Peço 1001 Desculpas por colocar esta parte tarde, mas a minha drive de disquetes pifou e tivemos que arranjar outra, depois a minha "inspiração" foi de férias durante algum tempo e a minha avó faleceu à pouco tempo. Mais uma vez as minhas Desculpas
As personagens élficas aqui reconhecidas não me pertencem, mas sim a J.R.R Tolkien, mas a originalidade da história e algumas personagens pertencem somente a mim...
- VII -
Elladan olhou para o irmão, não sabia o que dizer nem o que fazer, abanou a cabeça zangando e olhou mais uma vez o seu irmão, este também o olhava, sentia-se desgraçado ao fazer o seu irmão sofrer.
– Perdoa-me meu irmão. Perdoa-me. – disse Elhorir chegando-se perto do seu gémeo.
– Vai! – Elladan afastou-se do seu gémeo – Deixa-me só. Preferia que não tivesses dito nada. Agora deixa-me só. Vai.
Elhorir olhou Elladan triste e saiu do quarto deixando Elladan só, este enterrou as suas mãos no rosto, não queria acreditar que amava a mesma mulher que o seu filho, mas era verdade, e era uma verdade dolorosa, e depois de algum sofrimento, não pelo o seu filho ou pela Sónia, mas por si próprio, concluiu que teria de fazer uma escolha, algo que nunca desejou ter de fazer. Deitou-se na cama e olhou para o tecto, ficara mais um dia no quarto, fitou o teco sem saber o que deveria fazer.
– O que é que vou fazer? – sussurrou Elladan – Meu Eru, o que é que vou fazer? Não quero o meu filho deixe este mundo, mas também não quero deixar Sónia. Meu Eru... – lágrimas encheram-lhe os olhos, suspirou e secou as lágrimas, tinha que fazer algo, tinha que escolher e sabia exactamente o fazer – Perdoa-me. – disse Elladan antes de adormecer num sonho triste.
Mais um dia nasceu chuvoso e frio, Sónia estava a vestir-se enquanto que Nhatas a ajudava, tinha o olhar preocupado, pelo seu pai e pelo o seu irmão. Sónia também estava preocupada, Elladan ainda não havia lhe falado já algum tempo e também sentia-se preocupada com estado de Nhatas e Elros.
– Nhatas. A sério. – falou Sónia sentando-se ao lado da sua amiga – Tens mesmo que dormir, olha para ti! Estás num traste...
– Eu tento, mas não consigo. Primeiro o meu irmão, e agora o meu pai... Eu não sei mais o que fazer.
– A primeira coisa que tens que fazer é descansar. Do jeito que estás, não vais a lado nenhum. Tu e os que cá vivem. Sinceramente, vocês elfos levam os sentimentalismo muito a peito. Quando vocês estão contentes, parecem pior que cabras saltitantes, quando estão tristes... nem te digo nada. Os mortos chegam a ser mais felizes. – Nhatas esboçou um pequeno sorriso, o primeiro já alguns dias.
– As tuas palavras alegram-me.
– Ao menos para isso sirvo. Anda, temos que... – de repente um jovem elfo de cabelos loiros, que não aparentava ter mais que 13 anos, bateu à porta e entrou, olhou timidamente para Nhatas e Sónia, e falou timidamente.
– O Mestre Thünir mandou-me chamá-la Menina Nhatas.
– Thünir? – falou Nhatas olhando o jovem que abanava a cabeça afirmativo. Nhatas olhou para Sónia e saiu do quarto deixando a mortal sozinha.
– Mas o que é que vou fazer com este pessoal? – disse Sónia abanando a cabeça, depois dirigiu-se até a varanda e olhou para o jardim, pensou em Elladan e preocupou-se, ainda não o vira desde a uns dias e praticamente não sabia nada dele. – Vou ver se ele está no quarto.
Sónia saiu do seu quarto na direcção do quarto de Elladan, quando lá chegou, depois de ter-se perdido duas vezes nos imensos corredores, bateu à porta e deixou-se ficar até ter alguma resposta, mas como não obteve nenhuma, entrou. O quarto estava escuro, as cortinas estavam fechadas e a lareira apagada, Sónia olhou em redor e viu alguém deitado a dormir na cama, entrou e fechou a porta devagar, aproximou-se da cama e viu Elladan a dormir, parecia triste e cansado. Sónia sentou-se ao lado dele fazendo os possíveis para não acordá-lo, mas Elladan acordou e olhou para Sónia, esta sorriu-lhe e acariciou-lhe os cabelos. Elladan deixou-se acariciar pela Sónia, mas de repente afastou as mãos de Sónia, olhou para a humana com um olhar gélido como só os elfos fazem quando o queiram, deixando Sónia assustada e esta afastou-se.
– O que fazes no meu quarto? – disse Elladan zangado.
