Dia 6 Tema: Bêbados – Título: Saia de Brilhinhos

N/A: Essa fic NÃO faz parte do 'verse de AOC mesmo que eu use os mesmo nomes.

E ela pode ser vista como uma High School AU, já que conforme eu ia escrevendo percebi que todo mundo – principalmente o Kunzite – pareciam meio imaturos e OOC. Essa fic é uma zona, ok?


Saia de Brilhinhos

"Parece plausível o bastante essa noite, mas espere até amanhã. Espere até o bom senso da manhã"

H.G. Wells – A Máquina do Tempo (tradução livre)

Eu tinha me prometido que não iria beber naquela festa.

Afinal, eu havia pensado, numa festa onde todos os irresponsáveis dos meus amigos, conhecidos e ex-inimigos-mas-agora-é-complicado estariam, alguém deveria se manter são e sóbrio o bastante para a sobrevivência de todos.

O futuro deste planeta estava em perigo... literalmente.

Tirando implicâncias de meu Master e de meus irmãos mais novos, eu não achei que encontraria muitos problemas mantendo minha promessa, isso foi até ela chegar. Atrasada como sempre, é claro. Como a mente genial e maligna por trás daquela festa poderia chegar atrasada a um evento que ela mesma tinha planejado era algo além das minhas capacidades cognitivas, mas que lógica não deveria ser aplicada a alguém como Minako eu sabia muito bem. Lógica ou promessas, aliás.

Agora eu já estava em minha quarta taça de vinho e já tinha entornado algumas latinhas de cerveja antes – e eu nem gosto de cerveja – também tinha uma vaga memória de ter vencido uma partida de vira-vira contra a o Master – que foi o primeiro a perder e está neste exato momento deitado no chão conversando com um dos pés da Princesa, aparentemente não é só no campo de batalha que ele é fraco, eis o motivo de minha existência o homem a qual eu jurei proteger com a minha própria vida, patético, patético – e a Princesa... no que diabos eu estava pensando?

Bem, provavelmente em nada.

Ok, eu sabia muito bem no que eu estava pensando, no que eu não conseguia parar de pensar, foi para não pensar mais que eu havia tomado a primeira latinha de cerveja de um embasbacado Izou e tomado de uma vez só.

Talvez eu devesse ter pensado melhor antes disso.

Mas ela estava usando uma saia realmente curta, ok, ela sempre usava saias curtas é uma coisa de Senshi ou sei lá, mas aquela além de curta era bem justa e tinha uns brilhinhos.

Eu não achava que gostava tanto de brilhinhos antes daquela noite, mas depois da quarta taça de vinho e uma bebida qualquer que Makoto jurava que era a coisa mais gostosa que ela já tinha feito, sua obra prima máxima e que eu bebi mais por educação do que por qualquer coisa – afinal de todas as Senshi ela tinha sido a primeira a nos aceitar de volta e não é como se alguém pudesse realmente negar alguma coisa comestível vinda de Kino Makoto – já que o troço com aparência de lama não tinha lá o melhor dos gostos, eu já estava criando lindos poemas de múltiplas páginas sobre como a saia parecia o céu noturno todo estrelado e... era patético.

Bem, pelo menos eu não era o idiota com o cinto amarrado no pescoço dizendo para todos os convidados que aquela era a cobra de estimação dele.

Esse era o Midori, é claro.

E ele estava indo em direção dela... Oh não, os dois sóbrios geralmente já eram uma péssima combinação – ou ótima se você gosta de caos e destruição – eu deveria impedir aquela colisão de gênios malignos.

- Com licença – eu disse a Ami, interrompendo o discurso dela de como arrotos controlam furacões, mas quando me levantei a sala girou e não tinha nada a ver com as luzes coloridas do globo setentista pendurado no teto.

Oh graças a Gaia! Rei havia chegado primeiro, ela disse algo que eu não consegui ouvir pela distância e a música e puxou o idiota do Midori para longe pela "cobra de estimação". Eu pensei brevemente no quanto aquilo provavelmente era perigoso, depois tomei outro gole de sua bebida com gosto de lama e finalmente o álcool fez o efeito desejado me fazendo decidir que não era da sua conta. Não é como se meu irmão tivesse indo obrigado – a rá! O idiota iria até o inferno se a sacerdotisa sequer sugerisse – e afinal, eu havia decido não pensar, não é mesmo?

A não ser na saia com brilhinhos. Era realmente uma saia muito bonita.

Para não parecer muito óbvio, eu dei meia volta e corri tentando sorrateiramente fingir que eu não estava parado no meio da pista de dança segurando um copo de lama enquanto todos dançavam a minha volta e que não estava indo na direção dela mesmo que eu obviamente estava. Cosmos, essa seria uma ótima hora para eu descobrir que consigo ficar invisível como Harry Potter, se bem que vestir uma capa de invisibilidade aqui só ajudaria a me fazer mais imbecil, além disso, eu faço mais o tipo do Simon de Misfits. Isso soou meio errado. E nossa, eu sou mesmo tão nerd como o Master diz?

