Peço as minhas mais humildes e imensamente desculpas por actualizar só agora, mas o meu computador andou com sérios problemas e só foi possível repará-lo à bem pouco tempo.


As personagens élficas aqui reconhecidas não me pertencem, mas sim a J.R.R Tolkien, mas a originalidade da história e algumas personagens pertencem somente a mim... e talvez à minha amiga que me ajudou, indirectamente, nos nomes das personagens.


III –

Numa floresta muito longe daquela praia, Elrohir, filho de Elrond, dormia debaixo de uma árvore após uma caçada com Elladan, seu irmão, e Elros, seu sobrinho. Elrohir dormia descansado quando o Valar Ulmo, Senhor dos Mares, veio no final do sonho e falou.

– Elrohir, filho de Elrond e Celebrían, viaja sozinho até às Praias de Leste e procura a Casa de Halos Martírun na Baía dos Rochedos. Lá tens alguém à tua espera e trá-la para a Casa de Elrond. Ninguém pode saber que tens uma missão dada por mim.

Depois do mar engolir Ulmo no sonho Elrohir acordou de repente e olhou em redor, Elladan olhava-o e Elros continuava a dormir. Elrohir sentou-se sem dizer nada e olhou para o vazio a pensar nas palavras de Ulmo até que Elladan o fez "acordar".

– Irmão. Passa-se algo?

– Não! – mentiu Elrohir – Não foi nada.

Depois tirou um pão, cortou uma fatia e comeu-a, ficou a olhar para vazio outra vez e sem mais demoras disse.

– Elladan. Não voltarem hoje para casa. Tenho que fazer uma coisa de que me lembrei agora.

– E vais demorar muito tempo? – disse Elladan desconfiado.

– Talvez sim, talvez não, mas é mais provável que sim.

– E posso saber o que tens para fazer de tão importante?

Elrohir gostava de contar, mas Ulmo o proibira, então abanou a cabeça negativamente.

Pouco depois foi preparar o seu cavalo e antes do Meio dia já se tinha despedido de Elladan e Elros e meteu-se a caminho para as Praias de Leste.

Passara vários dias desde que Elrohir metera-se a caminho e durante esses dias pensou nas palavras de Ulmo, pensou quem poderia estar à sua espera e porquê, cantava sobre isso durante o caminho e muitas vezes parava para escutar se tinham respondido, mas sem sucesso.

No fim desses dias, Elrohir chegou à orla da floresta que se metera no dia anterior e viu uma planície imensa, no meio desta havia uma estrada em terra batida e gado que pastava à beira de um riacho que atravessava a planície.

– Ah...a Planície de Nahar, o fiel cavalo de Oromë, que pastava aqui em tempos. Mais cinco dias a Leste e chego às Praias de Leste.

Elrohir dirigiu o seu cavalo para Leste e atravessou a Planície de Nahar durante dois dias até chegar a uma floresta que atravessou em mais dois dias e depois viajou em lugares abertos até chegar à Floresta de Leste, assim chamada por ser a floresta mais a Leste de Valinor. A floresta era densa por causa das brisas marítimas que traziam detritos bons para as plantas e estas cresciam grandes e belas, Elrohir nunca tinha atravessado esta floresta e ficou maravilhado com o tamanho das árvores e com as cores de flores que nunca tinha visto, Elrohir compôs uma canção no momento sobre a floresta, mas esqueceu-se durante o sono e na manhã seguinte já não sabia.

Depois de comer, Elrohir montou o seu cavalo e calvagou devagar pela a floresta até ter chegar a um precipício, ficou maravilhado por ver a vasta praia branca que brilhava ao sol e o mar que reluzia, reflectindo a luz do sol. Elrohir ficou mirando a paisagem durante algum tempo, mas lembrou-se da sua missão e desceu o precipício por um caminho construído na rocha, ao chegar à praia cavalgou devagar à beira mar até chegar a uma pequena aldeia de pescadores e chegou-se ao pé de um elfo que cosia uma rede de pesca, o pescador ficou perplexo quando viu Elrohir em todo o seu esplendor e curvou-se profundamente, Elrohir riu-se e falou.

– Agradeço a sua vénia. Mas agora preciso de saber se o senhor me pode dizer onde vive Halos Martírun.

