As personagens élficas aqui reconhecidas não me pertencem, mas sim a J.R.R Tolkien, mas a originalidade da história e algumas personagens pertencem somente a mim... e talvez à minha amiga que me ajudou, indirectamente, nos nomes das personagens.
– II –
Uma luz clara bateu nos olhos da Sónia e esta acordou, já não se sentia gelada, mas sim quente e confortável, não queria sair de onde estava e a clara luz que lhe batia nos olhos fazia-a pensar que tinha morrido e indo para o Céu, mas os cantos de pássaros fez Sónia pensar diferente e esta levantou-se. Olhou em volta e para sua supressa viu que estava num quarto com três camas, cada cama tinha uma mesinha e uma cadeira, havia no quarto um armários muito bonito, uma mesa com uma bacia de lavar as mão decorada em dourado e uma janela de onde vinha toda a claridade. Sónia ficou maravilhada e sentiu-se super feliz, mas mesmo assim beliscou-se para ter a certeza que não estava a sonhar.
– Obrigado. Obrigado. – disse fechando os olhos e com as mãos juntas.
Sónia levantou-se contente e apercebeu-se que tinha uma outra roupa vestida, mas não se importou, até achou bonito o vestido comprido simples e branco que vestia. Andou até à janela e olhou para fora, para seu encanto viu uma praia de areia branca, o mar estava calmo e reluzente, o sol brilhava lá no alto com gaivotas a voar, viu também o bote em que "viajou" virado ao contrário e um homem alto, de cabelo loiro escuro comprido a examiná-lo, Sónia estranhou a roupa do homem que era, um tanto, medieval.
– Não devem de ligar à moda...mas mesmo assim, não é para exageros. – disse Sónia olhando desconfiada para o homem.
De repente Sónia ouviu a porta do quarto a abrir-se, virou-se e viu uma mulher alta, de rosto muito bonito, cabelos e olhos claros, trazia vestido um vestido simples em verde claro com enfeites brancos nas mangas e na cintura. A mulher sorriu quando viu Sónia e esta retribuiu o sorriso.
– Olá...errr...Tudo Bem ? – disse Sónia, mas a mulher limitou-se a sorrir mais e falou numa língua que Sónia não entendia – Bolas... Francês.
Nisto Sónia sentiu passos atrás da mulher e um homem jovem, alto, muito bonito de cabelos loiros escuros e olhos azuis, apareceu atrás da mulher e este sorriu para Sónia.
A mulher e o homem olharam Sónia durante um bocado e de seguida começaram a falar na língua estranha que Sónia ouvira a mulher falar, só percebeu eles estarem constantemente a utilizar as palavra teleri e noldor, ou qualquer coisa parecida. De repente Sónia sentiu o estômago roncar e lembrou-se que ainda não comera nada, queria interromper a conversa entre os presentes, mas não queria incomodar, mas a fome foi mais forte e Sónia arriscou-se.
– Desculpem...errr...Desculpem ? – a mulher e o homem olharam-na e calaram-se – Desculpem incomodar, mas eu tenho fome e queria comer alguma coisinha. – os dois ficaram simplesmente a olhá-la com um ar confuso. – Ai Meu Deus. Comer...eu ter fome ! – Sónia levou a mão à testa quando percebeu que eles não tinham entendido, então tentou fazer por sinais enquanto falava. – Eu...Ter...Fome ! Comer !
Por fim perceberam e o homem começou a rir e a dizer algo, Sónia fez má cara pelo o riso do homem. A mulher por outro lado sorriu amavelmente e agarrou na mão da Sónia levando-a para a cozinha descendo umas escadas e atravessando uma sala muito bonita.
Chegaram à cozinha, esta era constituída com uma mesa de madeira no meio com sete cadeiras, uma enorme bacia de pedra, armários de madeira escura e uma espécie de fogão a lenha. Sónia ficou espantada com a decoração que era muito trabalhada, mas também ficou espantada por não ver microondas, frigorífico, fogão a electricidade, ou a gás.
