As personagens élficas aqui reconhecidas não me pertencem, mas sim a J.R.R Tolkien, mas a originalidade da história e algumas personagens pertencem somente a mim... e talvez à minha amiga que me ajudou, indirectamente, nos nomes das personagens.


IV –

Quando Sónia acordou já estava anoitecer, Sónia não sabia as horas, como sentia falta de um relógio, então levantou-se e calçou-se, saiu do quarto a bocejar e foi andado pelo o palácio até chegar aos portões que davam para o jardim em baixo da varanda do seu quarto, nunca lá tinha estado, só vira o jardim da varanda, era muito mais bonito do que vista da varanda, pois podia tocar nas flores e nos belos arbustos, podia sentir o leve aroma que as belas flores brancas deitavam, foi então que Sónia viu um pequeno monte com uma árvore muito grande e bonita com as folhas claras a brilhar ao pôr do sol. Maravilhada com a árvore, dirigiu-se para o monte e ao chegar perto da árvore sentiu um arrepio atrás de si e voltou-se rapidamente, voltou a sentir um arrepio a subir-lhe a espinha e Sónia olhou para o chão, quando o fez, viu duas pequenas campas e um frio intenso percorreu-lhe o corpo, Sónia rapidamente desviou-se das campas e desceu o monte assustada, descia o monte andando para trás e chocou com alguma coisa, ao virar-se não reconheceu Elrond e assustou-se dando um grito e fugiu. Elrond ficara a olhar por onde Sónia fugira e não percebeu nada o que tinha acabado de suceder.

Sónia parara de correr no corredor que dava para o seu quarto, encostou-se na parede e suspirou, ouviu algo atrás dela e virou-se, era Nhatas que sorriu ao vê-la encostada na parede.

– O que se passa? – disse Nhatas preocupado.

– Passa? Nada, nada. – respondeu Sónia e sorriu para Nhatas. – Ir meu quarto.

– Eu acompanho-te. – disse Nhatas e foram as duas para o quarto.

Na manhã seguinte, bem cedo, Elrohir foi ao quarto da Sónia acordá-la, bateu á porta e entrou, Sónia ainda dormia de baixo dos cobertores e Elrohir acordou-a devagarinho e, como sempre, Sónia resmungou, por fim levantou-se com ajuda da Nhatas, que tinha entrado no quarto sem que Elrohir percebesse, e fez cócegas à Sónia até esta se levantar.

Estavam todos prontos no pátio, só faltava a Sónia que ainda estava a tomar o pequeno almoço com Nhatas, pouco depois as duas apareceram e, depois de todos se despedirem, montaram os cavalos e seguiram caminho pela a floresta.

Já passava do Meio dia e continuavam a viagem, Elladan caminhava atrás da Sónia e Elrohir ao lado desta, ia também Culion e Friêr, irmão de Culion, à frente. Caminhavam calados, não se ouvia nenhum som vindo dos viajantes, só se ouvia os pássaros a cantar e as folhas a roçarem-se no vento nas copas das árvores.

– Friêr. – chamou Elladan – Estamos no caminho certo?

– Começamos a viagem à pouco tempo e já perguntas se vamos no caminho certo? – disse Culion e depois soltou uma gargalhada.

– Foi para quebrar o silêncio.

– Não te preocupes – disse Friêr e o seu cabelo loiro esvoaçou – Já fiz este caminho mais vezes que o próprio Elrond.

– É raro o meu pai sair do Vale. – disse Elrohir – Assim tens uma vantagem.

– Pois, mas este é o caminho mais discreto que se conhece. – fez uma longa pausa – Vamos parar ao pé do riacho mais perto e descansaremos um pouco.

– Não. – disse Culion – Temos que chegar às Mansões de Manwë dentro de três dias. Este pode ser o caminho mais discreto, mas também é o mais longo.

– Tens razão irmão. É melhor descansarmos à noite.

Sónia ouvia a conversa dos quatro sem perceber muita coisa, já estava a sentir-se cansada de estar no cavalo e começou a resmungar baixinho sem que os presentes a ouvissem, então o cavalo relinchou fortemente sacudindo a cabeça assustando Sónia.

– O Legas parece nervoso. – disse Friêr.

