Jared pareceu surpreso, mas ao mesmo tempo tinha um sorriso no rosto.

- Hey! Eu... – Jensen não sabia o que dizer, sentiu seu coração disparar.

- Entre! – Jared deu espaço para o outro passar e fechou a porta atrás de si quando entrou – Que surpresa boa! – O sorriso de satisfação era sincero.

- A surpresa é minha! – Jensen pigarreou – Eu... Não sabia que você estava aqui, estava passando pela cidade e, como tinha ficado de autografar alguns livros para a Alice, eu resolvi parar aqui.

- Eu não acredito que a Alice esteja te explorando, Jen! – Jared brincou – Mas ela não está em casa. Na verdade eu estou bancando a Baby sitter aqui... Ela e o Chad saíram pra... Sei lá... Essas coisas de casal – Jared deu de ombros.

- A Gaby está dormindo? Faz tempo que eu não a vejo...

- Sim, ela acabou de pegar no sono, mas vem cá. – Jared o conduziu até o quarto da menina – Ela parece um anjinho dormindo, não parece?

- Parece sim – Jensen se aproximou do berço e fez um leve carinho nos cabelos da menina, sorrindo.

- Você já pensou em ser pai, Jensen?

- Eu? Já... - A pergunta pegou o loiro desprevenido - Eu... Na verdade eu sempre gostei muito de crianças. Era o meu sonho, até que... Bom, o Julian não era a favor, sabe... Ele achava que o nosso mundo ainda não está preparado pra isso. Achava que uma criança adotada por um casal gay poderia sofrer algum tipo de preconceito, essas coisas.

- E você concorda com isso?

- Não. Eu acho que preconceito existe em todo lugar. Nós é que precisamos aprender a conviver com ele. Mas não era a vontade dele, então eu acabei desistindo da ideia.

- Eu acho que você seria um bom pai. Você tem todo o jeito.

- É... Talvez.

- Como você está?

- Bem. Eu vou levando... E você? Como andam os negócios com o Chad?

- Tudo certinho. Pra falar a verdade, está até melhor do que esperávamos.

- Fico feliz em saber, e principalmente em ver que você está bem. – Jensen o encarava, cheio de sentimentos, mas sem conseguir realmente dizer o que queria.

Inesperadamente, Jared deu um passo na sua direção e logo seus lábios se encontraram, com certa hesitação, num beijo suave, que foi se aprofundando aos poucos. Jared não conseguiria palavras para dizer o quanto sentiu falta daqueles lábios, e dos braços de Jensen o segurando pela nuca, daquele jeito peculiar.

Jensen quase não podia acreditar que estava novamente nos braços do moreno, sentindo o gosto da sua boca, seu cheiro e suas mãos o agarrando pela cintura de um jeito possessivo.

Queria que aquele momento durasse para sempre, pois era duro demais ficar longe de quem tanto amava.

No momento seguinte, Jensen sentiu suas costas sendo encostadas na porta do quarto, e o corpo de Jared contra o seu, enquanto as mãos do moreno entravam por baixo da sua camiseta, tocando a sua pele. Gemeu entre o beijo ao sentir o contato, mas então um choro de criança ecoou dentro do pequeno quarto, os trazendo de volta à realidade.

Jared o largou tão rápido quanto aquilo tinha começado, e passou as mãos pelos cabelos, confuso.

- Eu... Eu vou tentar fazê-la dormir novamente – O moreno sequer conseguiu olhá-lo nos olhos e virou-se para pegar a menina no colo.

Jensen saiu do quarto, tentando recompor-se. Já não sabia o que esperar e isso o angustiava. Foi até a sala e pegou os livros que Alice tinha deixado sobre a mesinha, para autografar. Quando Jared voltou para a sala, nenhum dos dois sabia exatamente o que dizer. Jensen se levantou e foi até ele.

- Os livros já estão autografados. – O loiro sorriu, um pouco sem graça.

- Isso é a cara da Alice. – Jared também sorriu, sem olhar nos olhos de Jensen.

- Jared... Sobre o que aconteceu lá dentro, eu...

- Jen, será que nós podemos falar disso outra hora? Eu estou um pouco confuso, eu... Eu realmente não sei o que me deu, eu...

- Tudo bem – Jensen preferiu não forçar, pois podia ver o medo e a confusão no olhar do moreno, e pressionar só iria piorar as coisas – Mas antes de ir, eu... Tem algo que eu quero te entregar – Jensen pegou um grande envelope que tinha deixado sobre o aparador quando entrou.

