A Ascensão Do Dragão
O trio já ficou esperto para o caso de serem abordados de novo, e não foi outra. Mio apareceu logo depois que o guarda passou por eles e ela estava assustada com o que ouviu.
- Houve um relato de que um dragão passou nos arredores de Whiterun. O Jarl pediu que eu os levasse até ele.
- Em outras palavras, ele quer falar com a gente por que somos os únicos fodidos aqui que viram aquela merda. – Diz Thor, olhando para Mio como se fosse exatamente isso o que o Jarl disse, ou até mesmo Erza falasse isso.
- Você falou exatamente o que a Erza que falou, mas com outras palavras. – Diz a ruiva, surpresa em ver que o elfo tinha uma boca mais suja que Erza. – De qualquer forma, é melhor irmos. Minha irmã não gosta de deixar gente esperando.
- Irmã?! – Pergunta o trio, confuso e ao mesmo tempo chocado com o que ouviram.
- Sim. Erza é minha irmã. – Responde Mio, dando um singelo e belo sorriso para os três, que ficaram boquiabertos com a descoberta. A maga era totalmente diferente da irmã guerreira. – Peço desculpas pelo comportamento super protetor dela, Senhor Elfo...
- Thor. Meu nome é Thor. – Apresentou-se o elfo, estendendo a mão para Mio e a mesma o apertou. – Esses são, Happy, e o idiota com cara de bobo é o Natsu. – Continua o mesmo, apontando para os colegas e quando falou no bretão, que literalmente ainda estava meio abobalhado com a descoberta, mudou para uma cara de mal-humorado na hora.
O grupo se dirigiu a uma área mais interna do palácio, onde o Jarl e Erza estavam conversando com o soldado que havia passado pelo trio. Eles estavam numa espécie de sala de guerra, Thor deduziu que era isso, por conta do mapa com bandeirinhas sobre o mesmo, mostrando locais estratégicos tomados por imperiais ou por rebeldes. Todos olhavam e ouviam o soldado a sua frente com curiosidade e atenção.
- Erza me disse que você estava fazendo vigia na torre ocidental, certo? Me diga, o que você viu? – Pergunta o Jarl, firme e autoritário em suas palavras, tentando deixar o soldado mais calmo e demonstrar que ele estava seguro dentro do palácio.
O soldado ainda demonstrava sinais de medo e pavor em seu rosto, olhava para todos os lados, como se em algum momento, algo das sombras saísse de lá e o atacasse, o levando para o além vida. Sovngarde. Seus olhos arregalados faziam parecer com que ele tivesse visto um fantasma. Ele mal conseguia falar e quando falava, sua voz saia tremula. Thor chegou a ter um pouco de pena daquele homem. Um pouco.
- Está tudo bem. Está seguro agora. – Afirma a ruiva guerreira, segurando o ombro do soldado assustado, o deixando mais calmo e recuperando sua sanidade. – Agora, fale tudo o que você me falou sobre o dragão.
- Sim senhora. B-bem... Nós estávamos de vigia na torre ocidental quando ele chegou. Vindo do sul e em alta velocidade. Nunca havia visto algo voar tão rápido assim. – As palavras saiam tremulas e num tom claramente de nervosismo da boca do soldado. Thor olhou de relance Natsu e Happy e ambos pareciam estar tendo flashback horríveis de quando o dragão atacou Helgen, matando e queimando pessoas inocentes aos montes, de forma indiscriminada. Tudo bem, ambos os amigos chegaram ontem à noite no Sleeping Giant tão desesperados quanto o guarda, mas eles estavam melhores em um tempo muito menor em comparação ao mesmo. Pelo visto, a dupla era mais corajosa do que ele pensava.
- "Vamos ver até onde essa coragem vai." – Pensa o elfo, olhando para os forasteiros, que prestavam atenção nas palavras do soldado.
- E o que ele fez? Está atacando a torre? – O Jarl não perdia tempo com perguntas sem sentido, ele ia direto ao ponto. Mas o guarda era tão direto quanto o próprio Jarl.
- Não, meu senhor. Ele apenas estava voando em círculos quando vim para cá! – O soldado segurava o cabo da espada, como se estivesse pronto para correr. – Eu nunca corri tão rápido, ou tanto, em toda a minha vida. Achei que iria para Sovngarde hoje, na certa. – Termina o soldado, abaixando a cabeça, ainda demonstrando medo e pavor em seus olhos.
- Você teve sorte, isso sim. – Comenta Natsu, tendo uma encarada maldosa de Happy por causa do comentário. – Não me olhe assim, Happy. Nós vimos o que aquela coisa pode fazer. Ou melhor, das suas chamas. – Enfatizou o bretão, olhando de forma séria para o seu amigo Khajiit, que fechou os punhos e conteve a vontade de tremer de medo. Numa breve olhada, Thor viu que um dos punhos de Happy estava sangrando levemente.
- "Está usando a dor pra não entrar em pânico. Esperto." – Pensou o elfo, elogiando a atitude do Khajiit.
- Jovem Bretão, por favor, nos diga o que viu no ataque do dragão a Helgen. – Pede Hashirama, olhando fixamente para Natsu.
- As chamas dele derreteram a carne e a pele daqueles que foram atingidos pelo fogo, de tão quente que era. Bem mais quente que as chamas de uma forja. Mães chorando e se abraçando pelos filhos que morriam queimados pelo fogo. Era basicamente fogo pra todo lado. Com sorte, você morre queimado. Tenha azar, e você é devorado. Mas com muita sorte, você sobrevive. – Responde o rosado, tão sério no relato ao ataque que chegava a assustar o amigo, pois era provável que ele dissesse a mesma coisa, só que com outras palavras.
