As personagens élficas aqui reconhecidas não me pertencem, mas sim a J.R.R Tolkien, mas a originalidade da história e algumas personagens pertencem somente a mim... e talvez à minha amiga que me ajudou, indirectamente, nos nomes das personagens.
– V –
Dois meses se passaram e Sónia estava mais alegre, já sabia falar mais a língua que Friêr ensinava, embora não compreendesse muitas palavras, principalmente as que tinham vários significados ou as que eram mais difíceis de pronunciar, até estava indo bem com as suas lições, mas as lições de escrita, que começara a aprender à pouco tempo, estavam sendo muito difíceis, Sónia nunca vira letra tão trabalhada e bonita, mas no entanto complicada de "desenhar", pois era assim que ela pensava.
– Raios partam estas letras maradas. – disse Sónia enquanto que Friêr ao lado, que não entendia a língua nativa de Sónia, mostrava como escrever "estrela".
– Sónia. – disse Friêr – Com uma curva no final... Assim...
– AI! Friêr... isto está sendo... como se diz? Como é a palavra? Qual é a palavra quando uma pessoa fica farta de não estar sempre a fazer a mesma coisa?
– Tédio?
– Isso mesmo... Isto é um tédio. Não fazemos mais nada sem ser curvas, rectas, desenharmos estas palavras...
– Escrever.
– Escrever? Isto é mais desenhar para mim do que escrever.
Friêr sorriu. Sentia-se feliz sempre que estava perto de Sónia. Continuou a sorrir e olhou para a janela, o dia estava bem bonito, com poucas nuvens no céu, com um sol quente e os pássaros cantavam na árvore ao lado da biblioteca, onde Sónia tinha as suas lições, depois olhou para Sónia e disse.
– Sabes. Tens razão.
– Tenho? – surpreendeu-se Sónia.
– Está um belo dia, tal como nos dias anteriores, e estamos sempre aqui fechados, bem nos dá jeito um dia de descanso.
– Uau! Obrigado Friêr... Mil e um obrigados. – Sónia levantou-se e agarrou no seu livro com páginas brancas, semelhante a um caderno escolar, mas sem linhas, com poucas palavras mal escritas, e colocou-o debaixo do braço, dirigiu-se à porta abrindo-a e antes de sair lançou um sorriso a Friêr.
Sónia apressou-se a ir para o quarto onde jogou o seu "caderno" para cima da cama e foi para a varanda, olhou o jardim por inteiro à procura de Elros, olhou em redor com esperanças que o visse, mas não o viu, suspirou, mas o seu sorriso não morreu, foi então que lembrou-se de algo e levou a mão à testa.
– Idiota. – disse para consigo – Elros está com o seu pai... Mas onde? Já sei.
Sónia saiu do quarto e foi até ao quarto de Nhatas, bateu à porta e antes de obter resposta, entrou e viu Nhatas com o cabelo solto à frente do espelho a arranjá-lo.
– Nhatas. – falou Sónia – Sabes onde está o teu irmão Elros?
– Elros? – respondeu Nhatas surpreendida, geralmente Sónia estava aquela hora na biblioteca e nunca perguntava pelo Elros – Ele está com o nosso pai a treinar a arte do arco e da flecha. Porque perguntas?
– Oh, o teu irmão Elros prometeu-me levar-me aos estábulos ver os cavalos e ir calvagar na orla da floresta se algum dia Friêr desse-me licença dos meus estudos. E isso é hoje, pois o meu tutor e amigo Friêr deu-me folga hoje.
Nhatas sorriu e abanou a cabeça vendo o entusiasmo da sua amiga mortal e que nunca vira tão contente desde que a conhecera, e era uma das raras vezes que saía da mansão, o que deixava Nhatas mais contente, pois sabia que Sónia não gostava de ser "o centro das atenções", mas desde que todo o Vale da Casa de Elrond soube da existência de uma mortal na Casa, Sónia era sempre o alvo das atenções.
