Disclaimer: Sailor Moon é da titia Naoko.

Fic escrita para o Outubro VK! Dia: 14 Tema: Morte.

Beta: Yuko Kiryu


I Am Stretched On Your Grave

"Eu estou estirado sobre seu túmulo
E estarei deitado lá para sempre
Com suas mãos entre as minhas
Eu terei certeza que não nos separaremos"

A história era realmente de partir o coração, todos diziam e ela concordava.

No começo parecia coisa de cinema, ele a encontrou por acaso – embora ele teimasse que fosse destino – numa batida de carro por incrível que pareça. Havia começado a tocar "Should've Said No" da Taylor Swift e ela se apressou para trocar de faixa, a música lhe lembrava um de seus casos, um que havia terminado muito mal e que ela queria esquecer. Em sua distração, não viu o sinal fechar e bateu na traseira dele. Após o impacto, o susto e a frustração por sua mão ter escorregado na batida e a música continuar tocando ao fundo quando ele bateu no vidro de seu carro com a expressão mais mal-humorada de todos os tempos e ela sair para dar suas explicações e desculpas. Seu rosto corado de vergonha, seus cabelos desgrenhados pelo impacto, ele dizia algo, ela não conseguia prestar atenção. Ele havia mudado de nome, mas ela o reconheceu quase instantaneamente.

O que era para ser um simples encontro num mecânico para que ela pagasse o concerto dos carros se estendeu para um café e foi quando ela deixou creme suar a ponta de seu nariz e ele sorriu, aquele sorriso meio de lado que fazia os olhos dele brilharem daquele jeito tão característico que a deixava com as pernas bambas que Minako soube que nunca mais conseguiria perder aquele homem de vista outra vez.

Foi ele quem ligou para ela primeiro depois do encontro no café, ela havia passado o último dia digitando e deletando o número dele no celular a ponto que já sabia de cor. Havia se pegado rabiscando o número nas margens do script da peça na qual estava atuando, digitando em máquinas de débito quando fazia compras, repetindo em voz baixa no ritmo de sua canção favorita,... Se sentia enlouquecendo aos poucos, mas toda aquela ansiedade não descrevia um oitavo do que ela sentiu quando atendeu o telefone e a voz grave dele respondeu e, um tanto tímido, ele perguntou se ela não se importaria de jantar com ele no sábado.

As próximas semanas passaram cheias de conversas por mensagens, encontros nem tão fortuitos assim, jantares, cafés e ele até mesmo foi vê-la atuar uma vez. Minako se via dividida entre a euforia e a ansiedade, ao mesmo tempo em que odiava guardar segredo de suas amigas não tinha ideia de como traria o assunto à tona sem que terminasse em tragédia e secretamente estava orgulhosa se si mesma por conseguir driblar Artemis por tanto tempo, mas logo seu novo amante começou a questionar sobre sua vida e Minako se viu sendo invadia por outro tipo de culpa, não queria dividi-lo, mas havia se dado conta de que o que estava fazendo não era justo, havia Mamoru.

E foi quando ele confessou que também se lembrava dela que ela soube que era o momento de leva-lo até o príncipe.

As coisas aconteceram mais tranquilamente o que ela podia pressupor, houve resistência no início, principalmente por parte da outers e de Mars, mas Mamou e Usagi aceitaram essa nova versão de Kunzite em suas vidas de braços abertos, bem, Usagi o fez, demorou um pouco para Mamoru, mas depois de um tempo os dois eram inseparáveis a ausência de seus irmãos os unindo mais do que as mágoas do passado que os separavam.

Eles se casaram sete meses depois, todos disseram que foi muito rápido, mas Minako, que havia esperado vidas para aquele momento sussurrou "finalmente" contra os lábios dele quando fora dada a autorização para que eles se beijassem no altar e selassem sua promessa de amor eterno na frente de todos. Eles foram morar num apartamento perto do oceano e Minako gostava de provar o gosto de sal na pele dele quando faziam amor pós um mergulho matinal. Ele ia a todas as peças em que ela atuava, e lhe mandava tantas flores que logo todas as roupas que ela possuía se tornaram impregnadas pelo perfume de rosas. Ela achava que havia sido realmente feliz antes, mas nem de longe se comparava ao estado de êxtase no qual ela constantemente se encontrava agora.

Então tudo terminou quando numa manhã ela não foi acordada com beijos com gosto de sal.

Os lábios dele estavam frios quando ela os beijou.

Ela implorou para que ele acordasse, mas ele não quis ouvir, ele sempre foi uma pessoa muito teimosa.

Minako passou cinco horas deitada ao lado dele contemplando se deveria tomar todos os comprimidos da maletinha de primeiros socorros, mas acabou acordando com o som do telefone tocando, a voz de Usagi a chamando quando ela deslizou o dedo pelo botão verde. Ela não conseguia se lembrar muito bem do que aconteceu depois. Mamoru veio, talvez? Os braços de Usagi a envolvendo. Artemis em seu colo, Rei a forçando a tomar um banho, Mako tentando fazer com que ela bebesse pelo menos um pouco de chá, cacos pelo chão, Ami lhe fazendo curativos, choro masculino.