Aquelas palavras foram como um soco na mente de Thor. Dragões. Quanto mais se sabia sobre eles, mais assustadores e perigosos eles pareciam ficar. Por mais que ele tenha visto coisas estranhas naquele mundo, como draugrs (mortos-vivos), ou até mesmo trolls, não tinha como Thor não sentir um arrepio na espinha, seguido por um calafrio quando pensava no que um dragão podia fazer. Mas algo em seu interior se sentia fascinado, até mesmo... Familiarizado? Porque? Ele não sabia da onde aquele sentimento vinha, mas não podia negá-los. Criaturas aladas e mortais, que em tempos de outrora, eram louvados como deuses e que eram ditos como lendas do passado. Mas agora havia um, bem ali. Nos arredores de Whiterun. E ele não parecia nada amigável.
Diante do relato de Natsu, o soldado não pode falar nada, apenas ficar em silêncio e dar graças aos nove por estar vivo.
- Eu vou ter que concordar com o bretão idiota aqui. – Comenta Thor, deixando Natsu bravo por ter sido chamado de idiota. – Esses dragões são mais espertos do que parecem. Ele não atacou logo de cara a torre. Ficou circulando ela, estudando, vendo onde ela era mais fraca, onde suas chamas podiam alcançar e matar quem estivesse dentro.
- Como assim? – Pergunta Mio, não entendendo a onde o elfo queria chegar.
- Vamos pegar uma raposa como exemplo. Ela é a predadora natural do coelho, que é na maioria das vezes, mais rápido que a raposa. Mas para garantir o seu almoço, a raposa observa o coelho com cuidado. Vê se ele está perto da sua toca. E quando tem certeza de que ira conseguir capturar o coelho, ela ataca. O final é: o coelho morre na maior parte das vezes que a raposa usa a cabeça, ao invés da barriga.
- Em outras palavras, nós somos o coelho e o dragão a raposa. – Comenta o Jarl, analisando o exemplo do elfo sobre a raposa e o coelho.
- Sim.
- Entendo. – Continua Hashirama, antes de se voltar para o soldado. – Você fez bem em nos contar sobre o dragão, filho. Deixe que nós assumimos daqui. – Diz o Jarl, tocando no ombro do soldado e olhando em seus olhos. – Vá até as estalagem do quartel. Descanse, coma. Você fez por merecer. – Termina o mesmo, abrindo um pequeno sorriso para o soldado, que reconfortou o mesmo, por menor que tenha sido esse efeito sobre ele, ajudou.
O soldado faz uma reverência e sai da sala de guerra. Após a saída do soldado, o Jarl se encosta na mesa, com as mãos servindo de apoio, e soltando o ar de forma pesada. Ouvir tudo aquilo foi mais difícil do que pensava. Mas imaginar todo esse horror e pânico sobre sua cidade, era algo que nem em seus piores pesadelos ele teria coragem de conviver com isso. Ele se vira para os que estavam presentes diante dele e começou a falar.
- Erza, pegue alguns homens e vá para a torre de vigia.
- "Ele não pode estar pensando em enviar um punhado de gente pra enfrentar um dragão, né? É suicídio!" – Pensou o elfo, tentando manter a calma diante de todos.
- Já ordenei que meus homens se reunissem no portão principal. Iremos enfrentar aquele monstro quando eu me reunir a eles. – Responde a ruiva, colocando as mãos na cintura e inflando o peito, provavelmente pra demonstrar que não estava com medo, mas Thor podia ver que suas mãos estavam tremendo levemente antes delas repousarem sobre sua cintura.
- Ótimo. Precavida como sempre. Vá! – Ordenou o Jarl, tendo como resposta uma reverência de Erza e a mesma indo embora, sem olhar de forma intimidadora para o trio. Na verdade, ela olhou mais para Thor, com certa curiosidade. Talvez por conta da sua "Não Raça". Talvez ela não tinha prestado muita atenção nele na primeira vista, deve ter sido isso, pensou o elfo. Natsu a encarou mesmo assim, enquanto Happy, a olhava com certa admiração.
- Meus jovens, temo que não há tempo para cerimonias. A ajuda de vocês, é necessária mais uma vez. – Diz o Jarl, se aproximando do trio, que o ouvia atentamente. – Quero que acompanhem Erza e a ajudem na luta contra essa fera infernal.
De repente Erza, de alguma forma ouviu o pedido do Jarl ao trio, voltou correndo pra onde eles estavam.
- Com todo o respeito, meu senhor, mas eu não acho uma boa ideia enviar esses garotos para uma missão tão perigosa. São apenas crianças.
Ao ouvirem essa última parte, sem exceção, os três sentiram uma veia saltar de suas testas e olharam feio para a ruiva em questão.
- Por mais que eu não goste de ser chamado de criança, eu só tenho interesse em dragões em livros, lá em Winterhold. E não enfrentar dragões na vida real, muito obrigado. – Diz Natsu, tentando conter sua raiva e a vontade de voar em cima de Erza e a esgana-la ali mesmo.
- Viu?! Até mesmo esse tapado possui bom senso. – Argumenta Erza, deixando o bretão mais puto.
- QUEM VOCÊ ESTA CHAMANDO DE TAPADO?!
- Quem perguntou. – Responde Thor, com um sorriso arteiro e brincalhão no rosto, fazendo Happy e Mio segurarem a risada por conta da brincadeira do elfo sobre o bretão, que voltou seu olhar de raiva para o mesmo.
- Chega! – Hashirama sabia ser duro quando precisava e agora era a hora. – Você matou pela primeira vez quando era mais nova que esses três, Erza. – Argumenta o Jarl, olhando de forma severa para a ruiva mencionada.