– Deve ser por causa da Sónia. – respondeu Elrohir – Ela ainda tem um pouco de medo de andar de cavalo.

Sónia franziu a testa para Friêr e depois para Elrohir, voltou a fixar o olhar na nuca do Legas, o nome do cavalo, e suspirou, estava a pensar na sua família e nos seus amigos que deviam estar extremamente preocupados sem saber do paradeiro dela, lembrou-se como era feliz junto dos amigos e dos irmãos, não que os seus anfitriões não estivessem a tratar dela bem, aliás, estavam a tratá-la maravilhosamente, mas sentia a falta dos sorrisos dos irmãos e dos amigos, e um pensamento veio ao de cima da mente da Sónia, ela sabia que iria falar com alguém importante daquela terra, talvez esse alguém pudesse ajudá-la a voltar para casa, ou pelo o menos comunicar com a família, Sónia sorriu e os seus olhos brilharam, quando mais depressa chegasse à casa desse senhor importante, mais depressa as suas dúvidas seriam esclarecidas.

O dia passou rápido e ao anoitecer o pequeno grupo parou ao pé de um riacho, desmontaram e amarraram os cavalos numa árvore, Culion fez uma fogueira enquanto os outros tiravam o que precisavam dos sacos (que se põe na sela dos cavalos). Quando acabaram de comer, estiveram a conversar longamente, nenhum deles se mostravam com sono, menos Sónia que já tinha adormecido.

– Gostava que Sónia pudesse falar a nossa língua. – disse Elladan.

– Mas ela pode falar a nossa língua. – respondeu Friêr. – Tem de aprender.

– E tu és o indicado. – disse Culion.

– Eu?

– Sim. Passas a vida a ler e a estudar. Bem tens capacidades de ensinar a Sónia a falar, a ler e a escrever.

– Pois, mas isso depois vê-se. Mas porquê é que gostavas que a Sónia falasse a nossa língua? – perguntou Friêr a Elladan.

– Para que Sónia pudesses dizer-nos o que aconteceu à Terra Média nestes longos anos. – respondeu.

– Essa Terra Média deve ser fantástica. Pelas descrições e histórias que Elrond e vocês contem.

Continuaram esta conversa até o sono se apoderar dos quatros e por fim adormeceram debaixo dos ramos. Mas quando os quatro dormiam profundamente, um vulto saiu de trás de uns arbustos e aproximou-se da Sónia tentado não acordar os quatro elfos adormecidos, agachou-se, afastou a beira da cara da Sónia e agarrou numa pequena garrafa dentro de um pequeno saco preso à cintura, mas ao tirá-la, Sónia mexeu-se e levantou-se de repente, o vulto assustou-se e ao tentar fugir bateu num cavalo adormecido e um relincho forte acordou os quatro elfos. Friêr levantou-se para acalmar os cavalos que faziam um barulho infernal, Culion e Elrohir partiram em perseguição ao vulto que fugira e Elladan foi para o pé da Sónia ver se ela estava bem. Algum tempo depois, quando os cavalos já estavam sossegados e quando Elladan se convenceu que Sónia estava bem, Elrohir e Culion voltaram com os arcos a postos para disparar.

– Então? – perguntou Elladan.

– Nada. – disse Culion – Devia ser um ladrão! Foi mais rápido que nós.

– Ou talvez conheça esta floresta melhor que nós. – disse Elrohir ao sentar-se.

Ficaram o resto da noite acordados, Sónia também ficara acordada por muito que Elrohir insistisse que ela devesse dormir mais um pouco, mas Sónia ficara com medo e não conseguia adormecer tão facilmente, então, como ninguém queria dormir, tomaram o pequeno almoço e meteram-se a caminho, pouco depois o sol nasceu por cima das árvores.

O dia passou lento e quando a noite chegou, pararam numa clareira rodeada por árvores jovens, acenderam uma fogueira e decidiram que era melhor um deles estar de vigia se caso o ladrão voltasse, e assim foi, Friêr ficara de vigia a noite toda enquanto o outros dormiam enroscados nos cobertores.

Antes do nascer do sol, muito antes, Friêr acordou todos para que se preparassem para a partida, tinham que chegar às Mansões de Manwë dentro de dois dias e tinham que se meter a caminho o mais rápido possível.