O que importa afinal as opiniões de alguém que acha que smoking é um bom disfarce e conversa com sapatos?

Hora de me livrar dessa taça de lama.

Alguém gritou atrás de mim me xingando, mas acho que eu devo ter parecido bem deslocado jogando a taça ainda meio cheia longe, como numa cena de filme tipo 007.

- Qual o seu problema afinal?

Eu fechei os olhos com força antes de me virar. Ela estava ali, bem na minha frente, os olhos azuis em chamas, cabelo e top cobertos de bebida que parecia lama, não estou dizendo que meus olhos percorreram o corpo dela porque seria totalmente rude, mas posso assegurar que não caiu nada na saia de brilhinhos... que alívio!

- Er, desculpa?

- Você acha que só desculpa é o suficiente? Você me ignorou a noite inteira e depois jogou uma bebida em mim! – os olhos dela se encheram de lágrimas. Oh merda. Abortar missão! Abortar missão! – O que eu te fiz, Kotei?

Não! Eu sempre me esqueço que quando ela não decide que é uma stripper ela começa a chorar quando está bêbada. Ela não pode começar a chorar!

Eu a agarrei pelo pulso.

- Você está certa, não é o suficiente.

E a puxei para longe da festa. Melhor prevenir do que remedir e quem me diz que o choro só não é a fase inicial e ela vai evoluir a qualquer momento para a fase stripper? Não é como se ela tivesse muito o que tirar, aliás.

E eu ainda tenho que arrumar um modo de me desculpar.

- Kotei, o que nós estamos fazendo no meio da rua?

Eu olhei em volta e a única coisa que me chamou a atenção foi uma placa de transito laranja, eu amo laranja! Aquilo parecia um sinal vindo das estrelas. Tudo estava interligado, placa, estrelas, saia de brilhinhos que parece o céu noturno. De repente eu me senti muito corajoso, quero dizer, mais que o usual, eu sou, afinal, a reencarnação de um grande general, me dê algum credito.

Eu peguei a pazinha do jardim da vizinha e comecei a cavar em volta da placa.

- Kotei, o que diabos você está fazendo?

- Eu sinto muito, Minako, muito mesmo. E pra provar o quão arrependido eu estou pelo meu comportamento essa noite, te ofereço de presente essa placa. Ela é laranja! Igual a sua saia! Bem, não essa saia, a outra saia, eu gosto mais dessa, mas a outra é bonita também, porque afinal ela é sua e você sempre faz tudo ficar bonito.

Oh... Eu não esperava falar tanto assim, acho, aliás, que essa foi a maior frase que eu já disse na vida.

Continue cavando, Kotei, você é melhor cavando do que falando.

Eu já estava quase conseguindo desenterrar metade da bola de cimento que, imagine só, prendia a placa no chão quando uma luz forte foi jogada na minha cara.

Um homem num carro estacionou do meu lado.

Eu pisquei e me levantei do chão tentando me proteger da luz com as mãos o que não foi a melhor das ideias quando se está coberto de terra.

- Quem é você? O que diabos está fazendo? – a pessoa perguntou, pessoa estranha, quem anda por aí parando as pessoas na rua e perguntando esse tipo de coisa? Intrometidos.

- Eu sou um compelidor, estou tentando compelir uma garota a aceitar minhas desculpas – eu fiz um gesto em direção a Minako e descobri porque ela estava tão quieta esse tempo todo, ela estava me filmando com o celular e foi aí que eu percebi – Minako – eu chamei – você não quer essa placa, quer?

Ela riu e eu percebi que havia lágrimas no rosto dela, afinal de contas, não era só de tristeza que garotas bêbadas choram, algo que dizia que aquelas lágrimas eram por minha causa, mas estavam longe de ser de tristeza.

Depois disso eu não me lembro de muita coisa. Em algum ponto devemos ter voltado à festa, eu me lembro de ter ajudado Master a lavar o cabelo na pia depois que a princesa acordou somente para vomitar e como ele estava deitado embaixo dela...

Por incrível que pareça Masato foi o único a ficar sobreo e ele conseguiu levar todos para a casa com segurança, mesmo que essa não seja minha casa, ou a minha cama, ou que a Minako esteja deitada do meu lado e que a única peça de roupa que eu esteja usando é a saia de brilhinhos...

Que não fica tão bem em mim.


N/A: Tudo que eu pretendo receber dessa fic é uma estrela de "you tried" porque eu tentei, mesmo mesmo.

""Plot"" inspirado no site sodrunk(ponto)org