- Era um mero Troll Das Neves. Um dragão é algo bem diferente. – Contra argumentou a ruiva, olhando para o outro lado, fazendo uma certa cara de birra.
- NÃO TEM NADA DE SIMPLES EM MATAR UM TROLL! – Gritam o trio, bravos com a guerreira, que não deu a mínima pro que foi dito.
Trolls são criaturas grandes, semelhantes a gorilas, com o único diferencial é o terceiro olho na testa e suas garras afiadas. Até mesmo para guerreiros experientes, matar um Troll é algo difícil. Mas pra Erza, Titânia, aquilo era mamão com açúcar. Thor não pode deixar de olhar de forma surpresa e de admiração para a ruiva, ela merecia o respeito que conquistou hoje. Só não podia dizer o mesmo para um certo bretão, que mantinha seu olhar de raiva sobre ele e a ruiva.
- Vocês dois, jovens bretão e Khajiit, foram os únicos sobreviventes de Helgen. Em questão de experiência sobre dragões, vocês são os que mais o tem aqui. – Argumenta o Jarl, olhando diretamente para Natsu, que olha para o Jarl e começou a refletir sobre o pedido feito a ele. – A ajuda de vocês, é mais do que necessária nesse assunto. – Continua Hashirama, fazendo Natsu bufar em rendição e acenar com a cabeça, aceitando o pedido do Jarl. – E você, meu cara elfo, parece confiante com suas habilidades com seu arco pessoal em suas costas. Um bom arqueiro sempre é bem-vindo em um pelotão.
- "E que arqueiro. Se soubesse de metade das coisas que eu já fiz, iria me dar um troféu. No mínimo uma medalha." – Pensou o elfo, sem conseguir conter a expressão de satisfação pelo elogio do Jarl.
Mas o dragão vinha primeiro, depois os elogios.
- Meu senhor, eu ainda insisto que...
- Enquanto nós falamos, o dragão pode estar atacando a torre de vigia e massacrando nossos homens. Isso se não tiver transformado ambos em cinzas e vindo para cá nesse instante. – Interrompe Hashirama, duro em suas palavras, cessando a insistência da ruiva.
- Podemos ficar de conversa fiada aqui, ou podemos ir logo para a torre e matar esse dragão, antes que ele venha fazer churrasco da gente. – Diz Thor, chamando a atenção de todos. – Então, Happy, Natsu, topam ir lá fora e mostrar pra essa ruiva que não somos crianças?
- Nem precisava pedir amigo. – Disse Happy, dando um tapa na mão de Thor, que sorri pela atitude do felino.
- Pode apostar que eu vou sim. – Responde Natsu, estalando os dedos enquanto alongava os braços. Thor já descobriu como fisgar o mago como um peixe agora, se precisasse de sua ajuda.
- Ótimo. Eis sua chance.
Erza então começou a fuzilar com os olhos para o trio, mais especificamente para Thor, que achou que ela tinha percebido o truque que usou em Natsu para convence-lo de participar na luta contra o dragão. Se percebeu ou não, aquilo não importava para o elfo. Iria provar para a ruiva que ele não era criança porra nenhuma.
- Nesse caso, eu também vou. – Anuncia Mio, confiante de si em que poderia ser útil na luta contra o monstro.
- Ah mas não vai mesmo! – Repreende Erza, pé da vida e extremamente séria com a decisão de Mio.
- Ah mas eu vou e não tem discussão, Erza Scarlet. – Devolve a maga, tão séria quanto Erza, chegando a deixar a mesma assustada. – Acha que eu não sei que isso é perigoso? Que eu poça não voltar? Pois fique sabendo que isso se aplica a você também, mocinha. – Argumenta a ruiva, apontando o dedo para a irmã, que ficou calada enquanto ouvia a maga. – Posso não ser uma grande guerreira como você, ou uma arqueira como Thor, ou até mesmo sorrateira como Happy, ou até mesmo qualquer um dos loucos dos Companions. Mas eu sou uma Maga que se formou em Winterhold e foi classificada como Mestra nas escolas de Destroction (Destruição) e Restoration (Restauração)! Então você não vai me impedir de ir nessa missão. OU-VI-U?!
O trio olhou para Mio com outros olhos depois daquele pronunciamento, nunca que eles iria adivinhar que a maga de cabelos vermelhos era não só a irmã de Erza, como também uma Mestra em duas escolas completamente oposta na magia, Restoration, que é focado em cura e defesa mágica, e Destroction, focado em magias de ataques elementais, mágicos, runas que podem servir como armadilhas, enfim, qualquer coisa que possa causar um estrago do cacete em algo ou alguém. Se Erza já era assustadora por ser a maior guerreira de Skyrim, Mio era assustadora por ser a maior maga de Skyrim, no mínimo.
Mio praticamente estava com o rosto colado no da irmã, que ficou quieta com o que a maga falou. Erza não teve outra escolha a não ser ceder.
- T-tá bom. Você me convenceu. – Disse a guerreira, levantando as mãos em rendição para a irmã, que sorri gentilmente para a outra.
- Ótimo. Vou esperar você e o resto do pessoal lá embaixo. No portão principal. – Disse a maga, antes de se dirigir pra saída do palácio. – Até mais tarde, Thor.
Erza estava prestes a sair também, mas foi impedida pela fala do Jarl.
- Isso não é uma missão de morte ou glória, Erza. Precisamos saber com o que estamos lidando.
- Não é comigo, ou com Mio que tem que se preocupar, meu Jarl. Já com esses três... – A ruiva aponta com os olhos o trio de amigos, que ficaram meio irritados com a acusação da guerreira, que saia da sala de guerra em direção ao portão principal.