Sónia cavalgava ao lado de Friêr que tentava ensinar-lhe algumas palavras, foi então que Sónia resmungou que estava cansada e tinha fome, já estavam no meio da tarde e ainda não tinham comido nada, Elladan tirou um pão e deu-lhe, Sónia agradeceu sorrindo-lhe amavelmente. Algum tempo depois o grupo parou à beira de um ribeiro, para decidirem se podiam passar ou não, mas felizmente o ribeiro não era muito fundo e os cavalos passavam sem dificuldades. Atravessaram em fila e Sónia ia entre o Elladan e Friêr, mas Sónia mostrava-se nervosa incomodando perigosamente o seu corcel, então este, já fatigado com tanto nervosismo, levantou as patas da frente tanto que Sónia escorregou e caio na água gelada, Elladan agarrou de imediato o cavalo e Friêr agarrou Sónia puxando-a para o seu cavalo.

– Estás bem ? – perguntou Friêr. Sónia abanou a cabeça que sim, mas estava gelada e encolheu-se no manto, ao chegar à margem, Culion pôs um cobertor por cima dela, pouco depois voltaram a montar nos cavalos e seguiram caminho, mas Sónia ainda sentia-se gelada com a roupa molhada.

Á noite, Sónia sentiu-se cansada, gelada e não quis comer, deitou-se enrolada em dois cobertores e durante a noite acordou com dores de cabeça e a fungar.

Culion acordou todos antes do sol nascer e Sónia sentiu-se febril, mas não disse nada para não incomodar e preocupar ninguém.

– Chegaremos às Mansões de Manwë ao fim da tarde. – disse Friêr.

Meteram-se a caminho, as árvores iam escasseado tornado-se mais afastadas umas das outras, foi então que saíram da floresta e ao longe puderam ver a Montanha Taniquetil branca a luzir ao sol, Sónia ficou a olhar para a montanha durante um pouco, mas um calor ardente na testa fez com que parasse de mirar a bela montanha e não se sentiu feliz nem espantada como pensava que ficaria, aliás, sentia-se cada vez mais doente e não disse nada aos companheiros para não preocupá-los.

Continuaram a marcha mais contentes e desviaram-se de uma aldeia que lá havia para não levantar suspeitas, ao afastarem-se da aldeia, Elladan começou a cantar bem alto com a sua bela voz, os refrões eram cantados pelos os outros e Friêr quis que Sónia também cantasse os refrões, mas esta sentia a cabeça pesada e a doer, e não quis cantar, até queria que eles se calassem, mas não disse nada para que os companheiros não desconfiassem.

Atravessaram o campo verde e no final da tarde chegaram finalmente ao sopé do Taniquetil, avançaram por um caminho decorado com pedras brancas e douradas até chegarem a um pequeno vale redondo onde se elevava uma enorme mansão branca com os telhados e as bordas das janelas prateados, a porta principal era gigantesca e era feita em ouro com enrolamentos muito trabalhados. Quando o pequeno grupo chegou à porta principal a noite estava a chegar e Eönwë, o porta-bandeira e mensageiro de Manwë, os esperavam na porta.

– Friêr... – disse Eönwë quando Friêr aproximou-se com o resto do grupo – À muito que não te via.

– Nobre Eönwë... – disse Friêr – É verdade que à muito que não nos víamos.

– Presumo que trouxeram a mortal.

– Sim nobre Eönwë.

– Então não percamos mais tempo. Queiram seguir-me.

Os cinco recém chegados seguiram Eönwë por vários corredores muito bem decorados com várias coisas, desde a tapeçaria a estátuas de tempos antigos. Os corredores eram frios e pioravam o estado febril da Sónia que agora ardia em febre e a sua visão ficava turva de vez em quando.

– É aqui. – disse Eönwë – Aqui é a sala do Julgamento. A mortal deverá entrar só com um de vocês, o resto terá que me seguir.

Os quatro elfos entreolharam-se e por fim decidiram que Elrohir devia entrar com Sónia, o resto seguiu Eönwë por outra porta noutro corredor. Elrohir respirou fundo e sorriu para Sónia que olhava para o chão a respirar mal, Elrohir ficou preocupado e ia perguntar se estava tudo bem quando uma potente voz ecoou pelo corredor.

Que se dê inicio ao Julgamento.

