Dia 12 – Tempo
Era verdade dizer que eles estavam fadados a se encontrar sempre no lugar e na hora errada.
Havia sido assim na vida passada. Eles dois só estavam fazendo o que deviam quando se cruzaram pela primeira vez. Ela indo atrás de uma princesa fujona e ele cuidando para que ela nem dita princesa fossem uma ameaça. Eles não queriam fazer nada de errado, mas da primeira vez que cruzaram olhares sabiam que haviam desviado do caminho correto e se embrenhado em perigosa floresta, mas é assim o desejo, não escuta ao bom senso ou a avisos. E, no final da história, como se era de esperar, aquele encontro se mostrou infeliz.
Seu segundo encontro seguiu a regra estabelecida pelo primeiro. Ela ainda estava descobrindo quem era e ele não fazia ideia de quem era de verdade. Havia sido breve e tinha como lembrança somente um beijo que não havia sido nem para ela. Por muitas vezes ela se perguntou o que teria acontecido se ela tivesse desviado de seu caminho novamente ali. Teria ela o salvado? Mas, anos depois, ao investigar melhor o caso, a única resposta que ela encontrou foi o nome "Kun Saitou" escrito numa lápide de pedra e datas próximas demonstrando que ele havia morrido jovem.
O terceiro encontro havia sido ainda mais triste. Ela sabia quem era e o que deveria fazer e a ele ela não pôde salvar. Ou talvez, ela pensava nos dias em que estava sendo mais indulgente consigo mesma, pôr um fim a existência amaldiçoada dele havia sido o melhor que ela podia fazer por ele naquele momento. De qualquer forma, havia sido mais um encontro no lugar e na hora errada. Ela se perguntava de ele em algum momento havia a reconhecido e do fundo de seu coração desejava que não, pois ela mesma não se deu conta do que fez naquela noite até anos depois, e a dor que havia sentido então, ela não desejaria para ninguém e em especial para quem estivesse em seus últimos momentos como ele esteve no momento em que se encontraram.
E depois de um passado desse, era normal que ela estivesse receosa quanto ao quarto encontro. Embora não houvesse nada que a justificasse além do passado, ela não conseguia confiar nele, pior, não podia confiar em si mesma quando se tratava dele, pois só meramente estar ao redor dele soava como erro, como um desvio de um caminho que sempre a manteve segura quando seguido à risca.
Os anos foram passando e ela foi sendo incapaz de manter a distância, pois se ela era feita de luz, ele era água e ambos elementos tem a capacidade de se infiltrar por entre obstáculos, então, quando o novo milênio estava prestes a chegar e os dois haviam não só um passado cheio de desgraças, mas também de amizade, companheirismo e confiança, ela aceitou a mão dele quando ele ofereceu e ambos desviaram de seus caminhos para percorrer um novo, juntos, pois finalmente estavam no lugar e hora certa.
N/A: Eu tentei demonstrar uma progressão de tempo aqui, mas não acho que fui lá muito bem-sucedida. Seria melhor se eu tivesse um plot em vez de simplesmente re-narrar o mangá. Mas eu não tenho um plot, fazer o que?