- Peço que não a levem a mal. – Pediu o Jarl, olhando para o trio como um pai olha para um filho. – Ela apenas se preocupa de mais com os jovens.
- Sem querer ofender, mas tenho idade o suficiente pra me casar e saber como agradar uma mulher. – Garante Thor, olhando de forma séria pro Jarl, que ri nasalmente com isso. – E também sei me cuidar sozinho muito bem, obrigado.
- Não duvido disso, jovem Thor. Ela apenas não quer que o que aconteceu com ela e com Mio, se repita com outros. – Responde Hashirama, se contendo para não contar demais sobre o passado das ruivas. Aquilo deixou os três curiosos com o passado das ruivas. Mas antes que qualquer um deles pudesse fazer uma pergunta, o Jarl retoma a palavra. – Bem, eu não quero atrasa-los, muito menos deixar a Erza esperando. Acreditem, vocês não querem ver ela brava quando o assunto é pontualidade. – Comenta o mesmo, sentindo um frio na espinha quando falou isso. – Vão. Lutem contra esse monstro. E me tragam a sua cabeça. – Ordenou o Jarl, fazendo o trio acenar com a cabeça e logo em seguida se retirar da sala de guerra.
No caminho pra saída de Dragonsreach, Thor não pode deixar de olhar no crânio de dragão que havia sobre o trono. A boca com dentes afiados, estava aberta, como se estivesse rugindo, ou expelindo fogo pela boca. Só de imaginar aquilo acontecendo na sua frente, foi o bastante pra deixar os pelos da nuca de Thor enriçados e sentir um arrepio na espinha.
O trio agora estava no portão principal, ao lado de Mio e atrás de Erza, que estava na frente de um pequeno pelotão, de aproximadamente 20 soldados enfileirados, um do lado do outro. Thor viu que um deles era o soldado com o cachimbo que os deixou entrar mais cedo e ele não se separava daquele cachimbo da paz nem morto, notou o elfo, já que ele fumava diante da Titânia. O povo, curioso, ao redor se aproximava para ver o que estava acontecendo.
- Eis a situação. Um dragão está atacando a torre de vigia oeste. – Anuncia Erza, fazendo alguns soldados rirem levemente, outro bufando em sinal de descrença ou pra dizer: "É sério isso?"
O povo riu e alguns começaram a achar que a ruiva tinha ficado louca. Se eles soubessem o quão furiosos Erza, Natsu e Happy estavam ficando, não iriam provoca-los nem mortos.
- Seus idiotas! Dragões estão extintos! – Grita um bêbado, rindo de Erza, enquanto saia de uma taberna perto dali.
- Voltem a vigia que vocês vão ganhar mais! – Gritou outro cidadão, tendo o consentimento de outros.
Erza estava prestes a pegar uma faca da cintura e jogar na próxima cabeça que abrir a boca pra insulta-la. Mas a próxima não fez isso.
- Deveriam demonstrar mais respeitos, seus covardes! – Gritou uma voz imponente e autoritária, uma que o trio teve a chance de conhecer mais cedo naquele dia. Minato estava com seu filho Naruto logo atrás, indo para casa quando viu a comoção no portão. – Todos nós conhecemos Erza e sabemos que ela não iria fazer nenhum teatrinho pra nos zombar. Especialmente vocês dois, soldados de Whiterun. – Aponta o loiro, olhando de uma forma que atravessava a alma dos que insultaram a ruiva, os calando imediatamente, assim como todos que vaiavam a guerreira.
- Obrigada Minato. – Agradeceu a ruiva, fazendo uma reverencia leve para o loiro e o mesmo a devolveu, deixando com que a guerreira voltasse a falar e dessa vez sem a interrupção dos baderneiros. – Eu tô pouco me fudendo pra saber de que toca ele saiu, ou quem o enviou. Ele cometeu um grande erro ao nos atacar. É isso o que sei e é isso que importa.
- Como vamos derrota-lo? – Questiona o soldado fumante, dando mais um trago de seu cachimbo.
- Uma boa pergunta, já que nenhum de nós jamais havia enfrentado um dragão. Ou muito menos esperava lutar contra um. – Comenta Erza, andando de um lado pro outro diante de seus homens, antes de subir numa parte mais alta na entrada da cidade, tornando possível ver todos os soldados que havia reunido, sua irmã e o trio que veio informar da vinda dos dragões. – Nenhum de nós. Exceto vocês. – Disse a mesma, apontando para Natsu e Happy, que começaram a olhar ao redor, pra ver se ela estava mesmo falando deles. – Sim, estou falando de vocês dois. – Responde a ruiva, olhando os dois ficarem levemente pálidos. Se é que é possível ver alguma coisa ficar pálida no rosto de um Khajiit, mas tudo bem. – Estamos obrigados a lutar contra essa coisa. Mesmo se nós falharmos. Esse monstro ameaça nossos lares, nossas famílias, nosso futuro. Vocês se acham dignos de se chamarem de "nórdicos" se fugirem desse monstro?! – Pergunta a ruiva, diante de seus soldados, que gritam em resposta.
- NÃO!
- VÃO ME DEIXAR ENFRENTAR ESSA COISA SOZINHA?!
- NÃO! – Respondem os soldados, gritando e batendo suas espadas em seus escudos, fazendo mais barulho ainda.
Thor não podia negar uma coisa, por mais assustador que Erza podia ser as vezes, ela sabia como levantar a moral de seus homens e eles a seguiriam até Sovngarde. Até mesmo ele ficou empolgado com a batalha que viria. Natsu e Happy abriram um sorriso confiante no rosto. Mio não parava de sorrir de orgulho de sua irmã.