Elrohir lançou um outro olhar a Sónia, agarrou-lhe na mão e abriu a porta entrando numa enorme sala, com uma enorme mesa branca ao fundo e duas mesas, igualmente enormes aos lados, Sónia estremeceu devido à febre e seguiu Elrohir para o centro da sala. Sentados às mesas estavam todos os Valar, na mesa principal, a do fundo, se encontravam Manwë, Varda e, na cadeira principal, estava Mandos, Senhor dos Mortos e Juiz Supremo dos Valar. Sónia olhou em volta e a sua vista ficou turvada um pouco, passou a mão pelo os olhos e reconheceu Irmo, Senhor das Visões e dos Sonhos, mas pensou que era uma partida da febre e não ligou.

– Estamos hoje aqui reunidos para decidir o destino de Sónia Abreu. – ouviu-se alguns murmúrios – Decidiremos primeiro se Sónia deve, ou não, permanecer em Valinor.

O julgamento começou, Elrohir ouvia atentamente cada palavra dos Valar que estavam divididos, maior parte deles queriam que Sónia fosse embora de Valinor, mas Ulmo e Nienna discordavam.

– Então jogamo-la ao mar e Ossë mata-a com as ondas. – gritou Oromë que criara ódio aos Homens ao longo dos anos por estes destruírem florestas inteiras.

– Que horror Oromë! – disse Nienna soluçando – Matar esta pobre mortal não é solução.

– Mas ela...

Sabemos que odeias os Homens por eles destruírem praticamente tudo o que criamos, mas nem todos os Homens são assim. – disse Ulmo.

– Os Homens são todos uns destruidores e "sujos" de alma. Nunca percebi o porquê que gostas tanto dos Homens. Eles poluem as tuas Águas com produtos horríveis que matam tudo o que encontra. Sabes meu amigo... Penso que tu adoras essas imundices que deitam para as tuas Águas, talvez tu sejas uma Alma Suja.

Uma enorme discussão arrebentou entre Oromë e Ulmo e com eles foram juntados os outros Valar, só Mandos, Manwë e Varda é que ficaram de parte sem meter na discussão que, pela cólera, já queriam que Sónia fosse morta pelas confusões que estava a criar.

A febre e as dores de cabeça de Sónia pioravam cada vez que os Valar aumentavam de voz fazendo que a sala parecesse uma tempestade, Sónia olhou em redor, via tudo turvado e só ouvia uns murmúrios zangados ao "fundo", tudo começou a dar à roda, foi então que Sónia não aguentou mais e desmaiou. Todos os Valar olharam-na espantados, Varda levantou-se e olhou para Mandos, mas este, compreendendo que Varda olhou com a intenção de ele ter levado o espírito de Sónia, mas Mandos abanou a cabeça negativamente, então Varda dirigiu-se a Sónia e todos os Valar calaram-se e olharam-na. Elrohir, que estava a segurar Sónia, abaixou a cabeça e afastou-se quando Varda pegou na cabeça de Sónia e pôs a mão na testa que ardia, de seguida Varda levantou-se e disse com a sua bela voz.

Sei que os Homens fizeram muitas coisas más, sei que destruíram muitas coisas que criamos, mas esta pobre criança não tem culpa. Ela é só uma criança, sim, uma criança para nós que já vivemos muito e passamos por muito. – fez uma pequena pausa – Grandes são os Valar que são misericordiosos, ou pelo o menos eram, esqueceram o que era ser misericordioso? À muito que decidimos não envolvermos nos assuntos dos mortais, mas esta criança particularmente perdeu as pessoas de quem ama cedo, pois sei que ela não vai voltar para as Terras Mortais, mesmo que vós decidam matá-la. Eu digo que ela merece viver e que viva entre os nobres elfos. Mas agora deixem-na descansar e se recuperar. – todos os Valar olharam para Varda. Manwë levantou-se e falou com a sua potente voz.

– Deixaremos Sónia descansar e recuperar, mas decidiremos se Sónia Abreu ficara ou não em Valinor. – fez uma pausa enquanto olhava para Sónia deitada no chão e Varda aproximou-se dele – Elrohir, filho de Elrond e de Celebrían, leva a Sónia para o quarto. Eönwë estará na porta para mostrar o caminho.