– Eu vim ver-te... – respondeu Sónia de olhos arregalados.
– Eu não me lembro ter-te dado permissão para entrares no meu quarto.
– Eu bati à porta, mas como não respondes-te. Eu entrei...
– Então fosses embora... – Sónia zangou-se e levantou-se enfrentando Elladan.
– Mas tu entraste no meu quarto todas aquelas noites, esgueiravas-te para minha cama e eu não me zanguei...
– Isso é diferente!
– O que tem de diferente?
– Isso era EU e não TU... – Sónia olhou-o de boca aberta pronta para falar, mas as palavras não saía-lhe da boca, Elladan olhou-a e suspirou – Desculpa, eu não tenho estado bem e...
– AI não! Tu nem mudes de assunto... o que queres dizer com que "Isso era EU e não TU"? Explica-te lá melhor. Porque eu não percebi...
– Sónia... disse isso sem pensar...
– Não! Se tu pensas que eu sou como aquelas elfinhas que tu falas e elas calam-se, estás muito bem enganado...
– Sónia... Eu... Eu não tenho estado bem e preciso de falar contigo. Mas gostaria que fosse num outro momento, mais agradável...
– Eu acho este momento agradável... Podes dizer... – Sónia cruzou os braços e arqueou um sobreolho zangada, Elladan olhou-a pasmado, nunca vira um ser do sexo oposto, mesmo sendo uma elfa forte, ser tão defensora de si... – Estás à espera de quê?
Elladan sorriu e avançou para abraçá-la carinhosamente, queria acabar com a discussão que ele próprio criara de propósito, mas parou de repente e manteve a sua pose gélida e séria, mas Sónia, apesar de manter-se séria e furiosa, estava triste e confusa, não sabia o que acontecera de repente entre ela e Elladan, aquela discussão era absurda e fútil, não sabia porque queria continuá-la, talvez fosse porque queria saber o que realmente se passava ou talvez para aproximar-se de Elladan, Sónia esta extremamente confusa e Elladan notara isso.
– Sónia... agora não... – Elladan sentou-se na cama – Por favor... Deixa-me descansar... estou cansado.
Sónia olhou-o com pena apesar de manter a sua posse austera, virou as costas a Elladan e saiu do quarto sem falar e bateu com porta com força, avançou pelos corredores até chegar ao jardim debaixo da janela do seu quarto, onde sentou-se num banco de pedra branca e suspirou triste tentando compreender o que acabara de se passar entre Elladan e ela.
– Parvo... é mesmo parvo. – Sónia culpou Elladan – Eu e a minha grande boca... Tive logo que continuar a discussão. Mas porque é que não aprendi com os meus pais que as discussões não levam a lado nenhum? – fez uma pausa – Eu sou uma IDIOTA!
– E porquê? – perguntou uma voz por detrás dela, Sónia assustou-se e olhou para Elrond que avançava na sua direcção de sentou-se ao lado da mortal – Ainda não respondes-te à minha pergunta! Porque que estavas a chamar idiota a ti própria?
– Por nada. – respondeu Sónia desviando a cara – É só umas tontices minhas, coisas de humana.
– Realmente deve ser tontice, pois andas a chamar-te idiota em vão.
– Não é em vão Mestre Elrond. – suspirou Sónia
– Aconteceu alguma coisa?
– Não.
Elrond olhou-a e sorriu gentilmente, era tão fácil perceber os sentimentos humanos, mas não forçava Sónia a contar o que se passava, preferia que fosse ela a contar por vontade própria, apesar de Sónia ter um carácter forte e teimoso.
– Hum... o Elros já está... bem? – disse Sónia para que os dois não caíssem em silêncio. Elrond suspirou triste e respondeu.
– Ele continua no quarto fechado... Até Elladan está perdendo o espírito! – Elrond suspirou novamente e Sónia olhou-o triste, não gostava de ser ver alguém deprimido, então, ao ver o pequeno monte com uma só árvore, lembrou-se das duas pequenas campas e perguntou a Elrond de quem aquelas campas eram, depois lembrou-se que falar de campas não era propriamente o lindo assunto de falar, principalmente quando se quer mudar de um assunto triste.
– Aquelas duas campas pertencem aos Portadores do Anel, Bilbo e Frodo Bagens. – respondeu Elrond olhando o monte
– Oh! – Sónia calou-se ignorante e Elrond sorriu.
– Bilbo e Frodo Bagens eram hobbits, pequenas criaturas de pés grandes e peludos, mas com carácter tão fortes quanto uma enorme árvore que vive à 500 anos.
– Como uma sequóia?
– Como uma quê?
– Deixa estar. E eles eram importantes?