- Está batalha tem algo muito maior que nossa honra em jogo! Pensem comigo, é o primeiro dragão visto em Skyrim desde a era passada. – Os dragões foram considerados deuses pelos nórdicos, mas quando os mesmos se rebelaram, a guerra explodiu e desde o fim dessa guerra, nunca mais se ouviu falar sobre dragões ou sobre os Dragonborns.
Os cabelos vermelhos das irmãs nórdicas ficaram mais intensos com o pôr do sol. Ao longe, as duas luas se erguiam, dizendo que a noite estava chegando. Porém aquela noite, diferente das outras anteriores dessa era, está noite específica, iria ficar marcada para a história para sempre, nos livros de história e de contos de toda Skyrim e por todo o Império. O destino estava traçado e a sorte lançada.
Erza saca sua espada antes de dizer.
- Vamos matar um dragão!
- YEEEEEEEAAAAAAAAH! – Gritam os soldados, exaltando seu ânimo para a batalha, batendo os pés no chão e espadas nos escudos.
Aquela era a primeira vez que Thor via alguém exalar tanta confiança e exaltar uma pequena multidão de uma forma tão magistral. Com certeza ele não iria fugir dessa luta. Num movimento de mão, Erza conduziu os guerreiros, o trio e sua irmã para fora da cidade. Mio seguia ao lado do trio de amigos.
- Cativante ela, não acham?
- Sua irmã sabe mesmo empolgar alguém. Mesmo quando a morte é quase certa. – Confessa Thor, olhando para a maga ao seu lado.
- Como vocês dois estão?
- Levando em conta que nossa primeira experiência com dragões não foi lá das melhores, ah... Estamos bem. – Confessa Happy, tendo como concordância um acenar de Natsu.
- É verdade. E também, não é todo dia que se tem a chance de matar um dragão. – Acrescenta Natsu, batendo um punho na outra mão, mostrando sua empolgação ao amigos. Mas logo sua expressão ficou mais séria que a de costume. – E tem a recompensa também. Quero pegar ela logo e ir direto pra Winterhold. Vou provar pra sua irmã cabeça dura do que eu sou capaz. Isso se a gente sair vivo de lá... – Termina o mesmo, ficando um pouco nervoso, fazendo os amigos rirem da cara dele.
Durante o caminho, Thor notou uma coisa que acredita nunca ter acontecido antes. Quando foi que ele ficou tão próximo do bretão, do Khajiit e da nórdica? Em menos de 24 horas ele já os considerava como amigos e se sentia familiarizado com eles, como se fossem velhos amigos que acabaram de se reencontrar depois de muito tempo. Porém todo aquele clima calmo e tranquilo foi transformado para um de medo e insegurança quando eles viram o estado atual da torre oeste. Mesmo estando longe da torre, a uma distância de uns 200-300 metros, era possível ver as chamas queimando e as bandeiras do Império de Tamriel queimando, enquanto tremulavam ao vento frio da noite. Thor sentiu seu sangue gelar com aquela cena e seus passos ficaram mais devagar e cautelosos, como se seus instintos que desenvolveu durante a caça por anos afio o dissessem que aquilo estava calmo demais.
O elfo sente sua mão ser apertada de repente por alguém e quando ele olha, era Mio. A maga estava assustada, bastante assustada na verdade. Sua mão tremia na do elfo, que apertou de maneira que desse conforto e confiança a mesma, junto com um leve carinho em sua mão. Mio não conseguiu esconder a leve vermelhidão que se formou em seu rosto com aquele afeto carinhoso. Thor então começou a guiar Mio até a torre, se juntando ao grupo que parou a alguns metros da construção destruída.
A única iluminação naquele lugar, vinham das chamas que queimavam nas tochas dos soldados, as auroras boreais que brilhavam no céu estrelado da noite e as chamas infernais do dragão, que de alguma forma sumiu sem deixar rastros de pra onde foi. Thor sabia pra onde ele estava indo. Não pra torre, mas para o inferno. Um inferno ardente e feito de fogo.
Natsu não prestava muita atenção na destruição provocada pelo dragão. E sim na dança ritmada e elegante, como um bale silencioso, que só as auroras boreais sabiam fazer, bem alto no céu. Era noites assim, sem nuvens, que Thor agradecia por ter nascido em Skyrim, pois era ali que poderia desfrutar de tal beleza natural, que apenas Skyrim podia oferecer aos seus habitantes.
- Incrível, não é? – Pergunta o elfo, olhando as auroras ao lado do bretão e do Khajiit, que já estava habituado com elas, mas nunca se cansava de ver aquela maravilha da natureza. Mio, assim como os soldados de Whiterun, olhavam para o céu de uma forma mais familiarizada, mas sem perder o brilho de encantamento em seus olhos.
- Por mais que eu já esteja habituada em ver elas, eu nunca me canso de ver elas dançando no céu. – Confessa Mio, olhando para o céu ao lado de Thor e da dupla forasteira.
- O sentimento que os autores tentam transmitir nos livros sobre elas, não se comparam quando você as vê pessoalmente. – Comenta o bretão, tendo a concordância do resto dos amigos.
- Mesmo tendo tanto sangue sendo derramado e tragédia acontecendo por aí, Skyrim ainda tem suas belezas naturais. As auroras são uma delas. – Conta Thor, dando um pequeno sorriso.
- E também é onde os dragões estão voltando a vida, infelizmente. – Diz o Khajiit, cortando o transe dos amigos. – Olhem. Estamos quase lá. Preparem-se.