Elrohir fez uma profunda vénia, carregou Sónia nos seus braços e saiu da sala pela mesma porta que entrou, lá já se encontravam Eönwë, Elladan, Culion e Friêr, estes últimos três aproximaram-se de Elrohir e Culion, que era mais forte que Elrohir, pegou na Sónia que ardia em febre e seguiram Eönwë até um grande quarto branco e deitaram Sónia na cama, Elladan e Elrohir, que eram Mestres na arte de curar, aproximaram de Sónia, examinaram-na e depois pediram a Eönwë que fosse buscar determinadas plantas para abaixar a febre.

– –

Dois dias passaram e a febre de Sónia baixou, mas durante esses dias ela não tinha acordado. Os Valar já tinham decidido que Sónia ficaria em Valinor na Casa de Elrond e que agora só faltava Sónia decidir se queria ser mortal ou imortal nas Terras Imortais de Valinor.

Nessa manhã, Sónia abriu os olhos e vislumbrou Friêr adormecido na cadeira, Friêr tinha ficado de vigília a noite e adormecera. Sónia sentou-se na cama e olhou em volta, ainda sentia-se adoentada, mas já estava muito melhor desde da última vez que se lembrava.

– Friêr! – disse Sónia ao abanar levemente Friêr que acordou e ficou supresso de ver Sónia.

– Sónia! – sorriu Friêr – Já acordas-te, mas não te levantes da cama. – Friêr saiu do quarto.

Sónia ficou a olhar para a porta durante um bocado e depois saiu da cama, mas estava um pouco fraca e as pernas não aguentaram deixando-a cair ao chão, logo de seguida entrou Elladan e ajudou-a a levantar-se. Sónia sorriu quando Elladan a pôs na cama e este disse algo que Sónia não percebeu. Logo de seguida entrou Elrohir e Friêr, ambos a sorrir, Elrohir abraçou-a e Friêr posou a mão na cabeça da Sónia, pouco depois Culion entrou com Eönwë e Sónia olhou-o desconfiada, já tinha visto aquela cara, mas não sabia de onde, então lembrou-se do Julgamento e olhou para Elrohir.

– O que se passou? – disse, mas os presentes não perceberam, excepto Eönwë que tinha o dom de perceber as línguas de Arda.

– Desmaias-te durante o Julgamento. – disse Eönwë e Sónia arregalou os olhos, era a primeira vez desde que chegara aquela terra que ouvia a sua língua.

– Uau... Co-Como falas a minha língua quando os outros não falam.

– Faz parte do meu dever. Bem... é melhor descansares mais um pouco, sinto que estás ainda um pouco doente.

– Mas não o suficiente para saber como ficou o Julgamento. – Eönwë sorriu.

– Está bem, irei contar-te. – fez uma curta pausa – Os Valar deixaram te ficares em Valinor.

– Quem deixou o quê? – perguntou Sónia confusa.

– Os Valar são... bem, podemos considerar que são Deuses para vocês, os mortais, e que Valinor é a Terra dos Deuses e dos Imortais. – Sónia desatou a rir, pois não acreditou.

– Duvidas da minha palavra? Pois não deverias duvida-la, pois foi a Grande Valiër Varda, Senhora das Estrelas, que te salvou a vida, pois os outros Grandes Valar queriam que tu fosses descansar nas Mansões de Mandos, o que vocês mortais significa ir para o Céu. – Sónia olhou-o desconfiada, mas Elrohir pediu a Eönwë que não maçasse Sónia, pois esta ainda tinha que descansar mais um pouco.

Eönwë despediu-se com uma pequena vénia, pouco significativa, e foi embora deixando os quatro elfos à volta da cama que pouco tempo depois se foram embora deixando Elladan a examinar a humana. Esta, por outro lado, amuou quando os outros foram embora sem dizer alguma coisa e adormeceu com a mão de Elladan a examinar a temperatura.