- O que é? – Jared pegou o envelope, percebendo que era pesado.

- Você se lembra do livro que eu estava escrevendo e disse que você só poderia ler quando estivesse pronto? Aí está. É só o rascunho, ainda nem foi revisado, porque eu queria que realmente você fosse o primeiro a ler. Eu só vou publicá-lo com a sua autorização.

- Mesmo? – Jared o olhou, surpreso.

- Sim – Jensen sorriu – Só tem um probleminha... Essa história não está terminada ainda. Eu não sei se ela terá ou não um final feliz. Espero que você me ajude a decidir.

- Você está me deixando curioso.

- E Jared? Será que nós podemos sair qualquer dia pra tomar uma cerveja? Sem compromisso, só... Só uma cerveja.

- Eu... Eu estou tomando remédios, e... Eu não posso beber, por enquanto.

- Ah, ok. – Jensen baixou os olhos, pensando que era apenas uma desculpa para não saírem – Até mais, Jared. Foi muito bom rever você.

Jensen esteve ocupado nos dias seguintes, visitando algumas casas, até que finalmente encontrou a casa dos seus sonhos.

Era perfeita. Não grande demais, pertinho do mar, aconchegante e com o quintal do jeito que ele queria. Depois de fechar o negócio, levou um arquiteto até lá para projetar os móveis e o jardim. Não conseguiu deixar de pensar em Jared, a cada escolha que fazia. Mesmo sem muita esperança de algum dia voltarem a morar juntos, queria que aquela casa fosse um misto deles dois, queria que tivesse suas marcas em cada espaço.

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Para provocar sua cunhada, Jared deixou que se passassem alguns dias até tocar no assunto, mas por fim, precisava tirar aquilo a limpo.

- Você armou aquilo, não foi? – Jared nem deu tempo para que a cunhada começasse outro assunto.

- Armei o quê?

- Aquele encontro ocasional com o Jensen, aqui no seu apartamento.

- Armei. E quer saber? Eu não me arrependo nem um pouquinho. Mesmo que você tenha colocado tudo a perder.

- Alice... Você não entende... – Jared passou a mão pelos cabelos e suspirou.

- Não entendo o quê? Jared, você ama aquele homem!

- Sim, eu amo! Mas se não deu certo da primeira vez, por que é que você acha que vai dar agora?

- Porque eu acho que todo esse esforço que você tem feito nos últimos meses, não pode ter sido em vão. O Jensen está... Ele está só esperando por uma chance, Jay...

- Eu tenho medo de... De decepcioná-lo mais uma vez. Os remédios me ajudam a me controlar, mas... Tem vezes que eu ainda me sinto tão perdido...

- Você precisa parar de sentir medo. Precisa recomeçar... Você consegue! Chad, diz pra ele? – Alice intimou o marido, que lia o jornal, fingindo não estar escutando a conversa.

- Eu não me meto nisso. – Chad falou sem desviar os olhos do jornal.

- E por que não? – A mulher o olhou, fuzilando-o com os olhos.

- O que você quer que eu diga? – Chad finalmente largou o jornal – Vai lá... Corre pros braços do seu homem? Isso seria esquisito, Alice. Até o Jay deve concordar comigo.

Jared caiu na gargalhada ao ouvir Chad dizer aquilo e Alice não se aguentou e acabou rindo também.

- Ninguém merece vocês dois, né? – A morena se fez de brava, quando finalmente conseguiu parar de rir – Ei, aonde você vai? – Alice perguntou ao ver que Jared estava de saída.

- Para o meu apartamento. Eu tenho um livro para ler – Jared piscou para a morena e saiu.

- x -

Era mais um daqueles eventos beneficentes, e mesmo não estando com cabeça para aquilo, por ser na sua própria cidade, Jensen concordou em participar.

Só precisaria sentar-se lá, ser simpático, sorrir para os fãs e autografar seus livros, não era nenhuma tarefa impossível. Mesmo que as últimas três semanas, tempo que se passara desde que vira Jared na casa de Alice, tivessem sido quase uma tortura.

Esperava qualquer sinal de Jared, uma ligação que fosse, mas nada... E cada dia que se passava só o fazia perder ainda mais as esperanças.

Ficou entretido por algum tempo com uma garotinha de doze anos, que estava acompanhada da mãe. Enquanto assinava seu livro, a garota lhe fazia mil perguntas, deixando a mãe levemente constrangida.