Nhatas acabou de arranjar o cabelo e acompanhou Sónia até o pátio onde decorria os treinos, era um pátio rectangular muito grande e largo, em cada das quatro esquinas do pátio havia quatro árvores enormes e belas, com folhas muito verdes e jovens protegendo os bancos que lá havia com as suas sombras, no centro do pátio havia uma espécie de fonte que jorrava pouca água, mas não deixava de ser bela, e existia vários matérias bélicos, desde a arco e flechas a grandes machados, mas era a arte do arco e da flecha, e a arte da espada que eram muito mais trabalhados e apreciados, pois havia muitos elfos, principalmente jovens, a treinar com o arco e flecha, e com a espada. Sónia olhou em redor, nunca tinha estado no Pátio dos Treinos, mas também não se admirou com a sua beleza, pois tudo era belo naquele lugar. Olhou em volta à procura de quem buscava e viu Elros sentado num dos bancos debaixo de uma das árvores com o seu pai Elladan. Sónia esboçou um pequeno sorriso e desceu as escadas rapidamente, seguida pela Nhatas, indo ao encontro de Elros, quando este viu-a aproximar-se, levantou-se de repente sorrindo e falou.
– Bons olhos te vejam Sónia, a Mortal de Valinor.
– É mesmo necessário lembras-me que sou mortal? – brincou Sónia – Olá Elladan, Senhor. – Elladan só acenou gentilmente com a cabeça esboçando um sorriso.
– Onde está o teu tutor e mestre Friêr? – perguntou Elros – Não vejo contigo.
– Ele deu-me este dia de licença. – respondeu Sónia – E sabes o que prometes-te?
– Pois sei. Eu não poderia esquecer de uma promessa. Mas, infelizmente, terá que ficar para outro dia, tenho que treinar com o meu pai.
– Dou-te permissão meu filho. – disse Elladan vendo a cara entusiasmada de Sónia a desaparecer – É muito feio quebrar promessas a uma dama.
– Mas...
– Vai lá meu filho. Não deixes a dama à espera. Assim eu irem ver como estão a decorrer os preparativos – Elladan saiu debaixo da sombra e rumou para as escadas.
– Então não esperemos mais. – disse Elros olhando Sónia – Seguemos então até aos estábulos e vamos cavalgar na floresta.
– Orla – disse Nhatas rapidamente, um pouco preocupada – Orla da floresta.
Sónia e Elros olharam-na com espanto, Nhatas raramente contrariava alguém. Elros perguntou se a sua irmã gostaria ir cavalgar com eles, mas Nhatas recusou, pois tinha prometido a sua tia Telas cuidar da pequena Arwen. Então Elros mostrou o caminho à Sónia até aos estábulos onde pode ver os mais belos cavalos que alguma vez vira, havia castanhos de todos os tons, pretos, malhados, brancos, enfim, cavalos de todas as suas cores naturais. Eram altos e robustos, com longas crinas brilhantes e sedosas, e os olhos apresentavam um brilho quase élfico, se Sónia visse algum cavalo deste em sua terra, diria que era um cavalo mítico, ou semelhante. Sónia olhava para os estábulos que também tinha a sua beleza, com vários desenhos representando a vida quotidiano com cavalos e longas pastagens com cavalos a pastar, e no tecto estava representado uma longa padaria com vários cavalos a correr com as suas crinas a esvoaçar.
– Sónia. – chamou Elros tirando a sua atenção às imagens e aproximou-se dela com uma égua cinzenta clara e malhada com manchas mais escuras, as suas crinas eram de um cinzento muito lindo e os seus olhos eram pretos – Esta é Meiga, é uma égua já um pouco velha, mas como diz o seu nome, é muito meiga e deixa qualquer um montá-la, mas não deixa de ser forte e é muito corajosa. O meu cavalo é negro, aquele ali. – Elros apontou para o cavalo tão negro como carvão, não tendo nenhuma mancha quebrando a uniformidade da cor preta, mas era um belo e robusto cavalo – Darwin é o seu nome. – disse enquanto puxava o cavalo para fora da sua cavalariça.