Na manhã seguinte, Sónia já se sentia muito melhor e estava empoleirada na janela existente no quarto a ver o jardim com um lago que existia por volta do palácio, Sónia sorriu e fechou os olhos para apanhar o máximo de sol que podia, mas foi então que uma mão agarrou-lhe e puxou-lhe para dentro, era Elrohir que se assustara ao ver Sónia empoleirada na janela com medo que esta caísse, mas Sónia estava extremamente feliz, pois pensou que poderia falar com a Valiër Varda e pedir-lhe que lhe mandassem para casa, ou pelo o menos avisar a família que estava bem e que lhe viessem buscar. Elrohir olhou-a quando esta esboçou um grande e bonito sorriso e deu um beijo na sua bochecha, Elrohir riu-se e saiu do quarto, pouco tempo depois entrou Eönwë a informar que o Conselho dos Valar estava à espera, era agora que Sónia podia pedir a tal ajuda da Varda e seguiu o Maiar até à mesma sala onde tinha desmaiado Entrou com Eönwë ao seu lado, ia ser seu tradutor, e avançou até ao centro da sala. Todos os olhares dos Valar posaram na Sónia que vestia um belo vestido creme com o cabelo solto, Sónia corou um pouco quando olhou para Varda, era uma mulher muito bela, tão bela que Sónia não conseguia descrevê-la, tão bela que nenhuma canção feita por homens ou elfos a poderiam descrever. Eönwë avançou e falou na língua dos Valar e dos Elfos Superiores e Sónia não percebeu patavina, Manwë levantou-se e falou, Eönwë rapidamente traduziu a explicar a decisão dos Valar, como ela chegara ali e como gostaria continuar a viver, como mortal ou imortal, mas Sónia simplesmente sorriu e disse.

– Agradeço por me terem salvo, mas... eu não acredito no que vocês estão a contar.

– Ai sim? – disse Eönwë – Então como explicas que o bote em que viajavas veio ter a Valinor, e como explicas como Elrohir soube da tua existência? Ou mesmo como explicas o Julgamento dos Valar. Eu sinto que tu estás confusa e recusas a acreditar porque tens esperanças.

– Esperanças, sim tenho esperanças de voltar para casa.

– Mas ainda não compreendeste que não podes!

Sónia sentiu um peso no coração e franziu a testa, dirigiu-se á mesa principal e falou.

– Sei que vocês não estão a perceber que estou a dizer, mas aqui o vosso tradutor traduz. – olhou para Eönwë – Eu quero voltar para casa porque esta terra, é maravilhosa eu sei, mas tenho saudades de casa, da minha família e dos meus amigos que devem estar preocupados. Mesmo que não queiram me mandar de volta, por favor, deixem-me telefonar ou mandar outro tipo de mensagens que depois os meus pais vêm me buscar. – fez uma pausa e deixou Eönwë traduziu, mas o coração de Sónia entristeceu quando viu que Manwë falou num tom calmo e de negação.

– O Grande Manwë Senhor dos Valar, diz que não podes voltar para casa ou mandar alguma mensagem à tua família ou amigos. – disse Eönwë com uma voz baixa – Lamento!

Os olhos de Sónia encheram-se de lágrimas, e compreendeu que estava perante seres muito superiores a qualquer um que Sónia tivera contacto, mas ela não percebia o porquê é que eles não deixavam Sónia voltar para casa, ajoelhou-se e começou a chorar, todos os Valar ficaram calados e não se mexeram dos lugares, limitaram-se a ver Sónia chorar, Nienna, Senhora das Lamentações, começou a chorar baixinho percebendo a dor da Sónia, Mandos levantou-se e falou com a sua voz dura e Eönwë rapidamente traduziu.

– Os Senhores desejam saber a tua decisão.

– De-Decisão? – gaguejou Sónia que ainda chorava – Qu-Qual de-decisão?

– Os Senhores desejam saber se tu escolheste ser imortal ou mortal.

– I-Imortal?

– Sim, se escolheres ser imortal, viverás para sempre e sem que o teu corpo envelheça...

– Não.

– Quê? – Eönwë ficou pasmado com o "Não" forte de Sónia.

– Não quero ser imortal. Não quero viver para sempre. Diz isso aos teus Senhores, eu quero continuar a ser mortal. – Eönwë traduziu para os Valar e Mandos falou mais uma vez.

– Mandos deseja saber o porquê da tua decisão.

Fez-se uma pausa, Sónia olhou para Eönwë para espanto deste, Sónia esboçou um pequeno e triste sorriso.