– Halos? Sim, sei Senhor. Ele vive mais os filhos e a esposa na Baía dos Rochedos, atrás daqueles rochedos. – disse ao apontar para uns picos que mal se viam ao fundo da praia. – O Senhor atravessa aqueles rochedos e verá uma única casa com um pequeno bosque atrás, é essa a casa que procura.

– Obrigado Senhor. Que Ulmo e Ossë o abençoe com muita pescaria. – e assim Elrohir cavalgou a toda velocidade até aos rochedos que aumentavam ao aproximar-se.

Ao chegar perto dos rochedos, Elrohir olhou em volta e viu uma passagem que podia passar um cavalo e dirigiu-se para lá, passou pelo o caminho e foi dar a uma baía grande de areia branca com uma casa e atrás um pequeno bosque. Elrohir viu os gémeos a pescar perto dos rochedos do outro lado da baía, Dolêl a estender roupa numa vara, Thalos e Halos a jogar xadrez numa grande rocha que servia de mesa e Sónia perto deles a olhar atentamente para o tabuleiro. Elrohir saiu entre os rochedos mostrando-se, Dolêl assim que o viu, disse à Sónia para ir para dentro de casa, Halos e Thalos puseram-se de pé e olharam para Elrohir que se aproximava.

Thalos e Halos curvaram-se perante Elrohir quando este se aproximou.

– Saudações senhores. – disse Elrohir ao descer do cavalo – Qual de vós é Halos Martírun ?

– Sou eu senhor – disse Halos endireitando-se da vénia – Este é o meu filho mais velho Thalos. E vós quem sóis?

– Eu sou Elrohir, filho de Elrond e Celebrían. Venho buscar alguém por ordem de Ulmo. Penso que vós sabeis de que eu falo!

– Sim meu senhor, sabemos de que vós faleis. Veio buscar a Sónia para levá-la à Casa de Elrond e esperar pelo o Julgamento dos Valar.

Elrohir ficou supresso quando ouviu Halos falar no Julgamento dos Valar que não era realizado já à muitos anos. Elrohir ficou a olhar para Halos e depois cumprimentou Dolêl que entretanto chegara-se perto.

– Venha Senhor. Tem que conhecer aquela que veio buscar ! – disse Dolêl dirigindo Elrohir para a cozinha – Thalos! Leva o cavalo para trás da casa ao pé da barraca com a lenha.

Elrohir sentou-se à mesa com Halos e Elrohir confessou que durante a viaja não parava de pensar quem ele teria de vir buscar e porquê, então ouviu uma voz a cantar, era um pouco desafinada, mas Elrohir não percebia a canção pois era Sónia a cantar a música "I Would Do Anything For Love" do Meat Loaf. Sónia entrou na cozinha e calou-se ao ver Elrohir e depois olhou para Halos com os olhos arregalados, Sónia aprendera algumas palavras desde que chegara e percebera que não podia se mostrar a ninguém. Halos riu-se e levantou-se na direcção da Sónia.

– Não te preocupes. – disse – É Elrohir, filho de Elrond. – Sónia olhou para Halos e depois olhou para Elrohir desconfiada.

– Quê? – disse Sónia a olhar para Halos. – Repete!

– Elrohir. – disse apontando para Elrohir.

– Ah...Olá ! Eu ser Sónia.

Elrohir levantou-se e fez um pequena vénia, logo de seguida disse muito desconfiado.

– Esta é sua filha?

– Não! – disse Halos depois de rir. – Esta é aquela que vós tem de levar para a Casa de Elrond e esperar pelo o Julgamento. Esta é Sónia, a Mortal.

Elrohir ficou espantado por ouvir a Mortal e olhou para Halos desconfiado e depois olhou para Sónia que olhava confusa, ora para Halos, ora para Elrohir.

– Desculpe! Mas pensei em ouvir Sónia, a Mortal?

– Ouviu certo meu Senhor.

– O senhor deve estar enganado. Não há mortais em Valinor.

– Sónia! – disse Halos a Sónia. – Vai com Galion e Talion.

– O.k.! Tchau. – disse Sónia e saiu da cozinha com Halos a pensar o que seria O.k. e Tchau.