Sónia fez festas no seu dorso, mas este bufou furioso, nunca sentira uma humana por perto e ao que parecia, não gostava muito.
– Parece nervoso. – disse Sónia afastando-se e colocando-se ao lado da Meiga esbarrando-se contra um elfo de cabelos loiros e olhos azuis, era o elfo das cavalariças, o que cuidava dos cavalos. Este falou com Elros e o jovem elfo de cabelos negros disse que gostaria cavalgar um pouco, então os dois elfos colocaram as celas e as rédeas na perfeição nos dois cavalos e ajudaram Sónia a subir para o dorso de Meiga que até não foi difícil, pois Meiga não moveu nem um músculo enquanto que a sua cavaleira subia para a sela. Logo de seguida Elros subiu para Darwin, saíram dos estábulos e seguiram para a orla da floresta, mas antes de lá chegassem, alguns elfos pararam de fazer as suas tarefas e olharam para Sónia a calvagar ao lado do neto do seu Senhor Elrond.
– Até parece que nunca viram uma humana na vida. – disse Sónia ao penetrarem na orla da floresta e deixando de ver os elfos e os estábulos. Elros riu-se e falou.
– É claro que nunca viram uma humana. Isto é, para muitos dos que cá vivem. Eu também nunca vira um mortal, até hoje, e ao que parece, vocês não são assim tão diferentes que os elfos. Isto é, nós somos imortais, somos sábios, temos a nossa beleza élfica, ouvimos melhor e vemos melhor. Sentimos coisa no ar que os humanos não sentem. Somos muitos bons a manejar armas, principalmente o arco e a flecha. Temos muitos feitos heróicos e belas canções. Tornamos o mais horrível e desfigurado metal numa bela obra. – fez uma pausa pensativa e arqueou uma sobrancelha – Não. Não assim tão diferentes.
– Convencido. – disse Sónia num resmungo e começou a trotar com a égua – Pois... já entendi que os elfos são melhores. Em algumas coisas.
– Algumas coisas? – admirou-se Elros e olhou-a, esta sorria vitoriosa, pois ela sabia muito bem do que estava a falar, ela mencionava que o Homem havia feito desde o começo da sua Era, ou seja, aviões, navios enormes, televisão, electricidade, veículos motorizados, descoberta da cura de inúmeras doenças, pizza... pois o Homem havia evoluído, apesar de haver também inúmeras outra coisas a qual não deveria se sentir orgulhosa, como guerras, armas capazes de destruir cidades, racismo, entre outras.
Fez algum silêncio entre os cavaleiros enquanto que Sónia mirava a beleza do local onde estavam, era mesmo muito belo, com enormes árvores a romperem do chão, arbustos de cor verde escuro e alguns com flores ou bagas, algum pássaro a cantar e a pular entre os ramos, um ou dois coelhos de passagem, então Elros decidiu quebrar o silêncio.
– Hum... Vocês! Errr... Lá na Terra Média têm tido problemas com os Orcs? – Elros nunca vira um Orc, mas ouvira a terrível descrição dos horríveis Orcs em canções e histórias, e sabia que eram criaturas reles e más, mas Sónia olhou-o, sabia também o que era um Orc, em histórias populares que se contam às crianças para embalar, nada mais.
– Orcs? – falou Sónia – Só se for nos pesadelos das criancinhas.
– Como assim? – perguntou Elros indignado.
– Ora. – Sónia parou Meiga para que Elros pudesse ficar junto dela – Contamos historias as crianças para que possam se acalmar.
– Mas Orcs não deveriam encaixar-se em histórias para criancinhas. São demasiados horrorosos e vis para isso.
– Não são nada.
– São sim... São criaturas completamente medonhas. – Sónia calou-se e olhou Elros como se ele fosse algum louco, bem ela sabia que eles eram elfos e tal, mas isso não queria dizer que os Orcs também existissem.
– Olha, se mesmo os Orcs existissem eles não iriam continuar a existir durante algum tempo.
