Disclaimer: Sailor Moon é da titia Naoko.

Fic escrita para o Outubro VK! Dia: 10. Tema: Abandono


Medusa

"Medusa, você me roubou de minha juventude
Abandonou-me no trópico da solidão
Sedutora do naufragado e desamparado
Disse para me vestir
Então transformou meu coração em pedra"

Brendan Perry - Medusa

Ele gostaria de dizer que estava surpreso ao vê-la deitada em sua cama naquela noite. Os membros longos e o material diáfano de suas vestes espalhados pelos lençóis como se ela pertencesse ao local. Ela deveria já ter estado ali há algum tempo, ele presumiu pelo estado de caos da cama, como se ela tivesse se remexido muito em meio aos lençóis enquanto o esperava. E esse parecia ser o caso, uma vez que, quando abriu a porta, ela lhe sorriu desviando o olhar do livro – um dos que, provavelmente, era proibido para qualquer um que não pertencesse ao Shitennou – que lia. Sem dúvidas, quando ele finalmente fosse dormir, seria incapaz de fugir do perfume dela, que tinha a capacidade de se impregnar não só na roupa de cama, mas no seu uniforme, dentro dos livros e, principalmente, na sua memória.

Ele fechou os olhos com força e trancou a porta atrás de si, mas era tarde demais, a imagem de Venus deitada em sua cama, debruçada sobre um de seus livros, os cabelos empilhados sobre a cabeça expondo toda a extensão de seu pescoço e costas – ele sempre se perguntava por que lunares sequer se incomodavam em usar roupas se, mesmo com, elas nunca estavam realmente vestidos – as pernas nuas balançando alegremente, apontadas para o alto.

Ainda de olhos fechados, ele avançou dois passos em direção a ela.

- Por favor, princesa. A senhora não tem autorização para estar aqui...

Ignorando o tom claramente exasperado de sua voz, ele a ouviu rir levemente.

- Porque você está de olhos fechados? – riso claramente em sua voz.

Ele nada respondeu. A cama fez um rangido agudo, e ele recuou um passo quando sentiu ela se aproximar.

- Kunzite? – a voz dela soou realmente confusa agora.

- Por favor, Sailor Venus – ele disse novamente, sua voz o mais desprovida de emoção o possível – parta e não volte mais.

- Há algo errado? Kunzite, o que foi? Você sabe muito bem que enquanto Serenity tiver interesse em seu príncipe eu precisarei continuar a frequentar esse castelo – ele sentiu ela se aproximar outra vez e recuou num gesto beirando a desespero, o fazendo esbarrar em algo atrás de si, isso pareceu ter trazido de volta o divertimento ao tom dela. – Porque não abre os olhos? Prometo que não vou transformar-lhe em pedra.

- Senhora, por favor.

Talvez fosse a súplica no tom dele, talvez fosse o modo como ele a estava evitando como se ela tivesse algum tipo de doença contagiosa, talvez fosse em sua recusa resoluta em não abrir os olhos, talvez fosse a expressão de horror em seu rosto franzido, mas Venus finalmente compreendeu o que estava acontecendo. E uma sensação de horror se alastrou por seu corpo, queimando seu estômago, congelando suas mãos, o baque tão forte que ela vacilou por um instante, ironicamente grata de que ele não a podia ver, um golpe a menos em seu orgulho.

- Você está com medo, de mim.

O maxilar dele enrijeceu.

- Acha que meu comportamento é incondizente com a situação? Afinal você, senhora, é capaz de controlar e enfeitiçar com um mero relance.

Ela riu, mas não havia um pingo de humor em seu riso.

- É o que eu ganho por me envolver com terráqueos – o tom amargo em sua voz era óbvio agora – e não seja ridículo, milorde, abra os olhos. Como eu disse, não sou nenhum tipo de medusa.

- Não é o que me informaram.

- Oh eu poderia sim usar meus poderes para influenciar até a mais elevada das criaturas – ela concordou, ele sentiu ela se mover, mas não em direção a ele dessa vez e foi, como uma sensação de perda, que ele notou que ela havia se afastado. A cama rangeu outra vez – um humano não teria chances, na verdade, um humano não precisaria nem sequer olhar-me.

O pânico se estampava nos olhos cinzentos dele, agora devidamente abertos. Ele piscou algumas vezes encarando a figura dela sentada de pernas cruzadas na borda da cama. O rosto lívido, sua pele reluzindo num perigoso tom dourado.

- Minha voz, meu perfume, minha presença, na verdade, minha mera vontade é capaz de seduzir. Eu fui feita para ser desejada não apenas por aqueles que possuem primitivos sentidos humanos, Kunzite.

- É claro – ele disse, a compreensão se espalhando por seu corpo como veneno. Ele se sentia um pouco tonto – eu fui tolo.

- De fato. Mas não precisa se preocupar – continuou ela no mesmo tom amargo – eu não tenho a menor intenção se usar meus poderes em você.

- Não? – o tom sincero de surpresa na voz dele a fez ter vontade de chorar.

- Não – ela cuspiu a palavra. – Eu não preciso.

- A arrogância de seu povo a precede, Senhora.

- A ignorância do seu, também – ela se levantou, indo em direção às janelas. – Eu vou esperar minha princesa nos jardins. Não porque não sou desejada, mas porque prefiro que você fique sozinho e lide com a ciência de que você me deseja com cada fibra de seu corpo e que esse sentimento é original e cem por cento seu, mas foi covarde demais par assumir e preferiu culpar a Magia. E é exatamente esse tipo de pensamento medíocre que mantém você e seus iguais fora da Aliança de Prata. Boa noite, Lord Comandante Kunzite.

E desapareceu, deixando para trás somente o farfalhar raivoso das cortinas batendo contra as janelas.


N/A: Oi gente. Hoje eu atrasei né? Pois é, eu cheguei morta da faculdade, fiz janta e apaguei. Só acordei agora de madrugada porque o Naruto – meu gato, não o aniversariante e aliás, FELIZ ANIVERSÁRIO, BABY! – estava miando me enchendo o saco pra colocar comida pra ele.

Mas, de qualquer forma, essa é a fic de hoje, não sei se está beeem no tema, mas tanto faz hahaha.

Beijos.