- Agora já chega, minha filha. Afinal o Sr. Ackles tem mais fãs para atender – A mulher falou educadamente com a filha, fazendo Jensen rir.

- Sem problemas, senhora. Sua filha é uma graça – Jensen deu seu melhor sorriso e as duas foram embora, quando ele pegou o próximo livro para autografar.

- Em nome de quem? – A pergunta veio automática, e só então Jensen levantou os olhos do livro para ver quem estava de pé à sua frente.

- Jared... Neardenthal... Homem das cavernas... Como você preferir. - Jared sorria um pouco tímido, fazendo Jensen sorrir de orelha a orelha.

- Eu não posso acreditar! – Foi tudo o que o loiro conseguiu dizer.

- Eu sei que você está ocupado aqui, e não vai dar pra gente tomar aquela cerveja, sabe, eu ainda estou tomando remédios, mas... Se você tiver tempo para um café, quando isso aqui terminar, vou estar te esperando no outro lado da rua, na cafeteria – Jared piscou e saiu, sem dar tempo de Jensen responder alguma coisa.

Aquela meia hora de autógrafos que ainda restava, pareceu uma eternidade para Jensen. Depois que o moreno saíra, não conseguia pensar em mais nada, a não ser no que o tinha feito vir até ali. Não queria criar esperanças, nem ficar se iludindo, mas para o moreno aparecer ali, daquela maneira tão surpreendente, é porque devia ter algo importante a dizer.

Quando a sessão de autógrafos terminou, Jensen se despediu dos organizadores do evento e saiu quase correndo, rumo à cafeteria.

Quando entrou e não viu Jared logo de cara, seu coração falhou uma batida, mas estão o viu de costas, sentado em uma mesinha próxima da janela.

Caminhou até lá com o coração na mão, sem saber exatamente o que esperar.

- Hey! – Jensen cumprimentou, sem graça, e sentou-se na cadeira disponível, em frente ao moreno – Desculpe a demora, eu...

- Tudo bem. Eu sabia do horário, não me importo de esperar – Jared o olhou de um jeito que fez o coração de Jensen disparar.

O loiro fez seu pedido, percebendo que Jared também estava ansioso, pela quantidade de vezes que ele já tinha mexido com a colherinha em seu café.

- Foi uma surpresa, você aparecer aqui deste jeito.

- Pois é... – Jared respirou fundo – Eu tinha tanta coisa pra te dizer, e agora... Eu...

- Você falou que ainda está tomando remédios. Como anda o seu tratamento? – Jensen resolveu puxar assunto, para deixar o moreno mais à vontade.

- É, eu... Ainda vou ter que tomá-los por algum tempo. Mas acho que eu até estou me saindo bem. Meu psiquiatra falou que eu estou até melhor do que o esperado. Mas ele podia estar só puxando o meu saco, sei lá... – Jared riu.

- Ele é bonito?

- Quem?

- O seu psiquiatra?

- Ele deve ter uns cinquenta anos, Jen. E não, ele não é bonito, não precisa ter ciúmes.

- Menos mal.

- Mas o pior é que não é apenas a medicação. Eu tenho que me colocar à prova o tempo inteiro, sabe... Parar de fugir das pessoas, das multidões, e... Terapia de grupo.

- Terapia de grupo, sério?

- Você pode rir, Jen. Porque se alguém me dissesse, eu também não acreditaria. Mas tem ajudado. Quando você encontra pessoas que tem algum problema parecido, ou até pior, e vê que ela está conseguindo superar...

- Isso é ótimo, Jared. Eu estou orgulhoso de você. – O sorriso de Jensen era genuíno.

- Tem outra coisa que você não vai acreditar... – Jared riu.

- O que é?

- Uma vez por semana, eu... Eu estou dando aulas, pra sexta fase de engenharia.

- Na faculdade? Há quanto tempo?

- Três semanas. Logo depois que nós nos vimos, no apartamento da Alice. Eu estava muito nervoso no primeiro dia, então eu me lembrei do que você me disse uma vez... Que eu poderia fazer tudo o que quisesse, bastava eu acreditar.

- Eu continuo tendo a mesma opinião. Assim como eu tenho certeza que você se saiu bem.

- Eu li o seu livro, Jen...

- Leu? – Jensen ficou ainda mais ansioso, querendo saber o que ele achara.

- Três vezes – Jared sorriu – E se eu confessar que chorei em cada uma delas, você vai rir de mim? – Jared brincou.

- Sendo que eu chorei enquanto escrevia algumas partes, não, eu não vou rir de você.