Halos sentou-se ao pé de Elrohir e contou-lhe o sonho em que Ulmo lhe falara, Elrohir ouviu atentamente. Dolêl entrara com Thalos e ambos se sentaram na mesa a escutar. Por fim Dolêl disse.

– Seja como for, o Senhor foi enviado por Ulmo e tem que levá-la até à Casa de Elrond.

– Sim... – disse Elrohir pensativo – E tenho uma impressão que tenho que me despachar. Se não se importarem, partirei amanhã com Sónia ao nascer do sol e cavalgaremos até à Casa do meu pai.

– Não sei se a Sónia está preparada. – disse Dolêl tristemente e todos a olharam – Ela já percebeu que nós não somos como ela e também já percebeu que não vai voltar para casa. – fez uma pausa – Antes do sol se pôr ela chora sozinha no quarto. Ela sente a falta da sua casa. Será difícil ela viajar para tão longe. E logo que agora que já estava a se habituar a nós.

– Compreendo. – disse Elrohir – Mas não podemos perder mais tempo. Temos que ir amanhã.

– Avisamos ao jantar. O Senhor janta connosco? – disse Halos.

– Eu não quero incomodá-los. Vou à aldeia da praia que passei e passarei lá a noite, logo de manhã voltarei cá e...

– Não Senhor! – disse Dolêl – Vós ficará para jantar e pernoitará cá. Ademais, se você voltar amanhã, os pescadores vão desconfiar. E pelo o que ouvi, ninguém pode saber da existência da Sónia até chegar à Casa de Elrond. – Elrohir cedeu e decidiu ficar.

De repente Galion, Talion e Sónia entraram na cozinha molhados até aos ossos, Sónia vinha a rir inocentemente e Talion e Galion com uma cara de carrancudos.

– Mas o que diabo vos aconteceu? – disse Dolêl levantando-se da cadeira num salto. Ambos os gémeos olharam para a Sónia e Talion disse.

– A Menina Sónia foi nos visitar e pôs-se a mexer na rede, ficou com a mão presa e quando jogámos a rede ao mar, ela foi juntamente.

– E ela nos agarrou e caímos todos ao mar. – concluiu Galion e Thalos começou a rir enquanto os outros esboçavam um ligeiro sorriso.

– Por Ossë. Sónia tu és maluca! Vem tirar essa roupa e vocês façam o mesmo. – disse Dolêl conduzindo Sónia até ao quarto onde tomavam banho. Pouco depois Dolêl apareceu na cozinha e foi preparar o jantar enquanto ouvia notícias de Elrond sobre o interior de Valinor. Estavam a falar sobre o reinado dos Noldor quando Sónia apareceu com um vestido da Dolêl muito bonito e com os cabelos apanhados atrás.

– Uuuhh... Lembas. – disse Sónia a tirar uma lemba, mas Dolêl bateu-lhe ao leve na mão e fez sinal para não mexer. Sónia desanimou e saiu da cozinha a cantar "Relax"

– Moça estranha! – disse Thalos e Elrohir olhou-o.

– Porquê?

– Porque passa a vida a fazer o que lhe dá na cabeça. – riu-se – Os gémeos já estão fulos da vida com ela.

Na hora de jantar estavam todos na mesa, menos a Sónia que tinha saído e ainda não voltara. Dolêl já estava a ficar preocupada e ia pedir ao Thalos para ir procurá-la quando Sónia entrou, Dolêl disse-lhe algo, mas Sónia não percebeu e sentou-se ao lado de Talion.

Ao final do jantar, Halos pediu que ninguém se levantasse e falou.

– Como sabem, amanhã Sónia vai embora com Elrohir! – olhou para Sónia – Sónia, percebes-te? Amanhã tens que ir.

– Ir? – disse Sónia – Ir onde?

– Tens que ir para a Casa de Elrond com o Elrohir.

– Elrohir? Ir Elrohir? Casa de Elriondes?

– Casa de Elrond. – corrigiu Thalos.

– Ah...porquê?

– Porque sim...depois verás ! – disse Halos e todos na mesa perceberam o olhar confuso e duvidoso da Sónia.

– Fiz mal?

– Não...não fizeste nada de mal. Mas tens que ir. – disse Dolêl.

Sónia olhou para Dolêl confusa e depois olhou para Elrohir e falou em português.