– Co-como assim "existissem"? Eles existem.
– Se eles REALMENTE existem, eles estão muito bem escondidos, e quando digo muito bem escondidos, eu quero dizer... mesmo MUITO bem escondidos. – Elros fez uma expressão horrorizada, sabia que os Orcs haviam sido derrotados, mas deveria haver pelo o menos algum clã.
– E trols? Wargs? Aranhas gigantes da Floresta Negra? Ogres das Montanhas? E Lobos?
– Bem... trols e ogres também não existem, aranhas gigantes só no cinema, e mesmo assim mutantes. Wargs... não sei o que são e os lobos, bem... esses existem e são espécies em vias de extinção em muitos países, ou seja, em todos onde existe lobos e semelhantes.
– O que são "espécies em vias de extinção"? E o que é um "cinema"?
– Espécies em vias de extinção são espécies de animais ameaçados, ou seja, existe em menos número graças aos "avanços estúpidos" do Homem de outrora, mas... nós já estamos a protegê-los para que a sua espécie não desapareça e o cinema é...
– O QUÊ? – interrompeu Elros assustando Sónia – Vocês protegem os Lobos? Criaturas de Morgoth e das Trevas que matam selvaticamente os Homens e Elfos, e outras criaturas de Arda? – Sónia olhava-o de olhos arregalados, quem diria que ele ficasse perturbado.
– Coitado dos lobos. – disse Sónia recomeçando a andar com Meiga.
– Estranhos são os hábitos dos Homens. – fez uma pausa e recomeçou a acompanhar o passo de Meiga – Eu ouvi em histórias fantásticas e belas canções sobre Gondor, Minas Tirith, chamada a Cidade Branca, os Portos Cinzentos, a Floresta de Fangorn, bela e antiga... Diz-me, o que achas? São assim tão espantosos como dizem as canções e histórias?
Sónia fez um esforço para ver se alguma vez ouvira falar em tais nomes, mas nada ocorreu em sua mente e falou sem muito interesse.
– O que é um Gondor? – o elfo fazer uma cara espantada e horrorizada.
– Não conheces Gondor? – Sónia abanou a cabeça negativamente, Elros baixou a cabeça confuso e falou para si – Como é que os Homens poderão ter esquecido tais lugares? – então calou-se e não falou mais.
Cavalgaram durante algum tempo sem falar, Sónia admirava cada vez mais a beleza da floresta e não reparou que ela e Elros penetravam cada vez mais nela, até que Elros pediu que parassem quando chegaram a uma parte da floresta onde o ar era estranhamente mais pesado e escuro. Elros olhou em redor aproximando o seu cavalo da Sónia, era estranho aquela floresta abençoada ter uma parte que seja suspeito e estranhamente escuro, virou-se para Sónia e disse num tom um pouco preocupado.
– Vamos embora. Por hoje chega. Não me agrada esta parte da floresta que nunca tinha visto antes. Vamos.
– Mas... Já? – perguntou Sónia desanimada – Eu estava a gostar. E o que tem mal nesta parte da floresta? É só um pouquinho mais escura, não há nada que recear.
– Duvido muito. Anda – Elros voltou o seu cavalo, mas então ouviu a Sónia a gritar de satisfação e este assustou-se imenso, olhou para Sónia e viu-a a desmontar, e a correr para agarrar algo, quando voltou-se para Elros, este viu que ela tinha um cão branco, com uma mancha preta em volta do olho e orelha esquerda nos braços, mas era um cão de estatura média e pesado, e Sónia colocou-o no chão.
– Não é tão bonitinho? – disse Sónia afagando meigamente o cão que abanava o seu rabo como se a sua vida dependesse disso
– Onde é o que encontras-te... – perguntou Elros confuso – O que faz um cão no meio da floresta?
– Ora. Ou fugiu, ou foi abandonado. Coitado desta coisinha tão fofa. És uma coisinha linda, és...
– Pára de falar com o cão e vamos embora.
– Mas... mas... – Sónia agarrou no cão e fez olhos tristes – Não vais deixá-lo sozinho.