– Porque quando morrer posso voltar a ver a minha família e amigos. – Eönwë abriu os olhos e traduziu as breves palavras de Sónia o que fez que todos os Valar murmurassem e olhassem para Sónia estranhamente.

O Julgamento tinha chegando ao fim, Eönwë levou Sónia até uma pequena, mas confortável sala onde se encontravam Elladan, Friêr, Culion e Elrohir e depois de uma breve explicação de Eönwë, os quatro elfos dirigiram-se para a enorme porta que tinham entrado quando lá chegaram levando Sónia com eles, deram uma capa preta a esta que vestiu rapidamente e montou o Legas sem dificuldade, depois de uma breve despedida aos que tinham vindo à porta despedirem-se dos elfos, foram embora pelo o mesmo caminho que viajaram.

Cavalgaram calados até o sol se pôr, Sónia sentiu frio através do vestido creme que trajava e deitou-se nos grossos cobertores sem comer deixando Friêr preocupado com a tristeza de Sónia. Friêr sentia uma certa afeição por ela, uma afeição que nunca tinha sentido antes e foi essa afeição que o levou a ficar acordado toda a noite, já sentira esse carinho desde o segundo dia em que tinham saído da casa de Elrond e Friêr estava estranhamente confuso, esse carinho não era amor de quem se ama, mas sim um amor paterno e protector, então chegou-se perto onde Sónia adormecera e afastou a beira que caia-lhe nos olhos, mas um estranho barulho vindo de uns arbustos fez com que ele procurasse com os seus olhos a causa do barulho, mas como depois não ouviu nada encostou-se a uma árvore e ficou a fintar as poucas estrelas que conseguia vislumbrar atrás dos ramos das árvores.

– –

Quatro dias se passaram e finalmente chegaram à Casa de Elrond, Sónia ainda continuava triste, mas alegrou-se ao ver Nhatas a dirigir-se ao encontro do grupo, abraçou Elladan, seu pai, e deu outro abraço a Sónia apercebendo-se que Sónia tinha o coração triste e levou-a para o quarto onde tomou um bom banho e vestiu um vestido creme, mais leve que o que tinha vestido.

O resto do grupo dirigiu-se à biblioteca ter com Elrond onde explicaram o sucedido, desde que saíram da Casa de Elrond até à chegada, por fim Elrond disse.

– Sónia tem que aprender a nossa língua e os nossos costumes.

– Eu posso ensiná-la. – disse Friêr com um certo brilho nos olhos.

– Hum... Irá ser difícil, mas talvez consigas. – disse Elrond e depois virou-se para Culion. – Alguém sabe da existência da Sónia?

– Não.

– Hum... chegou a hora de divulgar a sua existência. Prepara cinco mensageiros, irei escrever uma carta para cada correspondente. Culion, irei mandar uma carta para o teu avô, Rei Legolas da Floresta Nova, não queres ir lá entregá-la?

– Não senhor, pois desejo ficar cá mais algum tempo.

Entretanto Telas entrou na biblioteca e abraçou Elrohir que retribuiu o abraço e o sorriso com muita ternura, Telas pediu autorização para falar com Elrohir a sós, depois de Elrond dar a permissão, Telas levou Elrohir para o jardim.

Sónia estava com Nhatas no quarto, não falava e limitava-se a olhar para os desenhos no tecto, Nhatas, que estava a ficar farta do silêncio, começou a cantar uma música alegre, mas Sónia não se alegrou e limitou-se a suspirar e a contar os dias desde que chegara, já tinha passado praticamente um mês...

– Ou mais! – disse Sónia, não sabia ao certo quantos dias se tinham passado, olhou para Nhatas que sorria, levantou-se e foi para a varanda se sentar num banco de vime branco que lá havia, suspirou e pôs-se a olhar para as estrelas e quando olhou para o jardim viu Elrohir sentado num banco de pedra com Telas e Sónia apressou-se a ir para dentro do quatro onde se encontrava Friêr na porta a falar com Nhatas.

– Sónia. – disse Friêr ao ver Sónia a aproximar-se – Eu vou ensinar-te a nossa língua.

– Hã? – Sónia não percebera. – Ensinar falar?

Friêr sorriu e Nhatas confirmou que sim abanando a cabeça.


Obrigado pelas reviews e por acompanhar a fic.
OBRIGADEX !XD