– Mas o que raio está a se passar? – Elrohir olhou-a sem perceber e Sónia abanou a cabeça.

– Vá. – disse Dolêl ao levantar-se – Tu precisas de dormir, e logo tu que és uma dorminhoca. Vamos. – Sónia seguiu Dolêl encolhendo os ombros.

Dolêl madrugou para preparar os mantimentos para a viaja de Sónia e Elrohir, este também madrugou para preparar o cavalo e ajudar Halos e Dolêl. Antes do sol nascer, Dolêl foi chamar a Sónia e esta levantou-se a custo e a resmungar, vestiu umas calças do Galion e uma camisa do Thalos que Dolêl lhe dera para se sentir mais à vontade enquanto viajava. Sónia amarrou o cabelo, que não era fácil pois tinha o cabelo escadeado e a beira não chegava atrás, e desceu para a cozinha, lá já se encontrava Elrohir a comer pão com peixe e Dolêl a preparar uma mochila, Sónia sentou-se e comeu pão com uma fatia de maçã esmagada.

Mal o sol nasceu, Sónia montou o cavalo de Elrohir a medo e Elrohir montou à sua trás, despediram-se de Halos e Dolêl, que deitava umas lágrimas e deixou a Sónia triste. Sónia queria se despedir dos gémeos e do Thalos, mas parecia que ainda estavam a dormir, mas na janela do quarto os gémeos a chamaram e jogaram um embrulho, era uma capa cinzenta escura para ela usar, Thalos também apareceu à porta da cozinha e depois de Sónia se despedir de todos, Elrohir dirigiu-se para os rochedos e passou pela a passagem que passara no dia anterior, mandou Sónia vestir a capa para não dar muito nas vistas quando passarem pela aldeia dos pescadores, que olharam desconfiados para Sónia por não conseguirem ver a cara.

Niono, o nome do cavalo de Elrohir, começou a subir devagar o caminho do precipício, depois da subida entrou na floresta e avançou por aí dentro.

Elrohir e Sónia estavam calados, só se ouvia o som dos animais e o vento a mexer com os ramos das árvores, foi então que a Sónia viu um coelho a saltar entre a erva e apontou para o animal, mas Elrohir não olhou e continuou o caminho.

– Chato! – disse Sónia e, claro, Elrohir não percebeu.

Pouco tinha passado do Meio dia e continuavam a avançar pela a floresta, Sónia já começava a se sentir cansada e tinha o rabo a doer, tentou pedir ao Elrohir para que parassem um pouco, mas Elrohir não percebeu o que a Sónia pedia e continuou o caminho. Pouco tempo depois Sónia disse que tinha fome, mas Elrohir respondeu para que ela esperasse um pouco, cavalgaram devagar durante um bom pedaço quando Sónia voltou a dizer que tinha fome e a resposta foi a mesma. Sónia chateou-se depois de obter três nãos do Elrohir, então pôs-se a dizer "Tenho fome!" de seguida, aí então foi a vez de Elrohir chatear-se e tirou uma maçã da mochila e deu à Sónia que agradeceu como se nada fosse.

A noite chegou e Elrohir parou ao pé de uma clareira, acendeu uma pequena fogueira para aquecer a comida e para se aquecerem. Sónia estava estafada e ficou em pé a "mexer" com as costas que lhe doíam, Elrohir aqueceu peixe seco e deu meia lemba à Sónia que se sentou à frente da fogueira a aquecer-se, já começava a ficar frio.

Depois do breve jantar, Elrohir ensinou algumas palavras à Sónia que aprendeu com muito gosto, mas preferia ouvir uma música ou ouvir uma história daquela estranha terra, mas Sónia não iria perceber porque não entendia as estranhas, mas belas, palavras. Finalmente o sono apoderou-se de Sónia e esta fez "sinal" que iria dormir, Elrohir estendeu um cobertor no chão ao pé de uma árvore e Sónia adormeceu assim que fechou os olhos.

Elrohir ficou acordado durante algum tempo a pensar em várias coisas, principalmente como iria explicar a vinda de uma mortal a Valinor, olhou para Sónia, a luz da fogueira iluminava fracamente o seu rosto e Elrohir sorriu, à muito que não vira uma mortal, o último com quem falara fora Aragorn Ellessar, Rei de Gondor. Elrohir questionou-se se os Homens ainda se lembravam das antigas Histórias ou de Gondor e foi com estes pensamentos que Elrohir deitou-se e adormeceu.