– Não estás a pensar em levá-lo.
– Mas... olha para ele. Tão sozinho, no meio da floresta, sem comer nem água, ao frio... e... e... e se chover? Ou... ou nevar. E se algum bicho o atacar ou morder. Deixa levá-lo... – Sónia fez uma cara triste "praticada" e fez beicinho – Por favor! – Elros olhou-a demoradamente, ele era conhecido por não ser fácil de convencer, suspirou e subiu para o cavalo derrotado.
– Vamos, e trás o cão contigo. – disse por fim – Desde que saiamos desde local. Sónia sorriu vitoriosa, esta "táctica" de olhinhos tristes sempre resultava com os seus irmãos.
Subiu a cavalo e chamou o cão que demorou a entender para segui-la, olhando sempre para os arbustos à espera de algo, mas seguiu Sónia correndo atrás de Meiga e saltitando sempre que Sónia falava com ele. Chegaram à orla da floresta e meteram-se pelo o caminho de pedras brancas, ao longe, nos portões principais do palácio de Elrond, viram uma pequena horda de elfos com trajes de viajem de tons escuros, traziam cinco cavalos, três de tons escuros carregavam sacos e os restantes eram altos e brancos, extremamente belos, um com a sela e as rédeas prateadas e o outro douradas, mas os cavaleiros não se encontravam nos cavalos. Sónia olhou para os elfos que descarregavam os cavalos e os entregava ao elfo que Sónia vira nas cavalariças. Esta olhou para os elfos recém chegados, que agora avançavam para o palácio com os sacos, olhou-os curiosa e não se deu conta que Elros já avançava para os estábulos, este parou e chamou-a para que o acompanhasse rapidamente.
– Quem eram? – perguntou Sónia ao Elros enquanto que ajudava a retirar as rédeas à égua cinzenta.
– São elfos. – disse Elros sem interesse e aborrecido, Sónia conseguiu que ele cedesse à sua exigência e isso deixava-o aborrecido.
– A sério? – disse Sónia completamente sarcástica e fingindo-se extremamente surpreendida – É que... sabes... eu não reparei nadinha. Pensei que fossem os Black Eyed Peas. Mas já que dizes que são elfos, eu acredito.
Elros olhou de soslaio para a mortal que esboçou um sorriso irónico enquanto que se perguntava o que era um Black Eyed Peas. O elfo das cavalariças, que assistira à conversa enquanto que colocava palha fresca aos cavalos dos viajantes, sorriu vivamente vendo a cara aborrecida que Elros mostrava. Logo depois de os cavalos estarem arrumados, Sónia saiu dos estábulos com o elfo de cabelos negros logo atrás, chamou o cão que estava deitado na relva e afagou-lhe amavelmente.
– Ele... é... tão lindo. – disse Sónia abraçando o cão – Vou chamá-lo de... de... Potchi.
– O quê? – Elros achou o nome horrível.
– Potchi. Sempre quis um cão com esse nome.
– Tu lá sabes. – Elros começou a andar e Sónia, chamando o cão, seguiu e fez a mesma pergunta de quem eram os recém chegados.
– Fazem parte da horda de viajem do Rei Legolas Greenleaf, penso que são seus conselheiros e talvez o seu filho, pai de Culion e de Friêr.
– O mestre Friêr e o Culion são príncipes? – surpreendeu-se Sónia e sorriu maravilhada, quem diria que o seu tutor era um príncipe? Elros sorriu ao ver Sónia surpresa e olhou-a amavelmente, Sónia agarrou na mão do seu amigo e começou a andar mais rápido, queria ver o rei e falar com o seu tutor.
– Mas o que faz um rei aqui? – perguntou subitamente Sónia empurrando Elros pelo corredor.
– Não só o Rei da Floresta Nova que está cá, mas também os mais altos representantes dos outros reinos, como os Noldor e os...
– Sim... sim... Mas o que eles estão cá a fazer?
– Para o banquete.