– Importantes? Eles foram as últimas criaturas a carregar o Anel. – Sónia olhou Elrond ignorantemente – Eu tenho que avisar Friêr para que te conte a história do Anel. – Elrond olhou para o céu, levantou-se e fez uma pequena vénia a Sónia – Agora tenho que ir. Adeus. – E Elrond deixou Sónia sozinha, olhando para o monte.
– –
Mais um dia passou e Elros continuava no quarto, ninguém sabia o mais que fazer, limitavam-se apenas esperar, esperando o pior.
Elladan também era alvo de preocupação, já saíra do quarto, mas não andava com boa cara, andava preocupado e deprimido, Elhorir evitava falar com o seu irmão para banir as dores que tanto assolavam o irmão, deixando-o ainda pior.
Sónia também sentia-se triste e suspirava a todo o instante, deixando Nhatas ainda mais triste e preocupada que já estava, que nem mesmo Thünir a fazia sorrir, mas Sónia estava determinada a acabar com aquele sentimento de confusão e tristeza que sentia, e depois de umas breves palavras, despediu-se de Nhatas e procurou Elladan, que o encontrou na pequena biblioteca, do outro lado da mansão, estava só e olhava fora da janela, vendo as poucas nuvens dissiparem-se e deixando os raios de sol aquecer a terra. O elfo de cabelos negros olhou para Sónia com tristeza enquanto que esta sentava-se num pequeno sofá, nenhum dos dois falaram e um gélido silêncio tomou a sala, então Sónia decidiu quebrar esse silêncio.
– Não é tão agradável como um jantar de velas, mas serve. – disse Sónia carinhosamente e esboçando um sorriso. – Agora podes dizer-me o que queres me contar.
Elladan empalideceu e olhou novamente para a janela para que Sónia não notasse dor no seu olhar, suspirou sem que Sónia ouvisse e sentou-se noutro pequeno sofá à frente de Sónia, separados por uma pequena mesa.
– Sónia... eu... – Elladan olhou-a, ela mantinha-se calma e o olhava atentamente, as palavras, já meticulosamente calculadas, não saíram da boca e dispersaram na mente de Elladan – Eu... isto é tão difícil. – Sónia sentiu uma leve dor no coração, mas não desfez o seu sorriso – Com esta desgraça que caiu sobre o meu filho... e a mim – acrescentou Elladan penoso – Eu sinto que... sinto que... – o coração de Elladan endureceu, sentia-se quase a desfalecer – Eu não posso... eu não consigo viver assim... Eu não consigo ver-te enganada, mesmo sem o saberes... – o sorriso e a serenidade de Sónia morreu.
– Elladan ? – disse Sónia inquieta e com a dor no coração a crescer – O que... – Elladan desviou a cara, cerrou a mão com força, mordeu os lábios sem que Sónia visse. Era tão difícil e doloroso. Voltou a olhar para Sónia depois de um tempo com o olhar sem sentimentos e falou.
– Eu não te amo... e lamento por me amares. Eu não o mereço... – uma flecha encravou-lhe o espírito e o seu corpo enfraqueceu ao dizer uma mentira tão dolorosa e que desejava dolorosamente que fosse verdade.
Sónia empalideceu e encostou-se ao sofá abalada, olhou para Elladan que a olhava com o olhar triste.
– Tu dizes-te que me amavas... – disse Sónia com uma voz trémula, deixando que uma lágrima escapasse e escorresse lentamente pelo o rosto – Abraçaste-me nos teus braços, acaricias-te os meus cabelos... tiveste este... trabalho todo... Só para passares as noites no leito comigo?
– Sónia... – Elladam levantou-se para abraçar Sónia, sentia-se tão miserável que nem as belas palavras élficas o descreveriam, mas Sónia levantou-se e foi embora, mas sem antes lançar um olhar cheio de lágrimas e de ódio. Elladan gelou ainda mais e caiu no sofá desfazendo-se em lágrimas amargas e desgraçadas assim que Sónia fechou a porta da pequena biblioteca.
Sónia deambulou devagar pelos corredores como se a sua alma tivesse sido esquartejada por uma abominável espada de fogo negro. Não chorava, mas finas lágrimas escorria-lhe pela cara e andava de rosto baixo, todos os que lhe falaram, não obtiveram resposta ou olhar, somente um duro silêncio e Sónia simplesmente seguia o seu caminho pelos corredores que lhe pareciam negros e mais longos. Quando chegou ao corredor do seu quarto, Nhatas a esperava na porta do seu quarto e esboçou um pequeno sorriso quando viu a sua amiga, mas Sónia simplesmente olhou-a com os olhos a deitar finas lágrimas e a alma destroçada, Nhatas arregalou os olhos assustada. Sónia entrou no quarto e trancou a porta antes de Nhatas entrar, depois deitou-se na cama e enterrou o rosto na almofada onde chorou a noite inteira.