– –

Quatro dias se tinham passado e já estavam nas Planícies de Nahar.

Já tinham percorrido meio dia e Sónia mostrava aborrecida e estava sempre a tentar sair do cavalo para espreguiçar-se um pouco, mas Elrohir não deixava pois queria chegar o mais depressa possível à Casa de Elrond, sua casa. Sónia ficou extremamente aborrecida e Elrohir sabia que quando Sónia estava aborrecida podia se tornar extremamente irritante, então deixou-a desmontar Niono e andar com o Elrohir ao lado a conduzir o cavalo. Sónia sentiu-se mais contente e começou a cantar o Hakuna Matata deixando o Elrohir confuso enquanto ela cantava aquela alegre e estranha canção. Elrohir riu-se e tentou aprender a canção e Sónia ensinou-lhe com muito gosto, quando Elrohir finalmente apanhou o jeito começou a cantar, a sua voz era bela e Sónia calou-se a apreciar e riu-se quando Elrohir olhou-a meio embaraçado.

– –

Já tinham passado vários dias, Elrohir e Sónia estavam na floresta que pertencia à Casa de Elrond, ainda faltava um dia para lá chegar e pararam para pernoitar. Sónia adormecera ao pé da fogueira, a noite estava fria, e Elrohir estava encostado numa árvore e estava sonolento, estava quase a dormir quando ouviu algo com a sua audição élfica, era um assobio. Elrohir levantou-se e agarrou na espada que trazia na cintura, olhou com mais atenção com a sua visão élfica e ficou aliviado quando viu Haldorin, um elfo de cabelos pretos, amigo de Elrohir e chefe do grupo que vigiava a floresta.

Quando Haldorin se aproximou, sorriu e cumprimentou Elrohir, deu um assobio e dois elfos, um de cabelos pretos e o outro de cabelos loiros escuros, apareceram pouco tempo depois, o de cabelos loiros trazia um enorme cão preto que apressou-se a cheirar Sónia que acordou e assustou-se dando um pulo e, desequilibrando-se, caiu ao chão. Ficou a olhar para o cão até o seu dono o chamar, Haldorin perguntou quem ela era e Elrohir só disse o nome e que não podia dizer mais nada até chegar à Casa de Elrond.

– Raios partam o maldito cão! – disse Sónia levantando-se e depois deu-se conta dos recém chegados que a olhavam desconfiados.

– Língua estranha ela usa Senhor. – disse Haldorin para Elrohir – Nunca ouvi tal língua.

– Explicarei quando chegarmos à Casa de meu pai! – respondeu Elrohir – Agora deixai-a dormir. Ela precisa de descansar, senão amanhã ela não se cala! – riu-se e os três recém chegados olharam para Sónia mais uma vez desconfiados.

Sónia também olhou para os três desconfiada, o cão aproximou-se outra vez da Sónia e roçou-se nela, Sónia agachou-se e começou a fazer festas ao cão e o elfo de cabelo loiro aproximou-se, olhou para Sónia, franziu a testa e levou o cão para longe da Sónia.

– Aquele parece que não dorme! – disse Sónia baixinho e depois virou-se para Elrohir. – Quem são?

– Amigos. – respondeu Elrohir.

– Ah...

Sónia voltou a deitar-se sem antes olhar desconfiada para os amigos de Elrohir, ao ajeitar-se no cobertor lembrou-se em Dolêl, nos jogos de xadrez que Halos e Thalos costumavam jogar e nas brincadeiras com Galion e Talion na praia. Deixou escapar um suspiro triste e fechou os olhos a dormir.

Na manhã seguinte o sol nasceu brilhante e o céu estava azul sem nuvens, Elrohir aproximou-se da Sónia e abanou-a levemente, Sónia resmungou e tapou a cara com o cobertor, Elrohir revirou os olhos e tirou-lhe os cobertores. Sónia sentou-se ainda com os olhos fechados e a resmungar, Haldorin e os seus companheiros olharam-na de olhos arregalados. Finalmente, Sónia acordou de completo e roubou a lemba que Elrohir estava a comer e este teve que ir buscar outra.