– Esta gente vive na idade da pedra ! – disse Sónia olhando em redor – Mas onde eu vim parar ?
A mulher fez sinal para que Sónia se sentasse à mesa e logo depois a mulher trouxe a comida, era uma espécie de sopa de legumes que cheirava maravilhosamente e que Sónia comeu com muito gosto.
Ao acabar a refeição, dois jovens, que não aparentavam ter mais de 18 anos, entraram pela porta da cozinha, ambos tinham cabelo loiro e olhos azuis, eram ambos altos e mostravam boa figura, estes dois eram muito parecidos um com outro e Sónia pensou que talvez fossem gémeos. O primeiro que entrou calou-se subitamente ao ver Sónia e disse qualquer coisa ao irmão que vinha logo atrás que também se calou ao ver Sónia e depois respondeu ao irmão. De repente entrou um homem alto e um pouco musculoso, tinha cabelos loiros escuros que quase parecia castanhos, os seu olhos eram azuis e a face era bela e dura, era parecido com o primeiro homem que Sónia vira no quarto e Sónia reconheceu-o como sendo o homem que examinava o bote.
Sónia olhou para cada um dos presentes e depois sorriu e disse um Olá muito gentil, mas os presentes limitaram-se a sorrir e sentaram-se na mesa a conversar entre eles, logo de seguida o homem que estava no quarto entrou com a mulher de cabelos loiros e juntaram-se à conversa. Os homens conversam sentados e a mulher respondia e conversava enquanto fazia tarefas na cozinha. Sónia limitava-se a ouvir aquela língua estranha e ficava cada vez mais confusa com as palavras, estava a ficar aborrecida quando o homem que vira em primeiro dirigiu-se a ela perguntado-lhe algo que acabava em Thalos. Sónia não se mexeu e fez uma cara confusa e os presentes riram-se, o homem coçou a cabeça e tentou fazer uma abordagem diferente.
– Thalos... – disse enquanto apontava para si e Sónia percebeu que estava a dizer o seu nome.
– Sónia... – disse também apontado para si.
Thalos apontou para cada um da mesa e disse os nomes. A mulher era Dolêl, os dois jovens era Galion e Talion e o homem alto era Halos.
Halos falou com Sónia numa outra língua e Sónia continuou a não perceber.
– Fogo... não estou a perceber corno de patavina. – disse Sónia e os presentes olharam-na confusos, foi então que Thalos mexeu no cabelo e algo chamou a atenção da Sónia, tinha visto a orelha dele em...bico ! Sónia ficou perplexa até que olhou de soslaio para Dolêl e também reparou nas orelhas em bico, olhou para os restantes, mas este tinham o cabelo solto e não dava para ver as orelhas. Sónia riu-se e todos olharam-na espantados.
– Ai Meu Deus. Orelhas em bico... Hahaha... Já estou vendo coisas... a mais ? – Thalos mexeu outra vez no cabelo e Sónia viu as tais orelhas e ela ficou de boca aberta, depois olhou para os restantes que a olhavam confusos, então reparou que os seus olhos eram límpidos, puros... diferentes. Sónia assustou-se e levantou-se da cadeira.
– Ok. Isto é estranho... – disse – Acho que ainda estou a sonhar, mas para ter a certeza... – Sónia aproximou-se de Thalos, pediu licença apontado para o cabelo e depois de dada a permissão, Sónia afastou o cabelo e viu as orelhas outra vez e olhou para o restantes, todos meios confusos. – Óh...Meu...Deus. Onde é que vim parar ? – afastou-se da mesa e encostou-se à parede com um pouco de medo, Dolêl aproximou-se e Sónia afastou-se, então Dolêl percebeu-se que Sónia não era um deles, arregalou os olhos e afastou-se a dizer qualquer coisa e todos levantaram-se da mesa. Thalos e Halos cercaram a Sónia enquanto que os gémeos estavam com a Dolêl mais atrás.