A alguns metros na frente deles, os restos do que sobrou da torre de vigia era visível aos olhos de todos. Tinha 10 metros de altura, no topo havia uma área perfeita para vigia, onde arqueiros ficavam a céu aberto. Provavelmente foram os primeiros a morrer durante o ataque, pensou boa parte dos que estavam lá. As chamas refletiam nos olhos de todos e pra onde quer que eles vissem, chamas e pedras que faziam parte da torre eram visíveis na frente deles. As pedras estavam queimadas, negras como carvão. Madeira de suporte despedaçada e corpos carbonizados no chão. Um ou outro estava cortado pela metade, com indícios de que a outra metade foi servido como almoço e janta do dragão. Entranhas e membros espalhados por todo o campo, alguns estavam inteiros, mas carbonizados, outros faltavam um braço ou uma perna. Alguns soldados vomitaram ao ver aquelas cenas grotescas, dignas de um campo de batalha. Natsu e Mio também chamaram o Jau e botaram o almoço pra fora. Thor não podia culpá-los por isso, já que ele estava quase fazendo a mesma coisa também, assim como Happy, que botou a mão na boca e engoliu o vômito que estava prestes a sair. Todos estavam parados diante daquela cena cena vindo de um sonho de terror.
- Tá quieto demais aqui. – Comenta o elfo, ainda do lado dos amigos, que estavam se recuperando do choque que aquela cena os causou.
- Escutem. Sei que as coisas parecem ruim, mas precisamos saber o que aconteceu aqui. O dragão ainda pode estar por perto. – Diz Erza, olhando para todos ao seu redor. – Espalhem-se. Procurem por sobreviventes. – Ordenou a ruiva, começando a andar em direção a torre, com bastante cuidado e atenção a qualquer barulho estranho que surgisse.
Os outros fizeram o mesmo, seguindo o exemplo de Titânia, com armas em punho, se espalharam e procuraram por algum sobrevivente daquele massacre. Thor olhava tudo com atenção, sem soltar a mão da maga, que ainda estava assustada com tudo aquilo. Natsu vinha atrás, junto com Happy. Os quatro olhavam pro chão e de vez em quando olhavam pro céu. Thor viu a bandeira do Império queimar e soltar uma fumaça preta mais à frente.
- Vamos lá dentro ver se ainda sobrou alguém. – Comenta o elfo, olhando para os outros, que acenam em resposta e seguiram os passos dele até a torre.
O fogo ao redor deles os fazia suar e muito. Happy, por ser um Khajiit, estava detestando aquele calor excessivo, mesmo estando habituado a lugares quentes, como os desertos de Elsweyr. A respiração do grupo era dificultada por causa da fumaça e do calor que as chamas emitiam. Ao chegarem perto da escada, a porta da torre é aberta com violência e um homem saiu em disparada pra fora da construção e iria bater de frente com Mio, mas Thor o impediu com um chutão no peito do homem, fazendo ele ir ao chão e perder o folego brevemente. Natsu xingava o homem caído de todas as formas e palavrões possíveis e que conhecia, enquanto se recuperava do mini infarto que sofreu por conta do susto que levou da aparição do homem maluco. Quando olharam pra ele, viram que o mesmo estava começando a entrar em pânico. E se eles acharam que o soldado que tinha chegado em Dragonsreach estava desesperado, é por que eles não viram esse aqui. Pavor. Puro e simplesmente pavor e medo primordial, estava estampado na cara daquele homem.
- NÃO! VOLTEM! VOLTEM! ELE ESTÁ AQUI! ELE AINDA ESTÁ AQUI! – Gritava o homem, enquanto era levantado pelo elfo e pelo bretão, pelos braços. – Saramago e Ulthane... Eles foram pegos enquanto fugiam!
Erza vinha correndo até onde o elfo e o bretão estavam, e estava prestes a dar um belo de um soco no homem que quase caiu em cima da sua irmã, mas como ele recebeu um chute do elfo, deixou quieto. O agarrou pela gola do uniforme e olhou fundo nos olhos dele.
- Fale direito homem e responda! O que houve aqui e onde está o dragão?!
A resposta não veio muito tarde, pois um rugido ensurdecedor ecoou pela noite, fazendo com que todos sem exceção cobrissem os ouvidos. A dupla de amigos, Natsu e Happy, sabiam muito bem quem era o responsável pelo som estridente. O símbolo da bandeira sendo consumida em chamas, havia ganhado forma e vida, e estava atrás de novas vítimas.
- Akatosh nos salve! ELE ESTÁ VOLTANDO!
Nem o rei dos nove deuses podia ajuda-los naquele momento, pois o céu estrelado era cortado por uma figura alada. Enorme. Todos olhavam para o monstro alada. Enorme. Todos olhavam para o monstro de escamas com os olhos arregalados. Uns de medo, outros de espanto, e alguns com empolgação, pois iriam matar uma fera que ninguém vê a mais de um milênio. Sua sombra cortava o céu noturno e o rugido feria os ouvidos de quem estava ali. Thor sentia medo, assim como todos ali presentes, mas uma fala de sua mãe veio em sua mente sempre que se sentia com medo.
Não é errado ter medo. E sim ter medo e não enfrenta-lo.
A voz de Erza se fez presente no meio do rugido do dragão.
- Arqueiros! Subam na torre!
Thor não pensou duas vezes e soltou a mão de Mio e saiu em disparada em direção a torre semidestruída como uma flecha, passando por todos numa velocidade que ninguém conseguia acompanhar. Mio e Natsu seguiram ele, por serem magos e suas magias terem um alcance maior que uma espada, seria mais vantajoso se eles estivessem num terreno mais alto, por isso seguiram o elfo, que já estava dentro da torre e subia a escada de dois em dois degraus, chegando no topo rapidamente e ele viu o vulto do dragão indo pra cima dele, prestes a soltar seu bafo de fogo. A única saída dele, foi se esconder atrás da mureta de pedra, que servia de proteção para os arqueiros que ficavam em cima de muros e torres como aquela. Num carreirão e num power slide, o elfo conseguiu se proteger do fogo infernal que vinha em sua direção. Pena que o mesmo não poderia ser dito para os outros três coitados que tinham acabado de chegar no topo, foram praticamente engolidos pelas chamas e tiveram uma das piores mortes possíveis que se pode imaginar. Eles se debatiam entre si, um deles tropeçou e caiu escada abaixo, assustando os magos, outro caiu da torre e se espatifou no chão, esmagando o crânio com o impacto ao solo e morrendo instantaneamente (Sorte a dele né?), o último acabou caindo de joelhos e teve seu corpo derretido pelas chamas, até que caiu no chão morto.