No meio da manhã prepararam-se e continuaram a viagem, agora mais curta, até à Casa de Elrond. Iam todos a pé e iam conversando alegremente, menos a Sónia que não percebia nada a não ser escassas palavras simples que aprendera. Estava extremamente aborrecida e começou a cantarolar baixinho sem que ninguém desse conta, até que viu algo a se mexer ao fundo nos arbustos e parou a olhar, mas não viu nada, deu dois passos na direcção do arbusto.

– Sónia. – gritou Elrohir e Sónia assustou-se. – Mas o que estás a fazer aí parada? Vamos que falta pouco.

Sónia, que não percebera grande coisa do que o Elrohir dissera, olhou mais uma vez para os arbustos e continuou a andar tentando acompanhar os companheiros.

Já tinham caminhado à muito tempo, pois já passava do Meio dia, finalmente chegaram a um vale maravilhoso, havia uma cascata cintilante ao pé de um enorme palácio branco com o telhado em azul claro. Sónia ficou maravilhada ao ver tal paisagem.

– Morri e foi p'ro Céu ! – disse Sónia.

Ao descerem por um caminho decorado com pedra brancas, Sónia olhava maravilhada para o vale, ficara encantada com tudo, pela primeira que chegara a Valinor sentiu-se realmente feliz, olhou para o final da estrada e viu uma mulher (Sónia ainda não sabia que eles eram elfos) de cabelos longos negros com uma criança, Elrohir afastou-se do grupo em passos largos e a criança correu para os seus braços, Sónia viu que era uma moça e dava parecenças ao pai, foi então que sentiu-se observada e olhou de soslaio para Haldorin, mas este já se tinha afastado com o cavalo e os seus companheiros, então Sónia olhou para trás na direcção da floresta e viu um vulto a se esconder rapidamente nos arbustos. Sónia arrepiou-se e foi ter com Haldorin que estava mais à frente, olhou outra vez para os arbustos, mas não viu mais nada.

– Sónia. – disse Elrohir e Sónia, mais uma vez assustou-se – Esta é a minha esposa Telas, e esta é minha filha Arwen, em memória da minha irmã.

– Claro... – disse Sónia sem entusiasmo e continuou a olhar para os arbustos com a testa franzida.

Elrohir desconfiou e olhou na direcção do olhar da Sónia, mas também não viu nada .

– O que tens? – disse para Sónia.

– Nada. – respondeu Sónia e depois voltou-se para Telas – Olá...sou a Sónia. Óh...Olá pequenina.

Telas olhou desconfiada para Sónia e afastou a filha dela, Sónia ficou um pouco ofendida e afastou-se também da Tela.

– Quem é? – disse Tela.

– O nome dela é Sónia. Por agora não posso dizer mais nada. – respondeu Elrohir – Sónia! Vens?

Sónia seguiu o casal mais atrás com má cara, não gostava muito do que vira antes e agora a Telas parecia que não gostava dela, voltou a sentir-se observada, mas não voltou a olhar para trás. Um homem alto de cabelo pretos aproximou-se de Elrohir, era Elladan, e cumprimentou vivamente o irmão, depois olhou para Sónia e sorriu.

– Estou a ver que trouxeste alguém. – disse Elladan – Era isso de tão importante que tinha para fazer?

– Sim... – respondeu Elrohir – Esta é a Sónia. Sónia...este é Elladan, meu irmão.

Sónia sorriu e fez uma pequena vénia com a cabeça, depois olhou em volta e viu mais pessoas, estavam todos a sorrir e a olhar desconfiados para Sónia que corou um pouco e aproximou-se mais de Elrohir.

– Vem Sónia. – disse Elrohir enquanto mostrava o caminho à Sónia pelo o palácio.

Elladan, Telas e Arwen seguiam perto que começaram a falar animadamente e Sónia deixou-se ficar um pouco para trás. Finalmente chegaram a uma porta de madeira escura e entraram, lá dentro estava um elfo sentado num cadeirão à frente de uma lareira apagada, o tal elfo estava a ler um livro e sorriu ao ver Elrohir que rapidamente abraçou-o, era Elrond. De seguida Elrohir apontou para Sónia e esta reparou que os olhos de Elrond eram velhos e cansados, pois já tinha vivido e passado por muito, Sónia desviou rapidamente o olhar e fixou-o na lareira.