Halos disse algo e depois aproximou-se da Sónia, afastou os cabelos dela e tocou ligeiramente na face e depois nas orelhas, levantou a cara da Sónia e olhou para os seus olhos, Halos demorou-se a olhar para os olhos da Sónia e por fim disse algo aos restantes que ficaram calados a mirar a Sónia.
– Ok...isto já está a ficar esquisito... – disse Sónia olhando para todos na cozinha. – O que raio são vocês ? – ninguém respondeu.
Halos falou e Dolêl abanou a cabeça que não enquanto discordava, uma discussão arrebentou entre estes os dois, Thalos ainda olhava para Sónia como se estivesse a ver um fantasma e os gémeos falavam entre si, então Thalos aproximou-se mais da Sónia e perguntou-lhe algo, Sónia encolheu os ombros em sinal que não percebera. A discussão aumentava entre Dolêl e Halos e um dos gémeos saiu da cozinha, pouco depois o outro gémeo também saiu. Thalos ainda olhava fascinado para Sónia que ainda estava encostada na parede, esta já estava a ficar enervada de Thalos estar a olhá-la daquela maneira e de ouvir a discussão, foi então que Sónia respirou fundo e disse calmamente com uma voz audível que fez a discussão parar.
– Não sei o que raio é que se passa. Não sei o que são vocês e nem quero saber. Mas podem parar de discutir porque isso não leva a lado nenhum e... – fez uma pausa – estou a ficar com dores de cabeça. – Dolêl, Halos e Thalos ficaram espantados a olhar Sónia e Halos riu-se, disse algo à bela mulher e esta beijou-lhe, Sónia entendera por fim que eram marido e mulher e que os outros deviam seus filhos.
Começaram a conversar calmamente e Dolêl saiu da cozinha para a rua, Sónia sentiu-se pouco confortável por estar sozinha com dois homens, ou lá o que eram, então Sónia pediu licença e saiu da cozinha para a rua ta,bém. Ao sair, Sónia ficou maravilhada ao ver uma praia tão bela e calma, o sol aquecia-lhe o corpo e isso agradava-lhe, então ouviu alguém a chamá-la, era os gémeos ao pé do bote, fizeram sinal para que Sónia fosse ter com eles, Sónia hesitou um pouco, mas depois foi ter com eles. A areia batia-lhe ao de leve nos pés, e uma brisa fresca não deixava o sol aquecer muito, isto agradou-lhe e chegou ao pé dos gémeos a rir. Galion perguntou algo, mas Sónia não percebeu e este ficou desanimado.
Sónia ficou um pouco a ver Galion e Talion a conversar entre si e a examinarem o bote, que para eles era estranho, depois de pensar que está ali a fazer figura de parva, foi para a cozinha e lá só se encontrava Halos a escrever algo, este olhou-a e depois continuou a escrever. Sónia sentiu-se desconfortável e foi para o quarto, quando lá chegou sentou-se na cama e começou a pensar como iria para casa, se alguém já dera por sua falta, de certeza que sim. Pensou também como chegara ali se estavam no meio do Oceano sem terra por perto e o que eram aquelas pessoas.
– Eles não são humanos. – disse Sónia para si mesma. – Eu sei que não são humanos. Óh Meu Deus. Onde eu estou ? Como...mas como eu vim parar aqui ? Quero ir para casa. – começou a chorar.
Enquanto na cozinha, Dolêl acabara de entrar e sentou-se ao pé de Halos.
– Fui ver o peixe se já estava seco. – disse Dolêl e depois de uma pausa falou – Essa é carta para o nosso Senhor?
– Sim. – Halos suspirou – Como é que uma Mortal chegou aqui? Será que as nossas terras já não são guardadas pelo os grandes Valar?
– Eu não sei. Mas agora temos que nos preocupar com ela, a Sónia... salvo erro é esse o seu nome.
– Sim... mandarei esta carta pelo o Thalos. Espero que o nosso Senhor leia esta carta, pois eu não sei o que fazer com ela.
Ficaram calados durante algum tempo, Dolêl levantou-se e saiu da cozinha e voltou pouco tempo depois com um pequeno embrulho.