O calor que Thor sentia ao estar encostado na pedra não deveria ser nada comparado ao que aqueles infelizes sentiram na pele. A pedra na qual ele usou pra se esconder começava a derreter lentamente, fazendo o elfo pular por lado de susto, enquanto se afastava da rocha derretida. Respirou fundo, acalmando a respiração e se levantou num pulo, já pegando uma flecha de sua aljava e se preparando pra atirar. Mio e Natsu conseguiram chegar no topo da torre e já estavam com feitiços prontos para disparar contra a besta. Enquanto isso, o dragão sobrevoava os sobre os sobreviventes no solo, quando um raio roxo atingiu o rosto da criatura, chamando sua atenção. Era Happy, que disparava aqueles raios, tentando atrair a fera pro chão. Natsu e Mio não ficaram pra trás, muito menos Thor. O elfo disparou uma flecha contra o dragão, mas acabou passando bem perto da base da calda, fazendo o elfo praguejar levemente em sua mente. O dragão era mais rápido do que havia previsto. Os magos juntaram suas magias e dispararam uma bola de fogo duas vezes maior que a cabeça de um homem e acetaram um lado do rosto do dragão, o deixando meio cego e tonto, fazendo ele desviar o curso e descer mais do que devia, atingindo o chão e dando algumas cambalhotas até bater as costas numas pedras que haviam perto da torre.
O dragão se levanta, um pouco ferido, pois sua asa esquerda foi quebrada com a queda. Os soldados em solo foram avançando com cuidado pra cima do dragão, que os olhou com um olhar mortal, antes de disparar mais uma lambida de fogo sobre eles. Os soldados buscaram abrigo nas pedras mais próximas, ou se esconderam em algum lugar que o dragão não tivesse visto, mas os que não conseguiram escapar, foram atingidos sem nenhuma piedade pelas chamas, tendo suas carnes e peles sendo derretidas com o calor das chamas. Um soldado próximo de Erza e Happy, estendia a mão pra ruiva, como se pedisse a ajuda dela pra chegar no abrigo contra as chamas, mas chegou tarde demais. Agora ele só conseguia grita de dor e agonia por conta do calor das chamas e da dor excruciante que sentia em sua pele. Gritos e mais gritos de dor, até que foram cessado num ato de misericórdia da guerreira de cabelos vermelhos, enfiando sua espada na garganta do soldado caído na sua frente. Ele agradeceria se seus lábios não estivessem colados depois de terem sido derretidos e com as cordas vocais intactas. Quando o dragão cessou o ataque, Erza foi a primeira que se levantar.
- ATAQUEM! – Ordena Erza, num berro que levantou, mesmo que por um instante a moral dos sobreviventes, e paralisando o dragão de medo brevemente.
- POR WHITERUN! – Gritavam os soldados da cidade, correndo em direção ao dragão com armas em punho, passando pelos irmãos de armas derrotados pelo chão.
Thor subiu na mureta e pegou outra flecha. Mirou com cuidado, analisando o dragão e vendo onde poderia causar um dano considerável e ao mesmo tempo vantajoso para os seus aliados em solo. Ao ver o seu alvo, não pode deixar de sorrir com aquilo. Soltou a flecha e ela acerta bem no olho direito do dragão, onde Natsu e Mio haviam acertado a bola de fogo combinada deles. Ele grunhiu e rugiu de dor e raiva, soltava fogo pela boca e pelas ventas (Os buracos do nariz). Ao ver o causador de sua parcial cegueira, ele se enfureceu. Thor o encarava de cima e com um sorriso desafiador nos lábios, aumentando ainda mais a raiva da besta, que começou a levantar voo. Mesmo com a asa quebrada, ele iria fazer aquele elfo pagar por sua insolência. Mas no segundo seguinte ele se sentiu preso ao chão, quando ele olhou pra trás, ele viu Erza, com uma espada fincada no chão e na sua calda, sendo este o motivo de sua prisão terrena. Happy passou correndo pelo lado cego do monstro e cortou uma de suas asas, o bastante para deixa-la inutilizável. Sangue jorrando sobre o pelo do Khajiit e na pele da nórdica, os deixando banhados de vermelhos. Com a asa quebrada, o dragão bateu em Erza, fazendo ela voar pra trás e bater as costas numa das pedras ali perto. Ele se virou para o elfo e disparou uma bola de fogo no mesmo. Ao ver as chamas se aproximando, Thor pulou pra trás. Mio e Natsu estavam atrás dele e acabaram sendo jogados no chão, batendo forte no chão de pedra da torre, que por algum motivo desconhecido, começou a rachar e a ceder.
- Corre! – Gritou o elfo, ajudando os magos a se levantarem e a saírem do terraço da torre, chegando na escada da mesma, ficando a salvo do buraco que se formou no meio da construção.