Depois de feita as apresentações, Elrohir pediu à Telas que levasse Sónia até ao quarto e que pedisse às criadas que lhe preparasse um banho e roupas para Sónia usar. Depois da Sónia e Telas saírem da sala, Elrohir dirigiu-se ao pai e falou.

– Hoje à noite gostaria de falar com os mais sábios da Casa de Elrond. Que organizasse um pequeno jantar e que convidasse os sábios.

– Porque razão? – disse Elrond.

– Gostaria de dizer algo sobre a Sónia.

– Mas para dizeres não precisas de convocar os Sábios.

– Por Favor Pai. – disse Elrohir – É muito importante.

– Está bem... – disse Elrond abanando a cabeça – Não sei porquê, mas...

– Garanto que não irá se arrepender. – disse Elrohir sorrindo e depois saiu da sala acompanhado pelo o irmão.

À noite, na hora de jantar, estavam todos os sábios a jantar num salão muito bem decorado, estavam sentados em três mesas compridas, duas em vertical e uma em horizontal (a formar uma espécie de quadrado sem um lado), com toalhas muito bem bordadas em dourado e em prateado. Todos interrogavam-se por que razão estavam ali. No final do jantar, Elrohir pediu a atenção a todos e todos o olharam, mas simplesmente Elrohir levantou-se e entrou por uma porta, alguns resmungos e dúvidas fizeram-se ouvir pelo o salão que cessaram quando Elrohir voltou com a Sónia, que trajava um belo vestido azul claro bordado nas mangas e na cintura a branco, tinha o cabelo apanhado a trás com a beira solta deixando-a muito bonita, ouviram-se alguns murmúrios quando Elrohir se dirigiu para o centro pedindo silêncio e que o escutassem.

– Meus Senhores, minhas Senhoras. – disse Elrohir fazendo uma vénia – Vós já sabeis que viajei e trouxe comigo alguém que certamente não conhecem. – fez sinal para que Sónia aproxima-se – Esta moça chama-se Sónia... – fez uma pequena pausa – a Mortal. – todos no salão ficaram a olhar para Elrohir, menos Elros que fixava o olhar em Sónia, de repente Elrond levantou-se a rir e a bater palmas.

– Filho...Meu Filho! – disse – Tu e as tuas brincadeiras. – e uma onda de riso se instalou no salão.

Porém, Elrohir mantinha-se sério e olhava seriamente para o pai.

– Um momento meus Senhores. – disse Elrohir e o riso cessou, mas continuava uns murmúrios.

Elrohir aproximou Sónia do seu pai e pediu que ele a olhasse nos olhos, Elrond pensou que era uma piada, mas fez o que o filho lhe mandou, olhou para os olhos cor de mel da Sónia e ficou sem palavras, os olhos da Sónia eram uns olhos que não via à muito tempo. Elrond sentou-se na cadeira pensativo e perplexo, muitos dos que estavam no salão compreenderam e começaram a falar entre si. Elrond continuava pensativo e olhou mais uma vez para Sónia.

– Os Mortais não são bens vindos a Valinor. – disse Elrond. – Mas como é que ela chegou aqui?

– Se me derem silêncio! Contarei o sucedido – disse Elrohir e um silêncio abateu-se no salão enquanto contava o sonho, da sua viagem e da família de Halos.

Sónia estava de pé ainda ao pé da mesa onde Elrond estava, Elros olhava para Sónia com os olhos arregalados e Sónia afastou-se quando percebeu isso indo para o pé de Elrohir, mas estava farta de estar em pé e dirigiu-se para uma cadeira vazia e sentou-se, muitos dos presentes a olharam espantados, não era costume alguém deixar o centro e se sentar sem antes pedir permissão.

Quando Elrohir acabou de falar, Sónia já estava cheia de sono e abria constantemente a boca, o que fazia o elfo ao seu lado a olhar com desprezo.

– Dizes que Sónia será julgada pelos os Valar? – disse Elrond numa voz audível.

– Sim. – respondeu Elrohir .

Elrond mostrava-se pensativo e um pouco confuso, muitos dos sábios também olhavam confusos e pensativos para Elrohir, por fim Elrond levantou-se e disse.