Nos primeiros dias ela dormiu na casa dos Tsukino. Mas ela se sentia pior lá do que no vazio de sua própria casa, os cuidados de Usag luto de Mamoru a assombrando, a casa de seus pais estava completamente fora de questão, seus pais haviam se separado dois anos depois de seu casamento com o homem que fora Kunzite, seu pai estava vivendo com uma mulher mais jovem que Minako e sua mãe, que sempre arrumava um jeito de culpa-la pelo o que quer que fosse, arrumaria um jeito de responsabilizar Minako pelo infarto fulminante que a havia deixado viúva aos vinte e quatro anos de idade acabou indo procurar asilo no templo, mesmo que nos últimos dois anos as duas, antes melhores amigas, só houvessem trocado algumas palavras.

Mas ela não chorou no colo de Usagi, ou nos braços de Rei quando a abraçava no meio da noite, sua cabeça prensada com força no peito de sua irmã, ansiosa para ouvir o som dos tambores reconfortantes de seu coração. Ela não havia chorado no enterro também e só saiu do local onde seu marido havia sido engolido pela terra quando Makoto a pegou pela mão com força e a forçou a se mover do cemitério já coberto pela penumbra do sol poente.

Se a vida antes havia sido um sonho, agora ela se via presa a um pesadelo do qual não conseguia acordar e uma parte cínica e cruel de se mesma ria ácida de sua estupidez, afinal, depois de todo esse tempo, já devia ter aprendido que Venus e Kunzite juntos é algo que simplesmente não faz parte dos planos do universo.

Ela se via flutuando pela vida, atormentada. Não conseguia comer, não conseguia dormir, não conseguia prestar atenção no que fazia se via constantemente perdida em lugares desconhecidos, sua noção de tempo havia desaparecido. Ela se sentia uma traidora, havia prometido que não iam se separar mais, o que diabos ela estava fazendo em lugares que ele não estava?

Minako acabou indo procurar resposta em frente à lápide negra, em prateado seu novo nome, datas que marcavam o curto espaço de tempo pelo qual por essa terra andou um homem que ela havia atravessado vidas para encontrar e o perdido em todas elas. Aquela visão sugou o resto das poucas energias que a mantinham de pé e logo ela se viu deitava na grama, sobre sua cabeça as folhas de uma macieira bloqueava o sol, sob seu corpo há sete palmos o corpo de seu amante apodrecia, ela, de olhos fechados, finalmente encontrava algo próximo a paz.

Ela acordou quando tudo já estava escuro, mas não via motivo pelo qual se levantar, mesmo quando a chuva a açoitava, mesmo quando o vento a fazia tremer de frio, mesmo quando o sol atravessava impiedoso pelas folhas da árvore e a queimava a pele.

Logo o perfume de flores em suas roupas foi substituído pelo cheiro úmido da terra, Artemis começou a segui-la, Rei dizia que ela estava ficando louca, Ami tentava acalmar a todos dizendo que iria passar, que Minako havia sobrevivido a coisas piores, que ela até mesmo já havia sobrevivido a morte de Kunzite outras vezes. Mas seria três um número mágico, Minako pensava. Dessa vez, a resiliência que a definia havia desaparecido. Ela havia matado Kunzite duas vezes e sobrevivido sem uma gota de arrependimento, porque agora que ele havia ido sem violência, sem um dedo de culpa dela, Minako não conseguia se levantar como antes? Ou seria exatamente esse o motivo? Talvez o que a matasse era a confirmação de que mesmo quando ela não era a assassina, mesmo que fizessem todas as escolhas certas, ela estava destinada a amá-lo e vê-lo morrer. E, por isso, Minako sabia que estava onde deveria estar e não importava se seus pais lhe olhassem com horror, se suas amigas lhe olhassem com pena, se Artemis implorasse, se Usagi chorasse ou se Rei a xingasse. Havia somente dois fatos que importavam: seu marido estava morto e ela ainda o amava.

Como poderia largar sua mão?

Ela deu para mentir, ela chegou a prometer, mas mesmo que o frio não a deixasse dormir, estendida sobre o túmulo de seu amante era o único lugar onde ela encontrava paz. Quando achavam que ela estava segura em sua cama, Minako se via indo em direção aos muros cercados que separavam o mundo dos vivos do mundo a qual ela se sentia realmente pertencente.

Mas suas mentiras eram frágeis como a pouca sanidade que lhe restava e quando ela voltava ao templo, sua figura outrora glamorosa agora fantasmagórica assustando os fiéis e sacerdotes, Rei sabia muito bem de onde ela vinha.

- Você fede a terra – as palavras ecoaram do passado até o presente e o tapa iria deixar seu rosto inchado, mas as lágrimas de Minako finalmente começaram a cair.

"Os padres e os frades
Contemplam-me com medo
Porque eu ainda te amo,
Meu amor, e você está morta"


N/A: Eu escrevi essa fic toda de uma vez num dia em que eu estava me sentindo muito estranha. Acho que a fic reflete bem isso. Os versos são de um poema irlandês do século XVII que eu conheci através de Dead Can Dance (a vida me fez gótica, crianças) e que eu sempre quis usar em uma fic. Dificilmente isso aqui fez jus ao poema ou a interpretação do Brandan, mas hey, pelo menos tem fic pra hoje e é isso que realmente interessa!

Bejios

PS: Rei está sempre estapeando as pessoas nas minhas fics, ela é tipo a mãe rycah do chaebol de dorama hahaha