– Qual banquete? – Elros, que ainda era puxado pela Sónia surpreendeu-se.
– O banquete em que Elrond vai apresentar-te a Valinor. – Sónia parou de repente e olhou para Elros com uma cara sem graça.
– Estás só a dizer isso... – olhou para Elros – Eu não... eu... nem pensem que vou para um banquete com aqueles elfos importantes e... não podiam simplesmente dizer numa carta? Não era preciso um banquete.
– Mas... – Elros ia começar a falar quando viu seu pai, Elladan, a se aproximar sem que Sónia notasse.
– Mas nada. Ouve, ficou muito lisonjeada e honrada por fazerem um banquete para mim, mas eu não passo de uma mera mortal e eu não acho que, bem... eu não acho que devo estar no meio de elfos importantes. Já basta estar nesta bela casa e, eu devia era estar numa cabana feita de madeira no meio da floresta mais profunda que existe e...
– Disparate. – disse Elladan e deixou escapar um sorriso divertido – És única nestas terras e queres que te exile como fosses um perigo? Não... Deves ser conhecida, muito bem apresentada aos Senhores dos reinos desta terra. – calou-se olhando a cara de espanto de Sónia – Agora vem comigo, Elros já teve o seu tempo contigo e Legolas gostaria de ver-te.
– Legolas? – disse Sónia depois de se engasgar nas suas próprias palavras – O rei Legolas?
– Sim...
– Eu tenho... Que... eu tenho que ir fazer uma coisa e...
– A fugir? – perguntou Elros divertido barrando o caminho à Sónia – Mas não querias ver o rei Legolas Greenleaf?
– É que... – começou Sónia a falar, mas Elladan interrompeu-lhe agarrando no braço e puxou-a para que começasse a segui-lo.
– Vamos... Não há necessidade para vergonhas. – repreendeu Elladan puxando-a amigavelmente pelo o corredor com Elros a rir mais atrás devido aos protestos e embaraços de Sónia. Finalmente chegaram a uma porta de madeira lisa e branca muito bela com as maçanetas da mesma cor.
– Não. A sério... – começou Sónia a dizer quando Elladan agarrou na maçaneta depois de bater à porta – Eu tenho uma coisa... – tarde de mais, Elladan abriu a porta e empurrou Sónia para dentro, os presentes olharam Sónia e um elfo alto de pele clara, olhos azuis e cabelos loiros olhou-a e sorriu, era Legolas Greenleaf. Além dele também se encontrava Friêr, Culion, Elrohir, Elrond e um elfo de cabelos loiros ao pé da janela, era muito belo, com o rosto jovem, parecido com Culion e com o seu irmão, Friêr, mas de olhos verdes tão claros que até parecia não ter cor, olhou Sónia sem interesse e coçou a sua orelha pontuda direita, Sónia olhou para ele fascinada, mas depois desviou o olhar para Legolas que acabara de a abraçar deixando a cor da cara da moça tornar-se vermelha, afastou-se e olhou-a sorrindo.
– As saudades que já tinha de abraçar um mortal... – Sónia não falou e continuou a olhá-lo de olhos arregalados envergonhada fazendo que todos rissem, menos o elfo à janela que só esboçou um sorriso pequeno. – Por favor, não é preciso ter envergonha.
– Eu quase tive que traze-las às costas que ela não queria vir. – disse Elladan entrando e juntando-se ao seu gémeo.
– Então... como é que te chamas? – perguntou Legolas como se falasse com uma criança.
– Sónia... – respondeu não engasgando-se por pouco – Sónia Abreu.
– Muito bem. Eu sou Legolas, e já deves conhecer os meus dois netos, que raramente visitam a sua terra. – apontou sorrindo para Culion e Friêr – E o meu neto, que raramente sai da sua terra, Thünir. O meu filho não pode vir, portanto veio Thünir. – Thünir olhou para Sónia cumprimentando-a com a cabeça sorrindo, mas sem muito interesse.