– Se os Valar desejam que esta mortal viva entre nós até ser decidido o seu destino no Julgamento, que assim seja. Que Sónia seja bem tratada. Agora meus amigos, poderão ir para as vossas casas ter com as vossas famílias. Boa Noite.

Todos no salão levantaram-se e foram-se embora pelas as várias portas que lá havia, Elrond foi na direcção da Sónia que adormecera com a cabeça em cima da mesa, abanou-a e Sónia acordou. Elrond sorriu e levantou-a da cadeira, ela bocejou e abanou a cabeça enquanto Elros aproximava-se.

– Elros, leva-a para o quarto onde a vista é sobre os jardins. – disse Elrohir aproximando-se.

Elros obedeceu e agarrou na mão da Sónia que sentiu uma estranha sensação, olhou para Elros e reparou que este desviara a cara. A pedido de Elrohir, Sónia deixou Elros guiá-la até ao seu quarto.

Três dias passaram, Elrond encontrava-se no jardim debaixo da varanda do quarto da Sónia a pensar, ainda não tinha recebido nenhuma mensagem dos Valar, mas quando estava sentado nos bancos, um pássaro grande, branco e muito belo desceu dos céu e posou no mesmo banco que Elrond, trazia no bico uma carta branca com o selo dos Valar em azul, aceitou a carta e abriu-a quando a bela ave levantou voo e desapareceu entre as nuvens. Elrond leu a carta atentamente, depois levantou-se e foi ter com Elladan que estava na enorme biblioteca a jogar xadrez com Culion, amigo de Elladan e um dos principais conselheiros de Elrond.

– Culion, ainda bem que cá estás. – disse Elrond – Gostava de falar com vocês os dois.

Elladan e Culion pararam o jogo e escutaram atentamente Elrond.

– Recebi agora uma mensagem dos Valar. Sónia terá que estar presente nas Mansões de Manwë no Taniquetil dentro de quatro dias. Culion, trata dos mantimentos e de tudo o que é preciso para a viagem. Forma um grupo pequeno e discreto, não quero chamar atenção até que tudo não esteja esclarecido com os Valar. Elladan, vai avisar os sábios e avisa aqueles que têm Sónia em seu cuidado, para que eles a preparem sem demoras. Irão partir amanhã cedo.

Sónia encontrava-se no quarto deitada na cama, era raro sair do quarto porque sempre que saia todos que a encontravam ficavam a sussurrar e a "apontar" para ela e Sónia detestava isso, os únicos com quem Sónia se sentia mesmo bem era com Elrohir, Elros e Nhatas, amiga de Sónia e irmã mais nova de Elros. Sónia estava a olhar para as figuras desenhadas no tecto, estava a pensar como estaria a sua família, os seus amigos, como iria voltar para casa, provavelmente não iria voltar e este pensamento incomodava-a muito e cada dia sentia-se mais triste e preocupada.

– Sónia? – disse um voz calma à porta, era uma elfa jovem, alta de cabelo preto.

– Nhatas! – disse Sónia ao sentar-se na cama – Entra.

Nhatas entrou a sorrir, sentou-se ao pé da Sónia que também sorria.

– Trago notícias para ti. – disse Nhatas ao dirigir-se para trás da Sónia e começou a pentear-lhe o cabelo.

– Notícias? – disse Sónia com um élfico meio aldrabado.

– Sim. Amanhã vais viajar com o meu tio, Elrohir, e meu pai, Elladan.

– Viajar onde?

– Tens que ir até à montanha...

–... Taniquetil, nas Mansões de Manwë. – disse subitamente Sónia e Nhatas parou e pentea-la e olhou-a espantada.

– Co-Como sabias?

– Como saber? Sonhar...Sonho. – disse Sónia com esperanças que Nhatas percebesse.

Nhatas riu-se, abraçou Sónia e foi embora sem dizer nada, Sónia ficou a olhar confusa para a porta e voltou a deitar-se na cama a olhar para o tecto até adormecer.


Muito obrigado pelas vossas reviews e por terem gostado, e acompanhado, a fic. Desculpem por não ser um agradecimento individual, é que tenho ainda coisas a instalar no pc e não posso demorar-me. Beijos e Braços para cada um de vocês. E mais uma vez, OBRIGADO.