– Já agora... – disse Dolêl – Onde está ela?
– Acho que foi para o quarto.
Halos levantou-se e espreguiçou-se, saiu da cozinha para ir ter com os gémeos e Dolêl ficou a preparar o jantar.
A noite caiu rapidamente, ninguém fora ver Sónia, deixaram-na sozinha no quarto e na hora de jantar Dolêl foi chamá-la, ao entrar no quarto viu Sónia triste e com os olhos vermelhos, Dolêl limpou-lhe a cara e foram juntas para a cozinha. Estavam todos já na mesa e Dolêl começou a deitar a refeição de peixe grelhado com legumes no prato. Sónia comeu calada enquanto o resto conversava animadamente, depois do jantar juntaram-se todos na sala, Sónia bem queria ir para o quarto, mas os gémeos entenderam que não e deram uma cadeira para Sónia se sentar, pouco depois Halos começou cantar. Sónia ficou maravilhada com a beleza das canções que todos cantaram e escutou atentamente, mas o sono impediu-a de ouvir o resto das canções e adormeceu na cadeira. Todos sorriram ao ver Sónia a dormir de cabeça pendente e Talion levou-a ao colo para o quarto e deitou-a na cama abafando-a, voltou para a sala e começaram a conversar até irem todos dormir.
Na manhã seguinte Dolêl entrou no quarto e viu os seus filhos e Sónia a dormir descansados, entrou devagar e acordou Thalos sem acordar os restantes e sem pisar Galion que estava a dormir no chão com uns cobertores enormes. Thalos acordou e olhou para a mãe, esta disse-lhe que estava na hora de ele ir entregar a carta ao Senhor. Thalos levantou-se e vestiu-se depois da mãe sair do quarto, antes do Thalos sair do quarto, olhou para Sónia e sorriu ao vê-la dormir profundamente, dirigiu-se à cozinha e viu o seu pai com uma cara pensativa, mas sorridente.
– Filho. – disse Halos bem disposto. – Dormiste bem?
– Sim. – respondeu Thalos e olhou um pouco desconfiado para o pai. – Passa-se algo?
– Não, claro que não filho. Já não precisas de ir levar carta alguma.
– O quê? – espantou-se Thalos – Mas... mas e a Mortal ?
– Ficará connosco.
– Connosco? Mas...Não estou a perceber. – disse Thalos ao sentar-se na mesa. Dolêl acabara de entrar na cozinha e olhou para os presentes desconfiada ao ver a cara sorridente de Halos e a cara de supressa do Thalos, Dolêl sentou-se a escutar.
– Sim...Connosco. O grande Valar Ulmo veio ter comigo durante o sono. Explicou-me que Sónia é filha de Homens e que caiu do barco em que viajava, Ossë estava a viajar pelo o lugar onde Sónia tinha caído juntamente com aquele bote e ouviu-a desesperada. Ossë foi solidário e como estavam perto das Portas de Valinor, cujo os Homens não podem passar sem autorização, trouxe-a com ele e deixou-a cá. Ossë rapidamente informou Ulmo e este informou Manwë, este também foi solidário para com Sónia e deixou-a cá ficar, mas ela terá de ir ao Julgamento dos Valar.
Houve um silêncio na cozinha, até que Thalos quebrou-o.
– E Sónia vai ficar connosco até quando?
– Ulmo disse que vai mandar um mensageiro vir buscá-la para levá-la para a Casa de Elrond e depois ela irá ao Julgamento. Até l�, Sónia tem que permanecer escondida e ninguém pode saber da sua existência enquanto não chegar à Casa de Elrond.
Dolêl e Thalos ficaram perplexos com a notícia e não falaram até que os gémeos apareceram com o Galion a reclamar de dormir no chão. Halos explicou o sucedido aos gémeos e fez todos da casa prometer que não iriam contar a ninguém sobre a Sónia, a primeira mortal a pisar Valinor à vários séculos.
Eärendil Princesa de Cristal: Obrigado pelo review. Gostei de recebê-lo. )...