Sónia olhou para os restantes e voltou os olhos para Legolas sorrindo, este retribuiu-lhe o sorriso e, colocando o braço em volta dos ombros da mortal, levou-a perto de uma mesa ao lado do seu neto Thünir e agarrou uma embalagem de pano castanho e entregou-a à Sónia, esta aceitou sorrindo e abriu, os seus olhos arregalaram-se e brilharam enquanto que sorria ainda mais.
– Então parece que gostas-te da prenda. – disse Legolas – Foi Thünir que escolheu.
– Obrigado. – agradeceu Sónia olhando para Thünir que retribuiu com um belo sorriso, e depois para Legolas – É tão lindo.
Sónia tirou um lindo vestido da embalagem, era um vestido leve de cor azul tão claro que não era branco por pouco, com efeitos de folhas e ramos finos que se enrolavam entre si nas bainhas das mangas largas e na cintura, a cor dos efeitos era azul claro, mas mais escuro que o azul do vestido.
– Gostaria que o usasses no banquete. – falou Thünir subitamente e aproximando-se.
– Sim, com muito gosto. – Thünir sorriu e dirigiu-se à porta abrindo-a e saindo da sala.
– E eu também tenho que abandonar-vos por agora – disse Legolas saindo da sala – Gostaria de descansar antes do banquete. Adeus amigos, minha donzela.
– O banquete é hoje? À noite? – perguntou Sónia subitamente olhando para os presentes que riram ao ver a cara de espanto de Sónia – E nem me avisaram?
– Mas não sabias? – perguntou Elrond surpreendido – Eu avisei aos meu filhos para que te avisasse. – olhou para os seus filhos e ambos fizeram uma cara como quem queria que os tirassem dali – O banquete estava combinado ser à duas semanas atrás, mas o rei Legolas Greenleaf atrasou-se. Os outros representantes já chegaram à duas semanas.
– E porquê eles ainda não me falaram?
– Bem... a tua presença em Valinor não lhes agrada. – Sónia franziu a testa ofendida e ia começar a falar quando um criado bateu à porta e entrou.
– Meu Senhor Elrond. – falou o criado respeitadamente e fazendo uma vénia – Chegaram Galadriel e Celeborn.
– Os avós estão cá? – disseram os gémeos de repente e levantando-se.
– Galadriel e Celeborn estão cá? – falou Elrond surpreso, mas feliz – Pensei que não pudessem vir. Celebrían veio?
– Não meu Senhor. – respondeu o criado. Os olhos de Elrond e dos gémeos entristeceram, mas logo sorriram e Elrond saiu da sala com os gémeos, deixando Sónia com Friêr e com Culion na sala, mas Culion levantou-se e saiu dizendo que tinha que fazer algo.
– E deixa-nos sós. – disse Friêr sem tirar os olhos da porta.
– Pois... – respondeu Sónia sem interesse, depois virou-se para o seu tutor e falou – Porquê é que não me disse-te que eras um príncipe? – Friêr olhou-a espantado e depois riu-se.
– Eu sou teu tutor e mestre de muito bom agrado, não era preciso contar-te esse pormenor, afinal, não gosto que me amam por ser um príncipe. – Sónia olhou-o aborrecida e cruzou os braços.
– Mas podias contar-me, lá por seres um príncipe, não deixava de tratar-te como meu amigo... e mestre. – Friêr riu-se e levantou-se em direcção à porta.
– Falta pouco que a noite chegue. Vou para o meu quarto, vou tomar banho e preparar-me para o banquete. Devias fazer o mesmo.
– Ah, pois, o banquete. – fez uma pausa enquanto saia da sala com o elfo – Ouve lá. Quem é Galordiel e Celeporne? – Friêr riu-se deixando Sónia ainda mais aborrecida.
– Saberás no banquete onde estarão os elfos mais importantes de Valinor, ou os seus representantes. – calou-se – E é Galadriel e Celeborn. Agora deixo-a. Até ao banquete, adeus.
– Adeus. – disse Sónia aterrorizada – Elfos importantes? Ai... Meu... Deus.