Natsu e Mio desceram pro térreo, enquanto Thor permaneceu no topo, ficando em cima da mureta, tendo um pouco de problema pra se equilibrar nas rochas frias e um tanto úmidas. Ele tentou acertar o olho esquerdo, que estava exposto. Mas o dragão notou a presença do elfo e mandou outra lambida de fogo contra a flecha e o elfo, que conseguiu escapar por pouco das chamas, ao pular pra trás e se esconder na mureta. Os guerreiros em solo atacaram o dragão pelos flancos, atraindo a atenção do mesmo. Uns golpeavam nas asas, outros na cauda e os mais corajosos, ou talvez os mais estúpidos, a cabeça do dragão, com machados, espadas, maças, ou martelos de guerra. Os que ficaram de frente pro dragão, ou foram devorados pelo mesmo, ou foram engolidos pelas chamas que ele cuspia de sua boca. Os que estavam mais atrás, foram cortados ao meio, que nem faca quente na manteiga, pela cauda do monstro. Os que estavam nas laterais tiveram o mesmo fim, exceto aqueles que se abaixaram a tempo, o que foi o destino de Happy e do soldado do cachimbo, que perdeu seu bem tão precioso no chão.
- AÍ! LAGARTÃO IDIOTA! – Gritou o bretão, mais afastado do grupo e atraindo a atenção do dragão.
- O que aquele infeliz está fazendo?! – Perguntou o elfo, confuso e descrente de que estava vendo aquilo, enquanto disparava flecha atrás de flecha no monstro, aproveitando a distração do mesmo.
- Esse será o minuto mais longo da minha vida... – Comenta Natsu, antes de ser engolido pelas chamas do dragão. Happy estava estático ao lado de Erza, que tinha seus olhos arregalados com o que estava vendo. Mio cobriu a boca com as mãos, acreditando que o bretão tinha enlouquecido. Mas das chamas, saiu Natsu. Vivinho da silva.
- Dragonskin (Pele de Dragão)... Filho da mãe. – Murmurou Thor, se lembrando da habilidade especial dos bretões. Essa habilidade, que consiste em absolver qualquer magia direcionado a eles e usar essa magia para recarregar seu estoque de magicka, por 60 segundos, uma vez por dia.
Agora eles tinham 60 segundos pra fazer alguma coisa para matar o dragão. E rápido, pois o tempo que Natsu tinha era limitado e se caso não pensassem rápido, todos ali iriam morrer e não seria uma morte muito agradável. Vamos fazer um breve resumo do resultado da batalha até então. Arqueiros, mortos. Soldados, mortos, ou pelo menos, a maior parte deles. Sobreviventes do primeiro ataque a torre, nenhum, exceto o que foi correndo pra Dragonsreach que nem um louco tinha sobrevivido. Só restou: Thor, Natsu, Happy, Erza, Mio e o soldado do cachimbo. Thor ficou pensando e a única coisa que parecia que iria funcionar, era a ideia mais louca que ele já tinha pensado na vida.
- Argh! Foda-se! Se eu morrer, eu juro que volto pra matar esse bretão idiota! – Disse pra si mesmo, sacando ambas as espadas de sua cintura e se afastando o máximo que podia da mureta da torre. Começou a correr em direção à borda da torre e pulou, com as espadas em punho, gritando bem alto, chamando atenção de todos para si, inclusive do dragão, que voltou suas chamas para o elfo.
Por um segundo, ele acreditou que iria se reencontrar com sua mãe no além vida, mas isso não aconteceu. Ele passou pelas chamas como se elas não fossem nada, surpreendendo a todos. Thor ficava mais e mais perto de seu alvo e quando o alcançou, fincou as lâminas das espadas no crânio da besta e ele grita. Thor forçava as espadas cada vez mais a fundo no crânio do dragão, que rugia de dor, até que ele desistiu e se rendeu, caindo no chão. Thor sabia que ele ainda estava vivo. Retirou as espadas e jogou uma delas pra longe, para segurar a outra com ambas as mãos e enfiar novamente, com mais força no crânio da besta, fazendo um chafariz com o sangue do dragão, banhando o elfo naquele líquido escarlate. Aquilo foi o necessário para fazer o dragão fechar o olho bom, para nunca mais abri-lo. Com a respiração ofegante e o coração a mil, Thor retirou sua espada do crânio do dragão e se levantou sobre a carcaça do mesmo. Eles conseguiram... Não. ELE conseguiu. Ele matou o dragão, que todos acharam que era imortal e invencível. Um deus. Porém um mero mortal o derrubou e tirou-lhe a vida. Mas... Algo a mais aconteceu.
Aos poucos, o corpo do dragão foi começando a queimar, mas sem a presença de fogo. Todos, inclusive Thor que estava mais perto, se assustaram. Do corpo mórbido do dragão, uma espécie de aura alaranjada com leves tons de azul começou a cobrir o corpo de Thor, deixando todos assustados, mas ao mesmo tempo fascinados com aquilo. Aos poucos aquela aura estranha foi sendo absorvida por Thor e o dragão não passava mais do que um esqueleto. Sem pele ou carne, apenas ossos. Nem mesmo a alma tinha sobrado na carcaça do dragão. Thor olhou para suas mãos banhadas de sangue e depois pros amigos e pros nórdicos sobreviventes, como se pedisse uma resposta para o que estava acontecendo com ele.
- Bloody Hell (Inferno Sangrento)... – Disse o soldado do cachimbo, boquiaberto com o que viu. – Você é um Dragonborn!
Thor não pode deixar de se lembrar da música sobre essa lenda e do trecho que mais fazia efeito em si.
It's a end to the evil, of all Skyrim foes! (Será o fim para o mal, de todos os inimigos de Skyrim!)
Beware, beware, the Dragonborn comes! (Cuidado, cuidado, o Dragonborn virá!)
- O que eu sou? – Se perguntou o elfo, olhando para suas mãos ensanguentadas.
