Ela olhou para a cicatriz em seu próprio dedo, era estranho que mesmo com tantos anos não havia se tornado branca como as outras que tinhas, dos cortes em seus pulsos que fora obrigada a remendar, das garras dos pássaros que fora obrigada a torturar, dos dentes do coelho que nunca havia confiado dela mesmo que ela nunca falhasse em colocar comida para ele, que era sua única companhia além de sua mãe.

Não, aquela cicatriz ainda era vermelha, como se nova, embora não fosse nada senão, e circundava todo seu dedo anelar. Para evitar perguntas ela sempre usava um anel por cima, mas quando sozinha seu olhar sempre acabava voltando para o círculo em vermelho, a marca que provava que ela um dia não fora livre, não importa que sua mãe não pudesse mais forçá-la a fingir que falava com mortos para arrancar dinheiro de mulheres ricas enlutadas ou a desmontar e restaurar objetos de novo e de novo somente com a força da mente.

Ela se pegou pensando na pessoa que havia tido uma cicatriz como a dela, a cicatriz que ligava ambos àquele jogo que não haviam concordado em jogar, o jogo que ela tinha ganhado.

Haviam sido anos tentando superar um ao outro, ela com sua magia tradicional, com coelhos que apareciam em cartolas e mulheres cortadas pela metade, ele sempre com ilusões, agora você vê, agora você não vê, ninguém jamais o apanharia com um baralho de cartas marcadas com tirando moedas atrás de orelhas, ele nem ao menos usava o negro da maioria dos de sua classe, Kunzite, como ele ela chamado nos palcos, sempre usava os mais pálidos dos marfins.

E foi inevitável o que aconteceu em seguida ou pelo menos parte disso, ela se sentia melhor quando pensava que o amor deles havia sido inevitável, afinal, como é possível passar tanto tempo pensando em outra pessoa sem acabar a amando? Pois ela sempre estava pensando na melhor maneira de impressioná-lo, de superá-lo e tanta obsessão quando não se transforma em ódio, definitivamente se torna amor. O problema era o que vinha em seguida.

Pois o jogo só tinha fim quando um deles desistia.

E ele via que ela era quem estava mais próxima do fim. Ela estava exausta, ela não queria mais ser Venus, a feiticeira, ela queria ser somente Minako, somente uma mulher comum, vivendo uma vida comum com o homem que ela amava. Nada mais de truques, nada mais de jogadas, ela estava cansada daquilo tudo.

Ela estava perdendo peso e cada vez suas obras exigiam mais e mais dela, ele estava vendo ela perecer diante de deus olhos.

Então ele lançou o maior de seus truques desde então e o que mais doeu nela foi achar, naquele momento, que havia sido somente isso, um truque, mas não havia nada de ilusório na lâmina com a qual ele atravessou o próprio corpo em sua apresentação final.


N/A: Essa foi uma Circo da Noite UA e eu venho pedir perdão ao Kunzite por tê-lo associado ao Marco, blerg!