N/A: Eu imagino essa fic se passando o final da era vitoriana, quando o príncipe Albert já tinha morrido e as séances entraram na moda.


"I look for ghosts; but none will force
Their way to me; 'tis falsely said
That even there was intercourse
Between the living and the dead."
— William Wordsworth, Affliction of Margaret

Ela começou a rir e Miranda ficou apreensiva, mas se tranquilizou quando as risadas maníacas se tornaram um choro desesperado. Ela estava acostumada com aquele tipo de reação, não era estranho que seus clientes chorassem durante as sessões, mas riso era bem raro. Ela então pegou um dos lenços rendados que guardava para aquelas ocasiões no móvel ao lado e entregou para sua cliente que, tentando se acalmar, começou a secar o próprio rosto e assoar o nariz.

Aquela sessão estava indo muito bem, os chorões sempre voltavam.

"A senhora é mesmo uma charlatã de marca maior."

"Como ousa!"

"Eu sinceramente não sei porque ainda tento."

Ela arfou e desviou o olhar para longe de Miranda.

"Aquele crânio é quase realista."

Então ela tirou dinheiro da sua bolsa de contas e colocou sobre a mesa e saiu sem dizer mais nada.

Chovia quando Minako saiu da barraca da vidente, com aquela havia sido a décima terceira que ela havia tentado, sua sorte, se é que ela poderia chamar assim, era que a Londres não faltavam ciganas e médiuns oferecendo séances por dinheiro. Ela havia começado com as mais caras, mas até mesmo Celia Bowen, que havia lhe olhado com algo que lhe parecia tanto com sinceridade, durante a sessão lhe havia cuspido clichês de que quem ela procurava sentia sua falta e estava olhando por ela.

Kunzite nunca lhe diria coisas doces dada a oportunidade. Ele nunca a perdoaria. Não quando ele havia perdido a vida com a espada dela o atravessando.

Então, ela vagava pelo mundo como uma assombração, não se permitindo viver a própria vida quando havia sido ela a roubar a dele, procurando seu fantasma em mausoléus, suas maldições nas mentiras de charlatãs e seus beijos nas bocas de qualquer um que o álcool conseguia projetar a imagem dele sobre.

Mas nem um vislumbre, nem uma palavra, nem um toque, nada restava de Kunzite no mundo atém do coração que ele havia partido.


N/A: É aquele ditado: o que não tem fim, finalizado está.

Como assim? Não é esse o ditado?