- É uma bela história. Acho que você deveria publicar.

- Mesmo?

- Sim. Também gostei muito do título... "Um Lugar Para Recomeçar" é bastante sugestivo.

- Fico feliz em saber que gostou. Estava morrendo de ansiedade.

- Sabe, teve algumas partes que me intrigaram um pouco. Principalmente, logo no início, quando o "Brian", que aliás, é um personagem intrigante, sempre acabava voltando para aquela ilha, mesmo depois de ser mal tratado por aquele casca grossa do "Jeffrey".

- Ele tinha suas razões.

- Mas até eu ler, eu não sabia o que o motivava, sempre achei que ele era apenas um cara teimoso, e que não tinha nada melhor pra fazer da vida, do que ficar perturbando a vida dos outros – Jared brincou – Então eu descobri que... Que ele via um pouco de si mesmo naquele cara... O mesmo desespero, o mesmo medo de seguir em frente, a mesma dor... Tudo o que ele mesmo já tinha sentido e estava tentando superar – Jared tinha os olhos marejados quando terminou de falar.

- Talvez eles estivessem mesmo destinados a se conhecerem...

- É, talvez.

- E você conseguiu visualizar um final para esta história? – Jensen prendeu a respiração, com medo da resposta.

Jared limpou a garganta e se inclinou um pouco sobre a mesa, falando baixinho.

- Eu não consigo imaginar outro, que não seja um final feliz para essa história – Jared colocou sua mão sobre a de Jensen, que estava em cima da mesa – Eu pensei que... É só uma ideia, afinal, você que é o escritor, mas... Talvez eles pudessem recomeçar aos poucos, tipo... Saindo juntos, namorando... Algo assim. O que você me diz? – Jared tinha um sorriso tão encantador que Jensen se segurou para não suspirar.

- Eu acho que seria o final perfeito!

FIM.


Nota GIGANTESCA da beta: Chegamos ao final de ULPR. *chora litros*Acho que ULPR foi a primeira fic da Mary que eu peguei para betar desde o primeiro capítulo (acho, pois eu tenho memória de peixe). Me apaixonei desde a primeira palavra, como se desse para ser diferente, né? De inicio a "betagem" era tímida, eu nem era beta mesmo, só dava um palpite aqui e ali, mas se vocês vissem como ficou de comentários esse último capítulo, nem acreditariam – quase nenhum comentário que se aproveite, apenas surtos da beta. Foi praticamente um relacionamento evoluindo. Nessa fic tem até um lemon meu! Olha que coisa mais linda! *-

Já tinha dito que ia ficar órfã quando essa fic terminasse. ESTOU ÓRFÃ!

Quanto ao final, peço que considerem a última coisa que o Jensen diz. Eu seria a primeira pessoa a pedir que a Mary continuasse, mas olhando bem, concordo que é um final perfeito, ou como eu disse para a Mary, talvez um novo começo. Fica para cada um imaginar o que aconteceu dali em diante. Esta história está completa.

Quer ler o livro do Jensen? Basta voltar até o primeiro capítulo da fic, adicionem tudo que vocês sentiram até aqui e sintam-se no papel de fangirl, como a Alice!

Deixo o meu agradecimento a Mary por me deixar participar dessa história maravilhosa e agradeço a quem comentou. Me sinto parte de tudo isso, uma vez que também leio (li) todos os comentários.

Beijos e até a próxima!

Nota da Autora: Posso afofar essa minha beta linda? Eu é que só tenho o que agradecer a TaXXTi pela betagem, além da imensa ajuda quando os capítulos empacavam, e ainda mais por aturar a minha insegurança. Seus comentários e seus surtos são tudo de bom, SUA LINDA! Obrigada pela atenção dedicada e pelo carinho. Te adoro!

Agora chega de puxar o saco da beta, senão ela fica boba demais... hehehe.

Eu quero agradecer imensamente a cada um dos leitores que acompanhou esta história, que teve paciência ao esperar pelas atualizações, e aos que me deram apoio, seja através de review, ou conversando via twitter.

Estou com o coração na mão, assim como a TaXXTi, que nem queria mais me devolver o capítulo, pra não deixar a fic acabar... Vou sentir falta desta fic e de seus personagens, mas por outro lado, minha sensação é de mais uma missão cumprida. Sei que é impossível agradar a todos, mas espero que tenham gostado e que este trabalho tenha valido à pena. Para mim valeu, e muito!

Obrigada! Adoro vocês!

Beijokas da Mary!